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CURSO DE PROCESSO DE INSOLVÊNCIA

E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS

Joana Albuquerque Oliveira


Advogada
Curso leccionado na Fase Complementar de Estágio
Ordem dos Advogados, Conselho Distrital do Porto

Maio de 2015
Finalidade do processo de insolvência
Satisfação dos direitos dos credores pela forma que
for prevista num plano de insolvência (aprovado
pelos credores no âmbito do processo),passando
nomeadamente pela recuperação da empresa
compreendida na massa insolvente.
Ou, se tal não for possível,
Liquidação do património de um devedor insolvente,
e repartição do respectivo produto, resultante da
venda dos bens da massa insolvente, por todos os
credores que reclamem os seus créditos, repartição
essa que se faz em função da graduação dos créditos
fixada na sentença de verificação e graduação de
créditos.
CONCEITO GERAL DE INSOLVÊNCIA
Artigo 3º do CIRE

Impossibilidade de cumprimento da generalidade das obrigações vencidas de uma


pessoa singular ou colectiva.

Cenário de liquidação:
Execução universal dos bens de um devedor insolvente para pagamento através
do produto da venda desses bens a todos os seus credores.

Cenário de recuperação de empresa:


Liberdade total dos credores para, encontradas maiorias, decidirem a manutenção
da empresa através de formas que afectem o passivo, o activo ou a titularidade
das participações, mediante aprovação de um plano de recuperação que preveja a
manutenção da empresa na titularidade dos mesmos accionistas ou de terceiros,
plano esse que se mostre mais favorável aos credores, que o pagamento que iriam
obter num cenário de liquidação dos activos.
OUTROS CONCEITOS

 Massa insolvente – artigo 46º

 Créditos sobre a insolvência – artigo 47º

 Dívidas da massa – artigo 51º

 Acções para cobrança de dívidas da massa – artigo 89º


Situação de insolvência

 Devedor em geral (empresa ou pessoa singular):


Impossibilidade de cumprir a generalidade das obrigações
vencidas

 As pessoas colectivas e os patrimónios autónomos são


também consideradas insolventes se o passivo for
manifestamente superior ao activo (noção de valor
contabilístico do património e de justo valor)

A situação de insolvência pode ser actual ou iminente


(deverá ser caracterizada na petição inicial pelo devedor que
requeira a sua insolvência, podendo relacionar-se com o
cumprimento do dever de apresentação, previsto no artigo
18º do CIRE (30 dias seguintes à data do conhecimento da
situação de insolvência).
Situação de insolvência

O que verdadeiramente releva para a insolvência é a


insusceptibilidade de satisfazer obrigações que, pelo seu
significado no conjunto do passivo do devedor, ou pelas
próprias circunstâncias do incumprimento evidenciam a
impotência, para o obrigado, de continuar a satisfazer a
generalidade dos seus compromissos. www.dgsi.pt Ac.
Relação do Porto de 26.10.2006.
Principais características do processo
de insolvência
 Urgência (prazos, incluindo nos apensos, recursos e incidentes correm
em férias judiciais).

 Prazos muito curtos (juiz e partes), cominações e presunções.

 Indicação dos meios de prova em todas as peças apresentadas no


processo (petição inicial, reclamação de créditos, petição e contestação
de embargos, impugnações de créditos, respostas a impugnações e
articulados apresentados no incidente de qualificação da insolvência)

 Princípio do inquisitório – a decisão do juiz pode ser fundada em


factos não alegados pelas partes.

 Recursos (apenas para o Tribunal da Relação salvo havendo oposição de


julgados); prazo.

 Publicação de sentenças ou despachos (nomeadamente de


convocação de assembleias de credores) – os credores consideram-se
citados ou notificados após publicação.
Sujeitos passivos

 Pessoas singulares ou colectivas


 Herança jacente
 Associações sem personalidade jurídica e comissões especiais
 Sociedades civis
 Sociedades comerciais e civis sob a forma comercial antes do
respectivo registo
 Cooperativas, mesmo antes da sua constituição
 Estabelecimento individual de responsabilidade limitada
 Quaisquer outros patrimónios autónomos

 Excepções:
pessoas colectivas públicas e entidades públicas empresariais
entidades sujeitas a regimes especiais (seguros, Bancos,
empresas de investimento que detenham fundos ou valores
mobiliários de terceiros, organismos de investimento
colectivo)
Fases processuais

 Processo requerido pelo devedor - sentença de declaração


de Insolvência (será proferida no 3º dia útil seguinte).

 Processo requerido por credor - citação do devedor, eventual


oposição do devedor, julgamento - sentença declaração de
insolvência ou de indeferimento. Eventual desistência do
pedido - sentença homologatória dessa desistência.

 Decretada a insolvência – possibilidade de apresentação de


embargos e/ou recurso para obter revogação da sentença.

 Assembleia de credores para apreciação de relatório


salvo se o juiz concluir pela insuficiência da massa (artigo
39º) ou se o juiz, fundadamente, prescindir da realização
dessa assembleia
Fases processuais
 Apenso de verificação e graduação de créditos – (reclamações,
impugnações, sentença de verificação e graduação de créditos,
recurso)

 Apenso da Liquidação – arrolamento e venda de bens para


pagamentos aos credores. Deverá ocorrer no prazo de um ano,
contado da assembleia de apreciação do relatório, salvo prorrogações
solicitadas pelo administrador de insolvência e aceites pelo juiz.

 Aprovação do Plano de insolvência, aprovação em assembleia de


credores, homologação ou não homologação – oficiosa ou a pedido
de interessados)

 Incidente de qualificação da insolvência – a insolvência será


qualificada como fortuita ou culposa através de sentença, sujeita a
recurso

 Encerramento do processo – por insuficiência da massa ou após


homologação de plano de insolvência ou ainda depois do
encerramento da liquidação.
Classificação de créditos

 Créditos garantidos – créditos com garantia real e


privilégios creditórios especiais – artigo 47º

 Créditos privilegiados – privilégios creditórios gerais

 Créditos comuns – não beneficiam de garantia real ou


privilégios. Créditos com garantias pessoais.

 Créditos subordinados – créditos identificados no artigo


48º excepto se beneficiarem de privilégios ou hipotecas legais
que não se extingam por efeito da declaração de insolvência
Créditos garantidos
(artigo 47º)

 Créditos com garantias reais (hipoteca, penhor, consignação


de rendimentos, direito de retenção) e os créditos com
privilégios creditórios especiais.

Os créditos dos trabalhadores – gozam de privilégio


imobiliário especial sobre os bens imóveis do empregador
onde o trabalhador preste a sua actividade (artigo 377º do
Código do Trabalho) pelo que na respectiva reclamação de
créditos este facto deve ser alegado.

Os privilégios imobiliários especiais prevalecem sobre a


hipoteca – artigo 751º do Código Civil.

Créditos fiscais com privilégios especiais: imobiliários (IMT e


IMI), mobiliários (IVA).
Créditos privilegiados e Créditos
comuns

 Privilegiados - beneficiam de privilégios creditórios


gerais (Ex: créditos dos trabalhadores com privilégio
mobiliário geral – artigo 377º do CT e créditos da
Segurança Social)

 Comuns - os restantes créditos (que não sejam


garantidos, privilegiados ou subordinados) bem como
os créditos sem garantias ou com garantias pessoais
(ex: fianças ou avales)
Créditos subordinados
(artigo 48)

 detidos por pessoas especialmente relacionadas com o devedor, desde


que a relação já existisse aquando da constituição do crédito, ou
créditos de terceiros a quem estas pessoas os tenham transmitido;

 juros de créditos não subordinados constituídos após a declaração de


insolvência, com excepção dos juros de créditos com garantias reais e
privilégios creditórios gerais, até ao valor dos respectivos bens.
 Créditos cuja subordinação tenha sido convencionada pelas partes
 Créditos que tenham por objecto prestações do devedor a título
gratuito;
 Créditos sobre a insolvência que, na sequência da resolução em
benefício da massa, resultem para terceiro de má fé;
 Juros de créditos subordinados constituídos após a declaração de
insolvência;
 Créditos por suprimentos
Créditos subordinados

 Não conferem direito de voto nas assembleias de credores,


salvo para aprovação do plano de insolvência;

 São pagos em último lugar (artigo 177º).

 Na ausência de convenção expressa em sentido contrário


constante do plano de insolvência, são objecto de perdão
integral (artigo 197º).
Importância das deliberações tomadas
na assembleia de credores de apreciação
do relatório
 Declarada a insolvência, regra geral, é marcada data para
uma assembleia de credores de apreciação do relatório –
artigo 156º.

 Nessa assembleia os credores deliberam sobre o


encerramento ou manutenção do estabelecimento (s)
compreendido (s) na massa insolvente;

Os credores podem incumbir o administrador de elaborar um


plano de insolvência, podendo também deliberar sobre a
suspensão da liquidação do activo.

No caso do plano de insolvência ser elaborado e,


posteriormente aprovado, poderá não haver liquidação e o
pagamento aos credores faz-se em função do que for previsto
nesse plano, vigorando o princípio da liberdade de conteúdo,
apenas delimitado pelo princípio da igualdade de credores.
Finalidade do Processo de Revitalização

Estando em situação económica difícil ou em situação de


insolvência iminente, o devedor pode requerer ao tribunal a
instauração de um Processo Especial de Revitalização nos
termos do qual estabelecerá negociações com os credores tendo
em vista obter um acordo conducente à sua recuperação.

Este processo poderá também ser requerido para obter a


homologação de um acordo extrajudicial celebrado entre o devedor
e os credores que representem pelo menos a maioria prevista no
artigo 212º (1/3 dos credores votar e reunir pelos menos 2/3
desses votos e mais de metade não sejam subordinados
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Devedores em situação económica difícil –


dificuldade séria para cumprir pontualmente as
obrigações, designadamente por falta de liquidez ou de
obtenção de crédito.

Pode ser requerido pelo devedor que, através de


declaração escrita e assinada, ateste que reúne as
condições necessárias à sua recuperação.

Inicia-se pela manifestação de vontade do devedor e de


pelo menos um dos seus credores, comunicando ao
tribunal competente que vão iniciar negociações tendentes
à revitalização do devedor que poderá ser conseguida
através da aprovação de um plano de recuperação.
Formalidades: declaração escrita e assinada, devendo
conter a data da assinatura.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Despacho do juiz - o juiz nomeia de imediato um Administrador


judicial provisório. Este despacho é notificado ao devedor e publicado
no CITIUS.

Tramitação subsequente:
O devedor de imediato deve:
a) remeter ao tribunal os documentos previstos no artigo 24º do CIRE.
b) comunicar por carta registada aos credores que não subscreveram
a declaração que deu início ao processo, convidando-os a participar
nas negociações.

Os credores devem reclamar os créditos no prazo de 20 dias


contados da publicação do despacho.

O devedor não pode praticar qualquer dos actos previstos no artigo


161º, salvo com autorização do Administrador prestada por escrito.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

No prazo de 5 dias, o Administrador elabora a lista


provisória de créditos e apresenta-a no tribunal para
publicação no CITIUS.

Impugnação da lista – 5 dias úteis, contados da


publicação.
Decisão das impugnações por parte do juiz – 5 dias úteis.

Não havendo impugnações, a lista converte-se em


definitiva.

As negociações deverão concluir-se no prazo de dois


meses, contados do fim do prazo das impugnações,
podendo este prazo ser prorrogado por mais um mês.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Negociações:

Participantes
- devedor;
- Administrador provisório;
- credores que pretendam participar, devendo comunicar ao devedor
por carta registada e juntar as declarações ao processo.
- peritos, cujos custos serão suportados pelo interveniente que o
indicou.

Regras das negociações: são definidas por acordo entre os


intervenientes. Se não houver acordo, são definidas pelo
Administrador Provisório.

Os intervenientes devem actuar de acordo com os princípios


orientadores aprovados pela Resolução Conselho de Ministros nº
43/2011 de 25 de Outubro.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Funções do Administrador Provisório:


deve participar nas negociações e orientar e fiscalizar o
decurso e a regularidade das negociações.

Período de suspensão:
Durante o processo e logo que o Administrador Judicial é
nomeado não poderão ser instauradas acções para
cobrança de dívida e as acções pendentes ficam
suspensas, incluindo processos de insolvência
eventualmente requeridos, se a insolvência ainda não tiver
sido declarada.

Sendo aprovado um plano de recuperação, as acções


extinguem-se salvo se o plano contiver cláusula em
sentido contrário. Também se extinguem processos de
insolvência.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Plano de recuperação:
- Aprovação unânime de todos os credores, deve ser
assinado por todos e remetido ao tribunal para
homologação ou recusa, acompanhado da documentação
que comprova a aprovação.
- Aprovação não unânime – o devedor remete o plano ao
tribunal e considera-se o plano aprovado se votarem
credores representativos de 1/3 do total dos créditos com
direito de voto e 2/3 votarem favoravelmente (mais de
metade não podem ser créditos subordinados ou se
recolher votos favoráveis correspondentes a mais de
metade dos créditos com direito de voto (e mais de metade
destes votos não correspondam a créditos subordinados)

Votação escrita – os credores remetem os votos ao


Administrador que os abre em conjunto com o devedor e
elabora documento com o resultado da votação.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

A homologação do Plano de recuperação vincula todos os


credores mesmo que não tenham participado nas
negociações.

As custas são suportadas pelo devedor.

Encerramento do processo negocial:


- se a maioria dos credores concluir que é impossível obter
um acordo;
- se for ultrapassado o prazo fixado para a conclusão das
negociações (2 meses + 1);
- por iniciativa do devedor;
- se o AJP concluir pela insolvência
qualquer destes factos deve ser comunicado pelo
Administrador ao processo e publicado no CITIUS.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

Efeitos do encerramento do processo:


- Se o devedor estiver em situação de insolvência, é
declarado insolvente, no prazo de 3 dias úteis.

- Se o devedor não estiver em situação de insolvência, as


acções de cobrança suspensas podem prosseguir e podem
ser propostas novas acções.

Compete ao administrador judicial, após ouvir o devedor e


os credores, informar o tribunal se o devedor está
insolvente.

O devedor fica impedido de recorrer ao PER durantes dois


anos.
PROCESSO ESPECIAL DE REVITALIZAÇÃO
artigos 17ºA a 17º-I

As garantias convencionadas entre o devedor e os seus


credores durante o processo, com a finalidade de
proporcionar ao devedor meios financeiros para continuar
a sua actividade mantêm-se, mesmo que o devedor venha
a ser declarado insolvente, no prazo de dois anos.

Os credores que disponibilizarem capital ao devedor


durante o processo gozam de privilégio mobiliário geral,
graduado antes do privilégio mobiliário geral dos
trabalhadores.

Em caso de insolvência, estes negócios são insuscetíveis


de resolução em benefício da massa – 120º nº 6.
Iniciativa do processo de insolvência

 Devedor
 Pessoa colectiva – incumbe à sua administração

Se a administração ou a gerência for plural, deverá a decisão de iniciativa de


apresentação do processo ser exarada em acta da Gerência ou do Conselho de
Administração.

 Pessoa singular

 Credor

 Responsável legal pelas dívidas do insolvente (deve indicar a fonte da sua


responsabilidade)

 Ministério Público
Petição inicial – artigo 23º CIRE

COMPETÊNCIA

 Competência territorial – Tribunal da sede ou domicílio do devedor


ou do autor da herança ou do lugar onde o devedor tenha o centro dos
seus principais interesses.

 Competência especializada - Juízos de Comércio.


Petição inicial
 Valor da acção:
Para efeitos processuais (alçada) – artigo 15º do CIRE - valor
do activo do devedor.

 Caso seja o devedor a apresentar-se, deverá indicar na


petição o valor do seu activo conhecido (usualmente o valor do
activo que consta do balanço para entidades obrigadas a
prestação de contas mas o activo pode ser de valor superior ou
inferior ao valor contabilístico)
 Caso a insolvência seja requerida por outro legitimado
que desconheça o valor do activo, é usual indicar-se na petição
inicial o valor da alçada da Relação que será corrigido logo que
se verifique ser diferente do valor real;

Para efeito de custas – artigo 301º do CIRE – valor da alçada


da relação em certos casos ou valor do inventário
Petição inicial

 Taxa de justiça

Caso seja o devedor a apresentar-se – para sociedades, dispensa de


pagamento de taxa de justiça inicial (artigo 4º alínea u) do RCP).

Pessoas singulares – paga taxa ou junta comprovativo de pedido de


apoio judiciário

Caso o requerente seja um credor – a taxa de justiça deve ser auto-


liquidada.

 Documentos

- Devedor a apresentar-se (artigo 24º do CIRE);


- Credor a requerer – deverá juntar os documentos que disponha e
requerer a junção dos restantes.
Petição inicial
(apresentação da sociedade devedora)

 Identificação da empresa (sede, capital, objecto social),


actividade a que se dedica, identificação dos
administradores/gerentes, juntando acta de nomeação e, caso a
gerência ou administração seja plural, acta do respectivo órgão a
deliberar o recurso ao processo.

 Explicação da situação de insolvência – identificar as causas que a


determinaram

 Indicar se a situação de insolvência é actual ou iminente (dever de


apresentação - vide artigo 186º nº 3 alínea a)

 Em caso de viabilidade da empresa – justificação da mesma e


eventual apresentação de uma proposta de plano de recuperação
(que poderá ser apresentado posteriormente. Este plano, caso o
insolvente pretenda que a administração da massa continue a seu
cargo, deverá ser apresentado no prazo de 30 dias após a sentença.
(224º nº2 alínea b).
 Junção de documentos a que se refere o artigo 24º do CIRE
Documentos – artigo 24º

 Lista dos 5 maiores credores para efeito de sua citação.

 Listade Todos os credores - Relação organizada por ordem alfabética de


todos os credores e dos respectivos domicílios, com a indicação do montante
dos seus créditos, datas de vencimento, natureza e garantias que beneficiem.

 Relação de todas as acções e execuções pendentes contra a empresa, com


indicação dos montantes reclamados (indicação do Tribunal, Juízo, e nº de
Processo)

 Documento em que se descreva a actividade a que a empresa se tenha


dedicado, nos últimos três anos e se indiquem as causas que motivaram a
situação em que se encontra.

 Indicação do(s) estabelecimento(s) de que a empresa seja titular.


Documentos
 Relação de bens que a sociedade detenha em regime de arrendamento, ou
aluguer, locação financeira e menção dos bens que possua, com reserva
de propriedade, estabelecida a favor do vendedor.
 
 Relação de bens que bens e direitos de que a empresa seja titular indicando
a sua natureza, localização, elementos registrais e, se for o caso, indicação do
valor de aquisição e estimativa do valor actual.

 Relatório de contas dos 3 últimos exercícios, com anexos, relatórios de gestão,


de fiscalização e de auditoria, pareceres do órgão de fiscalização e documentos
de certificação legal.

 Descrição das alterações de património mais significativas ocorridas depois da


data a que se reportam as últimas contas e das operações que extravasem a
actividade corrente da sociedade – para as situações em que o devedor
tenha contabilidade organizada.
Documentos

 Relatórios consolidados de gestão, contas anuais consolidadas e


documentos de prestação de contas relativos aos 3 últimos exercícios,
respectivos relatórios de fiscalização e auditoria, pareceres do órgão de
fiscalização, documentos de certificação legal e relatório das operações
intra-grupo realizadas nesse período – para as situações em que a
sociedade apresenta contas consolidadas.

 Relatórios e contas especiais e informações trimestrais e semestrais


relativos a datas posteriores à do termo do último exercício – para
sociedades cotadas em bolsa.

 Mapa de pessoal de trabalhadores ao serviço.


 
 Relação de todos os sócios, associados ou membros conhecidos da pessoa
colectiva.
 
Documentos

Tendo Comissão de trabalhadores, indicar nome e morada das pessoas


que a compõem.

 
Certidão permanente.

 
Petição inicial (pessoa singular)

 Alegação dos factos justificativos da situação de insolvência.

 Indicação sobre se pretende a exoneração do passivo restante (isto é, do


passivo que não seja pago através da liquidação que ocorra no âmbito do processo
ou nos 5 anos posteriores).

 Sendo casado, deverá indicar o cônjuge e o regime de bens do casamento, juntando


a certidão do registo civil.

 Tendo uma empresa na massa insolvente, deverá fazer-se essa menção.

Devedores não empresários ou titulares de pequenas empresas:


Pode apresentar conjuntamente com p.i. um Plano de pagamentos – artigos 249º
e seguintes (devedor que não tenha sido titular de empresa nos 3 anos anteriores
ou não tenha dívidas laborais, mais de 20 credores e o passivo não exceda
€300.000. – Modelo – Portaria nº 1039/2004 de 13 de Agosto.
Petição inicial (credor)

 Prova da qualidade de credor (origem, natureza e montante do


crédito).

 Exposição dos factos que permitam concluir pela situação de


insolvência - um ou mais factos justificativos da insolvência (artigo
20º do CIRE), indicando ainda os elementos do passivo e do activo do
devedor de que disponha.

 Identificação dos administradores (Certidão do Registo Comercial,


no caso de sociedades); No caso de pessoas singulares, sendo o
devedor casado indica o cônjuge e o regime de casamento
(certidão do registo civil) e indicação dos 5 maiores credores.
 Se o credor não souber identificar os 5 maiores credores, deverá
requerer que o devedor preste essa informação;
Factos justificativos do requerimento
de insolvência
 Suspensão generalizada de pagamentos;

 Falta de cumprimento de uma ou mais obrigações que, pelo seu


montante ou circunstâncias de incumprimento, revelem
impossibilidade de satisfação da generalidade das obrigações;

 Fuga do titular da empresa ou dos seus administradores ou


abandono da sede;

 Dissipação, abandono, liquidação apressada ou ruinosa de bens e


constituição fictícia de créditos
Factos justificativos do requerimento
de insolvência

 Insuficiência de bens penhoráveis para pagamento do crédito do


exequente verificada no processo executivo;

 Incumprimento de obrigações previstas em plano de insolvência ou


no plano de pagamentos aprovado, se o devedor, depois de
interpelado pelo credor, na sequência da mora, não tiver cumprido
a obrigação no prazo de 15 dias, após essa interpelação;

 Incumprimento generalizado, nos últimos 6 meses, de dívidas


tributárias, contribuições para a segurança social, créditos laborais,
rendas de locação financeira ou de créditos hipotecários relativos
ao local de exercício da actividade ou da sua residência.
Outros factos justificativos
(pessoas colectivas e patrimónios autónomos)

 Manifesta superioridade do passivo em relação ao activo;

 Atraso superior a 9 meses na aprovação e depósito das contas.

Nota: A aprovação de contas deve ser feita até 31 de Março de cada


ano – artigo 65º nº 5 do CSC; o depósito de contas na Conservatória
deve ser efectuado no prazo de 2 meses após aprovação – artigo 15º
nº3 do CRC);
Petição inicial
credor ou devedor
 Prova – qualquer prova, nomeadamente documental, testemunhal,
pericial, deverá ser indicada ou requerida na petição inicial.

As testemunhas arroladas são a apresentar – ou seja, não serão


notificadas para comparecer em julgamento, devendo avisar-se o
cliente desta situação.

Número máximo de testemunhas - 10.


Medidas cautelares

 Havendo justificado receio de actos de má gestão, o juiz


oficiosamente ou a pedido do requerente, pode ordenar medidas
cautelares para evitar o agravamento da situação (ex: nomeação
de administrador judicial provisório com poderes exclusivos de
administração ou de assistência ao devedor, arresto de bens,
proibição de prática de certos actos etc…)

A adopção destas medidas precede a distribuição do processo


quando o requerente o solicite e o juiz considere justificada essa
precedência.

Alegação e prova de factos que justifiquem o receio de actos de


má gestão, por parte do Requerente.
Dever de apresentação – artigo 18º

 Dentro de 30 dias após conhecimento da situação de


insolvência ou da data que devesse conhecer essa situação;

 Não estão obrigadas a este dever as pessoas singulares que


não sejam titulares de uma empresa.

 Quando o devedor for titular de empresa, presume-se de


forma inilidível o conhecimento da situação de
insolvência, decorridos 3 meses sobre o incumprimento
generalizado de obrigações (tributárias ou à segurança social,
laborais, rendas de leasing ou prestações de mútuos
hipotecários existentes sobre o prédio onde o devedor exerce
a sua actividade);
Dever de apresentação

 Presume-se a existência de culpa grave na situação de insolvência quando os


administradores de direito ou de facto do devedor, que não seja pessoa singular,
incumpram o dever previsto no artigo 18º do CIRE – vide artigo 186º nº3.

Nota: Em relação a pessoas colectivas e patrimónios autónomos pode haver


superioridade do passivo sobre o activo e ainda assim haver cumprimento
regular e atempado das responsabilidades, caso em que este dever não será
incumprido podendo haver prova dessa situação para afastar a presunção de
culpa grave.

Consequências - qualificação da insolvência como culposa


- inibição para administrar patrimónios alheios
- inibição para o exercício do comércio ou ocupação de qualquer cargo de órgão
de sociedade comercial ou civil, associação, fundação, empresa pública ou
cooperativa
- perda de créditos sobre a insolvência ou sobre a massa
- condenação ao pagamento de uma indemnização aos credores do devedor
insolvente, no montante dos créditos não satisfeitos
Tramitação subsequente à entrada da
petição inicial em Tribunal

 Apreciação liminar - indeferimento ou convite a aperfeiçoamento para


correcção de vícios sanáveis ou para junção de documentos;
 Sentença de Declaração de insolvência – quando é o devedor a
apresentar-se (artigo 28º)
 Sendo o processo requerido por um credor, ordena-se a citação
pessoal do devedor para deduzir oposição, querendo, no prazo de 10
dias.
cominação – confissão dos factos alegados na petição inicial, no caso
do devedor não deduzir oposição.
Com a oposição o devedor deverá indicar os 5 maiores credores, com
indicação do respectivo domicílio (sob pena de não recebimento da
oposição). Após citação, o devedor deverá preparar os documentos a que
refere o artigo 24º do CIRE para entrega ao administrador, no caso de ser
declarada a insolvência.
Opções do devedor após citação

 Apresentar oposição;

 Apresentar um Processo Especial de Revitalização, caso em


que o processo de insolvência ficará suspenso.

 Tentar aprovar um plano de recuperação para evitar a


liquidação (artigo 193º) apresentando uma proposta de plano.
No caso de pessoas singulares, podem apresentar plano de
pagamentos (artigo 253º).

 Apresentar recurso da sentença que decretar a insolvência,


fundado em razões de direito – prazo de 15 dias, após
notificação da sentença.
Oposição – artigo 30º

 Fundamentos: inexistência do (s) facto (s) que


fundamentam o pedido ou inexistência da situação de
insolvência. Pode ainda invocar-se a inexistência do crédito ou
quaisquer outras excepções peremptórias ou dilatórias (artigo
494º do CPC)

 Ónus da prova da solvência incumbe ao devedor, baseando-se


na contabilidade, sem prejuízo do disposto no nº 3 do artigo
3º. Demonstração com base na contabilidade da capacidade de
pagamento da generalidade das obrigações.

 Indicação de prova; indicação dos 5 maiores credores com


domicílios; pagamento de taxa de justiça.

 As testemunhas devem ser apresentadas (não são notificadas )


Audiência de julgamento

 Tendo havido oposição é logo marcada audiência de


julgamento, (5 dias seguintes), sem cumprimento do disposto
no artigo 155º do CPC, devendo o devedor (e seus
administradores) e o requerente comparecer pessoalmente
ou fazerem-se representar por mandatário com poderes
especiais para transigir, confessar e desistir - (atenção à
procuração que deve ter poderes especiais)
 Falta do devedor ou do seu representante – implica a
confissão dos factos alegados na petição inicial, salvo se a
audiência do devedor tiver sido dispensada nos termos do
artigo 12º. A sentença de insolvência, após apreciação do
juiz, é de imediato ditada para a acta.

 Falta do requerente ou do seu representante – equivale a


desistência do pedido. Neste caso, a sentença homologatória
da desistência do pedido é ditada para a acta.
Audiência de julgamento

 Comparecendo as partes, pode haver transacção e o


processo terminará com sentença homologatória da
transacção.

 Não havendo transacção, e estando presentes as


partes, o juiz selecciona a matéria de facto relevante
(matéria assente e base instrutória); seguem-se as
reclamações; produção de prova; alegações orais e a
decisão da matéria de facto;

 Após julgamento, é proferida sentença de declaração


de insolvência ou sentença de indeferimento (podendo
neste caso, haver recurso que apenas pode ser
apresentado pelo requerente – artigo 45º).
Sentença de declaração de insolvência

Aspectos práticos mais relevantes:


 Nomeação do administrador de insolvência – as
reclamações de créditos são apresentadas no domicilio
profissional do administrador;
 Obrigação do devedor entregar a contabilidade e todos
os seus bens ao administrador e dever de colaboração;
 Vencimento de todas as obrigações, ainda que sujeitas
a condição;
 Fixação de prazo para reclamação de créditos – até 30
dias
 Designa data e hora para assembleia de credores
destinada a apreciação do relatório e a deliberar o
encerramento ou manutenção da actividade do (s)
estabelecimento (s) ou declara prescindir dessa
assembleia.
Sentença de declaração de insolvência

 Fixação da residência do devedor e administradores –


vide artigo 83º.

 Caso disponha de elementos que justifiquem a abertura


do incidente de qualificação da insolvência, declara-o
aberto com carácter pleno ou limitado – artigos 185º e
seguintes.

Só após a sentença é que os credores do insolvente são


chamados ao processo, designadamente para reclamar
os seus créditos; pretende-se evitar publicidade
negativa, quando a insolvência é requerida por um
credor e não é decretada.
Sentença – publicidade e registo
(artigos 37º e 38º)

 Notificação pessoal aos administradores do devedor a quem


tenha sido fixada residência;

 Notificação ao devedor e ao Requerente da insolvência, ao MP,


eventualmente ao Fundo de Garantia Salarial se a empresa
tiver trabalhadores bem como à comissão de trabalhadores, se
existir.

 Citação dos 5 maiores credores e dos credores conhecidos com


domicilio ou sede noutros estados membros.

 Citação edital dos restantes credores e de outros interessados,


afixado na sede ou residência, no tribunal e no Citius.

 Publicidade (anúncio CITIUS, editais na sede ou residência)


 Registo oficioso na respectiva Conservatória (civil ou comercial)
 Informação ao Banco de Portugal
Insuficiência da massa insolvente –
artigo 39º
 Se o Juiz concluir pela que o activo é insuficiente para
satisfação das custas e dívidas previsíveis da massa insolvente
não designa data para reclamar créditos, nem para realização
da assembleia, e caso disponha de elementos no processo que
justifiquem a abertura do incidente da qualificação, declara-o
aberto com carácter de limitado (artigo 191º)

 Presume-se a insuficiência da massa quando o património do


devedor seja inferior a € 5.000,00

 Qualquer interessado (credor) pode pedir no prazo de 5 dias


que a sentença seja complementada com as restantes
indicações do artigo 36º mas terá de depositar à ordem do
tribunal o montante que o juiz fixar como necessário para
assegurar o pagamento das custas e dívidas da massa
insolvente estimadas ou caucionar esse valor através de
garantia bancária. (caução através de apenso – artigo 990º do
CPC)
Insuficiência da massa insolvente –
cont.

 Não sendo requerido o complemento da sentença:


 O devedor não fica privado dos poderes de administração e
disposição do património, nem se produzem quaisquer efeitos
da sentença.
 O processo é declarado findo logo que a sentença transite em
julgado.
 O administrador nomeado limita a sua actividade à elaboração
do parecer sobre a qualificação da insolvência – 188º nº2.

 Após trânsito, qualquer interessado pode instaurar novo


processo de insolvência mas terá igualmente de depositar
o montante das custas prováveis e dívidas previsíveis da
massa insolvente.
Impugnação da sentença
Embargos – artigo 40º
 Devedor (revelia absoluta)
 Qualquer credor
 Responsáveis legais
 Sócios, associados ou membros do devedor
 Herdeiros, caso o devedor tenha falecido antes de findo o
prazo da oposição através de embargos e fosse revel;
 Familiares próximos da pessoa singular quando o fundamento
se fundar em fuga do devedor relacionada com a sua falta de
liquidez

Prazo – 5 dias após notificação da sentença ou finda a


dilação no caso de citação edital;
Efeito – suspende a liquidação do activo, com excepção de
bens sujeitos a deterioração ou depreciação;
Fundamentos e tramitação dos
embargos
 Só são admissíveis se o embargante alegar factos ou
requerer meios de prova que não tenham sido tidos
em conta pelo tribunal e que possam afastar os
fundamentos da declaração de insolvência;
 Admitidos os embargos, ordena-se a notificação do
administrador da insolvência e da parte contrária para
contestar, em 5 dias.
 Tanto na petição de embargos como na contestação
deve ser indicada a prova. As testemunhas também
devem ser apresentadas.
 Eventual produção de prova antecipada
 Julgamento – nº5 a 8 do artigo 35º.
Impugnação da sentença – recurso

 As pessoas que podem apresentar embargos podem, em


alternativa ou cumulativamente, recorrer quando se entenda
que face aos elementos apurados a insolvência não devia ter
sido proferida. (Recurso de direito)

 O devedor também pode recorrer, mesmo quando não possa


deduzir embargos.

 Prazo – 15 dias após se considerar notificado da sentença

 O recurso suspende também a liquidação do activo

 O Acórdão da Relação só é susceptível de recurso se houver


oposição de julgados – artigo 14º nº1
Massa Insolvente e
Órgãos da insolvência

 Massa insolvente (artigo 46º) – abrange a totalidade do património do devedor


insolvente à data da insolvência bem como os bens ou direitos que este adquira
por (acto gratuito ou oneroso) na pendência do processo.
Bens e direitos de conteúdo patrimonial e susceptíveis de penhora.

Órgãos da Insolvência:

 Administrador de insolvência – artigos 52º e ss

 Comissão de Credores – artigos 66º e ss

 Assembleia de Credores – artigos 72º e ss


Administrador de insolvência
Estatuto – Lei nº 32/2004, de 22 de Julho

 O juiz deve nomear um administrador inscrito nas listas oficiais e pode ter
em conta a indicação do administrador, proposta na petição inicial - no
caso de processos em que se preveja a necessidade de prática de actos de
gestão (ver artigos 32º e 52º).

 Caso o processo de recrutamento assuma grande complexidade, pode ser


nomeado mais que um administrador a requerimento de qualquer
interessado, podendo ter de o remunerar se a massa insolvente for
insuficiente para prover à sua remuneração.

 Os credores, reunidos em assembleia de credores, podem escolher outra


pessoa, inscrita ou não nas listas oficiais, para exercer o cargo desde que
antes da votação se junte aos autos a aceitação do proposto e nesse caso
devem suportar a sua remuneração – artigo 53º
Administrador de insolvência
Estatuto – Lei nº 32/2004, de 22 de Julho

 Funções: o Administrador prepara pagamento das dívidas


do insolvente, promove venda de bens, a cobrança de
créditos de terceiros, presta informação à comissão de
credores e ao tribunal; é fiscalizado pelo juiz

 Destituição com justa causa (vide artigos 56º e 169º)

 Responsabilidade pelos danos causados ao devedor e aos


credores da insolvência e da massa insolvente por actos
praticados com culpa.
Administrador de insolvência

 Prestação de contas – após cessação de funções e sempre


que o juiz determine, por iniciativa própria ou a pedido da
comissão de credores ou da assembleia de credores - artigo
62º

 Procede a pagamentos (cheques emitidos sobre a conta da


insolvência assinados conjuntamente pelo administrador e
pelo menos por um membro da comissão de credores, quando
exista); dever de prestar informação á assembleia de
credores.

 Exercício pessoal das funções, podendo substabelecer, por


escrito, a prática de determinados actos em administrador de
insolvência, caso em que suporta a remuneração respectiva.

 Pode celebrar contratos a termo de trabalhadores ou


promover a cessação de contratos de trabalho
(despedimentos colectivos).
Comissão de Credores

 Normalmente é designada na sentença de declaração de


insolvência – artigo 66º

 É composta por 3 ou 5 membros e 2 suplentes (deve presidir


o maior credor) os restantes membros devem assegurar
representatividade das várias classes de credores, com
excepção dos credores subordinados, devendo um membro
ser trabalhador;

 Pessoas singulares ou colectivas, neste caso, a pessoa


colectiva deverá indicar uma pessoa singular para exercer o
cargo, por procuração ou credencial;

 A assembleia de credores pode prescindir da comissão de


credores, substituir os seus membros ou constituir a comissão
se o juiz a não tiver criado, pode ainda a qualquer momento
alterar a sua composição.
Comissão de Credores
(convocação e funcionamento)

 Quórum de reunião – tem que estar presente a maioria dos


membros
 Quórum deliberativo – as deliberações são tomadas por
maioria dos votos dos membros presentes (voto de qualidade
do presidente)
 Reúne sob convocação do presidente ou de dois membros;
 Fiscaliza a actividade do administrador de insolvência;
 Os membros respondem perante os credores por
inobservância culposa dos seus deveres;

 Das deliberações da comissão de credores não cabe


reclamação para o tribunal mas a assembleia de credores
revogá-las – artigo 80º
Principais funções da comissão de
credores
 Fiscalizar a actividade do administrador de insolvência e
prestar-lhe colaboração
 Emitir parecer sobre as contas apresentadas pelo
administrador – artigo 64º
 Prestar consentimento aos actos que assumam especial
relevo para o processo – artigo 161º
 Emitir parecer sobre os créditos impugnados – artigo
135º
 Dar parecer sobre o encerramento antecipado do
estabelecimento – artigo 157º
 Dar parecer sobre a venda imediata de bens que não
possam conservar-se por estarem sujeitos a
deterioração ou depreciação – artigo 158º nº2
Assembleia de credores

 Direito de participação de todos os credores e dos


responsáveis solidários e garantes. O Juiz pode limitar a
participação a créditos de determinado montante, caso em que
os credores se devem agrupar e nomear um representante
comum ou fazerem-se representar por credor com crédito de
valor ≥ ao montante fixado.

 Representação através de mandatário com poderes especiais,


advogado ou não (Nota: procuração com poderes especiais
para votar nas assembleias que se realizarem no processo)

 Direito e dever de participar – administrador de insolvência,


membros da comissão de credores, devedor e seus
administradores.

 3 representantes da Comissão de trabalhadores ou, na falta


desta, 3 representantes dos trabalhadores por estes designados
e MP.
Funcionamento e principais funções da
assembleia de credores
 O juiz preside a assembleia.

 No decurso da assembleia, os credores podem pedir


informação ao administrador de insolvência sobre os
assuntos compreendidos no âmbito das suas funções.

 Os actos que assumam especial relevo para o processo


de insolvência dependem do consentimento da
assembleia de credores se não existir comissão de
credores – vide artigo 161º nº 3

 A assembleia pode prescindir da comissão de credores


ou constitui-la e pode, a todo o momento, substituir os
seus membros (independentemente de justa causa) -
artigo 67º
Assembleia de credores
Convocação/deliberações

 Convocada pelo juiz, por sua iniciativa ou a pedido do


administrador de insolvência, da comissão de credores ou de
credor ou grupo de credores que represente 1/5 do total dos
créditos não subordinados – vide artigo 75º.

 Anúncio Citius e editais – antecedência de 10 dias

 Circulares para 5 maiores credores, devedor, administradores


e comissão de trabalhadores

 O juiz pode decidir a suspensão dos trabalhos, para


continuação num dos 15 dias seguintes.

 Em regra, delibera por maioria dos votos emitidos, sem


contar abstenções, seja qual for o número de presentes ou a
percentagem de créditos presente ou representada.
Assembleia de credores
(Reclamações)
 Reclamação das deliberações da assembleia podem ser feitas pelo
administrador ou por qualquer credor com direito de voto, na própria
assembleia – artigo 78º

Fundamento da reclamação – que a deliberação seja contrária ao


interesse comum dos credores (satisfação dos créditos na maior
medida possível, respeitando o princípio da igualdade dos credores)

 Juiz decide deferir ou indeferir a reclamação:

 Deferida a reclamação, tem direito de recurso o credor que tenha


votado em sentido contrário.

 Indeferida a reclamação, apenas pode recorrer o reclamante.

 A assembleia de credores pode revogar as deliberações da Comissão


de Credores.
Assembleia de Credores
(direitos de voto – artigo 73º)

 Os créditos conferem direito de voto (um voto por cada


euro ou fracção do montante do crédito ou do valor do bem
dado em garantia real pelos quais o devedor não responda
pessoalmente, se este for inferior)
 créditos reconhecidos por sentença definitiva de verificação e
graduação de créditos ou em acção de verificação ulterior.
Não havendo ainda sentença:
 créditos reclamados no processo ou na própria assembleia
(se ainda estiver em prazo) e se não forem impugnados na
assembleia por parte do administrador ou por algum credor com
direito de voto.
 Os créditos impugnados só têm direito de voto a pedido do
interessado e caso o juiz autorize, não cabendo recurso dessa
decisão. O número de votos conferido a créditos sob condição
é fixado pelo juiz, a requerimento do credor condicional, tendo
em conta a probabilidade de verificação da condição.
 créditos subordinados não conferem direito de voto, excepto
para aprovação de plano de insolvência.
Efeitos da declaração de insolvência

 Efeitos sobre o devedor e outras pessoas – artigos 81º


e ss

 Efeitos processuais – artigos 85º e ss

 Efeitos sobre os créditos – artigos 90º e ss

 Efeitos sobre negócios em curso – artigos 102º e ss

 Resolução de actos prejudiciais em benefício da massa


insolvente – artigos 120 e ss
Efeitos sobre o devedor e
administradores
 Dever de colaboração do devedor e dos seus
administradores (de direito ou de facto) bem como dos
administradores que tenham desempenhado esse cargo, nos
dois anos anteriores ao início do processo.

Dever de apresentação no tribunal, quando notificado para


o efeito. Caso seja incumprido, o juiz pode determinar que o
devedor compareça sob custódia, se este faltar e não
justificar a falta – artigo 83º.

A recusa de prestação de informações é livremente apreciada


pelo juiz, nomeadamente para efeito de qualificação de
insolvência como culposa.

 Dever de respeitar a residência fixada pelo juiz na


sentença.
Efeitos mais relevantes
da declaração de insolvência
 Privação dos poderes de administração e disposição dos
bens da massa insolvente que passam para o administrador
de insolvência (artigo 81º) salvo se a administração continuar
a ser assegurada pelo devedor, nos termos do artigo 224º

 Os órgãos sociais do devedor (pessoa colectiva) mantêm-se


em funcionamento (sem remuneração) mas podem renunciar
ao cargo, logo que procedam ao depósito das contas anuais
com referência à data da decisão de liquidação.

 Pode haver remuneração dos órgãos, caso o juiz tenha


determinado na sentença que a administração da massa
insolvente seja assegurada pelo devedor.

 O administrador assume a representação do devedor para


todos os efeitos de carácter patrimonial que interessem à
insolvência.
Efeitos sobre processos e sobre os
créditos
 Suspensão de acções executivas (prosseguem contra outros
executados). Extinção quanto ao executado insolvente quendo o
processo for encerrado, nos termos das alíneas a) a d) do nº1 do
artigo 230º.

 Apensação de acções contra o devedor que apreciem questões


relativas a bens da massa insolvente e acções de natureza
patrimonial intentadas pelo devedor, caso essa apensação seja
requerida pelo administrador de insolvência.

 Vencimento de todas as obrigações, não subordinadas a uma


condição suspensiva.

 As dívidas do insolvente continuam a vencer juros (os créditos de


juros são créditos subordinados)

 Extinção dos privilégios creditórios gerais especiais de créditos do


Estado, autarquias locais e Segurança Social, com excepção dos
constituídos ou vencidos nos últimos 12 meses - artigo 97º
 Extinção de hipotecas legais de créditos do Estado, segurança
social e autarquias locais, cujo registo haja sido requerido nos
dois meses anteriores à data do inicio do processo – artigo
97º;
 Extinção de garantias reais acessórias de créditos
subordinados;

 Suspensão de todos os prazos de prescrição e de caducidade


oponíveis pelo devedor, durante o decurso do processo.
(excepção ao regime geral do artigo 328º do C.C.)

 Concessão de privilégio mobiliário geral a ¼ do crédito


requerente da falência, num máximo de 500 UC – artigo 98º

 Admissibilidade de compensação desde que se verifiquem


determinados requisitos – artigo 99º
Efeitos sobre os negócios em
curso
Princípio geral: (artigo 102º)
quanto aos negócios bilaterais ainda não cumpridos, o
administrador pode optar pela execução ou recusar o
seu cumprimento. A outra parte pode fixar prazo para
o administrador cumprir ou recusar o cumprimento.

Requisitos de aplicação deste princípio geral:


a) natureza bilateral do contrato
b) ainda não haja total cumprimento de ambas as
partes
c) não exista regime diferente para os negócios
especialmente regulados nos artigos seguintes.
Negócios especialmente regulados
(nos artigos 103º a 118º)
 Contrato-promessa: (artigo 106º)
- insolvência do promitente-vendedor: o administrador
não pode recusar o cumprimento do contrato com eficácia
real se tiver havido tradição da coisa.
se não houver tradição, aplica-se o regime geral do artigo
102º
- insolvência do promitente comprador - aplica-se
igualmente o regime do artigo 102º.

 Locação: não se extingue se o insolvente for locatário mas o


administrador pode denunciar o contrato com pré-aviso de 60
dias (excepção se o locado se destinar a habitação do
insolvente). Também não se extingue se o insolvente for o
locador, sendo possível a denúncia para o termo do prazo
mas se o locado ainda não tiver sido entregue á data da
insolvência, o contrato pode ser resolvido (artigos 108º e
109º)
 Caducidade das procurações que digam respeito ao
património da massa, ainda que irrevogáveis (conferidas no
interesse do procurador ou de terceiro);

 A declaração de insolvência do trabalhador não suspende o


contrato de trabalho;

 Os contratos de trabalho dos trabalhadores ao serviço da


empresa integrada na massa insolvente não cessam,
enquanto o estabelecimento não for definitivamente
encerrado – artigo 391º do Código de Trabalho. Os contratos
cessam com o encerramento do estabelecimento ou antes
deste, no caso do administrador assim entender,
relativamente a alguns contratos de trabalho - despedimento
colectivo.
Incidente de verificação e reclamação
de créditos
(artigos 128º e ss)
 A reclamação de créditos é feita por meio de requerimento,
acompanhado de todas as provas, endereçado ao
administrador e apresentado no seu domicílio ou para aí
remetido, por via postal ou correio electrónico (Nota: não é
devida taxa de justiça)

 Mesmo os créditos reconhecidos por decisão definitiva têm de


ser reclamados no processo de insolvência. Nesse caso, a
reclamação pode remeter para a decisão condenatória,
devendo ser junta certidão da respectiva sentença.

 Na reclamação deve indicar-se a proveniência, data de


vencimento, montante de capital e de juros, com indicação
da taxa aplicável e a natureza do crédito (comum,
subordinado, privilegiado ou garantido e, neste caso, devem
ser indicados os bens objecto da garantia e ser junta a certidão
registral (ex:hipoteca); caso o crédito esteja condicionado,
deve indicar-se a condição a que o crédito está sujeito.
Relação de créditos reconhecidos e não
reconhecidos pelo administrador – artigo
129º
 15 dias após o prazo das reclamações, o administrador
apresenta na secretaria a lista de credores reconhecidos e
dos credores não reconhecidos (com indicação dos
motivos). Esta relação é feita com base nas reclamações e com
base nos elementos da contabilidade.

 O administrador deve avisar, por carta registada, os credores


não reconhecidos e os credores reconhecidos que não tenham
reclamado créditos, bem como os credores cujos créditos
hajam sido reconhecidos em termos diversos dos da respectiva
reclamação.

 Os interessados que queiram impugnar a lista de credores


reconhecidos, em relação a créditos de que não sejam
titulares, deverão estar atentos ao prazo de depósito dessa
lista na Secretaria, uma vez que não são notificados e dispõem
de 10 dias para o fazer, contados do termo do prazo facultado
ao administrador para apresentar a lista de credores.
Impugnação da lista de credores
reconhecidos
 A impugnação é feita através de requerimento ao juiz, com
indicação da respectiva prova – limite de testemunhas (10)

 Fundamento – indevida inclusão ou exclusão de créditos ou


incorrecção do montante dos créditos ou da qualificação dada
aos mesmos.

 Não havendo impugnações, o juiz homologa a lista de


credores reconhecidos e gradua os créditos em conformidade
com esta – sentença de verificação e graduação – artigo 130º
nº3

 Havendo impugnações, notifica-se o credor titular do crédito


impugnado, seguindo-se a resposta à impugnação que este
poderá apresentar.
Resposta à impugnação e tramitação
seguinte
 Pode responder o administrador e qualquer interessado que
assuma posição contrária ao impugnante e o próprio devedor,
devendo igualmente indicar-se a prova na resposta.

 Caso o titular do crédito impugnado não responda, a


impugnação é julgada procedente.

 Prazo de resposta a impugnações – 10 dias subsequentes ao


termo do prazo das impugnações ou da notificação ao titular
do crédito impugnado.
 Tramitação posterior: parecer da comissão de credores,
podendo o juiz marcar uma tentativa de conciliação para
comparecerem todos os impugnantes, os que responderam às
impugnações, a comissão de credores e o Administrador
(nota: procuração com poderes para transigir), despacho
saneador, diligências instrutórias, audiência de julgamento,
sentença de verificação e graduação, recurso.
Sentença de verificação de créditos

 Se não houver impugnações, é de imediato proferida sentença


de verificação e graduação de créditos que pode limitar-se a
homologar a lista de credores apresentada pelo administrador
(esta solução tem sido criticada uma vez que o juiz homologa
a lista do administrador sem sequer verificar as reclamações
de créditos que são dirigidas ao administrador e estão na sua
posse).

 Se houver impugnações, segue-se a ulterior tramitação


processual e só depois será proferida sentença de verificação
e graduação de créditos.

 Na graduação de créditos não são atendidas preferências


resultantes de hipotecas judiciais, nem de penhoras que
existissem anteriormente à declaração de insolvência.
Verificação ulterior de créditos
( artigo 146º )

 Caso o credor não reclame o crédito no prazo fixado na


sentença, por exemplo por desconhecimento da sentença de
insolvência, poderá ainda obter o seu reconhecimento (desde
que não tenha sido avisado pelo administrador), devendo para
o efeito propor acção contra a massa insolvente, os
credores e o devedor.

 A acção só pode ser proposta no prazo de seis meses contado


do trânsito sentença de insolvência ou de 3 meses após
constituição do crédito, caso este prazo termine
posteriormente.

 Excepção – credores avisados nos termos do artigo 129º só


podem reclamar nestes termos se os créditos forem
posteriores ao aviso.
Direito à restituição ou separação de
bens
 No prazo das reclamações, pode ser requerida pelos seus donos
a restituição de bens apreendidos para a massa insolvente que
pertençam a terceiros ou a separação de bens que o insolvente
não seja exclusivamente titular (ex: bens em regime de
compropriedade ou de comunhão) – artigos 141º e segs.

 Findo o prazo das reclamações, caso tenham sido apreendidos


para a massa insolvente bens de terceiro (ex: alugados ou em
regime de leasing), poderá o respectivo proprietário propor
acção, a todo o tempo, tendo em vista reaver os bens.

Pode ser deferida a entrega provisória de coisas móveis,


desde que seja prestada caução no processo.
Aspectos práticos destas acções

Correm por apenso ao processo de insolvência.

É oficiosamente lavrado termo de protesto no processo


principal e a causa não pode estar parada por falta de impulso
do autor por mais de 30 dias, sob pena de extinção da
instância e caducidade dos efeitos do termo de protesto. (ver
artigo 147º).

Os credores são citados por éditos (edital electrónico no


portal CITIUS, considerando-se citados 5 dias após
publicação)
.
O autor tem de pagar as custas, caso não haja contestação.
Inventário e venda de bens

 Antes da elaboração do relatório, o Administrador deve


elaborar o inventário (bens e direitos da massa insolvente,
com indicação de valores, natureza, características, ónus) -
vide artigo 151º.

 O inventário deve ser anexo ao relatório e destina-se a ser


apreciado na assembleia de credores de apreciação do
relatório – artigo 156º

 Transitada a sentença declaratória da insolvência e, após a


assembleia de credores que aprecia o relatório, inicia-se a
venda dos bens, salvo se tiver havido suspensão da
liquidação, como no caso de se incumbir o administrador de
elaborar um plano de recuperação – ver artigo 158º
Classificação de créditos/pagamento

 Créditos garantidos – são pagos através da venda dos bens


onerados com garantias reais e com privilégios creditórios
especiais; Atende-se à prioridade que lhes caiba.

 Créditos privilegiados – são pagos à custa dos bens que não


estejam afectos às garantias reais e a privilégios creditórios
especiais.

 Créditos comuns – são pagos com o remanescente (após


pagamento de créditos garantidos e privilegiados) na proporção
dos créditos, se a massa for insuficiente para a satisfação integral

 Créditos subordinados – só são pagos depois de integralmente


pagos os créditos comuns.
Pagamentos
(artigos 172º e ss)

 Pagamento das dívidas da massa insolvente (custas,


remunerações e despesas do administrador, etc…). Estas são
pagas em primeiro lugar – vide artigo 51º.

 Créditos garantidos – são pagos através da venda dos


bens dados em garantia, com respeito pela prioridade.
(Privilégios imobiliários especiais, hipotecas). Mas, o
administrador pode pagar o crédito com garantia real antes
da venda dos bens (vide artigo 166º nº 2)

 Créditos privilegiados – é feito à custa dos bens não


afectos a garantias reais e a privilégios creditórios especiais
prevalecentes, com respeito pela prioridade e na proporção
em igualdade de circunstâncias. O pagamento só é feito após
venda de bens.
Pagamento de créditos e cautelas

 Créditos comuns, serão pagos com o remanescente, na


proporção dos créditos, se a massa for insuficiente para o
pagamento integral.

 Créditos subordinados – só após pagamento de credores


comuns e são pagos pela ordem do artigo 48º, na proporção.

Cautelas: artigo 180º


Só após a decisão definitiva do recurso da sentença de
verificação e graduação ou de acção pendente contra a
massa em que tenha sido lavrado protesto é que é
autorizado o levantamento das quantias depositadas ou
efectuado o rateio pelos credores. Caso o recurso ou a acção
improceda, o recorrente ou autor do protesto indemniza os
credores lesados (juros de mora à taxa legal) pelo atraso
havido no recebimento dos créditos.
Formas de pagamento

 Sem necessidade de requerimento através de cheques sobre


a conta da insolvência (administrador e membro da comissão
de credores se houver) – artigo 183

 Rateios parciais – se já houver depósito de quantias que


assegurem o pagamento de 5% do valor dos créditos
privilegiados, comuns e subordinados, o administrador
apresenta plano e mapa de rateios (com parecer da comissão
de credores, se houver); o juiz decide sobre os pagamentos
que considere justificados. – 178º

 Rateio final - encerrada a liquidação, a distribuição e o


rateio final são efectuados pela Secretaria após remessa à
conta. Os cheques devem ser solicitados na Secretaria ou
apresentados no prazo de um ano, contados do aviso ao
credor, sob pena de prescrição.
O Plano de insolvência

 O pagamento dos créditos sobre a insolvência, a liquidação da


massa insolvente e sua repartição pelos titulares dos créditos e
pelo devedor podem ser regulados num plano de insolvência,
que afaste as normas supletivas do código (artigo 192º).

 No plano pode ou não prever-se a continuidade da empresa


contida na massa insolvente. Se a empresa continuar na
titularidade do devedor este deve declarar o seu consentimento
– artigo 202º. O plano que se destine a recuperação do
devedor designa-se Plano de Recuperação.

 O plano pode ainda regular a responsabilidade do devedor


depois de findo o processo de insolvência. O regime supletivo
da responsabilidade do devedor insolvente está fixado no artigo
197º alínea c)
Legitimidade para apresentação do
plano

- Administrador de insolvência (por iniciativa própria ou por


deliberação da assembleia de credores que pode ser tomada
na assembleia do artigo 156º ou noutra que ocorra) – vide
193º nº 3.

- Devedor (requerimento inicial, oposição, ou no prazo de 30


dias após sentença de insolvência, quando seja titular de
empresa e pretenda continuar a administrar a massa (vide
artigo 224º) ver ainda artigo 207º alínea d)

- responsável legal;

- credor ou grupo de credores que representem 1/5 do total


de créditos não subordinados reconhecidos na sentença ou
estimados pelo juiz, caso ainda não haja sentença de
verificação e graduação de créditos.
Conteúdo do plano
Regra da liberdade do conteúdo
Princípio da igualdade dos credores – artigo 194º

 Indica as alterações decorrentes para as posições


jurídicas dos credores;
 Indica a sua finalidade;
 Indica se o pagamento é feito através de liquidação,
de recuperação ou da empresa ou de transmissão do
estabelecimento a terceiro;
 Em caso de manutenção da empresa, na titularidade
do devedor ou de terceiro, deverá ser apresentado um
relatório de suporte económico-financeiro que permita
justificar os pagamentos;
 Indica as medidas necessárias à sua execução.
 Efeitos da homologação do plano – artigo 217º
O plano pode conter providências de
recuperação
 Medidas com incidência no passivo (perdão ou
redução de créditos); moratória; diminuição de prazos
de vencimento e taxas de juro; constituição de
garantias; cessão de bens aos credores.

Providências específicas de sociedades comerciais:


ex: redução de capital para cobertura de prejuízos,
aumento de capital, designadamente através de
conversão de créditos em capital ou de entradas em
dinheiro a realizar antes da homologação do plano;
redução de capital, seguida de aumento; alteração de
estatutos; etc.

Redução de capital a 0 – 198º nº3 (inventário e lista de


credores reconhecidos)
Outras providências de recuperação

 Transmissão de estabelecimento a terceiros:

O plano de insolvência que preveja a constituição de


uma ou mais sociedades destinadas à exploração do
estabelecimento (s) adquiridos à massa insolvente
através de contrapartida adequada, deve conter em
anexo:

- os estatutos da nova sociedade (dela podem fazer


parte credores e/ou terceiros).

- a designação de membros dos órgãos sociais.


Créditos com garantias reais e privilégios
creditórios (gerais ou especiais)

Na ausência de indicação expressa no plano, estes créditos não


são afectados – artigo 197º a)

Mas se forem afectados pelo plano, o credor afectado tem:

a) de deduzir oposição à aprovação do plano (antes deste ser


aprovado)

b) requerer a sua não homologação, nos termos do artigo 216º,


sob pena dos créditos ficarem afectados mesmo que estes
credores não prestem o seu consentimento, ou seja, mesmo que
votem contra a aprovação do plano de insolvência.
Aprovação do plano – (artigos 209º e ss)

 Admissão da proposta pelo juiz;

 Pareceres prévios (comissão de trabalhadores ou dos seus


representantes, da comissão de credores, do devedor e do
administrador). Os pareceres não têm carácter vinculativo
nem obrigatório.

 Convocação de assembleia de credores, nos termos do artigo


75º, com antecedência mínima de 20 dias, após trânsito da
sentença de insolvência, realização da assembleia de
apreciação do relatório e depois de esgotado o prazo de
impugnações.

 O plano de insolvência e os pareceres podem ser consultados


na Secretaria, nos 10 dias anteriores à assembleia.

 É possível a votação por escrito (credores presentes ou


representados na assembleia)
Quórum

 Presentes ou representados 1/3 do total dos créditos


com direito de voto;

 Tem de recolher votos favoráveis de 2/3 da


totalidade dos votos emitidos e mais de metade dos
votos emitidos correspondentes a créditos não
subordinados (não se contam as abstenções)

 Não conferem direito de voto:


- os créditos não modificados pelo plano;
- os créditos subordinados de determinado grau se o
plano decretar o perdão de créditos subordinados de
grau inferior
Homologação do plano de insolvência e
encerramento do processo
 Após trânsito em julgado da sentença que homologar o plano
e se a isso não se opuser o conteúdo do mesmo, o juiz
declara o encerramento do processo.

 O cumprimento do plano exonera o devedor e os responsáveis


legais de todas as dívidas da insolvência remanescentes –
artigo 197º alínea c)

 Se for prevista a continuidade da empresa, esta retoma a sua


actividade independentemente de deliberação dos sócios.

 Com o encerramento do processo, cessam os efeitos da


declaração de insolvência, recuperando o devedor o direitos
de disposição sobre os seus bens (vide 233º)
Sentença de não homologação do plano
(artigos 215º e 216º)
 Não homologação oficiosa (ex: violação do princípio de igualdade
de credores previsto no artigo 194º)

 Não homologação a pedido de interessados (devedor, sócio


associado ou membro do devedor) desde que tenha manifestado
a sua oposição anteriormente à aprovação do plano, que se
tenham oposto à aprovação do plano e desde que o
requerente demonstre que

- a sua situação ao abrigo do plano é previsivelmente menos


favorável do que a que existiria na ausência de plano,
designadamente em função de acordo já aprovado no âmbito de um
procedimento extrajudicial de regularização de dívidas ou

- o plano proporciona a algum credor um valor económico superior


ao valor nominal do seu crédito, acrescido de eventuais contribuições
que ele deva prestar.
- excepção nº 3
Sentença de homologação do plano

 Prazo – 214º Até lá, os credores que entendam ser afectados


poderão pedir a não homologação.
 Efeitos gerais – alteração dos créditos sobre a insolvência
introduzidas no plano, independentemente dos créditos terem
sido reclamados ou verificados – artigo 217º

 Incumprimento do plano – artigo 218º

 Antes do encerramento do processo em que seja aprovado e


homologado um plano, procede-se ao pagamento das dívidas
da massa insolvente.

 Eventual fiscalização da execução do plano por parte do


administrador de insolvência – artigo 220º
Incidente de qualificação de
insolvência (185º e ss)

Visa a responsabilização pessoal do devedor e dos seus


administradores de facto ou de direito.

O juiz pode proceder à qualificação como fortuita ou


culposa.

O incidente pode ser aberto na sentença de declaração de


insolvência com carácter pleno ou limitado (vd. artigo 36º e
39º) ou posteriormente.

A qualificação não é vinculativa para efeitos da decisão de


causas penais, nem para efeitos de acções de
responsabilidade contra o devedor, administradores/gerentes
propostas nos termos do nº2 do artigo 82º.

Da sentença que qualificar a insolvência como culposa cabe


recurso.
Insolvência culposa

 Situação de insolvência tiver sido criada ou agravada em


consequência de dolo ou culpa grave do devedor ou dos seus
administradores, nos 3 anos anteriores ao início do processo.

 Podem assim ser responsabilizados administradores que, ao


tempo da insolvência já não exerciam funções, se se provar
que a sua actuação foi dolosa ou praticada com culpa grave e
os actos tenham sido praticados nos 3 anos anteriores ao
processo.

 Quanto às pessoas singulares, em princípio não se aplica a


presunção de culpa em relação aos actos previstos no nº 2 do
186º mas pode aplicar-se – vide nº 3 do mesmo artigo.
Incidente pleno

- 15 dias após a assembleia de credores de apreciação do relatório,


pode o administrador ou qualquer interessado alegar por escrito
quaisquer factos relevantes para o efeito da qualificação da
insolvência como culposa e indicar as pessoas que devem ser
afectadas pela qualificação.
- No prazo de 10 dias, o juiz pode declarar aberto o incidente.
Publicação do despacho no CITIUS.
- Segue-se o parecer do Administrador, caso não tenha proposto a
qualificação da insolvência como culposa, no prazo de 20 dias, ou em
prazo mais longo se o juiz o fixar.
- O parecer do administrador e as alegações dos interessados vão
com vista ao MP para se pronunciar no prazo de 10 dias.
Se ambos propuserem a qualificação da insolvência como fortuita o
juiz pode proferir de imediato decisão nesse sentido (sem recurso).

De outra forma, o incidente prossegue.


Tramitação subsequente do incidente
pleno

- Notificação do devedor e citação das pessoas afectadas


para se oporem, querendo, no prazo de 15 dias.

 Resposta (administrador, MP e qualquer interessado que


assuma posição contrária à das oposições) – 10 dias.

 Prova (deve ser indicada nos articulados), saneamento do


processo, julgamento.

 Sentença de qualificação.

 Recurso
Incidente limitado – artigo 191º

 Aplica-se quando o juiz conclua que o património do


devedor é presumivelmente insuficiente para
pagamento das custas e das dívidas previsíveis da
massa insolvente – artigo 39º nº1 e nº 5 do artigo 232º

 O prazo para alegações para qualquer interessado


alegar factos destinados à qualificação é de 45 dias
contados da declaração de insolvência ou da data de
encerramento do processo.

 Aplica-se o disposto nos artigos 188º e 189º e quando


aplicável o administrador dá o parecer no prazo de 15
dias.

 Os documentos de escrituração do devedor são


colocados à disposição dos interessados, pelo devedor.
Insolvência qualificada como culposa

 O Juiz deve identificar as pessoas afectadas pela qualificação,


nomeadamente os administradores de direito ou de facto, Tocs e
Rocs e fixar o respectivo grau de culpa.

 SANÇÕES:

Inibição para administrar patrimónios alheios;

Inibição para o exercício do comércio ou ocupação de cargos


(sociedades comerciais ou civis, associações ou fundações privadas
de actividade económica, empresas públicas ou cooperativas);

Perda de créditos sobre a insolvência ou sobre a massa (só no


incidente pleno)
Insolvência qualificada como culposa

Condenação das pessoas afectadas a indemnizar os


credores do devedor insolvente no montante dos créditos não
satisfeitos, sendo solidária tal responsabilidade entre todos os
afectados.

O juiz deve fixar o valor das indemnizações devidas ou se não for


possível deve fixar os critérios a utilizar para a sua quantificação,
a efectuar em liquidação de sentença.

Registo oficioso da inibição para administrar patrimónios alheios


e inibição para o exercício do Comércio na Conservatória do
Registo Civil ou Comercial (comerciante em nome individual)
Insolvência culposa (artigo 186º)

 A insolvência é culposa quando a situação de insolvência tiver


sido criada ou agravada com actuação dolosa ou culpa grave,
nos 3 anos anteriores ao início do processo.

 Presunção de culpa – (do devedor que não seja pessoa


singular, sempre que os seus administradores tenham
praticado os actos referidos no nº2 do artigo 186º)

Preenchidos os requisitos do nº 2 não é necessário provar a


culpa, nem é admitida prova em contrário.

Fora desses casos, é necessário provar a culpa e o nexo de


causalidade entre os factos e a situação de insolvência – vide
Ac. RP de 24.09.2007 in www.dgsi.pt.)
Insolvência culposa

 Presunção de culpa grave (nº 3 do artigo 186º) -


admite prova em contrário

Violação do dever de apresentação – artigo 18º

Violação da obrigação de elaboração e depósito das


contas anuais

A qualificação da insolvência como culposa exige uma


relação de causalidade entre a conduta do devedor e o
estado de insolvência.
Insolvência fortuita

 A qualificação não é vinculativa para efeitos da decisão em


causas penais.

 A insolvência pode ser qualificada de fortuita e mesmo assim


ter relevância para efeitos penais – insolvência negligente –
228º do CP

 É qualificada de fortuita quando o Administrador e o Ministério


Público dêem parecer nesse sentido – 188º nº4 ou quando o
juiz assim decida.
Resolução de actos em benefício da
massa
(artigos 120º e seguintes)
 Podem ser resolvidos quaisquer actos prejudiciais à massa
praticados ou omitidos, nos últimos 2 anos anteriores ao início do
processo.

Presunção de prejuízo patrimonial - actos do artigo 121º mesmo


que praticados fora dos prazos previstos nesse artigo, sem admissão
de prova em contrário (artigo 120º nº 3)

Salvo no caso dos actos previstos no artigo 121º, a resolução


pressupõe má fé do terceiro.

Presunção de má fé – para os actos praticados nos dois anos


anteriores e em que tenham participado pessoas especialmente
relacionadas com o devedor (vide artigo 49º) Nota: esta
presunção admite prova em contrário.

Resolução incondicional – artigo 121º - não se exige má fé para os


actos ali previstos.
Forma da resolução e prescrição do
direito
 Legitimidade – Administrador de insolvência. Os credores
podem dar conhecimento ao administrador de actos que
conheçam ou podem optar por propor acção de impugnação
pauliana, que será suspensa se o administrador vier a
resolver o acto – 127º nº 2.

 Forma da resolução – carta registada com aviso de


recepção.

 A carta tem de ser remetida nos 6 meses seguintes ao


conhecimento do acto e nunca depois de 2 anos sobre a
data da declaração de insolvência.

 Enquanto o negócio não estiver cumprido, pode a resolução


ser declarada, sem dependência de prazo.
Resolução e impugnação

 Para se obterem os efeitos retroactivos da resolução,


deve ser intentada acção pelo administrador de
insolvência – 126º nº2. Esta acção é proposta por
apenso ao processo de insolvência.

 As pessoas afectadas com a resolução têm o direito de a


impugnar a resolução no prazo de 3 meses, sob pena de
caducidade – esta acção proposta contra a massa
insolvente corre por apenso ao processo de insolvência –
artigo 125º

 Efeitos retroactivos – os bens ou direitos são restituídos


à massa. Se houver transmissões posteriores, os
transmissários ficarão protegidos, salvo se estiverem de
má fé. Tem de ser feita prova da má fé.
Responsabilidade penal derivada do
processo de insolvência

 Insolvência dolosa – artigo 227º do CP

 Frustração de Créditos – artigo 227º A do CP

 Insolvência negligente – artigo 228º do CP

 Favorecimento de credores – artigo 229º do CP

 Agravação de penas se houver frustração de créditos


laborais, em sede de processo executivo ou processo de
insolvência – artigo 229º A do CP
Insolvência de pessoas singulares –
Exoneração do passivo restante – 235º e
segs.
 Visa extinguir os créditos que não forem integralmente pagos no
processo de insolvência ou nos 5 anos posteriores ao seu
encerramento.

 Embora não exista o dever de apresentação à insolvência para


pessoas singulares que não sejam titulares de empresa, só
poderão obter este regime as pessoas singulares que se tenham
apresentado, nos 6 meses seguintes à verificação da
situação de insolvência – artigo 238º nº1 alínea d)

Este pedido deve ser feito no requerimento inicial ou no prazo de


10 dias após citação. Se for apresentado plano de pagamentos,
o devedor tem de declarar que no caso do plano não ser
aprovado, pretende a exoneração do passivo restante – 254º

 Contrapartida – cessão do rendimento disponível do devedor


(durante 5 anos subsequentes ao encerramento) a um fiduciário.
Do requerimento consta expressamente a declaração de que o
devedor preenche os requisitos do artigo 238º e se compromete
a observar as condições dos artigo 239 nº 4.

Na assembleia de credores de apreciação do relatório, é dada aos


credores e ao administrador a possibilidade de se pronunciarem
sobre o requerimento.

Não havendo motivo para indeferimento liminar (vide 238º) é


proferido despacho inicial nessa assembleia ou nos 10 dias
seguintes. Esse despacho implica que durante 5 anos após o
encerramento do processo, o rendimento disponível do devedor
se considere cedido ao fiduciário.
 Noção de rendimento disponível – 239º nº3

 No período da cessão não são permitidas execuções sobre os


bens do devedor destinadas à satisfação de créditos sobre a
insolvência.

 Cessação antecipada do procedimento de exoneração a


requerimento de algum credor da insolvência ou do
administrador ou do fiduciário. – art. 243º.

 Não havendo cessação antecipada, 10 dias após o período da


cessão, o juiz profere despacho de decisão final de exoneração,
após ouvir o devedor, o fiduciário e os credores.
Insolvência dolosa – artigo 227º do CP

 Exige-se intenção de prejudicar credores.

 Os actos estão descritos nas alíneas a) a d) do


respectivo artigo.

 Pena de prisão até 5 anos ou multa até 600 dias.

 Punição dos gestores de facto.

 Punição do terceiro que praticar estes actos com


conhecimento do devedor ou em benefício deste.
Frustração de créditos – artigo 227º A
do CP

 O devedor que após sentença condenatória exequível,


destruir, danificar, ocultar ou sonegar parte do seu património
para dessa forma, intencionalmente, frustrar total ou
parcialmente a satisfação de um crédito.

 Só será punido depois de instaurada acção executiva pelo


credor e nela não se conseguir satisfazer os seus direitos.

 Pena até 3 anos ou multa.


Insolvência negligente – artigo 228º
do CP

 Sem intenção mas que actue com grave incúria, imprudência


ou prodigalidade ou grave negligência no exercício da sua
actividade.

 Tendo conhecimento da sua situação, não requerer em tempo


nenhuma providência de recuperação.

 Exige-se que seja declarada judicialmente a insolvência.

 Pena até um ano ou multa até 120 dias, caso seja decretada
a insolvência.
Favorecimento de credores – artigo
229º do CP

 Exige-se o conhecimento da situação de insolvência ou


previsão da sua iminência

 Intenção de favorecer certos credores em prejuízo de outros

 Declaração de insolvência

 O devedor será punido se solver dívidas ainda não vencidas


ou solver dívidas de maneira diferente do pagamento de
dinheiro ou valores usuais ou der garantias para as suas
dívidas a que não era obrigado

 Pena – 2 anos ou multa até 240 dias

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