Você está na página 1de 37

CAPÍTULO I - ÉTICA: CONCEITO E SUMULA HISTÓRICA DO PENSAMENTO SOBRE A ÉTICA

1. ASPECTOS RELATIVOS AO CONCEITO DE ÉTICA

- “ética” => do termo grego (ethos) - significa “costume”

CONCEITO ATUAL- Ramo da filosofia cujo objeto de estudo é a moral. Por moral se deve
entender o conjunto de normas e costumes (mores) que regem a conduta de uma pessoa
para ser considerada como boa. A ética é a reflexão racional, o que se entende por boa
conduta e em que se fundamentam os juízos morais. As morais são muitas e variadas (a
cristã, a mulçumana, a moral dos índios, e etc) e se aceitam como elas são; enquanto a ética
tende a certa universalidade. Resumindo, a ética é para a moral o que a teoria é para a
prática; a moral é um tipo de conduta, a ática é uma reflexão filosófica

2. A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO SOBRE A ÉTICA

A sociedade é dinâmica e está em constante


mudança. Tais mudanças refletem diretamente
no comportamento de cada indivíduo membro
da sociedade. Interessa aos seres humanos
entenderem as ações das quais praticam e os
resultados dessas ações na vida dos outros.
2.1. ÉTICA EMPÍRICA
Recolhe dados comportamentais e é capaz de, por meio do dado recolhido, indicar como as
pessoas agem e elementos que indicam variações de ações. Para dar compreensão de como
as pessoas tomam decisões. É importante para o mundo da política e do comércio, tendo em
vista que os resultados dos projetos políticos e comerciais dependem muito de como as
pessoas tomam suas decisões.

2.2. ÉTICA NORMATIVA


É em terno do marco das normas que a ética normativa se constrói; ou seja, em torno das
regras. Nada mais são que princípios ou padrões de ações e comportamentos.
A ética normativa caminha sempre em direção aos valores e juízos traçados em torno das
ações das pessoas. Sempre que perseguimos em tomar as melhores atitudes, procuramos
atingir o melhor grau de bondade e nos distanciamos do mal. Depois, partimos utilizando tais
atitudes como referência para as outras atitudes; agindo dessa forma, estamos postulando
regras e normas.

2.3. ÉTICA ANALÍTICA


Na ética analítica que se estuda os elementos da
ética, ou seja, ela é que analisa e apresenta uma
demonstração dos elementos da ética. Ela estuda a
moralidade e sua natureza, desenvolvendo a teoria
em torno dos valores e suas justificações.
3. ÉTICA NO MUNDO HELÊNICO: INFLUÊNCIAS HISTÓRICAS NO CRISTIANISMO
3.1. ÉTICA NA POÉTICA GREGA
Quando se fala de ética nesse
período pensa-se mais em
objetividade que em reflexão. Assim
há, desde de os primeiros escritos
poéticos da Grécia antiga (Homero e
Hesíodo), tendências a tratarem o
comportamento e a moral dos
heróis e divindades gregas como
referências para a sociedade.

3.2. ÉTICA NA FILOSOFIA DA PHYSIS


Heráclito: conforme a ordem do universo físico – harmonia entre opostos a partir da guerra -
o comportamento humano deveria espelhar-se nessa mesma ordem e quem ultrapassasse
esse limite sofreria as sanções necessárias. O divino é a maior referência de harmonia.

Xenófanes: deixa claro sua tendência monoteísta. Também a emergência do racionalismo


ético. Sua crítica postula-se em que a moral deve ser o valor mais buscado pelo ser humano
para Xenófanes o comportamento moral é mais importante para o ser humano que a
aparência física do corpo
3.3. ÉTICA SOCRÁTICA
Demócrito: “A alma é a morada de nossa sorte” demonstra que ele vê a moral e a posterior
ideia central da ética no interior do homem. “[...] a pátria do homem virtuoso é o universo
interno”
Sócrates: a essência do homem é sua psyché, ou seja, a alma é a essência do homem. Essa
“alma” é a realidade ultima do ser humano. Nela está a consciência e a personalidade
intelectual e moral do homem. alma para Sócrates envolve o que conhecemos por
inteligência, ou que na alma se concentra a inteligência. pontos centrais do pensamento de
Sócrates - O “bem”, o “certo”: o ser humano é avaliado na sua capacidade de se tornar uma
pessoa boa. Há um conjunto de atitudes que trazem como resultado essa “pessoa boa” ou
essa “atitude correta”.
As atitudes inteligentes são aquelas que levam o ser humano ao caminho ético e virtuoso,
enquanto as atitudes ruins (ou o vício) direcionam o ser humano ao declínio moral.
Essa expressão indica um ideal de formação e aprendizado de uma pessoa, ou a
melhor qualidade em que uma coisa pode ser encontrada. Essa virtude não
pode ser separada da essência do homem, sua alma ou inteligência

3.4. ÉTICA EM PLATÃO

3.5. ÉTICA EM ARISTÓTELES

3.6. ÉTICA DE EPICURO


3.7. ÉTICA DOS ESTOICOS
3.3. ÉTICA SOCRÁTICA
Hipócrates: criador da medicina científica e também é dele a autoria de um dos códigos de
ética mais antigo chamando de “Juramento de Hipócrates”.
“Valer-me-ei do regime para ajudar os doentes, segundo minhas forças e meu juízo, mas me
absterei de causar danos e injustiça”;
“Não darei a ninguém nenhum preparo mortal, nem mesmo se me for pedido, e nunca darei
tal conselho”;
“Também não darei À mulheres prepara para aborto;
“Tudo aquilo que possa ver e ouvir, no exercício da minha função, se não for par ser divulgado,
calar-me-ei”
3.4. ÉTICA EM PLATÃO
Para Platão, em função de os homens serem incapazes de governarem com virtude e ciência,
é necessário haver leis (constituição) escritas. É da lei a soberania e, caso o homem se
corrompa, desobedeça aos propósitos da lei, governando em causa própria, é possível que
se desenvolva uma tirania e demagogia política
A ideia de justiça em Platão, refere-se à “justa medida”. A justiça não pode deixar de ser uma
harmonia algo seja justo em determinado ambiente ou circunstância sem destoar com a
realidade. A justiça é força harmoniosa. A ética é uma condição de justiça que envolve o ser
humano nas suas relações sociais e não pode ser um bem particular, mas um bem capaz de
transitar igualmente para todas as direções.
É na obra As Leis ele apela a uma constituição que preveja a “justa medida”. Nesse conjunto
de textos Platão deixa claro que a “justa medida” de todas as coisas é o divino impossível de
ser alcançada pela ação do homem podem apenas serem pensadas.
Essa condição, de estar
apenas no pensamento e
impossível de ver sua
realização por completo é que
dá a ideia de “reflexão”. Dessa
forma, já se pode falar de uma
reflexão sobre a ação, antes
que ela ocorra.
3.5. ÉTICA EM ARISTÓTELES
Uma das principais obras de Aristóteles trata exatamente da ética: A Ética a Nicômaco e tem
seu ápice na pergunta sobre “o que é o bom ou o bem?”
Afirmação: todo o indivíduo, assim como toda ação e toda escolha, tem em mira um bem e
este bem é aquilo a que todas as coisas tendem. O fim de nossas ações é o Sumo Bem.
A ciência mestra é a Política e seu estudo caberá à Ética. O fim que se tem em vista não é o
conhecimento do bem, mas a ação do mesmo é útil àqueles que desejam e agem de acordo
com um princípio racional.
Qual será o mais alto de todos os bens? A felicidade. Para o vulgo, a felicidade é prazer, a
riqueza ou as honras; a riqueza não é o sumo bem, é algo útil e nada mais.
Se existe uma finalidade para tudo o que fazemos, então a finalidade será o bem. O Sumo Bem
está no ato, pois pode existir um estado de ânimo sem produzir bom resultado.

“[…] os homens tornam-se arquitetos


construindo e tocadores de lira tangendo seus
instrumentos. Da mesma forma, tornamo-nos
justos praticando atos justos […]”
Um homem de excelentes qualidades não:
As virtudes são voluntárias, porque
- guarda rancor por ofensas;
somos senhores de nossos atos se
- Tampouco é dado a conversas fúteis;
conhecemos as circunstâncias e estava
- não fala nem sobre si mesmo nem sobre os outros;
em nosso poder o agir, ou o não agir
- É o menos dado a lamentar-se ou a solicitar
de tal maneira. Os vícios também são
favores;
voluntários
- relaciona-se com a honra em grande escala.
3.6. ÉTICA DE EPICURO - 341-270 a.C
Na Carta a Meneceu, Epicuro apresenta a questão moral: como o homem deve encarar a vida e
a busca pela felicidade. Felicidade: O fim último da vida, aquilo pelo qual a vida vale ser vivida.
A felicidade, “ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma” é o prazer duradouro
da serenidade do espírito. É a ética da serenidade.
Para alcançá-la, é necessário estabelecer um conhecimento sobre a natureza humana, desejos
e prazeres; o que é e o que significa a morte; a liberdade e a responsabilidade; e, “um exame
cuidadoso (...) que remova as opiniões falsas em virtude”
Muitas das reações cristãs contra o desejo e o prazer como ponto mais importante da vida
podem estar relacionadas à ética epicurista. O próprio Paulo escreve: “então comamos e
bebamos porque amanhã morreremos” (ROMANOS. 15.32).
Embora muitos conservadores possam assegurar que o epicurismo é um modelo secularista de
vida e que deve ser combatido e evitado, não se pode negar que o ser humano está na terra,
possui necessidades básicas e também é um ser completamente diferente dos demais.
O desejo e o prazer não podem ser vistos como algo ruim em todos os seus níveis. Foram dados
por Deus ao homem como principais fatores de diferenciação entre ele e os demais animais. A
anulação da natureza humana, rejeitando qualquer tipo de prazer ou desejo, pode trazer a
anulação do desejo pela recompensa de uma vida equilibrada e harmoniosa. Pode distanciar os
indivíduos uns dos outros e permitir o uso materialista da sexualidade, ignorando que o homem
possa amar e desejar sua esposa. Todas essas coisas são boas, desde que não se tornem vícios.
É essa serenidade que Epicuro quer explicar.
3.7. ÉTICA DOS ESTOICOS
Fundada por Zenão (332-362 a.C.). Na filosofia estoica a ética é um de seus principais formas
de pensamentos. os frutos são o que representa a ética, não são possíveis de aparecerem
sem que haja uma boa raiz e um tronco que a sustente. O estoicismo entende que o ser
humano é parte integrante de um universo maior que ele. Suas atitudes devem ser
correspondentes às de alguém que compreende que faz parte desse universo maior, o
cosmo.
As plantas agem naturalmente ao nascer, crescer e dar seus frutos ela produz apenas aquilo
que a preservará, naturalmente. O ser humano é racional, ele é capaz de entender esse
processo e, com isso, também pode gerir sua condição de vida, agindo conforme aquilo que
lhe é natural para a sobrevivência e manutenção da vida. Viver “conforme a natureza” é viver
em conformidade com aquilo que lhe conserva e lhe mantém em atividade.
Três virtudes básicas:
1)a inteligência => Para ser inteligente o ser humano precisa ter
conhecimento do bem e do mal. o “bem” é daquilo que conserva
o ser na sua natureza. O “mal” a danifica ou a diminui

2) a coragem => está ligada ao


conhecimento do que deve ou não
temer

3) a justiça => é o conhecimento que


nos permite dar a cada um o que lhe é
devido.
Sêneca, século I a.C. deixou várias literaturas sobre o comportamento. No estoicismo, o
divino é confundido ao termo panteísta; mas, em Sêneca, Deus assume traços espirituais e
pessoais que o estoicismo não conseguiu expressar. O homem tem estrutura de pecador, é
contrário ao que os estoicos. Para Sêneca, o sábio é pecador e deve permanecer pecador
para continuar sendo sábio.

Uma das máximas cristã de Sêneca “Comporta-te com os inferiores como gostarias que se
comportassem contigo aqueles que te são superiores”
Devemos viver como irmãos, porque o somos. Não se deve ver com estranheza a maneira do
homem, porque homem é diverso um do outro.

Plotino, por volta de 254 d.C. As obras de Plotino conhecidas por Enéadas Uma das grandes
propostas deles era a união com o divino. Assim que o homem libertar-se dessa vida seria
capaz de unir-se ao divino. A união não é na instância física, mas a partir da alma. Para ele o
homem é essencialmente a sua alma, como em Platão é por meio da alma que o homem
realiza as coisas boas e vai em direção ao Bem.
Experimentar uma união com Deus. As concepções de santificação e tendências de elevação
da alma no neo-platonismo cristão podem ser pensadas a partir dessa possibilidade de, É um
momento de êxtase ou união com o Bem.

As ações do ser humano devem refletir esse interesse da alma, em agir com a finalidade de
unir-se ao Bem.
CAPÍTULO II - A ÉTICA NO NOVO TESTAMENTO: A VISÃO DE JESUS E DE PAULO

1. A ÉTICA DE JESUS
Em Jesus a ética tem seu efeito nas relações humanas, mas pretende também elevar o
indivíduo a outra instância, à vida ulterior, ou seja, há uma visão escatológica por trás da
ética de Jesus. Mas, para tal vida, é necessário um retorno a Deus, uma conversão
Jesus tem um ministério a ser cumprido propósitos particulares há um Reino de Deus
proposto, uma escatologia em torno das pregações e do comportamento o Reino proposto
exige nova forma de se comportar e nova perspectiva de vida, inclusive uma vida além dessa
que se vive na terra.
Na maneira de Jesus ver o presente e o futura está intrínseco que o Reino de Deus, não preso
ao mundo das obras humanas. O ser humano teria seu papel desagregado de templos e das
liturgias de sacrifício. O indivíduo tem em si é o templo; a conduta humana por meio do
corpo humano, é mediada pela exigência de um reino futuro.
Boa parte dos textos que envolvem o comportamento visa o futuro a partir dessas ações
presentes (LUCAS, 12). No texto de Marcos (MARCOS, 10. 4-15), a postura no presente,
exigida aos futuros membros do Reino de Deus, deve ser semelhante à das crianças, tendo
em vista a pureza, despretensão e a sinceridade com que elas agem.
Há em Jesus uma ética que propõe mudanças aos padrões tradicionais. O que mais nos
surpreende é que os religiosos de sua época foram os que mais se surpreenderam com as
atitudes de Jesus. Os pecadores, publicanos, mulheres de má fama, prostitutas, os excluídos
da sociedade e toda espécie de gente da mais baixa condição social da época o admiravam e
o seguia.
Os religiosos possuíam uma estrutura eclesiástica fechada e incapaz de acolher pessoas
estavam preocupados mais com os aspectos políticos, organização dos ritos e dos sacrifícios
que com os órfãos, viúvas e miseráveis Mas Jesus estava disposto a mostrar a necessidade
que as pessoas tinham de viverem mais felizes. A parábola do bom samaritano dá bons sinais
da visão de Jesus sobre o tratamento que se deve dispensar às outras pessoas (LUCAS, 10.30-
37). “para que serve uma religião que não quer ver as pessoas boas e felizes?”
Segundo Pedro, que conhecia bem a Jesus, tudo se podia resumir em uma breve formula,
que expressa uma maneira de viver e um modo de se comportar: “passar pela vida fazendo o
bem”. É isso o melhor que se pode dizer de uma pessoa: “foi um ser humano de bem”
Jesus as coisas que dizia e ensinava era o que praticava. Sua base não era a teoria, mas a
necessidades das pessoas. Ele entendia que a Lei deveria atender às pessoas, não as pessoas
atenderem à Lei. A recomendação de Jesus era ensinar o que se pratica e praticar o que se
ensina e não agir como os fariseus (MATEUS, 23.13-33).
Jesus “passou sua vida fazendo o bem” e “uma ética de doação”. É nesse sentido que o
amor, até mesmo aos inimigos, é possível. Esse amor não é apenas em direção a eles,
mas também partindo deles. “Amaras a teu próximo como a ti mesmo!”. Jesus qualifica
esse mandamento como o maior, que esta em pé de igualdade com o primeiro
mandamento.
Amor deixa de ser palavras em súplicas de orações, ou até mesmo mero elemento litúrgico
para ser levado ao campo da prática, refletindo uma ética do amor ao próximo.
2. A ÉTICA DE PAULO

2.1. ÉTICA DA GRAÇA

Mediante o sacrifício remidor, todos crentes alcançam a Graça de Deus e, por meio dessa
ação e Graça, cada cristão deve agir segundo o que essa Graça reflete: “você deve ter o
caráter e a conduta que a obra de Deus em Cristo o faz ter”, “para serdes uma massa nova,
visto que sois sem fermento. Pois o Cristo, nossa páscoa, foi imolado” (CORINTIOS-I, 5.7).

Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o
seremos na da sua ressurreição [...]; Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal,
para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos
membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como
vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça
(ROMANOS, 6.5; 6.12-13).

todos devem ser imitadores de Deus, deliberando graça a todos: “sede uns para com os
outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos
perdoou em Cristo” (EFÉSIOS, 4.32).
2.2. ÉTICA DO AMOR
O amor é um indício da ação do Espírito Santo na igreja. Onde há amor é um sinal de que os
frutos do Espírito estão ativos entre os cristãos. O amor é o meio pelo qual é possível perceber
que a lei de Cristo está sendo cumprida, em praticamente todas as tradições éticas o amor é
um elemento que harmoniza as relações humanas.

‘Toda a lei encontra seu cumprimento nesta única palavra: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo’” (Gálatas 5,14). Amor e justiça andam lado a lado. Porque a justiça é estabelecida
quando de há respeito em relação ao outro. Quem nega o direito a quem ama? E quem faz
injustiça a quem ama? Paulo pensa no amor como um conjunto de ações que não devem ser
ocasionais, mas que devem ser a prática diária dos cristãos, práticas desinteressadas dos bens
que podem vir da parte de Deus, reflexo permanente daqueles que entenderam e aceitaram a
oferta de Deus, Jesus Cristo Salvador.

2.3. UMA ÉTICA DA RAZÃO

Paulo raramente menciona “razão” ou “mente”. Como ele a entende, é um fator relevante
para as ações dos cristãos. Um exemplo notável disso ocorre em I Co 14, ocasião em que Paulo
traça o famoso contraste entre os inspirados fenômenos de êxtase e o comportamento
racional cristão, demonstrando que tem este comportamento em alto conceito (I Co 14.14-19).
Paulo trata como sinônimo “mente (ou razão)” e “homem interior”. Isso atribui à “razão” uma
importância básica em sua análise da personalidade e comportamento humana. A razão não
está isenta da presença do corpo, pois é o lugar onde se exercita. O corpo (soma) é o elemento
humano em contato com o mundo. Ele não é ruim, mas a carne, às vezes, pode representar
fatores que incidem sobre o corpo, fazendo com que a razão enfraqueça e os atos não sejam
controlados pelos cristãos. Muitas vezes a carne (sarx) pode indicar o desejo desenfreado ou
até mesmo órgão genital.

Quando o ser humano decide por seguir a lei de Cristo precisará estabelecer controle sobre
seus desejos e atitudes. Isso implica ter capacidade de compreender que certos privilégios
pessoais estarão em um jogo de relações nos quais o amor aos outros será um parâmetro
para as decisões. Daí a necessidade de ser pensante e racional. Para isso é preciso
compreender que há pessoas que ainda não conhecem essa lei, exigindo ainda mais
capacidade de pensar ações cristãs.
O indivíduo não cristão também é possuidor de bens e direitos. Diante disso, os cristãos não
devem agir com indiferença em relação a isso “Quem és tu, que julgas o servo alheio?”
(ROMANOS 14.4).
CAPÍTULO III - A ÉTICA DA PATRÍSTICA À ERA REFORMADA
1. PATRÍSTICA: AS PRIMEIRAS ORIENTAÇÕES ÉTICAS
1.1. CLEMENTE DE ALEXANDRIA
Na obra O Pedagogo, Clemente trata da moral que um jovem cristão deve ser praticante.
Neste conjunto de obras, detalhes da postura dos jovens cristãos são levados em conta, desde
o corte de cabelo, tipo de barba a ser usado, como comportar-se na hora de se alimentar até
mesmo os sapatos mais convenentes a serem usados
Para Clemente, há um mecanismo sistemático da teologia, que tem em seus fundamentos as
práticas para a salvação. Ele estabelece o logos em três formas.
-O Logos que exorta
-o Logos Conselheiro, ou aquele que encoraja para as ações e,
-o Logos Consolador, semelhante ao médico que trata as paixões.
Embora o Logos esteja dividido em ações, é um único Logos, mas em perspectivas diferentes
O que é o logos? Para Clemente? O logos é Deus personificado na pessoa de seu filho Jesus
Cristo, o Logos é salvador no sentido de que ele mostra o caminho para a salvação.

1.2. AGOSTINHO DE HIPONA

1.2.1 O mal, a vontade e a liberdade


1.2.2 Vida boa, felicidade e amor como referencial da Ética agostiniana
2. ESCOLÁSTICA: ÉTICA DE TOMAZ DE AQUINO

3. ÉTICA A PARTIR DA REFORMADA

3.1. ÉTICA EM LUTERO

3.2. ÉTICA DE KANT


CAPÍTULO IV - A ÉTICA CONTEMPORÂNEA E OS DESAFIOS CRISTÃOS NA ATUALIDADE

1. A ÉTICA CRISTÃ DOS TEÓLOGOS CONTEMPORÂNEOS

1.1. KARL BARTH E A ÉTICA COMO CAMINHO DIVINO

1.2. JOSEPH FLETCHER E A ÉTICA SITUACIONISTA

1.3. DIETRICH BONHOEFFER E A ÉTICA COMO SANTIDADE NO MUNDO

1.4. ÉTICA DA LIBERTAÇÃO


2. DESAFIOS CRISTÃOS NA ATUALIDADE
2.1. O PROBLEMA DO GÊNERO E DA SEXUALIDADE

2.2. RESPONSABILIDADE SOCIAL E POLÍTICA

2.3. O PROBLEMA DO ABORTO

2.4. A RESPONSABILIDADE FISCAL

2.5. O CRISTÃO E O PROBLEMA DO ASSACINATO, DA EUTANÁSIA E DO SUICÍDIO

2.5.1 O caso da Eutanásia