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GEP – Aula 3
1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

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GEP – Aula 3
1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Montesquieu (1689-1755)
 Do Espírito das Leis.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Nicolau Maquiavel (1469-1527)


 Jean Bodin (1530-1596)
 Thomas Hobbes (1588-1679)
 John Locke (1632-1704)
 Charles-Louis de Secondat - Baron Montesquieu (1689-1755)
 Emmanuel Kant (1724-1804)
 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)

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Aula 4
1.2 - O papel do Estado na sociedade contemporânea;
1.3 - O Estado no Brasil e no mundo.

PROF. LEONARDO DUARTE.

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GEP - Aula 4
Objetivos
 Explicar as seguintes ideias
 Analisar algumas maneiras pelas quais o estado pode atuar para mitigar as
falhas de mercado.
 Mostrar as funções do Estado em uma sociedade.
 Explicar como o estado desempenha suas funções.

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GEP - Aula 4
Sumário
 Sumário da Aula

1. Origens do Estado contemporâneo (continuação).


2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.
3. O Estado no Brasil e no mundo.

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GEP – Aula 3
1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 Filósofo do grupo enciclopedista e autor da obra Do contrato social, inverteu a noção
hobbesiana do “estado de natureza”.
 Nos aspectos em que Hobbes enxergou a guerra e a anarquia, Rousseau enxergou a
felicidade e a harmonia da vida selvagem.
 Rousseau não leu apenas os filósofos políticos como Montesquieu, Hobbes e
Maquiavel, mas também alguns dos fundadores do direito moderno.
 A teoria de Hugo Grotius (1583-1645) opunha-se ao direito divino e situava no povo
a origem da soberania, embora ele justificasse a monarquia absoluta e a escravatura.
 Grotius, ao contrário de Hobbes, acreditava que a natureza humana tende para a
benevolência.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)

 O “estado de natureza” rousseauniano, um paraíso terreno, deriva precisamente da


ignorância do vício e da virtude:

Hobbes não viu que a mesma causa que impede os selvagens de usar a razão, como o
pretendem nossos jurisconsultos, os impede também de abusar de suas faculdades, como ele
próprio acha; de modo que se poderia dizer que os selvagens não são maus precisamente
porque não sabem o que é ser bons, pois não é nem o desenvolvimento das luzes, nem o freio
da lei, mas a tranquilidade das paixões e a ignorância do vício que os impedem de proceder
mal
 No modelo de Rousseau, o desenvolvimento histórico não se estrutura em dois
momentos, como em Hobbes, mas em três.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 No modelo de Rousseau, o desenvolvimento histórico não se estrutura em dois
momentos, como em Hobbes, mas em três:
 O “estado de natureza”, da inocência e da felicidade.
 A sociedade civil, no qual se perdeu a inocência original, mas não há um contrato
social.
 Reproduz algumas das características do “estado de natureza” hobbesiano e impõe a
passagem ao estágio seguinte.
 O contrato social, que institui o Estado.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 A transição do estado de natureza para a sociedade civil corresponde à degeneração
da humanidade. Há uma causa para isso: a instituição da propriedade privada.

O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno,
lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo.
Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano
aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes:
“Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de
todos e que a terra não pertence a ninguém!”

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 É evidente a forte influência dessa ideia sobre Marx e, sobretudo, Engels.
 A diferença, que é crucial, está no modelo de conjunto.
 Para Rousseau, a propriedade privada instaura a sociedade civil, para Engels, assinala a origem do Estado,
que se destina a assegurá-la e perpetuar a desigualdade.
 No modelo rousseauniano, o advento da propriedade privada rompe o equilíbrio e introduz a
violência e a escravidão. Superar essa situação é superar o absolutismo, substituindo-o por um
contrato legítimo fundado na soberania popular.
 A assembléia dos cidadãos, a democracia direta, esse é o único Estado legítimo e um reflexo do
caráter superior e livre do ser humano.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 As noções de consenso e legitimidade já apareciam em Maquiavel, que postulava a necessidade
de o soberano conseguir o apoio popular. O consenso maquiavélico dependia da virtude do
príncipe e da orientação da sua ação política.
 Locke e Montesquieu fizeram do consenso a base do Estado e a razão de ser de suas engrenagens
de poder.
 Rousseau levou a ideia até o limite, assentando o consenso na participação ativa e permanente
dos cidadãos. A nação tornava-se a fonte do poder legítimo.
 A crítica de Rousseau atinge não apenas o absolutismo, como também a democracia
representativa, que se assenta sobre a delegação de poderes.
 O contrato rousseauniano é, sobretudo, um seguro da liberdade original dos homens, sempre
ameaçada pela autoridade do Estado.
 Isso o distingue de seus predecessores e eleva-o à condição de precursor das utopias comunistas.

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1. Principais pensadores e suas ideias sobre o Estado.

 Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)


 Do Contrato Social

 Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os


homens.

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Aula 4
2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Por que existe o Estado e para que ele serve?


 O que aconteceria com a sociedade sem o Estado?
 Como o Estado interfere na vida da sociedade?
 Estado X Governo
 Liberalismo Econômico X Intervencionismo
 Governo X Economia

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Por que existe o Estado e para que ele serve?


 Além das ideias já elencadas sobre o Estado (Locke, Montesquieu,
Rousseau), existem funções típicas do Estado em qualquer sociedade.
 A necessidade da existência do Estado, de um ponto de vista mais objetivo
e menos filosófico, reside em aspectos políticos e econômicos.
 Na prática a economia não funciona idealmente, como previra Adam
Smith. Existem aspectos sobre o comportamento econômico de uma
sociedade que foram previstos pelo autor de “A Riqueza das Nações”.
 Existem “falhas” nos mercados econômicos não previstas na teoria clássica
da economia.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 As falhas de mercado
 Fala-se que a administração do setor privado é mais eficiente do que a do
setor público (Estado)
 Uma economia em que as firmas operem livremente funciona melhor do que
uma economia com forte interferência governamental.
 Nas economias capitalistas, essa tese é compartilhada por uma parte expressiva
da sociedade, do empresariado e do próprio governo.
 Como conciliar essa visão com o fato de que o governo, na prática, tem uma
participação ativa na economia de quase todos os países?

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Segundo a teoria tradicional do bem-estar social (welfare economics), sob certas


condições, os mercados competitivos geram uma alocação de recursos que se
caracteriza pelo fato de que é impossível promover uma realocação de recursos
de tal forma que um indivíduo aumente o seu grau de satisfação, sem que, ao
mesmo tempo, isso esteja associado a uma piora da situação de algum outro
indivíduo.

 Essa alocação de recursos que tem a propriedade de que ninguém pode melhorar sua
situação, sem causar algum prejuízo a outros agentes, é denominada na literatura de
"ótimo de Pareto“.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A teoria econômica tradicional ensina que para atingir uma alocação "Pareto
eficiente" de recursos não é necessário que exista a figura de um "planejador
central", já que a livre concorrência, com as firmas operando em um mercado
competitivo e procurando maximizar seus lucros, permitiria atingir esse ideal de
máxima eficiência.
 A ocorrência desta situação ótima depende de alguns pressupostos:
 A não-existência de progresso técnico.
 O funcionamento do modelo de concorrência perfeita
 Existência de um mercado atomizado: as decisões quanto à quantidade produzida de grande
número de pequenas firmas são incapazes de afetar o preço de mercado
 Informação perfeita da parte dos agentes econômicos.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Na realidade, existem algumas circunstâncias conhecidas como "falhas de


mercado", que impedem que ocorra uma situação de “ótimo de Pareto”:
 A existência de bens públicos
 A falha de competição que se reflete na existência de monopólios naturais
 As externalidades
 Os mercados incompletos e a ocorrência de desemprego e inflação.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A existência de bens públicos


 Bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou "não-rival".
 O seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o
consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade.
 Todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que, eventualmente,
alguns mais do que outros.
 Bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública;
 Bens intangíveis como justiça, segurança pública e defesa nacional.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Outra característica dos bens públicos é o princípio da "não-exclusão“ no


consumo desses bens.
 É difícil ou mesmo impossível impedir que um determinado indivíduo usufrua de um
bem público.
 Se o governo resolve aumentar o policiamento de uma rua residencial, todos os moradores
dessa rua serão beneficiados pela decisão.
 O consumo/uso de um bem/serviço privado por uma determinada pessoa significa a
exclusão da utilização/consumo deste bem/serviço por outra. (roupas, alimentos,
habitações, automóveis e outros).
 Como ratear (dividir) os custos da produção dos bens públicos entre a população?
 É impossível determinar o efetivo benefício que cada indivíduo obterá pelo consumo do
bem público que, muitas vezes, sequer é voluntário.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Se os indivíduos, se fossem chamados a "precificar" sua referência através de


"lances", tendessem a subavaliar os benefícios erados pelo bem público, a fim
de reduzir suas contribuições.
 Quanto você pagaria para transitar em uma rua? Quanto você pagaria para manter as
FFAA?
 Os bens públicos, uma vez produzidos, beneficiarão a todos os indivíduos,
independentemente da participação de cada um no rateio de custos.
 O fato de não se poder individualizar o consumo permite que algumas pessoas
possam agir de má fé, alegando que não querem ou não precisam ter acesso ao
consumo e desta forma, negando-se a pagar por ele, ainda que acabem
usufruindo do benefício do bem público ("caronas“).

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 O princípio da "não-exclusão" no consumo dos bens públicos torna a solução de


mercado ineficiente para garantir a produção da quantidade adequada de bens
públicos requerida pela sociedade.
 O sistema de mercado só funciona adequadamente quando o princípio da
"exclusão“ no consumo pode ser aplicado (direito de propriedade).
 Sem o princípio da “exclusão” do consumo o sistema de mercado não pode
funcionar de forma adequada.
 Os consumidores não farão lances que revelem sua preferência à medida que podem,
como" caronas", usufruir dos mesmos benefícios.
 A responsabilidade pela provisão de bens públicos recai sobre o Estado, que
financia a produção desses bens através da cobrança compulsória de impostos.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Monopólios Naturais
 Existem setores cujo processo produtivo caracteriza-se pelos retornos crescentes de
escala (custos de produção unitários declinam conforme aumenta a quantidade
produzida).

 Dependendo do tamanho do mercado consumidor dos bens desses setores, pode ser
mais vantajoso haver apenas uma empresa produtora do bem em questão.

 Muitas empresas operando no mesmo setor implicaria um nível de produção muito


baixo para cada uma e, consequentemente, custos de produção mais altos.
 Pode ser mais eficiente a existência de apenas uma empresa de distribuição de energia
elétrica servindo um mercado consumidor local.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Monopólios Naturais
 No caso da ocorrência do monopólio natural, a intervenção do Estado pode tomar
duas formas possíveis.

 Regular os monopólios naturais, a fim de impedir que o forte poder de mercado detido
pelas empresas monopolistas reflita-se na cobrança de preços abusivos junto aos
consumidores, o que representaria uma perda de bem-estar para a sociedade como um todo.

 Produzir diretamente o bem ou serviço referente ao setor caracterizado pelo monopólio


natural.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Externalidades
 São comuns os casos em que a ação de um indivíduo ou de uma empresa afeta direta
ou indiretamente outros agentes do sistema econômico.
 As situações nas quais essas ações implicam benefícios a outros indivíduos ou firmas
da economia são caracterizadas como "externalidades positivas".
 Se um indivíduo decide fazer uma limpeza geral em sua casa visando à eliminação dos
focos de concentração dos mosquitos transmissores da dengue, ele não apenas estará
contribuindo para a manutenção de sua saúde, como também estará ajudando a saúde de
seus vizinhos.
 O investimento em setores de infra-estrutura que, garantindo um aumento da oferta de
insumos importantes como a energia elétrica, traz benefícios para todos os outros setores da
economia.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Situações nas quais a ação de um determinado agente econômico prejudica os


demais indivíduos ou empresas, são chamadas" externalidades negativas“.

 O lixo das indústrias químicas jogado nos rios e mares e a poluição do ar pelas
empresas.

 Em termos individuais, o fumante que obriga todas as outras pessoas sentadas em


uma sala de espera do consultório dentário, por exemplo, a inspirar a fumaça de seu
cigarro.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A existência de externalidades justifica a intervenção do Estado das seguintes


maneiras:

 Produção direta ou concessão de subsídios, para gerar externalidades positivas.


 Multas ou impostos, para desestimular externalidades negativas
 Regulamentação.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Caso da eletrificação rural:


 Investimento volumoso, com longo prazo de maturação e pouco rentável.
 Interesse do setor privado?
 Geração de altos benefícios sociais.
 O Estado pode assumir diretamente o investimento, como ocorreu, principalmente nos países em
desenvolvimento.
 O Estado pode conceder subsídios ao setor privado para estimulá-lo a investir na eletrificação
rural.
 Em outra situação, o Estado pode multar as empresas e/ou indivíduos que causem danos à
sociedade: as multas de trânsito são um bom exemplo.
 O Estado pode introduzir regulamentações específicas como a estipulação de um máximo
de emissão de gases na atmosfera por parte das empresas e a exigência de áreas para não-
fumantes em ambientes fechados.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Os mercados incompletos e a ocorrência de desemprego e inflação


 Mesmo tratando-se de atividades típicas de mercado, nem sempre o setor privado está
disposto a assumir riscos.
 Principalmente nos países em desenvolvimento, a existência de um sistema
financeiro e/ou um mercado de capitais pouco desenvolvidos não fornece o
financiamento a longo prazo necessário ao esforço de desenvolvimento do sistema
econômico.
 A intervenção do governo é importante para a concessão do crédito de longo prazo
que financie os investimentos no setor produtivo. (BNDES).
 O livre funcionamento do sistema de mercado não soluciona problemas como a
existência de altos níveis de desemprego e inflação. O Estado deve implementar
políticas que visem à manutenção do funcionamento do sistema econômico o mais
próximo possível do pleno emprego e da estabilidade de preços.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 O relacionamento entre as falhas de mercado


 Em muitas situações há uma superposição entre os fatores mencionados.
 Um programa antipoluição que vise à melhoria do ar atmosférico, por um lado, acaba
criando uma externalidade positiva porque traz benefícios para a sociedade como um todo.
Por outro, todos os indivíduos da sociedade têm acesso de forma homogênea a um ar mais
limpo, ou seja, não há rivalidade no consumo, nem se pode aplicar o princípio da exclusão,
tendo em vista que é impossível impedir que qualquer indivíduo usufrua dos benefícios
gerados pelo programa antipoluição. Sendo assim, o ar mais limpo também constitui um
bem público.
 A criação de empregos e a estabilização da inflação, acabam se constituindo em
externalidades positivas. A redução do desemprego aumenta o mercado consumidor para os
bens produzidos pelo sistema econômico, e também contribui para a redução da violência
para toda a sociedade.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 As razões para a existência do Estado


 Deixando de lado questões políticas e ideológicas, a existência do Estado é necessária
para guiar, corrigir e complementar o sistema de mercado que, sozinho, não é capaz
de desempenhar todas as funções econômicas.
 Essa constatação é importante, pois demonstra que a discussão sobre o tamanho adequado
do Estado tem a ver mais com questões técnicas do que ideológicas:
 A operação do sistema de mercado necessita de uma série de contratos que dependem da proteção e
da estrutura legal do Estado.
 Mesmo que os mercados funcionassem totalmente livres da ação do Estado, as características de
produção ou de consumo de determinados bens não poderiam ser fornecidos pelo sistema de
mercado.
 A existência de bens públicos e externalidades, dá origem a falhas no sistema de mercado, que
levam à necessidade de soluções através do setor público.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A crescente complexidade dos sistemas econômicos no mundo tem levado a um


aumento da atuação dos Estados, que tem se refletido no aumento da
participação dos gastos do setor público ao longo do tempo.
 A percentagem dos gastos públicos sobre o PIB passou de uma média internacional,
no grupo de países mais desenvolvidos do mundo, de cerca de 11% no final do século
XIX,para algo em tomo de 46% em meados dos anos 1990.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Os objetivos da política fiscal e as funções do governo


 A ação do governo através da política fiscal abrange três funções básicas:
 Função Alocativa: fornecimento de bens públicos.
 Função Distributiva: ajustes na distribuição de renda que permitam que a distribuição
prevalecente seja aquela considerada justa pela sociedade.
 Função Estabilizadora: uso da política econômica visando um alto nível de emprego, à
estabilidade dos preços e à obtenção de uma taxa apropriada de crescimento econômico.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 Função Alocativa
 Como vimos, os bens públicos não podem ser fornecidos de forma compatível com as
necessidades da sociedade através do sistema de mercado.
 O fato de os benefícios gerados pelos bens públicos estarem disponíveis para todos
os consumidores faz com que não haja pagamentos voluntários aos fornecedores
desses bens.
 Sendo assim, perde-se o vínculo entre produtores e consumidores, o que leva à
necessidade de intervenção do governo para garantir o fornecimento dos bens
públicos.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A função alocativa
 Isto posto, o governo deve:
 determinar o tipo e a quantidade de bens públicos a serem ofertados
 calcular o nível de contribuição de cada consumidor.
 Em relação a este último ponto, um determinado consumidor não tem motivos para se
"apresentar" ao governo e declarar o valor "justo" que ele atribui aos serviços
prestados pelo setor público, a não ser que tenha certeza de que os demais indivíduos
beneficiados pelo fornecimento dos bens públicos façam o mesmo.
 Neste caso, há um espaço claro de ação dos" caronas", que preferirão utilizar-se dos
bens públicos sem pagar por isso, na esperança de que outros consumidores
contribuam para o governo, financiando a produção desses bens.
 Tendo em vista que grande parte dos consumidores, de forma racional,
provavelmente agiriam desta maneira, o financiamento da produção dos bens
públicos não pode dar-se de forma voluntária. De fato, o financiamento da produção
dos bens públicos depende da obtenção compulsória de recursos, através da cobrança
de impostos.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A função alocativa
 É neste sentido que o processo político surge como substituto do mecanismo do
sistema de mercado.
 A decisão por um determinado governante através do processo eleitoral
funciona como uma espécie de revelação de preferências por parte da sociedade.
 De forma indireta, a eleição mostra não apenas quais bens públicos são
considerados prioritários, como o quanto os indivíduos estarão dispostos a
contribuir sob a forma de impostos para o financiamento da oferta de bens
públicos. Por exemplo, uma sociedade que esteja buscando uma redução da
violência, tenderá a eleger um candidato que tenha como prioridade o aumento
da segurança das ruas, ainda que isto signifique, necessariamente, um aumento
dos impostos para arcar com o aumento do contingente de policiais.
 Neste casa seria revelada, ainda que de forma indireta, uma preferência pela
bem pública" segurança".

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 A função alocativa
 Um ponto relevante para destacar aqui é a distinção entre os conceitos de "produção"
e de "provisão" de bens ou serviços públicos. Fazendo um paralelo com a oferta de
tomates, ninguém vai reclamar com o gaverno se esse produto faltar na prateleira do
supermercado. O próprio funcionamento da sistema de preços se encarregará de que
essa oferta seja normalizada rapidamente.
 Entretanto, se um bairro ficar sem luz ou se os telefones de uma cidade não funcionarem
direito, muito provavelmente a irritação da população vai se manifestar em críticas ao
governo, independentemente das empresas fornecedoras do serviço serem públicas ou
privadas. E isto. por um motivo muito simples: o serviço é público - daí o nome genérico
de "serviços públicos”, no sentido de que atende a uma parte expressiva da população.
 Em outras palavras, há atividades em relação as quais, mesmo que o Estado deixe de ser
responsável pela produção de um bem ou serviço, ele é intrinsecamente responsável pela
sua provisão, isto é, deve zelar diretamente ou através das órgãos reguladores para que a
população seja adequadamente servida em terms da oferta e da qualidade de certos bens ou
serviços.

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2. O papel do Estado na sociedade contemporânea.

 As Funções do Estado
 Alocativa
 Distributiva
 Estabilizadora
 Como o Estado deve exercer tais funções?
 Intervencionismo X Liberalismo
 Utilizando que formas de representação popular?
 Por meio de que tipos de Instituições?

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Aula 4
2. O Estado no Brasil e no mundo.

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3. O Estado no Brasil e no mundo.
“Progressista”

Costumes

Conservador
Economia
Centralizador
Intervencionista Liberal

r
de
Po

Descentralizador

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2. O Estado no Brasil e no mundo.

 Tarefa para ser postada no Moodle até 26/03/2018 às 23h55min.


 Como funciona o Estado no Brasil e em mais dois países do mundo.
 Um país deverá pertencer ao G8 e o outro não.
 As instruções detalhadas sobre a tarefa encontram-se no Moodle.

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Aula 4

Dúvidas, Sugestões e Críticas

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Sala de Aula Virtual de GEP
Acesse
https://www.ead.marinha.mil.br/moodle/course/view.php?id=111

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