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Unidade 4

O desenvolvimento e
os direitos humanos
4.1 Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução
4.2 Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento
Economia C 12.º ano
Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

4.2 Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

Noção de direitos humanos


Os direitos humanos são, pois, os direitos
Os direitos humanos definem-se como sendo as
inerentes a todos os seres humanos
«garantias jurídicas universais que protegem
independentemente da sua origem étnica, cor,
indivíduos e grupos contra ações ou omissões
nacionalidade, sexo, crença religiosa e posição
dos governos que atentem contra a dignidade
social.
humana». (ONU)

Apesar de muitos países terem


Os direitos humanos estão
ratificado a Declaração Universal dos
consagrados na Declaração
Direitos Humanos e de estes se
Universal dos Direitos Humanos,
encontrarem inscritos nas suas
que foi aprovada em 1948.
Constituições, as violações dos direitos
humanos são ainda uma constante em

todo o mundo.

Economia C 12.º ano


Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

Caraterísticas dos direitos humanos

UNIVERSALIDADE INDIVISIBILIDADE
Os direitos humanos pertencem a todas as Não há hierarquia entre os vários direitos
pessoas sem exceção, e todas têm o mesmo humanos, pois são todos igualmente
estatuto relativamente a esses direitos, importantes e necessários para garantir uma
independentemente do género, da nacionalidade, vida digna. Também não se pode suprimir um
da etnia ou da religião. direito para promover outro.

INALIENABILIDADE
INTERDEPENDÊNCIA
Os direitos humanos não podem ser retirados ou
Os direitos humanos são interdependentes, pois
cedidos por ninguém, pois pertencem
todos estão inter-relacionados; a ausência ou a
inquestionavelmente a qualquer ser humano.
violação de um põe em causa a realização de
Mesmo quando os direitos humanos são violados,
outros direitos.
continuam a existir.

Atividade
pág. 163

Economia C 12.º ano


Evolução dos direitos humanos

Padre Bartolomeu de las Casas (1474-


Padre António Vieira (1608-1698) destacou-se na defesa
1566) foi um grande defensor dos direitos
dos povos índios e dos escravos
dos índios
Evolução dos direitos humanos

1673 – Poullain de la Barre fundamentou a 1688 – é estabelecido no


igualdade das mulheres Parlamento inglês, o Bill of
rights com o objectivo de o
monarca Guilherme de
Orange respeitar os direitos
do povo
4 de Julho
de1776 –
Declaração da
Independência
dos EUA

• São proclamados
alguns direitos como,
por exemplo, o direito
de associação, a
liberdade religiosa, a
liberdade de expressão
do pensamento, a
liberdade de imprensa
e o direito a não ser
sujeito a castigos
cruéis.
Precursores da Revolução Francesa

Montesquieu

Montesquieu (1689-1755) defendeu as doutrinas constitucionais liberais


que se baseiam na separação de poderes (legislativo, executivo e judicial).

Voltaire (1694-1778) defendeu a liberdade de consciência e a legalidade das


penas. Fez campanhas a favor das vítimas dos erros judiciários.

Rousseau (1712-1778) filósofo e escritor foi um grande defensor da


igualdade e da liberdade e considerou que a lei deveria ser a expressão da
vontade geral.
Direitos Humanos de
1ª Geração
(Direitos civis e
políticos)
Revolução Francesa
(1789)
• Déclaration des droits
de l’ homme et du
citoyen (Declaração dos
Direitos do Homem e do
Cidadão)
Direito das Mulheres • 1791 – Olympe de
Gouges:
à Cidadania Déclaration des
droits de la femme
et de la citoyenne
(Declaração dos
Direitos da Mulher
e da Cidadã).

• 1793 – Mary
Wollstonecraft
publicou A
vindication of the
rights of woman
(Uma
Reivindicação dos
Direitos da
Mulher).
Luta pelo direito de voto para as mulheres
As sufragistas e as suffragettes

• A luta pelo direito de


voto para as
mulheres
desenvolveu-se ao
longo do século XIX
e 1ª metade do
século XX com o
movimento das
sufragistas e das
suffragettes
(sufragistas com
ações mais radicais)
• Emmeline Pankhurst (1858-
1928) uma das mais
destacadas suffragettes
britânicas foi presa várias
vezes e fez greve de fome
(tendo sido alimentada à
força). Criou a organização
sufragista “Women’s Social
Political Union”, que utilizou
acções radicais pelo direito
ao voto das mulheres.
Direitos Humanos de 2ª
Geração
(Direitos económicos e
sociais)

• As lutas operárias no século XIX


e 1ª metade do século XX tiveram
como principais objetivos a luta
por melhores condições de
trabalho (melhores salários,
diminuição da jornada de trabalho
e repouso semanal) e o direito à
cidadania.

• Possibilitaram a conquista de
vários direitos políticos,
económicos e sociais como, por
exemplo, a jornada de trabalho
das 8 horas diárias e o princípio
de “para trabalho igual, salário
igual”.
Declaração • 10 de Dezembro de 1948
Universal dos • Aprovação da Declaração Universal dos
Direitos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das
Nações Unidas
Humanos
Direitos
das
Crianças
• 1946 – Criação da UNICEF
pela ONU
• 1959 – Declaração sobre os
Direitos da Criança
aprovada pela ONU
• 1989 – Convenção sobre os
Direitos da Criança (CDC)
aprovada pela ONU
• 1993 – Início da Marcha
Contra o Trabalho Infantil
Eliminação das
discriminações
raciais

• Rosa Parks, em 1955,


praticou um acto de
desobediência civil,
nos EUA, ao recusar-se
a ceder o lugar a um
branco no autocarro,
como estabelecia o
regulamento, dando
origem ao movimento
de defesa dos direitos
civis.
• Martin Luther King é galardoado com o Prémio Nobel da Paz, em
Eliminação das 1964, devido à sua luta pela igualdade de direitos civis dos cidadãos
e cidadãs afro-americanos nos EUA. É assassinado em 1968.
discriminações
raciais • Em 1965, é aprovada pela ONU a Convenção Internacional para a
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (ICERD).
Eliminação de todas as
formas de discriminação
contra as mulheres

• 1979 – Aprovação da
Convenção sobre a Eliminação
de Todas as Formas de
Discriminação Contra as
Mulheres (CEDAW) pela
Assembleia Geral das Nações
Unidas.

• 1995 – Plataforma de Acção de


Pequim, aprovada na 4ª
Conferência das Nações
Unidas sobre as Mulheres.

• 2000 – Plataforma de Pequim +


5 (Conferência das Nações
Unidas de “Pequim + 5”).
• Foram os povos africanos que introduziram a noção de
Direitos direitos coletivos, ao aprovarem na OUA (Organização de
Unidade Africana), em 1981, a Carta Africana dos
Humanos de Direitos Humanos. Foram, então, estabelecidos os
direitos dos povos ao desenvolvimento e a um ambiente
3ª Geração equilibrado, o que levou, em 1986, a ONU (Organização
(Direitos das Nações Unidas) a integrar também os direitos
coletivos: direito à paz, ao desenvolvimento, a um
colectivos) ambiente equilibrado e ao usufruto do património da
Humanidade, por exemplo.
• Direito coletivo – diz respeito a todas as pessoas. Implica que todos
Direito ao os seres humanos tenham acesso à satisfação das necessidades
básicas e que haja igualdade de oportunidades para todos para que a
desenvolvimento justiça social seja uma realidade.
(Direito humano • O desenvolvimento constrói-se com a participação democrática das
de 3ª geração) populações na condução dos seus destinos, respeitando o direito ao
desenvolvimento das gerações vindouras.
Objetivos de
• Os 8 ODM estabelecidos pela ONU, em 2000,
Desenvolvimento deveriam ser atingidos em 2015
do Milénio
Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS)
(2015-2030)

ODS
“A Estrada Para a Dignidade até 2030: Erradicar a
Pobreza, Transformar Vidas e Proteger o Planeta”
Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

Evolução dos direitos humanos

Ao longo da história, os direitos humanos foram passando por um processo de evolução marcado por
três gerações de direitos.
Convém ainda entender que os direitos humanos não podem ser vistos como algo acabado, mas como
um processo que está permanentemente em evolução.

Atividade
pág. 164 Amnistia Internacional: http://www.amnistia-internacional.pt

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Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

• Convenção Internacional para Todas as Formas de


Discriminação Racial;

• Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de


Discriminação Contra as Mulheres;

Algumas convenções em • Convenção sobre os Direitos da Criança;


vigor em Portugal e em • Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de
diversos países do mundo
Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das
suas Famílias;

• Convenção sobre os Direitos das Pessoas com


Deficiência;

• Convenção Internacional para a Proteção de Todas as


Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados.

Atividade
pág. 165

Economia C 12.º ano


Direitos humanos – noção, caraterísticas e evolução

Universalidade dos direitos humanos

Os direitos humanos são universais, o que A universalidade dos direitos humanos


significa que pertencem a todos os seres significa que estes são independentes da
humanos independentemente do local no diversidade cultural, pois todos os seres
mundo onde possam ter nascido, da etnia a humanos, qualquer que seja a sua cultura
que pertençam, da religião que professem, ou estatuto social, merecem ser tratados
da sua classe social ou do género. com dignidade.

Pelo simples facto de se ser humano, está-


se habilitado a um conjunto de direitos,
liberdades e garantias que são inalienáveis.

Atividades
págs. 166
e 167

Economia C 12.º ano


Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

4.2 Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

O desenvolvimento traduz-se na Tal implica a promoção da justiça social,


capacidade de uma sociedade ou seja, promover uma verdadeira
satisfazer as necessidades da sua igualdade de oportunidades a todos os
população e lhe permitir alcançar um membros da sociedade.
nível de bem-estar adequado.

Trata-se da realização dos direitos humanos, em


especial o direito ao desenvolvimento.

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Observando a paisagem mundial, A pobreza é uma das faces mais profundas


verificamos que existem fortes destas desigualdades, sendo também a
desigualdades entre os países e maior negação do direito ao
mesmo no seio de um mesmo país. desenvolvimento.

Em 2011, cerca de 22% da população mundial, o que significa 1,2


milhões de pessoas, vivem com menos de 1,25 dólares por dia, e 2,7 mil
milhões vivem com 2,50 dólares por dia. No entanto, as 85 pessoas mais
ricas do mundo têm a mesma riqueza que os 3,5 mil milhões mais
pobres.

Economia C 12.º ano


Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Percentagem de crianças Cinco principais países com


subnutridas (em %) as quotas mais elevadas de
pobreza extrema mundial,
2010 (em %)

Nações Unidas, The Millennium Development Goals Report 2014, Nações Unidas, The Millennium Development Goals Report 2014,
in http://www.un.org/millenniumgoals in http://www.un.org/millenniumgoals

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM)

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio


Os Objetivos de Desenvolvimento do
só poderão ser alcançados se os países
Milénio (ODM) foram fixados na
desenvolvidos e os países em
Declaração do Milénio, ocorrida em 2000,
desenvolvimento unirem esforços no sentido
e funcionam como finalidades a atingir
de impulsionar o desenvolvimento, num
pelos países até finais de 2015.
verdadeiro clima de diálogo entre o Norte e o
Sul.
Para medir os progressos realizados nos
ODM, utiliza-se um conjunto de
indicadores de desenvolvimentos.

Atividade
Assim, é possível conhecer de que forma pág. 169

os ODM se traduziram na melhoria da


qualidade de vida das pessoas.

UNRIC: http://www.unric.org/pt/objectivos-de-desenvolvimento-do-milenio-actualidade
IMVF: http://www.imvf.org/ficheiros/IMVFPolicyPaper_pos2015.pdf

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Economia C 12.º ano


Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

As doenças evitáveis são a principal causa de É essencial reduzir o número de mortes infantis na
morte nas crianças com menos de cinco anos, e África Subsariana e no Sul da Ásia.
quase metade das mortes nas crianças com menos
Centro Regional de Informação das Nações Unidas, Relatório sobre os ODM 2014,
de cinco anos ocorrem durante o período neonatal. in http://www.unric.org/html/portuguese/mdg/MDG-PT-2014.pdf

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Ajuda ao desenvolvimento

Para distinguir de outros fluxos privados, o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD), um organismo
da OCDE, estabeleceu um conjunto de critérios que permitem definir o conceito de Ajuda Pública ao
Desenvolvimento (APD).

• ser fornecida aos países em desenvolvimento,


Não são consideradas como Ajuda Pública
dentro de um quadro bilateral ou acordada por
ao Desenvolvimento, por exemplo
instituições multilaterais;

• ser atribuída por organismos públicos; a ajuda militar;


as operações de manutenção de combate
• destinar-se a promover o desenvolvimento;
ao terrorismo;
• assentar em condições financeiras favoráveis as operações militares de manutenção da
em que pelo menos 25% sejam atribuídos a paz.
fundo perdido.

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Uma vez que os países vão, ao longo dos O CAD é atualmente composto por 29

anos, alterando a sua situação, a OCDE países, sendo Portugal um dos seus

define a cada três anos os países elegíveis membros.

como recetores de Ajuda Pública ao


Desenvolvimento. Este grupo de países assumiu o
compromisso, aquando da formação deste

A última revisão foi apresentada em organismo, de transferir anualmente 0,7% do

novembro de 2014 e abrangeu os países seu PNB.

cujo Rendimento per capita anual se


situava, em 2010, abaixo de 12 276
dólares. Composição da ajuda ao
desenvolvimento

A próxima revisão será realizada em 2017.


a ajuda de emergência
a cooperação técnica
o alívio da dívida

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Tipos de Ajuda Pública ao Desenvolvimento

Ajuda bilateral Ajuda multilateral

Quando é concedida por um Estado Quando é concedida a um Estado através


diretamente a outro Estado, assumindo a de organismos internacionais como as
forma de empréstimos ou de doações. Nações Unidas ou o Banco Mundial,
destinada a financiar projetos e
Por exemplo: programas implementados por estas
trata-se de ajuda bilateral quando o instituições nos países em
governo de um país doador realiza uma desenvolvimento.
doação a um país recetor destinada a
apoiar um programa de vacinação infantil.

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

A ajuda como forma de promover o direito ao desenvolvimento

A Ajuda Pública ao A Ajuda Pública ao Desenvolvimento constitui

Desenvolvimento constitui uma ainda a forma mais eficaz para alcançar os

forma de promover o Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.

desenvolvimento
APD líquida per capita, 2013 (dólares)

pois possibilita a implementação de


projetos em diferentes áreas como
a saúde, ou a educação, e assim
participar para a melhoria das
condições de vida e de trabalho
das populações pobres.

Atividade
pág. 171 OCDE, Development Aid at a Glance 2015, in http://www.oecd.org/

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Situação atual da Ajuda

Ajuda Pública ao Desenvolvimento por região (em % da APD total)

OCDE, Development Aid at a Glance 2015, in http://www.oecd.org/

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

APD bilateral para África por principais doadores do CAD (mil milhões de dólares)

OCDE, Development Aid at a Glance 2015, in http://www.oecd.org/

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Os 10 principais países africanos recetores de APD (milhões de dólares)

OCDE, Development Aid at a Glance 2015, in http://www.oecd.org/

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Ajuda Pública ao Desenvolvimento, por país doador do CAD, 2013

http://www.compareyourcountry.org/_oda?page=0&cr=oecd&lg=en
OCDE, Officeal Development Assistence, in
Ao longo dos anos, a meta fixada raramente foi atingida, tendo alcançado Atividade
pág. 172
o mínimo histórico em 1998, ano em que se fixou em 0,22% do PNB.

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Economia e justiça social – o direito ao desenvolvimento

Obstáculos à eficácia da APD

Responsabilidades dos países Responsabilidades dos países recetores


doadores
a ajuda tem sido mal aplicada
a ajuda tem sido insuficiente a ajuda tem sido apropriada pelas elites do poder
a ajuda tem sido inconstante a ajuda pode criar um clima de inércia
a ajuda não tem sido isenta a ajuda pode provocar a subida da taxa de
a ajuda tem sido descoordenada inflação e das taxas de câmbio

Ajuda ligada
A ajuda bilateral pode, muitas vezes,
estar associada a contratos que vinculam
os países recetores a adquirirem bens e
serviços provenientes dos países
doadores.

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