Você está na página 1de 9

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS


SOCIEDADE E AMBIENTE

Julyana Ketlen Silva Machado

SOCIOLOGIA AMBIENTAL: a formação


de uma perspectiva social.
John A. Hannigan
Cap. 5
Formulação dos riscos ambientais

⸙ Riscos “objetivamente determinados” (especialistas);


⸙ Avaliação do risco como atividade técnica (probabilidades);
⸙ Dietz e Rycroft (1987): “riscos profissionais” → novos métodos
análises de risco.
Risco e cultura

⸙ Mary Douglas e Aaron Wildavsky: Risk and Culture: an essay on the


selection of techonological and environmental dangers (1982).
• Por que razão as pessoas realçam alguns riscos e ignoram outros?
• Por que razão muitas pessoas na nossa sociedade escolheram a
poluição como uma fonte de preocupação?
⸙ Relações sociais em três padrões e a percepção de risco varia ao longo
destas três formas de organização social:
1. Individualista;
2. Hierárquico;
3. Igualitário (zona fronteiriça)
Grupo Igualitário Grupo Individualista Grupo Hierárquico

Crescimento econômico
descontrolado é reprovado; Preocupam-se com a Preocupam-se com as
Autoridade da ciência é subida/descida do mercado ameaças de lei e ordem
questionada e a fé ilimitada de ações; domésticas (ou equilíbrio);
na tecnologia é imponderada.
⸙ A seleção de riscos que o público dá atenção é menos baseada na profundidade das
provas científicas ou na forte possibilidade de perigo, do que na voz que predomina
na avaliação e processamento da informação sobre as questões de risco;
⸙ Douglas e Wildavsky (p. 186, 1982) – Percepção do risco são simulações coletivas;
⸙ As definições possuem significados diferentes a situações, acontecimentos, objetos e
especialmente relações;
⸙ “Exigência de que os ambientalistas se mobilizem em primeiro lugar por
solidariedade” (p.125);
⸙ Imagem negativa criada aos especialistas, “verdadeiros crentes”;
⸙ Objetivo: “Novas definições e soluções”;
⸙ Rubin (1994) rejeita o relativismo de Douglas e Wildavsky.
Perspectivas sociológicas sobre o risco

⸙ Análises do risco técnico constituem uma parte integral do processamento social do risco
(RENN, 1992). Sociólogos afirmam que o risco apesar de uma criação não se pode limitar
às percepções e formulações sociais; As correntes seguiram três 3 direções:
1. Preocupação em como as percepções do risco diferem ao longo de populações que se
deparam com diferentes oportunidades de vida e sobre a estruturação de oportunidades a partir
de diferenças de poder;
⸙ Riscos da saúde ambiental no local de trabalho sob perspectivas diferentes;
O autor crítica a ênfase dada sobre a forma como a localização social afeta a percepção do
risco, em vez de enfatizarem sobre a forma como este altera a probabilidade de se estar
exposto a condições perigosas.
2. Problema da percepção do risco tendo em consideração o contexto social em que as
preocupações humanas são formadas; Influência pessoal;
- Percepção primária - Percepção secundária.
Perspectivas sociológicas sobre o risco
3. Conceitualização dos componentes de sistemas organizacionais complexos de origem
tecnológica;
- Perrow (1984): “acidentes normais”
- Com os sistemas implantados, a capacidade humana de manipular o risco ela é limitada;
⸙ Renn (1992): classificação das análises sociológicas.
I. Individualista versus estrutural
- Problematiza se o risco pode ser explicado (ou não) pelas intenções individuais ou pelos
processos organizacionais;
II. Objetiva versus construcionista.
- Objetiva: Implicam que os riscos e suas manifestações sejam reais e os acontecimentos
observáveis;
- Construcionista: Defendem que os riscos são artefatos sociais fabricados pelos grupos
sociais ou instituições.
Definição social do risco
⸙ Hilgartner (1992)- a perspectiva construcionista deve inicialmente examinar a estrutura
conceitual das definições sociais de risco a partir de 3 elementos:
1. Objeto;
2. Prejuízo reconhecido;
3. Sistema articulado na formação da relação causal entre objeto e dano.

⸙ A fase inicial de construção do risco consiste no isolamento e estabelecimento dos objetos


alvos que constituem a fonte primária do risco;
⸙ Processo de definição de prejuízo: definições contestadas; alegações e contra alegações;
ideologia como causadora de conflito;
⸙ A base central da contestação passa a ser a presença ou ausência de prejuízos que é gerada
por um objeto de risco.
⸙ Ligações que dão origem a alguma forma de causalidade entre o objeto de risco e o
potencial prejuízo.

⸙ Hilgartner (1992): o risco pode ser atribuído a múltiplos objetos.


Definição social do risco
⸙ Uma das grandes questões levadas em consideração é o fato da extensão do risco poder
eventualmente não ser reconhecida até muitos anos depois;
- Múltiplos níveis de prova: científica jurídica e moral;
- O nível científico da prova pode ser subdividido em dois padrões:
1. Um padrão retirado da ciência pura em que a ação não é recomendada até que as
correlações atinjam o nível de 95% de confiança;
2. E um padrão utilizado pelas disciplinas médicas e, que a ação pode ser tomada antes da
importância ser atingida, se a prova apontar para um problema grave de saúde.
⸙ “As provas morais são muito facilmente elaboradas, mas dependem fortemente da
mobilização da opinião pública por forma a causar um impacto» A utilização de provas
morais permite a formação de atitudes ou opiniões sobre a questão do risco, mesmo se os
níveis das provas científicas ou legais indicarem um nível de incerteza ou ambiguidade.”
(p.132)