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AULA 2- DIREITO DAS FAMÍLIAS

Profa Roberta Ayres


CASAMENTO
Antes...

A PROMESSA DE CASAMENTO -RESPONSABILIDADE


CIVIL POR RUPTURA DO NOIVADO
Noivado → traduz maior seriedade no vínculo afetivo –
promessa recíproca de união.
A ruptura injustificada do noivado pode acarretar, em
situações especiais, dano moral ou material indenizável.
Noivo desistente, violando a legítima expectativa de
casamento, impõe, ao outro, prejuízo material ou moral.
Teoria da perda de uma chance – modalidade autônoma de
dano que permite a reparação em decorrência da subtração de
possibilidade séria e real que tinha a vítima de obter
futuramente um benefício.
•“Apelação cível — Responsabilidade civil — Dano moral —
Promessa de casamento — Ruptura injustificada de noivado às
vésperas da realização da cerimônia — Ausência de motivo
justo — Lesão às honras objetiva e subjetiva configuradas —
Responsabilidade — Culpa do réu pelo rompimento —
Imprudência verificada — Dano moral configurado —
Desrespeito ao princípio da boa-fé — Valor da indenização
fixado exageradamente — Necessidade de readequação —
Agravo retido não conhecido e apelo parcialmente provido. Em
que pese a possibilidade de rompimento de noivado até o
momento da celebração das núpcias, existindo evidente
promessa de casamento e ruptura injustificada do compromisso,
que acarreta dano às honras objetiva e subjetiva da noiva, certa
é a incidência do instituto da responsabilidade civil, com a
consequente imposição de indenização” (18ª Câmara Cível do
TJPR, Por maioria, Acórdão n. 4.417, Processo 0282469-5).
No altar????!!!!!!!!!!
Apelação Cível, Rel. Luiz Sérgio Neiva de L. Vieira,
julgamento em 16-8-2006). “Responsabilidade civil —
Casamento — Cerimônia não realizada por iniciativa
exclusiva do noivo, às vésperas do enlace — Conduta
que infringiu o princípio da boa-fé, ocasionando
despesas, nos autos comprovadas, pela noiva, as
quais devem ser ressarcidas. Dano moral
configurado pela atitude vexatória por que passou a
nubente, com o casamento marcado. Embora as
tratativas não possuam força vinculante, o prejuízo
material ou moral, decorrente de seu abrupto rompimento e
violador das regras da boa-fé, dá ensejo à pretensão
indenizatória. Confirmação, em apelação, da sentença que
assim decidiu” (TJRJ, 5ª Câm. Cível; AC 2001.001.17643/RJ,
Rel. Des. Humberto de Mendonça Manes, j. 17- 10-2001,
v.u.).
O Juízo de Direito da 5ª Vara de Família, Sucessões e
Cível, “condenou um homem a indenizar em 2 mil,
por danos morais, sua ex-noiva por ter rompido o
noivado sem motivo aparente”. Na mesma decisão,
restou fixado também que ele pagaria a quantia de
“R$ 3.415,43 por danos materiais, uma vez que logo
após o término do compromisso a autora descobriu
que estava grávida e teve que arcar sozinha com todas
as despesas decorrentes do período de gestação”
(Boletim do IBDFAM, março/abril de 2008, fl. 11).
Quando não configura...
Casamento- Noções introdutórias

“O casamento é um ato jurídico negocial


solene, público e complexo, mediante o qual
os sujeitos constituem família, pela livre
manifestação de vontade e pelo
reconhecimento do Estado” (LÔBO,2008)
Natureza Jurídica do Casamento

a)Contrato – contrato com validade e eficácia oriundas da


vontade das partes. Regras comuns a todos os contratos.

b) Instituição – reflexo da situação social. Vivência a partir


de parâmetros instituídos pela lei aos quais as partes somente
aderiam.

c) Mista – ato complexo, contrato e instituição. Não apenas


contrato de ordem patrimonial, envolve interesses morais e
pessoais.
Finalidades do Casamento

a)Canônica
•Procriação e educação dos filhos
•Unitiva – assistência e satisfação sexual

b)Individualista
•Satisfação sexual

c)Moderna
•Comunhão plena de vida
•Afeto
•Igualdade de direitos e deveres (art. 1511, CC)
Características do Casamento(CF, CC, Trib. Sup.)

a)Solene
Segurança e seriedade ao ato

Formalidades na celebração – representante do


Estado, vontade livre e espontânea, declaração da
autoridade – Art. 1535, CC (habilitação, editais,
cerimônia, e registro)

Inobservância - inexistente
Características do Casamento

b) Regulamentado por normas de ordem


pública
•Imperativas
•Não podem ser derrogadas por convenções
particulares

c) Comunhão plena de vida – igualdade entre


os cônjuges
•Art. 1565, 1566, CC
Parêntese- CC/02

Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher


assumem mutuamente a condição de consortes,
companheiros e responsáveis pelos encargos da
família.
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos;
V - respeito e consideração mútuo
Características do Casamento

d) Caráter personalíssimo
Ampla liberdade de escolha
*Aquiescência dos pais /16-18

e) Inexigibilidade de diversidade de sexos


(Interpret. CF/88 + Jurisprudência)

O Supremo Tribunal Federal, em maio de 2011, reconheceu que a


união homoafetiva deve ser equiparada à união estável para todos os
efeitos, inclusive para a conversão em casamento (STF, ADI 4277 e
ADPF 132, Rel. Min. Ayres Brito, j. 05/05/2011).
Características

f) Inadmissibilidade de termo ou condição


Negócio jurídico puro e simples.
Validade →efeitos
Características do Casamento

g) Estrutura monogâmica (Art. 1521 CC)


-apenas um cônjuge

h) dissolubilidade, de acordo com a vontade


das partes;
Parêntese: Divórcio Colaborativo

Convite ao diálogo;
Abordagem multidisciplinar;
Sem adversários→ interessados
Ambiente de respeito e confiança;
Soluções customizadas, a partir das peculiaridades
de cada família;
Parêntese: Divórcio colaborativo

Os advogados envolvidos, com a concordância de seus respectivos


clientes, firmam o compromisso de não acompanhá-los em juízo, caso um
deles decida dar esse passo;

Objetivo: ajudar o cliente em procedimentos extrajudiciais de negociação;

Os advogados convocam outros profissionais para auxiliar na resolução


dos conflitos.
→consultor financeiro, profissional da área de saúde, psicólogo.

Estratégia: cada assunto receba tratamento adequado.

Metodologia de trabalho
Pressupostos

Gerais:
Sujeito
Objeto
Forma
Vontade
Pressupostos

Específicos:
A celebração por autoridade competente em razão da
matéria;

O livre consentimento dos nubentes


Obs: silêncio não é forma de manifestação de vontade;
Casamento: finalidade

Finalidade: Estabelecer comunhão de afetos,


constituindo uma entidade familiar formal e solene.

Outras finalidades?
-Impulso
-Satisfação social
-Frustração
-Financeira
Casamento: Prova ???

-Certidão de Registro Civil expedida pelo Cartório


competente
Presunção relativa. Prova direta. Se o ato aconteceu e
não foi lavrado ou pereceu, admite-se prova indireta,
na forma do art. 369(fotos, doc., testemunhas, vídeo)
Justificação Judicial. Efeito retroativo.

-Casamento celebrado no exterior


Registro no cartório de domicílio dos cônjuges, no
prazo de 180 dias
Casamento: Prova???

•Deve a lei estrangeira, portanto, nesse caso. reger o


casamento em todos os seus três planos (existência.
validade e eficácia), até mesmo no regime de bens
adotado.

•Para a validade de casamento de estrangeiro no Brasil,


vindo o casal a fixar residência aqui, é necessário o
registro da certidão do casamento, com a devida
tradução e a autenticação pelo agente consular brasileiro.
Casamento: Prova???

STJ: “O casamento celebrado no estrangeiro é


válido no país, tenha ou não sido aqui registrado, e
por isso impede novo matrimônio, salvo se desfeito
o anterior”.
*É possível lavrar o registro após o decurso do prazo.
Casamento: Capacidade

•Idade mínima – 16 anos (idade núbil) – com autorização


dos pais ou representante legal (art. 1517, CC).

Obs.: Art. 1520. Mudou com a Lei n. 13.811/19. No BR, é proibido


autorizar o matrimônio de menor de 16 anos!
Vide CF/88 e ECA

•Divergência / Se um dos pais não anuir → suprimento


judicial (1517, 1519, CC)

•A autorização pode ser revogada (1518)


Casamento: Capacidade

•Cessa a incapacidade com a celebração – dissolução


do vínculo → mantém-se a capacidade civil
•Pessoa com deficiência – art. 6º Lei 13.146/2015 / art.
1550, § 2º, CC
Art. 1.550. É anulável o casamento: (Vide Lei nº 13.146, de 2015)
(Vigência)
§ 2o A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia
poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou
por meio de seu responsável ou curador. (Incluído pela Lei nº 13.146, de
2015)
Habilitação para o Casamento

São 4 fases:
1) Requerimento e apresentação de documentos (art.
1525 CC);
2) Editais de proclamas;
3) Registro
4) Expedição de certidão
Habilitação para o Casamento

-Processo de habilitação perante o oficial do registro


civil (Art. 1526,CC) → capacidade para o casamento/
inexistência de impedimentos/ publicidade
*Mudança de nome

-1527 → edital de proclamas / Cartório de domicílio


dos nubentes. Prazo de 15 dias
Habilitação para o Casamento
O oficial do Registro Civil tem o dever de esclarecer os nubentes a
respeito dos fatos que podem ocasionar a invalidade do
casamento, bem como sobre os diversos regimes de bens (1528).

Oposição à habilitação – (1529 / 1530) – escrita / assinada/


provas / prazo aos nubentes para fazer prova contrária

Se cumpridas as formalidades previstas em lei e verificada a


inexistência de fato obstativo, o oficial do registro extrairá o
certificado de habilitação (art. 1.531).

•A habilitação terá eficácia de noventa dias, contados de


quando for extraído o certificado (art.1.532).
Celebração

Dia, hora e lugar designados pela autoridade (art. 1533)

Sede do cartório – publicidade (portas abertas/duas testemunhas)


– Art. 1534

Prédio particular – autorização da autoridade celebrante – portas


abertas/quatro testemunhas – Art. 1534, § 1º e 2º

Art. 1535 – termos


Art. 1536 – assento no livro de registro
Suspensão

Art. 1538, CC
Suspensão – antes da declaração do celebrante

O casamento não poderá celebrar-se no mesmo dia


em que foi suspenso em virtude de recusa de um dos
contraentes – aparente coação (1538, p. u.)

Art. 1518, CC
Tipos de Casamento

Casamento por Procuração


Art. 1542, CC .Casos de impossibilidade do contraente
comparecer pessoalmente perante a autoridade
competente.

Casamento Civil
Realizado perante o oficial do Cartório do Registro
Civil.
Tipos de Casamento

Casamento Religioso com efeitos civis

•Mesma validade do casamento civil – desde que atenda às exigências de validade – Art.
1515;

•Validade – habilitação feita antes ou depois do ato de celebração.

•Art. 1516 – mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.

§ 1º Registro civil do casamento religioso – 90 dias de sua realização - já realizada a


habilitação prévia
§ 2º Casamento religioso celebrado sem habilitação civil prévia
§ 3º Nulo o registro civil do casamento religioso se antes dele qualquer dos nubentes já
tiver contraído casamento civil anterior.
Tipos de Casamento

Casamento Putativo

•Nulo ou anulável mas contraído de boa-fé por um ou ambos os cônjuges.

•Presunção de ser verdadeiro algo que não o é.

•As partes e terceiros reputam ter sido legalmente celebrado.

•Apura-se a boa-fé no momento da celebração.

•Art. 1561, CC
•§ 1º e § 2º
Tipos: Casamento em caso de moléstia grave

A habilitação foi feita, mas por conta de grave doença, tornou-se


impossível o comparecimento à solenidade matrimonial no dia, hora
e local marcados.
•Art. 1539
Eventual falta ou impedimento da autoridade competente para
presidir o casamento será suprida por qualquer dos seus substitutos
legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado
pelo presidente do ato (art. 1.539, § 1.º, do CC).

O termo avulso, lavrado por esse oficial nomeado às pressas, será


registrado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas
testemunhas, ficando arquivado (art. 1.539, § 2.º, do CC).
Casamento no HU-UFPI

“Paciente internado há um mês se casa com


noiva grávida em hospital de Teresina. Família
preferiu não informar a doença que o noivo
possui. Para ele, a cerimônia foi a
demonstração de que ele tem o apoio de muita
gente ao seu redor”
Por G1 PI
28/08/2021 08h31  Atualizado há uma semana
Casamento- moléstia grave
Tipos: Casamento Nuncupativo

Quando um dos nubentes está em iminente risco de morrer.

•Urgência – celebração sem a autoridade competente e sem


prévia habilitação. Não há a presença da autoridade
celebrante prevista em lei, ao contrário da modalidade
prevista no art. 1.539 do CC.

Desde que demonstre higidez mental a sua vontade deve ser


respeitada. 6 testemunhas (não parentes).
•Art. 1540
Fev 1919

Oswald de Andrade e Maria de Lourdes Castro

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