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História da Educação

Prof. Julina Valentini


juliana.Valentini@ifpr.edu.br

Instituto Federal do Paraná


IFPR

Aula
11-12
1
A) A Educação indígena (p. 33)
Indígenas no Brasil: comunismo primitivo ➭ou seja, “nã o eram sociedades divididas em classes. Apropriavam-se de
forma coletiva dos meios necessá rios à subsistência”.
 Caça, pesca, coleta de frutos, algumas plantaçõ es (ex. milho, mandioca)
 Não tinham vistas ao acú mulo.

Diálogo do tupinambá –Ler p. 35

 A educaçã o (informal) se fazia presente nessas sociedades indígenas.


 Educaçã o sobretudo oral, pela tradiçã o, pelas histó rias, pela memó ria...
 Era uma educaçã o pela vida, pela vivência... Uma educaçã o espontâ nea e integral.
 Em suma, o exemplo dos Tupinambá s mostra:
 Era uma educaçã o que nã o necessitava de uma instituiçã o ou “escola”, pois era ministrada na vida, no cotidiano.
 Tinha três elementos bá sicos: 1) A força da tradiçã o; 2) A força da açã o; 3) A força do exemplo.

Educação formal: Educação informal:


É aquela educação planejada, pensada intencionalmente. Não necessita planejamento ou
Pode ser oficial ou não. intencionalidade. Pode ser inclusive a educação
do dia-a-dia, que ocorre ao longo da vida
2
AS ORDENS RELIGIOSAS E A
EDUCAÇÃO COLONIAL

 1500 –chegada dos primeiros portugueses ao Brasil


 Primeiras décadas de colonização com reveses.
–Superficial
 1549: vinda do 1º Governador Geral – Tomé de Souza
 1549 –junto com Gov. Geral, primeiros jesuítas
chegam, chefiados por Manoel da Nóbrega.

 Objetivo de converter os “gentios” (índios).

 Início da História da Educação (formal) no Brasil, Chegada de Tomé de Sousa à Bahia. Gravura do início do
colonização, educação e catequese. século XIX (Crédito: Biblioteca Municipal de São Paulo)
UNIDADE DO PROCESSO PELA LINGUAGEM (p. 26)

 Colonização: latim colo; -cultivar, morar;

 Cultivar: cultura – ligado à educação

 Processo de Colonização: posse da terra; educação (aculturação); catequese.

No Brasil colônia, até 1759, educação e catequese tem o mesmo sentido, pois a
educação era ministrada por meio da catequese, principalmente sob o poder dos
padres da Companhia de Jesus –jesuítas.
As ordens religiosas e a educação colonial
Primeiros padres do Brasil: franciscanos.

1500 –Caravela de Pedro Álvares Cabral, tinha 8 franciscanos, entre eles o frei
Henrique de Coimbra, que celebrou a primeira missa no Brasil.

1537 –missão de 5 franciscanos no sul do Brasil. Já usavam técnicas de percorrer


aldeias em missões volantes.

Construíram “recolhimentos” que funcionavam como internatos. Ensinavam,


além da religião, lavrar a terra e pequenos ofícios.
Jesuítas X franciscanos
Outras ordens: beneditinos, carmelitas, mercedários, oratorianos, capuchinhos...
Entretanto...
Predomínio (quase monopólio) incontestável dos jesuítas.
Victor Meireles pintou a “Primeira Missa no Brasil”, entre 1859 e 1861
PEDAGOGIA BRASÍLICA
Podemos encontrar referências ao “Período heroico”

1549-1570 Manuel da Nóbrega


1) Aprendizado do português (para os índios)
2) Doutrina cristã
3) Escola de ler e escrever
4) Opcional: canto e música
Culminava em uma das opções:
 OU aprendizado profissional e agrícola;
 OU gramática do Latim para aqueles que iam para as
Universidades na Europa –obviamente apenas para a elite
europeia aqui residente.

ESTRATÉGIAS DE CONVERSÃO
 Estabelecimento de Colégios (com todo o entorno necessário);
 Ação sobre as crianças indígenas;
 Vinda dos chamados “órfãos do rei” de Portugal. Retrato de Manuel da Nóbrega, jesuíta português e chefe da
primeira missão jesuítica à América
 Pretendiam catequizar as crianças indígenas para, por meio delas,
chegar aos adultos.
PEDAGOGIA BRASÍLICA

• Resumo:
• Manoel da Nóbrega Visão educacional:
Tradicional religiosa da Contrarreforma
• Ideias pedagógicas:
• 1)Sujeição dos gentios;
• 2) Conversão destes ao catolicismo;
• 3) Sua conformação disciplinar, moral e
intelectual à nova situação.
• A submissão, nessa visão, precede a conversão
dos gentios.

Retrato de Manuel da Nóbrega, jesuíta português e chefe da


primeira missão jesuítica à América
Acima, o Colégio dos Jesuítas visto da Baía de Todos os Santos, com base na ilustração deJ. A. Caldasde 1758, um ano antes da
expulsão da Ordem.
A legenda como escrita por Caldas é: 1 -Casa profesados Religiozos Jesuitas, 2 -Igreja de S. Salvador dos mesmos Religiozos,
3 -Estudos Geraisda mesma Companhia, 4 -Igreja de S. Pedro novo dos Clerigos.
PEDAGOGIA BRASÍLICA
José de Anchieta
 Hábil dominador de línguas: espanhol (materno), português
(aprendido no Colégio dos Jesuítas em Coimbra) e latim.
 Aprende a “língua geral” falada pelos índios na costa do Brasil.
 Organizou a “Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do
Brasil”.
 Tratava-se de entender para transformar, compreender as culturas
indígenas para substituí-las pelo Evangelho.
 Os jesuítas, desde cedo, determinaram que a catequese, ou a
conquista das almas, seria mais facilmente realizada se usassem da
língua dos naturais.
 Assim, a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil surge
com um instrumento da conversão do indígena.
 Uso da língua nativa para catequizar (inovação); Benedito Calixto, Evangelho nas selvas
 Retórica ➭convencimento. (1893).
 Uso do Teatro ➭ o bem X mal.
“Para realizar seu trabalho pedagógico, Anchieta utilizou-se  Uso de imagens, símbolos ➭os
“autos”
largamente do idioma tupi tanto para se dirigir aos nativos como aos  Qualificação da religião ou crença
colonos que já entendiam a língua geral falada ao longo da costa do “outro” como simples obra
brasileira.” (p. 46) “das trevas”.
Resumo

1. Por meio de tais práticas, expostas até aqui, é que se “aculturaram”


nativos brasileiros ao modo de vida, cultura e religião dos europeus.

2. As ideias pedagógicas postas em prática por Nóbrega, Anchieta e demais


jesuítas no Brasil são o que o autor (SAVIANI) convencionou chamar de
pedagogia brasílica;

3. Ou seja, um plano de ação e educação criado sob medida para aculturação


e conversão dos nativos brasileiros.

11
Institucionalização da Pedagogia Jesuítica ou o Ratio
Studiorum (1599-1759) 12
HISTEDBR – Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”, sediado na
Faculdade de Educação da Unicamp.

https://www.histedbr.fe.unicamp.br/introducao-ao-ratio-studiorum-leonel-franca-sj
13
1. 1564 –a Coroa portuguesa institui a redízima.

 10% dos impostos de toda a colônia brasileira deveriam Antecedentes do Ratio Studiorum
ser destinados aos Colégios e casas da Companhia de Modus Itálicus x Modus Parisiensis
Jesus.
 Inaugurou-se um período de abundância, se Colégios não estavam no plano inicial dos
comparado com o período anterior, de dificuldades e jesuítas.
privações.  Alguns colégios:
 São Paulo, em Goa: 1548
 Nessa fase, concomitantemente, iniciam-se as tratativas  Messina: 1548
de composição de um Plano de Estudos Geral para a  Palermo:1549
Companhia de Jesus no mundo todo, que depois seria  Colégio Romano: 1551
conhecido como Ratio Studiorum.

14
O Modus Parisiensis era considerado o melhor método “em matéria de repetições, disputas, composições,
interrogações e declamações” (p. 50).

Os padres que deram início aos colégios jesuíticos haviam estudado na Universidade de Paris, daí a importância
e escolha do Modus parisiensis.

Os jesuítas assimilaram o MODUS PARISIENSES e o adotaram desde a fundação do primeiro colégio


jesuíta em Messina, em 1548.

Conjunto de normas criado para regulamentar o ensino nos colégios jesuíticos. Tinha por finalidade ordenar as
atividades, funções e os métodos de avaliação nas escolas jesuíticas. O plano contido no Ratio era de caráter
universalista e elitista.

15
Os estágios iniciais do plano de Nóbrega (aprendizagem CONTROLE
de português e escola de ler e escrever) foram suprimidos.
Institui o “Prefeito de estudos” figura
Começava com o “curso de humanidades” ou “estudos que lembra os atuais
inferiores” –como nosso atual ensino médio. supervisores/coordenadores das escolas.

Prosseguia para os “estudos superiores” –Filosofia e


 Cria a “função supervisora”
Teologia que, no Brasil, foram praticamente limitados à
 Por isso podemos dizer, de forma
formação de padres. Ou seja, se tornava um sistema
aproximada, que o Ratio Studiorum,
excludente
se trata de um Sistema de Ensino.
Universalista porque se tratava de um plano adotado
indistintamente por todos os jesuítas, qualquer que fosse o
lugar onde estivessem.
• Elitista porque acabou destinando-se aos filhos dos
colonos e excluindo os indígenas. Os colégios jesuítas se
converteram no instrumento de formação da elite colonial.
As ideias pedagógicas expressas no Ratio correspondem
ao que passou a ser conhecido como na modernidade
como pedagogia tradicional.

16
As disciplinas eram subordinadas ao latim e ao grego.
Língua vernácula (língua-mãe), história, geografia, etc,
eram ensinados em grego e latim, pela leitura dos autores
clássicos.

Ideal Pedagógico?

O ideário do Ratio corresponde ao que hoje chamamos


Pedagogia Tradicional, em sua versão religiosa.
Caracteriza-se pela concepção essencialistado homem.
Ou seja, concebe-se o ser humano como constituído por
uma essência universal e imutável.
O que é a educação?
“À educação cabe moldar a existência particular e real de
cada educando à essência universal e ideal que o define
enquanto ser humano. Para a vertente religiosa, tendo sido o
homem feito por Deus à sua imagem e semelhança, a
essência humana é considerada, pois, criação divina. Em
consequência, o homem deve empenhar-se em atingir a
perfeição humana na vida natural para fazer por merecer a
dádiva da vida sobrenatural”. (SAVIANI, D. p. 58)
17
Um alfabeto catequético

Cruz de Deus , final do XV e XVI


-início th século
Paris, BnF, Departamento de
Manuscritos, Rothschild IV. 4. 145,
fol. 1v.

A "Cruz de Deus" são os primeiros


livros de catecismo, um gênero
literário que se difunde, primeiro
entre os ricos, que a partir do XVI th
século. São volumes finos contendo
um alfabeto moralizado (a cada
letra corresponde uma virtude moral
que começa com a mesma inicial),
as orações principais, os artigos da
fé, a lista de pecados e virtudes, em
suma todo o conhecimento religioso
que as crianças são então
obrigadas a aprender e saber pelos
tribunais. 18
História da Educação

Prof. Julina Valentini


juliana.Valentini@ifpr.edu.br

Instituto Federal do Paraná


IFPR

Aula
10

Educação no Brasil
1º Período
19
A) A Educação indígena (p. 33)
Indígenas no Brasil: comunismo primitivo ➭ou seja, “nã o eram sociedades divididas em classes. Apropriavam-se de
forma coletiva dos meios necessá rios à subsistência”.
 Caça, pesca, coleta de frutos, algumas plantaçõ es (ex. milho, mandioca)
 Não tinham vistas ao acú mulo.

Diálogo do tupinambá –Ler p. 35

 A educaçã o (informal) se fazia presente nessas sociedades indígenas.


 Educaçã o sobretudo oral, pela tradiçã o, pelas histó rias, pela memó ria...
 Era uma educaçã o pela vida, pela vivência... Uma educaçã o espontâ nea e integral.
 Em suma, o exemplo dos Tupinambá s mostra:
 Era uma educaçã o que nã o necessitava de uma instituiçã o ou “escola”, pois era ministrada na vida, no cotidiano.
 Tinha três elementos bá sicos: 1) A força da tradiçã o; 2) A força da açã o; 3) A força do exemplo.

Educação formal: Educação informal:


É aquela educação planejada, pensada intencionalmente. Não necessita planejamento ou
Pode ser oficial ou não. intencionalidade. Pode ser inclusive a educação
do dia-a-dia, que ocorre ao longo da vida
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AS ORDENS RELIGIOSAS E A
EDUCAÇÃO COLONIAL

 1500 –chegada dos primeiros portugueses ao Brasil


 Primeiras décadas de colonização com reveses.
–Superficial
 1549: vinda do 1º Governador Geral – Tomé de Souza
 1549 –junto com Gov. Geral, primeiros jesuítas
chegam, chefiados por Manoel da Nóbrega.

 Objetivo de converter os “gentios” (índios).

 Início da História da Educação (formal) no Brasil, Chegada de Tomé de Sousa à Bahia. Gravura do início do
colonização, educação e catequese. século XIX (Crédito: Biblioteca Municipal de São Paulo)
UNIDADE DO PROCESSO PELA LINGUAGEM (p. 26)

 Colonização: latim colo; -cultivar, morar;

 Cultivar: cultura – ligado à educação

 Processo de Colonização: posse da terra; educação (aculturação); catequese.

No Brasil colônia, até 1759, educação e catequese tem o mesmo sentido, pois a
educação era ministrada por meio da catequese, principalmente sob o poder dos
padres da Companhia de Jesus –jesuítas.
As ordens religiosas e a educação colonial
Primeiros padres do Brasil: franciscanos.

1500 –Caravela de Pedro Álvares Cabral, tinha 8 franciscanos, entre eles o frei
Henrique de Coimbra, que celebrou a primeira missa no Brasil.

1537 –missão de 5 franciscanos no sul do Brasil. Já usavam técnicas de percorrer


aldeias em missões volantes.

Construíram “recolhimentos” que funcionavam como internatos. Ensinavam,


além da religião, lavrar a terra e pequenos ofícios.
Jesuítas X franciscanos
Outras ordens: beneditinos, carmelitas, mercedários, oratorianos, capuchinhos...
Entretanto...
Predomínio (quase monopólio) incontestável dos jesuítas.
Victor Meireles pintou a “Primeira Missa no Brasil”, entre 1859 e 1861
PEDAGOGIA BRASÍLICA
Podemos encontrar referências ao “Período heroico”

1549-1570 Manuel da Nóbrega


1) Aprendizado do português (para os índios)
2) Doutrina cristã
3) Escola de ler e escrever
4) Opcional: canto e música
Culminava em uma das opções:
 OU aprendizado profissional e agrícola;
 OU gramática do Latim para aqueles que iam para as
Universidades na Europa –obviamente apenas para a elite
europeia aqui residente.

ESTRATÉGIAS DE CONVERSÃO
 Estabelecimento de Colégios (com todo o entorno necessário);
 Ação sobre as crianças indígenas;
 Vinda dos chamados “órfãos do rei” de Portugal. Retrato de Manuel da Nóbrega, jesuíta português e chefe da
primeira missão jesuítica à América
 Pretendiam catequizar as crianças indígenas para, por meio delas,
chegar aos adultos.
PEDAGOGIA BRASÍLICA

• Resumo:
• Manoel da Nóbrega Visão educacional:
Tradicional religiosa da Contrarreforma
• Ideias pedagógicas:
• 1)Sujeição dos gentios;
• 2) Conversão destes ao catolicismo;
• 3) Sua conformação disciplinar, moral e
intelectual à nova situação.
• A submissão, nessa visão, precede a conversão
dos gentios.

Retrato de Manuel da Nóbrega, jesuíta português e chefe da


primeira missão jesuítica à América
Acima, o Colégio dos Jesuítas visto da Baía de Todos os Santos, com base na ilustração deJ. A. Caldasde 1758, um ano antes da
expulsão da Ordem.
A legenda como escrita por Caldas é: 1 -Casa profesados Religiozos Jesuitas, 2 -Igreja de S. Salvador dos mesmos Religiozos,
3 -Estudos Geraisda mesma Companhia, 4 -Igreja de S. Pedro novo dos Clerigos.
PEDAGOGIA BRASÍLICA
José de Anchieta
 Hábil dominador de línguas: espanhol (materno), português
(aprendido no Colégio dos Jesuítas em Coimbra) e latim.
 Aprende a “língua geral” falada pelos índios na costa do Brasil.
 Organizou a “Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do
Brasil”.
 Tratava-se de entender para transformar, compreender as culturas
indígenas para substituí-las pelo Evangelho.
 Os jesuítas, desde cedo, determinaram que a catequese, ou a
conquista das almas, seria mais facilmente realizada se usassem da
língua dos naturais.
 Assim, a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil surge
com um instrumento da conversão do indígena.
 Uso da língua nativa para catequizar (inovação); Benedito Calixto, Evangelho nas selvas
 Retórica ➭convencimento. (1893).
 Uso do Teatro ➭ o bem X mal.
“Para realizar seu trabalho pedagógico, Anchieta utilizou-se  Uso de imagens, símbolos ➭os
“autos”
largamente do idioma tupi tanto para se dirigir aos nativos como aos  Qualificação da religião ou crença
colonos que já entendiam a língua geral falada ao longo da costa do “outro” como simples obra
brasileira.” (p. 46) “das trevas”.
Resumo

1. Por meio de tais práticas, expostas até aqui, é que se “aculturaram”


nativos brasileiros ao modo de vida, cultura e religião dos europeus.

2. As ideias pedagógicas postas em prática por Nóbrega, Anchieta e demais


jesuítas no Brasil são o que o autor (SAVIANI) convencionou chamar de
pedagogia brasílica;

3. Ou seja, um plano de ação e educação criado sob medida para aculturação


e conversão dos nativos brasileiros.

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Institucionalização da Pedagogia Jesuítica ou o Ratio
Studiorum (1599-1759) 30
HISTEDBR – Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”, sediado na
Faculdade de Educação da Unicamp.

https://www.histedbr.fe.unicamp.br/introducao-ao-ratio-studiorum-leonel-franca-sj
31
1. 1564 –a Coroa portuguesa institui a redízima.

 10% dos impostos de toda a colônia brasileira deveriam Antecedentes do Ratio Studiorum
ser destinados aos Colégios e casas da Companhia de Modus Itálicus x Modus Parisiensis
Jesus.
 Inaugurou-se um período de abundância, se Colégios não estavam no plano inicial dos
comparado com o período anterior, de dificuldades e jesuítas.
privações.  Alguns colégios:
 São Paulo, em Goa: 1548
 Nessa fase, concomitantemente, iniciam-se as tratativas  Messina: 1548
de composição de um Plano de Estudos Geral para a  Palermo:1549
Companhia de Jesus no mundo todo, que depois seria  Colégio Romano: 1551
conhecido como Ratio Studiorum.

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O Modus Parisiensis era considerado o melhor método “em matéria de repetições, disputas, composições,
interrogações e declamações” (p. 50).

Os padres que deram início aos colégios jesuíticos haviam estudado na Universidade de Paris, daí a importância
e escolha do Modus parisiensis.

Os jesuítas assimilaram o MODUS PARISIENSES e o adotaram desde a fundação do primeiro colégio


jesuíta em Messina, em 1548.

Conjunto de normas criado para regulamentar o ensino nos colégios jesuíticos. Tinha por finalidade ordenar as
atividades, funções e os métodos de avaliação nas escolas jesuíticas. O plano contido no Ratio era de caráter
universalista e elitista.

33
Os estágios iniciais do plano de Nóbrega (aprendizagem CONTROLE
de português e escola de ler e escrever) foram suprimidos.
Institui o “Prefeito de estudos” figura
Começava com o “curso de humanidades” ou “estudos que lembra os atuais
inferiores” –como nosso atual ensino médio. supervisores/coordenadores das escolas.

Prosseguia para os “estudos superiores” –Filosofia e


 Cria a “função supervisora”
Teologia que, no Brasil, foram praticamente limitados à
 Por isso podemos dizer, de forma
formação de padres. Ou seja, se tornava um sistema
aproximada, que o Ratio Studiorum,
excludente
se trata de um Sistema de Ensino.
Universalista porque se tratava de um plano adotado
indistintamente por todos os jesuítas, qualquer que fosse o
lugar onde estivessem.
• Elitista porque acabou destinando-se aos filhos dos
colonos e excluindo os indígenas. Os colégios jesuítas se
converteram no instrumento de formação da elite colonial.
As ideias pedagógicas expressas no Ratio correspondem
ao que passou a ser conhecido como na modernidade
como pedagogia tradicional.

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As disciplinas eram subordinadas ao latim e ao grego.
Língua vernácula (língua-mãe), história, geografia, etc, eram
ensinados em grego e latim, pela leitura dos autores clássicos.

Ideal Pedagógico?

O ideário do Ratio corresponde ao que hoje chamamos Pedagogia


Tradicional, em sua versão religiosa.
Caracteriza-se pela concepção essencialistado homem.
Ou seja, concebe-se o ser humano como constituído por uma
essência universal e imutável.
O que é a educação?
“À educação cabe moldar a existência particular e real de cada
educando à essência universal e ideal que o define enquanto ser
humano. Para a vertente religiosa, tendo sido o homem feito por
Deus à sua imagem e semelhança, a essência humana é
considerada, pois, criação divina. Em consequência, o homem deve
empenhar-se em atingir a perfeição humana na vida natural para
fazer por merecer a dádiva da vida sobrenatural”. (SAVIANI, D. p.
58)
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Um alfabeto catequético

Cruz de Deus , final do XV e XVI


-início th século Paris, BnF,
Departamento de Manuscritos,
Rothschild IV. 4. 145, fol. 1v.

A "Cruz de Deus" são os primeiros


livros de catecismo, um gênero
literário que se difunde, primeiro
XV e XVI - Reformas; entre os ricos, que a partir do XVI
ontra reforma século. São volumes finos contendo
XVI - um alfabeto moralizado (a cada
letra corresponde uma virtude
moral que começa com a mesma
inicial), as orações principais, os
artigos da fé, a lista de pecados e
virtudes, em suma todo o
conhecimento religioso que as
crianças são então obrigadas a
aprender e saber pelos tribunais.

36
37
38
• No século XVIII, o governo português começou a temer o poder da
Igreja, exercido por meio da educação.

• Em 1759, os jesuítas foram expulsos, quando o Marquês de Pombal,


então Ministro de Portugal, empreendeu uma série de reformas,
instituindo o ensino laico e público, influenciado pelas ideias
próximas do Iluminismo, passando o comando da educação para as
mãos do Estado.

• Nascia, de certo modo, a educação pública no Brasil, levadas a efeito


somente a partir de 1722, quando foi implantado o ensino publico
oficial. 39
As ideias pedagógicas no Brasil entre 1759 e 1932: a coexistência
entre as vertentes religiosa e leiga da Pedagogia Tradicional

Por influência do Iluminismo, o Marquês


de Pombal (Sebastião José de Carvalho e
Melo), ao ascender à cadeira de Primeiro
Ministro da Coroa, ordenou a expulsão dos
jesuítas de todo o reino, proibindo suas
atividades educativas.

No lugar da educação jesuítica, instituíram-


se as chamadas aulas régias, consistindo de
cursos isolados, ministrados por
professores (muito) mal remunerados,
conforme as condições de que dispunham.
40
• O Marquês de Pombal só iniciou a reconstrução do ensino uma década
mais tarde, provocando um retrocesso de todo sistema educacional
brasileiro.

• Ao mesmo tempo em que suprimia as escolas jesuíticas de Portugal e de


todas as colônias, Pombal criava as aulas régias de disciplinas isoladas de
latim, grego, filosofia e retórica.

• Cada aula régia era autônoma e isolada, com professor único e uma não
se articulava com as outras. A educação estava à deriva.

41
• Porém, os professores geralmente não tinham preparação para a função, já que eram
improvisados e mal pagos.

• O resultado da decisão de Pombal foi que, no princípio do século XIX, a educação


brasileira estava reduzida a praticamente nada.

• O sistema jesuítico foi desmantelado e nada que pudesse chegar próximo dele foi
organizado para dar continuidade a um trabalho de educação.

• Durante o longo período do Brasil colônia, aumentou o fosso entre letrados e a


maioria da população analfabeta.

• Em 1808, com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, que passou a ser sede do
reino português; o ensino realmente começou a se alterar mais profundamente.
42
“Século
das Luzes”
1700
A educação assumirá uma importância capital. Por sinal, a
palavra alemã Aufklärung pode denotar tanto o que
chamamos de “Iluminismo”, quanto o processo educativo
(“esclarecimento”)

A influência da Igreja sobre a educação será


preponderante pelo menos até a metade dos 700 (quando
a ordem dos jesuítas será separada da educação pública
em diversas nações que conhecem as ideias do “Século
das Luzes”

43
O fim do Seiscentos e o início do Setecentos conheceram outros temas de reflexão e outras tentativas de ação
além daquelas que vimos no esforço de Comenius para uma sistematização definitiva do saber a ser
transmitido com oportunos métodos didáticos às crianças.

Do ponto de vista educacional, muitos temas já vistos nas aulas anteriores permanecem sendo explorados,
digeridos, criticados.

Estão lá as propostas de uma “didática ativa”, em contraposição aos métodos tradicionais; as preocupações
com a disciplina dos estudantes, valendo ainda a aplicação de diversas formas de punição corporal (mais
brandas que em outras épocas, é verdade); o problema da evasão escolar e da conciliação entre estudos e
trabalho, por parte dos educandos mais pobres.

A falta de crédito das instituições educacionais, sempre colocadas em questão; e o eterno problema do
financiamento da educação, com propostas e tentativas de otimizar os gastos com recursos humanos e
estruturas físicas das escolas.

44
O século das luzes:
A educação racionalista e naturalista – o ideal
liberal de educação: culmina com a chamada
‘ilustração’, ou seja, movimento cultural iniciado
na renascença.

Rosseau é um dos principais representantes no


século XVIII, em cujo final começa o movimento
idealista na pedagogia, sendo Pestalozzi seu
mais alto representante.

45
História da Educação

Prof. Julina Valentini


juliana.Valentini@ifpr.edu.br

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Aula
13
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