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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

ESTRATÉGIAS DE MANEJOS EM CULTURAS ANUAIS PRODUTORAS DE ÓLEOS

VEGETAIS E PLUMA

Manejo da cultura da canola

Mateus Leonardi

Professor responsável: Diego Nicolau Follmann


CONDIÇÕES
EDAFOCLIMÁTICAS
• TEMPERATURA:
• A canola cultivada atualmente no Brasil, apresenta menor
sensibilidade ao fotoperíodo e maior resposta à temperatura
do ar (soma térmica) que as variedades de polinização aberta
de colza, cultivadas no passado.
• A temperatura do ar é o fator ambiental mais importante na
regulação do crescimento e desenvolvimento da canola
(Thomas, 2003).
• Para a temperatura base da canola, é utilizada como referência
a temperatura de 5ºC.
Fonte: Tomm et. al. 2008
ESCOLHA DA ÁREA PARA O CULTIVO DE CANOLA
• A canola requer solos bem drenados, sem compactação, sem
resíduos de determinados herbicidas, ser livre de doenças como a
canela-preta e a esclerotínia
• Não deve apresentar infestação de nabiça (Raphanus
raphanistrum).
• O pH do solo deve ser preferencialmente superior a 5,5 e o nível de
fertilidade deve ser médio ou superior.
• Preferencialmente a distância do cultivo, deve ser superior a 8 km
da área infectada pela doença canela preta.
• Evitar áreas declivosas.
ESCOLHA DE
CULTIVARES
• Atualmente são utilizados híbridos no Brasil desenvolvidos em
outros países.
• Usar genótipos resistentes à canela-preta constitui a solução
mais econômica, para evitar os prejuízos causados por essa
doença.

• Os híbridos Hyola 60 e Hyola 43, registrados no Brasil em


dezembro de 2002, foram os primeiros genótipos, testados que
comprovaram resistência à raça do patógeno que ocorre no sul
do Brasil e no Paraguai.
ESCOLHA DE
CULTIVARES

• Cultivar Diamond.
• Safra 2019, Giruá-RS.
• 11/06/2019.
Média produtividade (kg ha-1) da canola sobressemeada na soja na cidade de Giruá, RS.

Tratamento Produtividade (kg ha-1)


9 Kg 620,2575 a
3 Kg 647,8500 a
6 kg 680,7150 a
3 Kg Linha 711,3700 a
Média 665,0481
CV (%) 12,65
Médias seguidas por letras diferentes na coluna diferem significativamente entre si pelo teste
de Scott-Knott em nível de 5% de probabilidade de erro
Ciclo da Cultura
Segundo Dalmago et al. (2008)a canola cultivada atualmente no Rio Grande
do Sul apresenta três ciclos de maturação:

• Cultivares de ciclo precoce apresenta duração de 130 dias da emergência à


maturação.
• Cultivares de ciclo médio apresentam duração de 140 dias, da emergência
à maturação.
• Cultivares de ciclo tardio apresentam duração de 150 dias, da emergência
à maturação.
Escala de desenvolvimento na cultura da canola.
ESCOLHER ÁREAS LIVRES DE PRAGAS DE
SOLO
• Evitar a semeadura de canola em áreas infestadas
com corós e outras pragas de solo
• Danos de insetos de solo, pode causar grande
redução no rendimento da lavoura.
• SEMPRE QUE POSSÍVEL, EVITAR O CULTIVO DE
CANOLA EM ÁREAS:
• Com mais de 5 corós (Diloboderus Fonte:http://www.ecoregistros.org/site_br/imagen.php?i
d=256759

abderus)/m².
• Grilo-marrom (Anurogryllus muticus) ou outras
pragas de solo.
Pragas
CORÓS
As principais espécies que ocorrem no Rio Grande do Sul
são o coró-das-pastagens (Diloboderus abderus) e o coró-do-
trigo (Phyllophaga triticophaga).
Os danos são ocasionados pelas larvas, denominadas
popularmente de corós, que, ao consumirem as raízes,
causam a morte de plântulas, redução no crescimento de
plantas, amarelecimento e murchamento de folhas. Após a
destruição completa das raízes, plântulas inteiras podem ser
puxadas para dentro do solo e consumidas.
A B

Principais espécies de corós rizófagos, (A) Diloboderus abderus, (B) Phyllophaga triticophaga.


Traça-das-crucíferas
A traça-das-crucíferas, Plutella xylostella (Lepidoptera:
Plutellidae), é a praga mais importante na cultura da canola no
Rio Grande do Sul.
Seus danos são ocasionados pelas larvas (lagartas) que
causam desfolhamentos e, em altas populações, também
podem consumir as hastes e a epiderme das síliquas. Surtos
dessa praga, se iniciados antes da floração, podem causar
sérios danos e prejuízos à cultura.
Maiores densidades populacionais e danos tem sido
relacionados em períodos de estiagem.
Controle através pulverizações com inseticidas específicos,
registrados para a cultura.
Traça-das-crucíferas

Fonte : https://www.agrolink.com.br/problemas/tracas-das-cruciferas_325.html
Vaquinhas
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) é uma praga
que ataca muitas culturas e causa desfolha em canola,
especialmente da fase cotiledonar até 2-3 folhas verdadeiras

Os danos são mais frequentes em lavouras semeadas no


início do período recomendado. Em determinadas lavouras o
tratamento de sementes com inseticidas permitiu proteger as
plântulas por até 20 dias.
Adultos de Diabrotica speciosa e respectivos danos à plântulas de canola, poucos dias após a emergência.
Percevejos
Em anos em que não ocorre frio intenso no inverno se verifica a
presença de percevejo verde (Nezara viridula), de percevejo verde
pequeno (Piezodorus guildinii), e de percevejo marrom (Euschistus
heros)
Ninfas e adultos dessas espécies sugam os grãos reduzindo-lhes
principalmente o peso.
O controle é especialmente importante após o início da formação
das síliquas, devido ao grande efeito negativo sobre o rendimento de
grãos nessa fase de desenvolvimento da cultura.
Não há, no momento, inseticidas registrados para o controle dessas
pragas na cultura da canola
Monitoramento e identificação de pragas

• Vistoriar periodicamente a lavoura, verificando, mais frequente


e cuidadosamente, quando observar o início do surgimento de
pragas.
• Começar a observação pelas raízes, hastes, face inferior das
folhas e, principalmente, os ponteiros e a flores.
• Verificar durante o dia se existem lagartas abaixo da superfície
do solo e ao redor da base das plântulas. Durante a noite, verificar
na superfície do solo.
• Determinadas pragas localizam-se principalmente nas bordas de
lavoura.
• Identificar as pragas, verificar o nível de dano econômico e
recomendar o controle. O registro de defensivos para emprego em
canola é limitado. Preferir o uso de produtos seletivos para o
controle de forma curativa.
• Quando utilizar inseticidas tóxicos às abelhas, aplicar somente no
início da manhã ou no final da tarde, para não causar prejuízos a
polinização.
DOENÇ
AS
• Canela-preta, denominada Black leg em inglês, é causada
pelo fungo Leptosphaeria maculans, o qual tem Phoma
lingam (Tode) ex. Shaw. Desm. como sua forma conidial.
Constitui uma das doenças mais importantes da canola
mundialmente.
• Causou danos importantes a lavouras de canola do RS, nos
anos 2000.
• Principais formas de controle são o uso de cultivares
resistentes e a distância de lavoura contaminadas.
Canela preta (Leptosphaeria
maculans)
• A canela-preta, doença causada pelo fungo Leptosphaeria maculans,
pode causar grandes prejuízos à canola. Sua ocorrência depende de
inóculo que permanecem em restos culturais. A resteva de canola,
especialmente da última safra, liberam ascosporos que, levados pelo
vento a distâncias de até 8 km.
• Pesquisa realizada na Austrália com relação a canela preta apontam:
DOENÇ
AS
• Podridão branca da haste, causada pelo
fungo Sclerotinia sclerotiorum, o qual infecta
mais de cem espécies de plantas daninhas e
culturas de folhas largas, como a soja e o
feijão.
• Pode permanecer no solo por até 10 anos.
Nas sementes infectados, o fungo
permanece vivo por até 7 anos, em média.
DOENÇA
S
• Podridão negra das crucíferas doença causada
pela bactéria Xanthomonas campestris pv.
Campestris, a qual infecta a planta por meio de
gotículas de água exsudadas pela própria
planta.
• É comum que sintomas de bacterioses em
folhas de canola estejam localizados nas bordas
das mesmas. A infecção pode ser favorecida
pelo efeito de geadas, pois essa bactéria é
nucleadora de gelo, e o rompimento dos
tecidos, pelo efeito de geada, favorece a
penetração de bactérias.
COLHEI
TA
• Verificar a cor dos grãos das síliquas localizadas na parte
central do caule principal das plantas.
• Quando 40-60% dos grãos mudaram da cor verde para
marrom as plantas atingiram o ponto de maturação
fisiológica.
• O teor de umidade dos grãos neste estádio geralmente está
aproximadamente em 35 %. Realizar o corte e enleiramento
imediatamente após atingir a maturação fisiológica das
plantas.
COLHEI
• A partir TA
corte-enleiramento a
cultura
do vai secando e estará pronta
para colheita em 8 a 15 dias,
dependendo das
condições ambientais.

• Realizar a colheita das plantas


enleiradas o mais próximo possível da
umidade de 10%
Fonte: http://www.cnpt.embrapa.br/slac/cd/pdf/Pizzolotto%20-%20Manejo%20de%20colheita%20de%20canola.pdf
COLHEIT
• Dessecação: Não tem
A
recomendação.
•Colheita direta.
• Iniciar a colheita direta com a
umidade dos grãos de 18%.
• Evitar as horas mais quentes
do dia para a colheita direta.
• Uso de adesionante grip.

Fonte: http://tede.upf.br/jspui/bitstream/tede/451/1/2015CarlosPizolotto.pdf
Fonte: http://www.cnpt.embrapa.br/slac/cd/pdf/Pizzolotto%20-%20Manejo%20de%20colheita%20de%20canola.pdf
Colheita de experimentos
Ataque de pássaros.
O que fazer?

Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-imagens/-/midia/3783002/rede-de-protecao-contra-passaros-em-experimento-de-
canola
Atividade: Responda as perguntas e
enviar por e-mail
1 – Qual os principais fatores a serem observados para a
escolha da área para o cultivo da canola?

2 – Quais os principais fatores que limitam o aumento da


área de cultivo e produtividade da cultura no Brasil?
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

ESTRATÉGIAS DE MANEJOS EM CULTURAS ANUAIS PRODUTORAS DE ÓLEOS VEGETAIS E

Muito obrigado pela atenção!


PLUMA

Mateus Leonardi
mateus-leonardi@hotmail.com