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Estrutura Fundiária

Conceito
• A estrutura fundiária corresponde ao modo como as propriedades rurais estão dispersas
pelo território e seus respectivos tamanhos, que facilita a compreensão das desigualdades
que acontecem no campo.
• Nesse campo, o Brasil enfrenta ainda sérias dificuldades, pois nossa estrutura fundiária
permanece ultraconcentrada: apesar de predominarem numericamente, as pequenas
propriedades ocupam um percentual mínimo do espaço agrário, enquanto um reduzido
número de estabelecimentos ocupa quase a metade de todo o espaço agrário disponível.
• Trata-se, portanto, de uma herança do passado colonial, no qual a grande propriedade
destinada à monocultura de produtos tropicais estava voltada para as necessidades do
mercado externo. No início do período colonial, entre os séculos XVI ao XVIII, foi
estabelecido o sistema de capitanias hereditárias, a partir da distribuição de terras, na
forma de sesmarias, entre poucos privilegiados da Coroa portuguesa. O objetivo principal
era promover a implantação do sistema de plantation para a produção de cana, voltada
para exportação. Desde o final do período colonial, no início do século XIX, e até a
segunda metade do século XX, pouco tem sido feito para alterar esse sistema desigual de
distribuição de terras no País.
Classificação das propriedades
• Minifúndio: com área inferior a 1 (um) módulo
fiscal.
• Pequena propriedade: imóvel com área
compreendida entre 1 e 4 módulos fiscais.
• Média propriedade: o imóvel rural de área
superior a 4 (quatro) até 15 módulos fiscais.
• Grande propriedade: o imóvel rural com área
superior a 15 (quinze) módulos fiscais.
A Lei de Terras
• Em meados do século XIX, a instituição da Lei de Terras contribuiu para o processo de
concentração fundiária, já bastante acentuado no Brasil.
• Com a abolição do tráfico negreiro interatlântico, com a imposição da Lei Eusébio de
Queiróz, aprovada em 4 de setembro de 1850, houve necessidade de buscar alternativas à
substituição do trabalho escravo de origem africana.
• Desse modo, surgiu a perspectiva de uma abertura mais intensa à imigração como forma de
suprir a necessidade de mão de obra. Entretanto, imbuída de forte cunho elitista e, de certa
forma, xenófoba, a Lei de Terras, instituída apenas duas semanas depois da Lei Eusébio de
Queiróz, no dia 18 de setembro, estabeleceu que as terras públicas passassem a ser
vendidas, e não mais doadas, por preços elevados, o que restringia, e muito, a possibilidade
de futuros imigrantes ad­quirirem terras no país.
• Sob os auspícios de regularizar a questão da posse de terras e obrigar o registro das
propriedades, a Lei de Terras praticamente inviabilizou aos menos favorecidos o acesso à
propriedade rural, provocando maior grau de concentração fundiária.
• proibiu o livre acesso às terras devolutas
• titulação da terra só poderia ser efetivada mediante a sua compra com o devido registro
em cartório
• os mais pobres ficaram sem ter o acesso à terra
O Estatuto da Terra
• Estatuto da Terra, assinado em 30 de novembro de 1964
• Estatuto da Terra é a lei que regula os direitos e deveres que
envolvem os imóveis rurais, a fim de realizar a reforma agrária e
regular a política agrícola no Brasil.
• Segundo o Estatuto da Terra, uma propriedade rural cumpre seu
papel social quando respeita os seguintes requisitos:
• - Oferece bem-estar aos donos e trabalhadores da propriedade;
• - Mantém uma produtividade em níveis razoáveis;
• - Preserva recursos naturais;
• - Cumpre as leis trabalhistas que amparam o trabalhador rural.
Constituinte de 1988
• Lei da Reforma Agrária
• lei pautada no tema acabou por não ser regulamentada
• aumento dos conflitos no campo
• Reforma Agrária: é um conjunto de ações governamentais
realizadas pelos países capitalistas visando a modificar a estrutura
fundiária de uma região ou de um país todo. Ela é feita através de
mudanças na distribuição da propriedade e/ou posse da terra e da
renda com vista a assegurar melhorias nos ganhos sociais, políticos,
culturais, técnicos, econômicos (crescimento da produção agrícola)
e de reordenação do território. Esse conjunto de atos de governo
deriva de ações coordenadas, resultantes de um programa mais ou
menos elaborado e que, geralmente, exprime um conjunto de
decisões governamentais ou a doutrina de um texto legal.
Latifúndios no Brasil
• Características
• a grande extensão da propriedade;
• A produção para exportação;
• O predomínio do fator capital na produção;
• A associação com o agribusiness;
• Lastro histórico da colonização portuguesa.
• Consequências:
• em nível social:
• o desemprego no campo, seguido de êxodo rural;
• a minifundiarização;
• a disputa pela terra, incorporada pelos movimentos sem-terra;
• em nível econômico:
• o aumento das culturas de exportação em detrimento das alimentícias;
• a reprimarização das exportações brasileiras
• a redução da agricultura familiar.
Conflitos
• ATORES SOCIAIS
• MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra),
• UDR (União Democrática Ruralista), que agrupa pequenos, médios e grandes
proprietários
• Grileiros: os ocupantes de terras alheias, mediante o uso de documentação fraudulenta.
• Posseiros: ocupam pacificamente terras alheias suficientes para o sustento da família
Peões: surgiram na década de 1970, com as fronteiras agrícolas em direção ao
norte. São contratados com a promessa de constituir riquezas, mas, ao chegarem ao local,
são obrigados a trabalhar em condições muitas vezes análogas à escravidão. Por isso, o
termo peonagem corresponde à escravidão por dívida.
• Principais áreas de conflitos fundiários
• Sudeste do Pará
• Bico do Papagaio (Tocantins)
• Rondônia
• oeste de Pernambuco;
• Pontal do Paranapanema (SP)
• oeste do Paraná.
Problemas
• Muitas terras improdutivas nas mãos de
pouco
• Maior quantidade de pessoas sem acesso a
terra
• Maior conflito pela posse da terra
• Diminuição da produção de alimentos para a
subsistência
A questão da terra na globalização
• não basta apenas produzir
• é preciso transformar essa produção em fluxo
• o principal enfoque está na circulação
• influência do sistema capitalista moderno
• cria um grande impacto na vida do pequeno
produtor
• o acesso aos sistemas de transportes, distribuição,
fornecimento dos implementos ou das sementes e,
bancário e preços fica cada vez mais difíceis.
Região Sul
• Agricultura familiar
• pequena propriedade
• Norte do Paraná, substituição do café pela soja
• O Sul produz mais de 95% da produção de fumo do Brasil
• Santa Catarina, que apresenta policultura (milho, mandioca e frutas)
combinada com a criação integrada de suínos, frangos e perus,
voltada para as indústrias frigoríficas (BrFoods, Seara e Aurora).
• A região também é grande produtora de frutas em decorrência do
clima favorável (subtropical), destacando-se
• maçã, uva, pêssego, nectarina, morango, ameixa, caqui,
• kiwi, entre outras.
Região Centro Oeste
• Calagem
• Uso de fertilizantes
• região mais produtiva do Brasil, com 42% da
produção de grãos, de acordo com dados da safra
2014/2015.
• Exportações: soja, o milho e também a carne
bovina
• grande propriedade monocultora
• Fronteira agrícola
Região Nordeste
• Solo massapé
• Latifúndios monocultores
• Cana-de-açúcar, cacau, fumo
• vale médio do Rio São Francisco, nas cidades
de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), existe um
moderno sistema de irrigação para a produção
de frutas, sobretudo manga, melão, mamão,
melancia e, principalmente, uva.
Região Norte
• extração de frutos amazônicos como o açaí, o
cupuaçu, o guaraná e a castanha-do brasil(castanha-
do-pará).
• A pecuária se destaca como a principal atividade
agropecuária da região, com destaque para a cidade
de Xinguara, conhecida como a capital do boi gordo
na Região Norte. A maior porcentagem do
desmatamento na região é provocada pela pecuária
extensiva bovina de corte.
• cultivo de mandioca
Região Sudeste
• A Região Sudeste é responsável pela produção de 50%
da cana-de-açúcar do Brasil. Também lidera as
produções de amendoim, algodão, arroz, café, feijão,
laranja, mandioca e soja
• A maior produção nacional de leite bovino também
fica na região e está concentrada em Minas Gerais.
• O setor agrícola é dividido entre o campo e a indústria.
São destaques nesse setor a pecuária bovina e a
indústria frigorífica exportadora. Também é marcante a
produção de laranja que abastece a indústria de suco.
Proálcool
• O Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, foi criado em 1975 devido ao primeiro
choque do petróleo de 1973. O objetivo era desenvolver uma fonte alternativa,
diminuindo a dependência em relação ao petróleo importado. A estratégia adotada pelo
governo consistia em produzir o etanol, álcool de cana, para misturá-lo à gasolina, para
motores comuns, e produzir o álcool hidratado para veículos específicos, ou seja, movidos
a álcool.
• A história do Proálcool teve três períodos.
• O primeiro, nos anos 1970, foi marcado por investimentos em pesquisas e acordos entre
governo e multinacionais, objetivando a produção de carros.
• O segundo, na primeira metade dos anos 1980, correspondeu ao auge, com grandes
estímulos ao setor, devido à crise internacional dos combustíveis, exemplificada pelo
segundo choque do petróleo em 1979. Os carros a álcool chegaram a representar 90% das
vendas.
• O Proálcool perdeu força em razão da queda e da estabilidade nos preços
• do petróleo, levando o governo a cortar os subsídios ao setor
• sucroalcooleiro, que corresponde ao terceiro período no final
• dos anos 1980.
Principais produtos mundiais
• cana-de-açúcar: 24%;
• milho: 12,87%;
• arroz: 9,33%;
• trigo: 8,99%;
• leite de vaca: 8,04%;
• batata: 4,73%.
Fatores de maior disponibilidade de
alimentos
• aumento da produção,
• resultado da incorporação de novas áreas para
a produção agropecuária;
• aumento da produtividade, por meio dos
investimentos em tecnologia, que promovem
o desenvolvimento de maquinários, insumos e
melhorias genéticas.

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