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FUNÇÕES EXECUTIVAS E HABILIDADES

FONOLÓGICAS

BRENDA SABADINI BERNARDO


AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
 A avaliação neuropsicológica é um processo de investigação sobre as manifestações cognitivas, comportamentais
e emocionais do sistema nervoso em condições normais e patológicas.

Entrevista com
paciente, familiares
e/ou outros Seleção e
informantes. aplicação
Hipótese
a ser de testes e
testada escalas de
Observação do rastreio
comportamento do
paciente na
consulta/outros
ambientes.

Conceitualização clínica Teste de Hipóteses


Etapa 1 Etapa 2

Integração de informações, inferências diagnósticas e (Dias & Malloy-Diniz, 2020)


planejamento de condutas
Etapa 3
QUAL É A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NO CAMPO DA
FONOAUDIOLOGIA?
 A neuropsicologia do desenvolvimento se relaciona intimamente com a fonoaudiologia, especialmente tendo em
vista a importância da função cognitiva da linguagem.
 A linguagem tem papel fundamental em todo o processo de desenvolvimento, incluindo na capacidade de
aprender, de se comunicar e desenvolver todo o seu potencial cognitivo.
 É fato indiscutível que não há desenvolvimento da comunicação de forma efetiva sem atenção. O
desenvolvimento da linguagem na criança está intimamente relacionado com o desenvolvimento motor global, a
integridade das vias auditivas e neurológicas, a integração sensorial dos sistemas auditivo e visual e o
desenvolvimento cognitivo.
 A fonoaudiologia tem muito a oferecer ao campo educacional, uma vez que pode colaborar no processo de
ensino e aprendizagem.
 O sucesso na leitura e escrita depende do bom desempenho no processo de sua aquisição e processamento.

(Brandão et al., 2016; Santos, 2018)


QUAL É A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NO CAMPO DA
FONOAUDIOLOGIA?
 A memória operacional: um sistema de armazenamento com capacidade limitada, que mantém e processa informações verbais
e visuoespaciais (não verbais), com o objetivo de dar apoio aos processos cognitivos, promovendo uma interface entre a
percepção, memória a longo prazo e ação. Envolve a retenção da informação na mente, por um curto período de tempo, para
poder manipulá-la, usá-la ou trabalhar com ela em prol da solução de algum problema.
 Retém a informação enquanto fazemos alguma coisa, porque essa informação vai se conectar com outras informações provenientes da
tarefa. É como se ajudasse a conectar peças diferentes de um texto ao conhecimento prévio que pode ser imediato ou proveniente da
memória a longo prazo. Sendo assim, a memória de trabalho também é essencial durante leitura, porque para construir um contexto
coerente, que dê sentido ao texto, precisamos conservar detalhes.
 Consciência fonológica: competência que está diretamente relacionada ao sucesso na aquisição da linguagem escrita e pode
ser definida como um sistema de segmentação fonológica das unidades integrantes da fala, ou seja, é a percepção dos sons que
constituem as palavras que ouvimos e falamos. Esta habilidade nos permite identificar sílabas, rimas e fonemas, que podem ser
trabalhados para composição de novas palavras.

(Brandão et al., 2016; Medina et al., 2018; Santos, 2018)


QUAL É A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NO CAMPO DA
FONOAUDIOLOGIA?

 As dificuldades podem afetam o processo de decodificação, a compreensão leitora, a estruturação de textos e


consequentemente a ortografia.
 Hoje já se sabe que um grande número de transtornos que antes eram considerados puramente linguísticos ou
de fala, como a gagueira, por exemplo, envolvem déficits de atenção, processamento auditivo e memória
operacional.

(Brandão et al., 2016; Santos, 2018)


AS FUNÇÕES EXECUTIVAS E SUAS ALTERAÇÕES NO
COTIDIANO
 Um dos possíveis motivadores para a atenção que tem sido dada ao tema funções executivas na literatura de
forma geral, sobretudo na última década, é o acúmulo de evidências acerca da relevância destas habilidades para
desfechos diversos ao longo do ciclo vital, da aprendizagem escolar, à manutenção de um emprego ou de um
relacionamento.
 Déficits: dificuldades no controle de impulsos e na regulação da expressividade emocional, rigidez cognitiva,
desorganização, baixa persistência em tarefas e mesmo prejuízos no julgamento e na tomada de decisão.

Nos diferentes estágios do ciclo vital, alterações executivas podem ter


impactos diversos na aprendizagem, comportamento, aspectos
emocionais, interações e, de forma geral, no funcionamento do
indivíduo.
(Dias & Malloy-Diniz, 2020)
IMPORTANTE!!

 A disfunção executiva costuma ser abordada em concorrência com quadros clínicos que podem, inclusive,
explica-la. No entanto, essa não é condição sine qua non à constatação de um déficit executivo.
 Um individuo pode apresentar forte prejuízo funcional em razão de sua desorganização, falta de
planejamento e dificuldade no manejo de emoções sem, necessariamente, ter uma alteração
neuropsiquiátrica ou do neurodesenvolvimento.

(Dias & Malloy-Diniz, 2020)


AVALIANDO AS FUNÇÕES EXECUTIVAS COM DIFERENTES
TIPOS DE MEDIDA
 O construto tem sido definido de diversas maneiras, com áreas de convergência e divergência entre teorias e
pesquisadores.
 Quando um clínico que recebe um paciente com uma queixa de disfunção executiva, uma primeira questão que
surge é: “o que (quais habilidades) devo avaliar?”

MEDIDAS DIRETAS X MEDIDAS INDIRETAS

(Dias & Malloy-Diniz, 2020)


TESTES DE DESEMPENHO

 As medidas diretas, ou testes de desempenho, são aquelas que avaliam módulos cognitivos em situações
artificiais para que os mesmos se tornem mais facilmente dissociados de outros aspectos da cognição.
 Esse recurso tem a vantagem de apresentar a possibilidade de avaliação de um módulo cognitivo relativamente isolado de
outras influências. No entanto, pode refletir um estado, e não um traço permanente.
 Em geral, são “situações-problema” artificialmente criadas, com demandas específicas (a depender da habilidade que se
pretende avaliar), para que o sujeito atue tentando solucioná-las. O sucesso ou fracasso (acertos e erros), o tempo de
resposta e mesmo a análise de estratégias utilizadas podem ser tomados para consideração e interpretação do
desempenho.

 Exemplos incluem: Teste Wiscosin de Classificação de Cartas, Teste de Trilhas, Teste de Stroop, Tarefas de
Fluência Verbal, Teste da Figura Complexa de Rey, tarefas de span de dígitos, entre muitos outros.

(Dias & Malloy-Diniz, 2020)


MEDIDAS INDIRETAS (RELATO)
 As medidas indiretas no formato de escalas, questionários e inventários funcionais fornecem informações sobre como o indivíduo é
na maioria das vezes em situações do dia a dia.
 São menos influenciadas por estados e refletem traços com mais propriedades. No entanto, refletem a crença de alguém no momento de
avaliação de cada um dos itens sendo influenciada por questões como desejabilidade social, desejabilidade nosológica (Quando o paciente quer
ter um determinado transtorno), compreensão dos itens da escala, capacidade de autorreflexão, entre outras.
 As escalas possibilitam capturar aspectos mais globais do comportamento executivo em comparação aos testes de desempenho; isso inclusive
explicaria por que as relações entre esses diferentes tipos de medida em geral tendem a ser de baixas a moderadas. Pode ser o caso em que os
diferentes tipos de medida tenham alvo diversos níveis de análise.

 Alguns exemplos de medidas funcionais são: Escala de avaliação de Disfunções executivas de Barkley (BDEFS), Behavior Rating
Inventory of executive function (BRIEF), Dysexecutive Questionnaire (DEX) (que integra a bateria Behavioral Assessment of the
Dysexecutive Syndrome – DADS), Childhood Executive Functioning Inventory (CHEXI; www. Chexi.se), entre outras.

Não se trata de qual tipo de medida usar, mas sim de consideração de que
(Dias & Malloy-Diniz, 2020)
escalas/medidas indiretas e testes de desempenho seriam COMPLEMENTARES.
TAREFAS ECOLÓGICAS
 Problemas associados à avaliação das funções executivas por meio de testes de desempenho, especialmente a
constatação de baixa precisão e pobre poder preditivo em relação ao funcionamento no “mundo real”, impulsionaram o
desenvolvimento de pesquisas na busca por desenvolver instrumentos mais sensíveis e com maior validade ecológica.
 Tarefas ecológicas: combinam, em certa medida, aspectos dos testes de desempenho (como os procedimentos
sistemáticos de aplicação e correção) e das medidas indiretas (ao buscar acessar comportamentos do “mundo real”), por
meio da simulação de situações cotidianas e de demandas cognitivas.
 Multiple Errands Test – MET (Teste das Tarefas Múltiplas): em que o paciente é solicitado a realizar uma série de tarefas simples,
como dirigir-se a um local indicado e comprar determinados itens.
 Hotel Task (Tarefa do Hotel): que simula a realização de um conjunto de tarefas típicas do gerenciamento de um hotel, como revisar
novo folheto do hotel ou organizar as contas dos hóspedes. São cinco tarefas e o paciente é solicitado a alternar entre elas, tentando
realiza-las tanto quanto possível. A Tarefa do Hotel foi recentemente adaptada e disponibilizada no Brasil.

(Dias & Malloy-Diniz, 2020)


SUMÁRIO DE INSTRUMENTOS DISPONÍVEIS NO CONTEXTO NACIONAL
PARA AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS

(Dias & Malloy-Diniz, 2020)


INSTRUMENTOS
Neste volume é apresentado um conjunto de tarefas para
avaliação neuropsicológica de componentes da linguagem oral, da
linguagem escrita e das funções executivas, de forma combinada,
que podem auxiliar o processo de avaliação da cognição e da
comunicação de crianças com 6 a 12 anos de idade, como parte de
baterias flexíveis desenvolvidas caso a caso pelo examinador
responsável.

O objetivo da obra é a apresentação, na íntegra, da padronização


para aplicação, pontuação e interpretação clínica e das normas de
desempenho nas tarefas de:

– Fluência Verbal – FV
– Análise das Estratégias de Evocação da Fluência Verbal
– Geração Aleatória de Números – GAN
– Teste Hayling
(Fonseca et al., 2016) – Discurso Narrativo Oral – DNOI
– Discurso Narrativo Escrito – DNEI
https://memnon.com.br/produto/tarefas-para-avaliacao-neuropsicologica-1-avaliacao-de-linguagem-e-funcoes-executivas-em-criancas/
TESTE DE HAYLING
 Descrição: O teste de Hayling é uma tarefa de completar sentenças dividida em duas partes. A parte A se relacionam
mais com processos automáticos de atenção e linguagem, enquanto as medidas da Parte B se relacionam a processos
executivos de inibição e flexibilidade cognitiva. As medidas de tempo oferecem análises baseadas na velocidade de
processamento.
 A Parte A requer que o examinando complete a frase, de forma rápida, com uma palavra coerente ao seu contexto
sintático (relações de concordância, de subordinação e de ordem) e semântico (significado pertencente ao contexto).
Desse modo, por exemplo, a frase “ O bebê chorava no ...” pode ser completada com a palavra “colo” ou “berço”, mas
não poderia ser terminada com a palavra “braços”, pois, apesar de ser um lugar pertinente ao choro de um bebê, a
frase indica que a próxima palavra deve estar no singular e ser do gênero masculino. A Parte B requer que o
examinando complete a frase de forma rápida, com uma palavra que não esteja relacionada ao seu contexto sintático
e semântico. Desse modo, a frase “O repórter falou na...” pode ser terminada com “abacaxi” ou “estante”, mas não
pode ser terminada com “televisão” ou “chuva”. O tempo de aplicação é de cerca de 15 minutos. A aplicação,
correção/interpretação e os dados normativos estão descritas no manual.

(Miotto et al., 2018)


FLUÊNCIA VERBAL

 As tarefas de Fluência Verbal requerem apenas folha de anotação, caneta e temporizador para uso do
examinador, que deve anotar a produção oral do examinando. Essa tarefa requer a memória operacional,
automonitoramento, inibição e flexibilidade cognitiva. Para a Fluência Verbal Livre, é solicitado a produção oral
do máximo de palavras no tempo de 150 segundos, à exceção de nomes próprios, números e derivações. Para a
Fluência Verbal Letras, é solicitada a produção oral do máximo de palavras que iniciem com a letra solicitada em
tempo determinado. Em geral, adotam-se 60 segundos. Para a Fluência Verbal Semântica, é solicitada a
produção oral do máximo de palavras que pertencem a determinada categoria semântica (por exemplo, animais,
frutas e roupas) no tempo-limite de 60 segundos. Para a Fluência Verbal Alternada, é solicitada a produção oral
de sequencia de palavras que se alternem entre duas categorias semânticas predeterminadas ao longo de 60
segundos (por exemplo, animais-frutas: cavalo-morango, vaca-abacate, cachorro-uva).

(Miotto et al., 2018)


CUBOS DE CORSI

Cubos de Corsi é um instrumento que avalia o alcance


da memória de curto prazo utilizando a alça
visuoespacial. O teste consiste de uma base quadrada
com nove blocos idênticos. O probando é instruído a
repetir uma sequência de movimentos realizada pelo
examinador, tocando os cubos. O escore total é
calculado multiplicando o número de acertos obtidos
pelo valor máximo da sequência atingida. Esta tarefa
possui duas partes, Ordem Direta (OD) e Ordem
Indireta (OI).

Cubos de Corsi
(Miotto et al., 2018)

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/41ivZaIfMXS._AC_.jpg
TESTE DE TRILHAS
 O Teste de Trilhas possui duas partes: A e B. A Parte A
avalia a capacidade de busca visual, sendo empregada, de
modo geral, como controle ou linha de base para
interpretação do desempenho na Parte B. Assim, a Parte A
possui duas folhas. Em uma delas, são apresentadas 12
letras (de A a M), dispostas aleatoriamente, as quais devem
ser ligadas de acordo com a ordem alfabética. Na folha
seguinte são apresentados 12 números (de 1 a 12),
também dispostos aleatoriamente, sendo a tarefa liga-los
em ordem crescente. A parte B busca avaliar as habilidades
de atenção, velocidade e, especialmente flexibilidade
cognitiva. Nessa parte são apresentados letras e números
aleatoriamente em uma mesma folha. Há 24 itens, sendo
12 letras e 12 números, e a tarefa do indivíduo é ligar os
itens, seguindo, alternadamente, as sequencias alfabéticas Teste de Trilhas
e numérica. Para cada folha há limite de tempo de um
minuto para a execução da tarefa.
(Miotto et al., 2018)
https://memnon.com.br/wp-content/uploads/2016/01/atencoes-e-funcoes-executivas-PRD.png
https://www.youtube.com/watch?v=B-MEJ9Yw8Ag
ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DISFUNÇÕES EXECUTIVAS DE
BARKLEY – BDEFS
A BDEFS é uma escala de autorrelato, com sub escores para cinco domínios: (a)
Gerenciamento do tempo (por exemplo, “tenho problemas em completar uma
atividade antes de começar uma nova”); (b) Organização e resolução de problemas
(por exemplo, “não consigo focar minha atenção em tarefas ou no trabalho tão bem
quanto os outros”); (c) Autocontrole e inibição (por exemplo, “tenho dificuldade para
seguir as regras em uma situação”); (d) Automotivação (por exemplo, “os outros me
dizem que sou preguiçoso ou desmotivado”); e (e) Regulação emocional (por exemplo,
“permaneço emotivo ou chateado por mais tempo que os outros”).

A apresentação da BDEFS ocorre tanto na forma curta quanto na forma longa na


adaptação brasileira. A forma curta, composta por 20 itens, propõe oferecer uma
descrição breve (rastreio) acerca da probabilidade de um indivíduo exibir déficits nas
funções executivas em relação às atividades da vida cotidiana. Em contrapartida, a
forma longa, com 89 itens, propicia a investigação de comprometimentos clinicamente
Escala de Avaliação de Disfunções mais evidentes, a partir da análise dos domínios de funções executivas.
Executivas de Barkley – BDEFS
(Godoy, Mattos, & Malloy-Diniz, 2018)
REFERÊNCIAS

• Brandão, L., Fonseca, R.P., Ortiz, K.Z., Azambuja, D., Salles, J. F., Navas, A. L., Carthery-Goulart, M. T., Freitas, M. I. Á., Pagliarin, K. C., Fontoura, D. R.,
Marin, S. M. C., Bianchini, E. M. G., Zorzi, J. L., Queiroga, B. A. M., Moura, M. C., Mansur, L. L., & Parente, M. A.M. (2016). Neuropsicologia como
especialidade na Fonoaudiologia: Consenso de Fonoaudiólogos Brasileiros. Distúrbios da Comunicação, 28, 378-387.
 Dias, N. M., & Malloy-Diniz, L. F. (2020). Funções Executivas: Modelos e Aplicações. São Paulo: Pearson Clinical Brasil.
 Fonseca, R. P., Prando, M. L., & Zimmermannm N. (2016). Tarefas para Avaliação Neuropsicológica: Avaliação de linguagem e funções executivas em
crianças (Vol. 1). São Paulo: Memnon.
 Godoy, V. P., Mattos, P., & Malloy-Diniz, L. F. (2015). Brazilian Portugueses transcultural adaptation of Barkley Deficits in Executive Functioning Scale
(BDEFS). Arch. Clin. Psychiatry, 42(6), 147-152. https://doi.org/10.1590/0101-60830000000065
 Medina, G. B. K., Souza, F. F., & Guimarães, S. R. K. (2018). Funções executivas e leitura em crianças brasileiras com dislexia do desenvolvimento.
Revista Psicopedagogia, 35(107), 168-179. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862018000200005&lng=pt&tlng=pt.
 Miotto, E. C., Campanholo, K. R., Serrao, V. T, & Trevisan, B. T. (2018). Manual de avaliação neuropsicológica: a prática da testagem cognitiva (Vol. 1).
São Paulo: Memnon.
 Santos, P. (2018). Funções executivas e habilidades fonológicas em leitura e escrita de escolares do ensino fundamental I. Pesquisa e Prática em
Educação Inclusiva, 1 (2), 1-14. https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/educacaoInclusiva/article/view/4172/4157

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