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DIREITO DA Prof.ª.

Drª Célia
CRIANÇA E Rosenthal Zisman
DO
ADOLESCENT
E E ESTATUTO
DO IDOSO
INTRODUÇÃO
• ECA, Lei n. 8.069, de 1990: crianças e adolescentes como sujeitos de direito que necessitam de
proteção; beneficiários e destinatários da doutrina da proteção integral.
• Pactos internacionais.
• Proteção integral. Art. 227, CF de 1988.
•É estabelecido sistema de garantias de direitos.
•Município: deve estabelecer a política de atendimento dos direitos, por meio do Conselho Municipal
dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), e executá-la com a participação da sociedade.
•Família, sociedade e Estado: membros do sistema de garantias destinado a todas as pessoas em
desenvolvimento.

• Código de Menores, Lei nº 6.697, de 1979 – revogado.


Conceitos
Criança e adolescente.

Art. 2º do ECA.

Critério biológico.

Importância da distinção: medidas socioeducativas.

Incapacidade relativa e incapacidade absoluta.

Lei nº 13.257/2016 - formulação e implementação de políticas públicas para crianças na "primeira


infância“: até os primeiros 6 anos completos.
Dispositivos do ECA
“Art. 5.º- Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na
forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
•Art. 6.º- Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se
dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a
condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em
desenvolvimento.”
•Os critérios de interpretação são os fins sociais, a condição peculiar da criança ou
do adolescente, exigências do bem comum, direitos e deveres individuais e coletivos. As
normas devem ser aplicadas levando-se em conta o melhor interesse do menor.
•EX.: ADOÇÃO SEM DIFERENÇA DE IDADE DE 16 ANOS; ADOÇÃO DE
DESCENDENTE; MULTIPARENTALIDADE.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE.

1. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO INTEGRAL. ART. 227, CF

•É observado em vários países, inspirando convenções internacionais.


•Dever do Estado, da sociedade e da família: zelar pela inviolabilidade dos direitos fundamentais da criança e do adolescente,
deixando-os a salvo de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

2. PRINCÍPIO DA PRIORIDADE ABSOLUTA: Decorre da Proteção Integral.

•Deve ser assegurado por: família, sociedade e Poder Público.


•Primazia em favor de crianças e adolescentes em todas as esferas: judicial, extrajudicial, administrativa, social ou familiar.  
•Ex.: primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; procedência de atendimento nos serviços públicos
ou de relevância pública; preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; destinação privilegiada de recursos
públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.
•A própria lei estabelece outras situações de prioridade ou, no caso concreto, o juiz decide pela priorização.
3. PRINCÍPIO DO RESPEITO À CONDIÇÃO
PECULIAR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
COMO PESSOA EM DESENVOLVIMENTO.

PRINCÍPIOS •Hipossuficientes frente a defesa dos seus próprios


interesses, além de apresentarem interesses especiais;
FUNDAMENTAIS •Imaturidade, revelada pela constante
transformação física, moral, espiritual e social.
DO DIREITO DA
CRIANÇA E DO 4. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO POPULAR.

•Art. 1º, parágrafo único, CF: democracia


ADOLESCENTE participativa - o poder será exercido não só através dos
representantes, mas também pelo próprio povo,

(CONTINUAÇÃO) diretamente.
•Sociedade, Estado e família devem zelar pela
inviolabilidade dos direitos fundamentais da criança e do
adolescente.
•Conselhos Tutelares possibilitam a aplicação do
princípio. 
• Direito à Vida e à Saúde:

•Dignidade; alimentação,
vestuário, educação, cultura,
assistência médico-odontológico e

Direitos demais condições vitais.


•Estado - dupla obrigação:
Fundamentais cuidado a quem não disponha de
recursos suficientes e que seja
da Criança e incapaz de obtê-los por seus próprios
meios; e efetivação de órgãos

do competentes públicos ou privados,


através de permissões, concessões
ou convênios, para prestação de
Adolescente. serviços públicos adequados que
pretendam prevenir, diminuir ou
extinguir deficiências existentes
para um nível mínimo de vida
digna.
•Proteção ao nascituro. Conceito. Embrião e nascituro.
•ECA: medidas preventivas; políticas públicas que permitam o
nascimento sadio.
•Políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo.
•Gestantes: nutrição, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao
Direito à puerpério e atendimento pré-natal e pós-natal pelo Sistema Único de
Saúde.  

vida digna e •Apoio alimentar à gestante é à nutriz.


•Mães submetidas à medida privativa de liberdade: direito de

à saúde
amamentar seus filhos.
•Licença maternidade e paternidade; alimentos gravídicos;
preservação da saúde da gestante etc.
(segunda •A comunicação de maus tratos à criança e ao adolescente é
obrigatória. 

parte) •Deve-se garantir a saúde dos adolescentes durante o cumprimento


de medida socioeducativa. Direito fundamental: assistência integral à
saúde.
•Lei nº 13.257, de 2016 - políticas públicas para a primeira infância.
Nutrição adequada, às gestantes; atenção humanizada à gravidez, ao parto
e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal no âmbito do
Sistema Único de Saúde.
•Liberdade de opinião, expressão, crença e culto religioso;
liberdade para brincar, praticar esportes, divertir-se, participar
da vida em família, na sociedade e vida política, assim como
buscar refúgio, auxílio e orientação.
•Liberdade de pensamento e religião dentre os direitos
Direito à individuais do adolescente em cumprimento de medida
socioeducativa.

Liberdade, •Liberdade de ir e vir: restrições – não pode permanecer


ao Respeito nas ruas, afastado das escolas, dormindo em calçadas.
•Adolescente: manifesta-se em caso de adoção, guarda e
eà regime de visitas.
•Devem ser ouvidos pelo juiz, assistentes sociais,
Dignidade. psicológicos encarregados do estudo social de cada caso.
•Participação na vida comunitária e política. Direito de voto
dos adolescentes a partir dos 16 anos.
•Família substituta: medida excepcional.
• Família natural: pais e seus filhos; família
    monoparental.

 Direito à •Parentesco civil ou natural. Socioafetivo.


•Família extensa ou ampliada: parentes
Convivência próximos com os quais a criança ou o
adolescente convive e mantém vínculos de

Familiar e afinidade e afetividade.


•Regra: permanência da criança e do

Comunitária. adolescente com a sua família natural/extensa.


• Igualdade dos filhos – comparação com o direito
anterior.

• Falta de recursos não acarreta perda do poder


familiar: enseja a inclusão em programas
oficiais de auxílio.
• Esportes e lazer devem ocorrer no lar, na escola,
em ambientes sociais públicos adequados.
•Para o desenvolvimento motor, físico e integração
social.

Direito à •Acesso ao ensino obrigatório e gratuito.


•O direito é que haja escola próxima à residência,

Educação, à acessível. O Estado tem o dever de assegurar o ensino


fundamental (primeiro grau).

Cultura, ao •Os pais ou responsável têm a obrigação de


matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de
ensino. 
Esporte e ao •Os dirigentes dos estabelecimentos de ensino
devem comunicar maus-tratos; e comunicar ao

Lazer. Conselho Tutelar evasão escolar, reiteração de faltas


injustificadas e elevados níveis de repetência, para que
este possa tomar as medidas cabíveis.
•Direito à cultura, ao esporte e ao lazer: cabe aos
municípios, com apoio dos Estados e da União, estímulo
e destinação de recursos e espaços.
• Idade mínima para o trabalho.
Restrições.
Direito à •Aprendiz.  
Profissionalização
e à Proteção no
Trabalho.
Famílias substitutas.
• Programas de acolhimento familiar ou de acolhimento institucional: para substituir os “abrigos”, sempre de forma
temporária e excepcional.

• Primeiro, deve-se tentar a manutenção ou reintegração familiar, em família natural ou extensa; depois, o
acolhimento em programas familiar; após, o acolhimento institucional e, por fim, a família substituta (guarda, tutela
ou adoção).
• Lei 13.509, de 22.11.2017, art. 19, §2º - a permanência em programa de acolhimento institucional é por no máximo
18 meses, salvo comprovada necessidade que atenda ao interesse da criança ou adolescente, devidamente
fundamentada pelo juiz.
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• Art. 19, §5º - mãe adolescente em acolhimento institucional tem garantida a convivência integral com filho.

• Art. 19, §6º - mãe adolescente será assistida por equipe especializada multidisciplinar.

• Art. 19 – A – gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar o filho para adoção, antes ou logo após o
nascimento, será encaminhada à Vara da Infância e da Juventude.

• Equipe multidisciplinar ouve a gestante ou mãe e apresenta relatório ao juiz, avaliando estado puerperal ou
gestacional.
Art. 19 – B – APADRINHAMENTO:

• Para criança e adolescente, programa de acolhimento institucional ou familiar.

• Finalidade – proporcionar vínculos externos à instituição para haver convivência familiar e


comunitária e colaboração com o desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo,
educacional e financeiro.

 Pessoa jurídica pode apadrinhar.


 Prioridade para apadrinhar crianças com poucas chances de reinserção familiar ou
adoção.
 Programas ou serviços de apadrinhamento apoiados pela Justiça da Infância e da Juventude
poderão ser executados por órgãos públicos ou por organizações da sociedade civil.
DA GUARDA

•  É a mais simples das famílias substitutas. É o primeiro passo para colocar o menor sob a proteção de uma família.

• Ex.: mãe solteira, que mora com sua filha, na casa de seus pais, dos quais é dependente. Os avós poderão obter a guarda da neta.

• Só poderá ser concedida por decisão judicial. É medida de proteção.

• Podemos encontrar duas modalidades dessa concessão: provisória, quando determinada precariamente para resolver a situação
emergencial, como, por exemplo, de criança abandonada, e nos casos de separações de casais até que seja solucionada a situação;
definitiva, quando for resultante de uma decisão que põe fim ao processo.

• Na maioria dos casos, a guarda é medida preparatória para futura adoção, ou, então tutela. Mesmo chamada de “definitiva”, a
guarda pode ser revista a qualquer tempo (caráter precário), segundo o interesse do menor.

• Por decisão judicial pode ocorrer a modificação da guarda. A concessão da guarda, provisória ou definitiva, não faz coisa julgada.

• Modificação conforme interesse exclusivo do menor, quando não cumpridas as obrigações pelo guardião. 
Guarda (continuação).

• Obrigações do Guardião: assistência material, moral e educacional a criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de
opor-se a terceiros, inclusive aos pais. 

• O guardião é responsabilizado por sua desídia, que pode acarretar a destituição do cargo.

• Os pais não podem, sem autorização judicial, apoderar-se do filho. Se assim, agirem, estarão sujeitos a sanções civis e penais.

• Finalidade da Guarda: regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de
tutela e adoção, exceto na adoção por estrangeiros.

• Quem estiver com criança ou adolescente, desde que não seja um dos pais, deve providenciar a regularização de tal situação.

• Excepcionalmente, há guarda fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos
pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos determinados.

• Quando se refere a “situações peculiares”, o ECA abre ampla possibilidade de concessão de guarda. As várias hipóteses devem ser
analisadas judicialmente.
Perda da Guarda

• A guarda é a forma mais precária de colocação em família substituta.


• Cessa quando o menor passa a ser tutelado ou adotado, ou, então, quando os genitores
recobram a guarda do filho. Todas essas formas ocorrem no âmbito do Poder Judiciário.
• “Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial
fundamentado, ouvido o Ministério Público.”
DA TUTELA.

•  Causa suspensiva para o casamento.


•O tutor só pode adotar o tutelado após a prestação de contas, e desde que não seja ascendente ou irmão
do tutelado, porque a adoção de descendentes ou irmãos é proscrita por lei.
•Art. 36 do ECA: a tutela será deferida nos termos da lei civil. Sempre que não estiver sujeito ao poder
familiar (morte; perda do poder familiar; ausência), é necessário nomear ao menor o tutor.
•Há pedidos de tutela em que o tutor se vale da assistência judiciária.
Conceito e natureza jurídica. A tutela é conjunto de deveres e raros direitos conferidos pela lei a um
terceiro, para que zele pela pessoa de um menor que se encontra fora do poder familiar e lhe administre
os bens.

•Munus público. Escusa. Fiscalização. Protutor.


•Tutela e poder familiar: diferenças. Fiscalização. Sem usufruto.
•É família substituta mais complexa que a guarda, tendo em vista envolver administração de pessoa e bens.
 
Tutela (continuação)
•Testamentária; legítima (ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; colaterais até o 3 º
grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais novos); dativa.
•Em regra e por conveniência: um só tutor a todos os irmãos.
•A ordem do CC para a escolha do tutor legítimo pode ser alterada pelo juiz.
•Da garantia da tutela e responsabilidade do juiz.
•A responsabilidade do juiz será direta e pessoal quando este não tiver nomeado o tutor, ou não o houver feito
oportunamente; e subsidiária, quando não tiver exigido garantia legal do tutor, nem o removido quando se tornou
suspeito.
•O juiz pode ainda nomear “protutor”, cuja função é justamente fiscalizar a atuação do tutor, informando ao
magistrado sobre eventual abuso ou descuido na administração dos bens.
•O exercício da tutela em relação à pessoa do menor.
•O tutor deve cuidar do menor: dirigir a sua educação, defendê-lo e prestar-lhe alimentos, de acordo com o seu
patrimônio e condição.
•O tutor representa o menor até os 16 anos e o assiste após essa idade até os 18 anos.
Tutela (parte final)
Exercício da tutela quanto aos bens: administração.

•Não pode praticar ato em que o interesse do tutor conflite com o do menor; nem atos que impliquem diminuição
patrimonial, como doação. Caso ocorram, serão nulos esses atos.

Da responsabilidade e da remuneração do tutor.


 Da prestação de contas na tutela.

•A lei exige balanços anuais, e prestação de contas a cada dois anos; ou quando o tutor deixa o exercício da tutela.
•Despesas com a prestação de contas: pagas pelo tutelado.
Da cessação da tutela: maioridade ou emancipação. Ou se cair o menor sob poder familiar, com reconhecimento, ou
adoção.

•Cessam as funções do tutor: escusa legítima; e ao ser removido (por exemplo, por negligência).
•Cessado o período em que deveria servir, o tutor deverá promover ação exoneratória do encargo, dentro do prazo de 10
dias seguintes à expiração do termo, sob pena de entender-se reconduzido ao cargo, salvo se o juiz o dispensar.
DA ADOÇÃO.

•Art. 227, §5º, da CF/88: “a adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e
condições de sua efetivação por parte de estrangeiros”.
•Forma definitiva de colocação de família substituta. Com a adoção, os adotantes passam a ter o poder familiar.
CONCEITO: Negócio jurídico unilateral e solene, irrevogável, através de procedimento judicial, pelo qual o
adotante, em favor do interesse principalmente do adotado, constitui com este parentesco civil.

•A unilateralidade é discutível: deve haver consentimento dos pais ou do representante legal do adotado. E, se o
adotado tem mais de doze anos, precisa consentir.
•Ação de adoção: prazo máximo de 120 dias, prorrogável só uma vez por igual período.
•Até o CC/2002: distinção entre a adoção do maior de 18 anos e da criança ou adolescente.
ORIGEM E EVOLUÇÃO.
REGRAS PARA A ADOÇÃO: Estágio de convivência; irrevogabilidade; proibida a adoção de descendente e de
irmão; o adotado se desliga de vínculo com os pais e parentes consanguíneos, salvo quanto aos impedimentos
para o casamento; o adotado passa a assinar o sobrenome do adotante.
Adoção (segunda parte)
QUEM PODE ADOTAR.

•Para que ocorra a adoção por casal, basta que um deles tenha completado 18 anos. Casamento ou união estável.
•Cônjuge ou convivente pode adotar o filho de seu consorte, ou companheiro.
•A adoção pode ser deferida ao adotante que vier a falecer no curso do procedimento.
•Os efeitos da adoção começam a partir do trânsito em julgado da sentença, exceto se o adotante falecer no curso do
procedimento, caso em que terá força retroativa à data do óbito.
•Tutor ou curador não podem adotar o pupilo ou o curatelado enquanto não derem conta de sua administração.
•O adotante deve ter pelo menos 18 anos; e deve ser ao menos 16 anos mais velho que o adotado.
•ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA: Prazo máximo de 90 dias de estágio de convivência, observadas as peculiaridades, a
idade etc. Esse prazo de 90 dias pode ser prorrogado por igual período pelo juiz.
•Casal ou pessoa residente fora do país – 30 a 45 dias de estágio de convivência, prorrogável por igual período, uma
única vez.
•O estágio de convivência deve ser cumprido no território nacional.
Adoção (final)
EFEITOS DA ADOÇÃO.

•A adoção é instituição jurídica de ordem pública, constituída por sentença judicial, de natureza constitutiva, por
criar nova situação jurídica, devendo ser inscrita no registro civil.

ADOÇÃO INTERNACIONAL.

•Art. 51 e 52 do ECA: a pessoa ou casal postulante é residente ou domiciliado fora do Brasil. Ocorre somente
quando esgotadas as possibilidades de adoção por família brasileira.
•Brasileiros residentes no exterior têm preferência aos estrangeiros.
•Há prioridade a pessoas interessadas em adotar criança ou adolescente com deficiência, doença crônica ou
necessidades específicas de saúde, além de grupos de irmãos.
•O adolescente deve ser consultado, por meios adequados ao seu estágio de desenvolvimento, e mostrar-se
preparado, mediante parecer de equipe interprofissional.
Prevenção no Direito da Criança e do
Adolescente.

•Disposições Gerais. REGRAS PARA prevenir a violação dos direitos da criança e do adolescente, visando o
princípio da proteção integral.
•Prevenção geral, nos art. 70 a 73 – dever de todos prevenir ameaça ou violação dos direitos. Para que não
haja castigos físicos, tratamento cruel ou degradante. Campanhas educativas. Comunicação ao Conselho Tutelar
(suspeitas de maus-tratos).
•Prevenção especial nos artigos 74 e s.: regularização de diversões e espetáculos pelo Poder Público,
classificação e indicação de faixa etária. Restrições de produtos e serviços. Autorização para viajar.
•A prevenção se baseia nos seguintes princípios:
•·       Princípio da cooperação: é dever de todos prevenir a violação dos direitos da criança e do adolescente;
•·   Princípio da responsabilidade: todos aqueles que descumprirem as normas de proteção estarão sujeitos à
responsabilidade civil, penal e administrativa.
Prevenção especial
• Acesso aos espetáculos e diversões públicas – Poder Público regulamenta, informando sobre a natureza, as faixas etárias
a que não recomendem, locais e horário em que sua apresentação é inadequada.

• Necessidade da prévia classificação indicativa a ser estabelecida pelo Poder Executivo.

• Menores de 10 anos: ingressam somente acompanhados dos pais ou responsáveis, sendo, porém, livre o ingresso de crianças
maiores de 10 anos, mesmo desacompanhadas, aos locais adequados a sua faixa etária.

• Comercialização de revistas e publicações que contenham material impróprio ou inadequado para crianças e adolescentes
devem ter embalagens lacradas, com advertência sobre seu conteúdo.

• Revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter material ou anúncio de bebidas alcoólicas,
tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da família e da sociedade;

• Mensagens  pornográficas ou obscenas devem ser protegidas com embalagem opaca.

• Produtos considerados nocivos e cuja venda é proibida à criança e ao adolescente: armas, bebidas, munições,
explosivos, fogos de artifício, revistas impróprias, bilhetes lotéricos, produtos que possam causar dependência
(exemplo: cigarro).
Prevenção especial (parte final)
•          Proibição de hospedagem de criança e de adolescente (art. 82), salvo quando acompanhados dos pais ou
responsáveis ou autorizados por eles. Deve haver autorização escrita.

• É permitida à criança viajar acompanhada por ambos os pais, para qualquer local no território brasileiro. Caso esteja
acompanhada apenas por um dos pais que lhe detenha a guarda, não precisa de autorização do outro genitor.

• Viagem de criança ou adolescente menor de 16 anos desacompanhada: dependerá de autorização judicial. Todavia,
o legislador, objetivando facilitar o trânsito de crianças, flexibilizou esta regra ao dispensar a autorização do
magistrado nas situações a seguir.

• Possibilidade: em se tratando de comarcas contíguas do mesmo Estado ou região metropolitana; com


parentes ascendentes ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco;
pessoas maiores de idade, devidamente autorizadas pelo pai, mãe ou responsável.

• Viagens ao exterior de criança e adolescente: (art. 84) autorização judicial, exceto quando acompanhados de
ambos os pais ou responsável; ou na companhia de um deles, autorizado expressamente pelo outro, ou por meio de
documento com firma reconhecida.      
Política de Atendimento à Criança e ao
Adolescente.

•Conjunto de instituições, princípios, regras, objetivos e metas que dirigem a elaboração de planos
destinados à tutela dos direitos da população infanto-juvenil, permitindo, dessa forma, a materialização do que
é determinado pela lei.
•O art. 86 do ECA: a política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um
conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
•São políticas sociais básicas; serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social de garantia de
proteção social e de prevenção e redução de violações de direitos, seus agravamentos ou reincidências; dentre
outras.
•O art. 88 do ECA prevê a municipalização do atendimento, criação do conselhos municipais, estaduais e
nacional dos direitos da criança e do adolescente, criação e manutenção de programas específicos, observada a
descentralização político-administrativa; manutenção de fundos nacional, estaduais e municipais vinculados aos
respectivos conselhos dos direitos da criança e do adolescente etc.
 
Entidades de atendimento.

Responsáveis pela execução dos programas e projetos (art. 87 do ECA): ações estratégicas para amparo de
crianças e adolescentes em situação específica de vulnerabilidade social.

Programas de atendimento: público-alvo - crianças e adolescentes em situação de risco que necessitam de


proteção, e adolescentes envolvidos na prática de atos infracionais, incluídos em programas voltados a
execução de medidas socioeducativas determinadas judicialmente.

As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades, assim como pelo
planejamento e execução de programas de proteção e socioeducativos. 

Primeira possibilidade: atendimento de crianças, adolescentes e suas famílias, com orientação e apoio
familiar (art. 90, I) - intervenção de assistentes sociais, psicólogos, médicos, entre outros, na família, para
identificar fragilidades e apontar caminhos para  a superação.
Entidades de atendimento.
(segunda parte)
Segundo regime de atendimento: apoio socioeducativo em meio aberto (art. 90, II). Oferecem
como apoio à criança ou adolescente, por exemplo, reforço escolar, cursos de profissionalização,
atividades esportivas e culturais.

Colocação familiar: crianças e adolescentes privados, temporária ou definitivamente, de convívio


familiar. Programas de ação: acolhimento de crianças ou adolescentes em famílias previamente
cadastradas e preparadas, como forma de transição à reinserção familiar ou à colocação em
família substituta.

* Acolhimento institucional (art. 90, IV) é provisório, em entidade de atendimento, quando há


necessidade de afastamento do convívio com a família, por meio da aplicação da medida protetiva
(art. 101, VII do ECA), até que seja viabilizada a sua reinserção familiar ou a sua colocação em
família substituta.
Do conselho tutelar.

•      Órgão permanente e autônomo, para a proteção dos direitos da criança e do adolescente.


•Cada Município deverá ter pelo menos um Conselho Tutelar, sendo facultativa a criação de mais de um.
•O Município institui o conselho tutelar e cria as normas de caráter especial do órgão, como local, horário de
funcionamento, remuneração dos seus membros etc.
•Composição: cinco membros escolhidos pela comunidade local, para o exercício de 4 anos consecutivos,
permitida recondução por novos processos de escolha.
•Conselheiro: com reconhecida idoneidade moral, idade superior a 21 anos e residência no Município.
•O processo de escolha dos membros é estabelecido em lei municipal e realizado sob a responsabilidade
do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do Ministério Público.
•Atribuições: atendimento da criança e do adolescente em situação de risco ou que praticarem ato infracional;
aplicar medidas de proteção à criança e ao adolescente; providenciar a medida estabelecida pela autoridade judicial;
atendimento e aconselhamento dos pais ou responsáveis; aplicar medidas para os pais ou responsáveis previstas no
ECA.
CONSELHO TUTELAR (SEGUNDA
PARTE)

•O Conselho Tutelar não pode colocar o menor em família substituta, determinar perda da guarda,
destituição da tutela e suspensão ou destituição do poder familiar, visto serem medidas de exclusiva
aplicação judicial.
•O Conselho Tutelar deve, ainda, requisitar serviços públicos para o cumprimento das suas
deliberações (exemplos: serviço médico-hospitalar, transporte etc.); representar ao Poder Judiciário no
caso de descumprimento injustificado de suas deliberações; encaminhar ao Ministério Público notícia de
infração penal ou administrativa contra os direitos da criança ou do adolescente; encaminhar à
autoridade judiciária os casos de sua competência; expedir notificações, requisitar certidões de
nascimento e de óbito do menor.
•Conselho Tutelar tem importante papel na política de atendimento à criança e ao adolescente.
Será em razão da participação, eficiência e interesse de seus membros que haverá o funcionamento e
aplicação dos programas previstos e das diretrizes estabelecidas pelo Estatuto.
Prática de Ato Infracional
•Ato infracional é a conduta que viola normas que definem crimes ou contravenções
penais (art. 103 do ECA). É o comportamento típico, previamente descrito na lei
penal, quando praticado por crianças ou adolescentes.
• Inimputabilidade infantojuvenil: art. 228 da CF – são penalmente inimputáveis os
menores de 18 anos; ficam sujeitos à legislação especial.
•O ECA reafirma a inimputabilidade de menores de 18 anos, os quais estão sujeitos a
medidas socioeducativas, devendo ser consideradas a idade do adolescente à data do
fato (art. 104 e parágrafo único do ECA). Ainda que o resultado ou a sua apuração ocorra
quando já se trata de autor maior de idade, o que conta é a idade no dia dos fatos.
•Os adolescentes a que se refere este artigo são aqueles na faixa etária entre 12
anos completos e 18 anos incompletos, estando excluídas as crianças (pessoas de até
doze anos de idade incompletos).
Ato infracional praticado por criança.

•Não se aplica medida socioeducativa.


•Medidas de proteção previstas no artigo 101, que podem ser aplicadas isolada ou
cumulativamente (art. 99 do ECA):
•Encaminhamento aos pais ou responsáveis,
Clique para adicionarmediante
texto termo de responsabilidade;
orientação, apoio e acompanhamento temporários; matrícula e frequência obrigatória em
estabelecimento oficial de ensino fundamental; inclusão em programa comunitário ou
oficial de auxílio; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico em regime
hospitalar ou ambulatorial; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio,
orientação e tratamento a alcoólatra e toxicômanos.
•O conselho tutelar deve fazer o atendimento e a aplicação das medidas de
proteção (art. 136, I do ECA).
DIREITOS INDIVIDUAIS DO AUTOR DO ATO INFRACIONAL

•Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou
por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.
•Direito à identificação dos responsáveis pela apreensão, com a devida informação acerca de
seus direitos.
•Ciência da apreensão por parte da sua família ou da pessoa por ele indicada. É necessária a
comunicação do flagrante do ato infracional ao juiz, sob pena de prisão ilegal. A falta de comunicação
imediata configura crime.
•A autoridade policial deve apreciar a possibilidade de entrega do jovem aos pais ou responsáveis,
sob termo de compromisso de apresentação do Ministério Público no primeiro dia útil imediato, exceto
quando se tratar de ato infracional passível de medida restritiva de liberdade em sede de provisória.
•O prazo de internação, até que seja proferida sentença, não pode ultrapassar 45 dias.
•Para decretar a internação provisória, o juiz deve se basear na necessidade imperiosa da
medida e na presença de indícios de autoria e materialidade do ato infracional.
DIREITOS INDIVIDUAIS DO AUTOR DO
ATO INFRACIONAL (CONTINUAÇÃO)
•O adolescente civilmente identificado não será submetido à identificação
compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, ressalvando a
hipótese de necessidade de confrontação dos dados, havendo dúvida fundada.
•No art. 124 do ECA estão elencados os direitos individuais do
socioeducando privado de liberdade.
•A Lei n. 12.594, de 12 de janeiro de 2012, que institui o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo, trata, no art. 49, dos direitos individuais do
adolescente submetido ao cumprimento de medidas socioeducativas de modo
geral.
•Direito individual à saída monitorada do jovem inserido em programa
restritivo de liberdade nas hipóteses de tratamento médico, doença grave ou
falecimento de pai, mãe, filho, cônjuge, companheiro ou irmão.
GARANTIAS PROCESSUAIS 

Art. 110 do ECA: devido Garantias processuais (art. Art. 111. São asseguradas
Para a privação de
processo legal (art. 5º, LIV, 111 do ECA), qualquer que ao adolescente, entre
liberdade: procedimento
da CF) para a privação de seja a medida outras, as seguintes
especial regulado pelo ECA.
liberdade do adolescente. socioeducativa. garantias:

II - igualdade na relação
I - pleno e formal
processual, podendo IV - assistência judiciária
conhecimento da atribuição
confrontar-se com vítimas e III - defesa técnica por gratuita e integral aos
de ato infracional, mediante
testemunhas e produzir advogado; necessitados, na forma da
citação ou meio
todas as provas necessárias lei;
equivalente;
à sua defesa;

VI - direito de solicitar a
V - direito de ser ouvido
presença de seus pais ou
pessoalmente pela
responsável em qualquer
autoridade competente;
fase do procedimento.
PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DO ATO INFRACIONAL.
3 fases: atuação policial; parte do Ministério Público; esfera judicial.

• 1ª. Fase Policial


• Apreensão em flagrante; encaminhamento à sede policial, especializada quando houver, para a lavratura do auto. Sem flagrante, tal fase
se iniciará após o registro de ocorrência, que pode ser realizado por qualquer cidadão que tenha conhecimento da conduta ilícita.
• Em caso de flagrante por ato infracional com violência ou grave ameaça: autoridade policial lavra auto de apreensão, após oitiva de
testemunhas e do adolescente; apreende produtos e instrumentos da infração; requisita exames para comprovar materialidade e autoria.
• Em se tratando de ato de natureza diversa, o auto de apreensão poderá ser substituído por boletim de ocorrência circunstanciada.
• Em ambos os casos, deve a autoridade policial fazer constar completa identificação do adolescente e dos seus pais ou responsáveis, para
posterior localização, e descrição detalhada dos fatos, oitiva do adolescente e de testemunhas qualificadas, para a configuração da autoria.
• A apreensão do adolescente deverá ser imediatamente comunicada à autoridade judiciária competente, inclusive nos finais de semana e
feriados, bem como à família ou à pessoa por ele indicada, examinando-se a possibilidade de liberação imediata, mediante termo de
compromisso e responsabilidade de apresentação ao representante do MP.
• Havendo gravidade da conduta e repercussão social, o adolescente deve ficar internado para a garantia da sua própria segurança e da
ordem pública.
Fase policial (final)
•Não liberado o adolescente e na impossibilidade de sua apresentação
imediata ao MP, diligenciará a autoridade policial o seu encaminhamento a
entidade de atendimento que apresentará o jovem ao representante do MP, no
prazo de 24 h.
•Sendo o adolescente liberado, ou afastada a hipótese de flagrante, mas
havendo indícios de participação na prática de ato infracional, a autoridade
policial encaminhará ao representante do MP cópia do auto de apreensão ou
boletim de ocorrência no primeiro caso, e relatório de investigações e demais
documentos no segundo.
•A autoridade policial deverá adotar os cuidados necessários à preservação
do jovem ao ser conduzido ou transportado.
2ª. Fase atuação do Ministério Público.

•Finalizadas as diligências policiais: o MP deve ouvir informalmente o adolescente,


indagando acerca dos fatos, do seu grau de comprometimento com a prática de atos
infracionais, do cumprimento de medidas anteriormente impostas, histórico familiar e
social, com detalhes sobre o endereço da família, o grau de escolaridade, atividades
profissionais, locais onde possa ser encontrado, dentre outras informações para avaliar
as providências para a ressocialização.
•Poderá ouvir os pais ou responsável, vítima e testemunhas, para esclarecimento
dos fatos.
•Em caso de adolescente liberado, que não é apresentado espontaneamente em
obediência ao termo de compromisso assinado na fase policial, deverá o membro do MP
notificar os pais ou responsáveis para a apresentação, podendo requisitar polícias civil e
militar.
•O MP poderá adotar três medidas: arquivamento dos autos, remissão ou
representação à autoridade judiciária para aplicação da medida socioeducativa.
2ª fase: MP (continuação)
•Arquivamento dos autos ou remissão (adolescente não liberado pela autoridade policial): poderá o MP Público
entregá-lo imediatamente aos pais ou responsável.
•Na hipótese de representação, deverá postular à autoridade judiciária a liberação ou internação provisória,
dependendo do caso concreto - o jovem aguarda a decisão judicial em entidade especializada.
•Não há fundamento para que se mantenha o adolescente limitado em sua liberdade quando o MP promove o
arquivamento do feito ou concede a remissão, inclusive quando cumulada com medida socioeducativa.
• Arquivamento: se o fato é inexistente, não está provado, não constitui ato infracional ou não há comprovação
acerca do envolvimento do adolescente na sua prática.
•MP pode requerer ao juízo a aplicação de medidas do artigo 101 do ECA. Ex.: tratamento psicológico ou
acolhimento institucional.
•Remissão: concedida como forma de exclusão do processo, após a valoração das circunstâncias e
consequências da infração, do contexto social, da personalidade  do adolescente e sua maior ou menor participação
no ato infracional, não importando no reconhecimento ou na comprovação da responsabilidade, nem prevalecendo
para efeito de reincidência, prescindindo, assim, de provas suficientes de autoria e de materialidade.
2ª fase – MP (parte final)
•A ação socioeducativa é de natureza pública incondicionada, de exclusiva atribuição do Ministério
Público, independentemente do tipo de ato infracional: mesmo que a lei penal exija a manifestação do
ofendido para o prosseguimento da ação em face de agente maior de idade, o Estatuto, ao contrário, a
dispensa para o procedimento socioeducativo.
• Os atos análogos aos crimes de dano e de estupro, por exemplo, independem da manifestação do
ofendido para o oferecimento de representação pelo Ministério Público. O MP tem obrigação de propor
ação por ser pública e incondicionada, para atender ao interesse social.
•No oferecimento da representação, por petição ou oralmente, para o processo
socioeducativo, não é necessário que o MP indique a medida que pretende ver aplicada ao final
do procedimento.
•Deve expor os fatos de forma breve e resumida, com a descrição das circunstâncias em que
ocorreu o ato infracional, a classificação do ato infracional e o rol de testemunhas, quando existente.
 
3ª. Fase Judicial

•Começa após o encaminhamento pelo MP da peça referente a uma das medidas do artigo 180 do ECA.
•Nos casos de remissão e arquivamento: o juiz homologa ou (se não concorda) encaminha os autos ao Procurador-Geral
de Justiça.
•Oferecida a representação, haverá a análise judicial sobre a admissibilidade do processo socioeducativo.
•Recebida a representação, o juiz decidirá sobre a internação provisória, se requerida pelo MP, e designará audiência de
apresentação, dando-se de tudo ciência aos pais ou responsável. Na hipótese de não localização ou de conflito de interesses
destes com os do representado será nomeado um curador especial.
•Em caso de adolescente internado será requisitada a sua apresentação para a audiência, com a notificação dos pais ou
responsável.
•Art. 185 do ECA: a internação do adolescente não pode ocorrer em estabelecimento prisional – caso não haja local
apropriado, deve ser encaminhado à localidade mais próxima ou aguardar a sua remoção em repartição policial, isolado dos
adultos e com instalações apropriadas, com o prazo máximo de cinco dias.
•Adolescente provisoriamente internado: o procedimento deverá ser concluído no prazo máximo e improrrogável
de 45 dias.
•Marcada a audiência de apresentação, é indispensável a presença do MP e do Advogado constituído ou defensor
público, independentemente da gravidade do ato infracional.
3ª fase: judicial (parte final)
•Fato grave, passível de aplicação de medida de internação ou colocação em regime de semiliberdade: se o
adolescente não tem advogado, deve-se nomear defensor, designando-se audiência em continuação, podendo
determinar a realização de diligências e estudo do caso.
•O advogado ou o defensor nomeado tem três dias, a partir da audiência de apresentação, para oferecer defesa
prévia e rol de testemunhas.
•Na audiência em continuação são ouvidas as testemunhas, cumpridas as diligências e juntado o relatório da
equipe interprofissional.
•Após, é dada a palavra ao representante do MP e ao defensor, sucessivamente, para as alegações finais, por
20 min. para cada, prorrogável por mais dez, a critério do juiz, que em seguida proferirá decisão.
•A autoridade judiciária poderá conceder a remissão como forma de suspensão ou extinção do processo, após
manifestação do MP.
•Não sendo concedida remissão, as próximas etapas dependerão da necessidade de produção de outras provas
e da gravidade do fato.
•Comprovadas autoria e materialidade do ato infracional: o juiz julgará procedente a representação de
maneira fundamentada, aplicando a medida socioeducativa mais adequada. Caso contrário, não aplicará
qualquer medida, liberando imediatamente o adolescente, caso esteja provisoriamente internado (art. 189 do
ECA).
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS (ART. 112 A 125 DO ECA)

•Advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade


assistida, inserção em regime de semiliberdade, internação em estabelecimento educacional.
•Objetivos: responsabilização do adolescente, integração social e demonstração de desaprovação
do ato infracional.
•Caráter pedagógico: visa a reintegração na vida social; e caráter sancionatório: resposta à
sociedade pela lesão decorrente da conduta típica praticada.
•Critérios para aplicação das medidas socioeducativas: capacidade para cumpri-las, circunstâncias
e consequências do fato, gravidade da infração, necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que
visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
•Para a imposição das medidas: provas de autoria e materialidade do ato infracional (art.
114, caput).
•Exceção: para a aplicação de advertência - prova da materialidade do ato e indícios de autoria
(art. 114, parágrafo único, do ECA).
ADVERTÊNCIA

•Aviso verbal feito pelo juiz da vara da infância e da juventude ao


adolescente, devendo ser reduzida a termo e assinada pelo infrator,
pais ou responsável, e tem por objetivo alertá-los quanto aos riscos
do envolvimento do adolescente em condutas antissociais e evitar
que se veja comprometido com outros fatos de igual ou maior
gravidade.
•Requisitos: prova da materialidade do ato infracional e apenas
indícios de autoria (parágrafo único do artigo 114).
•Para atos infracionais de natureza leve, sem violência ou grave
ameaça à pessoa e às hipóteses de primeira passagem do
adolescente pelo juízo da infância e juventude.
Medidas socioeducativas (continuação)

OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO

•Em caso de ato infracional com reflexos patrimoniais, para que haja substituição, ressarcimento ou compensação do prejuízo.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE

•É a realização de tarefas gratuitas de interesse geral, conforme as aptidões do adolescente, por até 6 meses, junto a entidades assistenciais,
hospitais, escolas e outros estabelecimentos, bem como em programas comunitários ou governamentais.
•Devem ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, para não
prejudicar a frequência à escola ou no trabalho.

LIBERDADE ASSISTIDA

•Aplicada pelo prazo mínimo de 6 meses, sempre que houver a necessidade de o adolescente receber acompanhamento, auxílio e
orientação, por parte de pessoa designada pela autoridade judicial e apta ao atendimento.
SEMILIBERDADE:
Pode ser aplicada desde o início ou
como forma de transição para o
Medidas meio aberto, podendo ser
realizadas atividades externas,
socioeducativas independentemente de autorização
(continuação) judicial, sendo obrigatória a
escolarização e a profissionalização
do jovem em conflito com a lei (art.
120 do ECA).
Medidas socioeducativas (continuação):
internação.
Natureza segregadora. Princípios: brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar do
adolescente como pessoa em desenvolvimento.

•Deve haver atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial
em contrário.
•A manutenção da medida deve ser reavaliada a cada seis meses no máximo, em decisão fundamentada.
•O prazo máximo de internação é de três anos, sendo o adolescente, após esse período, colocado em liberdade,
regime de semiliberdade ou liberdade assistida.
•Aos 21 anos, ocorre a liberdade compulsória.
•Casos de: ato infracional com grave ameaça ou violência a pessoa; reiteração no cometimento de outras
infrações graves; descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
•Em caso de descumprimento injustificado e reiterado de medida anteriormente imposta, o prazo de internação
não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.     
•Deve ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto do destinado ao abrigo,
obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração.
Direitos do adolescente privado de liberdade

•Durante a internação, inclusive provisória, são obrigatórias atividades pedagógicas.


•O art. 124 trata dos direitos do adolescente privado de liberdade. Ex.: entrevistar-se pessoalmente com o representante do MP;
peticionar diretamente a qualquer autoridade; avistar-se reservadamente com seu defensor; ser informado de sua situação processual; ser
tratado com respeito e dignidade; permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou
responsável; receber visitas, ao menos, semanalmente; corresponder-se com seus familiares e amigos; ter acesso aos objetos de à higiene
pessoal; habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade; escolarização e profissionalização; atividades culturais,
esportivas e de lazer; assistência religiosa, segundo a sua crença, se desejar.
•Não pode ficar incomunicável; mas o juiz pode suspender temporariamente a visita, inclusive de pais ou responsável, se existirem
motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do adolescente.
•É dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, adotando medidas adequadas de contenção e segurança.
• A internação poderá ser provisória, com o prazo máximo de 45 dias, quando existem indícios suficientes de autoria e materialidade,
devendo restar demonstrada a imprescindibilidade da medida ou, quando a garantia da segurança pessoal do adolescente ou a
manutenção da ordem pública assim o exigirem, em função da gravidade do ato infracional e de sua repercussão social.
•Internação é definitiva, determinada em sentença, se necessária à reintegração social, nos casos em que é legalmente permitida.
Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável.

Procedimento Relativo à Perda e Suspensão do


Poder Familiar.
Procedimento Relativo à Destituição da Tutela.

Procedimento Relativo à Colocação em Família


Substituta.
Crimes (por ação ou omissão) previstos no ECA contra criança ou adolescente.

Regras do Código Penal e Código de Processo Penal preveem a aplicação das


normas gerais de direito substantivo e de direito adjetivo aos crimes
ECA, Parte previstos em leis especiais.
Geral do
Código Competência para processo e julgamento dos crimes previstos no
ECA: vara criminal da comarca do fato.
Penal e
Código de
Processo Ação pública incondicionada. O Ministério Público tutela os direitos
assegurados constitucionalmente, com a punição de quem pratica
Penal. condutas atentatórias aos interesses consagrados no ECA.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Omissão dolosa ou culposa do registro de atividades ou do fornecimento da


declaração de nascimento.
•Escopo: regular desenvolvimento da gestante e do recém-nascido, que terá seu prontuário
individualizado desde o período de gestação, para a proteção da vida e da saúde.
•O encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante
deve manter registro das atividades desenvolvidas; e fornecer à parturiente ou a seu responsável,
na alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do
desenvolvimento do neonato.
Privar a criança ou o adolescente de liberdade sem que haja flagrante de ato infracional ou
ordem escrita de autoridade competente.
Deixar de observar as formalidades legais para a privação da liberdade decorre na mesma sanção.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (continuação)

Omissão da comunicação de apreensão de criança ou adolescente.

•A comunicação à autoridade judiciária e à família ou a pessoa indicada pelo menor devem ser imediatas, de forma
pessoal, por telefone, por escrito ou qualquer meio equivalente, tanto na hipótese de apreensão por força de ordem
judicial ou no caso de flagrante de ato infracional.
•Sendo conduta meramente omissiva não comporta tentativa. Também não se previu a modalidade culposa para o
delito.
Submissão de criança ou adolescente a vexame ou constrangimento.

Crime próprio, imputável a quem tenha a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância - pais, tutores,
curadores, guardiões, ou aqueles incumbidos da vigilância e cuidado provisório do menor, como babás, educadores e
agentes de segurança.
Tortura: crime antes previsto no art. 233 do ECA, que foi revogado pela Lei n. 9.455, de 7, de abril de 1997. Agora, o
art. 1º desta lei especial regulamenta todas as manifestações de tortura, como forma de afetação da integridade física e
psíquica da vítima.
•Considera-se tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental; submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça,
a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (continuação)

Omissão na liberação de criança ou adolescente ilegalmente apreendido.


•Crime praticado pela autoridade competente, que sem justa causa, deixa de ordenar a imediata
liberação de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão.
•Crime próprio e doloso: necessária a prova de que a autoridade conhecia a ilegalidade da prisão.
•Descumprimento injustificado de prazo legal fixado nesta Lei em benefício de adolescente
privado de liberdade.
•Os prazos de que trata o ECA são: a) internação provisória por 45 dias (art. 108 e 183); b)
reavaliação da internação a cada 6 meses (art. 121, § 2º); c) período máximo de internação de 3 anos
(art. 121, § 3º); d) liberação compulsória aos 21 anos (art. 121, § 5º); e) internação pelo prazo máximo de
3 meses por descumprimento de outra das medidas do artigo 112 (art. 122, § 1º); f) apresentação do
adolescente apreendido pelo Ministério Público no prazo de 24 horas (art. 175, §§ 1º e 2º); h)
transferência de adolescente provisoriamente internado em repartição policial para entidade de
atendimento no prazo máximo de 5 dias (art. 185, § 2º).
• 
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente (continuação)

Impedimento ou embaraço à ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do


Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei.

Subtração de criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem
judicial, com o fim de colocação em lar substituto.
Promessa ou entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante pagamento ou recompensa.
Tráfico internacional de criança ou adolescente.

•Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância
das formalidades legais ou com o fito de obter lucro, conforme art. 239 do ECA.
•A pena é maior se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude (pena de reclusão, de 6 a 8 anos, além da pena
correspondente à violência).
•A adoção é a medida legal cabível para a colocação de menor em família substituta estrangeira.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente (continuação)

•Utilização de criança ou adolescente em cena pornográfica ou de sexo explícito.


•Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica,
envolvendo criança ou adolescente; facilitar, recrutar, coagir, ou de qualquer modo intermediar a participação de criança ou
adolescente nas cenas referidas.  
•Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de
exercê-la; prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou prevalecendo-se de relações de
parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de
quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento. 
Comércio de material pedófilo.
Difusão de pedofilia: Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio,
inclusive por meio eletrônico, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica
envolvendo criança ou adolescente.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente (continuação)

* Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro
que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.
* Simulacro de pedofilia. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito
ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer
outra forma de representação visual.
* Venda, fornecimento ou entrega de arma, munição ou explosivo.

• * Venda, fornecimento (mesmo gratuito) ou entrega de produto causador de dependência física ou
psíquica a criança ou adolescente.
•Venda, fornecimento (mesmo gratuito) ou entrega de fogos de estampido ou artifício a criança ou
adolescente.
Análise de Crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente (continuação)

•Exploração sexual de criança ou adolescente. Também pratica esse crime o


proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de
criança ou adolescente à exploração sexual.
•É efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de funcionamento do
estabelecimento. 
* Corrupção de menores:  Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito)
anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la; ainda que utilizando-se
de quaisquer meios eletrônicos, como e-mail, ou chat (salas de bate-papo da internet).
•O § 2º do art. 244-B do ECA aumenta a pena, em um terço, quando a infração penal
cometida ou induzida esteja no rol dos crimes hediondos (Lei n. 8072/90).
Infrações administrativas previstas no ECA.
•Praticadas por pessoa física ou jurídica. Ensejam atuação do Estado, para a proteção de interesses sociais,
com sanções de cunho administrativo.
•Objetivo: proteção do decoro (valores morais e éticos da pessoa e da família); zelar pelo cuidado na divulgação
de revistas, diversões e espetáculos, com respeito à faixa etária das pessoas em desenvolvimento; cuidar da
segurança, com a preocupação quanto à violência doméstica; prevenção de exploração laborativa doméstica;
prevenção contra abuso sexual e prevenção de sequestro de menores de idade.
•As infrações podem ser apuradas ou “levantadas” previamente por meio de um inquérito policial, um inquérito
administrativo, uma sindicância, deflagrados pela polícia, pelo Ministério Público ou pelo Conselho Tutelar.
•A penalidade é de competência de Juiz da Infância e da Juventude do local onde a infração foi praticada,
exigindo um processo jurisdicional, contencioso com contraditório e ampla defesa conduzido pela autoridade
judiciária.
•Ex. de penalidades: apreensão de publicação, suspensão de programação de emissora de rádio ou tv,
fechamento de estabelecimento, multa etc. A multa ocorre em todas as infrações, de forma autônoma ou cumulada
com outra sanção.
 
AS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM
ESPÉCIE.
Omissão de comunicação de maus tratos.

•A infração é apenada com multa. A multa é executada pelos órgãos municipais ligados ao Conselho Municipal
de Direitos da Criança, ou seja, Conselho Tutelar, uma vez que reverterá ao Fundo do Municipal de Direitos da
Criança e do Adolescente.
Impedir o exercício de direitos fundamentais de ampla defesa, contraditório, convivência familiar e
escolarização de adolescente privado da liberdade.
Divulgação de dados e identificação de criança ou adolescente a que se atribua ato infracional.
Descumprimento dos deveres decorrentes da autoridade familiar.
Hospedagem de criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem
autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere.

•A penalidade: multa e, em caso de reincidência, fechamento do estabelecimento por até 15 dias e multa.
•Reincidência em período inferior a 30 dias: o estabelecimento será definitivamente fechado e terá sua licença
cassada.
•O proprietário de estabelecimento de hotelaria ou similar deve exigir documentos de identidade.
AS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM
ESPÉCIE (CONTINUAÇÃO)
Transportar irregularmente criança ou adolescente.
Deixar de afixar informação sobre a natureza da diversão ou espetáculo e a faixa etária especificada no
certificado de classificação.
Ausência de informação sobre limite de idade na entrada de diversão ou espetáculo público.
Deixar que ocorra a entrada e participação irregular de crianças e adolescentes em diversões e
espetáculos.
Não providenciar a instalação e operacionalização dos cadastros de adoção.
Deixar de encaminhar imediatamente à autoridade judiciária mãe ou gestante interessada em entregar seu
filho para adoção.
Descumprir a proibição do art. 81, II do ECA.

• A previsão está no art. 258-C do ECA.


•A infração consiste em vender bebida alcóolica a criança ou adolescente (o que viola o art. 81, II do ECA).
•A penalidade é multa e interdição do estabelecimento comercial até o recolhimento da multa aplicada.
Do Estatuto do Idoso – Lei n. 10.741, de 2003.
Processo de envelhecimento: muito amplo e altera a vida dos indivíduos, a estrutura familiar e a própria sociedade.
Demanda políticas públicas e requer recursos da sociedade.

Antes, poucos dispositivos legais, quase sempre vinculados à saúde, à assistência e à previdência social, se referiam à pessoa idosa. Não havia
consenso sobre quem deveria ser considerado idoso.

          A primeira Constituição a mencionar a pessoa idosa foi a de 1934: assegurou assistência médica e sanitária ao trabalhador (...) e
instituição de previdência, mediante contribuição igual da União, do empregador e do empregado, a favor da  velhice, da invalidez, da maternidade
e nos casos de acidentes de trabalho ou de morte.

         A CF de 1988: art. 14 - o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de 70 anos.
Art. 40, § 1º, II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e
cinco) anos de idade, na forma de lei complementar.

A CF garante um salário mínimo mensal ao idoso que comprovar a ausência de recursos suficientes para prover sua subsistência, ou de tê-la
provida por sua família, nos termos e que dispuser a lei especifica. Menciona, por fim, que um dos objetivos da assistência social é justamente a
proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice.

         CF de 1988 – art. 229 e 230.


         Lei nº 8842/1994 - sobre a Política Nacional do Idoso, para assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua
autonomia, integração e participação na sociedade.
          O Decreto 4.227, de 13 de maio de 2002 instituiu o Conselho Nacional dos Direitos dos Idosos, órgão vinculado ao Ministério da Justiça,
com competência para supervisionar e avaliar a Política Nacional do Idoso.
          Lei n. 10.741/2003, Estatuto do Idoso - regras de direito público, privado, previdenciário, civil, processual civil, e proteção penal. Consagra a
Política Nacional do Idoso: direitos e garantias do idoso.
 
 
Princípios norteadores dos direitos dos idosos
         
a)   Princípio da dignidade da pessoa humana
 
Rege a atuação da sociedade e dos agentes públicos.
 
b)   Princípio da solidariedade social
 
Toda pessoa deve observar os direitos do idoso, e acolher, se houver risco social - desamparado, sem família, ou sem condições mínimas de
subsistência.

Art. 36 da Lei 10.741/2003:

“O acolhimento de idosos em situação de risco social, por adulto ou núcleo familiar, caracteriza a dependência econômica, para os efeitos legais”.

Quem acolhe o idoso em situação de risco, em sua residência, com gastos, pode incluir referido idosos como seu dependente, com reflexos
diretos nos âmbitos tributários e previdenciários.
 
c)   Princípio da manutenção dos vínculos familiares
 
Decisão judicial observará a necessidade de garantir os vínculos entre o idoso e seus familiares.

O idoso tem o direito de ser mantido em seu próprio lar, para preservar intimidade, privacidade, propriedade, cultura e costumes; e garantir a
manutenção dos laços familiares.
 
Conceito legal de Idoso
           

Muita discussão havia sobre qual o conceito de idoso.

Lei 8.842/94, que instituiu a Política Nacional do Idoso: idade


superior a 60 anos.
Lei 10.741/2003: igualmente - critério biológico, de caráter
absoluto -pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.
Ao completar 60 anos, a pessoa se torna idosa para todos os
efeitos legais, pouco importando suas condições físicas e mentais.
Lei n. 13.466, de 2017.

Maiores de 80 anos.

Prioridade em processos judiciais.

Saúde.
Direitos Fundamentais do Idoso.

Direito à
Direito à Vida
Liberdade, ao
como Fundamento Alimentos. Direito à Saúde.
Respeito e à
Maior.
Dignidade.

Educação, Cultura, Profissionalização


Previdência Social. Assistência Social.
Esporte e Lazer. e Trabalho.

Habitação. Transporte.
PRINCIPAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS DOS
IDOSOS
 A sociedade deve respeitar e defender os direitos, ainda que seu exercício fique condicionado à iniciativa do próprio idoso.
       
 1-   Direito à Vida
 
* Proteção ao envelhecimento como direito indisponível.
* Dever do Estado, mediante políticas públicas sociais, que garantam a plenitude da saúde e da própria vida.
 
2-   Direito à liberdade
 
Atuar segundo seu livre-arbítrio; alcançar realizações pessoais da forma que lhe convier.
Obrigação do Estado  e da sociedade: assegurar a liberdade, o respeito e a dignidade; e direitos civis, políticos, individuais e
sociais, garantidos na Constituição e nas leis.
Compreende:
- a faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários ressalvadas as restrições legais;
- o direito de opinião e expressão, bem como a liberdade de crença e de culto religioso;
- a prática de esportes e diversões;
- a participação na vida familiar e comunitária;
- a participação na vida política;
- a faculdade de buscar refúgio, auxilio e orientação.
 
3 - Direito ao respeito.
 
Inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de valores,
ideais e crenças, dos espaços e dos objetos pessoais.

Obrigação de pessoa física ou jurídica, bem como de entes públicos ou privados.

A norma protege não só o direito personalíssimo de cada idoso, mas também o direito difuso de todos os idosos do Brasil, de terem uma
boa imagem junto à sociedade brasileira.

Cabe ao Estado e à própria sociedade garantir uma imagem positiva dos idosos.
* Campanhas publicitárias, públicas ou privadas, os vários setores da mídias, os educadores, os empresários, e todos os demais
segmentos de poder, liderança e comunicação da sociedade, devem unir esforços para que o idoso seja visto como um cidadão que tem
muito a contribuir com a sociedade, e não deve ser visto e tratado como um cidadão derrotado que necessita de amparo e das benesses
públicas para poder sobreviver.
 
4 - DIREITO À SAÚDE.
 
ESSENCIAL PARA A VIDA DIGNA.
Art. 196 da CF - “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”
        art. 15 do Estatuto - “É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e
igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças
que atem preferencialmente os idosos”.
          Deve o Poder Público:
- efetivar cadastros da população idosa fundamentados no local de residência dos mesmos;
- implementar atendimento geriátrico em ambulatórios públicos;
- criar unidade geriátrica de referência, com pessoal especializado nas áreas geriátricas e gerontologia social;
- implementar e estimular o atendimento domiciliar, incluindo a internação para a população que dele necessitar e esteja impossibilidade de se locomover, inclusive para
idosos abrigados e acolhidos por instituições públicas, filantrópicas ou sem fins lucrativos, ou conveniadas com o Poder Público, nos meios urbano e rural;
- possibilitar a reabilitação, orientada pela geriatria e gerontologia, para redução das sequelas decorrentes do agravo da saúde e,
- fornecer atendimento especializado aos idosos portadores de deficiência, ou com limitação físicas ou psíquicas.
          * Direito ao acesso integral ao serviço púbico de saúde, impondo ao Poder Público a obrigação de fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, próteses,
órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação.
          A lei não diferencia o idoso pobre daquele que possui condição financeira, tampouco restringe a qualidade da medicação ou a espécie de prótese ou órtese. Ex.:
Cirurgia para renovação de prótese antiga e já gasta, no quadril.
        * Medicamentos, órteses e próteses, insumos, produtos e alimentos necessários à manutenção ou recuperação da saúde do idoso, como por exemplo, o fornecimento
de fraldas geriátricas e, outros materiais.
          
Direito à saúde (continuação).

Saúde privada: direito de pleno acesso aos serviços contratados (CDC e Estatuto do Idoso).

          Algumas seguradoras de saúde tentam excluir a implantação de órteses e próteses das coberturas
contratadas, alegando falta de previsão contratual. Deve haver a implantação de órteses e próteses que
integram procedimento cirúrgico abrangido pelo respectivo contrato firmado com o paciente, como por
exemplo, a implantação de marcapasso e stent.
         
Proíbe-se a cobrança discriminatória  nas mensalidades dos planos de saúde em razão da idade do idoso.
Com a entrada em vigor da Lei 10.741/2003, as administradoras e seguradoras de planos de saúde não podem
mais efetuar qualquer cobrança, ou reajuste, de forma diferenciada, comparando-se o preço ou reajuste
cobrado do idoso, e aquele imposto aos demais usuários do respectivo plano de saúde. 
• As alterações das mensalidades por mudança de faixa etária, dessa forma, somente podem ocorrer até que
o usuário do plano de saúde complete 59 anos.

• Note-se: a lei não impede o reajuste das mensalidades do plano de saúde do idoso, veda-se, apenas, que
haja aumento diferenciado, com maior amplitude ao usuário idoso. 
5 - Alimentos, acesso à justiça, educação,
cultura, esporte e lazer.
 
Relacionado à vida e à dignidade.
Obrigação solidária.

* Personalíssimo, impenhorável e imprescritível, mas as prestações vencidas prescrevem no prazo de 2 anos.


* Direito recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau.

* A obrigação: parentesco consanguíneo como o civil.

Binômio necessidade – possibilidade.

* Alimentos: forma ampla – inclui até cuidadores ou empregados, se o idoso não puder viver sozinho.
 
        “Art. 14 – Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover o seu sustento, impõe ao Poder Público
esse provimento, no âmbito da assistência social”.
 
  
 6 - Direito a educação, cultura esporte e lazer
 

 
Inserção no contexto social. INCLUSÃO.

Direitos sociais indispensáveis ao desenvolvimento, de qualquer idade.

A aprendizagem ao longo da vida deve ser assegurada como uma ferramenta para a boa qualidade de envelhecimento.

Poder Público: DEVER DE adequar os currículos, a metodologia e o material didático aos programas educacional.
Universidades públicas disponibilizam cursos internamente gratuitos destinados à terceira idade.
Cultura - Estado deve preservar a memória e identidade cultural do país. Deverá inserir o idoso nas comemorações de caráter
cívico ou cultural, para que possam transmitir às gerações mais jovens os conhecimentos e vivência; garantia de participação em
procedimento de produção dos bens culturais; valorização da memória e da transmissão de informações aos mais jovens.
Descontos aos idosos na cobrança de ingressos: é incentivo à participação nas atividades culturais. Os responsáveis pela
organização de quaisquer atividades ou eventos culturais, artísticas, esportivas e de lazer, públicos ou privados, deverão
providenciar desconto, no mínimo de, 50% do valor dos ingressos à pessoa idosa, bem como acesso preferencial aos
respectivos locais.

Os estabelecimentos deverão reservar 5% das vagas aos idosos, posicionadas de forma a privilegiar a comodidade.

Lazer e direito ao desporto – descanso, alegria, felicidade e prazer. Elementos para viver bem e se sentir incluído na sociedade.
7 - Direito à seguridade social.
 
Art. 194, CF. Conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, para assegurar direitos relativos à saúde, à previdência e
à assistência social.
* Seguridade social é gênero, do qual são espécies a saúde, a previdência social e a assistência social.

Previdência Social
Instituto estritamente contributivo: somente serão beneficiados aqueles que contribuíram ao longo do tempo, cf. a lei.
Renda mensal àqueles que contribuíram por determinado período à formação de um capital que lhes garantisse um retorno futuro.
O benefício previdenciário deve observar o princípio constitucional da remuneração mínima; não pode ser inferior a um salário mínimo.
A CF prevê 3 regimes previdenciários distintos, a saber:
- Regime Geral da Previdência Social: tem como órgão executivo o INSS; serve aos trabalhadores da iniciativa privada e aos servidores públicos que
não possuem regime próprio de previdência social.
- Regime Próprio de Previdência Social: destina-se aos servidores, funcionários e agentes políticos, da União, dos Estados e dos Municípios, que
possuem regimes próprios de previdência social.
Cada classe específica tem um órgão próprio, para gerir a captação das contribuições e a distribuição dos benefícios.
- Regime Complementar de Previdência Social: constitui um regime facultativo destinado a qualquer interessado, pouco importando a profissão, vez
que se trata de regime privado, operado por seguradoras, instituições financeiras etc. Tem como objetivo principal complementar a renda mensal
decorrente dos regimes geral e próprio da previdência social.
Previdência Social (continuação):

O Estatuto do Idoso se refere apenas ao Regime Geral de Previdência Social.


O artigo 29 da Lei n. 10741/2003 garante a manutenção do poder aquisitivo do idoso aposentado, em relação à sua situação econômico-financeira
durante o período ativo (período de contribuição ao instituto gerenciador da Previdência Social – INSS) - determina que os benefícios da
aposentadoria e pensão sejam calculados com base em critérios que preservem o valor real dos salários, sobre os quais incidiram as
contribuições do idoso.

O parágrafo único do citado artigo 29 determina que o reajuste dos benefícios deve correr na mesma data do reajuste anual do salário-mínimo,  cf.
os critérios da Lei 8213/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social.

Art. 30 do Estatuto do Idoso:

“A perda da condição de segurado não será considerada perda para a concessão de aposentadoria por idade, desde que a pessoa conte com, no
mínimo, no tempo de contribuição correspondente ao exigido para efeito de carência na data do requerimento do benefício”.
Ou seja, a aposentadoria por idade, prevista no diploma mencionado, poderá ocorrer mesmo que no momento do requerimento o idoso não esteja
mais contribuindo, desde que tenha o mínimo de contribuições exigidas pela Lei n. 8213/91.

Conclusão: o acesso ao idoso à previdência social não é irrestrito - exige pré-requisitos como idade e carência.
Portanto, o direito à previdência social relativo, uma vez que não basta atingir os 60 anos para ter acesso; existe
também o requisito contributivo.
 
Assistência Social

Não há prévia contribuição do beneficiário.

Art. 203 da CF: a assistência social deverá ser prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição
à seguridade social.

Para o cidadão em estado de miserabilidade, concedendo-lhe o mínimo necessário à sua sobrevivência.

* Garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem
não possuir meios de prover à própria manutenção ou tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

* A Lei n. 8742/93, conhecida como Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), regulamentou a concessão do referido
benefício. Em seu artigo 20, § 3º, determina:

“Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a família cuja renda
mensal per capita seja inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo”.
8 - Direito à habitação.
  Dispõe o artigo 37 do Estatuto do Idoso:
 
“O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural  ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o
desejar, ou, ainda, em instituição publica ou privada”.

O idoso decide onde e com quem irá residir.

No caso, de idoso incapaz, a decisão caberá ao respectivo curador ou aos familiares daquele, já que a interdição judicial se impõe ao curador a
obrigação de zelar pelos interesses do curatelado da melhor forma possível, concedendo-lhe discricionariedade para o exercício do
referido munus público.

Poder Público deve conceder prioridade ao idoso, para aquisição de casa própria junto aos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com
recursos públicos. 

Para efetivação da prioridade, a porcentagem estipulada, é que de 3% das unidades habitacionais residenciais sejam destinadas aos idosos.

Além da reserva de unidades habitacionais, o Poder Público deverá implementar equipamentos urbanos comunitários voltados aos idosos, com
eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, visando o seu pleno acesso.
9 - Direito ao transporte.
 
Estabelece o artigo 230, § 2º, da CF, que “aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos e urbanos”.
Assim, a todos os cidadãos com idade superior a 65 anos de idade é assegurado o direito de utilização dos transportes coletivos urbanos, tais como ônibus e metrô, de
forma gratuita.
Porém, apesar de uma norma constitucional, ficou a cargo dos Estados e dos Municípios a implementação e o cumprimento deste dispositivo constitucional, estabelecendo
os critérios práticos para a concessão e manutenção do benefício a todos os idosos, na forma da lei.
Com relação ao transporte interestadual, ou seja, àquele que transpõe o limite de um Estado, ou do Distrito Federal, o artigo 40 do Estatuto do Idoso impõe a reserva de
duas vagas gratuitas, por veículo, aos idosos com renda igual ou inferior a dois salários mensais. Determina, ainda, a concessão de desconto de 50% no mínimo, no valor
das passagens, aos idosos nas mesmas condições financeiras, que excederem as duas vagas gratuitas.
O Decreto 5.130, de 7 de julho de 2004, foi o primeiro texto normativo a regulamentar o artigo 40 da Lei n. 10.741/2003, definindo os mecanismos e critérios para a
concessão do benefício, inclusive no tocante a conceituação e comprovação do estado de carência do idoso, além de estipular a possibilidade de multa à empresa que não
observasse a necessidade da concessão. Posteriormente, o Decreto 5.934/2006, revogou expressamente o Decreto 5.130, passando a regular inteiramente a questão.
Nos termos do referido Decreto, e em observância ao texto do Estatuto do Idoso, o benefício será concedido aos idosos com idade igual ou superior a 60 anos, ao contrário
do que ocorre com o transporte municipal urbano, ou semiurbano, cuja gratuidade é imposto somente a partir dos 65 anos de idade, ficando a critério da legislação local
eventual alteração para 60 anos.
A gratuidade e o desconto são aplicáveis a qualquer sistema de transporte público interestadual, incluindo transportes rodoviários, ferroviário e aquaviários abertos ao
público. O transporte aéreo foi excluído da obrigação prevista no artigo 40 do Estatuto do Idoso.
Para obtenção da gratuidade, o idoso deverá se dirigir os pontos de vendas das empresas de transporte, com antecedência mínima de 3 horas antes do horário de partida do
coletivo, e solicitar a emissão da passagem denominada “bilhete de Viagem do Idoso”. Nesse momento o idoso poderá solicitar a emissão do bilhete da viagem de retorno.
Além da idade, o idoso deverá comprovar que sua renda mensal é igual ou inferior a dois salários-mínimos, mediante a apresentação de um dos seguintes documentos:
CTPS, contracheque de pagamento, holerite ou outro documento expedido pelo empregador, carnê de contribuição para INSS, extrato de pagamento de benefício, ou
declaração fornecida pelo INSS, ou outro regime de previdência social, público ou privado e documento ou carteira, emitidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais de
Assistência Social ou congêneres.
 O transporte intermunicipal, por fim, restou absolutamente esquecido pelo legislador caracterizando uma das lacunas mais controvertidas da questão.
Percebe-se, dessa forma, que nos termos do disposto no Estatuto, o idoso pode utilizar, gratuitamente, o transporte coletivo urbano e semiurbano de sua cidade.
 
10 - Direito ao trabalho.
 
Exercício da atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas.

Vedada a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os
casos em que a natureza do cargo o exigir.

O primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se preferência ao candidato com
idade mais elevada.

O Poder Público deve criar programas de profissionalização especializada para os idosos, aproveitando
seus potenciais e habilidades para atividades regulares e remuneradas; e também programas de preparação
dos trabalhadores para a aposentadoria, com antecedência mínima de um ano, por meio de estímulo a
novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e de
cidadania.
 
Medidas de Proteção ao Idoso.

•Cabe à família, à sociedade o ao Estado a proteção integral dos direitos e garantias dos idosos.
•“Art. 4.º - Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus
direitos, por ação ou omissão será punido na forma da lei.
•§ 1º - É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.
•§ 2º - As obrigações previstas nesta Lei não excluem da prevenção outras decorrentes dos princípios por ela adotados.
• Art. 5º - A inobservância das normas de prevenção importará responsabilidade à pessoa física ou jurídica nos termos da lei.”
•Princípio da solidariedade social – obrigação de todos.
•          A Lei n. 10.741/2003 proíbe qualquer forma de discriminação ao idoso, seja ela moral, social ou contratual.
•Ameaça ou efetiva violação aos direitos e garantias dos idosos: cabimento de medidas de proteção, nos termos do artigo 45 do Estatuto do
Idoso.
• Essas medidas são sempre cabíveis, pouco importando a origem da ameaça ou violação do direito do idoso, podendo ser advinda de ação ou
omissão do Estado, por falta, omissão ou abuso da família, do curador ou da entidade de atendimento, ou, ainda, em razão da condição pessoal
do idoso.
•          Tais medidas poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, e terão por princípio a manutenção dos vínculos familiares e
comunitários. O rol dessas medidas previstas no artigo 45 é exemplificativo, sendo cabível a aplicação de outras medidas protetivas não
previstas expressamente pelo legislador, como por exemplo, realização de visitas domiciliares por psicólogos e assistentes sociais, a inserção
do idoso em programas de reabilitação alimentar com acompanhamento de nutricionista, bem como em programas de atividades físicas etc.
•       
MEDIDAS DE PROTEÇÃO EM ESPÉCIE
a)   Encaminhamento à família ou curador
• É a primeira medida de proteção a ser aplicada ao idoso em situação de risco social.
• A medida poderá ser cumprida pelo Conselho Municipal do Idoso, ou, na sua falta, pelo Conselho Estadual do Idoso, ou por equipe
multidisciplinar vinculada a qualquer órgão pública, nela incluídos os assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.
• Princípio da manutenção dos vínculos familiares; não sendo possível: curador judicialmente nomeado.
• Em ambos os casos: subscrição de um termo de responsabilidade - a pessoa que recebeu o idoso se obriga a cuidar do mesmo.
 b)   Orientação, apoio e acompanhamento temporário
•             Deverá ser efetivada por profissionais habilitados, preferencialmente psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras.
•      A medida deve ser efetivada, preferencialmente, no domicílio do idoso, em obediência ao disposto no artigo 230, §1º da CF..
c)   Requisição para tratamento de saúde
• A requisição poderá ser emitida pelo Juiz de Direito ou pelo Promotor de Justiça. Por se tratar de requisição, o órgão de saúde não poderá
recusar o tratamento requisitado.
• A medida se aplica às deficiência de saúde de qualquer natureza, como por exemplo, distúrbios alimentares, físicos, psíquicos e
psiquiátricos.
• Os estabelecimentos privados, conveniados ao SUS, estão obrigados a cumprir a requisição. Caso não haja estabelecimento hospitalar
público na região, o Poder Público deve custear a internação do idoso em estabelecimento particular até o final do tratamento.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO EM ESPÉCIE
(continuação)
d)   Inclusão em programa de auxílio a dependentes de drogas
•Programas oficiais ou comunitários de auxílio, orientação e tratamento aos usuários e dependentes.
•Alcança não só o idoso, como também seus familiares ou qualquer pessoa de seu convívio, ou seja, terceira pessoa que coabite no mesmo local.
•Deve ser precedida de consentimento expresso do idoso ou do terceiro interessado, à inclusão em tais programas, pois ninguém pode ser submetido contra sua
vontade a nenhum tratamento.

e)   Abrigo em entidade
•O idoso tem o direito de ser mantido em seu próprio lar, a fim de que sejam preservados a intimidade, o direito a privacidade, a manutenção dos laços familiares
etc.
•A retirada do idoso do seu núcleo familiar é medida extrema, em última caso, observando-se os princípios de brevidade e excepcionalidade.
•Em algumas situações, a manutenção do convívio familiar é impossível, e o abrigo do idoso representa medida imprescindível à própria defesa de seus direitos.
•Caso o idoso seja lúcido, a medida só será cabível com sua expressa concordância. Sendo idoso  incapaz, a decisão caberá ao curador ou ao Juiz, se não houver
curador judicialmente nomeado.

•f)     Abrigo temporário      
•O abrigo temporário deve ser evitado a qualquer custo, preferindo-se, sempre, outras medidas que mantenham o idoso em seu núcleo familiar.
•Sendo indispensável, o abrigo é medida que deverá ser efetivada em entidade de atendimento, casa lar, residência dos familiares, ou, ainda, em residência de
terceiras pessoas interessadas em acolher temporariamente o idoso.
•O acolhimento de idoso em situação de risco, por adulto ou núcleo familiar, caracteriza a dependência econômica, para os efeitos legais - acolhido por terceiros, o
idoso passa a ser considerado dependente do referido núcleo familiar, com reflexos diretos nos âmbitos tributários e previdenciários.
 
Competência para aplicação das medidas de proteção
Aplicadas por requisição do MP ou determinação do Poder Judiciário, quando tiver sido por aquele provocado.

Ao ter notícia sobre a ocorrência de ameaça ou violação a qualquer direito ou garantia, o MP poderá instaurar procedimento administrativo, para a apuração dos fatos.

O cumprimento da medida cabe ao Conselho Municipal do Idoso, à Secretaria de Assistência Social do Município, à Secretaria Municipal de Saúde, à equipe multidisciplinar
que atuar junto á Promotoria de Justiça ou à equipe técnica da Vara do Idoso, dependendo da respectiva natureza e da estrutura existente na respectiva Comarca.

Além do juiz e do MP, as medidas de proteção podem ser aplicadas pelos Conselhos do Idoso, desde que não impliquem em restrição de liberdade do idoso.

Ex.: idoso em situação de rua por sofrer de Mal de Alzheimer e não lembrar seus dados pessoais e seu endereço ou de seus familiares. Uma vez acionado o Conselho
Municipal do Idoso, seus membros têm competência para aplicar diretamente a medida de proteção prevista no artigo 45, I do Estatuto, com imediato encaminhamento à
residência ou aos cuidados de seus familiares, sem necessidade de prévia autorização judicial ou ministerial.
Referida atribuição dos Conselhos dos Idosos é subsidiária, pois sua função principal tem natureza difusa: fiscalização da aplicação das políticas públicas em favor de todos os
idosos.

Os membros dos Conselhos do Idoso (Nacional, Estaduais e Municipais) não devem agir como órgão inquisitivo, devendo somente aplicar medidas de proteção em casos
emergenciais.

Devem, em geral, registrar as ocorrências que envolvem pessoas idosas e levar ao conhecimento das autoridades competentes (Delegado, Promotor ou Juiz), para que estes
adotem as medidas legais adequadas.
Política de Atendimento ao Idoso.

• Para cumprir os benefícios assegurados aos idosos.


• Estatuto: cria sistema da corresponsabilidade social, ligado ao princípio da indissolubilidade do vínculo federativo - os entes
federativos defendem as políticas de atendimento.
• Trabalham em conjunto, de forma harmônica.
•           “Art. 46. A política de atendimento ao idoso far-se-á por meio do conjunto articulado de ações governamentais e não-
governamentais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”
• Art. 47 - rol de ações da política de atendimento (exemplificativo)
•         I – políticas sociais básicas, previstas na Lei no 8.842, de 4 de janeiro de 1994;
•         II – políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para os que necessitarem;
•      III – serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso,
crueldade e opressão;
•       IV – serviço de identificação e localização de parentes ou responsáveis por idosos abandonados em hospitais e
instituições de longa permanência;
•         V – proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos dos idosos;
•    VI – mobilização da opinião pública para a participação dos diversos segmentos da sociedade no atendimento do
idoso.
  Entidades de Atendimento aos Idosos
  não permanece no núcleo familiar: abrigamento entidades de atendimento.
Idoso que
• Cada Município deve ter entidades públicas de prestação de serviços e abrigos aos idosos necessitados.
• Deve haver previsão orçamentária.
• Entidades privadas de atendimento aos idosos: para suprir a omissão estatal.
• Entidades de atendimento são chamadas de casa lar, asilos, casas de repouso, clínicas geriátricas, hospedagem etc.
• Obrigações das entidades de atendimento governamentais ou não governamentais para garantir padrão mínimo na prestação de serviço:
•  As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades.
•  Inscrição de seus programas junto ao órgão competente da Vigilância Sanitária e Conselho Municipal da Pessoa Idosa, e em sua falta, junto ao
Conselho Estadual ou Nacional da Pessoa Idosa, especificando os regimes de atendimento, observados os seguintes requisitos:
•         I – oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;
• Aspecto estrutural do imóvel, e no que se refere ao alojamento dos idosos: acesso ao prédio por no mínimo duas portas, sendo uma delas exclusivamente de
serviço; rampas e escadas acessíveis etc.
•         II – apresentar objetivos estatutários e plano de trabalho compatíveis com os princípios desta Lei;
•           Não basta cadastro da pessoa jurídica e a adequação física do imóvel, a entidade deverá apresentar objetivos estatutários concretos, que envolvam a
proteção integral dos idosos abrigados. Deve estipular como deve funcionar a entidade, incluindo o número e a qualificação de empregados, horário de
atendimento, regime de refeições, atividades físicas e culturas etc.
•        III – estar regularmente constituída;
• IV – demonstrar a idoneidade de seus dirigentes.”
• Alvará de funcionamento junto ao Poder Público Municipal, após a vistoria do corpo de bombeiros, pagamento de taxas e tributos municipais etc.
• “Art. 52.  As entidades governamentais e não-governamentais de atendimento ao idoso
serão fiscalizadas pelos Conselhos do Idoso, Ministério Público, Vigilância Sanitária e
outros previstos em lei.” ROL EXEMPLIFICATIVO.
Qualquer pessoa deve comunicar fato irregular ao Delegado de Polícia, ao Juiz, ao MP ou ao
Conselho Municipal de Idoso.

Fiscalização Penalidades previstas às entidades de atendimento:


Sanções civis, aplicadas judicialmente, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de
e seus dirigentes ou prepostos.
* Penalidades, observado o devido processo legal:
penalidades •         I – Às entidades governamentais:

das •         a) advertência;


•         b) afastamento provisório de seus dirigentes;
entidades de •         c) afastamento definitivo de seus dirigentes;

atendimento •         d) fechamento de unidade ou interdição de programa;


•         II – Às entidades não-governamentais:
•         a) advertência;
•         b) multa;
•         c) suspensão parcial ou total do repasse de verbas públicas;
•         d) interdição de unidade ou suspensão de programa;
•         e) proibição de atendimento a idosos a bem do interesse público.
Crimes previstos no Estatuto do Idoso.

Ministério Público:
autonomia para investigar e
Art. 93 a 113 da Lei n. * Ação penal pública
propor ação penal,
10.741/2003. incondicionada.
independentemente a
vontade da vítima.

Lei n. 9.099/1995 aos crimes Juizado Especial Criminal,


descritos no Estatuto cuja que regulamenta o
pena máxima privativa de processamento, julgamento
liberdade não ultrapasse 4 e execução das infrações
anos: penais de menor potencial.
Crimes em Espécie.
Discriminação do idoso
Protege o direito de igualdade e o direito do pleno exercício da cidadania por parte do idoso.

“discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou
por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade.”

Discriminação que crie dificuldade ou obstáculos do acesso ao idoso a operações bancárias de qualquer natureza, como por exemplo, empréstimos,
financiamentos, saques ou até mesmo simples acesso físico às dependências do estabelecimento bancário.
O elemento subjetivo é o dolo.
O sujeito passivo pode ser qualquer pessoa, não se exigindo nenhuma condição especial do agente.
As penas serão aumentadas em 1/3, caso a vítima se encontre sob os cuidados ou responsabilidade do agente. Para configuração da majorante não é
necessária a existência de vínculo de parentesco, bastando uma relação de cuidado ou responsabilidade do agente em face do idoso.

“Nas mesmas penas incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo” .
Crimes em Espécie (continuação):
       Omissão de socorro em relação ao idoso
 
Dever de solidariedade das pessoas.
Proteção da vida e da integridade físico do idoso.
* “deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou
recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o socorro de
autoridade pública”.
O tipo se assemelha à omissão de socorro prevista no artigo 135 do Código Penal, e, pune várias condutas omissivas, todas
relacionadas à necessidade de se prestar a devida assistência ao idoso que dela necessite, por se encontrar em situação de
iminente perigo.
• Doloso.
Idoso “em situação de iminente perigo” e omissão “sem justa causa”.
• Pode ser praticado por qualquer pessoa.

A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta em morte.
 
Abandono de idoso em hospitais ou entidades de abrigo ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por
lei ou mandado.
      Protege a vida e a saúde do idoso.
Doloso.
Crimes em Espécie (continuação):
Maus-tratos ao idoso

Fusão entre crimes de perigo à vida e à saúde de outrem, abandono material, maus tratos e redução à condição análoga
à de escravo: 
“expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas
ou degradantes, ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou
sujeitando- o a trabalho excessivo ou inadequado”.

* Protege a saúde e a própria vida do idoso.

• Doloso.

• Se do fato sobrevier lesão corporal de natureza grave, a pena será de reclusão (não mera detenção), de um a quatro
anos; no caso do fato resultar na morte do idoso, a pena será de reclusão, de quatro a 12 anos.

• A qualificadora é aplicada ainda que a lesão grave ou a morte decorram de culpa do agente. Assim, ainda que o
agente não busque o resultado, caso ele ocorra por imprudência, negligência ou imperícia, a forma qualificada será
aplicada, vez que o parágrafo único une o resultado ao fato criminoso, e não à intenção do agente.
 
Crimes em Espécie (continuação):
Condutas Típicas variadas: art. 100 do Estatuto tipifica cinco condutas distintas - pena de reclusão, de 6 meses a 1 ano, e
multa.
 1. Obstrução dolosa do idoso a cargo público.
 2. Negativa de emprego por motivo de idade (iniciativa privada);
 3. Embaraço (por qualquer pessoa) ao atendimento médico (recusar, retardar ou dificultar o atendimento), dolosamente,
sem justa causa.  
4. Desobediência de ordem judicial (protege a Administração Pública).
Conduta tem que ser praticada com dolo. Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime.

5. Embaraço em investigações: recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil
pública em favor do idoso, quando requisitados pelo Ministério Público. A norma tutela a Administração da Justiça.
Subsidiariamente, protege a atuação do Ministério Público em favor da pessoa idosa.

Pode ser punida qualquer pessoa que de forma livre e consciente: recuse, retarde ou omita os dados técnicos indispensáveis à
propositura de ação civil pública.
* Sujeito passivo: o Estado.
 
 
Crimes em Espécie (continuação):
Desobediência de ordem legal proferida em ação envolvendo idoso
 
Art. 101 do Estatuto: “deixar de cumprir, retardar ou frustrar, sem justo motivo, a execução de ordem judicial expedida nas ações em que for
parte ou interveniente o idoso”. A norma protege a Administração Pública, mais especificamente a Administração da Justiça.
Esse tipo se assemelha ao crime descrito no artigo 100, IV do Estatuto do Idoso. A única diferença é que o crime previsto no artigo 100, IV, refere-se à
“ação civil a que alude a Lei”, enquanto o crime em questão, previsto no artigo 101, menciona às “ações em que for parte ou interveniente o idoso”.
Assim, esse dispositivo possui maior alcance, pois engloba não apenas quaisquer ações propostas para defesa dos interesses individuais,
difusos etc. e indisponíveis dos idosos, como também qualquer ação, de qualquer natureza, inclusive penal, na qual figure como parte, ou
interveniente (incluindo os institutos da oposição, assistência e litisconsórcio) a pessoa idosa.
O elemento subjetivo do tipo é o dolo.  Trata-se de crime comum, que pode ser praticado por qualquer pessoa.
 
Apropriação indébita de bens de idoso
Art. 102 - “apropriar-se ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da sua
finalidade”.
Protege o patrimônio do idoso.
• Dolo.
• Pode ser praticado por qualquer pessoa, não sendo necessária  uma condição especial do agente.
 
Crimes em Espécie (continuação):
Negativa de acolhimento ao idoso
 
Art. 103 do Estatuto: “negar o acolhimento ou a permanência do idoso, como abrigado, por recusa deste em outorgar procuração à entidade de
atendimento”.

A norma protege a saúde e a integridade, física e psíquica do idoso, e o direito de ser abrigado em entidade com dignidade e respeito.
* Dolo.
* O crime é próprio: só pode ser praticado pelo funcionário, gerente, diretor ou qualquer pessoa que tenha poderes para impedir ou conceder o
abrigamento do idoso na entidade.
 
Retenção de documento de idoso
 
Art. 104 da Lei nº 10.741/03: “reter o cartão magnético de conta bancária relativa aos benefícios, proventos ou pensão do idoso, bem como qualquer outro
documento, com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida”,  com pena de detenção de seis meses a dois anos, mais pena de multa.
* Protege a Administração da Justiça e, subsidiariamente, o patrimônio do idoso.
* Dolo.
• O crime pode ser praticado por qualquer pessoa.
• Sujeito passivo: idoso que tem seu documento retido por outrem como forma de forçá-lo a cumprir obrigação pecuniária assumida.
 
Crimes em Espécie (continuação):
Exibição de imagens depreciativas de idoso
 
     O artigo 105 do Estatuto do Idoso: “exibir ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à
pessoa do idoso”.

A norma protege a imagem e a honra subjetiva do idoso.


• Dolo.
• Pode ser praticado por qualquer pessoa. E o sujeito passivo é o idoso que tem sua imagem ou honra violada.
 
Induzimento à outorga de procuração      
 
Art. 106 - “induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de administração de bens ou deles dispor livremente”.
Protege o patrimônio do idoso e, subsidiariamente, a presunção de veracidade dos documentos públicos e particulares.
A procuração pode ser pública ou particular, e deve ter por objeto a administração ou livre disposição dos bens móveis ou imóveis.
• Dolo.
• O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. E o sujeito passivo é o idoso que outorga a procuração sem ter ciência das consequências de tal medida.
 
Coação do idoso
 
Estatuto, art. 107: “coagir, de qualquer modo, o idoso, a doar, contratar, testar ou outorgar procuração”.

A norma protege a liberdade e o patrimônio do idoso.

Coação moral, física, psíquica etc.

* Dolo.

O crime pode ser praticado por qualquer pessoa.


 
Crimes em Espécie (continuação):
Lavratura de ato notarial para idoso sem discernimento
 
Art. 108 do Estatuto.
Protege a Administração Pública, mais especificamente a fé pública dos atos notariais.
Lavrar tem o sentido de exarar por escrito, escrever.
Ato notarial é o gênero do qual são espécies os atos de competência exclusiva dos funcionários de cartórios extrajudiciais (lavratura de procuração,
reconhecimento de firma, elaboração de testamento etc.).
Dolo.
• Praticada pelo escrivão ou funcionário do cartório competente para a lavratura do ato notarial. O terceiro que auxilia o funcionário
responderá na qualidade de partícipe.

• Sujeito passivo é a Administração Pública e, subsidiariamente o próprio idoso sem discernimento de seus atos.
 
Impedimento da ação dos órgãos fiscalizadores
 
Art. 109 do Estatuto: “impedir ou embaraçar ato do representante do Ministério Público, ou de qualquer outro agente fiscalizador”.  A norma
protege a Administração Pública, mais especificamente a atuação do Ministério Público e dos demais órgãos fiscalizadores dos direitos dos idosos.

• Dolo.

• Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.


• Sujeito passivo: o Estado, mais especificamente a Administração Pública.