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DIREITO PENAL I

Prof.ª Dr.ª Michelle Gironda Cabrera


Doutora em Direito Socioeconômico e Desenvolvimento
Advogada criminalista
michellegironda@hotmail.com
PRINCÍPIO SECULARIZAÇÃO DO DIREITO PENAL

• Laicização
• Inicia com os contratualistas (Locke, Hobbes, Rousseau), nos séculos
XVII e XVIII, sustentando o direito do Estado na razão, opondo-se ao
direito canônico e ao princípio da mera retribuição da pena.

Separação entre direito e moral: cabe a cada indivíduo sua


consciência na observância de regras morais e cabe ao direito regular
as ações humanas (desde que exteriorizadas em comportamento).
ITER CRIMINIS
(caminho do crime)

cogitatio atos preparatórios início atos de execução (T) consumação exaurimento

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Reflexos práticos do princípio da
secularização do direito penal
Não cabe ao Estado promover coativamente a moralidade, mas
apenas tutelar a segurança, impedindo que os indivíduos se lesem
uns aos outros.

Princípio da secularização é a ideia de que inexiste uma conexão


entre direito e moral. O direito não em a missão de (re)produzir os
limites e os elementos da mora ou outro sistema metajurídico de
valores éticos que não interessem axiologicamente ao sistema
jurídico: separação entre Estado ≠ Igreja
Delito ≠ Pecado
TOLERÂNCIA COMO FUNDAMENTO DA
SECULARIZAÇÃO

Reflexos práticos do a) Inviolabilidade da intimidade e do respeito à


vida privada (art. 5º, X, CRFB)
princípio da
b) Resguardo da liberdade de manifestação de
secularização do pensamento (art. 5º, IV, CRFB)
direito penal c) Liberdade de pensamento e crença religiosa
(art. 5º, VI, CRFB)
d) Liberdade de convicção filosófica ou política
(art. 5º, VIII, CRFB)
Na prática: entraves se
dão na tentativa de
afastar critérios
subjetivos na aplicação
do direito penal. o juiz
não deve emitir vereditos
morais sobre a pessoa do
acusado, mas apenas
sobre seus
comportamentos
proibidos.
▪ A proscrição de penas cruéis e infamantes, a
proibição de tortura e maus-tratos nos
interrogatórios policiais e a obrigação imposta
ao Estado de dotar sua infraestrutura carcerária
de meios e recursos que impeçam a
degradação dos condenados são corolário
deste princípio também

▪ ADPF N. 37: STF declarou estado de coisas


inconstitucional do sistema penitenciário
brasileiro

▪ CRFB assegura aos presos o respeito à


integridade física e moral (art. 5º, XLIX / art.
1º, LEP)

▪ E o RDD (regime disciplinar diferenciado)?


OAB pediu ao STF que declarasse a
inconstitucionalidade (ADI 4162, está parada)
Princípio da Proporcionalidade
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 já exigia que se
observasse a proporcionalidade entre a gravidade do crime praticado e a
sanção a ser aplicada

No entanto, o princípio da proporcionalidade é uma consagração do


constitucionalismo moderno, sendo consagrado na CRFB em vários
dispositivos:

▪ art. 5º, XLVI (exigência de individualização da pena)


▪ art. 5º, XLVII (proibição de determinadas sanções penais)
▪ art. 5º, XLII, XLIII, XLIV: admissão de maior rigor para sanções mais graves /
moderação para crimes de menor potencial ofensivo
2 subprincípios que têm aplicação sucessiva e
complementar:
• Adequação e necessidade: têm por objeto a otimização das possibilidades da realidade, do
ponto de vista da adequação e da necessidade dos meios em relação aos fins propostos,
formulados em forma interrogativa: a) a pena criminal é um meio adequado para realizar o fim
de proteger um bem jurídico? b) a pena criminal, em sendo meio adequado, é também meio
necessário para realizar o fim de proteger bem jurídico?

• Princípio da proporcionalidade em sentido estrito: tem por objeto a otimização das


possibilidades jurídicas, ao nível da criminalização primária e da criminalização secundária: a
pena cominada e/ ou aplicada (considerada meio adequado e necessário) é proporcional em
relação à natureza e extensão da lesão abstrata e / ou concreta do bem jurídico? A relação
custo / benefício da equação crime / pena indica que a pena criminal, como troca jurídica do
crime medida em tempo de liberdade suprimida, constitui investimento deficitário da
comunidade. E a criminalização secundária apenas agrava o conflito social representado pelo
crime, especialmente em casos de aborto, drogas e crimes de bagatela.
Princípio da responsabilidade penal pessoal

A definição de fato punível nas dimensões do tipo de injusto penal contêm duas
garantias fundamentais:

• Limita a responsabilidade penal aos autores e partícipes do tipo de injusto


com proibição constitucional de extensão da pena além da pessoa do
condenado (Art. 5º, XLV, CRFB)

• Limita a responsabilidade penal aos seres humanos de carne e osso, com


exclusão conceitual da pessoa jurídica, incapaz de culpabilidade
TEORIA DO
GARANTISMO
PENAL
LUIGI FERRAJOLI
Expressão-chave: garantias

(direitos que a Constituição de um país confere aos cidadãos)

Ferrajoli sintetiza as técnicas de minimização do poder institucionalizado (como freio


ao Estado arbitrário) em 10 axiomas:

3 garantias
relativas à pena 3 garantias 4 garantias
relativas ao delito relativas ao
processo
Nullum lege
Nullum poena Nullum crimen
penalis sine
sine crimen sine lege
necessitat

Nullum
Nullum injuria Nullum actione
necessitat sine
10 AXIOMAS sine actione sine culpa
injuria

Nullum judicio Nullum


Nullum culpa
sine acusationes
sine judicio
acusationes sine probatione

Nullum
probatione sine
defentione

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