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Teoria Crítica

Michael Apple
Henry Giroux
Textos:

A crítica neomarxista de Michael Apple


(Silva, 2004, p.45-49)
 Apple – se apropria de teorias anteriores (Althusser e
Bourdieu) para elaborar uma análise crítica do currículo
bastante influente nas décadas seguintes.

Apple se apropria dos temas centrais da crítica marxista

 o currículo, segundo Apple (1982), é o resultado de uma


seleção de saberes em um universo mais amplo de
conhecimentos, na medida em que deduzem que tipos
de conhecimento serão considerados válidos, por se
encontrarem justapostos aos tipos de pessoa que se
pretende considerar ideal em um determinado modelo
de sociedade.
 Dominação de classe – dinâmica da sociedade
capitalista – os que detem o controle da propriedade e
dos recursos materiais dominam os que detem a força
de trabalho.

 Apple (2001,p. 30), "[...] não devemos agir como se as


relações de classe não contassem mais". Essas relações
de poder das classes favorecidas economicamente sobre
as desfavorecidas existiram e existem talvez elas
tenham sido reorganizadas de maneiras diferentes
daquelas iniciais.
 Apple recorre ao conceito de hegemonia – Vê o campo
social como um campo contestado onde os grupos
dominantes se vêem obrigados a recorrer a um esforço
permanente de convencimento ideológico para manter
sua dominação.
 Por meio desse esforço a dominação econômica se
transforma em hegemonia cultural
 Para a teoria tradicional – os técnicos em currículo se
limitam ao como organizar o currículo
 Para Apple a questão é “por que?” – por que esses
conteúdos e conhecimentos e não outros? Trata-se do
conhecimento de quem? Quais interesses guiam essa
seleção?

 Dá ênfase ao “currículo oficial” – é preciso analisar as


“regularidades do cotidiano escolar” e o currículo
explícito e implícito.
 Silva (2004), ainda considera que tal proposta relaciona-
se ao papel da escola, no que concerne ao
conhecimento oficial, pois, se no currículo,
conhecimento e poder não estão separados,
certamente, há uma clara conexão entre produção,
distribuição e consumo dos recursos materiais e
econômicos com a produção, distribuição e consumo de
recursos simbólicos, como a cultura, o conhecimento, a
educação e o currículo.

 Portanto, segundo Apple (1982), o currículo não pode


ser compreendido e transformado, se não fizermos as
perguntas fundamentais sobre suas conexões com as
relações de poder. Para isso, algumas questões deverão
ser consideradas:
 Como as formas de divisão da sociedade afetam
o currículo?
 De que forma o currículo processa o
conhecimento e as pessoas reproduzem a
divisão da sociedade?
 Apple (1982) ressalta, ainda, que existe uma
clara conexão entre a forma como a economia
está organizada e a forma como o currículo está
organizado. Nesse sentido, as escolas, como um
lócus privilegiado, reproduzem as relações de
desigualdade do mundo econômico, em prol da
manutenção de uma ordem social desigual.
 As escolas são usadas para finalidades hegemônicas.
Essas finalidades são visíveis quando, em seu espaço,
realiza-se a transmissão de valores, tendências
culturais e econômicas que, supostamente, são
compartilhadas por todos. Nesse sentido, garante-se
que um número de estudantes seja selecionado para os
níveis mais elevados de ensino, em virtude de sua
competência, contribuindo para a maximização da
produção do conhecimento técnico, enquanto modelo
de conhecimento exigido pela economia da sociedade
capitalista.
 Uma das funções tácitas da escolarização
é a transmissão de diferentes valores e
tendências para diferentes populações
escolares. Nesse sentido, o
conhecimento formal e informal,
transmitido pela escola, precisa ser
revisto e considerado como interligado,
assim como as práticas educativas
cotidianas devem ser relacionadas aos
interesses econômicos, sociais e
ideológicos.
Textos

O currículo como política cultural: Henry Giroux


(Silva, 2004, p.51-56)
• Henry Giroux: Autor - Estados Unidos
colabora com o desenvolvimento de
elementos teóricos críticos.

• Defende que a cultura deve aparecer como


elemento prioritário quando se discute o
currículo, principalmente quando são
veiculados os elementos culturais
apresentados no cinema, na música e na
televisão.
 Para o autor a teoria tradicional desconsidera o caráter
histórico, ético e político das ações humanas e sociais
e, no caso do currículo, especificamente, desconsidera
a construção do conhecimento. Ele aponta que, dessa
forma, ao desconsiderar o caráter histórico, ético e
político, acaba contribuindo para a reprodução das
desigualdades e injustiças sociais.

 É preciso romper com esse modelo para que haja


elementos de emancipação e libertação.
 Segundo Silva (2004, p. 53), "[...] Giroux
é igualmente crítico, entretanto,
questionava os modelos [...]". Assim,
podemos considerar que Giroux critica
essas análises por não darem suficientes
ou nenhuma atenção às conexões entre,
de um lado, as formas como essas
construções se desenvolvem no espaço
restrito da escola e do currículo e, de
outro, as relações sociais mais amplas.
 Alternativa - o conceito de resistência enquanto um
conceito que superaria o pessimismo e o imobilismo
sugeridos pelas teorias tradicionais. Giroux (1988, p.
26) aponta, então, que elementos de resistência
precisam compor o universo escolar, pois, para romper
com os modelos tradicionais,

[...] há necessidade de romper com a visão de que o


conhecimento escolar é objetivo, como algo a ser
simplesmente transmitido aos estudantes. E sim que o
conhecimento é uma representação particular da
cultura dominante [...]
[...] existe uma outra questão relacionada e
importante operando ao definir-se as escolas e
o currículo como esferas públicas democráticas.
[...] o papel do professor. [...] os professores
precisam desenvolver um discurso e conjunto
de suposições que lhes permita atuarem mais
especificamente como intelectuais
transformadores em que combinarão reflexão e
ação. Giroux (1999, p. 29)
[...] atentem seriamente para a necessidade de
dar aos alunos voz ativa em suas experiências
de aprendizagem? significa desenvolver um
vernáculo crítico que seja adequado aos
problemas experienciados ao nível da vida
diária, especialmente quando estes são
relacionados com experiências pedagógicas
desenvolvidas por práticas de sala de aula.
Giroux (1988, p. 33)
É por meio do conceito de voz que Giroux
aponta para a necessidade de um espaço em
que os anseios, os desejos e os pensamentos
dos estudantes possam ser ouvidos e
atentamente considerados. O fato é que nas
relações de poder, no ambiente educativo e em
ambientes mais amplos, essas vozes têm sido
suprimidas. Considerar os alunos e ouvi-los é,
também, levar em conta a subjetividade de
suas manifestações. Nesse contexto, os
professores, enquanto intelectuais
transformadores,
[...] não estão meramente preocupados
com a promoção de realizações individuais
ou progresso dos alunos nas carreiras, e sim
com a autorização dos alunos para que
possam interpretar o mundo criticamente e
mudá-lo quando necessário. (Giroux, 1999,
p. 29).
A tríade esfera pública democrática,
intelectual transformador e conceito de voz
conferem ao currículo a dimensão
democrática apregoada por Giroux. Com
isso, a Pedagogia e o Currículo, por meio da
noção de política cultural, indicam a
necessidade de rever espaços e situações
que valorizem o diálogo, a subjetividade do
sujeito, as relações sociais, no sentido de
romper com a questão tradicional de que o
currículo é somente a transmissão de fatos
e conhecimentos objetivos, acumulados ao
longo do processo histórico.

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