Você está na página 1de 58

CURSO DE

DIREITO EMPRESARIAL EM 10 DIAS


@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Conceito.

* Execução concursal do devedor empresário insolvente.

- Execução concursal:
Tratamento paritário dos credores (par condicio creditorum).

- Devedor empresário:
Regime jurídico especial, não aplicável a devedores civis.

- Insolvente:
Insolvência real/econômica x insolvência presumida/jurídica.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Objetivos da falência.

Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e
otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da
empresa.

Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a:


I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos,
inclusive os intangíveis, da empresa;*
II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à realocação eficiente de
recursos na economia; e**
III - fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do retorno célere do
empreendedor falido à atividade econômica.***
§ 2º A falência é mecanismo de preservação de benefícios econômicos e sociais decorrentes da
atividade empresarial, por meio da liquidação imediata do devedor e da rápida realocação útil de
ativos na economia.

* Preservação da empresa na falência?

** Falência é algo necessariamente ruim?

*** O que é o “fresh start” e como a reforma da LFRE tentou implementá-lo?

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Princípios da falência.

Art. 75 (...).
Parágrafo único. O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da
economia processual.
§ 1º O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia
processual, sem prejuízo do contraditório, da ampla defesa e dos demais
princípios previstos na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo
Civil).

Art. 79. Os processos de falência e os seus incidentes preferem a todos os outros


na ordem dos feitos, em qualquer instância.

Art. 189-A. Os processos disciplinados nesta Lei e os respectivos recursos, bem


como os processos, os procedimentos e a execução dos atos e das diligências
judiciais em que figure como parte empresário individual ou sociedade empresária
em regime de recuperação judicial ou extrajudicial ou de falência terão prioridade
sobre todos os atos judiciais, salvo o habeas corpus e as prioridades estabelecidas
em leis especiais.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Princípios da falência.

- Preservação da empresa
Art. 141, inciso II.

- Maximização dos ativos


Arts. 111, 113, 114, 139 e 140.

- Tratamento paritário dos credores


Arts. 129 e 130.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Legitimidade ativa.

Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:


I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo
da sociedade;
IV – qualquer credor.
§ 1º O credor empresário apresentará certidão do Registro Público de
Empresas que comprove a regularidade de suas atividades.
§ 2º O credor que não tiver domicílio no Brasil deverá prestar caução relativa
às custas e ao pagamento da indenização de que trata o art. 101 desta Lei.

* Fazenda Pública?

Enunciado 56 das Jornadas de Direito Comercial: “A Fazenda Pública não possui


legitimidade ou interesse de agir para requerer a falência do devedor empresário”.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Legitimidade passiva.

Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a


recuperação extrajudicial e a falência do empresário e
da sociedade empresária, doravante referidos
simplesmente como devedor.

* Hoje, existe uma forte discussão sobre a


aplicabilidade da Lei 11.101/2005 a todo e qualquer
agente econômico, mas a discussão acaba ficando
restrita a casos de recuperação judicial.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Legitimidade passiva: devedores excluídos.

Art. 2º Esta Lei não se aplica a:


I – empresa pública e sociedade de economia mista;*
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência
à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades
legalmente equiparadas às anteriores.**

* A questão será decidida pelo STF no julgamento do RE 1.249.945.

** Trata-se de agentes econômicos que atuam em mercados regulados, que se


sujeitam a leis específicas que disciplinam o tratamento jurídico de sua insolvência,
submetendo-os a um processo especial de liquidação extrajudicial (Lei 6.024/1974,
aplicável às instituições financeiras, Decreto-lei 73/1966, aplicável às seguradoras
etc.). Detalhe importante: essas leis específicas, em alguns casos, determinam a
aplicação subsidiária da legislação falimentar (exemplo: art. 34 da Lei 6.024/1974),
inclusive prevendo a possibilidade de decretação da falência, mas nesse caso a pedido
do liquidante, e não de um credor qualquer.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Foro competente: local do principal estabelecimento.

Art. 3º É competente para homologar o plano de recuperação


extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o
juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de
empresa que tenha sede fora do Brasil.

- Local onde o devedor possui o maior volume de negócios.

- Competência absoluta.

- Definição na propositura da demanda (não muda).

- Prevenção do juízo (art. 6º, § 8º).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Insolvência econômica x Insolvência jurídica.

“Os dois sistemas de execução por concurso universal existentes no


direito pátrio – insolvência civil e falência –, entre outras diferenças,
distanciam-se um do outro no tocante à concepção do que seja estado
de insolvência, necessário em ambos. O sistema falimentar, ao
contrário da insolvência civil (art. 748 do CPC), não tem alicerce na
insolvência econômica. O pressuposto para a instauração de processo
de falência é a insolvência jurídica, que é caracterizada a partir de
situações objetivamente apontadas pelo ordenamento jurídico. No
caso do direito brasileiro, caracteriza a insolvência jurídica, nos termos
do art. 94 da Lei n. 11.101/2005, a impontualidade injustificada (inciso
I), execução frustrada (inciso II) e a prática de atos de falência (inciso
III)” (REsp 1433652/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA
TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 29/10/2014).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Fundamento do pedido: impontualidade injustificada.

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:


I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação
líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja
soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na
data do pedido de falência;

- Obrigação líquida

- Título executivo

- Protesto

- Mais de 40 salários mínimos

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Necessidade de protesto para fim falimentar.

Art. 94 (...).
§ 3º Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, o pedido de falência será instruído com
os títulos executivos na forma do parágrafo único do art. 9º desta Lei, acompanhados, em
qualquer caso, dos respectivos instrumentos de protesto para fim falimentar nos termos da
legislação específica.

“Segundo pontifica a melhor doutrina nacional, os títulos de crédito, subordinados ao


protesto comum, escapam à necessidade do protesto especial” (REsp 50.827/GO, Rel.
Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 27/05/1996, DJ
10/06/1996, p. 20334).

“A notificação do protesto, para requerimento de falência da empresa devedora, exige a


identificação da pessoa que a recebeu” (Súmula 361 do STJ).

“Quanto à regularidade de notificação, o STJ já pacificou o entendimento de que, na


intimação do protesto para o requerimento de falência, é necessária a identificação da
pessoa que o recebeu, e não a intimação na pessoa do representante legal da pessoa
jurídica, consoante dispõe o enunciado da Súmula 361” (AgInt no AREsp 964.541/MG, Rel.
Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 08/05/2018, DJe 17/05/2018).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Dívida superior a 40 salários mínimos.

Art. 94 (...).
§ 1º Credores podem reunir-se em litisconsórcio a fim de perfazer o limite mínimo para o pedido
de falência com base no inciso I do caput deste artigo.

* Ainda na vigência do DL 7.661/1945, os tribunais vinham entendendo que a impontualidade de


dívida pequena não justificava um pedido de falência, por caracterizar uma presunção de
iliquidez, mas não de insolvência. Na Lei 11.101/2005, o legislador já previu o valor mínimo
suficiente, e o STJ disse que, agora, não cabe mais ao Judiciário fazer essa análise.

“No sistema inaugurado pela Lei 11.101/2005, os pedidos de falência por impontualidade de
dívidas aquém do piso de 40 salários mínimos são legalmente considerados abusivos, e a própria
lei encarrega-se de embaraçar o atalhamento processual, pois elevou tal requisito à condição de
procedibilidade da falência (art. 94, inciso I). Porém, superando-se esse valor, a ponderação legal
já foi realizada segundo a ótica e prudência do legislador. Assim, tendo o pedido de falência sido
aparelhado em impontualidade injustificada de títulos que superam o piso previsto na lei (art. 94,
I, Lei n. 11.101/2005), por absoluta presunção legal, fica afastada a alegação de atalhamento do
processo de execução/cobrança pela via falimentar. Não cabe ao Judiciário, nesses casos, obstar
pedidos de falência que observaram os critérios estabelecidos pela lei, a partir dos quais o
legislador separou as situações já de longa data conhecidas, de uso controlado e abusivo da via
falimentar” (REsp 1433652/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
18/09/2014, DJe 29/10/2014).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Fundamento do pedido: execução frustrada.

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:


II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita
e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal;
§ 4º Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, o pedido de
falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se
processa a execução.

- Irrelevância do valor da dívida

- Desnecessidade de protesto

- Suspensão da execução individual

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Fundamento do pedido: atos de falência.

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:


III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial:
a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar
pagamentos;
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores,
negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar
com bens suficientes para solver seu passivo;
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a
fiscalização ou para prejudicar credor;
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e
desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, abandona
estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial.
§ 5º Na hipótese do inciso III do caput deste artigo, o pedido de falência descreverá os fatos que a caracterizam,
juntando-se as provas que houver e especificando-se as que serão produzidas.

- Desnecessidade de inadimplência do devedor.

- Rol taxativo.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Contestação e depósito elisivo.

Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10


(dez) dias.
Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do art. 94
desta Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar o valor
correspondente ao total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e
honorários advocatícios, hipótese em que a falência não será decretada e,
caso julgado procedente o pedido de falência, o juiz ordenará o levantamento
do valor pelo autor.

- Contagem em dias corridos.

- Depósito elisivo:
não significa reconhecimento da dívida.
impossibilidade no pedido fundado em atos de falência.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Pedido de recuperação judicial.

Art. 95. Dentro do prazo de contestação, o devedor


poderá pleitear sua recuperação judicial.

- Propositura de ação autônoma.

- Cumulação com contestação e depósito elisivo.

- Suspensão do pedido de falência.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Fundamentos da denegação.

A sentença será denegatória do pedido de falência em duas hipóteses: (i)


improcedência do pedido ou (ii) procedência de pedido em que houve depósito
elisivo.

“A sentença denegatória da falência pode fundar-se em duas razões bem distintas, que
são, de um lado, a elisão do pedido em razão do depósito do valor em atraso pelo
requerido, e, de outro, a pertinência das razões articuladas na contestação. São
diferentes as duas hipóteses, porque varia a sucumbência. No primeiro caso,
considera-se que o requerido sucumbiu, tendo em vista que, não fosse o depósito,
inevitavelmente faliria. No último, é o requerente que sucumbiu, já que acolhida a
defesa do requerido. A parte sucumbente deve arcar com as despesas do processo e os
honorários que o juiz fixar em favor do advogado da vencedora. Os honorários de
sucumbência serão, quando for o caso, apurados em liquidação da sentença
denegatória, processada de acordo com o Código de Processo Civil, seguindo-se a
execução, como nas demais decisões condenatórias” (COELHO, Fábio Ulhoa.
Comentários à Lei de Falências e de Recuperação de Empresas. 4ª ed. São Paulo:
Thomson Reuters Brasil, 2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Recurso cabível.

Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença que julga a
improcedência do pedido cabe apelação.

“Da sentença que decreta a falência do devedor, cabe agravo de instrumento,


cujos legitimados para a interposição são o próprio falido, os credores, o
Ministério Público e terceiros que demonstrem o interesse de agir diante dos
efeitos da decretação da quebra. O prazo é de quinze dias, contados a partir da
intimação da decisão aos respectivos advogados ou ao representante do
Ministério Público. A sentença que decreta a falência dá início à fase processual de
execução coletiva. Mas, se a sentença julgou improcedente o requerimento de
falência, terá natureza terminativa, sendo cabível o recurso de apelação, em
quinze dias contados da intimação dos advogados a respeito da referida decisão.
Ambos os recursos têm tramitação especial e preferência no julgamento perante
os Tribunais de Justiça” (COSTA, Daniel Carnio e MELO, Alexandre Correa Nasser
de. Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência, art. 100 «in»
JuruáDocs n. 201.2291.2468.2304. Disponível em: <www.juruadocs.com>. Acesso
em: 22/04/2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Indenização do devedor.

Art. 101. Quem por dolo requerer a falência de outrem será


condenado, na sentença que julgar improcedente o pedido, a
indenizar o devedor, apurando-se as perdas e danos em
liquidação de sentença.
§ 1º Havendo mais de 1 (um) autor do pedido de falência,
serão solidariamente responsáveis aqueles que se conduziram
na forma prevista no caput deste artigo.
§ 2º Por ação própria, o terceiro prejudicado também pode
reclamar indenização dos responsáveis.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

STJ: sentença constitutiva.

RECURSO ESPECIAL. FALÊNCIA. PROVIMENTO JURISDICIONAL QUE DECRETA A QUEBRA. ART. 99


DA LEI 11.101/05. NATUREZA DE SENTENÇA CONSTITUTIVA. DOUTRINA. CABIMENTO DA AÇÃO
RESCISÓRIA. (...)
2. O propósito recursal é definir se é cabível o ajuizamento de ação rescisória em face da decisão
que decreta a falência.
3. A ação rescisória, na redação do art. 485 do CPC/73 (vigente à época dos fatos), é cabível
contra "sentença de mérito" transitada em julgado.
4. O ato decisório que decreta a falência possui natureza de sentença constitutiva, pois sua
prolação faz operar a dissolução da sociedade empresária, conduzindo à inauguração de um
regime jurídico específico. Doutrina. Inteligência do art. 99 da Lei 11.101/05.
5. Ainda que assim não fosse, doutrina e jurisprudência, desde há muito, entendem que à
expressão "sentença" veiculada no caput do art. 485 do CPC/73 deveria ser conferida uma
abrangência mais ampla, de modo a alcançar também decisões interlocutórias que enfrentem o
mérito.
6. A previsão legal do cabimento de agravo de instrumento para a hipótese de decretação da
falência se deve ao fato de tal ação ser dividida em fases, havendo a necessidade de se manter o
processo no juízo de origem, após a quebra, para o processamento da segunda etapa, quando
ocorrerá a arrecadação dos bens do falido e a apuração do ativo e do passivo, com a finalidade
satisfação dos créditos.
(REsp 1780442/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/12/2019,
DJe 05/12/2019)

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Termo legal da falência.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras determinações:
II – fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais de 90 (noventa) dias contados
do pedido de falência, do pedido de recuperação judicial ou do 1º (primeiro) protesto por falta de
pagamento, excluindo-se, para esta finalidade, os protestos que tenham sido cancelados;

“O termo legal da falência estabelece o espaço de tempo imediatamente anterior à declaração da


falência dentro do qual os atos eventualmente praticados pelo falido são considerados suspeitos
de fraude e, por isso, suscetíveis de investigação, podendo vir a ser declarados ineficazes em
relação à massa” (REsp 752.624/PR, Rel. Min. Sidnei Beneti, 3.ª Turma, j. 10.11.2009, DJe
23.11.2009).

“A nosso ver, efetivamente há distinções entre o período suspeito e o termo legal. O chamado
período suspeito é ‘uma simples relação de tempo em que se acha com a revelação do estado de
falência, gera desconfiança a respeito dos atos praticados pelo falido durante ele’. Ele abrange os
dois anos anteriores à decretação da falência e quase sempre vem antes do termo legal. No termo
legal, há alguma exteriorização do estado de insolvência (primeiro protesto, pedido de falência ou
pedido de recuperação judicial), vale dizer, o termo legal já traz consigo algo mais concreto para a
configuração do estado falimentar do devedor. Ambos servirão de referência para a ineficácia de
certos atos praticados pelo falido, mas o termo legal é fixado pelo juiz na decretação da falência e
o período suspeito é legalmente estabelecido” (TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito
empresarial. Vol. 3. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2017, p. 353).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Verificação e habilitação dos créditos.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras determinações:
III – ordenará ao falido que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, relação nominal
dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos respectivos
créditos, se esta já não se encontrar nos autos, sob pena de desobediência;
IV – explicitará o prazo para as habilitações de crédito, observado o disposto no § 1º do art.
7º desta Lei;

- Relação de credores apresentada pelo falido.

- Habilitações/divergências.

- Relação de credores elaborada pelo administrador judicial.

- Impugnações.

- Quadro geral de credores.

- Ações de retificação.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Aplicação do art. 6º.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre


outras determinações:
V – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções
contra o falido, ressalvadas as hipóteses previstas nos §§ 1º e
2º do art. 6º desta Lei;

* A decretação da falência instaura o juízo universal e


indivisível (execução concursal), mas há exceções: ações
ilíquidas, reclamações trabalhistas etc. (art. 76).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Nomeação do administrador judicial.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras


determinações:
IX – nomeará o administrador judicial, que desempenhará suas
funções na forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei sem
prejuízo do disposto na alínea a do inciso II do caput do art. 35 desta
Lei;

- Na falência, o administrador funciona como um liquidante.

- Remuneração (reserva de 40%).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Continuação provisória das atividades.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras determinações:
XI – pronunciar-se-á a respeito da continuação provisória das atividades do falido com o
administrador judicial ou da lacração dos estabelecimentos, observado o disposto no art.
109 desta Lei;

“A continuação provisória das atividades do falido se justifica em casos excepcionais,


quando ao juiz parecer que a empresa em funcionamento pode ser vendida com rapidez, no
interesse da otimização dos recursos do falido. Se, pela tradição da marca explorada ou
pela particular relevância social e econômica da empresa, parecer ao magistrado, no
momento da decretação da quebra, que o encerramento da atividade agravará não só o
prejuízo dos credores como poderá produzir efeitos deletérios à economia regional, local ou
nacional, convém que ele autorize a continuação provisória dos negócios. Caberá ao
administrador judicial a gerência da atividade durante a continuação provisória. Investe-se
ele, nesse caso, de amplos poderes de administração da empresa explorada pelo falido. A
continuação provisória convém que seja breve, muito breve. Decretada a medida, devem-se
acelerar os procedimentos de realização do ativo, para que logo se defina o novo titular da
atividade. O provisório que tende a se eternizar não tem sentido lógico nem jurídico; falta-
lhe base na lei” (COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências e de Recuperação de
Empresas. 4ª ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Plano de realização dos ativos.

§ 3º Após decretada a quebra ou convolada a recuperação judicial em falência, o


administrador deverá, no prazo de até 60 (sessenta) dias, contado do termo de nomeação,
apresentar, para apreciação do juiz, plano detalhado de realização dos ativos, inclusive com
a estimativa de tempo não superior a 180 (cento e oitenta) dias a partir da juntada de cada
auto de arrecadação, na forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei.

“O PRA, uma vez aprovado pelo juiz, torna-se o critério de avaliação do desempenho do
administrador judicial. Quanto mais ágil ele se revelar na implementação do plano, quanto
mais cedo transformar os bens arrecadados em recursos financeiros, mais o administrador
judicial deve ser prestigiado, pelo juiz, na definição da remuneração e nas futuras
nomeações. Se ultrapassar, sem justificação, os 180 dias, o administrador judicial deve ser
destituído (art. 22, III, j). Mas, o administrador que observa esse prazo legal para concluir a
realização do ativo não faz mais que cumprir suas obrigações mínimas. Diligente, de
verdade, é o que vende os bens do falido antes do término do prazo para isso. A diligência é
um diferencial a ser considerado, na avaliação do administrador judicial. Ademais, ao fixar
a remuneração do administrador judicial, o juiz deve estabelecer percentuais diferentes, em
função da aceleração da realização do ativo do falido, em relação ao prazo estimado no
PRA. Trata-se de estímulo inteiramente compatível com os objetivos da Reforma de 2020”
(COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à Lei de Falências e de Recuperação de Empresas. 4ª
ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021).
@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Efeitos da falência:

- Vencimento antecipado das dívidas (art. 77).

- Inabilitação empresarial (art. 102).

- Perda da administração dos bens (art. 103).

- Suspensão dos direitos de retenção e retirada (art. 116).

- Interrupção da fluência de juros (art. 124).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Sócios de responsabilidade ilimitada.

Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente
responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos
efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser
citados para apresentar contestação, se assim o desejarem.
§ 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se ao sócio que tenha se retirado
voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos,
quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato, no
caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência.
§ 2º As sociedades falidas serão representadas na falência por seus administradores
ou liquidantes, os quais terão os mesmos direitos e, sob as mesmas penas, ficarão
sujeitos às obrigações que cabem ao falido.

- Sociedade em nome coletivo

- Sociedade em comandita simples.

- Sociedade em comandita por ações.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Sócios de responsabilidade limitada.

Art. 82. A responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada, dos


controladores e dos administradores da sociedade falida, estabelecida nas respectivas
leis, será apurada no próprio juízo da falência, independentemente da realização do
ativo e da prova da sua insuficiência para cobrir o passivo, observado o procedimento
ordinário previsto no Código de Processo Civil.
§ 1º Prescreverá em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da sentença de
encerramento da falência, a ação de responsabilização prevista no caput deste artigo.
§ 2º O juiz poderá, de ofício ou mediante requerimento das partes interessadas,
ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus, em quantidade compatível
com o dano provocado, até o julgamento da ação de responsabilização.

Enunciado 48 das Jornadas de Direito Comercial: “A apuração da responsabilidade


pessoal dos sócios, controladores e administradores feita independentemente da
realização do ativo e da prova da sua insuficiência para cobrir o passivo, prevista no
art. 82 da Lei 11.101/2005, não se refere aos casos de desconsideração da
personalidade jurídica”.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Ação de responsabilidade x Desconsideração da PJ.

“Não há como confundir a ação de responsabilidade dos sócios e


administradores da sociedade falida (art. 6º do Decreto-lei n.º 7.661/45 e art.
82 da Lei n.º 11.101/05) com a desconsideração da personalidade jurídica da
empresa. Na primeira, não há um sujeito oculto, ao contrário, é plenamente
identificável e evidente, e sua ação infringe seus próprios deveres de
sócio/administrador, ao passo que na segunda, supera-se a personalidade
jurídica sob cujo manto se escondia a pessoa oculta, exatamente para
evidenciá-la como verdadeira beneficiária dos atos fraudulentos. Ou seja, a
ação de responsabilização societária, em regra, é medida que visa ao
ressarcimento da sociedade por atos próprios dos sócios/administradores, ao
passo que a desconsideração visa ao ressarcimento de credores por atos da
sociedade, em benefício da pessoa oculta. (...)
(REsp 1180191/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 05/04/2011, DJe 09/06/2011).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Extensão (dos efeitos) da falência.

Art. 82-A. É vedada a extensão da falência ou de seus efeitos, no todo ou em parte, aos
sócios de responsabilidade limitada, aos controladores e aos administradores da sociedade
falida, admitida, contudo, a desconsideração da personalidade jurídica.
Parágrafo único. A desconsideração da personalidade jurídica da sociedade falida, para fins
de responsabilização de terceiros, grupo, sócio ou administrador por obrigação desta,
somente pode ser decretada pelo juízo falimentar com a observância do art. 50 do Código
Civil e dos arts. 133, 134, 135, 136 e 137 do Código de Processo Civil, não aplicada a
suspensão de que trata o § 3º do art. 134.

* A fim de evitar uma prática que tornou-se comum, consistente na “extensão da falência”
ou “extensão dos efeitos da falência”, a reforma da LFRE inseriu nela o art. 82-A. Agora, não
se admite, nas sociedades em que os sócios respondem de forma limitada, a extensão da
falência ou dos seus efeitos, que significava, na prática, uma medida que ia além da mera
responsabilização patrimonial dos atingidos, sujeitando-os a obrigações de outra natureza,
além de diversas restrições de direito, como a de não se ausentar do lugar da falência sem
autorização judicial. Em se tratando de sociedades limitadas ou anônimas, o máximo que se
permite é a responsabilização patrimonial de terceiros (sócios, administradores ou
controladores), o que ocorrerá por aplicação da desconsideração da personalidade jurídica.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Formação da massa falida objetiva.

Art. 108. Ato contínuo à assinatura do termo de compromisso, o administrador judicial


efetuará a arrecadação dos bens e documentos e a avaliação dos bens,
separadamente ou em bloco, no local em que se encontrem, requerendo ao juiz, para
esses fins, as medidas necessárias.
§ 1º Os bens arrecadados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa
por ele escolhida, sob responsabilidade daquele, podendo o falido ou qualquer de
seus representantes ser nomeado depositário dos bens.
§ 2º O falido poderá acompanhar a arrecadação e a avaliação.
§ 3º O produto dos bens penhorados ou por outra forma apreendidos entrará para a
massa, cumprindo ao juiz deprecar, a requerimento do administrador judicial, às
autoridades competentes, determinando sua entrega.
§ 4º Não serão arrecadados os bens absolutamente impenhoráveis.
§ 5º Ainda que haja avaliação em bloco, o bem objeto de garantia real será também
avaliado separadamente, para os fins do § 1º do art. 83 desta Lei.

- Celeridade e maximização do ativo (não precisa de oficial de justiça).

- Bens de propriedade de terceiros na posse da falido são arrecadados?

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Falência frustrada (ou falência sumária).

Art. 114-A. Se não forem encontrados bens para serem arrecadados, ou se os arrecadados forem
insuficientes para as despesas do processo, o administrador judicial informará imediatamente
esse fato ao juiz, que, ouvido o representante do Ministério Público, fixará, por meio de edital, o
prazo de 10 (dez) dias para os interessados se manifestarem.
§ 1º Um ou mais credores poderão requerer o prosseguimento da falência, desde que paguem a
quantia necessária às despesas e aos honorários do administrador judicial, que serão
considerados despesas essenciais nos termos estabelecidos no inciso I-A do caput do art. 84
desta Lei.
§ 2º Decorrido o prazo previsto no caput sem manifestação dos interessados, o administrador
judicial promoverá a venda dos bens arrecadados no prazo máximo de 30 (trinta) dias, para bens
móveis, e de 60 (sessenta) dias, para bens imóveis, e apresentará o seu relatório, nos termos e
para os efeitos dispostos neste artigo.
§ 3º Proferida a decisão, a falência será encerrada pelo juiz nos autos.

* Esse dispositivo foi inserido na LFRE pela Lei 14.112/2020. No entanto, já havia uma prática
judicial de determinar a prestação de caução pelo credor autor do pedido de falência, quando
presentes indícios de falência frustrada (REsp 1.526.790). Quanto ao § 3º, o que ele quer dizer, em
síntese, é que feitas as vendas mencionadas e apresentado o relatório pelo administrador judicial,
o juiz encerrará a falência por sentença.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Ineficácia objetiva.

Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante
conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou
não intenção deste fraudar credores: (...)
Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada
em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso
do processo.

- Rol taxativo.

- Independe de fraude.

- Pode ser declarada de ofício.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Ineficácia subjetiva.

Art. 130. São revogáveis [leia-se: declarados ineficazes] os atos praticados


com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento
entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido
pela massa falida.

- Tem que provar intenção + conluio + prejuízo.

- Quaisquer atos que não se enquadrem nas hipóteses do art. 129.

- Podem ser atos praticados fora do termo legal ou período suspeito.

- Exemplos práticos (divórcio fraudulento: REsp 151.305 e REsp 518.678).

- Depende da propositura de ação revocatória.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Desintegração da massa falida objetiva.

Como o procedimento de arrecadação abrange tanto os bens de propriedade


do devedor falido quanto os bens que apenas se encontram na sua posse (por
exemplo, bens dos quais ele é mero locatário ou comodatário), pode ser que
a arrecadação atinja bens de terceiros, os quais deverão requerer a
restituição deles.

“Waldemar Ferreira chama a arrecadação de integração da massa ativa, e a


restituição de desintegração. Pois bem, a definição do ativo é o resultado
desses dois movimentos do processo falimentar, a integração e a
desintegração da massa falida objetiva. Os bens na posse da falida e as
mercadorias entregues às vésperas da falência, entre outros, não devem
integrar, ou melhor, devem ser desintegrados da massa de bens a serem
vendidos em juízo para pagamento dos credores participantes do concurso”
(COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. 7. ed. São Paulo: Saraiva,
2007. p. 331. v. III).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Pedido de restituição geral.

Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de


falência ou que se encontre em poder do devedor na data da
decretação da falência poderá pedir sua restituição.

- O administrador judicial não analisa a propriedade do bem.

- O titular do bem não é credor e não se sujeita ao concurso.

- Alienação fiduciária em garantia.

- Arrendamento mercantil.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Pedido de restituição especial.

Art. 85, parágrafo único. Também pode ser pedida a restituição de coisa
vendida a crédito e entregue ao devedor nos 15 (quinze) dias anteriores ao
requerimento de sua falência, se ainda não alienada.

- O fundamento é a proteção da boa-fé.

- Só cabe em vendas a crédito.

- O que importa é a data da entrega, e não da remessa (Súmula 193/STF).

- Se o bem já foi alienado, não cabe restituição.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Restituição em dinheiro.

Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro:


I – se a coisa não mais existir ao tempo do pedido de restituição, hipótese em
que o requerente receberá o valor da avaliação do bem, ou, no caso de ter
ocorrido sua venda, o respectivo preço, em ambos os casos no valor
atualizado;

“No caso da procedência do pedido de restituição geral, o autor deveria


receber o próprio bem de volta. Contudo, em razão da demora ou mesmo de
outros fatores, pode ocorrer que o bem não esteja mais compondo a massa
falida, haverá a substituição do bem a ser restituído por dinheiro (Lei no
11.101/2005 – art. 86, I). Nestes casos, o requerente receberá o valor da
avaliação do bem, ou, no caso de ter ocorrido sua venda, o respectivo preço,
em ambos os casos no valor atualizado, a fim de evitar qualquer
enriquecimento indevido da massa” (Marlon Tomazette).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Restituição em dinheiro.

Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro:


II – da importância entregue ao devedor, em moeda corrente nacional, decorrente de
adiantamento a contrato de câmbio para exportação, na forma do art. 75, §§ 3º e 4º ,
da Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965, desde que o prazo total da operação, inclusive
eventuais prorrogações, não exceda o previsto nas normas específicas da autoridade
competente;

* Com o argumento de fomentar as exportações, o ACC recebe um tratamento especial


da legislação falimentar: em caso de falência, o banco credor não se sujeita ao
procedimento de habilitação, recebendo seu crédito por meio de pedido de restituição
em dinheiro (art. 86, II); em caso de recuperação judicial, o valor objeto do negócio não
se sujeita aos efeitos do plano (art. 49, § 4º).

- Súmula 307/STJ: “a restituição de ACC, na falência, deve ser atendida antes de


qualquer crédito”.

- ADIn 3424 e ADPF 312: o STF reconheceu a constitucionalidade do art. 86, II da


LFRE e do art. 75, § 3º Lei 4.728/1965.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Restituição em dinheiro.

Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro:


III – dos valores entregues ao devedor pelo contratante de boa-fé na hipótese de
revogação ou ineficácia do contrato, conforme disposto no art. 136 desta Lei.

“É cabível o pedido de restituição em dinheiro dos valores pagos pelos terceiros de


boa-fé, nos casos de declaração de ineficácia (Lei no 11.101/2005 – art. 86, III).
Nos casos de ineficácia previstos no artigo 129 da Lei no 11.101/2005, por não se
exigir a prova de fraude, é certo que terceiros de boa-fé podem vir a ser afetados
pelo reconhecimento da ineficácia do ato. Em casos como esse, colocar esse
terceiro no quadro de credores seria extremamente injusto, por isso, optou-se por
admitir para eles o pedido de restituição dos valores entregues nos atos cuja
ineficácia venha a ser reconhecida. Se o ato é ineficaz, naturalmente os valores
gastos não deveriam compor a massa falida e, por isso, serão objeto da restituição
em dinheiro” (Marlon Tomazette).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Restituição em dinheiro.

Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro:


IV - às Fazendas Públicas, relativamente a tributos passíveis de retenção na fonte, de descontos de
terceiros ou de sub-rogação e a valores recebidos pelos agentes arrecadadores e não recolhidos aos
cofres públicos. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020)

“Quando o empresário é obrigado a fazer a retenção na fonte de tributos devidos por terceiros
(empregados, prestadores de serviços, revendedores etc.), ele se torna possuidor de recursos monetários
que não lhe pertencem, mas ao fisco (Fazenda Pública, INSS etc.). Sobrevindo sua falência, esses
recursos monetários são arrecadados pelo administrador judicial, juntamente com os demais bens na
posse do falido. Mas, exatamente por não serem de sua propriedade, tais recursos devem ser
destacados da massa falida e entregues ao seu titular, o credor tributário. Também é possuidor de
recursos monetários que não lhe pertencem o falido que se encontra nas demais situações referidas no
art. 86, IV, isto é, nas hipóteses de desconto de terceiro, sub-rogação ou agente de arrecadação” (Fábio
Ulhoa Coelho).

“Os valores correspondentes às contribuições previdenciárias descontadas dos salários dos empregados,
e não recolhidos à Previdência Social, podem ser reivindicados pelo INSS e devem ser restituídos antes
do pagamento de qualquer crédito, ainda que trabalhista, tendo em vista que tais valores não compõem
o patrimônio do falido. Precedentes. Incidência da Súmula 417/STF: ‘Pode ser objeto de restituição, na
falência, dinheiro em poder do falido, recebido em nome de outrem, ou do qual, por lei ou contrato, não
tivesse ele a disponibilidade’.” (AgRg no REsp 1276806/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 20/08/2012).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Correntistas de bancos falidos.

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE FALÊNCIA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CERTIFICADOS DE DEPÓSITO


BANCÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CONTRATO QUE SE CARACTERIZA PELA
TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DO BEM À INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. DEPOSITANTE QUE
OSTENTA A CONDIÇÃO DE CREDOR. SOLICITAÇÃO DE RESGATE NÃO ATENDIDA. EXTINÇÃO DA
AVENÇA. INOCORRÊNCIA. MERA CARACTERIZAÇÃO DA MORA DO DEVEDOR. OBSERVÂNCIA DO
PAR CONDITIO CREDITORUM. (...)
2. O propósito recursal é definir se os créditos titulados pela recorrente - representativos de
valores investidos em CDBs - se submetem ou não aos efeitos da falência da instituição financeira
recorrida.
3. O depósito bancário não se equipara às hipóteses em que o devedor ostenta a condição de
mero detentor ou custodiante do bem, hipóteses fáticas que atraem a incidência do art. 85 da
LFRE.
4. Nos contratos de depósito bancário, ocorre a transferência da propriedade do bem para a
instituição financeira, ocupando o depositante a posição de credor dos valores correspondentes.
Doutrina e precedentes.
5. A natureza creditícia da relação existente entre a recorrente e a instituição financeira exige que
o montante impugnado se sujeite aos efeitos da execução concursal, em respeito ao par conditio
creditorum. (...)
(REsp 1801031/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/06/2019,
DJe 07/06/2019)

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Realização do ativo.

Art. 139. Logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do


respectivo auto ao processo de falência, será iniciada a realização do
ativo.
Art. 140, § 2º A realização do ativo terá início independentemente da
formação do quadro-geral de credores.

* No DL 7.661/1945, a venda dos ativos só podia começar após a


formação da massa falida objetiva (arrecadação e avaliação dos bens)
e da massa falida subjetiva (verificação e habilitação dos créditos), mas
como esses procedimentos demoravam muito, isso fazia com que os
bens se deteriorassem, se desvalorizassem e até desaparecessem.
Portanto, a LFRE previu a realização do ativo imediatamente após a
arrecadação, sem necessidade de esperar a formação do quadro-geral
de credores.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Formas de alienação dos bens.

Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas, observada a
seguinte ordem de preferência:
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco;
II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas
isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do
devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.
§ 1º Se convier à realização do ativo, ou em razão de oportunidade, podem ser adotadas
mais de uma forma de alienação.
§ 3º A alienação da empresa terá por objeto o conjunto de determinados bens
necessários à operação rentável da unidade de produção, que poderá compreender a
transferência de contratos específicos.
§ 4º Nas transmissões de bens alienados na forma deste artigo que dependam de
registro público, a este servirá como título aquisitivo suficiente o mandado judicial
respectivo.

* O legislador estabeleceu uma interessante ordem de preferência, sempre em atenção


aos princípios da preservação da empresa e da maximização dos ativos.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Não sucessão do arrematante.

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais,
promovida sob qualquer das modalidades de que trata o art. 142:
I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 desta Lei, sub-rogam-se no
produto da realização do ativo;
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas
obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as
decorrentes de acidentes de trabalho.
§ 1º O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o arrematante for:
I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido;
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do falido ou de
sócio da sociedade falida; ou
III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.
§ 2º Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos mediante novos contratos
de trabalho e o arrematante não responde por obrigações decorrentes do contrato anterior.
§ 3º A alienação nas modalidades de que trata o art. 142 desta Lei poderá ser realizada com
compartilhamento de custos operacionais por 2 (duas) ou mais empresas em situação falimentar.

* ADIn 3934.

“Nestes casos, o STJ e o STF têm reconhecido que a competência para decidir se há ou não sucessão é do
juízo da falimentar, uma vez que o objeto da discussão são apenas os efeitos dessa alienação e não a
eventual responsabilidade. Mesmo em obrigações trabalhistas, não se discute eventual
responsabilidade, mas sim efeitos da alienação e, portanto, a competência será sempre do juízo
falimentar” (Marlon Tomazette).
@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Modalidades de alienação.

Art. 142. A alienação de bens dar-se-á por uma das seguintes modalidades:
I - leilão eletrônico, presencial ou híbrido;
IV - processo competitivo organizado promovido por agente especializado e de reputação ilibada,
cujo procedimento deverá ser detalhado em relatório anexo ao plano de realização do ativo ou ao
plano de recuperação judicial, conforme o caso;
V - qualquer outra modalidade, desde que aprovada nos termos desta Lei.
Art. 144. Havendo motivos justificados, o juiz poderá autorizar, mediante requerimento
fundamentado do administrador judicial ou do Comitê, modalidades de alienação judicial
diversas das previstas no art. 142 desta Lei.
Art. 145. Por deliberação tomada nos termos Lei, os credores poderão adjudicar os bens
alienados na falência ou adquiri-los por do art. 42 desta meio de constituição de sociedade, de
fundo ou de outro veículo de investimento, com a participação, se necessária, dos atuais sócios
do devedor ou de terceiros, ou mediante conversão de dívida em capital.

1. Venda ordinária
1.1. Leilão (procedimento padrão, que o juiz escolhe sem precisar ouvir ninguém).
1.2. PCO (depende de aprovação da AGC e do juiz – art. 142, § 3º-B, I e III).

2. Venda extraordinária
2.1. Interna (deliberação da AGC por maioria – art. 145 c/c art. 42).
2.2. Externa (decisão do juiz – art. 144; ou deliberação da AGC por 2/3 – art. 46).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Regras gerais sobre as modalidades de alienação.

Art. 142, § 2º-A. A alienação de que trata o caput deste artigo:


I - dar-se-á independentemente de a conjuntura do mercado no momento da venda ser favorável
ou desfavorável, dado o caráter forçado da venda;
II - independerá da consolidação do quadro-geral de credores;
III - poderá contar com serviços de terceiros como consultores, corretores e leiloeiros;
IV - deverá ocorrer no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da lavratura
do auto de arrecadação, no caso de falência;
V - não estará sujeita à aplicação do conceito de preço vil.
§ 7º Em qualquer modalidade de alienação, o Ministério Público e as Fazendas Públicas serão
intimados por meio eletrônico, nos termos da legislação vigente e respeitadas as respectivas
prerrogativas funcionais, sob pena de nulidade.
§ 8º Todas as formas de alienação de bens realizadas de acordo com esta Lei serão consideradas,
para todos os fins e efeitos, alienações judiciais.
Art. 146. Em qualquer modalidade de realização do ativo adotada, fica a massa falida dispensada
da apresentação de certidões negativas.
Art. 147. As quantias recebidas a qualquer título serão imediatamente depositadas em conta
remunerada de instituição financeira, atendidos os requisitos da lei ou das normas de
organização judiciária.
Art. 148. O administrador judicial fará constar do relatório de que trata a alínea p do inciso III do
art. 22 os valores eventualmente recebidos no mês vencido, explicitando a forma de distribuição
dos recursos entre os credores, observado o disposto no art. 149 desta Lei.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Venda frustrada.

Art. 144-A. Frustrada a tentativa de venda dos bens da massa falida e não havendo proposta
concreta dos credores para assumi-los, os bens poderão ser considerados sem valor de mercado e
destinados à doação.
Parágrafo único. Se não houver interessados na doação referida no caput deste artigo, os bens
serão devolvidos ao falido.

“Nesse caso, ao contrário do que se poderia imaginar, a doação também é uma forma de
maximização do valor dos ativos, tendo em vista os pontos já analisados nos comentários aos
artigos anteriores: (i) de que a maximização do valor deve levar em conta o conjunto dos ativos, e
não cada bem isoladamente considerado; (ii) de que há despesas de guarda, manutenção e/ou
conservação dos bens que ainda não foram alienados. Assim, com base nesses critérios, a doação
pode ser a melhor alternativa. (...) Destaque-se que a falência tem também a função de realocar
os ativos na economia, fazendo com que esses bens voltem a integrar outras cadeias produtivas.
Tal objetivo deve ser perseguido, ainda que por meio de doação na hipótese em que não se
consiga realiza-lo mediante venda. (...) Se mesmo para doação não houver interessados, a lei
prevê, como última alternativa, a devolução dos bens ao falido, na forma do parágrafo único do
artigo em exame. Isso impede, ao menos, que a massa falida continue tendo despesas com a
manutenção de um bem que não possui qualquer valor de mercado” (COSTA, Daniel Carnio;
MELO, Alexandre Correa Nasser De. Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência,
art. 144 «in» JuruáDocs n. 201.2291.2243.4887. Disponível em: <www.juruadocs.com>. Acesso
em: 12/05/2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Ordem legal de pagamento.

Art. 149. Realizadas as restituições, pagos os créditos extraconcursais, na forma


do art. 84 desta Lei, e consolidado o quadro-geral de credores, as importâncias
recebidas com a realização do ativo serão destinadas ao pagamento dos credores,
atendendo à classificação prevista no art. 83 desta Lei, respeitados os demais
dispositivos desta Lei e as decisões judiciais que determinam reserva de
importâncias.
Art. 150. As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à
administração da falência, inclusive na hipótese de continuação provisória das
atividades previstas no inciso XI do caput do art. 99 desta Lei, serão pagas pelo
administrador judicial com os recursos disponíveis em caixa.
Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3
(três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-
mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa.

1. Créditos extraconcursais (art. 84).


2. Créditos concursais (art. 83).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Créditos concursais.

Entre as classes de créditos há uma hierarquia, mas dentro de uma mesma classe deve
haver igualdade de tratamento, de modo que, não havendo recursos suficientes para pagar
todos os créditos de uma mesma classe, o administrador judicial deve fazer rateios
proporcionais aos valores devidos a cada credor.

“Os créditos concursais são aqueles que se originaram da atividade do devedor antes da
decretação da falência ou da recuperação judicial (quando convolada em falência). Entre os
credores integrantes de cada classe, o tratamento dispensado deve ser de igualdade, salvo
se existir regra especial que privilegie algum deles. Sendo assim, como regra, caso o ativo
do devedor não seja suficiente para satisfazer todos os créditos integrantes da classe, o
produto da liquidação dos bens do falido será rateado intraclasse, respeitando a proporção
de cada credor no total dos créditos da respectiva classe. Uma classe que esteja
hierarquicamente inferior a outra somente começará a receber os pagamentos se os
créditos da classe imediatamente anterior já estiverem integralmente satisfeitos ou
reservados em separado. Por sua vez, os credores concursais só começarão a receber os
pagamentos após os credores extraconcursais estarem integralmente satisfeitos” (COSTA,
Daniel Carnio; MELO, Alexandre Correa Nasser De. Comentários à Lei de Recuperação de
Empresas e Falência, art. 83 «in» JuruáDocs n. 201.2291.2543.7815. Disponível em:
<www.juruadocs.com>. Acesso em: 15/05/2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Créditos cedidos.

Art. 83 (...).
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários.
§ 5º Para os fins do disposto nesta Lei, os créditos cedidos a qualquer título manterão sua
natureza e classificação.

“Nesse ponto houve grande mudança no texto da Lei falimentar. Na regra anterior, descrita no
revogado § 4º desse artigo [Lei 11.101/2005, art. 83], eventuais créditos trabalhistas que fossem
cedidos deveriam ser reclassificados como quirografários. Agora, conforme disposto na Lei
11.101/2005, art. 83, § 5º, a cessão do crédito ocorrerá sem alteração da sua qualificação. Nesse
sentido, o cessionário será titular do crédito com as mesmas características que possuía antes da
ocorrência da cessão. Essa alteração na Lei tem por objetivo valorizar os créditos trabalhistas no
mercado secundário de cessão de créditos. No regime anterior o crédito trabalhista tinha pouco
valor para cessão, na medida que o cessionário seria incluído na classe dos credores
quirografários para fins de recebimento. Agora, com tal mudança, prestigia-se o crédito
trabalhista na cessão, aumentando seu valor nesse mercado secundário e abrindo mais uma
possibilidade para os credores trabalhistas buscarem o recebimento de seus créditos. Em resumo,
a nova redação da Lei prevê que a cessão não acarretará alteração da natureza e classificação do
crédito, mantendo os benefícios preferenciais, quando houver” (COSTA, Daniel Carnio; MELO,
Alexandre Correa Nasser De. Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência, art. 83
«in» JuruáDocs n. 201.2291.2695.8492. Disponível em: <www.juruadocs.com>. Acesso em:
15/05/2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Prestação de contas do administrador judicial.

Art. 154. Concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os credores, o
administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 (trinta) dias.
§ 1º As contas, acompanhadas dos documentos comprobatórios, serão prestadas em autos
apartados que, ao final, serão apensados aos autos da falência.
§ 2º O juiz ordenará a publicação de aviso de que as contas foram entregues e se encontram à
disposição dos interessados, que poderão impugná-las no prazo de 10 (dez) dias.
§ 3º Decorrido o prazo do aviso e realizadas as diligências necessárias à apuração dos fatos, o juiz
intimará o Ministério Público para manifestar-se no prazo de 5 (cinco) dias, findo o qual o
administrador judicial será ouvido se houver impugnação ou parecer contrário do Ministério
Público.
§ 4º Cumpridas as providências previstas nos §§ 2º e 3º deste artigo, o juiz julgará as contas por
sentença.
§ 5º A sentença que rejeitar as contas do administrador judicial fixará suas responsabilidades,
poderá determinar a indisponibilidade ou o seqüestro de bens e servirá como título executivo
para indenização da massa.
§ 6º Da sentença cabe apelação.

* Se não há mais ativos a serem realizados nem recursos para fazer pagamentos, deve-se iniciar a
etapa de encerramento do processo falimentar.

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Relatório final.

Art. 155. Julgadas as contas do administrador judicial, ele apresentará o


relatório final da falência no prazo de 10 (dez) dias, indicando o valor do ativo
e o do produto de sua realização, o valor do passivo e o dos pagamentos
feitos aos credores, e especificará justificadamente as responsabilidades com
que continuará o falido.

* “O administrador judicial pode também, nesse relatório, expor de que forma


se dava a administração do falido ou dos administradores sociais por ele
contratados no período anterior à falência, apontando se cabe ou não ação
de responsabilidade a ser ajuizada em face destes”
(Scalzilli/Spinelli/Tellechea).

** Somente após a apresentação desse relatório final é que o administrador


judicial poderá receber o total da sua remuneração (art. 24, § 2º da LFRE).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Sentença de encerramento.

Art. 156. Apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por


sentença e ordenará a intimação eletrônica às Fazendas Públicas
federal e de todos os Estados, Distrito Federal e Municípios em que o
devedor tiver estabelecimento e determinará a baixa da falida no
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), expedido pela Secretaria
Especial da Receita Federal do Brasil.
Parágrafo único. A sentença de encerramento será publicada por edital
e dela caberá apelação.

* Se antes havia uma distinção entre a sentença que encerrava a


falência e a sentença que extinguia as obrigações do falido, agora não
há mais: o próprio encerramento do processo falimentar já extingue as
obrigações do devedor (art. 158, inciso VI).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Revogação do art. 157.

Art. 157. O prazo prescricional relativo às obrigações do falido recomeça a


correr a partir do dia em que transitar em julgado a sentença do
encerramento da falência.

“A sentença de encerramento da falência, seja ela ordinária (art. 156) ou


sumária (art. 114-A), extingue as obrigações do falido. Assim, em princípio,
não haverá retorno do curso do prazo de prescrição depois do encerramento
da falência. As obrigações serão extintas pelo pagamento, pelo decurso do
prazo de três anos contados da decretação da quebra (com processo
falimentar em andamento) ou pelo encerramento da falência de forma
ordinária ou sumária” (COSTA, Daniel Carnio; MELO, Alexandre Correa Nasser
De. Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência, art. 157 «in»
JuruáDocs n. 201.2291.2797.5842. Disponível em: <www.juruadocs.com>.
Acesso em: 20/05/2021).

@prof.andresantacruz
Aula 10 - Falência

Extinção das obrigações.

Art. 158. Extingue as obrigações do falido:


I – o pagamento de todos os créditos;
II - o pagamento, após realizado todo o ativo, de mais de 25% (vinte e cinco por cento)
dos créditos quirografários, facultado ao falido o depósito da quantia necessária para
atingir a referida porcentagem se para isso não tiver sido suficiente a integral
liquidação do ativo;
V - o decurso do prazo de 3 (três) anos, contado da decretação da falência, ressalvada
a utilização dos bens arrecadados anteriormente, que serão destinados à liquidação
para a satisfação dos credores habilitados ou com pedido de reserva realizado;
VI - o encerramento da falência nos termos dos arts. 114-A ou 156 desta Lei.

* Antes da reforma da LFRE, a extinção das obrigações normalmente dependia do


decurso de um longo prazo (5 ou 10 anos), contado da sentença de encerramento.
Agora, como um dos objetivos da falência é “fomentar o empreendedorismo, inclusive
por meio da viabilização do retorno célere do empreendedor falido à atividade
econômica” (art. 75, inciso III, que consagrou a ideia do “fresh start”), as hipóteses que
permitem a extinção das obrigações estão bem mais favoráveis.

@prof.andresantacruz

Você também pode gostar