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O que é Legislação Ambiental e para que serve?

O Direito Ambiental é parte integrante do Direito Público. Isso significa que o Estado toma para si a regulação
do uso e a defesa do ambiente. Desta forma, este novo ramo do Direito nasce em um contexto que leva em
conta, além das relações entre as pessoas, as relações entre gerações e entre a sociedade e o Estado.

De um lado, o Direito Ambiental surge como um dos direitos humanos fundamentais: o direito que o
cidadão tem a uma vida saudável, isto é, direito ao ar puro, a água limpa, ao calor do sol, entre outros fatores
que garantem qualidade de vida.

De outro lado, também representa um instrumento regulador da relação institucional entre a comunidade e o
governo que formula os planos gerais do crescimento econômico e a exploração dos recursos naturais. E
ainda, ressalta a importância destes direitos alcançarem as futuras gerações, que passam a ser protegidas pela
ordem jurídica com mesma força que as gerações atuais (art. 225, caput, Constituição Federal).
O que diz a Legislação Ambiental Brasileira

1) Constituição Federal: considerada uma das mais avançadas do


mundo, traz um capítulo específico sobre o ambiente que se resume ao
art. 225 com seus parágrafos e incisos. Entre tantas inovações,
ressalta-se a garantia da vida com qualidade para as presentes e futuras
gerações.
TÍTULO VIII DA ORDEM SOCIAL - CAPÍTULO VI DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º: Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e
ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à


pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que
comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem


risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação
do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função
ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

§ 2º: Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com
solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º: As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

§ 4º: A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona
Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º: São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à
proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º: As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não
poderão ser instaladas.
2) Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei no 6.938/81): seu principal papel foi a sistematização da legislação
ambiental no Brasil. Considerada um marco para o Direito Ambiental brasileiro, traz inúmeros princípios e diretrizes,
além de ter estabelecido a responsabilidade objetiva do poluidor e ter criado o SISNAMA - Sistema Nacional do Meio
Ambiente.

3) Lei dos Crimes Ambientais (Lei no 9.605/98): esta lei foi responsável pela consolidação da legislação penal
ambiental, mediante a definição mais clara das infrações, uniformiza e estabelece o nível das penas, além da tentativa
de uma sistematização e uniformização também dos crimes ambientais. Apesar das inúmeras críticas, pode-se destacar
nesta lei a criminalização de delitos que até então eram tidos como mera contravenção e a responsabilização criminal da
pessoa jurídica, ou seja, das empresas públicas ou privadas.

4) Lei da Ação Civil Pública (Lei no 7.437/85): esta lei, de caráter instrumental, permitiu imenso avanço na tutela
jurídica do meio ambiente no Brasil. Antes de sua vigência, basicamente apenas o vizinho prejudicado poderia acionar
o poluidor. A partir desta lei, não apenas o particular, mas principalmente o Ministério Público e as ONG's
(Organizações Não Governamentais) tornaram-se legalmente capazes de acionarem os poluidores. Assim, esta lei
viabilizou as chamadas ações coletivas.
Além destas leis, inúmeras outras merecem destaque:
a) Lei da Política Nacional dos Recursos Hídricos (Lei no 9.433/97);
b) Código Florestal
c) Lei do Sistema Nacional das Unidades de Conservação da Natureza - SNUC (Lei no
9.985/2000)
d) Lei dos Agrotóxicos (Lei no 9.974/2000);
e) Resoluções do CONAMA: no 01/86 e no 237/97 (sobre licenciamento de obras) e no 20/86
(sobre classes de água);
f) Portaria do IBAMA: no 348/90 (sobre a qualidade do ar).
No Brasil, as leis voltadas para a conservação ambiental começaram a ser votadas a
partir de 1981, com a lei que criou a Política Nacional do Meio Ambiente.
Posteriormente, novas leis foram promulgadas, vindo a formar um sistema bastante
completo de proteção ambiental.

A legislação ambiental brasileira, para atingir seus objetivos de preservação, criou :

 direitos e deveres para o cidadão,


 instrumentos de conservação do meio ambiente,
 normas de uso dos diversos ecossistemas,
 normas para disciplinar atividades relacionadas à ecologia e
 diversos tipos de unidades de conservação.
As leis proíbem :

a caça de animais silvestres,


 a pesca fora de temporada,

 a comercialização de animais silvestres,

 regulam a extração de madeiras nobres,

 o corte de árvores nativas,

 a exploração de minas que possam afetar o meio,

 a conservação de uma parte da vegetação nativa nas propriedades particulares e ;

 a criação de animais em cativeiro.


Medidas jurídicas que podem ser tomadas para a defesa do ambiente:

1) Denúncias formais às autoridades competentes:

a) Polícia Militar e/ou Polícia Florestal (em caso de crimes ambientais);

b) Secretarias Especializadas do Meio Ambiente (Estaduais ou Municipais);

c) IBAMA (em caso de problemas relativos a recursos naturais federais);

d) Ministério Público, que é obrigado por lei a iniciar um procedimento de investigação


preliminar (inquérito civil) para apurar as denúncias.

2) Recursos Administrativos: aos órgãos públicos responsáveis pela degradação ambiental ou


pela autorização que resultou em algum impacto ambiental. O cidadão deve ir ao protocolo ou
balcão de atendimento do respectivo órgão e oferecer o seu protesto.
3) Ação Popular: segundo o art. 5o, LXXIII da Constituição Federal, qualquer cidadão é parte
legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do
ônus da sucumbência. Esta ação é regulada pela Lei no 4.717/65.

4) Ação Civil Pública: esta ação visa proteger os direitos de todos aqueles que direta ou
indiretamente possam ser prejudicados pelo dano ambiental, inclusive o próprio ambiente.
Apenas o cidadão, isoladamente, não está habilitado a entrar com uma ação judicial. Para tanto,
a Lei no 7.347/85 exige uma associação civil que exista há mais de um ano e tenha a finalidade
de preservar o meio ambiente em seus estatutos, para tomar parte como autora da ação judicial.
Eventualmente, pode ser mais conveniente denunciar a agressão ambiental ao Ministério Público
para que este possa ingressar com a Ação Civil Pública.