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CONTRATOS

ADMINISTRATIVOS
PROF.ª NATASHA DONADON
INTRODUÇÃO

🗣Diferença entre atos administrativos e contratos administrativos;


• atos: manifestação unilateral de vontade
• contratos: acordos de vontade – bilaterais

🗣 Competência para legislar: art. 22, XXVII, CF


• lei 8.666/93 – art. 54 a 80

🗣 Conceito:

• Ajuste entre a administração pública, atuando na qualidade de poder público, e particulares, sob a
regência predominante do direito público;

• Principal característica: existência de prerrogativas em face do particular contratado.


🗣 Contratos de direito privado da Administração: contratos celebrados pela adm
regidos predominantemente pelo direito privado;

• celebrados por toda a adm – não são próprios das PJ de direito privado;
• exemplos: contratos de locação, compra e venda

Art. 62 - Lei 8.666/93


§ 3o  Aplica-se o disposto nos arts. 55 e 58 a 61 desta Lei e demais normas gerais,
no que couber:
I - aos contratos de seguro, de financiamento, de locação em que o Poder Público
seja locatário, e aos demais cujo conteúdo seja regido, predominantemente, por
norma de direito privado;

#OBS1: devem estar expressamente estipuladas no instrumento;


#OBS2: respeitar a ressalva “no que couber” – o uso não é livre pela adm.
🗣 Objeto e Características:

• Objeto: qualquer bem, direito ou serviço que seja do interesse da adm;


• obras, compras, fornecimentos, locações, alienações, serviços, concessões;

• Característica geral: prerrogativas de direito público


• aplicação subsidiária das normas de d. privado (art. 54)
Formalismo: devem ser formais e escritos;

• deve mencionar:
✅ nomes das partes / representantes;
✅ finalidade;
✅ ato que autorizou a celebração;
✅ número processo licitação;
✅ sujeição à Lei 8.666/93 e cláusulas contratuais.

#OBS: publicação na imprensa oficial como condição de eficácia.

• #OBS2:
Art. 63. É permitido a qualquer licitante o conhecimento dos termos do contrato e do
respectivo processo licitatório e, a qualquer interessado, a obtenção de cópia
autenticada, mediante o pagamento dos emolumentos devidos.
🗣 Contratos verbais:

Art. 60
Parágrafo único.  É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a
Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite
estabelecido no art. 23, inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime de
adiantamento. (R$ 8.800,00)

#OBS: situações emergenciais que demandam início imediato da execução.

#OBS: RE nº 1.111.083-GO
Contrato de adesão:

• Uma das partes propõe as cláusulas e a outra não pode propor alterações;

• Autonomia da vontade é limitada à aceitação ou não;

• Art. 55 – cláusulas obrigatórias;

• Minuta de contrato sempre anexa ao edital da licitação.


Pessoalidade:

• A execução deve ser feita pela mesma pessoa que se obrigou perante a Adm;

• A fase de habilitação faz parte da seleção da proposta;


• qualificação técnica, econômico-financeira, regularidade fiscal/trabalhista.

• Contratado não tem liberdade para subcontratação (art. 72);

Art. 78.  Constituem motivos para rescisão do contrato:


VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado
com outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou
incorporação, não admitidas no edital e no contrato;
X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado.
• Art. 72. O contratado, na execução do contrato, sem prejuízo das responsabilidades
contratuais e legais, poderá subcontratar partes da obra, serviço ou fornecimento, até
o limite admitido, em cada caso, pela Administração.

• Vedação absoluta à subcontratação:

Art. 13.  Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos profissionais


especializados os trabalhos relativos a:
[...]
 3o A empresa de prestação de serviços técnicos especializados que apresente relação de
integrantes de seu corpo técnico em procedimento licitatório ou como elemento de
justificação de dispensa ou inexigibilidade de licitação, ficará obrigada a garantir que
os referidos integrantes realizem pessoal e diretamente os serviços objeto do contrato.
🗣 Prerrogativas da Administração (Cláusulas Exorbitantes):

• Extrapolam as cláusulas comuns do direito privado;

• Previsão na Lei 8.666/93: art. 58;

Art. 58.  O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à
Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público,
respeitados os direitos do contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta Lei; 
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços
vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração administrativa
de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.
 Alteração unilateral do contrato:

• Melhor adequação às finalidades de interesse público;

• Relativização ao pacta sunt servanda.

Art. 65.  Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos: 
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação
técnica aos seus objetivos; 
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei.
#OBS: A adequação se faz necessária quando há descoberta de circunstâncias desconhecidas na execução da
prestação ou a solução técnica atual não é mais adequada – eventos supervenientes;

#OBS: Mais suscetível em contratos de longo prazo ou de grande especialização.

#Exemplos: nova descoberta científica, falha geológica do terreno que impede a implantação da obra como
prevista.

ACOMPANHAMENTO. OBRA DE DUPLICAÇÃO DA BR-101/SC - LOTE 23. ACRÉSCIMOS


EXCESSIVOS NO QUANTITATIVO DO SERVIÇO DE REMOÇÃO DE SOLOS MOLES.
DEFICIÊNCIA DO PROJETO EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. SANEAMENTO
DOS DEMAIS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE. ACOLHIMENTO DE RAZÕES DE
JUSTIFICATIVA. DETERMINAÇÃO. ARQUIVAMENTO. Não mais se admite a alteração de contrato
para inclusão de serviço de remoção de bolsões de solos moles dos terrenos de fundações de rodovias e
outras obras públicas, por não se mostrar factível que a existência desses bolsões já não tenha sida detectada
antes da elaboração do projeto da obra, podendo esta Corte, em casos em que constatem ocorrências dessa
natureza, determinar a realização de procedimento licitatório em separado, sem prejuízo da apenação dos
responsáveis e projetistas que, de uma forma ou de outra, vierem a dar causa a esse tipo de irregularidade.
§ 1o  O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os
acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e
cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma
de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinquenta por cento) para os seus
acréscimos.

§ 2o  Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no parágrafo


anterior, salvo:     

II - as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes.  


#OBS: A alteração unilateral abrange somente as cláusulas regulamentares (serviço e
execução);

#OBS2: Não podem ser modificadas unilateralmente as cláusulas econômico-financeiras.

Rescisão unilateral do contrato:

• Extinção do contrato antes do prazo;

• Motivos: art. 78.


Fiscalização da execução do contrato:

• Controle e fiscalização da execução do contrato adm;


• Dispensa cláusula expressa;

Art. 67.  A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um


representante da Administração especialmente designado, permitida a contratação de
terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição.
10. Em tese, o art. 67 da Lei nº 8.666/1993 faculta, mas não obriga o Dnit a contratar empresa
especializada para a supervisão das obras albergadas pelos ajustes UT-06-0017/02-00 e UT-
06-0025/02-00. Assim, a contratante pode valer-se da fiscalização realizada por engenheiro
residente da própria autarquia federal. Embora a fiscalização direta das obras rodoviárias
pelo corpo técnico do próprio Dnit seja, na prática, inviável, dada a carência de pessoal e a
grande extensão da malha rodoviária, não se pode sancionar o gestor público por essa
escolha, sobretudo porque a lei e o contrato não exigem a contratação dos serviços de
supervisão das obras.
11. Por outro lado, o Dnit incorre em elevado risco de ocorrerem inadequações na execução
das obras de construção rodoviária, exatamente pelas deficiências estruturais vivenciadas pela
autarquia para realizar, a contento, a fiscalização direta dos seus empreendimentos. Aliás, foi
justamente por conta desse quadro e da presença de indícios de irregularidade na execução
dos contratos em análise, que o Relator, com a aquiescência do Tribunal, condicionou a
retomada das obras de construção rodoviária, dentre outros fatores, à prévia contratação de
empresa supervisora.
(Acórdão 2651/2010, Plenário, rel. Min. Walton Alencar Rodrigues)
§ 1o  O representante da Administração anotará em registro próprio todas as
ocorrências relacionadas com a execução do contrato, determinando o que for
necessário à regularização das faltas ou defeitos observados.
§ 2o  As decisões e providências que ultrapassarem a competência do representante
deverão ser solicitadas a seus superiores em tempo hábil para a adoção das medidas
convenientes.

Art. 68.  O contratado deverá manter preposto, aceito pela Administração, no local da


obra ou serviço, para representá-lo na execução do contrato.

#OBS: a fiscalização não exclui ou reduz a responsabilidade do contratado.

Art. 70.  O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração


ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo
ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão
interessado.
 Aplicação direta de sanções:

• Dependem do contraditório e ampla defesa;

a) multa de mora, por atraso na execução do contrato (art. 86);


b) advertência (art. 87, I);
c) multa, por inexecução total ou parcial do contrato (art. 87, II);
d) suspensão temporária da possibilidade de participação em licitação e
impedimento de contratar com a administração, por prazo não superior a dois
anos (art. 87, III);
e) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública
(art. 87, IV).
ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA PENA DE INIDONEIDADE PARA
LICITAR E CONTRATAR COM O PODER PÚBLICO. Na forma do art. 44
da Lei nº 9.784, de 1999, encerrada a instrução, o interessado terá o direito de
manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for
legalmente fixado. Espécie em que a pena de inidoneidade para licitar e
contratar com o Poder Público foi aplicada sem que a empresa apenada
tivesse a oportunidade de articular as alegações finais. Ordem concedida,
anulando-se a decisão, facultado à autoridade impetrada retomar o curso do
processo com a intimação da impetrante para a apresentação das alegações
finais - prejudicado o agravo regimental.
(STJ - MS: 20703 DF 2013/0419973-5, Relator: Ministro ARI
PARGENDLER, Data de Julgamento: 13/08/2014, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO,
Data de Publicação: DJe 21/08/2014)
#OBS: A adm deve facultar ao particular a apresentação de defesa prévia no prazo
de cinco dias úteis;

#OBS2: A multa de mora e de inexecução podem ser aplicadas cumulativamente


entre si e com as demais sanções.

Art. 87
§ 2o  As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo poderão ser aplicadas
juntamente com a do inciso II, facultada a defesa prévia do interessado, no
respectivo processo, no prazo de 5 (cinco) dias úteis.
#OBS3: as multas podem ser descontadas da garantia prestada pelo contratado;

Art. 86
§ 2o  A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da
garantia do respectivo contratado.
§ 3o  Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda
desta, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos
pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso,
cobrada judicialmente.

#OBS4: Caso seja necessário a multa ou parcela remanescente será cobrada


judicialmente.
• ✔️Advertência:

• Sanção de menor gravidade;

• Aplicada em razão de inexecuções parciais de deveres leves;

• Pode ser cumulada com a multa, mas não com as demais espécies sancionatórias em
razão de sua natureza;

• Efeitos:
1º: submissão do particular a uma fiscalização mais atenta – acompanhamento mais
minucioso da atividade;

2º: cientificação de que, em caso de reincidência, o particular sofrerá uma punição mais
severa
✔️Atraso na execução e multa:

• Em razão da demora injustificada na execução contratual a multa é a primeira


sanção a ser cogitada;

• É impossível previsão de multa no instrumento contratual, caso não cominada no


instrumento convocatório;

• O contrato deve especificar as condições de aplicação da multa. Não se admite


discricionariedade na aplicação de penalidades.
Existência de motivo justificado:

• Se há motivo justificado para o atraso, o particular não poderá ser punido;

• Por esse motivo é relevante se realizar o processo administrativo;

• Vide Acórdão 257/2010 Plenário.


✔️Suspensão temporária:

• Sanção impeditiva do direito de participar em licitação ou contratar com a


Administração;

• Tem gravidade suficiente para impedir o sancionado de participar de licitações ou


contratos perante a generalidade do Poder Público?

✔️Declaração de inidoneidade:

• Consiste em sanção proibitiva da participação em licitação ou contratação em


qualquer órgão ou entidade da Adm pública
⚠️Controvérsias sobre as sanções dos incs. III e IV do art. 87:

• É evidente a intenção legislativa em diferenciar a suspensão temporária e a


inidoneidade, porém existem algumas peculiaridades a serem enfrentadas.

💡Pesquisem e debateremos na próxima aula:

• Qual é a diferença entre as sanções do inc. III e IV do art. 87?;


• Qual o âmbito (circunscrição) de aplicação delas?.
⚠️Controvérsias sobre as sanções dos incs. III e IV do art. 87:

• É evidente a intenção legislativa em diferenciar a suspensão temporária


e a inidoneidade, porém existem algumas peculiaridades a serem
enfrentadas.

💡Laconismo legal:

• Ausência de diferenciação entre as duas sanções;

• Competência discricionária para pronunciar um ato ilícito e escolher a


sanção cabível.
#IMPORTANTE:

• Não há dúvidas que a declaração de inidoneidade acarreta um


impedimento generalizado à participação da licitação;

• Esse sujeito é reputado como destituído dos requisitos de confiabilidade


para estabelecer relacionamento contratual com a Adm;

• Quanto a suspensão temporária reside uma enorme controvérsia.

• Qual a amplitude de seu impedimento?


• É evidente a intenção legislativa de instituir duas figuras distintas de sanção;

• Buscaremos demonstrar essa distinção.

💡Distinção fundada no prazo:

• A suspensão é aplicada com prazo determinado;

• A declaração de inidoneidade vigora enquanto perdurarem os efeitos da


infração, cabendo sua extinção através da reabilitação;

• As sanções compreendem prazos diversos porque são destinadas a punir


infrações de gravidade distinta.
💡Distinção fundada na interpretação literal:

• O legislador desejou limitar a amplitude da penalidade do inciso III, em


razão da utilização do vocábulo Administração;

• Note-se, que em seguida, no inciso IV, o legislador recorreu à expressão


Administração Pública para delimitar o âmbito dos efeitos da declaração
de inidoneidade;

• Essa aparente diferenciação seria confirmada, no entendimento dos


defensores dessa hipótese, através da leitura das definições positivadas
nos incisos XI e XII do artigo 6º:
“Art. 6o Para os fins desta Lei, considera-se:

XI- Administração Pública – a administração direta e indireta da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, abrangendo
inclusive as entidades com personalidade jurídica de direito privado
sob controle do poder público e das fundações por ele instituídas ou
mantidas;

XII- Administração – órgão, entidade ou unidade administrativa pela


qual a Administração Pública opera e atua concretamente;”

#OBS: Não cabe ao intérprete da lei ampliar a aplicação da sanção.


Pois, este, estaria indo de encontro ao pensamento do legislador.
#Crítica de Marçal Justen Filho:

• Menos grave: se o agente apresenta desvios de condutas que o inabilitam para


contratar com um determinado sujeito adm, os efeitos dessa ilicitude teriam de se
estender a toda a Adm Pública (infrator não é merecedor de confiança);

• Mais grave: a possibilidade de escolha da sanção por parte da autoridade


sancionadora;

• Um mesmo evento poderia propiciar a imposição da suspensão e da decl. de


inidoneidade;

• Essa margem de autonomia é incompatível com o regime punitivo.


💡A distinção em face do grau de gravidade:

• Necessidade de diferenciar os ilícitos segundo uma ordem de gravidade.

• Exigência de proporcionalidade:

• Algumas infrações são altamente nocivas e insuportáveis;

• Em outros casos, a infração não gera consequências danosas com extensão mais
ampla ou não traduzem um intento reprovável tão intenso;

• O sancionamento deve ser adequado à dimensão reprovável da ilicitude.


• Ao ponto que reafirmamos a distinção na abrangência das duas
sanções, os efeitos e resultados práticos são mais coesos;

#Exemplo: suponha-se que, na execução de um contrato, o particular


atue com negligência, o que conduz a seu inadimplemento.

• Imagine-se que, em outro caso, o contratado atue de modo


premeditado para produzir lesão à Adm.

• No primeiro caso pune-se com a suspensão, e no segundo com a


declaração de inidoneidade
💡Orientação jurisprudencial:

• A jurisprudência reflete a incerteza e indeterminação normativa


relativamente às figuras examinadas;

• Existe um distanciamento de posições entre o STJ e TCU:

• O Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem por obrigação zelar pelas


leis infraconstitucionais por meio da uniformização da interpretação
das leis federais;
• No ano de 2001, a ministra do STJ, Laurita Vaz, atuando no
julgamento do RMS nº 9.707-PR, decidiu que a Administração Pública
possui uma única natureza executiva, tendo atribuições delegadas e
descentralizadas com o intuito de melhor atingir o interesse público
nos mais variados locais do território nacional. Iniciou, assim, o
entendimento do Superior tribunal de Justiça de que a administração
pública é uma só.

• No ano de 2003, a Segunda Turma do STJ, através do julgamento do


Recurso Especial nº 151.567/RJ, indicou que não havia distinção, para
o poder judiciário, entre a conceituação de Administração e de
Administração Pública. Conforme o trecho a seguir:
ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – LICITAÇÃO –
SUSPENSÃO TEMPORÁRIA – DISTINÇÃO ENTRE
ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – INEXISTÊNCIA
– IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DE LICITAÇÃO PÚBLICA
– LEGALIDADE – LEI 8.666/93, ART. 87, INC. III. É irrelevante a
distinção entre os termos Administração Pública e Administração, por
isso que ambas as figuras (suspensão temporária de participar em
licitação (inc. III) e declaração de inidoneidade (inc. IV) acarretam ao
licitante a não-participação em licitações e contratações futuras.
A Administração Pública é una, sendo descentralizadas as suas
funções, para melhor atender ao bem comum. A limitação dos efeitos
da “suspensão de participação de licitação” não pode ficar restrita a
um órgão do poder público, pois os efeitos do desvio de conduta que
inabilita o sujeito para contratar com a Administração se estendem a
qualquer órgão da Administração Pública.
• O Referido tribunal, no ano de 2004, posicionou-se a favor da extensão mais
ampla, a ser concedida para a suspensão temporária, conforme defende o
Ministro Castro Meira no Julgamento do Recurso Especial nº 174.274/SP:

• “O entendimento do Tribunal a quo, no sentido de que a suspensão imposta


por um órgão administrativo ou um ente federado não se estende aos
demais, não se harmoniza com o objetivo da Lei nº 8.666/93, de tornar o
processo licitatório transparente e evitar prejuízos e fraudes ao
erário, inclusive impondo sanções àqueles que adotarem comportamento
impróprio ao contrato firmado ou mesmo ao procedimento de escolha de
propostas. Há, portanto, que se interpretar os dispositivos legais estendendo a
força da punição a toda a Administração, e não restringindo as sanções aos
órgãos ou entes que as aplicarem. De outra maneira, permitir-se-ia que uma
empresa, que já se comportara de maneira inadequada, outrora pudesse
contratar novamente com a Administração durante o período em que
estivesse suspensa, tornando esta suspensão desprovida de sentido.”
• A AGU, através do Parecer nº 087/2011/DECOR/CGU/AGU, orientou
a Consultoria Jurídica de Pernambuco a utilizar-se do posicionamento
do STJ, afastando a participação dos particulares que foram punidos
com a suspensão temporária de todas as licitações e contratos da
Administração Pública. O advogado da união, responsável pelo referido
parecer, indicou que:

• “Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça em algumas oportunidades


já atestou o despropósito da distinção entre Administração Pública e
Administração constante dos incisos XI e XII do art. 6.º da Lei n.º
8.666/93. Desse modo, entendeu o referido Tribunal, que é o guardião
maior da legislação infraconstitucional no sistema jurídico pátrio,
pelo alcance amplo da suspensão temporária de licitar e contratar,
irradiando os seus efeitos a todos os órgãos da Administração
Pública.” 
(...)
9. A questão da dosimetria das penalidades administrativas levantada
por muitos como um argumento contrário à interpretação aqui defendida
não faz sentido, posto que a sanção prevista no inciso III do art. 87 da
Lei n.º 8.666/93 é imposta “por prazo não superior a 2 (dois) anos’, o
que permite uma gradação absolutamente diversa da declaração de
inidoneidade constante do inciso IV do art. 87 do referido diploma. O
administrador, a depender da gravidade da conduta da empresa
infratora, pode impor curtas e médias punições, por exemplo.
💡A orientação do TCU:

• Em seu âmbito, existiram alguns precedentes no sentido de que a


suspensão produziria efeitos amplos;

• No entanto, prevalece a orientação restritiva.

• Ver Acórdãos: 2242/2013, Plenário, rel. Min. José Múcio Monteiro;

• 2556/2013, Plenário, rel. Min. Augusto Sherman Cavalcanti;

• Decisão 36/2001, Plenário, rel. Min. Walton Alencar.


Ocupação Temporária:

• Serviços essenciais;

• Medida acautelatória – apuração de irregularidadees;


• ao final, poderá ou não haver a rescisão;

• Após a rescisão do contrato adm – continuidade do serviço público;


• assume o objeto e utiliza provisoriamente os recursos materiais e humanos do contratado.
Restrições à oposição da exceção do contrato não cumprido

• Direito privado: suspensão da execução pela parte prejudicada quando há


inadimplemento;

• Antes da Lei 8.666/93: impossibilidade em virtude da continuidade do serviço;

• Lei 8.666/93:
Art. 78
XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração
decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou
executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna
ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento
de suas obrigações até que seja normalizada a situação;
#OBS: não é oponível em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna
ou guerra;

#OBS2: Faculdade de escolha:

a) suspender a execução do contrato; ou


b) rescisão do contrato.

Art. 79
§ 2o  Quando a rescisão ocorrer com base nos incisos XII a XVII do artigo anterior, sem
que haja culpa do contratado, será este ressarcido dos prejuízos regularmente
comprovados que houver sofrido, tendo ainda direito a:
I - devolução de garantia;
II - pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da rescisão;
III - pagamento do custo da desmobilização.
#OBS: Os prejuízos devem ser comprovados;

#OBS2: “custo da desmobilização” – liberação de máquinas, equipamentos e liquidação do


passivo trabalhista;

#OBS3: Lucros cessantes devem ser indenizados?

#OBS4: Encerrado o contrato sem culpa do particular – devolução da garantia;


• se existir pendências a garantia poderá ser mantida.

#OBS5: nos contratos de concessão e permissão não é cabível a suspensão da execução;

#OBS6: Sendo o particular o inadimplente, a adm sempre pode opor a exceção do contrato
não cumprido.
Há que se esclarecer que a expectativa de direito ao recebimento dos valores contratados quando do
alcance do evento de “desmobilização ao final da obra” não se confunde com o direito ao eventual
ressarcimento de custos quando da interrupção precoce do contrato de obras públicas. Este último tem
caráter de indenização, e, portanto, está vinculado à comprovação da efetiva rescisão do contrato por
ato independente da vontade e culpa do contratado, bem como à apresentação dos documentos que
comprovem os efetivos custos incorridos na desmobilização. 
80. Nesse sentido, observo que em nenhum momento processual a empresa Delta apresentou evidências
de que os equipamentos listados em sua declaração estiveram presentes no canteiro de obras. Nem
mesmo uma única fotografia panorâmica da época da primeira e única medição (junho/2000) foi
carreada aos autos, desde o momento em que o TCE-RJ questionou o pagamento, em novembro/2001,
quando a PMIG ainda não havia rescindido o contrato (peça 32, p. 16).
Não se afigura razoável que a contratada desmobilizasse duas retroescavadeiras, duas escavadeiras
hidráulicas, pá mecânica e oito caminhões basculantes, todos equipamentos de grande porte que
supostamente ficaram apenas 13 dias corridos sem qualquer uso, sem ao menos documentar que tais
equipamentos estiveram no canteiro, a fim de receber pela desmobilização quando do provável
encontro de contas decorrente da rescisão.

Acórdão 1.800/2016, 1ª Câm., rel. Min. Benjamin Zymler.


Exigência de garantia:

• Instrumento adicional para eliminar riscos de insucesso;


• Facilitar o ressarcimento de prejuízos sofridos pela adm.

a) presunção de solvência – qualificação econômico-financeira;


• presume-se que possui condições de arcar com as responsabilidades.

vs.

b) dever de cautela – evita-se prejuízos ao patrimônio público;


c) Efeitos anticoncorrenciais da garantia:

I. possui condições de desempenhar suas prestações, mas não para a garantia;


• restrição da competitividade.

II. contratado engloba em seus custos o valor da garantia;


• elevação dos custos para a Adm.

d) Solução legislativa;
• discricionariedade da Adm;
• deve constar no ato convocatório;
• particular escolhe a modalidade de garantia.
💸 Caução (dinheiro ou títulos da dívida pública):

• Títulos:
• a cártula deve ser aceita;
• o título deve estar cadastrado nos sistemas do BACEN.

💸 Seguro-garantia:
• empresa seguradora compromete-se a completar às próprias custas o obj do contrato; ou
• pagar à Adm o valor necessário para tanto.

#OBS: instituição especializada, autorizada pelo governo.


💸 Fiança bancária:
• banco paga det. quantia à Adm em caso de inadimplemento.

• Limites:

• 5% - + atualizações;
• 10% - obras, serviços, fornecimentos de grande vulto – alta complexidade + riscos
financeiros.

#OBS: nos contratos de concessão precedido de obra pública é obrigatória a exigência de


garantia quanto a realização da obra (lei 8.987/95, art. 18, XV, e art. 23, p.ú, II);

#OBS2: nas PPP deverá ser exigida a prestação de garantia de até 10% (lei 11.079/04, art.
5º, VIII).
Prazo de duração e prorrogação dos contratos Adm

Art. 57.  A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à vigência dos
respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:

I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano
Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da Administração e desde
que isso tenha sido previsto no ato convocatório;

• condição inafastável para contratação em período superior ao prazo de vigência do crédito.

167, CF
§ 1º Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia
inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.
II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua
duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e
condições mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses; (renovação)

• necessidades públicas permanentes;


• prestações de modo reiterados e contínuos.

#Exemplos: contrato de locação, contrato de prestação de serv. de limpeza, serviços de


T.I., contratos de publicidade e propaganda.

#OBS: “serviços essenciais” porque se presume que sempre haverá inclusão de verbas
para sua remuneração no futuro.
IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a
duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após o início da
vigência do contrato;

• A adm pode não ter interesse na aquisição definitiva.

V - às hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24, cujos contratos
poderão ter vigência por até 120 (cento e vinte) meses, caso haja interesse da
administração.

IX - quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional, nos casos estabelecidos em


decreto do Presidente da República, ouvido o Conselho de Defesa Nacional; 

• desenvolvimento de serviços, tecnologias, produtos e obras que se prolonguem por maior tempo.
XIX - para as compras de material de uso pelas Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal
e administrativo, quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio
logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante parecer de comissão instituída por decreto;

• fabricação por encomenda – prazo de produção supera a vigência dos créditos orçamentários.

XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no País, que envolvam,
cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de comissão
especialmente designada pela autoridade máxima do órgão.  

#OBS: o prazo dos contratos de PPP não pode ser inferior a 5 anos, nem superior a 35
anos, incluindo eventual prorrogação (lei 11.079/04, art. 5º, I);

#OBS2: mesmo que a lei admita prorrogação, a decisão é discricionária.


§ 1o  Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega admitem
prorrogação, mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a manutenção de seu
equilíbrio econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos seguintes motivos, devidamente
autuados em processo:
I - alteração do projeto ou especificações, pela Administração;
II - superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que
altere fundamentalmente as condições de execução do contrato;
III - interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por ordem e no
interesse da Administração;
IV - aumento das quantidades inicialmente previstas no contrato, nos limites permitidos por esta
Lei;
V - impedimento de execução do contrato por fato ou ato de terceiro reconhecido pela
Administração em documento contemporâneo à sua ocorrência;
VI - omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, inclusive quanto aos
pagamentos previstos de que resulte, diretamente, impedimento ou retardamento na execução do
contrato, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis.
 Responsabilidade pela execução do contrato e respectivos encargos

Art. 69.  O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou


substituir, às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se
verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais
empregados.

Art. 70.  O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à


Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do
contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o
acompanhamento pelo órgão interessado.
❓Essa responsabilidade é subjetiva ou objetiva?

Art. 37
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.
⚠️Responsabilidade pelo “só fato da obra”:

• decorre da própria natureza da obra;


• motivos naturais em razão da localização, extensão ou duração;
• não há irregularidade na sua execução!

#Exemplo: obra de perfuração para ampliação de metrô, mesmo com todas precauções,
as explosões provocaram rachaduras (não há culpa).
⚠️Danos ocorridos por má execução (culpa):

• Quem está executando a obra?


a) Administração: art. 37, §6º;
b) Particular contratado (executor): art. 70, Lei 8.666/93.

Art. 70.  O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a


terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou
reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado. 
Recebimento do objeto do contrato:

• Art. 73 e art. 74, Lei 8.666/93

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