Noções de Administração Financeira e Orçamentária

Prof. Lucas Sapucaia lucassapucaia@hotmail.com MPU 2010

Orçamento Público
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1 ² Atividade Financeira do Estado A atividade financeira é exercida pelo Estado visando ao Bem Comum da Coletividade. Para que o Estado consiga, de fato, cumprir a sua finalidade é necessário a arrecadação de recursos. Esses recursos são , enfim, aplicados na prestação de serviços públicos (esgotamento sanitário, segurança pública, etc.).

Orçamento Público
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1 ² Atividade Financeira do Estado Essa atividade consistem em: OBTER RECURSOS (Receita Pública) APLICAR RECURSOS (Despesas Públicas) GERIR RECURSOS (Orçamento Público) CRIAR CRÉDITOS (Empréstimo Público)

Orçamento Público
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2 ² Teoria das Finanças Públicas As Finanças Públicas fazem parte da Economia, portanto é necessário entender onde e como exatamente o Estado injeta recursos na Economia. Podemos dizer que a Intervenção na Economia é uma das principais características do Estado.

através do livre mercado (não intervenção estatal na economia) .Orçamento Público y 2 ² Teoria das Finanças Públicas Corrigir Falhas de Mercado: Falhas de Mercado são fenômenos que impedem que a economia alcance o estado de Bem-Estar Social.

podem ser corrigidas por políticas públicas. com legislação. taxação. informação assimétrica e mercados incompletos. Essa falhas. .Orçamento Público y 2 ² Teoria das Finanças Públicas Concorrência imperfeita. externalidades. no contexto normativo. Outras formas de correção das falhas que decorrem da função estatal está o controle dos preços por meio do tabelamento e fixação do preço mínimo. por exemplo. são manifestações de falha de mercado.

.Orçamento Público y 2 ² Teoria das Finanças Públicas Existência de Bens Públicos: Bens cujo consumo é indivisível e não excludente (Ruas. Energia Elétrica etc. Existência de Monopólios Naturais: O Governo é obrigado a assumir a produção ou criar agências reguladoras que evitem a exploração do consumidor (Água. Segurança Pública). Praças.).

Orçamento Público y 2 ² Teoria das Finanças Públicas Externalidades: Positivas e Negativas. Emprego e Estabilidade: Atenção para regiões não se desenvolvem sem a ação do Estado BNDES . Desenvolvimento.

o governo intervém na economia. . I ² Função Alocativa¹: Relaciona-se à alocação de recursos afim de oferecer bens e serviços públicos puros². os meritórios ou semipúblicos³. criar condições para que bens privados sejam oferecidos no mercado e corrigir os efeitos negativos das Externalidades. utilizando-se do Orçamento Público e das suas Funções Orçamentárias.Orçamento Público y 3 ² Funções Orçamentárias Para atingir seus objetivos.

verbas. ou seriam em condições insuficientes (rodovias. segurança pública. 3 ² São bens que embora possam ser explorado pelo setor privado.Orçamento Público y 3 ² Funções Orçamentárias 1 ² Destinar (fundo orçamentário. podem e devem ser produzidos pelo setor público para evitar que a população de baixa renda seja excluída do seu consumo (Educação e Saúde). recursos) a um fim específico ou a uma entidade. 2 ² São aqueles serviços que não seriam oferecidos pelo mercado. . justiça).

incentivos fiscais. políticas assistencialistas). transferências financeiras. subsídios. .Orçamento Público y 3 ² Funções Orçamentárias II ² Função Distributiva: Visa tornar a sociedade menos desigual em termos de riqueza e renda (tributação diferenciada.

. melhorar o nível de emprego. cambial e fiscal ou outras medidas de intervenção na economia). estabilizar a moeda (instrumentos de política monetária.Orçamento Público y 3 ² Funções Orçamentárias III ² Função Estabilizadora: É a aplicação das diversas políticas econômico-financeiras e fim de ajustar o nível geral de preços. combater a inflação.

.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Dimensões: Dimensão Jurídica ² Tem caráter e força de lei definindo limites a serem respeitados pelos governantes e agentes públicos.

. A economia é diretamente afetada pela gestão orçamentária.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Dimensões: Dimensão Econômica ² É basicamente o instrumento por meio do qual o Governo extrai recursos da sociedade e os injeta em áreas selecionadas.

uma vez que o processo de elaboração. perspectivas e interesses conflitantes que se resolvem em última estância no âmbito das ações políticas dos agentes públicos e dos inúmeros segmentos sociais. necessariamente. e gestão do Orçamento Público embute. .Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Dimensões: Dimensão Política ² É um desdobramento da dimensão econômica e da função distributiva. aprovação.

bem como o seu controle e julgamento.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Características: No Brasil o orçamento é do tipo misto visto que a iniciativa cabe ao Poder Executivo. . porque utiliza cálculos de receita e despesa. É Técnico. mas sua aprovação é submetida ao Poder Legislativo.

transforma-se na LOA. no decorrer do exercício financeiro. proceda a sua execução. o gestor público verifique a real necessidade da despesa autorizada e neste caso. Quando o orçamento anual é aprovado. .Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Características: Tem caráter autorizativo e não impositivo. apenas contém uma autorização do poder legislativo para que.

De acordo com a CF/88.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Competência Legislativa: A Competência Legislativa orçamentária é matéria tratada pelo Direito Financeiro ² ramo do Direito Público que. estuda a atividade financeira do Estado. sob o ponto de vista jurídico. o Direito Financeiro e o Orçamento Público inseremse no âmbito da legislação concorrente. conforme consta no art. 24: .

II ² orçamento. 24. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I ² direito tributário. Compete à União. .Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Competência Legislativa: Art. econômico e urbanístico. financeiro. penitenciário.

não há preocupação com o planejamento. com a intervenção na economia ou com as necessidades da população. Nesse conceito. O orçamento é apenas um ato que aprova previamente as receitas e despesas públicas.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Conceitos: Conceito Tradicional/Clássico: É uma Lei que abrange a previsão da receita e a fixação de despesas para um determinado período de tempo. .

um plano político de ação governamental para o exercício seguinte. . ainda.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Conceitos: Conceito Moderno: É um programa de Governo proposto pelo executivo à aprovação do legislativo. É.

que traduz em termos financeiros os planos e programas do Governo. ajustando o ritmo de sua execução à efetiva arrecadação dos recursos previstos em lei. dinâmico e flexível. .Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Conceitos: Conceito Moderno: O Orçamento Público é um processo contínuo.

o orçamento público é um instrumento do planejamento e da administração que garante créditos orçamentários para tornar possível a realização das ações.Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Conceitos: Conceito Moderno: Nesse conceito. alcançando assim os objetivos dos programas. .

porque é um meio para garantir créditos orçamentários e recursos financeiros para a realização dos planos. .Orçamento Público y 3 ² Aspectos Gerais do Orçamento Público Conceitos: A Lei Orçamentária é conhecida como ´Lei dos Meiosµ. programas e projetos.

Orçamento Público y4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias A) Orçamento Tradicional/Clássico B) Orçamento Desempenho/Funcional C) Orçamento Programa D) Orçamento Base-Zero E) Orçamento Participativo F) Orçamento Incremental .

Orçamento Público y4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Neutralidade em relação à economia. Não utilizava indicadores de resultado. Ênfase: Objeto do gasto. Valorização do aspecto jurídico. . Características: Nenhuma Vinculação com planejamento. Alocação de recursos para aquisição de meios. Classificação das Despesas: Institucional e Elemento de Despesa.1 ² Orçamento Tradicional/Clássico Finalidade: Controle Político.

Características: Alguma utilização de indicadores.Orçamento Público y 4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Preocupação com os custos dos Programas. Por Funções.2 ² Orçamento Desempenho/Funcional Finalidade: Controle Político. Instrumento da Administração. Não havia vinculação com planejamento. Por Programas. . Classificação das Despesas: Institucional. Ênfase: Desempenho e Resultados (eficácia). Categoria Econômica. Instrumento de Intervenção na Economia. Apresenta Propósitos e objetivos para os gastos.

Indicação do custo total dos programas. Avaliação e análise técnica das alternativas. Categoria de Programação. Utilização sistemática de indicadores.Orçamento Público y 4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Identificação clara de objetivos. Classificação das Despesas: Institucional. Natureza da despesa Estrutura Programática. Ênfase: Realizações e Resultados (eficácia e efetividade). Funcional.3 ² Orçamento Programa Finalidade: Mesmo do Anterior. Características: Elo de União entre planejamento e orçamento. .

Características: Não valoriza prioridades históricas.Orçamento Público y4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Análise e avaliação de todas as despesas. Classificação das Despesas: Não Considera importante. Instrumento da Administração para a seleção das melhores alternativas.4 ² Orçamento Base-Zero Finalidade: Controle dos gastos excessivos ou desnecessários. . Exige justificativa detalhada para cada despesa. Ênfase: Eficiência na alocação dos recursos. Pode propiciar redução de gastos.

Não é evolução de outras técnicas ² é experiência nova. . Ênfase: Despesas com investimentos.5 ² Orçamento Participativo Finalidade: Promoção da cidadania. Decisão das prioridades pela população local. Classificação das Despesas: Não considera importante.Orçamento Público y4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Características: Participação direta dos cidadãos. Fortalecimento da democracia.

Técnica rudimentar que foca itens de despesa em vez de objetivos. Incremento de dotações. Características: É baseado no orçamento anterior. Elemento de despesa.6 ² Orçamento Incremental Finalidade: Controle político. Classificação das Despesas: Institucional. Manutenção das atividades. Não há comparações com alternativas. . Ênfase: Itens de despesa.Orçamento Público y4 ² Tipos/Técnicas Orçamentárias 4. Incremento mediante barganha política.

Típicas. mas não possui o caráter absoluto. . Fundamentais. Os Princípios Orçamentários são regras válidas para todo o processo orçamentário. que condicionam todas as Estruturas Subseqüentes. mas relativo. visto que apresenta exceções.Orçamento Público y5 ² Princípios Orçamentários Os Princípios de uma Ciência são as Proposições Básicas.

4 ² Princípio do Orçamento Bruto 5. 6 ² Princípio da Unidade/Totalidade 5. 9 ² Princípio da Publicidade 5.Orçamento Público y 5 ² Princípios Orçamentários 5. 11 ² Princípio do Planejamento e da Programação 5. 10 ² Princípio do Equilíbrio 5. 8 ² Princípio da Não Afetação das Receitas 5. 3 ² Princípio da Universalidade 5. 12 ² Princípio do Não Estorno . 7 ² Princípio da Especificação/Especialização 5.1 ² Princípio da Legalidade 5. 5 ² Princípio da Exclusividade 5. 2 ² Princípio da Anualidade ou Periodicidade 5.

o Orçamento Anual. II e III. 165 I. Esse princípio foi recepcionado pela CF/88 no Art. as Diretrizes Orçamentárias e o Plano Plurianual devem ser aprovados pelo Poder Legislativo transformando-se respectivamente na LOA. LDO e LPP. .Orçamento Público y 5.1 ² Princípio da Legalidade Por esse princípio.

por isso.2 ² Princípio da Anualidade ou Periodicidade Estipulado. delimita o exercício financeiro orçamentário: período de tempo ao qual a previsão das receitas e a fixação das despesas registradas na LOA irão se referir.320. 34 da Lei nº 4.320. de 1964. será de 1º de janeiro até 31 de dezembro de cada ano.Orçamento Público y 5. o exercício financeiro coincidirá com o ano civil e. Segundo o art. de forma literal. 2º da Lei nº 4. pelo caput do art. . de 1964.

fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público.Orçamento Público y 5. . 2º da Lei nº 4. de 1964.320. entidades. 165 da Constituição Federal. de forma expressa. órgãos. recepcionado e normatizado pelo § 5º do art.3 ² Princípio da Universalidade Estabelecido. pelo caput do art. determina que a Lei Orçamentária Anual de cada ente federado deverá conter todas as receitas e despesas de todos os poderes.

. obriga registrarem-se receitas e despesas na LOA pelo valor total e bruto.320.4 ² Princípio do Orçamento Bruto Previsto pelo art.Orçamento Público y 5. de 1964. 6º da Lei no 4. vedadas quaisquer deduções.

165 da Constituição Federal. nos termos da lei. Ressalvam-se dessa proibição a autorização para abertura de créditos adicionais e a contratação de operações de crédito. .5 ² Princípio da Exclusividade Previsto no § 8º do art.Orçamento Público y 5. estabelece que a Lei Orçamentária Anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa.

320. Distrito Federal e Municípios ² com a finalidade de se evitarem múltiplos orçamentos paralelos dentro da mesma pessoa política. pelo caput do art. 2º da Lei nº 4. de 1964.Orçamento Público y 5. de forma expressa. .6 ² Princípio da Unidade/Totalidade Previsto. Estados. determina existência de orçamento único para cada um dos entes federados ² União.

obras e outros meios de que se serve a administração pública para consecução dos seus finsµ. ilimitados e sem discriminação. por elementos. serviços. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á.7 ² Princípio da Especificação/ Especialização Essa regra opõe-se à inclusão de valores globais.´no mínimoµ. e ainda o início de programas ou projetos não incluídos na LOA. 1º ´Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal.Orçamento Público y 5. . material. 15. Art. de forma genérica.

ressalvado o disposto no artigo 20 e seu parágrafo único. transferências ou quaisquer outras. material. . 5o A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal.7 ² Princípio da Especificação/ Especialização Art. serviços de terceiros.Orçamento Público y 5.

veda vinculação da receita de impostos a órgão.Orçamento Público y 5. 167 da CF/88. salvo exceções estabelecidas pela própria Constituição Federal. fundo ou despesa.8 ² Princípio da Não Afetação das Receitas Estabelecido pelo inciso IV do art. .

Orçamento Público y 5. . 48-A e 49 da Lei de Responsabilidade Fiscal ² LRF. de forma expressa. que determinam ao governo. por exemplo: Divulgar o orçamento público de forma ampla à sociedade. 48. 37 da Magna Carta de 1988. é previsto pelo caput do art. informações sobre a arrecadação da receita e a execução da despesa.9 ² Princípio da Publicidade Princípio básico da atividade da administração pública no regime democrático. para qualquer pessoa. disponibilizar. pelas disposições contidas nos arts. Publicar relatórios sobre a execução orçamentária e a gestão fiscal. Aplicase ao orçamento público.

disporá também sobre: a) equilíbrio entre receitas e despesas. Este Princípio Estabelece que a despesa fixada não pode ser superior à receita prevista.10 ² Princípio do Equilíbrio Art. . 4º A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e: I .Orçamento Público y 5. A finalidade deste princípio é deter o crescimento desordenado dos gastos governamentais e impedir o déficit orçamentário.

1º.11 ² Princípio do Planejamento e da Programação Esses princípios são modernos e recentes.. De acordo com a LRF Art. .. § 1º A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente.Orçamento Público y 5. O princípio do Planejamento foi consagrado pela CF/88 e se refere à obrigatoriedade da elaboração do PPA. em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas.

Orçamento Público y 5. servindo como instrumento de Administração do Governo.11 ² Princípio do Planejamento e da Programação O Princípio da Programação diz que o Orçamento deve evidenciar os Programas de Trabalho. facilitando a fiscalização. gerenciamento e Planejamento .

sem prévia autorização legislativa.12 ² Princípio do Não Estorno Este Princípio encontra-se expressamente previsto na CF/88: Art.Orçamento Público y 5. . São vedados: VI a transposição. o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro. 167.

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