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Direito EMPRESARIAL

PALESTRA 04 – EMPRESÁRIO COMERCIAL


PLANO DE EXPOSIÇÃO

 1. Noção e importância de empresario comercial;


 2. O Empresario comercial em nome individual;
 3. Requisitos de acesso a qualidade de empresário comecial;
 4. Situações duvidosas quanto à aquisição da qualidade de empresário comercial.
 5. Obrigações dos empresários cometrciais.

  
Objectivos

 AO COMPLETAR ESTA UNIDADE O ESTUDANTE DEVE SER CAPAZ DE:

 Objectivos específicos:

 1. Explicar significado de Empresario comecial;


 2. Compreender a revolução do fenómeno comercial;
 3. Identificar o empresário em nome indivuadual ;
 4. Conhecer os casos duvidosos que se confudem com o empresário comercial.
Noção de empresário, comerciante e a sua
importância

 O legislador não deu uma definição legal de empresário comercial, mas sim, indica quais sãos as
categorias legais de comerciantes (art. 2º CCom).

 Tem-se segundo o entendimento tradicional do art. 2º CCom, por um lado os


comerciantes que são pessoas singulares – geralmente designados por
empresário comercial em nome individual – e os empresários
comerciais que são pessoas colectivas.
 No domínio do Direito Comercial, deve prevalecer, em geral, a noção de empresário comercial
que resulta do art. 2º CCom: empresário comercial é quem, enquadrando-se numa das duas
categorias do art. 2º CCom, seja titular de uma empresa que exerça uma das actividades
comerciais, tais como as qualificam o art. 3º CCom, e as demais disposições avulsas que
caracterizam e englobam no Direito Comercial certas actividades económicas.

 A aquisição da qualidade de empresário comercial é sempre originária, não podendo


transmitir-se nem inter vivos, nem mortis causa.

 Portanto, quem organizar ou adquirir uma empresa comercial terá de preencher, em si mesmo, os
requisitos necessários para obter de si a qualidade de empresário comercial.
 A alínea a) do art. 2.º CCom, refere-se a pessoas. Em geral, entende- se que naquele
alínea, só abrange pessoas singulares: os chamados empresários comerciais em nome
individual. Mas pode questionar-se se ali se abrangerão também pessoas colectivas.
  
 Há, três casos especiais quanto ao problema do art. Alínea a) do artigo 2 CCom: As
sociedades civis em forma commercial e Empresas públicas.
AS SOCIEDADES CIVIS/EMPRESAS
PÚBLICAS
 As sociedades civis em forma comercial não são, pois empresários comerciais, já que
apenas estão sujeitas, por equiparação, ao regime das sociedades comerciais, mas
não lhes és genericamente aplicável o regime dos empresários comerciais.

 Empresas públicas: não serão comerciantes, face a alínea b) do art. 2. CCom? E se o


não forem, deverão ser qualificadas como comerciantes, mercê do respectivo regime
estatutário geral? Em face destas duas normas, entre si conjugadas, afigura-se que, se
as empresas públicas não são rigorosamente qualificáveis como comerciantes, no
entanto estão pela lei a eles equiparadas, no que toca à capacidade jurídica e às
normas aplicáveis às suas actividades; e uma dessas normas será precisamente, a
alínea a) do art. 2º CCom. Conjugado com o artigo 15.º CCom.
Os Empresários Comerciais em nome
individual. A matrícula
Requisitos de acesso à qualidade de
empresário comercial

 Personalidade jurídica
 Capacidade Empresarial
 Exercício profissional do empresário comércial
Personalidade jurídica

 Quanto a este requisito, não há aqui a considerar quaisquer especialidades face ao regime
geral do Direito Civil.

 Assim, além de assumir a personalidade jurídica das pessoas singulares (art.


66º CC), a lei comercial atribui-a às sociedades comerciais (art. 9º CCom) e às
sociedades civis em forma comercial (art. 15º/2 CCom).
Capacidade Empresarial

 A capacidade jurídica constitui a medida dos direitos e obrigações de que uma pessoa é
susceptível de ser sujeito (art. 9º CC) e que a doutrina distingue entre a capacidade de
gozo e a capacidade de exercício. Do artigo 14º, resultam restrições à capacidade
comercial sem fim lucrativo e de Direito Público.
 Quanto à capacidade de exercício, deverá ter-se em conta o art. 9º CCom, que enuncia
dois princípios fundamentais: o da liberdade de comércio e o da coincidência entre a
capacidade civil e a capacidade comercial.

 A plena capacidade comercial depende de uma pessoa – singular ou colectiva – ter


capacidade civil e não estar abrangida por alguma norma que estabeleça uma restrição ao
exercício do comércio.
 O art. 2º CCom, ao exigir capacidade para a prática de actos
de comércio, pretende referir-se à capacidade jurídica de
exercício, tanto mais que alude ao carácter profissional do
empresário comercial, o que pressupõe uma prática habitual
de actos geradores, mediadores ou extintivos de direitos e
obrigações.
Exercício profissional do empresário
comércial

 Não basta a prática de actos de comércio isolados ou ocasionais: para se adquirir a


qualidade de comerciante é indispensável a prática regular, habitual, sistemática, de
actos de comércio;

 Não basta a prática, mesmo que habitual de quaisquer actos de comércio: nem todos
estes actos têm a mesma potencialidade de atribuir a quem os pratique a qualidade de
comerciante;

 É indispensável para que haja profissionalidade que o indivíduo pratique os actos de


comércio de forma a exercer como modo de vida uma das actividades económicas que
a lei enquadra no âmbito do direito mercantil;
 Deve entender-se como indispensável que a profissão de comerciante seja
exercida de modo pessoal, independente e autónomo, isto é, em nome próprio, sem
subordinação a outrem;
 É indispensável que o comerciante organize factores de produção com vista à
produção das utilidades económicas resultantes de uma daquelas utilidades
económicas que a lei considera como comerciais.
 Portanto, é comerciante quem possui e exerce uma empresa comercial: quem
é titular de uma organização daquelas que a lei qualifica como empresas
comerciais para através dela exercer uma actividade comercial.
Situações duvidosas quanto à aquisição da
qualidade de empresário comercial

 O art. 14º e 15/2º CCom, pretende evitar um alargamento


excessivo da categoria do empresário comercial. Quer as pessoas
de fim desinteressado, quer as pessoas colectivas de fim
interessado não económico, não podem ser comerciantes.
 Portanto não são comerciantes: Mandatário comercial e Mandato
mercantil (art. 465.º e 466.º). Gerente, Auxiliares de empresário
comercial (art. 62º CCom), Caixeiros (art. 65º CCom),
Mediadores e os Agentes comerciais.
Mandato

Mandatário
 comercial, a doutrina entende que não são
empresários comerciais, são sujeitos que a título profissional
executam um mandato comercial com representação.
 Mandato mercantil, traduz-se na execução do mandato,

pratica um conjunto de actos (um ou mais) de comércio,
realizados pelo mandatário comercial, produzem efeitos
jurídicos na esfera jurídica do mandante representado (art.
465.º e 466.º).
Gerentes, Auxiliares e Mediadores

 Gerente
 Quem em nome e por conta de um comerciante trata do comércio desse comerciante, no
lugar onde esse comerciante tenha ou peça para actuar. Tem um poder de representação, é
um poder geral e compreensivo de todos os actos pertencentes e necessários ao exercício
do comércio para que tenha sido dado, não são empresários comerciais.
 Auxiliares de empresário comercial (art. 62º CCom)
 São encarregados de um desempenho constante em nome e por conta dos empresário
comerciais de algum (s) dos ramos de tráfico.
 Mediadores
 Pessoa colectiva ou singular, que servem de elo de ligação entre diversos sujeitos
jurídicos, promove a celebração de negócios entre duas pessoas. Executam actos de
comércio, a sua actividade está incluída na alínea b) do n.º 1, do artigo 3.º
Caixeiros

 Caixeiros (art. 65º CCom)


 São empregados do comerciante, encarregados de funções várias. O poder de
representação do caixeiro (e dos auxiliares) é um poder de representação menor que dos
gerentes.
 
 São classificados no Código Comercial como mandatários com representação. Os poderes
de representação podem resultar de outros negócios jurídicos sem ser o contrato de
mandato. Sendo subordinados, praticam actos de comércio, por nome e por conta do
empregador – para aquele negócio não são empresários comerciantes.
Agentes Comerciais

 Agentes comerciais
 
 Promove por conta de outrem a celebração de contratos.
Operador independente mediante retribuição. O essencial da sua
actividade é a promoção do contrato, pode celebrar também se tiver
mandato para isso.
Responsabilidade dos bens dos cônjuges
por dívidas do empresário comercial

 No actual regime dos efeitos do casamento sobre os


direitos patrimoniais dos cônjuges, prevalece o princípio
constitucional da igualdade de direitos e deveres, a ambos
pertencendo a orientação da vida em comum e a direcção da
família (artigo 110.º/1 da Lei n.º10/2044, de 25 de Agosto – Lei da
Família). No tocante às dívidas contraídas pelos cônjuges,
qualquer dos cônjuges tem legitimidade para contrair dívidas sem
o consentimento do outro.
 No caso das dívidas contraídas no exercício do comércio
pelo cônjuge empresário comercial, o legislador inverteu o ónus da
prova: de forma implícita, presume que elas foram contraídas pelo
empresário comercial em proveito comum do casal. E, portanto,
estabelece que só não será assim se for provado – em regra pelo
cônjuge do empresário comercial ou eventualmente por este –
que as dívidas não foram contraídas em proveito comum do
casal.
 A lei não se basta com o já apontado regime do art. 110/1 da Lei da
família, para a protecção dos interesses dos credores dos
empresários comerciais, a bem do próprio comércio. Vai mais além,
pois o art. 111º/d da Lei da Familia, determina que: “as dívidas
comerciais do cônjuge comerciante presumem-se contraídas no
exercício do seu comércio”.
 Mas o artigo 111.º da Lei da Família, já indica as dívidas da
responsabilidade de ambos os cônjuges, pelas quais respondem os
bens comuns do casal, sabendo-se que na falta ou insuficiência dos
mesmos, respondem solidariamente os bens próprios de
qualquer dos cônjuges, salvo quando casados no regime de
separação de bens (artigo 115.º da Lei da Família).
 Por outro lado, o artigo 112.º indica quais são os casos de dividas da exclusiva
responsabilidade de um dos cônjuges devedor e, subsidiariamente, a sua
meação nos bens (artigo 116.º, n.º 1, da Lei da Família).

 Assim, nenhuma dificuldade se pode pôr em relação às dívidas contraídas por


ambos os cônjuges em conjunto ou por um dos cônjuges com o consentimento
do outro, uma vez que em relação à elas aplica-se o artigo 111.º, n.º 1, alínea a)
da Lei da Família.
 Em qualquer dos regimes de bens que não seja o de separação,
consideram-se da responsabilidade de amos os cônjuges as
dívidas contraídas por qualquer deles (artigo 111.º/d da Lei da
Família. Assim sendo, quando um dos cônjuges for empresário
comercial, responderão pelas dívidas que ele contrair no exercício
da empresa os bens comuns do casal e, na falta ou insuficiência
desses bens, os bens próprios de ambos os cônjuges, solidariamente
(artigo 115.º, n.º 1).
 Contudo, importará reter que tendo em consideração o disposto
nos artigo 111, n.º 1, da referida Lei da Família, o artigo 342.º do
Código Civil e artigo 4.º, n.º 2, do novo Código Comercial, no caso
das dívidas contraídas no exercício de uma empresa comercial, o
legislador inverteu o ónus de prova, fazendo presumir que tais
dívidas foram contraídas em proveito comum do casal, só não o
serão se de ambos os cônjuges ou um deles emergir prova que as
dívidas Não foram contraídas em proveito comum do casal.
EXERCÍCIOS

1. António é proprietário duma loja de tecidos e pronto a vestir. Desenvolve a sua actividade
com a colaboração de alguns empregados e da mulher, com quem é casado no regime de
comunhão de adquiridos.
 Pergunta-se:
 Vasco é empresário comercial?
 Que bens respondem pelas dívidas que Vasco contrair na exploração da loja.
 Admita que Vasco e sua mulher deixam de trabalhar na loja e nomeiam gerente um dos
empregados a quem conferem plenos poderes de gestão. Vasco deixa de ser comerciante?
  Admita que o gerente da loja comunicou aos empregados que só ele poderia fazer e receber
pagamentos e que, violando esta ordem um dos empregados recebeu alguns pagamentos, não
entregando o dinheiro. Ao cliente que pagou ao empregado, poderá ser exigido novo
pagamento?
Obrigado pela Atenção
dispensada
LLM. ALDO DE ROBERTO COVANE

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