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Ligações Químicas

Profª Pamela
O que é uma ligação química?
⚫ É a interação entre dois ou mais átomos ou íons, que leva a uma diminuição da
energia livre do sistema em relação aos átomos ou íons isolados, ou seja leva a
uma maior estabilidade.
Átomos isolados
Energia Livre (ΔG)

Menos estáveis
Átomos ligados

Mais estáveis
Forças eletrostáticas

Simultaneamente ocorrem
repulsões e atrações

Efeito líquido destas forças que


implicará na formação ou não da
ligação.
Teoria de Lewis da ligação química
• Os elétrons de valência tem papel principal nas ligações
químicas.
• Metais se combinam com ametais, ocorrendo normalmente
transferência de elétrons do metal para o ametal,
estabelecendo ligações iônicas.
• Entre ametais, um ou mais pares de elétrons de valência são
compartilhados, estabelecendo ligações covalentes.
• Perdendo, ganhando ou compartilhando
elétrons numa ligação química, os átomos
tendem a ficar com configuração eletrônica
de gás nobre
Estruturas de Lewis
• A estrutura de Lewis para um átomo consiste no
seu símbolo químico, rodeado por um número de
pontos ou cruzes correspondentes ao número de
elétrons da camada de valência.

1s2, 2s2, 2p6, 3s2

Cerne Elétrons de
valência
Mg:
Regra do octeto
• Quando átomos ligam-se, eles tendem a ganhar, perder ou
compartilhar elétrons de modo que em sua camada de
valência tenham 8 elétrons (configuração eletrônica de gás
nobre).
• Metais formam cátions perdendo elétrons suficientes para
obterem a configuração do gás nobre anterior.
• Ametais formam ânions ganhando elétrons para obterem a
configuração do gás nobre seguinte.
• A configuração de um gás nobre
é sempre estável.
Tipo de Ligação
• Ligação iônica

• Ligação covalente

• Ligação Metálica

A natureza da ligação química


dependerá de como acontece o
rearranjo dos elétrons na molécula
formada.
Conceitos importantes para definir o
tipo de ligação
• Energia de ionização (EI):
É a mínima energia necessária para remover um elétron de um átomo
isolado, no seu estado fundamental.

• Afinidade eletrônica (AE):


Quantidade de energia, ΔH, envolvida no processo de aquisição de 1
elétron por um átomo isolado, no seu estado fundamental.
Ligação iônica
• Na ligação iônica as forças eletrostáticas atraem os íons de cargas opostas

M(g) + X(g) → M+(g) + X-(g)

Metal (M) Ametal (X)


Baixa EI AF elevada
Íons de cargas opostas se
atraem eletrostaticamente
formando um par iônico

M+(g) + X-(g) → [M+ X-](g)


Ligação iônica e energia
• Todas as reações ocorrem quando os produtos formados são mais
estáveis que os reagentes.

• Um processo é dito energeticamente favorável quando vem


acompanhado de liberação de energia.
Se P = cte → estabilidade é associada ao ΔH

Etapa Processo ΔH (KJ . mol-1)


1 Na → Na+ + é +494 (energia absorvida)
2 Cl + é → Cl- -349 (energia liberada)
3 Na+ + Cl- → NaCl -787 (energia liberada)
Total Na + Cl → NaCl -642 (energia liquida liberada)
Estrutura de Lewis para a Ligação
iônica
Ligação covalente
⚫ A ligação covalente ocorre quando os 2 átomos possuem
aproximadamente a mesma tendência de ganhar e perder
elétrons.

⚫ Não ocorre transferência de elétrons, em vez disso os elétrons ficam


compartilhados entre os átomos.

⚫ Normalmente ocorrem entre ametais que possuem


elevada EI e AE , portanto remover um elétron requer
muita energia
Estrutura de Lewis para a Ligação
covalente

O par de elétrons compartilhado é


representado por um par de pontos
entre os dois símbolos.
Ligação covalente múltipla
⚫ A ligação em que apenas um par de elétrons é
compartilhado é chamada de ligação simples.
⚫ Ligações múltiplas podem ocorrer.

Em uma ligação dupla 2 pares de


elétrons são compartilhados

Em uma ligação tripla 3 pares


de elétrons são compartilhados

Mesmo com ligações múltiplas cada


átomo obedece a regra do octeto
Ligação covalente coordenada
⚫ É uma ligação covalente na qual os dois elétrons
compartilhados provem do mesmo átomo.
⚫ Uma vez formada a ligação coordenada não é diferente de
uma ligação covalente normal
⚫ São idênticas em todas as propriedades medidas.

⚫ Se diferem apenas na origem do par de elétrons da


ligação.
Ressonância molécular
⚫ Nem sempre é possível descrever uma molécula ou íon com apenas
uma estrutura de Lewis, mas com estruturas contribuintes para a estrutura
verdadeira (híbrido de ressonância).

⚫ Exemplo: As estruturas mostradas para o ozônio são chamadas de


estruturas de ressonância. A verdadeira estrutura é um híbrido de
ressonância das estruturas de ressonância equivalentes.
Evidencias experimentais
mostram que as ligação
O-O são equivalentes.

As ligações apresentam
características
intermediarias entre uma
ligação simples e dupla.
Ligação metálica
⚫Metais possuem baixa EI

⚫ Possuem tendência de perder


elétrons;

⚫A ligação metálica consiste de


uma série de átomos do metal
que doaram todos os seus
elétrons de valência formando
uma nuvem de elétrons que
permeia a estrutura;
Formação de íons positivos
situados em certas posições da
⚫Todos os átomos metálicos rede cristalina imersa em um “mar
tornaram-se cátions idênticos ; de elétrons” de valência
deslocalizados.
Exceções da regra do octeto
⚫ Existência de radiais e birradicais

Algumas espécies têm numero impar de


elétrons de valência. Estas espécies são
chamadas radiais. São em geral muito
reativos

Formação e
Degradação dos
decomposição do
alimentos
ozônio. Envelhecimento
Exceções da regra do octeto
⚫ Pentacloreto de fósforo

A camada de valência se expande de maneira a


acomodar os cinco pares de elétrons.
Um dos orbitais 3d do P é utilizado para
acomodar o par de elétrons excedente.

⚫ Trifluoreto de boro

O numero total de elétrons de valência do boro


é insuficiente para atingir o octeto
Contextualizando:
Os radicais ocorrem naturalmente no corpo, em parte
como um subproduto do metabolismo.
Eles normalmente contem moléculas de oxigênio que
oxidam a membrana celular e outros tecidos vitais. Folhas de Gingko biloba

As membranas alteradas não conseguem proteger


efetivamente as células contra as doenças que as
vezes podem ate mesmo perder sua função.

Substancias antioxidantes são moléculas


facialmente oxidadas portanto reagem com
os radicais antes que eles reajam com
outros compostos do organismo.

Muitos produtos naturais estão sendo


estudados como antioxidantes em
potencial, de modo a aumentar a proteção
contra os radicais livres. Também se
estuda sua capacidade de reduzir o
processo de envelhecimento.
Carga formal
É a carga que o átomo teria se as ligações fossem perfeitamente
covalentes e o átomo tivesse exatamente a metade dois elétrons
compartilhados das ligações.

A carga formal é dada por:


Onde:
V= nº de é de valência do átomo livre
  L= nº de é nos pares isolados
S= nº de é compartilhados

é de valência é que o átomo


possui na molécula
A carga formal pode predizer o arranjo mais favorável dos átomos em uma
molécula. Uma carga formal mais próxima de zero indica que o átomo sofreu
a menor redistribuição de elétrons possível
Eletronegatividade e tipo de ligação

Ligação covalente Compartilha Compartilha


elétrons
igualmente?

Tendência relativa mostrada por um


Eletronegatividade
átomo ligado em atrair elétrons

Br Br Br Cl

• Mesma eletronegatividade • Eletronegatividade ≠


• Par de elétrons igualmente • Cl +eletronegativo atrai
compartilhados mais fortemente o par de
• Nuvem eletrônica elétrons
igualmente distribuída • Nuvem eletrônica se
• Molécula apolar localiza mais proxima do Cl
• Molécula polar
Polaridade da ligação
A polaridade de uma ligação, depende da diferença entre as
eletronegatividades dos átomos ligados

Hδ+ – Cl δ- Brδ+ – Cl δ-

O símbolo δ+ e δ- indica as cargas parciais dos átomos. As cargas


adquiridas pelos átomos são menores que uma carga inteira porque não
ocorre transferência total de elétron

Caráter
Diferença de Ligação Tipo de ligação covalente
eletronegatividade (exemplo) decresce
Zero Cl – Cl Covalente apolar
Intermediário Pδ+ - Clδ- Covalente polar Caráter
Grande Na+Cl- Iônica iônico
cresce
Vetor momento de dipolo
Polaridade da ligação
Polarizabilidade
Todas as ligações iônicas têm algum caráter covalente.

Quando um ânion esta próximo a um


cátion, a carga positiva do cátion atrai os
+ - - elétrons do ânion, a nuvem eletrônica do
ânion então, se distorce na direção do
cátion

Podemos entender esta distorção como uma tendência do par de elétrons


de deslocar-se para a região entre os núcleos e formar uma ligação
covalente. Quanto maior a distorção da nuvem eletrônica do ânion
maior o caráter covalente da ligação iônica.

+ polarizáveis Maior poder de polarização


- + Cátions pequenos e de
Íons volumosos
elevado numero de carga
Fatores que afetam a força da ligação

❖ Ordem de ligação: uma ligação múltipla é sempre mais forte que uma
ligação simples, porque mais elétrons unem os átomos.

❖ Presença de pares isolados: os pares isolados se repelem, e se eles


estão em átomos vizinhos, a repulsão pode enfraquecer a ligação.

❖ Raio atômico: se o núcleo dos átomos ligados não podem se aproximar


do par que fica entre eles, a ligação dos átomos é fraca.
Forma e estrutura das moléculas
A forma das moléculas determina seus
odores, seus sabores e cores. Ela também
afeta as propriedades dos materiais, incluído
seus estados físicos e suas solubilidades.

Veremos 3 modelos da forma molecular:

❖ VSEPR

❖ TLV

❖ TOM
Modelo da repulsão dos pares de elétrons da camada
de valência (VSEPR)
O mais primitivo dos modelos. Considera a forma das moléculas uma
consequência da interação coulômbica entre núcleo e pares de elétrons.
Regras:

❖ As regiões de altas concentrações de elétrons se repelem, portanto ocupam


posições que as afastam o máximo possível;
❖ Todas as ligações se repelem da mesma maneira, independentemente de serem
simples, duplas ou triplas;
❖ A ligação em torno de um átomo central não depende do número de “átomos
centrais” da molécula;
❖ Os pares de elétrons isolados contribuem para a forma da molécula, embora
eles não estejam incluídos na descrição da forma molecular.
❖ Os pares de elétrons isolados exercem uma repulsão maior do que os pares de
elétrons de ligação e tendem a comprimir os ângulos de ligação.
Geometria esperada (VSEPR)
Moléculas apolares com ligações polares
Moléculas apolares com ligações polares
Moléculas apolares com ligações polares
Hidrocarbonetos
Moléculas polares

. : . :
. .

Moléculas com par eletrônico disponível no átomo


central são polares
Moléculas polares

.
.
Teoria de ligação de valência (TLV)

Proposta por Linus Pauling (Prêmio Nobel de


Química 1954)

Foi a primeira teoria mecânico-quântica a ser


desenvolvida e foi uma maneira de expressar os
conceitos de Lewis em termos de orbital (níveis
eletrônicos de energia).

• Quando dois átomos se ligam para formar uma ligação covalente um orbital
atômico de um átomo se superpõe ao orbital atômico do outro.

• O par de elétrons que se associa na ligação covalente é compartilhado


entre os dois átomos na região onde os orbitais se superpõem.

Os orbitais atômicos que se superpõem devem ter elétrons


desemparelhados com spins opostos.
Superposição de orbitais

Dois átomos aproximam-se um do outro até que seus orbitais se


superpõem

• Em uma ligação simples 1 par de elétrons é compartilhado e como


resultado a sobreposição tem sempre simetria axial ou cilíndrica, a ligação é
sempre sigma (σ)
Ligação σ

• Resulta da superposição de dois orbitais s ou px


• Forma-se uma nuvem eletrônica de simetria cilíndrica em torno do eixo
internuclear.
Ligação π
• Resulta da superposição
lateral entre dois orbitais.
• É constituida por dois lóbulos.

Uma ligação σ é mais forte


do que uma π, em virtude de
a superposição de topo ser
superior à lateral.
Maior superposição mais
forte a ligação.
Formação da molécula de H2

Formação da molécula de HF
H:: 1s1
1

F::
9 1s2 2s2 2p5
Formação da molécula de H2O
1 H:: 1s1

8 O:: 1s2 2s2 2p4

Formação da molécula de NH3


1 H:: 1s1

7 N:: 1s2 2s2 2p3


Orbitais Híbridos
• Geralmente o número de ligações formadas por um átomo é igual ao
número de elétrons desemparelhados existentes no estado fundamental.

•No entanto, há casos em que os átomos podem formar mais ligações que
as previstas.

Exemplo:

METANO
Configuração eletrônica do C

Espera-se 2 C realiza 4
ligações ligações
Hibridização sp3

• Ocorre através de uma excitação ou Hibridização sp3 do C


ativação do átomo.

• Elétrons emparelhados são


desemparelhados e promovidos a
orbitais vazios adequados.
Hibridização sp2

3 orbitais híbridos sp2 Orbital inalterado.


disponíveis para formar Disponível para a
ligação σ ligação π
Hibridização sp

2 orbitais híbridos sp Orbital inalterado.


disponíveis para formar Disponível para a
ligação σ ligação π
Formação do acetileno (etino)

Ligação tripla
Hibridização sp do berílio

• Pela distribuição eletrônica o berílio não faria


nenhuma ligação!
Hibridização sp do berílio

BeH
2

Linear
Hibridização sp2 do boro

O boro pela distribuição eletrônica só faria


1 ligação!
Hibridização sp2 do boro

BF
3
Hibridização sp3 do nitrogênio
Teoria do orbital molécular
Teoria do Orbital Molecular
O modelo do TLV não explica todos os aspectos da ligação química. Como por exemplo, não
consegue descrever o extado excitado das moléculas.

le cu la r d e screve os
o ria d o o rbital mo o fu n ções de
A te culas u s a nd
lét ron s n a s m o lé
a d a s orbitais
e cas cham
e s p e c ífi
onda
s (OM).
moleculare

Assim como nos orbitais atômicos cada OM


pode acomodar no máximo 2é de spins
opostos, tem energia definida e podemos
usar de superfícies limites para descrever
sua distribuição de densidade eletrônica.
A molécula do H2
s o rbitais
doi -se,
re que rpõ e m
Se mp supe
s o rbitais
atômico dois O orbital de mais alta energia não apresenta densidade
-se
formam eletrônica entre os núcleos, é resultado da diminuição das
le cu l ares. funções de onda dos 2 orbitais s e sua maior densidade estão
mo
em lados opostos aos núcleos. Um elétron neste orbital é
repelido da região de ligação e consequentemente é menos
estável que o orbital do H isolado.

O orbital de mais baixa energia concentra a densidade


eletrônica entre os núcleos, é resultado do somatório das
funções de onda dos 2 orbitais s. Como o elétron nesse
orbital é fortemente atraído pelos dois núcleos mais estável
que o orbital 1s do H isolado. Como concentra a densidade
entre os núcleos, forma uma ligação covalente

 
Diagrama de níveis de energia
 

   
Ordem de ligação
Na teoria do orbital molecular a estabilidade de uma ligação covalente está relacionada com
sua ordem de ligação, definida como:

• Uma ordem de ligação 1 representa uma ligação simples;


• Uma ordem de ligação 2 representa uma ligação dupla;
• Uma ordem de ligação 3 representa uma ligação tripla.

Como a TOM trata também de moléculas com nº impar de elétrons, ordens de ligação igual
a1/2, 3/2 e 5/2 são possíveis.

Ordem de ligação para o H2:


 
 
Combinação dos orbitais p
 
 

 
2pz 2pz

2py 2py    

2px    
Configuração eletrônica para moléculas
diatômicas
 

 
Interação entre orbitais 2s e 2p
 

O2, F2 e Ne2. B2, C2 e N2.

 
Configuração eletrônica para moléculas
B 2 , C2 e N 2
Dada a ordem energética dos orbitais
moleculares, para se determinar as configurações
eletrônicas para as moléculas diatômicas do 2º
período, basta multiplicar por 2 a quantidade de
elétrons de valência e distribui-los nos OM em
ordem crescente de energia.
Configuração eletrônica para moléculas
O2, F2 e Ne2
Como a interação entre os orbitais 2s e 2p é
menor para essas moléculas a regra da ordem
de energia para os OMs é obedecida.
Comportamento em campo magnético

As moléculas que não tem elétrons As moléculas com um ou mais elétrons


desemparelhados são fracamente repelidas por desemparelhados são atraídas por um campo
um campo magnético. Esse comportamento é magnético. Quanto mais é desemparelhados,
chamado diamagnetismo. mas forte a força de atração. Esse
comportamento é chamado paramagnetismo.

N2 líquido O2 líquido
Moléculas diatômicas heteronuclear
A molécula de NO é uma molécula diatômica heteronuclear que controla varias funções importantes no
organismo incluindo relaxamento muscular, matar células estranhas e reforçar a memória.

ça de ligação
  ca a pres
en
e Le w is i ndi d e ligação
ra d nto
A estrutu s o comprime e ligação maior.
dupla,
ma
e u m a o rdem d
r
x pe ri me ntal suge
e
Energia

N NO O