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BANCO

DE SEMENTES
O QUE É O BANCO DE
SEMENTES?
Segundo BAKER (1989), é um agregado de sementes não
germinadas, potencialmente capazes de repor plantas adultas
anuais que morreram por morte natural ou não, e plantas
perenes, susceptíveis à morte por doença, distúrbio ou consumo
por animais.

É também um arquivo de informações das condições


ambientais e práticas culturais anteriores, sendo fator
importante de avaliação do potencial de infestação das plantas
daninhas no presente e no futuro (TEMPLETON e LEVIN, 1979).
SEMENTES
PRODUZIDAS
e/ou
INTRODUZIDAS
(TEMPO)

RESERVATÓRIO
OU
BANCO DE SEMENTES

Adaptado de ROBERTS (1981)


Tabela 1- Número de sementes por planta de
diversas espécies de plantas daninhas.
ESPÉCIES N SEMENTES POR PLANTA
Amaranthus hibridus 235.000
Amaranthus retroflexus 117.000
Ageratum conizoides 40.000
Avena fatua 250
Bidens pilosa 3.000 - 6.000
Cenchrus echinatus 789
Digitaria horizontalis 2.000 - 150.000
Echinochloa crusgalli 2.000 - 40.000
Eleusine indica 2.000 - 40.000
Portulaca oleracea 10.000
Solanum nigrum 178.000
Sonchus oleraceus 3.136
Fonte: HOLM et al. (1977) citado por Pelissari &
Gonçalves (2004).
CARACTERÍSTICAS DAS SEMENTES
PRODUZIDAS POR PLANTAS DANINHAS

 O sucesso de uma planta que se reproduz exclusivamente de


forma sexuada depende principalmente do número e da
viabilidade das sementes produzidas por indivíduos.

Ex. Picão Preto (Bidens pilosa) :


Apresenta 1.500 aquênios por planta com aproximadamente
80% de germinação. Produz 3 a 4 gerações por ano. Sementes
enterradas apresentam 80 % de germinação após cinco anos.
CARACTERÍSTICAS DAS SEMENTES PRODUZIDAS POR
PLANTAS DANINHAS
• Euphorbia heterophilla (leitero,
amendoim bravo)
Suas sementes germinam no verão até 12
cm de profundidade (80% de 2 a 4 cm) e
possuem uma viabilidade de 95 – 98 % e uma
taxa de emergência de 54% . Não requerem luz
para germinar e germinam a temperaturas de 20
a 40 C°.
Período de sobrevivência de sete anos no solo e
no sistema plantio direto de três (diversos autores
citados por VOLL et al. 2005).

• Ipomoea spp. (corda de viola)


As sementes apresentam tegumento duro
imperveável (causa da dormência). Sua
sobrevivência no solo pode atingir até dez
anos.
CARACTERÍSTICAS DAS SEMENTES
PRODUZIDAS POR PLANTAS DANINHAS
• Sida sp. (guanxuma)
Em semeadura direta sobrevivem no solo até
três anos. Germinação maior de 75% a
temperaturas de 30 a 40 C°.

• Commelina bengalhensis (trapoeraba)


Possui sementes aéreas e subterrâneas
(grandes e pequenas). As sementes grandes
germinam mais. Sementes subterrâneas
germinam mais com luz.
DETERIORAÇÃO SEMENTE PLANTA
SENESCÊNCIA

PREDAÇÃO POR
VERTEBRADOS E BANCO DE SEMENTES GERMINAÇÃO
INVERTEBRADOS

MICROORGANISMOS

TRANSPORTE POR ANIMAIS, MORTE


VENTO, ÁGUA, HOMEM
MAQUINÁRIO, etc...

Figura 01. Dinâmica de bancos de sementes no solo

Fonte: (Carmona, 1992).


PROCESSOS FATORES
ENVOLVIDOS
MEIO AMBIENTE

Temperatura; Umidade;
SEMENTES e Oxigênio do solo RA
UMIDADE DO s SOLO
GERMINADAS
INTERNOS
DORMÊNCIA DE
SEMENTES
BANCO DE
SEMENTES
MANEJO
MANEJO DO SOLO
FERTILIZAÇÃO

Figura 1. Diagrama de alguns fatores que controlam a germinação


de sementes de plantas daninhas, como parte integrante de uma
das etapas da dinâmica populacional.
BANCO DE SEMENTES

O banco de sementes pode variar em qualidade e quantidade,


em função do tipo de manejo da cultura e tipos de controle
(preparo do solo, rotação de culturas, controle químico e
operações de colheita).

Apresenta duas dimensões:


Dimensão espacial, considerando a distribuição horizontal e
vertical das sementes no solo que refletem a dispersão inicial na
superfície e a subsequente movimentação no solo; e

Dimensão temporal, mediante a dormência que distribui a


germinação das sementes no decorrer do tempo (SIMPSON, et al.,
1989).
DIMENSÃO ESPACIAL
DISPERSÃO DE SEMENTES

Formas de Dispersão:

1) Dispersão Mecânica presença de espinhos nas


sementes (Cenchrus echinatus; Xanthium strumarium;
Bidens pilosa; Acanthospermum hispidum);

2) Dispersão pelo vento plantas da família das


Asteraceae (estruturas facilitadoras);

3) Dispersão pela água estudo no estado de Nebraska


– USA estimaram a introdução de 1.200.000 sementes
há.ano via irrigação.
Acanthospermum hispidum Bidens pilosa

Tridax procumbens
Digitaria insularis Cenchrus echinatus L.
DISPERSÃO DE SEMENTES

4) Dispersão pelo Homem;

5) Dispersão pelos animais;

6) Dispersão por equipamentos agrícolas


DIMENSÃO TEMPORAL
DORMÊNCIA DE SEMENTES
• A dormência é o fenômeno pelo qual sementes de uma
determinada espécie, mesmo sendo viáveis e tendo todas as
condições ideais para tanto, deixam de germinar.

• Fatores ambientais que podem gerar ou interromper a


dormência:
• alterações de temperatura;
• alteração no conteúdo de água do solo;
• Alteração na qualidade e na duração da luz;
• Variação no secamento e molhamento da superficie
do solo, na pressão parcial de oxigênio e gás
carbônico no ar do solo,
Apenas parte das sementes germinam (5 a 7%) no ano.
DORMÊNCIA DE SEMENTES

Tipos de Dormência de Sementes de Plantas Daninhas :

a ) estacional: sementes que tem sua quebra de dormência


caracterizada pela previsibilidade;

b ) oportunística: sementes que tem sua dormência quebrada


oportunísticamente a qualquer época do ano, desde que as
condições sejam favoráveis.

Mecanismos de dormência :
1) Controle de entrada de água no interior da semente;
2) Controle de desenvolvimento do eixo embrionario;
3) Controle do equilíbrio de substâncias promotoras e
inibidoras do crescimento.
DORMÊNCIA DE SEMENTES

Classes de Dormência de Sementes de Plantas Daninhas :

a ) dormência primária: a semente encontra-se dormente ainda na planta


mãe (regulada por fatores genéticos), tais como impermeabilidade dos
tegumentos (Fabaceae, Chenopodiaceae, Convolvulaceae) imaturidade
do embrião e inibidores bioquímicos presentes na semente ou no
tegumento.

B ) dormência secundária: quando a dormência é causada por condições


ambientais desfavoráveis à germinação. A semente é liberada da
planta mãe não dormente.
DORMÊNCIA DE SEMENTES

• Polimorfismo Genético : sementes de uma mesma planta


apresentam diferenciação genética de seu DNA relacionada à
dormência. Ex. joá de capote (Nicandra physaloides);

• Polimorfismo Somático : é caracterizado por parte das


sementes de uma mesma planta apresentar estruturas que
conferem dormência, e parte das sementes são prontamente
germináveis. Ex. carrapichão (Xanthium strumarium)
IMPORTÂNCIA DA LUZ NA QUEBRA DE
DORMÊNCIA
• O fato posicional da semente no solo está diretamente relacionado a luz e
a seu fotoblastismo;

• No estímulo da luz na germinação das sementes é conhecido o


envolvimento de fitocromos (moléculas protéicas fotossensíveis).

• Na maioria dos casos é a fotoconversão do fitocromo P660 a fitocromo


710 e viceversa.

Luz vermelha
Pr Pfr
Luz vermelha –
distante
• Sementes fotoblásticas positivas (maioria das plantas daninhas)
somente germinam quando a proporção P710 é maior que P660.
Euphorbia heterophylla – fotoblástica neutra
Acanthospermum hispidum - Fotoblástica positiva
LONGEVIDADE

BURNSIDE, 1996.
DENSIDADE DA FLORA INFESTANTE EM GERAL É UM
REFLEXO DO SISTEMA DE AGRICULTURA EMPREGADO

Fatores físicos: transformações principais que ocorrem a nível


de estrutura do solo e cobertura vegetal bem como os seus efeitos
indiretos, quanto a adoção de um sistema de manejo reduzido do
solo.

Fatores Químicos: modificação das propriedades e dinâmica


de íons e substâncias presentes no solo, com a formação e
acúmulo de moléculas orgânicas e inorgânicas. Ex. ALELOPATIA.

Fatores Biológicos: como consequência dos fatores


anteriores haverão mudanças na dinâmica da biota do solo.
TIPO DE PREPARO DO SOLO

O cultivo do solo acarreta redistribuição vertical das sementes de


plantas daninhas e modificações das propriedades físicas do solo
influenciando o banco de sementes;

A emergência das plantas daninhas aumenta com os enterrios


superficiais e, decresce exponêncialmente , a maiores
profundidades.

Germinação, dormência e viabilidade de sementes de plantas


daninhas no solo, pode ser regulada pelas características dos
micrositios (locais formados pelos agregados);
FONTE: Voll et al. (2005)
INFLUÊNCIA DA COBERTURA MORTA NA POPULAÇÃO DE
PLANTAS DANINHAS

Quantidades de 4,5 a 9 t/ha de cobertura morta de aveia preta


na superficie do solo tem reduzido população de Brachiaria plantaginea
De 700 plantas/m2 na área de pousio, para 5 a 20 plantas/m2
(Theisen e Vidal, citados por VOLLT et al., 2.005);

Em outro experimento cobertura de 5,4 t/há reduziu de modo


exponêncial Uma emergência de 44,7 plantas/m2 para 1,8 plantas/m2
( Fornarolli citado por VOLLT et al. 2.005).
FATORES ENVOLVIDOS NA INFLUÊNCIA DA COBERTURA
MORTA NO POPULAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS

• Fatores físicos: transformações principais que ocorrem a nível de


estrutura do solo e cobertura vegetal bem como os seus efeitos
indiretos, quanto a adoção de um sistema de manejo reduzido do
solo;

• Fatores Químicos: modificação das propriedades e dinâmica de


íons e substâncias presentes no solo, com a formação e acúmulo de
moléculas orgânicas e inorgânicas. Ex. ALELOPATIA;

• Fatores Biológicos: como conseqüência dos fatores anteriores


haverão mudanças na dinâmica da biota do solo.
FIM
TRABALHO BANCO DE SEMENTES

Objetivo: Avaliar quanto ao número de plantas


daninhas germinadas em cada coleta e identificar
quanto ao gênero.

Data de entrega e
apresentação: 19/10/2021
50% DA PRIMEIRA NOTA.
Parte Prática:

Coletar o solo em diferentes profundidades dentro


de uma área de 1 m². O solo deverá ser colocado
em vasos com 4 repetições para cada profundidade,
deverá ser irrigado por 30 dias e ao final será ser
feita a contagem das espécies e identificação a nível
de gênero.

Profundidades:
1 = 0 a 5 cm
2 = 5 a 10 cm
3 = 10 a 20 cm
4 = 20 a 30 cm
Parte escrita:

Relatório contendo o levantamento das plantas


daninhas por profundidade e uma pequena
descrição de cada espécie encontrada.
Anexar fotos do trabalho.

Apresentação dos resultados para os colegas.

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