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Saúde da Mulher

Infecção Urinaria
Profª Ms. Jéssica Castro
Fisiopatologia
O trato urinário, dos rins ao meato uretral, é normalmente estéril e resistente à colonização bacteriana apesar da contaminação frequente da
uretra distal com bactérias colônicas. A principal defesa contra infecções do trato urinário é o esvaziamento completo da bexiga durante a
micção. Outros mecanismos que mantêm a esterilidade do trato urinário incluem a válvula vesicoureteral e várias barreiras mucosas e
imunológicas.
Cerca de 95% das infecções do trato urinário ocorrem quando bac-térias ascendem a uretra para a bexiga e, no caso de pielonefrite, ascendem
do ureter para os rins. O restante das infecções é hematogênica. Infecções sistêmicas podem resultar de uma infecção do trato urinário,
principalmente em idosos. Cerca de 6,5% dos casos debacteremias adquiridas em hospital são atribuídos a uma infecção do trato urinário. A
infecção do trato urinário não complicada geralmente é considerada cistite ou pielonefrite que ocorre em mulheres adultas na pré-menopausa
sem nenhuma anormalidade estrutural ou funcional do trato urinário e que não estão grávidas e não têm nenhuma comorbidade significativa
que pode levar a resultados mais graves. Além disso, alguns especialistas consideram infecções do trato urinário como problemas simples,
mesmo que afetem mulheres na pós-menopausa ou pacientes com diabetes bem controlado. Nos homens, a maioria das infecções do trato
urinário ocorre em crianças ou idosos, são decorrentes de alterações anatômicas ou instrumentação e são consideradas complicadas.
As raras infecções do trato urinário que ocorrem em homens dos 15 aos 50 anos de idade costumam ocorrer naqueles que fazem sexo anal
desprotegido ou nos quais o pênis não foi circuncisado, e elas geralmente são consideradas simples. Infecções do trato urinário em homens
nessa faixa etária que fazem sexo anal desprotegido ou cujo pênis não foi circuncisado são muito raras e, embora também sejam consideradas
não complicadas, justificam avaliação para anormalidades urológicas.
A infecção do trato urinário complicada pode envolver um ou outro sexo em qualquer idade. Geralmente é considerada pielonefrite ou cistite
que não preenche os critérios para ser considerada não complicada. A uma infecção do trato urinário é considerada complicada quando o
paciente é criança, está grávida ou tem um dos seguintes:
Anormalidade estrutural do aparelho urinário ou funcional e obstrução do fluxo de urina, Comorbidade que aumenta o risco de contrair a
infecção ou resistência ao tratamento, como diabetes mal controlado, doença renal crônica , ou imunossupressão.
Instrumentação ou cirurgia recente do trato urinário
Fatores de Risco
Os fatores de risco do desenvolvimento de uma infecção do trato urinário em mulheres incluem:
• Relações sexuais
• Diafragma e uso de espermicida
• Uso de antibióticos
• Novo parceiro sexual no último ano
• História de infecções do trato urinário em parentes de 1º grau do sexo feminino
• História de infecções do trato urinário recorrentes
• Primeira uma infecção do trato urinário em idade precoce
Mesmo a utilização de preservativos revestidos de espermicidas aumenta o risco de uma infecção do trato urinário nas mulheres. O maior risco de uma infecção
do trato urinário em mulheres que utilizam antibióticos ou espermicidas provavelmente decorra de alterações na flora vaginal que permitem o crescimento
excessivo de Escherichia coli. Em mulheres mais velhas, a contaminação do períneo por incontinência fecal aumenta o risco.
Anormalidades anatômicas, estruturais e funcionais são fatores de risco de uma infecção do trato urinário. Uma consequência comum das anormalidades
anatômicas é o refluxo vesicoureteral , presente em 30 a 45% das crianças pequenas com uma infecção do trato urinário sintomáticas . O refluxo vesicoureteral é
geralmente causada por um defeito congênito que resulta em incompetência da válvula ureterovesical. O refluxo vesicoureteral também pode ser adquirido em
pacientes com bexiga flácida em decorrência de lesão da coluna ou depois de cirurgia do trato urinário. Outras alterações anatômicas que predispõem à uma
infecção do trato urinário são válvulas uretrais (anomalia obstrutiva congênita), a maturação tardia do colo vesical, os divertículos vesicais e as duplicidades
uretrais (ver Visão geral das anomalias renais e geniturinárias congênitas ).
Anomalias do trato urinário estruturais e funcionais que predispõem a infecções do trato urinário geralmente envolvem a obstrução do fluxo de urina e baixo
esvaziamento da bexiga. O fluxo de urina pode ser comprometido por cálculos e tumores. O esvaziamento da bexiga pode ser prejudicado por disfunção
neurogênica (ver Bexiga neurogênica ), gestação, prolapso uterino , presença de cistocele e hipertrofia da próstata . Uma infecção do trato urinário causadas por
fatores congênitos se manifestam com mais frequência na infância. A maioria dos outros fatores de risco é mais comum em idosos.Outros fatores de risco de uma
infecção do trato urinário incluem instrumentação (p. ex., cateterismo vesical , colocação de stent, cistoscopia ) e cirurgia recente.
Manifestações Clínicas
Sinais e sintomas
Pacientes idosos e pacientes com bexiga neurogênica ou que utilizam sondas de demora podem apresentar sepse e delirium sem sintomas
referentes do trato urinário.

Quando os sintomas estão presentes, podem não se correlacionar à localização da infecção dentro do trato urinário em razão de haver considerável
sobreposição; entretanto, algumas generalizações são úteis. Na uretrite, os principal sintomas são disúria e, principalmente em homens, secreção
uretral.
A secreção pode ser purulenta, esbranquiçada ou mucosa. Características da secreção, como quantidade de purulência, não diferenciam de forma
confiável uretrite gonocócica de uretrite não gonocócica.

O início da cistite é geralmente súbito, tipicamente com polaciúria, urgência e ardor ou micção dolorosa de pequenos volumes de urina. Noctúria,
com dor suprapúbica e geralmente dor lombar inferior são comuns.
A urina é muitas vezes turva, e pode haver hematúria microscópica (ou raramente macroscópica). Pode haver febre baixa. Pneumatúria (passagem
de ar na urina) pode ocorrer quando a infecção resultar de fístula vesicoentérica ou vesicovaginal ou por cistite enfisematosa.

Na pielonefrite aguda, os sintomas podem ser os mesmos da cistite. Um terço dos pacientes apresenta aumento na frequência urinária e disúria .
Entretanto, na pielonefrite, os sintomas tipicamente incluem calafrios, febre, dor no flanco, náuseas e vômitos. Se houver discreta rigidez abdominal
ou ausência desta, algumas vezes é possível palpar o rim dolorido e aumentado.

A dor à percussão costovertebral geralmente está presente no lado infectado. Na infecção do trato urinário em crianças , os sintomas costumam ser
pouco específicos e menos característicos.
DIAGNÓSTICO
Exame de urina
Algumas vezes urocultura
O diagnóstico por meio de cultura nem sempre é necessário. Caso realizado, o diagnóstico por cultura requer demonstração de bacteriúria significativa em amostra de urina
coletada adequadamente.

Coleta de urina
xame de urina
O exame microscópico é útil mas não definitivo. Define-se piúria como ≥ 8 leucócitos/mcL de urina não centrifugada, que corresponde a 2 a 5 leucócitos por campo de
grande aumento no sedimento centrifugado. A maioria dos pacientes realmente infectados apresentam > 10 leucócitos/mcL. A presença de bactérias na ausência de piúria,
em especial quando várias cepas são identificadas, geralmente é causada por contaminação durante a coleta. Hematúria microscópica ocorre em até 50% dos pacientes,
mas a hematúria macroscópica é rara. Cilindros de leucócitos, que podem exigir colorações especiais para se diferenciarem de cilindros renais tubulares, indicam somente
uma reação inflamatória; podem estar presentes na pielonefrite , glomerulonefrite e na nefrite tubulointersticial não infecciosa.

Piúria na ausência de bacteriúria e infecções do trato urinário pode ocorrer, por exemplo, se os pacientes têm nefrolitíase , tumor uroepitelial, apendicite ou doença
inflamatória intestinal, ou se a amostra estiver contaminada por leucócitos vaginais. Mulheres com disúria e piúria, mas sem bacteriúria significativa têm a síndrome uretral
ou a síndrome disúria-piúria.

Testes com tira reagente também são comumente utilizados. Um exame positivo para nitrito em amostra de urina fresca (a replicação bacteriana no frasco resulta em
amostra não confiável se a amostra não for testada rapidamente) é altamente específico para uma infecção do trato urinário, mas o exame não é muito sensível. O exame
de esterase de leucócitos é muito específico para a presença de > 10 leucócitos/mcL e é razoavelmente sensível. Em mulheres adultas com uma infecção do trato urinário
não complicada e com sintomas típicos, a maioria dos médicos considera o exame microscópico e o da fita positivos suficientes para o diagnóstico; nesses casos, em razão
da grande probabilidade de encontrar os patógenos habituais, é pouco provável a mudança do tratamento de acordo com o resultado de culturas, além do custo adicional.
Exame de urina
O exame microscópico é útil mas não definitivo. Define-se piúria como ≥ 8 leucócitos/mcL de urina não centrifugada, que corresponde a 2 a 5 leucócitos por campo de
grande aumento no sedimento centrifugado. A maioria dos pacientes realmente infectados apresentam  > 10 leucócitos/mcL. A presença de bactérias na ausência de piúria,
em especial quando várias cepas são identificadas, geralmente é causada por contaminação durante a coleta. Hematúria microscópica ocorre em até 50% dos pacientes,
mas a hematúria macroscópica é rara. Cilindros de leucócitos, que podem exigir colorações especiais para se diferenciarem de cilindros renais tubulares, indicam somente
uma reação inflamatória; podem estar presentes na pielonefrite , glomerulonefrite e na nefrite tubulointersticial não infecciosa.
Piúria na ausência de bacteriúria e infecções do trato urinário pode ocorrer, por exemplo, se os pacientes têm  nefrolitíase , tumor uroepitelial, apendicite ou 
doença inflamatória intestinal, ou se a amostra estiver contaminada por leucócitos vaginais. Mulheres com disúria e piúria, mas sem bacteriúria significativa têm a síndrome
uretral ou a síndrome disúria-piúria.
Testes com tira reagente também são comumente utilizados. Um exame positivo para nitrito em amostra de urina fresca (a replicação bacteriana no frasco resulta em
amostra não confiável se a amostra não for testada rapidamente) é altamente específico para uma infecção do trato urinário, mas o exame não é muito sensível. O exame
de esterase de leucócitos é muito específico para a presença de > 10 leucócitos/mcL e é razoavelmente sensível. Em mulheres adultas com uma infecção do trato urinário
não complicada e com sintomas típicos, a maioria dos médicos considera o exame microscópico e o da fita positivos suficientes para o diagnóstico; nesses casos, em razão
da grande probabilidade de encontrar os patógenos habituais, é pouco provável a mudança do tratamento de acordo com o resultado de culturas, além do custo adicional.
Tratamento
• Antibióticos
• Ocasionalmente, cirurgia (p. ex., para drenar abscessos, corrigir anomalias estruturais de base ou aliviar a obstrução)
• O tratamento de todas as formas de infecções do trato urinário sintomática requer antibióticos. Para pacientes com disúria importante, pode-se utilizar
fenazopiridina para controlar os sintomas até que os antibióticos ajam (geralmente, em 48 h).

• A escolha do antibiótico deve basear-se na história de alergia e adesão do paciente, padrões locais de resistência (se conhecidos), disponibilidade e custos dos
antibióticos e tolerância do paciente e provedor para o risco de falha do tratamento. A propensão para induzir resistência a antibióticos também deve ser
considerada. Quando a cultura de urina é feita, a escolha do antibiótico deve ser modificada quando a cultura e os resultados de sensibilidade estão disponíveis
para o fármaco eficaz de espectro mais estreito contra o patógeno identificado.
• Correção cirúrgica é normalmente necessária para uropatia obstrutiva , anormalidades anatômicas e lesões neurológicas do trato urinário como a compressão
da coluna . A drenagem com cateter do trato urinário obstruído auxilia o controle imediato da uma infecção do trato urinário. Ocasionalmente, um abscesso
cortical renal ou abscesso perinéfrico requer drenagem cirúrgica. A instrumentação do trato urinário inferior na presença de urina infectada deve ser adiada, se
possível. A esterilização da urina antes da instrumentação e a antibioticoterapia por 3 a 7 dias após a instrumentação podem evitar urossepse com risco à vida.
retrite
• Pacientes sexualmente ativos com sintomas são habitualmente tratados de modo presumido para doenças sexualmente transmissíveis enquanto se aguardam
os resultados dos testes. Um esquema típico é ceftriaxona, 250 mg, IM mais azitromicina, 1 g, via, por via oral, em dose única, ou doxiciclina, 100 mg por via oral
duas vezes ao dia durante 7 dias. Todos os parceiros sexuais no período de 60 dias devem ser avaliados. Homens diagnosticados com uretrite devem ser
testados para HIV e sífilis , de acordo com as Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines dos Centers for Disease Control and Prevention de 2015.
• O tratamento de primeira hora da cistite não complicada é com nitrofurantoína, 100 mg por via oral duas vezes ao dia durante 5 dias (ela é contraindicado se a
depuração de creatinina é < 60 mL/min), sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), 160/800 mg por via oral duas vezes ao dia por 3 dias, ou fosfomicina 3 g,
uma vez. Opções menos desejáveis incluem uma fluoroquinolona ou um antibiótico betalactâmico. Se cistite recorrente em uma ou duas semanas, um
antibiótico de espectro mais largo (p. ex., uma fluoroquinolona) pode ser utilizado e a urina devem ser cultivada.

• Cistite complicada deve ser tratada com antibióticos empíricos de amplo espectro escolhidos com base em agentes patogênicos locais e padrões de resistência
Assistencia de enfermagem
• Alguns cuidados e orientações podem ser dispensados aos pacientes idosos e acamados que apresentam infecção urinária de repetição,
dentre as quais1, 2:
• • Orientar o paciente a beber bastante líquido (média de 2 litros por dia), caso não haja nenhuma contraindicação;
• • Instruir o paciente a evitar reter a urina, urinando sempre que tiver vontade;
• • Procurar manter o paciente sempre com uma higiene pessoal adequada.
• • Caso esteja fazendo uso de frauda o ideal é que não fique muito tempo sem realizar a troca da mesma.
• • Lavar a região perianal após as evacuações, caso não seja possível fazer limpeza adequadamente.
• • Evitar o uso indiscriminado de antibióticos, sem indicação médica.
• • Evitar o uso de absorventes internos caso as pacientes ainda estejam menstruando;
• • O banho, sempre que possível, deve ser dado no chuveiro.
• • Ter cuidado com técnicas de sondagem, caso seja necessário sondar paciente.
• • A equipe de enfermagem deve estar atenta quanto ao posicionamento da bolsa coletora, isto foi identificado na maioria dos trabalhos
deste estudo que ressaltaram a necessidade de se manter a bolsa coletora de urina posicionada abaixo do nível da bexiga do paciente e
sem encostar-se a outros objetos ou no chão.
REFERÊNCIAS
https://aps.bvs.br/aps/quais-os-cuidados-e-orientacoes-que-devem-ser
-dispensados-aos-pacientes-idosos-e-acamados-com-infeccoes-urinaria
s-de-repeticao/

file:///C:/Users/ebook%20e30/Downloads/254-Texto%20do%20Artigo-
710-1-10-20180806.pd

Sousa CMM, Alves MSCF, Moura MEB, Silva AO. Os direitos dos usuários
da saúde em casos de infecção hospitalar. Rev Bras Enferm. 2008;
61(4):411-7.

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