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Formação da diversidade

brasileira e Cidadania
Sociologia – 3ª Série – Ensino Médio
Professora Jenifer Souza
Habilidade

Sensibilizar-se em relação às tensões que ocorreram na formação da


diversidade brasileira. (RETOMADA 2ª Série – 2020)
E aí?

Como nós nos


Imagens: ©gettyimages

tornamos quem
somos? Como é
formada a cultura
brasileira?
Elaborado especialmente para o CMSP.

Compilação de fotos de índios brasileiros das tribos Assurini, Tapirajé, Kaiapó, Kapirapé, Rikbaktsa e Bororo-Boe, 2009.
Fotos: Agência Brasil. CC BY-3.0. Wikimedia Commons. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brazilian_indians_000.JPG>. Acesso em: 30 abr. 2021.
Nós do Brasil – Como nos formamos?

• A resposta mais rápida, comumente, se refere à “mistura das três


raças: indígenas, negros e brancos europeus”.

• Entretanto, com o aprofundamento das pesquisas históricas

©gettyimages
sobre a formação do povo brasileiro, percebemos a pluralidade
e a importante variedade que as diferentes etnias (africanas,
indígenas, de europeus, judeus, árabes e tantas outras)
contribuíram para a composição da nossa língua, música,
danças, cheiros, temperos e modos de vida.

• O Brasil não é um só. Em nossas dimensões continentais, nas


diferentes regiões do nosso país, encontramos a diversidade de
povos que compõem o nosso complexo mosaico cultural.

• A conquista dos nossos direitos acompanha a nossa cultura e


resistência.
Elaborado especialmente para o CMSP.
As constituições expressam diversidades?

Como já vimos, as Constituições brasileiras • Voto: secreto, feminino


expressam seus períodos históricos e culturais • e para os analfabetos.
do país, foram necessárias muitas lutas até •Criminalização do racismo.
chegarmos ao conceito de cidadania que • Demarcação das terras indígenas.
• ECA, direitos dos idosos e
temos hoje. consumidores.
1ª – Constituição de 1824 (Brasil Império)
2ª – Constituição de 1891 (Brasil República)
3ª – Constituição de 1934 (Segunda República)
4ª – Constituição de 1937 (Estado Novo)
5ª – Constituição de 1946 (Retorno democrático)
6ª – Constituição de 1967 (Regime Militar)
7ª – Constituição de 1988 (Constituição Cidadã)
Elaborado especialmente para o CMSP.
Cidadania e diferença

Como nós sabemos, nenhum direito cai do céu. Os direitos são


resultados de lutas sociais ao longo da história.
O conceito de cidadania é fundamental para a construção de uma

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nação democrática em que os diferentes não sejam tratados
com desigualdade.
Na Constituição Federal de 1988:
Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I – dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes.
É fundamental entender que as diferenças e desigualdades são
produto da história. Elaborado especialmente para o CMSP. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 26 abr. 2021.
Diferença cultural é um produto da história

Toda diferença cultural é produzida por diferentes trajetórias das nossas


histórias.

Imagens: © Gettyimages
Pintura de Johann Moritz Rugendas retratando o interior de um navio negreiro, 1830. Domínio Público. Museu Itaú Cultural.
Wikimedia Commons. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Navio_negreiro_-_Rugendas_1830.jpg>. Acesso em: 2 mar. 2021.
Tensões presentes em nossa formação

• Estima-se que a população indígena no Brasil no ano de 1500,


quando os primeiros colonizadores chegaram, variava entre 4 e
10 milhões de pessoas. Passados 521 anos, a
população indígena foi reduzida a aproximadamente 817.963

©gettyimages
pessoas, representando apenas 0,47% da população brasileira atual.
A diminuição dos povos indígenas foi resultado de um processo
histórico que precisa ser compreendido e reparado.
• O tráfico de escravizados transatlântico (1550-1850) foi o maior
deslocamento forçado de pessoas a longa distância ocorrido na
história, submetendo, até meados do século XIX, mais de 6 milhões
de pessoas, de mais de uma centena de etnias diferentes, à
condição de desumanização.
• Depois da abolição (1888), fruto dos processos de resistência ao
longo de séculos, as políticas de branqueamento e o contexto de
crise na Europa incentivaram no século XIX vários ciclos de
imigração para o Brasil. Elaborado especialmente para o CMSP.
Estatísticas do povoamento

IBGE. Brasil 500 anos.


Disponível em: <https://brasil500anos.ibge.gov.br/estatisticas-do-povoamento/imigracao-por-nacionalidade-1884-1933.html>. Acesso em: 23 mar. 2021.
Dados demográficos da população indígena no Brasil

Funai. Povos indígenas. Quem São, 12 nov. 2013.


Disponível em: <https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/povos-indigenas/quem-sao>. Acesso em: 23 mar. 2021.
Imigração e refúgio no Brasil

Fonte dos dados: Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais


Brasil registra mais de 700 mil migrantes entre 2010 e 2018. Notícias, 22 ago. 2019. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Disponível em:
<https://www.justica.gov.br/news/collective-nitf-content-1566502830.29>. Acesso em: 23 mar. 2021.
População residente, por cor ou raça (%)

Disponível em: <https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18319-cor-ou-raca.html>. Acesso em: 23 mar. 2021.


Precisamos refletir!

Quais são as principais reivindicações dos povos indígenas hoje?

Elaborado especialmente para o CMSP.


Sessão Solene Senado Federal, Dia do Índio, s/d. Fundação Nacional do Índio (Funai). Foto: Mário Vilela/Funai.
Disponível em: <http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/galeria-de-imagens/3239-se(ssao-solene-senado-federal-dia-do>. Acesso em: 4 maio 2021.
CF de 1988 – Direitos dos indígenas

Os direitos dos indígenas sobre suas terras são definidos enquanto direitos
originários, isto é, anteriores à criação do próprio Estado:
Art. 231 da Constituição:
“São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes,
línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras
que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las,
proteger e fazer respeitar todos os seus bens.”
“São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles
habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas
atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos
recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a
sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e
tradições.” BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016].
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/%20Constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 4 maio 2021.
Presença de terras indígenas: ontem e hoje

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=y_tKDCBimTQ
Agência Pública, A questão indígena em 4 minutos, 2016. (CC BY-ND). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=y_tKDCBimTQ>. Acesso em: 30 abr. 2021.

Mapa do Brasil mostrando os principais povos indígenas na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, 2015. Autor: No Amazonas é Assim. CC-BY-4.0.
Wikimedia Commons. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mapa-dos-Povos-Indigenas-na-Epoca-do-Descobrimento.jpg>. Acesso em: 30 abr. 2021.
Mapa das Reservas Indígenas do Brasil, 2008. Autor: Limongi. Domínio Público. Wikimedia Commons.
Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Indigenous_brazil.jpg>. Acesso em: 30 abr. 2021.
Minorias e história

“Nós estamos em guerra. Eu não sei por que você está me olhando com
essa cara tão simpática. Nós estamos em guerra. O seu mundo e o meu
mundo estão em guerra. Os nossos mundos estão todos em guerra. A
falsificação ideológica que sugere que nós temos paz é pra gente continuar
mantendo a coisa funcionando. Não tem paz em lugar nenhum. É guerra em
todos os lugares, o tempo todo.”
(Ailton Krenak em Ideias para
adiar o fim do mundo)

©gettyimages
Somos, ao longo de toda a nossa vida, bombardeados por imagens eurocêntricas
sobre “o índio”. Nesta aula, aprendemos que precisamos desconstruir essa
idealização e dar lugar para os sujeitos históricos falarem sobre si.

Elaborado especialmente para o CMSP.


Foto de índios observando no microscópio o vírus da Malária, 2008. Foto: Anja Schlegel. CC BY-SA 3.0. Wikimedia Commons.
Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Amazonica_Indios.jpg>. Acesso em: 30 abr. 2021.
Histórias não contadas

Resistência: ato ou efeito de resistir. Força que se opõe à


outra, que não cede. Oposição ou reação a uma força
opressora.

©gettyimages
Negros e indígenas ao longo de todo o período colonial até os
dias de hoje sobrevivem a partir da sua resistência por revoltas,
fugas, quilombos, cultura e permanência.
Quando as pessoas se deslocam de um lugar para outro, levam
consigo hábitos e costumes do seu lugar de origem.
A permanência das culturas africana e indígena hoje é uma das
suas várias maneiras de resistência ao longo da história.
É fundamental identificar na diversidade brasileira: língua,
festas, alimentos, música, danças e, em nosso próprio corpo, as
marcas das diferentes etnias que compõem a nossa história.
Elaborado especialmente para o CMSP.
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E aí, como foi a aula?


Lembrando que, como nosso tempo aqui é curto,
leve suas dúvidas e seus debates para além deste
espaço!
Converse com os professores da sua escola!
Obrigada por participar! ;D
Até a próxima!

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