Você está na página 1de 66

Introdução à Psicopedagogia

Estudos sobre os fundamentos da


Psicopedagogia

Prof.ª Dra. Janaína da Silva


Gonçalves Fernandes
DEFINIÇÃO

 A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação


e Saúde que lida com o processo de aprendizagem
humana, seus padrões normais e patológicos,
considerando a influência do meio – família, escola e
sociedade – no seu desenvolvimento, utilizando
procedimentos próprios da Psicopedagogia.
CÓDIGO DE ÉTICA
• Definição: Natureza das intervenções (inter e transdisciplinar) nas áreas da Educação
Capítulo I – e da Saúde.
Dos • Objetivos: a) promover a aprendizagem, contribuindo para os processos de inclusão
princípios escolar e social; b) compreender e propor ações frente às dificuldades de
aprendizagem; c) realizar pesquisas científicas no campo da Psicopedagogia; d)
mediar conflitos relacionados aos processos de aprendizagem.
Capítulo II – • Curso de graduação e/ou em curso de pós-graduação – especialização “lato sensu” em
Da Psicopedagogia.
formação • Ministrados em estabelecimentos de ensino devidamente reconhecidos e autorizados
por órgãos competentes, de acordo com a legislação em vigor.
Capítulo III – Do
• Supervisão psicopedagógica e recomendável processo terapêutico pessoal.
exercício das
• Honorários: justa contribuição e que assegurem a qualidade dos serviços . 
atividades
• Sigilo profissional.
psicopedagógica
• Manter boas relações com as diferentes categorias profissionais
s

• a) manter-se atualizado.
• b) desenvolver e manter relações profissionais pautadas pelo respeito.
Capítulo IV – Das • c) assumir as responsabilidades para as quais esteja preparado.
responsabilidade • d) colaborar com o progresso da Psicopedagogia;
s • e) responsabilizar-se pelas intervenções feitas, fornecer definição clara do seu
parecer ao cliente.
• f) preservar a identidade do cliente nos relatos e discussões, e/ou estudos de
casos;
• g) manter o respeito e a dignidade na relação profissional.
CÓDIGO DE ÉTICA
Capítulo V – • Aqueles que servem ao seu objeto de estudo – a aprendizagem.
Dos • Sua escolha decorrerá de formação profissional e competência técnica, sendo vetado o
instrumentos uso de procedimentos, técnicas e recursos não reconhecidos como psicopedagógicos.

Capítulo VI
• a) discordâncias ou críticas deverão ser dirigidas à matéria em discussão e não ao autor;
– Das • b) pesquisa em colaboração, deverá ser dada igual ênfase aos autores;
publicações • c) devem ser indicadas as referências bibliográficas utilizadas.
científicas

Capítulo VII –
• Ao promover publicamente seus serviços, deverá fazê- lo com exatidão e honestidade.
Da publicidade
profissional

• Considerar as condições socioeconômicas da região, a natureza da assistência


prestada e o tempo despendido.
• Constitui infração ética:
a) utilizar títulos acadêmicos e/ou de especialista que não possua;
Capítulo VIII- b) permitir que pessoas não habilitadas realizem práticas psicopedagógicas;
Dos honorários c) fazer falsas declarações sobre quaisquer situações;
d) encaminhar ou desviar, por qualquer meio, cliente para si;
e) receber ou exigir remuneração, comissão ou vantagem por serviços
psicopedagógicos que não tenha efetivamente realizado;
f) assinar qualquer procedimento psicopedagógico realizado por terceiros, ou
solicitar que outros profissionais assinem seus procedimentos.
Psicopedagogia: Objeto de estudo e práticas
• Campo do saber amplo e complexo
• Requer a contribuição de outras áreas de saber
PSICOPEDAGOGIA
• Simples causalidade linear e unívoca torna-se
reducionista

• Compreender o fenômeno da aprendizagem


humana
• Dificuldades
OBJETO DE ESTUDO • Possibilidades
• Condições favoráveis e/ou incapacitadoras
• O ser humano contextualizado em situação
de aprendizagem

• Processo de ensino-aprendizagem
PRÁTICAS • Intervenção nos aspectos prejudicados e
PSICOPEDAGÓGICAS
preservados do processo de aprendizagem
• Modelos de intervenção individual e grupal
Psicologia

Linguística Antropologia

Filosofia PSICOPEDAGOGIA Pedagogia

Biologia Psicanálise

Neurologia
PSICOPEDAGOGIA:
interdisciplinaridade

 Olhar e escuta diferenciada, voltada para o processo de


ensinar / aprender, que possibilitam o conhecimento de
sintomas, a análise dos mesmos e a busca de soluções.

 Psicopedagogia “respeita a escola tal como é, porque


através da mesma o aluno se situará em relação aos
seus semelhantes, optará por uma profissão, participará
da construção coletiva da sociedade à qual pertence”.
PAPEL DO PSICOPEDAGOGO

 Possibilita intervenção visando à solução de problemas de


aprendizagem;
 Realiza diagnóstico e intervenção psicopedagógica, utilizando
métodos, instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia;
 Atua na prevenção dos problemas de aprendizagem;
 Desenvolve pesquisas e estudos científicos relacionados ao
processo de aprendizagem;
 Oferece assessoria psicopedagógica aos trabalhos realizados
em espaços institucionais;
 Orienta, coordena e supervisiona cursos de especialização de
Psicopedagogia.
PAPEL DO PSICOPEDAGOGO
Ampliar sua percepção e a acuidade às manifestações do ser humano em
situação de aprendizagem, considerando as relações que facilitam
ou limitam seu ato de aprender;

Assegurar sua atenção à totalidade do sujeito na situação do ato de


aprender, considerando-o no seu contexto, em sua afetividade, valores,
hábitos e linguagem;

Garantir a aquisição de conhecimentos sobre o desenvolvimento do


ser humano, teorias de aprendizagem, relações com o outro; 

Desenvolver visão crítica sobre as teorias que embasam sua ação em


relação ao contexto no qual atua profissionalmente e sobre a utilização
dos recursos propostos (instrumentos e técnicas);

Incutir o cuidado em analisar quando os recursos científicos e


tecnológicos da atualidade estariam distanciando o aprendiz de si
próprio e de seus significados.
O PSICOPEDAGOGO
SUFICIENTEMENTE BOM

 Olhar para si e reconhecer-se aprendiz;


 Gostar de pessoas e de ajudar pessoas;
 Ler e interpretar além dos comportamentos ou dificuldades,
o que estão por trás das atitudes e situações;
 Antecipar tanto os disparadores, quanto aos elementos que
auxiliam o envolvimento positivo do sujeito;
 Ajustar o contexto em que dar-se-á a relação ensino –
aprendizagem;
 Buscar auxílio quando necessário.
 Atuar com ética
OBJETIVOS DO TRABALHO
PSICOPEDAGÓGICO

 Identificar os problemas de aprendizagem.


 Eliminar/amenizar as dificuldades de aprendizagem.
 Auxiliar o aluno e ou a instituição no desenvolvimento escolar.
 Encaminhar o aluno para outros profissionais quando necessário.
 Trabalhar com a dispersão, excitação e inquietude.
 Dificuldades com os aspectos psicomotores: Orientação Espacial, Temporal,
Lateralização.
 Dificuldades nas áreas do desenvolvimento: Motora, Cognitiva e Afetiva-
Emocional.
 Dificuldade na leitura, escrita e matemática.
 Dificuldade para se organizar em face de tarefas escolares e terminá-las.
 Lentidão para a execução das tarefas escolares.
ÁREAS DE ATUAÇÃO DO
PSICOPEDAGOGO

 Área da saúde: consultórios e / ou em instituições de


saúde (como hospitais), no sentido de reconhecer e
atender às alterações da aprendizagem sistemática e / ou
assistemática, de natureza patológica.

 Empresa: com o objetivo de favorecer a aprendizagem do


sujeito para uma nova função, auxiliando-o para um
desenvolvimento mais efetivo de suas atividades.
Campos e estratégias de intervenção
• Sistema educativo
• Clínicas
• Hospitais
CAMPOS DE INTERVENÇÃO •
Centros de saúde
• Organizações empresariais
• Centros comunitários

• Entrevistas
• Trabalho interdisciplinar
• Grupos terapêuticos
• Técnicas de recolocação de informação
ESTRATÉGIAS DE
diagnóstica
INTERVENÇÃO • Estratégias terapêuticas
• Assessoramento e coordenação de
projetos educativos institucionais
• Projetos pedagógicos inovadores
PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

 Empresas, hospitais, creches e organizações


assistenciais, onde o nosso sujeito é a instituição, com
uma complexa rede de relações que precisam ser
trabalhadas para a construção de conhecimento deste
sujeito.

 A demanda da instituição está associada à forma de


existir do sujeito institucional;

 Resgate do prazer no ato de aprender.


PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E
INSTITUCIONAL
 Âmbito do Indivíduo: aborda a aprendizagem e a dificuldade de um sujeito.
• Diagnóstico e tratamento da dificuldade de aprendizagem, assim como a sua prevenção.
 Âmbito do Grupo: aborda a aprendizagem e a dificuldade de aprendizagem de um grupo.
 Âmbito da Sociedade – Comunidade: envolve o aprender humano em diferentes
culturas e em distintos momentos históricos.
• Aspectos filosóficos e científicos deste aprender, assim como o referido conhecimento
histórico serão focalizados pela Psicopedagogia que é a área que articula tais
conhecimentos
 Âmbito da Instituição: é o âmbito que trata do trabalho psicopedagógico na instituição
(escola, empresa, hospital).
• Diagnóstico da dinâmica de aprendizagem da instituição, e as medidas a serem adotadas
para as mudanças necessárias,
• Trabalho preventivo que se preocupa com o fortalecimento da instituição para o
enfrentamento do novo e o aperfeiçoamento das qualidades já existentes.
PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL
CONTEXTOS

 Psicopedagogia Familiar: ampliando a percepção sobre os


processos de aprendizagem de seus filhos, resgatando a família no
papel educacional, complementar à escola, diferenciando as
múltiplas formas de aprender, respeitando as diferenças dos filhos.
 Psicopedagogia Empresarial: ampliando formas de treinamento,
resgatando a visão do todo, as múltiplas inteligências, trabalhando a
criatividade e os diferentes caminhos para buscar saídas,
desenvolvendo o imaginário, a função humanística e dos
sentimentos na empresa, ao construir projetos e dialogar sobre eles.
 Psicopedagogia Hospitalar: possibilitando a aprendizagem, o
lúdico e as oficinas psicopedagógicas com os internos.
PSICOPEDAGOGIA ESCOLAR

 Diagnóstico da escola: busca da identidade da escola; definições de


papéis na dinâmica relacional em busca de funções e identidades,
diante do aprender;
 Instrumentalização de professores, coordenadores, orientadores e
diretores: sobre práticas e reflexões diante de novas formas de
aprender;
 Reprogramação curricular, implantação de programas e sistemas
avaliativos;
 Oficinas para vivências: de novas formas de aprender;
 Análise de conteúdo e reconstrução conceitual;
 Releitura: ressignificando sistemas de recuperação e reintegração do
aluno no processo; o papel da escola no diálogo com a família.
FUNÇÃO PREVENTIVA

 Detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem;

 Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa,


para favorecer processos de integração e trocas;

 Promover orientações metodológicas de acordo com as


características dos indivíduos e do grupo;

 Realizar processos de orientação educacional, vocacional e


ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.
PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA
E TERAPÊUTICA (CORRETIVA)

 Preventiva Primária: tem como objetivo evitar o problema;


agir antes que os fatos aconteçam. (Semana Pedagógica);
• O psicopedagogo atua nos processos educativos com o
objetivo de diminuir a frequência dos problemas de
aprendizagem.
• Questões didáticas – metodológicas
• Formação e orientação do professor
• Aconselhamento aos pais.
PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA
E TERAPÊUTICA (CORRETIVA)

 Preventiva Secundária: tenta impedir sua ampliação e


trata dos problemas; age imediatamente quando se
detecta o problema. (Drogas; falta de domínio do
professor; dificuldade de aprendizagem entre outros);
 O objetivo é diminuir e tratar dos problemas de
aprendizagem já instalados.
 Elaboram-se planos de intervenção baseados nos
diagnósticos da realidade institucional.
PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA
E TERAPÊUTICA (CORRETIVA)

 Preventiva Terciária: o problema já se instalou e o


objetivo é de eliminar as dificuldades.

 O objetivo é eliminar as dificuldades já instaladas, pois ao


eliminarmos uma dificuldade, estamos prevenindo o
aparecimento de outras.
PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA
E TERAPÊUTICA (CORRETIVA)

 Busca construir uma relação saudável com o conhecimento,


de modo a facilitar a sua construção e evitar que o processo
da prática Preventiva/Terapêutica: seja obstaculizado.

 Cria-se planos de intervenção baseados nos diagnósticos.


Pode contribuir, desenvolvendo trabalhos que possibilitem a
integração:
 Entre o que se sabe e o que se faz;
 Entre o que se sabe e o que se sente;
 Entre o que se sente e o que se faz.
DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO

 Com que recursos conta para aprender?


 O que significa o conhecimento e o aprender no imaginário
do sujeito e sua família?
 Que papel foi-lhe designado por seus pais em relação ao
aprender?
 Qual e sua modalidade de aprendizagem?
 Qual é a posição do sujeito frente ao não dito, ao oculto,
ao secreto?
DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO

 Que função tem o não aprender para ele e para seu grupo
familiar?

 Qual é o significado da operação particular que constitui o


sintoma?

 Como aprende e como não aprende?

 O não aprender responde a um sintoma, ou é uma resposta


reativa ao meio socioeducativo?
Sara Pain: Nasceu na Argentina em 1931
(Buenos Aires).

Psicóloga e Doutora em Psicologia pelo


Instituto de Epistemologia Genética na
Suíça. Doutora em Filosofia pela
Universidade de Buenos Aires.
Sara Pain: Nasceu na Argentina em 1946-
2015 (Buenos Aires).

Psicopedagoga formada pela Facultad de


Psicopedagogía da Universidad del
Salvador, Buenos Aires, Argentina.
Maria Lúcia Lemme Weiss:
Pedagoga, psicóloga com
especialização em
psicopedagogia, professora de
psicologia da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro.
Jorge Visca: Nasceu na Argentina em 1935
(Buenos Aires), vindo a falecer em 2000,
também na cidade de Buenos Aires.

Psicólogo, criou a Epistemologia Convergente


e trouxe esse sistema para o Brasil, Argentina e
Portugal.
Psicogenética de Piaget
Escola Psicanalítica de Freud
Psicologia Social de Enrique Pichon Rivière
AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA
INSTITUCIONAL

 Matriz Diagnóstica: é o primeiro nível da avaliação


psicopedagógica institucional.

 A matriz diagnóstica envolve três níveis:


 O específico: que é o sintoma a ser observado;
 O singular: é a instituição como um todo;
 O universal: diz respeito à concepção de mundo, de
homem e de educação que impera na sociedade.
SINTOMAS/OBSTÁCULOS
ORDEM DO CONHECIMENTO

 Falta de aprofundamento num determinado conhecimento


ou o desconhecimento de um determinado tema pode
obstaculizar o processo de aprendizagem;
 Indisciplina;
 Desmotivação;
 Insegurança do professor;
 Falta de domínio do conteúdo;
 Teoria e prática divergentes;
 Falta de espaço para reflexões.
SINTOMAS/OBSTÁCULOS
ORDEM DO INTERAÇÃO

 Vínculo afetivo que o sujeito ou o grupo estabelece com a


aprendizagem.

 Comunicação entre os protagonistas do processo de


ensinar / aprender;

 O uso da mesma linguagem.


SINTOMAS/OBSTÁCULOS
ORDEM DO FUNCIONAMENTO

 Grau de filiação que seus elementos;

 Vestir a camisa da instituição, cooperar para atingir o objetivo maior,


preocupar-se com a eficácia das ações, auxiliar sobremaneira para
a compreensão do sintoma observado;

 Questões administrativas;

 Estabelecimentos de funções;

 Inversões de papéis.
SINTOMAS/OBSTÁCULOS
ORDEM DO ESTRUTURAL

 Relaciona-se ao como a instituição está organizada.

 Organograma;

 Níveis de hierarquia.
QUEIXA
 Entrevistas para a exposição de motivos que indiquem a realização de
um diagnóstico psicopedagógico na instituição;
 A queixa, na instituição, revela o grupo portador do sintoma;
 O levantamento da queixa se faz através de entrevistas, realizada com
a equipe responsável pela instituição, de forma aberta e observadora.
 O psicopedagogo precisa ficar atento a temática da conversa observar
tudo o que é falado, coerências e incoerências, ler as entrelinhas, a
objetividade e subjetividade nas respostas.
 O observador da dinâmica deve estar atento a todos os movimentos
durante a entrevista, a atenção dispensada e a vontade de atender. O
observador da temática deve registrar todas as respostas que foram
realizadas.
OBSERVAÇÃO DA TEMÁTICA

 Segundo PICHON- RIVIÈRE (1988):

 Tudo que é falado durante a entrevista e aos significados


latentes que podem ser percebidos através do tipo de
comunicação utilizada,
 O que não é dito (entrelinhas),
 Coerências e incoerências que aparecem no discurso;
 Atos falhos que podem surgir, da objetividade ou
subjetividade do discurso e do conteúdo abordado.
ENQUADRAMENTO DO PROCESSO
DIAGNÓSTICO
 Identificação do elemento ou dos elementos portadores do sintoma da
instituição e o enquadramento do processo diagnóstico;

 O enquadramento deve prever:


 Justificativa;
 Objetivos do processo diagnóstico a ser desenvolvido;
 Espaço que será utilizado;
 Grupo que será envolvido;
 Material que será necessário;
 Tempo de investigação;
 Honorários previstos;
 Entrega de um projeto de diagnóstico após o Primeiro Sistema de
Hipóteses.
Observação e Análise do Sintoma -
EOCMEA
 Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino
Aprendizagem: observação e análise do sintoma através da
observação da dinâmica grupal.

 Observar o sintoma é um dos passos mais importantes de um


diagnóstico psicopedagógico institucional, pois é a partir de tais
observações que se delineia o processo diagnóstico como um todo.
Aqui se centram atividades dinâmicas de observação, pois já têm-se o
levantamento da queixa.
 Utiliza-se o coordenador da tarefa / atividade e os observadores da
temática e da dinâmica.
 Com a utilização da EOCMEA, parte-se para o levantamento das
hipóteses.
Entrevista Operativa Centrada na
Modalidade de Ensino Aprendizagem
 São necessário três profissionais para a aplicação da
EOCMEA: uma equipe de coordenação em que não há uma
hierarquia e sim, uma operatividade.

 Coordenador: função de apresentar ao grupo pesquisa a


consigna e fazer as intervenções necessárias para facilitar a
entrada do grupo na tarefa.
 Observador da temática: função de observar e registrar tudo
aquilo que é verbalizado pelo grupo.
 Observador da dinâmica: função de observar e registrar tudo
aquilo que for ação do grupo. (postura corporal, gestos, modo de pegar materiais,
expressões faciais, olhares).
CONSIGNA

 "Boa Tarde! Eu sou (....) e, estamos aqui como a


(professora. Orientadora, Vice-diretora, Gestor(a),entre
outros. Aqui coloca-se com quem a equipe vai falar) deve
ter comentado, para conhecermos vocês, o que vocês
sabem e o que vocês já aprenderam.

 Para isso, trouxemos os materiais que estão sobre a mesa


para a confecção de uma atividade (dizer qual) para o qual
cada aluno contribuirá fazendo e participando desse
trabalho. Vocês terão até as (dizer o tempo) para fazer
esta tarefa e agora são --------- h ----------min ".
PRIMEIRO SISTEMA DE HIPÓTESES
CARÁTER AFETIVO E COGNITIVO
 HIPÓTESE DE CARÁTER AFETIVO
• Relação de disputa entre alunos e entre professores;
• Alunos queriam realizar rapidamente a tarefa para não sentirem
a ansiedade que a mesma estava provocando;
• Turmas carregando rótulos colocados pelos professores, pela
coordenação e pelos próprios alunos;
• Vinculação afetiva com as situações de ensino / aprendizagem
marcada pela dissociação de valências, ocultando a ansiedade.

 HIPÓTESE DE CARÁTER COGNITIVO


• Nível cognitivo dos alunos e ou grupos.
PRIMEIRO SISTEMA DE HIPÓTESES
CARÁTER FUNCIONAL E CULTURAL
 HIPÓTESE DE CARÁTER FUNCIONAL
• Falta de planejamento e organização dos alunos / instituição;
• Ausência de enquadramento por parte dos professores e da
coordenação;
• Direcionamento de energias para as descobertas relacionadas
à sexualidade.

 HIPÓTESE DE CARÁTER CULTURAL


• Passividade de meninas frente aos meninos;
• Religiosidade como elemento latente da separação rígido
entre bem e mal e entre bom e mau.
INSTRUMENTOS DE
INVESTIGAÇÃO Planejamento
 Entrevista: com Alunos; com os Professores; Direção;
Coordenação; Supervisão; Equipe Pedagógica.
 Observação: das posturas, informal (recreio) e formal (sala
de aula);
 Levantamentos estatísticos/qualitativos: levantamento
de notas, faltas; atraso dos Professores; conhecimento da
Proposta Pedagógica / Regimento; efetivação da práxis
pedagógica;
 Dinâmicas grupais: grupos operativos, psicodrama, oficina
de habilidades sociais.
 Técnicas projetivas: Sandplay
OBJETIVO DO GRUPO OPERATIVO

• Mobilizar um processo de mudança, que passa fundamentalmente


pela diminuição dos medos básicos da perda e do ataque.
• Assim, fortalece o grupo, levando-o a uma adaptação ativa à
realidade, rompendo estereótipos, redistribuindo papéis, elaborando
lutos e vencendo a resistência a mudanças.

• ESTRUTURA DOS GRUPOS: os grupos se compõem pela dinâmica


dos 3D:
 Depositado
 Depositário
 Depositante

O Depositante é aquele que, não podendo assumir determinada


característica sua, a deposita (o Depositado) em alguém que é o
Depositário.
VERTICALIDADE E HORIZONTALIDADE

• A dinâmica dos 3 D surge pela noção de verticalidade e


horizontalidade.

• Aquele que, ao mesmo tempo enuncia algo de si mesmo


(verticalidade), também denuncia uma característica ou
problema grupal, (horizontalidade), como produto da
interação dos membros do grupo entre si, com o líder e
com a tarefa.
PAPÉIS QUE CONSTITUEM UM GRUPO
1. Líder de mudança: é aquele que se encarrega de levar adiante as tarefas,
se arriscando diante do novo.

2. Líder de resistência ou sabotador: puxa o grupo pra trás, freia avanços,


sabota tarefas e remete o grupo sempre à sua etapa inicial. Os dois são
necessários para o equilíbrio do grupo.

3. Porta-Voz: é a chaminé por onde fluem as ansiedades e reivindicações do


grupo. Ele explicita por vezes os anseios do grupo.

4. Bode expiatório: é aquele que assume os aspectos negativos do grupo;


todos os conteúdos latentes que provocam mal-estar, como culpa, medo,
vergonha.

5. Os silenciosos: são aqueles que fazem com que o resto do grupo se sinta
obrigado a falar, assumindo a dificuldade dos demais para estabelecer a
comunicação.
ESQUEMA CONCEITUAL REFERENCIAL
OPERATIVO (ECRO)
• Refere-se ao conjunto de experiências, conhecimentos e afetos
com que os indivíduos pensam e agem nos grupos, e se fazem
compreender entre si.

• UNIDADE DE OPERAÇÃO:
• EXISTENTE: é a situação do grupo. Tanto o explícito quanto o
implícito da situação grupal.

• INTERPRETAÇÃO: é a compreensão do que existe e o


esclarecimento das dificuldades.

• EMERGENTE: é a resposta do grupo à interpretação. A


desestruturação de uma situação prévia e a reestruturação de
um novo ciclo.
MOMENTOS DO GRUPO

• 1. Pré-tarefa: o grupo foge, evita a tarefa, em função de


dois meios básicos: o medo da perda do conhecido
(ansiedade depressiva) e o medo do ataque do
desconhecido (ansiedade paranoide). Nesta fase, há
uma grande resistência à mudança, e utilização de
defesas dissociativas para a elaboração destas
ansiedades.

• 2. Tarefa: o grupo se centraliza na tarefa, e inicia a


elaboração e a superação dos medos básicos que
perturbam a aprendizagem.

• 3. Projeto: o grupo planeja suas ações futuras.


VETORES DOS PROCESSOS DE
INTERAÇÃO GRUPAL
1. Afiliação e pertença: é o maior ou menor grau de
identificação dos membros do grupo entre si e com a
tarefa.

2. Cooperação: capacidade de ajudar-se mutuamente.


Mede-se pelo grau de eficácia real atingida na execução
da tarefa.

3. Pertinência: capacidade de centrar-se na tarefa


explícita e implícita. É medida pela capacidade do grupo de
romper estereótipos, elaborar lutos, redistribuir papéis e
vencer resistências a mudanças.
VETORES DOS PROCESSOS DE
INTERAÇÃO GRUPAL
4. Comunicação: são as modalidades e níveis de comunicação
existentes no grupo:

 Nível oral: é a fase mais primitiva do grupo. Se mantém


dependente do líder, é voraz, queixoso e com atitude de
reprovação constante.

 Nível anal: se alternam ciclos de expulsão e retenção, ou seja,


de desavenças e reconciliações. É uma fase mais evoluída.

 Nível genital: é o mais evoluído. Prevalece a capacidade de


identificação e o desejo de proteger o outro da destruição, ou
de reparação se o outro foi atacado.
VETORES DOS PROCESSOS DE
INTERAÇÃO GRUPAL
5. Aprendizagem: se dá em dois momentos:
 1º- Soma de informações de cada integrante do grupo.
 2º- Desenvolvimento de condutas alternativas diante dos
obstáculos que se apresentam, rompendo formas
arcaicas de comportamento.

 Tele: é a disposição positiva ou negativa para interagir


com os membros do grupo.
SEGUNDO SISTEMA DE HIPÓTESES

 Organização do trabalho confirma-se ou não o Primeiro


Sistema de Hipóteses levantadas;

 Todas as hipóteses são levantadas em cima dos


obstáculos da Matriz Diagnóstica.

 O específico: que é o sintoma a ser observado;


 O singular: é a instituição como um todo;
 O universal: diz respeito à concepção de mundo, de
homem e de educação que impera na sociedade.
PESQUISA DA HISTÓRIA:
ANAMNESE

 Pesquisa da história relacionada:


 à Queixa;
 às hipóteses levantadas.

 Parte-se do Segundo Sistema de Hipóteses.


 A pesquisa da história não se resume ao conhecimento da história
da instituição, de forma geral, e sim se preocupa em centrar seu
levantamento no:
 Conhecimento da história da problemática,
 Objeto da queixa que originou o diagnóstico,
 Conhecimento histórico dos fatores causais que foram base das
hipóteses levantadas.
TERCEIRO SISTEMA DE HIPÓTESES

 Análise das hipóteses anteriores para a formulação de


Hipóteses Diagnóstica.

 Hipótese Diagnóstica
 Organização do terceiro sistema de hipóteses e sua
transformação em Hipótese Diagnóstica, que deve ser
apresentada verbalmente, na busca de uma aceitação do
Projeto de Intervenção.
 Deverá ser entregue à instituição, em forma de Informativo
Psicopedagógico.
TERCEIRO SISTEMA DE HIPÓTESES

 Devolutiva: resultado entregue por ocasião da formulação


da queixa à mesma pessoa que recebeu a equipe por
ocasião da formulação da mesma (direção, coordenação).

 Informativo Psicopedagógico: são todas as informações


necessárias por escrito, de forma clara e resumida,
contendo os aspectos positivos e frágeis da Instituição.
INFORMATIVO PSICOPEDAGÓGICO
 Levantamento da queixa;
 Contrato e enquadramento para a realização do diagnóstico;
 Levantamento de dados (instrumentos);
 Análise dos dados;
 Levantamento da hipótese diagnóstica;
 Elaboração de projeto de intervenção;
 Entrevista de devolução.

 Não há uniformidade, ou padrão, para a realização do


diagnóstico/intervenção - a abordagem teórico-metodológica assumida
pelo psicopedagogo e das características deste profissional.
 Abordagens da epistemologia convergente e do psicodrama: equipe
de psicopedagogos.
POSTURA PSICOPEDAGÓGICA

 Atitude Clinica: dissociação instrumental / “distanciamento


ótimo” – sintonia sem envolvimento;
 Esclarecimento da função profissional do psicopedagogo -
tempo, honorário, dependência /independência
profissional, prazos, resultados, exigências;
 Esclarecimento da natureza e dos limites do seu trabalho
em todos os níveis com os quais vai atuar – trabalhar com
colaborações espontâneas e observação da dinâmica;
 Esclarecimento sobre o processo de devolução das
informações e resultados e a quem será dirigido;
POSTURA PSICOPEDAGÓGICA
 Tratar com o grupo tudo o que a ele diz respeito, nada passando para
outros setores antes de, previamente, submetido à apreciação do grupo;
 Evitar tomar partidos com relação a setores ou posições na organização;
 Evitar contatos extraprofissionais que possam “contaminar” o processo
diagnóstico;
 Limitar-se ao assessoramento e à atividade profissional, não assumindo
nenhuma função diretora, administrativa ou executiva;
 Evitar dependência do seu trabalho, incentivando soluções do próprio
grupo;
 Evitar posturas de “onipotência” diante do grupo;
 Considerar que a saúde da organização não se deve à ausência de
conflitos, mas à sua capacidade de explicitá-los, na busca de soluções;
POSTURA PSICOPEDAGÓGICA

 Considerar não apenas a veracidade ou graduação da


informação, mas a indução à compreensão dos seus
significados (insights);
 Considerar que a resistência, implícita ou explícita e parte
fundamental e previsível do trabalho diagnóstico, sabendo
que a postura do analista poderá contribuir para vencê-la
ou incrementá-la ainda mais;
 Considerar que o manejo da informação não é, apenas,
um problema ético, mas um instrumento técnico.
INTERVENÇÃO

 Mediação entre dois sujeitos;

 Ação entre duas ou mais pessoas;

 Sistema de ajuda;

 Movimento orientado para a busca do equilíbrio;


INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

 Visa abrir espaços objetivos e subjetivos, onde a autoria de


pensamento seja possível, onde possa surgir um sujeito
capaz de aprender.
 Olhar o sujeito em sua individualidade mas integrado nos
grupos a que pertence: familiar, social, escolar entre
outros, e busca sua peculiaridade como aprendente, a
modalidade de aprendizagem que lhe é própria.
 Compreender o indivíduo único, apesar dele estar inserido
num determinado tipo de modalidade de aprendizagem.
 Incluir os pais no processo, através de reuniões,
favorecendo o acompanhamento do trabalho realizado.
POSSIBILIDADES NA
INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA
 Diferenciar, tirando o sujeito do lugar do estereótipo, tornando-o
único a seus próprios olhos, aos de sua família e escola.
 Abrir possibilidades de mudança, a partir da diferenciação, o
sujeito, a família e a escola podem mudar sua maneira de atuar; o
que vai repercutir na modalidade de aprendizagem.
 Resgatar o prazer de aprender fundamental para conectar a
estrutura desejante e estruturar um corpo com possibilidades de
aprendizagem.
 Construir estratégias que possibilitem a aprendizagem.
 Oferecer suporte tecnológico, para adequação das respostas do
sujeito às necessidades de comunicação com o meio em que
convive.
OBJETIVOS DA INTERVENÇÃO
PSICOPEDAGÓGICA
 Conseguir uma aprendizagem que seja realização para o
sujeito ou para o grupo;
 Conseguir uma aprendizagem independente por parte do
sujeito;
 Proporcionar a revalorização do vínculo com a
aprendizagem;
 Propiciar a autovalorização, a recuperação da autoestima
e do desejo de aprender;
 Proporcionar meios para que o sujeito supere as
dificuldades encontradas no diagnóstico.
RECURSOS DE INTERVENÇÃO –
ATITUDES OPERATIVAS
 Mostra: é a transmissão de informação através de uma ação
verbalizada;
 Assinalamento: consiste em assinalar uma conduta
executada (parece que você sempre escolhe o mesmo jogo);
 Informação: fornecer elementos que permitam operar a
função do conhecimento (“não sei como encontrar essa
explicação”; resposta “na biblioteca há um livro explicativo”);
 Mudança de situação: modificação de uma conduta ou
aspectos físicos, tempo, espaço, entre outros. (como a forma
de cumprimentar o sujeito, de atender às suas solicitações,
horários de atendimento, espaço, entre outros);
RECURSOS DE INTERVENÇÃO –
ATITUDES OPERATIVAS
 Acréscimo de modelo: ampliação do modelo proposto
anteriormente, acrescentando-se outras informações ou propondo
soluções. Ex. diante de um desenho de uma casa sem portas,
perguntar: por onde se entra nesta casa?
 Interpretação: interpretar uma conduta executada (vocês
perceberam que sempre que precisam escrever, se lembram de algo
que aconteceu e passam a relatar o fato? Tanto a interpretação
quanto o assinalamento necessitam de uma avaliação prévia do
psicopedagogo, deverão ter sempre o vetor da aprendizagem.
 Desempenho de papéis: é uma das técnicas dramáticas que opera
no “como – se”, permitindo a vivência que situações passadas ou
futuras possam ser trazidas para o presente de uma forma lúdica.
Permite a revisão do já executado ou a ser feito.
TÉCNICAS PARA A INTERVENÇÃO
INSTITUCIONAL
 Grupos operativos: trabalha com a operatividade, que é a capacidade de agir por si, sem
esperar que aquele que coordena dê os passos e as soluções prontas para a realização de uma
tarefa, mas que coordene as ações dos indivíduos, visando o desenvolvimento da autonomia.
 Trabalhos em grupos;
 Dinâmicas de grupos;
 Jogos estruturados;
 Atividades lúdicas;
 Vivências;
 Oficinas.
 Jogos psicodramáticos: o Psicodrama trabalha com a definição e também inversões de
papéis.

 Arte
 Contação de histórias
Sugestões de leitura para o próximo encontro:

Livro:
SILVA, Kátia Cilene. Retrospectiva histórica da Psicopedagogia. Introdução
à Psicopedagogia. (p. 15-32). Curitiba: Editora Intersaberes, 2012.

CLARO, Genoveva Ribas. Trajetória Histórica da Psicopedagogia. In:


CLARO, Genoveva Ribas. Fundamentos da Psicopedagogia. Curitiba:
Editora Intersaberes, 2018.

COSTA, Ana Araújo; PINTO, Telma Maranhão Gomes; DE ANDRADE,


Márcia Siqueira. Análise Histórica do surgimento da Psicopedagogia no
Brasil. ID on line REVISTA DE PSICOLOGIA, v. 7, n. 20, p. 10-21, 2013.
Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/234

Linhas do tempo:
Psicopedagogia na Europa:
Psicopedagogia nas Américas:
Psicopedagogia na Argentina:
Psicopedagogia no Brasil:
Psicopedagogia no século XXI

Você também pode gostar