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ENGENHARIA ELÉTRICA

PROTEÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS

AULA 2- FILOSOFIA DO SISTEMA DE PROTEÇÃO


INTRODUÇÃO

Na operação de sistemas elétricos de potência surgem falhas que resultam em


interrupções no fornecimentos de energia dos consumidores conectados a esses
sistemas e consequentemente redução da qualidade do serviço prestado.
A falha mais comum em qualquer sistema de potência é o curto-circuito, que dá
origem a correntes elevadas circulando em todo sistema, que pode originar danos
materiais irreparáveis ao sistema e às instalações das unidades consumidoras.
A principal função do sistema de proteção é assegurar a desconexão de todo o
sistema de potência quando na ocorrência de qualquer anormalidade que faça
com que o sistema opere fora dos limites previsto.
INTRODUÇÃO

Os esquemas de proteção visam isolar os trechos defeituosos do sistema.


Define-se sistema como a associação de todos os dispositivos necessários para
detectar, localizar e comandar a eliminação de um curto-circuito ou uma condição
anormal do sistema elétrico, minimizando os danos dos equipamentos defeituosos,
consequentemente reduzindo o tempo de indisponibilidade e custo de reparo .
Todo fenômeno acidental que impede o funcionamento de um sistema elétrico é
denominado Falta, que por conseguinte podem ser:
1- Faltas transitórias
2- Faltas permanentes
TIPOS DE FALTAS
1- FALTAS TRANSITÓRIAS
Segundo dados 80% das faltas nas redes de distribuição são de
origem transitórias. As faltas transitórias são aquelas que afetam o
circuito temporariamente, ou seja, após a operação de um dos
equipamentos de proteção ocorre o religamento do circuito e a falha é
eliminada.
As causas mais comuns das falhas transitórias são:
• Contato momentâneo entre os cabos condutores;
• Descargas atmosféricas;
• Abertura de arco elétrico;
• Isolação precária dos materiais;
• Isoladores sujos, ocasionando fuga de corrente, etc.
TIPOS DE FALTAS

1- FALTAS PERMANENTES

Faltas permanentes são aquelas que necessitam da intervenção do homem


para a correção da falha, antes do religamento do circuito.
Eventualmente uma falha transitória pode virar uma falta permanente.

Algumas causas das falhas permanentes são:

• Queda de torre (estrutura);


• Equipamentos defeituosos;
• Atos de vandalismo;
• Erros operacionais, etc.;
ESTATÍSTICAS DE INTERRUPÇÕES

O sistema elétrico brasileiro é acompanhado e avaliado rigorosamente


pelas concessionárias de energia elétrica, geradores e distribuidores de
energia, objetivando melhoria na qualidade de fornecimento de energia a
seus clientes.

CAUSAS DAS INTERRUPÇÕES


• Fenômenos naturais: 48%
• Falhas em materiais e equipamentos: 12%
• Falhas humanas: 9%
• Falhas diversas: 9%
• Falhas operacionais: 8%
• Falhas de proteção e medição: 4%
• Objetos estranhos sobre a rede: 4%
ESTATÍSTICA DE CURTO-CIRCUITO

A proteção de qualquer sistema elétrico é feita com o objetivo de diminuir ou


evitar risco de vida e danos materiais, quando ocorrer situações anormais durante a
operação do mesmo.
Geralmente, os sistemas elétricos são protegidos contra sobrecorrentes (curtos-
circuitos) e sobretensões (internas e descargas atmosféricas).
A proteção contra curtos-circuitos, que é o objetivo desta disciplina, é feita,
basicamente, empregando-se fusíveis e relés que acionam disjuntores.
O equipamento fundamental para proteção contra sobretensões é o para-raios. O
curto-circuito é a falta mais comum em sistemas de potência e este pode ser
trifásico, bifásico e monofásico, onde as estatísticas deste tipo de interrupção são:

• Curto-circuito trifásico: 8%;


• Curto-circuito bifásico: 14%
• Curto-circuito fase e terra: 78%
OBJETIVOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO

Dentre as funções de um sistema de proteção as principais são:

• Salvaguardar a integridade física de operadores, usuários do sistema e animais;


• Evitar ou minimizar danos materiais;
• Retirar de serviço um equipamento ou parte do sistema que se apresente
defeituoso;
• Melhorar a continuidade do serviço;
• Diminuir despesas com manutenção corretiva;
• Melhorar os índices DEC (duração de interrupção equivalente por consumidor) e
FEC (frequência de interrupção equivalente por consumidor)
REQUISITOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO

Para que um sistema de proteção seja eficaz é necessário atender os


seguintes princípios:

• Velocidade;
• Seletividade e coordenação;
• Zona de atuação:
• Segurança;
• Sensibilidade;
• Confiabilidade;
• Automação
REQUISITOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO

A) SELETIVIDADE

Capacidade de reconhecer e selecionar as condições que deve operar, a fim


de evitar operações desnecessárias. Técnica utilizada no estudo de proteção e
coordenação, por meio da qual somente o elemento mais próximo do defeito
desconecta a parte defeituosa do sistema elétrico.

B) VELOCIDADE

É o tempo mínimo de operação para um elemento de proteção operar afim


de:
• Reduzir ou evitar avarias no sistema;
• Reduzir o tempo de afundamento de tensão nos sistemas de potência;
• Permitir a ressincronização dos equipamentos: (motores, geradores)
REQUISITOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO

C) SENSIBILIDADE

Consiste na capacidade do elemento de proteção reconhecer com precisão a


faixa e os valores ajustado para operação. Um sistema de proteção deve
responder às anormalidades com menor margem possível de tolerância entre a
operação e não operação dos seus equipamentos. Por exemplo, um relé de 80 A
com 1% de tolerância é mais sensível do que outro de 80 A com 2%.

D) ZONA DE ATUAÇÃO

Se a ocorrência estiver nos limites da zona protegida, o elemento de proteção


deve atuar e acionar a abertura do disjuntor associado, com base no tempo
definido através dos estudos dos faltas.
REQUISITOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO

E) CONFIABILIDADE

Probabilidade do sistema de proteção funcionar com segurança e corretamente,


sob todas as circunstâncias. Também definido como a propriedade de o elemento
de proteção cumprir com segurança e exatidão as funções que lhes foram
confiadas.

F) AUTOMAÇÃO

É a propriedade do elemento de proteção operar automaticamente quando


solicitado pelos parâmetros elétricos que o sensibilizam e retornar sem auxílio
humano, como relés, religadores, etc.
TIPOS DE PROTEÇÃO DOS SISTEMAS ELÉTRICOS

Para que os sistemas elétricos operem com o maior grau de confiabilidade é


necessária à utilização de um conjunto de proteções para cada tipo específico de
evento anormal no qual o sistema está sujeito. As principais proteções para os
eventos de maior ocorrência são:

1. Proteção de sobrecorrente
• Sobrecargas;
• Curtos-circuitos;
2. Proteção de sobretensões
3. Proteção de subtensões (Descargas atmosféricas, Chaveamento e curto-
circuitos monopolares)
4. Proteção de frequência
5. Proteção de sobre-excitações
6. Proteção de falta de fase
7. Proteção de sequência de fase
SELETIVIDADE
A seletividade é a característica que deve ter um sistema de proteção para que,
quando na presença de correntes elétricas anormais, faça os dispositivos de
proteção de maneira a desenergizar somente a parte do circuito afetado. O sistema
de potência deve ser projetado de forma que cada elemento protetor deve ter uma
abrangência de atuação, chamada zona de proteção. Existem dois casos:

a) Proteção de primeira linha


Corresponde ao elemento de proteção para o qual é definida uma zona de
responsabilidade dentro de limites definidos, devendo atuar num tempo previamente
ajustado, sempre que ocorrer um defeito nessa zona.

b) Proteção de segunda linha ou de retaguarda


Corresponde ao elemento de proteção responsável pela desconexão do sistema
caso haja uma falha na proteção de primeira linha, dentro de um intervalo de tempo
definido no projeto de coordenação.
NÍVEIS DE PROTEÇÃO DE UM SISTEMA
.

De modo geral, a atuação de um sistema de proteção se dá em três níveis que


são conhecidos como principal, de retaguarda (socorro) e auxiliar.

a) Proteção principal : Em caso de falta dentro da zona protegida, é quem deverá


atuar primeiro.
b) Proteção de retaguarda : é aquela que só deverá atuar quando ocorrer falha da
proteção principal.
C) Proteção auxiliar : é constituída por funções auxiliares das proteções principal e
de retaguarda, cujos os objetivos são sinalização, alarme, temporização,
intertravamento, etc.
NÍVEIS DE PROTEÇÃO DE UM SISTEMA
TIPOS DE SELETIVIDADE

A seletividade de um sistema de proteção pode ser realizada por três diferentes


métodos: por corrente, por tempo e por lógica.

1. Seletividade Amperimétrica

Conhecida por seletividade por corrente, onde este tipo de seletividade está
fundamentada não princípio que as correntes de curto-circuito aumentam à medida
que o ponto de defeito aproxima-se da fonte de suprimento de energia.
É mais utilizada em sistemas de baixa tensão, onde a impedância dos circuitos
elétricos é mais significativa. Este sistema também é utilizado em sistemas de
distribuição de energia elétrica, através do uso de fusíveis em que a impedância
dos condutores variam de forma significativa a medida que se afastam da
subestação de potência. Em linhas de transmissão este procedimento é
dificultado por não haver grandes variações para as correntes de defeito.
TIPOS DE SELETIVIDADE – SELETIVIDADE AMPERIMÉTRICA

Para se obter êxito na aplicação desta seletividade, o valor da corrente de proteção a


montante deve ter ajuste inferior a corrente defeito.

GMD
Icc < I ajuste P3

P1 Ia P3 < Ia P2 < Ia P1.

P2

CURTO- P3
CIRCUITO

Icc
TIPOS DE SELETIVIDADE
2. Seletividade cronométrica
A seletividade cronométrica fundamenta-se na temporização do dispositivo de
proteção, de forma que o tempo de atuação do dispositivo a próximo ao ponto de
defeito deve ser inferior ao tempo do dispositivo de proteção a montante. A
retaguarda (o dispositivo a montante) deve atuar em tempo superior do dispositivo
próximo ao ponto de defeito (dispositivo a jusante) possibilitando que o dispositivo
mais próximo ao defeito atua em tempo suficiente eliminando ou isolando a falta.
A diferença entre os tempos de disparo das proteções consecutivas deve
corresponder ao tempo de abertura do dispositivo (disjuntor) acrescido de um
tempo de incerteza, estes tempos são da ordem de 200 a 400 ms.
2. SELETIVIDADE CRONOMÉTRICA (REPRESENTAÇÃO)

ZONA 4
0,1 s
ZONA 3
0,5 s

ZONA 2
1,5 s

ZONA 2
3,0 s

52 52 52 52 52 52

SE A SE B SE C SE D
TIPOS DE SELETIVIDADE

3. SELETIVIDADE LÓGICA

A seletividade lógica é um sistema lógico que combina um esquema de proteção


de sobrecorrente com um sistema de comunicação utilizando fio piloto ou por outro
meio de forma a obter uma proteção com intervalos de tempo seletivos e bem
reduzidos.
A seletividade lógica elimina inconvenientes observados nos sistemas de
seletividade Amperimétrica e cronométrica, isto só é possível pois atualmente
“todos os relés instalados são na versão digital”.
Esta sistema utiliza relés digitais em várias subestações onde cada relé se
conecta a outro por meio de fio piloto, cabo fibra ótica, elementos dos cabos guarda
da linha de transmissão (OPGW), ou pelos sistemas de telecomunicações.
TIPOS DE SELETIVIDADE
3. SELETIVIDADE LÓGICA (RELÉ DIGITAL)
TIPOS DE SELETIVIDADE
3. SELETIVIDADE LÓGICA
Princípio de funcionamento

• A proteção a montante do ponto de defeito é a única responsável pela atuação do


dispositivo de abertura do circuito;
• As proteções a jusante dos pontos de defeito não receberão sinal digital de
mudança de estado;
• As proteções situadas a montante do ponto de defeito receberão sinais de
mudança de estado para bloqueio ou atuação;
• Cada proteção deve ser capaz de receber um sinal digital da proteção a jusante e
enviar um sinal digital a proteção a montante, acionar o dispositivo de abertura do
circuito.
• As proteções devem ser ajustadas com tempo de 50 e 100ms.
TIPOS DE SELETIVIDADE
3. SELETIVIDADE LÓGICA (CABO OPGW)
  O cabo OPGW possui duas funções em um único cabo:
1- A de proteção contra descargas atmosféricas
2- A de transmissão de dados e voz.

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