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Tecnologia do Beneficiamento

I
Operações Químicas
Purga e Pré
Alvejamento
1.
Introdução
A preparação dos substratos têxteis é constituída de
processos físicos, químicos e biológicos.

As operações de beneficiamento primário com


caráter químico são: Purga, pré alvejamento,
alvejamento, desengomagens, limpeza a úmido e a
seco, entre outras.
2. Processos Químicos

Tratamentos molhados: São aqueles que


empregam a água como solvente, que solubiliza
ou dispersa os insumos e se comporta como
veículo, conduzindo os insumos para o
substrato têxtil, resultando daí o benefício.

Se caracterizam por fornecer o beneficio ao


substrato através de meios exclusivamente
químicos.
3. Elementos dos
beneficiamentos
Substrato têxtil: é a matéria prima sobre a qual
será efetuado o beneficiamento. Pode ser
apresentado como: fibra, fio fiado, filamento,
tecido plano ou de malha, tecido nãotecido, peças
confeccionadas, outros.
3. Elementos dos
beneficiamentos
Energia térmica: é uma das principais
necessidades dentro de um beneficiamento e
responsável por um grande número de
operações como: otimização de desempenho de
insumos; aquecimento de maquinários, interação
do substrato com os insumos, aquecimento e
chama para a realização de alguns processos.
3. Elementos dos
beneficiamentos
A condução de calor
dentro do beneficiamento pode ocorrer através
de Vapor ou de Fluído Térmico.

O vapor é o elemento mais utilizado, porém,


para temperaturas mais elevadas já se verifica
grande aplicação de
Fluído térmico.
4. Processos
Existem máquinas adequadas para cada tipo de
substrato. Em principio os maquinários são
divididos em dois grandes grupos:

Processo Descontinuo (Batelada/Esgotamento):


destina-se a produzir lotes de menor quantidade.
Também são utilizados em processos em que se
exige um maior tempo de contato entre corante
(ou outros elementos) e substrato.
Máquinas de Tingir de bobinas
Jet’s de Tingimento Longo e Redondo

Máquina Turbo
4. Processos
Processo Contínuo ( Fourlardagem): o tempo das
operações é reduzido pelo emprego de equipamentos
mais sofisticados e específicos.

Todos os sistemas contínuos iniciam-se com a


impregnação em um foulard, permitindo a troca
rápida do banho, a pressão dos rolos deve ser igual
em toda a largura para assegurar o Pick up. Nesse
processo o tingimento é fixado em uma operação
posterior.

Caracterizam-se pela grande produção.


4. Processos
Processo Pad-Batch ( impregnação – repouso).

Processo Pad-Steam ( impregnação – vaporização).


5. Cálculos de
Beneficiamento
Processos por esgotamento: para esses cálculos é
necessário conhecer:
-Massa do substrato: valor dado ou calculado a
partir da gramatura e do comprimento ( peso do
substrato);
- Relação de banho (RB);
- Volume de banho: valor dado ou calculado a partir
da relação de banho e massa do substrato;
-Concentração de insumos: expressa em %, g/L e
mL/L.
5.1 Massa do Substrato

Para calcular a massa de um substrato a partir da


gramatura e comprimento temos que observar como
a gramatura é dada:

Ela pode ser dada por:

-Gramatura Linear (g/m): massa (g)


por comprimento (m)
-Gramatura quadrada (g/m2): massa (g)
por área (m2)
5.1 Massa do Substrato

Para se calcular a massa do substrato, a partir da


gramatura linear:

Ex.: Gramatura 180 g/m; Comprimento 1000m

180 g/m x 1000m = 180.000 g = 180 kg de massa


5.1 Massa do Substrato
Para se calcular a massa do substrato, a
partir da gramatura quadrada:

Ex.: Gramatura 100 g/m2; comprimento 1.000m e


largura 1,50 m

1.000m x 1,50m x 100 g/m2 = 150.000g =


150 kg de massa
5.2 Relação de banho
Relação de Banho: é apresentada como 1 : X, onde
X é um número variável, determinado pelo tipo de
equipamento. Ex.:

Jigger: RB = 1:3 até 1:5


Barca: RB = 1:20 até 1:30

Se (RB) = 1 : 5, então para cada 1 parte de substrato,


necessitamos de 5 partes de água.
5.3 Volume de banho

É calculado a partir da massa do substrato e relação


de banho

Ex.: massa de substrato 100 kg e RB = 1:5

100 kg x 5 = 500 litros de banho


5.4 Concentração de Insumos
Ex.: massa de 100kg; volume de banho de 500L; 2%
de corante; 20 g/L de sulfato de sódio e 1mL/L
umectante

Cálculo do corante: 100kg x 2/100 = 2 kg de corante


Cálculo de sulfato: 20 g/L x 500L = 10.000g = 10kg
Cálculo de umectante: 1 mL/L x 500 L = 500 mL =
0,5L
5. Cálculos de
Beneficiamento
Processos por fourlardagem: É importante
conhecer:

- Massa de substrato;
- Volume de banho;
- Concentração de insumos
(g/L ou mL/L) e
- Pick-up. Figura: Foulard
5.5 Pick-Up

O pick-up é expresso em % e corresponde a


quantidade de banho absorvida pelo substrato.
Para um pick-up de 70%, equivale dizer que o material
absorveu 70% de seu peso em banho. Considerando a
densidade do banho igual a 1,0 pode-se dizer que para
cada 100kg de substrato foram absorvidos 70 L de
banho.
6. Beneficiamento Primário

Através desses tratamentos iniciais, eliminam-se dos


materiais têxteis:

-Goma, óleos, cera, gordura, pigmentos e sujeiras em geral,


esta última comum nas fibras naturais;
-Óleo de enzimagem (lubrificação, muito comum na fibra
sintética);
-Marcações e sujeiras adquiridas durante os processos de
fiação, tecelagem e malharia, que são comuns a toda a fibra.
6.1 Características
Beneficiamento Primário
- Limpeza;

- Hidrofilidade;

- Alvura;

- Brilho.
7. Químicos Auxiliares

Detergente/emulgador/tensoativo: tem a
finalidade de umectar o substrato facilitando a
reação com o álcali, emulsionar os óleos e
gorduras não saponificáveis remover e manter em
suspenção as impurezas.
7. Químicos Auxiliares

O álcali reage com as gorduras ou óleos


vegetais, tornando-os solúveis e de fácil
remoção, isto é, promove reações de
saponificação.
7. Químicos Auxiliares
Sequestrantes são utilizados para remover íons
de Fe, Ca e Mg, cuja presença prejudica as
etapas posteriores de alvejamento e tingimento.
Os íons de Ca e Mg formam sais insolúveis que
precipitam na superfície do substrato
provocando manchas brancas no tecido tingido,
interferência na solidez dos tingimentos entre
outros.
7. Químicos Auxilires

Já os íons de metais pesados como o Fe são


responsáveis pela catálise de decomposição
do H2O2 podendo destruir a fibra de
algodão.
7. Químicos Auxiliares
Tipos de agentes sequestrantes utilizados no
processamento de têxteis:

1. Polifosfatos
2. Ácidos poli-hidroxi-carboxílicos
3. Ácidos aminopolicarboxílicos
4. Ácidos fosfônicos
5. Ácidos poliacrílicos.
8. Lavagem
Lavagem prévia – é um termo usado para uma leve
limpeza a úmido de substratos que possuem pequena
carga de impurezas necessitando assim apenas de
detergentes/emulgadores com médias temperaturas
em seu beneficiamento. Geralmente aplicados a
tecidos/malhas com fios tintos e lurex.
9. Purga
É a limpeza dos materiais têxteis compostos de
fibras naturais, químicas ou a mistura entre elas.
São eliminadas as impurezas do substrato, porém
permanecendo os pigmentos naturais da fibra.
9. Purga
O processo de purga é feito usando-se soluções
alcalinas de NaOH ou carbonato de
sódio(barrilha) à quente bem como detergentes
e sequestrantes.
Normalmente é realizado a 80°C por 20 min e
lavagem a 60°C por 20 minutos e um ácido para
neutralização.

Esse processo é indicado


para cores escuras.
10. Pré – Alvejamento ou Alvejamento

É uma operação que também tem objetivo


removeras impurezas como a purga, porém agora a
coloração amarelada natural das fibras de algodão
e de outras fibras diminuem.

A sua brancura é necessária a fim de preparar o


substrato têxtil para os tratamentos subsequentes,
como tingimento ou estamparia.
10. Pré – Alvejamento ou Alvejamento

Esse processo é indicado quando o tecido


acabado for branco ou tinto em cores médias e
claras.
10. Pré – Alvejamento ou Alvejamento

O alvejamento pode ser:

Alvejamento por Hidrossulfito


Redução: Sódio (Ditionito de Na2S2O4
de sódio)
10. Pré – Alvejamento ou Alvejamento

- Alvejamento por Oxidação:

Peróxido de Hidrogênio H2O2

Hipoclorito de Sódio NaClO

Clorito de Sódio NaClO2


10.1 – Hidrossulfito de Sódio

Pó branco, largamente utilizado nos beneficiamentos


têxteis, desde que haja necessidade de uma
substância redutora.

O Hidrossulfito de Sódio pode ser aplicado sozinho


ou então participando de uma redução alcalina
(Hidro + Soda), ou então de uma redução ácida
(Hidro + Ácido Acético ou Fórmico).
10.1 – Hidrossulfito de Sódio
O hidrossulfito de sódio vendido comercialmente está
estabilizado, tendo assim velocidade de decomposição
menor.
• Adicioná-lo somente quando o sistema químico
atingiu a temperatura máxima recomendada, pelo
método que está sendo aplicado;
 Colocar o produto na máquina, “in natura”, sem
diluir.
O tempo gira em torno de 30 a 60 minutos.
raros casos, substrato amarela na
estocagem
10.2 – Peróxido de Hidrogênio

O alvejamento com peróxido de hidrogênio


(H2O2) é o mais empregado. É um
alvejamento com bastante brilho e de fácil
aplicação. A decomposição do peróxido de
hidrogênio se dá conforme a reação:

2H2O2→ 2H2O + O2
10.2 – Peróxido de Hidrogênio
Para ativar a ação oxidante é realizada
adição de álcali (NAOH), entretanto, a
velocidade de oxidação deve ser controlada,
para evitar deterioração da fibra. Para esta
finalidade são empregados estabilizadores
que regulam a decomposição do peróxido de
hidrogênio.
10.2 – Peróxido de Hidrogênio
O ativador de peróxido mais comum é
o álcali (NaOH), com a reação:

O alvejamento com peróxido é feito sempre a 80


– 95C de 30 a 60 min.

Estabilizador de peróxido: Silicato de sódio Na2SiO3r


10.2 – Peróxido de Hidrogênio

Exemplo de um gráfico de pré alvejamento para


algodão:
Temperatura °C

  Tempo (min)
1,0 g/l Detergente - Aquecer até 60°C
0,2 g/l Sequestrante de ferro - Rodar 30’ a 60°C
2,8 g/l Soda Caustica – 50% - Soltar o banho
2,5 g/l Peróxido de Hidrogênio - 50% - Neutraliza banho
0,5 g/l Ácido Cítrico - Rodar 10’ a 30°C
- Soltar o banho.
10.2 – Peróxido de Hidrogênio
Exemplo de um gráfico de pré alvejamento para
viscose:

 
1,0 g/l Detergente - Aquecer até 60°C
0,2 g/l Sequestrante de ferro - Rodar 30’ a 60°C
5,0 g/l Barrilha - Soltar o banho
2,0 g/l Peróxido de Hidrogênio - 50% - Neutraliza banho
0,5 g/l Ácido Cítrico - Rodar 10’ a 30°C
- Soltar o banho.
10.2 – Peróxido de Hidrogênio
Para reduzir a temperatura e tempo de
alvejamento, ativadores diferentes vem
sendo estudados, como:
anionic nonanoyloxybenzene sulphonate
(NOBS)
cationic tetraacetylethylenediamine
(TAED)
N-[4-(triethylammoniomethyl)-
benzoyl]caprolactam chloride
10.3 – Hipoclorito de Sódio
O hipoclorito é um agente de baixo custo e
rápida ação. No entanto, confere aos artigos
um toque áspero, pois além de destruir as
impurezas também ataca a celulose,
degradando-a por oxidação. Conforme
reação:
10.3 – Hipoclorito de Sódio
Em meio alcalino o hipoclorito age como oxidante,
à medida que o pH se aproxima do neutro,
passando a ácido, se evidencia o ataque do cloro
sobre a fibra, e sua conseqüente deterioração pelo
aparecimento da oxicelulose.

O alvejamento com hipoclorito é feito sempre a


frio entre 30 a 90 min.

Bissulfito de sódio ou Tiossulfito de sódio a frio 30


min – anticloro.
10.4 – Clorito de Sódio
O alvejamento que produz o menor ataque ou
enfraquecimento da fibra, especialmente as fibras
celulósicas, é feito com clorito de sódio (NaClO2).
Com este agente de branqueio químico são
oxidados somente as impurezas, permanecendo
intacta a fibra. É adequado para fibras celulósicas e
misturas de fibras celulósicas com sintéticas.

O alvejamento do algodão com clorito se processa


na prática com valores de pH entre 3,8 - 4,5.
10.4 – Clorito de Sódio

A decomposição do clorito pode ser mantida


dentro dos limites toleráveis se a elevação da
temperatura for gradativa e lenta.
A elevação rápida da temperatura provoca o
desenvolvimento do dióxido de cloro, tóxico e sem
poder alvejante.

O alvejamento com clorito das fibras celulósicas é


feito entre 70 - 80C, de 60 a 90 min.
10.4 – Clorito de Sódio

A formação do dióxido de cloro no processo de


alvejamento com clorito de sódio torna este
processo altamente perigoso para a saúde humana.

Somente o vidro, os materiais cerâmicos e o titânio


são inertes à corrosão dos banhos
de clorito de sódio, quentes e
em meio ácido.
11 – Grau de Alvura
O pré-alvejamento resultará em um nível de
branqueamento (alvura) do tecido. Tendo assim
uma cor de fundo adequada ao tingimento.

Alvura usual por classe de cor:


• 25 a 30 WI Berguer - Cores escuras;
• 50 a 55 WI Berguer - Cores médias;
• 60 a 65 WI Berguer – Cores claras e
• > 65 WI Berguer – Cor de fundo adequada para
tingir branco.

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