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Atenção pré-hospitalar

Clarice Garcia Valadares Xavier


Apresentação

 Graduação em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais;


 Residência de Clínica Médica pelo Hospital Santa Casa de Belo Horizonte
 Residência de Reumatologia pelo Hospital das Clínicas/UFMG
 Trabalha com medicina intensiva, medicina interna e reumatologista.
Cronograma da aula

1. Período de ouro
2. Funções do socorrista
3. SAMU X Bombeiro
4. PHTLS
5. Princípios de Ouro do PHTLS
6. Atendimento primário: XABCDE
Período de ouro

 Intervalo de tempo no qual o choque, embora esteja piorando, é quase sempre reversível,
caso o paciente receba atendimento adequado . (PHTLS- 2019)
 Paciente Crítico ou instável (tempo no local até 5 minutos)
 Reconhecimento da urgência, atendimento e transporte da vítima, no menor tempo
possível, até uma instituição onde o tratamento definitivo possa ser instituído. (Hospital,
UPA, Posto médico..).
Socorrista

 Os prestadores de cuidados pré-hospitalares devem determinar:


• quais pacientes estão gravemente feridos e precisam de transporte rápido
para qual nível de atenção;
• eles devem ser capazes de equilibrar a quantidade de cuidados que
prestam no local e a quantidade que eles fornecem durante o transporte;
• é fundamental poder escolher os acessórios e técnicas a serem utilizados
para alcançar o objetivo final, que é a infusão dos órgãos-alvo.
Prehospital Trauma Life Support
(PHTLS)
 Teve início em 1981.
 Ensinar o prestador de cuidados pré-hospitalares a tomar decisões adequadas para o
atendimento ao paciente, com base no conhecimento e não no protocolo;
 Os protocolos são úteis para orientação e direção, mas devem ser flexíveis quando há
variabilidade em um evento.
 Decisões apropriadas podem ser tomadas entendendo os princípios envolvidos e usando
habilidades de pensamento crítico para alcançar o objetivo final.
Princípios de Ouro
1. Garantir a segurança dos prestadores de
cuidados pré-hospitalares e de pacientes
2. Avalie a situação do local para determinar a necessidade de
recursos adicionais.

 Unidades SEM (Serviço de Emergência Médica) adicionais para acomodar o número de


pacientes
 supressão de incêndios, equipamento especial de resgate, pessoal da empresa, helicópteros
médicos e médicos para auxiliar na triagem de um grande número de pacientes.
 A necessidade desses recursos deve ser antecipada e solicitada o mais rápido possível e
garantir um canal de comunicação designado.
3. Reconheça a física do trauma causado pelas
lesões.

 O conhecimento de padrões específicos de lesões ajuda a prever lesões e saber onde


examinar.
 A consideração da física do trauma não deve atrasar o início da avaliação e do cuidado do
paciente, mas pode ser incluída na avaliação do cenário global e nas perguntas dirigidas ao
paciente e aos observadores.
4. Use a abordagem de revisão primária para
identificar condições de risco de vida

 Maneira rápida e simples de


avaliar o doente em 10
segundos!
Revisão primária

 X Hemorragia grave

 Reanimação volêmica agressiva e contínua não substitui o controle definitivo da


hemorragia;
 Curativo compressivo, compressão direta;
 Torniquete 10 cm da lesão (120-150min);
Revisão primária

 A vias aéreas:
• Controle da coluna cervical: imobilização manual, alinhamento.
• Considerar traumatismo raquimedular em todos -> Prancha + colar cervical
• Correção da queda de língua:
• Levantamento do queixo (chin lift)
• Projeção da mandíbula (jaw thrust)
Revisão primária

 A Liberação das vias aéreas:


 Permeabilização e prevenção de hipoxia;
• Manutenção : cânula de guedel
• Visualização da cavidade oral (próteses, alimentos?)
• Fratura facial
• Aspiração: preferência para a sonda rígida
• Oxigênio suplementar
• Via aérea definitiva (SAV)-> Glasgow ≤8
Revisão primária


B oa ventilação!

 Permeabilidade não implica em ventilação;


 Oxigênio para todos, com ou sem via aérea definitiva.
Revisão primária


B oa ventilação!

1. Inspeção: expansibilidade e simetria, presença de lesões, hematomas, fraturas, etc.


2. Ausculta: fluxo de ar (pneumotórax, hemotórax)
3. Percussão: ar? Sangue?
4. Palpação: lesões de parede? Tórax instável?
 Pneumotórax hipertensivo, o tórax instável (retalho costal móvel) com contusão pulmonar, o
hemotórax maciço e o pneumotórax aberto-> devem ser identificados na avaliação primária!!!
Pneumotórax hipertensivo

 Dispneia intensa, dor tóracia;


 Taquicardia;
 Turgência Jugular;
 Desvio da traqueia para o lado contralateral;
 Frêmito toracovocal abolido;
 Murmúrio vesicular abolido;
 Hipertimpanismo.
Pneumotórax aberto

 Se a abertura da parede torácica > 2/3 o diâmetro


da traqueia, nos esforços respiratórios o ar passa
preferencialmente pela lesão da parede-> menor
resistência.
 Hipóxia e hipercapnia.
Tórax instável

 Trauma que provoca múltiplas fraturas de costelas  ≥ 2 fraturas em 2 ou mais


lugares.
 As maiores repercussões provêm da lesão pulmonar subjacente (contusão
pulmonar) e dor associada a restrição de movimentos.
 Movimento paradoxal do tórax-> isoladamente não causa hipóxia.
 Tratamento:
 Oxigenação;
 Reposição volêmica com cautela;
 Analgesia;
Revisão primária


C irculação

 Controle de hemorragias
 Avaliação do estado hemodinâmico
• Nível de consciência
• Cor da pele
• Pulso central
 Reposição de volume
• 2 cateteres venosos de grosso calibre
• Soluções endovenosas aquecidas.
Revisão primária

C irculação
 Trauma torácico
• especialmente na área do esterno ou decorrentes de desaceleração rápida-
são susceptíveis de contusão miocárdica que pode levar a arritmias
 Hemotórax maciço e tamponamento cardíaco
 Lesão intra-abdominal não diagnosticada continua sendo causa
frequente de mortes evitáveis após o trauma do tronco.
Hemotórax maciço

 Rápido acúmulo de mais de 1500 mL de sangue, ou ≥ 1/3 do volume de sangue do doente,


na cavidade torácica, normalmente por ferimentos penetrantes que dilaceram os vasos
sistêmicos ou hilares.
 Choque
 Ausência de MV
 Macicez a percussão
 Tratamento:
• Reposição de volume
• Descompressão da cavidade torácica.
• Avaliar necessidade de torocomia (>1500ml)
Tamponamento cardíaco

 Mais comumente de ferimentos penetrantes;


 Sinal de Kussmaul
 FAST-> acurácia de 90% profissional experiente.
Revisão primária


D isability (incapacidades)

 Rebaixamento da consciência= Perfusão cerebral ou trauma direto


 Reavaliação ventilatória e circulatória.
 Avaliação do estado neurológico:
• Responsividade: método AVDI (Alerta/estimulo verbal/doloroso/inconsciência);
• Nível de consciência: escala de coma de Glasgow ≤8= intubação
• Pupilas: reatividade a luz, tamanho e simetria;
• Força motora: simetria
Revisão primária


E xposição e exame físico

 Despir o paciente, mas prevenindo hipotermia


Medidas auxiliares à Avaliação Primária e
Reanimação
 Monitorização Eletrocardiográfica/ Pressão arterial
 Oximetria de pulso/ gasometria arterial/ monitorar o CO2 exalado.
 Sondas urinárias
• A cateterização transuretral da bexiga é contraindicada nos casos em que se
suspeita de uma secção uretral.

Suspeitar de lesão ureteral se:


 Sangue no meato ureteral;
 Equimose perineal;
 Sangue no escroto;
 Deslocamento cranial da próstata ou ela não é palpável ao toque retal;
 Fratura pélvica;
Referências

 PHTLS (Prehospital Trauma Life Support) 8ª e 9ª edição.


 ATLS (Advanced trauma Life Support)10ª edição.
 Uptodate
Imobilização e transporte de
pacientes
Clarice Garcia Valadares Xavier
Avaliação secundária

 Após medidas indicadas para a reanimação tiverem sido adotadas e o doente demostrar
tendência para normalização de suas funções vitais.
 Exame físico completo e sinais vitais;
 História ampla (entrevista)
• A= alergias
• M= medicamentos em uso
• P= passado médico
• L= líquidos e alimentos
• A= ambiente e eventos relacionados ao trauma.
 Considerar exames de imagem.

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