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Neuropsicologia

Clara Margaça
O que é a Neuropsicologia?
Ciência cujo objetivo específico é a investigação
do papel dos sistemas cerebrais individuais nas
formas complexas da atividade mental;

Preocupa-se com a complexa organização cerebral e com as suas


relações com o comportamento e a cognição, tanto em quadros
de doença como no desenvolvimento normal;

O neuropsicólogo tem por objetivo principal correlacionar as


alterações observadas no comportamento do paciente com as
possíveis áreas cerebrais envolvidas, realizando, essencialmente,
um trabalho de investigação clinica que utiliza testes e exercícios
neuropsicológicos.
Avaliação neuropsicoló gica
Método para a investigação do funcionamento cerebral,
através do estudo comportamental. Os objetivos da
avaliação neuropsicológica são, basicamente, auxiliar o
diagnóstico diferencial, estabelecer a presença ou não
de disfunção cognitiva e o nível de funcionamento em
relação ao nível ocupacional, localizar alterações sutis, a
fim de detectar as disfunções ainda em estágios iniciais. 
Embora a Neuropsicologia seja um ramo de conhecimento
interdisciplinar, a avaliação neuropsicológica é
tipicamente realizada pelo psicólogo, que deve
especializar-se no entendimento da dinâmica do
funcionamento cerebral e cognitivo de crianças, adultos e
idosos, bem como nos seus aspectos comportamentais e
sociais.
A avaliação neuropsicológica contribui para o diagnóstico,
prognóstico e reabilitação de funções cognitivas, podendo ser
fundamental para o diagnóstico diferencial, avaliação da
efetividade de um tratamento medicamentoso, determinação
de riscos e benefícios neurocirúrgicos, abuso de substâncias e
diversas outras circunstâncias clínicas.

Sendo assim, é fundamental que a avaliação considere, não


somente as áreas deficitárias, como também as habilidades
preservadas que são potenciais para reabilitação.
Razões para solicitar uma avaliação:
1. Auxílio diagnóstico: as questões diagnósticas geralmente procuram saber qual
seria o problema do paciente e como se apresenta. Isso implica que seja feito um
diagnóstico diferencial entre quadros que têm manifestações muito semelhantes ou
passíveis de serem confundidas.

2. Prognóstico: com o diagnóstico feito, deseja-se estabelecer o curso da


evolução e o impacto que a desordem terá a longo prazo. Este tipo de previsão
tem a ver com a própria patologia ou condição de base da doença ou transtorno
(quando há lesão, com o lugar, o tamanho e lado no qual se encontra).

3. Orientação para o tratamento: ao estabelecer a relação entre o


comportamento e o substrato cerebral ou a patologia, a avaliação
neuropsicológica não só delimita áreas de disfunção, como também estabelece
as hierarquias e a dinâmica das desordens em estudo. Tal delineamento pode
contribuir para a escolha ou para mudanças nos tratamentos medicamentosos
ou outros.
4. Auxílio ao planeamento da reabilitação: a avaliação neuropsicológica
estabelece quais são as forças e as fraquezas cognitivas, provendo, assim,
uma espécie de mapa para orientar quais as funções a ser reforçadas.

5. Perícia: auxiliar a tomada de decisão que os profissionais da área do


direito precisam fazer numa determinada questão legal.
Fases da Avaliação
• Consentimento Informado;

• Identificação da natureza do problema/entrevista


inicial/anamnese;

• Primeira formulação/planificação da avaliação;

• Aplicação de uma bateria flexível de instrumentos;

• Cotação das provas/validação da formulação do caso;

• Comunicação dos resultados;


• A avaliação neuropsicológica, sendo um exame intensivo do
comportamento, deve valorizar, não só as capacidades
intelectuais em termos de desempenho individual, mas
também os aspectos emocionais, funcionais e relacionais dos
indivíduos (Marcelli, 1998).

• Em muitas situações, as observações da conduta do paciente


fora da situação de teste e o emprego de entrevistas
estruturadas ou semiestruturadas podem oferecer dados
muito valiosos.

• Da mesma forma, o neuropsicólogo pode ter em conta


informações relatadas pelos responsáveis, cônjuges,
cuidadores, bem como de outros profissionais de saúde que
também estejam a acompanhar o indivíduo.
Métodos

A abordagem quantitativa é baseada em normas,


análises fatoriais e estudos de validade, constituindo
um instrumento indispensável da avaliação
neuropsicológica por desenvolver métodos de
comparação de resultados e padrões para determinar,
quantitativamente, as diferenças entre as avaliações
pré e pós tratamentos com formas paralelas.
A abordagem qualitativa, pela sua flexibilidade, complementa
a avaliação, tendo a sua importância por contribuir com os
dados que não são observáveis através dos testes
padronizados, além de confirmarem ou questionarem os dados
quantitativos.
Considera-se que, devido aos fatores diversos que interferem
no processo de avaliação, o diagnóstico elaborado, apenas, em
dados quantitativos facilmente incide em erro. A isto deve-se a
importância da interdisciplinaridade das neurociências, bem
como o uso de instrumentos variados.
Baterias

1. Baterias fixas – 2. Baterias flexíveis –


aplicáveis em pesquisas, apropriadas para
em protocolos específicos investigação clínica, pois
para investigação de uma estão mais voltadas
população particular. para as dificuldades
específicas do paciente.

 Considerando a variação dos testes neuropsicológicos, tempo de


aplicação e indicação, é importante organizar um protocolo básico com a
possibilidade de complementar a avaliação com outros testes sobre as
funções mais comprometidas, a fim de realizar um exame mais
detalhado.
Baterias de testes
Halstead-Reitan Battery: combinação de testes
neuropsicológicos utilizados para avaliar os possíveis aspetos
físicos e localização de lesões neurológicas (e.g. Trails – A
“números” e B “números e letras”);

Luria-Nebraska Neuropsychological Battery (LNNB):


bateria abrangente desenvolvida para avaliar o
funcionamento neuropsicológico;

Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC): abrangente e


compreensiva, que viabiliza o exame de importantes funções
neurocognitivas: memória, atenção, funções executivas, orientação,
motricidade e lateralidade. Os resultados na BANC permitem identificar o
efeito cognitivo de patologias neurológicas ou perturbações de
desenvolvimento.
Testes

VSAT – Visual Search and Attention Test: Avalia os processos relacionados


com a atenção que são frequentemente afetados pela deterioração
cognitiva ou por situações de doença cerebral aguda ou crónica.

WAIS-III – Escala de inteligência de Weschler para adultos;

Raven’s Progressive Matrices – Matrizes Progressivas de Raven: conjunto


de escalas não-verbais destinadas a avaliar a aptidão do indivíduo para
apreender relações entre figuras e desenhos geométricos e perceber a
estrutura do desenho, a fim de selecionar a parte apropriada (entre várias)
que completa cada padrão ou sistema de relações. Os itens são figuras
geométricas (analogias perceptivas na forma de matriz), onde falta uma
parte e para a qual existem 6-8 alternativas de escolha. 
 WMS-III – Weschler Memory Scale: avaliação detalhada de
aspetos relevantes relacionados com o funcionamento da memória,
tendo sido concebida para proporcionar informação relevante nas
avaliações clínicas gerais e nas avaliações neuropsicológicas, bem
como no âmbito da reabilitação.

 Figura Complexa de Rey - Avalia a capacidade de organização


percetivo-motora, a atenção e a memória visual imediata. É uma prova
bastante utilizada em contexto clínico, mais especificamente na
avaliação da estrutura espacial e da localização no organismo dos
défices manifestados.
Figura Complexa de Rey
 Wisconsin Card Sorting Test: capacidade de mostrar
flexibilidade, face à mudança de esquemas de reforçamento;

 Teste de Fluência Verbal (FAS) e animais;

 Token Test: avaliação da compreensão da linguagem.


• Rey Auditory Verbal Learning Test - avaliação dos processos
de aprendizagem, evocação e reconhecimento da memória
episódica, bem como a memória a curto prazo;

• Rey Visual Learning Test – avalia a memória imediata, novas


aprendizagens, recordação tardia e o reconhecimento de
material não verbal;

• Revised Benton Visual Retention Test – avalia a memória


visual por meio da reprodução de figuras geométricas de
complexidade crescente, assim como as habilidades de praxia
e visuo-construção. Sensível para os efeitos de danos
neurológicos.
 Trail Making Test: avalia a atenção visual e alternância de
tarefas, bem como a velocidade do processamento cognitivo
e as funções executivas;

 Stroop Neuropsychological Screening Test: avaliar a


capacidade do indivíduo para processar, seletivamente,
apenas uma característica visual num determinado período
de tempo, enquanto inibe o processamento de outras
características - “eficácia da concentração”;

 Boston Naming Test – avalia a habilidade de nomeação;

 Torre de Hanoy - avaliação da capacidade de memória de


trabalho, e, principalmente, de planeamento e solução de
problemas.
• Séries Gráficas de Luria: avaliam as funções operativas de topo, ao
nível da organização dos estímulos (e.g. determinar um objetivo,
planear, monitorizar, avaliar, etc.); avalia défices atencionais;
lentificação (eventualmente relacionada com fármacos, padrão
obsessivo de perfeccionismo, etc.);

• Teste do relógio: avalia perceção visual, praxia de construção,


disfunção do hemisfério direito com negligência à esquerda. Quando
se pede o desenho percebe-se se o paciente compreende as
instruções, se consegue recuperar a informação relacionada com o
conceito de relógio – através dos diferentes tipos de processos de
memória - se traduz este conhecimento, através de processos
visuopercetivos e visuomotores, e ainda se consegue avaliar e
monitorizar – por meio das funções executivas - o resultado que vai
obtendo ao desenhar.
Protocolo Básico para Avaliação
Neuropsicológica Clínica

 Composição de testes de orientação, atenção, perceção,


inteligência geral, raciocínio, memória verbal e visual, de
curto e longo prazo;

Testes de flexibilidade mental, linguagem e organização


visuo-espacial.

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