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Introdução

à Saúde Mental

Bacharelado em Enfermagem SETREM


Componente: Enfermagem no Cuidado Mental Coletivo
Facilitadora: Dra Silvana Ceolin 1
O que as pessoas
entendem por loucura,
normalidade, saúde,
cuidado?
NORMAL LOUCO

O que eu coloco em cada


caixinha?

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NORMAL LOUCO

Tem relação com:

Ser ou não ser ‘equilibrado’?


Ser ou não ser ‘saudável’?
Ter um trabalho/ocupação?
Ter educação formal?
Ter condições financeiras mínimas?
A forma de apresentação/aparência?
Comportamentos/ações?
Pensamentos?
Sentimentos?

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A sociedade precisa de regras? Padrões?

As regras compreendem elementos que


permitem o equilíbrio das interações
interpessoais e o bem-estar social.

A análise de diversos elementos da vida das


pessoas é importante. Na saúde mental vários
destes elementos são analisados

Contudo, é preciso ter cuidado para não


colaborar com a construção de estigmas sociais.

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ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO
Existem dois tipos de estigma: o estigma público ou social e o
estigma internalizado.

O ESTIGMA SOCIAL é quando a sociedade ou parte dela


não aceita e desvaloriza as características de um indivíduo
que apresenta peculiaridades, sejam físicas ou pessoais, que
fogem à norma, levando a atitudes e reações negativas,
julgamentos morais e discriminação por parte da
sociedade. Isso é construído por falta de conhecimento e
desinformação acerca dos processos de adoecimento mental;
preconceito e discriminação, que contribui para a exclusão
das pessoas com transtorno mental.

(NASCIMENTO; LEÃO, 2019) 6


ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO

Estigma Social – concepções e expressões:

O muito sério é ...


“Depressivo”
O muito isolado é ...
“Autista”
O muito agitado é “Hiperativo”
O que expressa sentimentos positivos “Bipolar ”
e negativos com intensidade é ... squ izofrên ico ”
“E
O que fala sozinho é ... “Esquisito”

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ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO
Que expressões estigmatizantes você utiliza ou já
utilizou??

Louco
Doente
Doente mental
Paranóico
Esquizofrênico
Deficiente
Demente
Depressivo
Maníaco 8
ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO
Que expressões devo utilizar??

Cliente
Sujeito
Indivíduo
Pessoa
Ser humano

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ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO

O ESTIGMA INTERNALIZADO é uma consequência direta


do estigma social, no qual o indivíduo, ao ter consciência
dos estereótipos negativos associados à sua circunstância,
concorda, aplica e reproduz essas crenças desfavoráveis
sobre si mesmo, atrapalhando sua qualidade de vida e o
convívio social. A internalização do estigma agrava os
sintomas do transtorno mental, levando a isolamento,
sentimentos de baixa autoestima, culpa e
autorreprovação. 

(NASCIMENTO; LEÃO, 2019)


ESTIGMA SOCIAL E INTERNALIZADO
Como consequência do ESTIGMA, as pessoas se
sentem desconfortáveis para falarem que:

- Estão em sofrimento
- Possuem um diagnóstico de transtorno mental
- Tomam medicação psiquiátrica
- Fazem terapia ou frequentam o CAPS

Todos nós construímos esses rótulos no dia-a-dia e


afastamos as pessoas que precisam ser ouvidas.

***Será que eu sei ouvir meu colega/amigo?***


(NASCIMENTO; LEÃO, 2019) 11
Será que eu sei ouvir meu colega/amigo? Ou
reproduzo rótulos?

- Rotulando “está louco, não fala uma bobagem dessas”


- Tentando comparar sofrimento “tem pessoas em situação pior”
- Minimizando sofrimento “Não exagera, amanhã você estará melhor”
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A nossa comunicação no cotidiano

Se um colega chegasse na aula e dissesse:

“não tenho vontade de viver”

O que você responderia? 13


A nossa comunicação no cotidiano

“matei o gato da vizinha”


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A nossa comunicação no cotidiano

“Estou péssima/o, meu namorado/a


terminou comigo”
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A nossa comunicação no cotidiano

O que é saber ouvir?

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O que é saber ouvir?

Eu entendo teu sofrimento

Pode contar comigo

Quer conversas sobre o que


aconteceu?
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A assistência em saúde tem
conseguido dar conta da
complexidade do sofrimento
mental?

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“Depression and Other Common Mental
Disorders: Global Health Estimates”

Depressão e outros transtornos mentais


comuns: estimativas globais de saúde

OMS (2017-2020): mais de 300 milhões de pessoas, sofrem


com o TRANSTORNO DEPRESSIVO.

É a principal causa de incapacidade em todo o mundo

Ocorre mais em mulheres que homens

Doença incapacitante: perda econômica global de um trilhão


de dólares por ano.
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OPAS, 2017: nas Américas,
aproximadamente 50 milhões de
pessoas vivem com depressão

BRASIL: ranking de prevalência de


depressão entre as nações em
desenvolvimento, atingindo 11,5 milhões
de pessoas (5,8% da população),
enquanto distúrbios relacionados à
ansiedade afetam mais de 18,6 milhões
de brasileiros (9,3% da população).

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Clonazepam foi o princípio ativo mais
consumido no Brasil, entre 2007 e 2010

Hoje segue sendo um CAMPEÃO DE VENDAS


NO BRASIL: POR QUÊ?
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5% a 10% da população infanto-juvenil é diagnosticada
com TDAH no mundo e tratada com Ritalina. 

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Ao contrário do que as políticas públicas
orientam, o principal foco da saúde
mental segue sendo a medicalização, a
patologização e a internação
Vivenciamos o silenciamento do sofrimento mental e das
diferenças:
- Pensamentos fora dos “padrões”.
- “Excesso” de sofrimento ou de alegria.
- Comportamento diferente do “normal”.
- Excesso de agitação ou excesso de quietude

A medicação trata os sintomas mas não a causa do sofrimento!


A internação muitas vezes não é a melhor opção!
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Porquê muitas pessoas
optam por tomar medicação
e não fazer terapia?

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Quais são as estratégias terapêuticas no campo da
saúde mental?

- Grupos - ouvidores
- Psicoterapia
- Arteterapia
- Reiki
- Yoga
- Dançaterapia
- Musicoterpia
- Meditação
- Diversas outras Práticas Integrativas e
Complementares

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Quais são as estratégias terapêuticas no campo da
saúde mental?

GRUPOS OUVIDORES DE VOZES


Considera que ouvir vozes é uma experiência singular, não
necessariamente de sofrimento e patologizável (ainda que não
se trate de negar a existência de uma doença);

É possível criar estratégias para lidar com as vozes;

É necessário desmedicalizar e romper com os estigmas advindos de


uma leitura psiquiátrica dessas experiências;

É importante compartilhá-las em grupos de ajuda mútua.

Estes pressupostos indicam a centralidade dos sujeitos e suas


experiências singulares com as vozes, buscando, no
compartilhamento destas com seus pares, estratégias para o
enfrentamento das dificuldades que advêm de tal escuta.
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(KANTORSKI et al., 2018)
Vídeo: A loucura de ser normal

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Conceitos - saúde

Saúde e Saúde Mental


 OMS afirma: “saúde é um estado de completo bem-estar
físico, mental e social e não apenas a mera ausência de
doença ou enfermidade”. Uma implicação importante
dessa definição é que a saúde mental é mais do que a
ausência de transtornos mentais ou deficiências.

É possível alcançar um
completo bem-estar?
Conceitos – saúde mental

Não há uma definição universal de SAÚDE


MENTAL. O comportamento de uma pessoa,
em geral, pode fornecer pistas de sua saúde
mental. Contudo, cada um pode ter uma visão
ou interpretação diferente de um
comportamento.

Alguns consensos apontam como uma condição de


bem-estar emocional, psicológico e social, evidenciada
nas relações interpessoais satisfatórias,
comportamento e enfrentamento eficazes,
autoconceito positivo e estabilidade emocional.
VIDEBECK, 2012 29
Conceitos – saúde mental

A SAÚDE MENTAL é um estado dinâmico, sempre


em mutação. Envolve alguns fatores:

Fatores individuais: biologia, autonomia, autoestima,


autoconhecimento, resiliência emocional, orientação para a
realidade, habilidades de controle do estresse e enfrentamento

Fatores interpessoais: comunicação eficaz, capacidade de ajudar


os outros, equilíbrio entre separação e união

Fatores socioculturais: senso de comunidade, intolerância à


violência, apoio à diversidade, visão positiva (porém realista) do
próprio mundo.

VIDEBECK, 2012 30
Conceitos – transtorno mental

Um TRANSTORNO MENTAL é uma síndrome ou um


padrão psicológico caracterizado por perturbação
clinicamente significativa na cognição, na regulação
emocional ou no comportamento. Transtornos mentais
estão frequentemente associados a sofrimento ou
incapacidade significativos que afetam atividades sociais,
profissionais ou outras atividades importantes podendo
acarretar o aumento significativo do risco de morte,
incapacidade ou perda de liberdade.

APA, 2014 31
Conceitos – transtorno mental

Os fatores que contribuem para o adoecimento mental são:

Fatores Individuais: biologia, falta de autoconhecimento,


preocupações ou medos irreais, incapacidade de distinguir
realidade de fantasia, intolerância às incertezas da vida, senso
de desarmonia e perda de sentido da própria vida.

Fatores interpessoais: comunicação ineficaz, excessiva


dependência, falta de senso de pertencimento, falta de apoio
social, perda de controle emocional.

Fatores socioculturais: falta de recursos/moradia, violência,


visão negativa injustificada do mundo, discriminação por
raça/cor/sexualidade...
VIDEBECK, 2012 32
Cuidar em saúde mental...

É necessário identificar o conjunto das esferas


da vida do indivíduo (individuais, interpessoais,
socioculturais, subjetivos,.....) e traçar um plano de
cuidados.

Como conhecer todas as esferas da vida da


pessoa? Quanto tempo isso leva?

O diagnóstico é dinâmico?
Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos


mentais (DSM-5). Tradução de Maria Inês Corrêa Nascimento. Revisão técnica Aristides Volpato
Cordioli. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582711835/cfi/6/12!/4@0.00:0.0799. Acesso em:
30 jul. 2020.

GUIMARAES, Andréa Noeremberg et al . Tratamento em saúde mental no modelo manicomial (1960 a


2000): histórias narradas por profissionais de enfermagem. Texto contexto - enferm.,  Florianópolis,  v.
22, n. 2, p. 361-369,  June  2013 .   

NASCIMENTO, Larissa Alves do; LEAO, Adriana. Estigma social e estigma internalizado: a voz das
pessoas com transtorno mental e os enfrentamentos necessários. Hist. cienc. saude-Manguinhos, 
Rio de Janeiro ,  v. 26, n. 1, p. 103-121,  Mar.  2019 .

ROLEMBERG FIGUEIRÊDO, M. L.; DELEVATI, D. M.; MARCELO G. T. Entre loucos e manicômios:


história da loucura e a reforma psiquiátrica no Brasil. Ciências humanas e sociais. Cadernos de
Graduação, v. 2, n.2, p. 121-136, nov 2014.

VIDEBECK, Sheila, L. 2012. Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria. 5ª Ed. Porto Alegre:
Artmed, 2012.

WORLD HEALTH ORGANIZATION.  Depression and Other Common Mental Disorders: Global
Health Estimates, 2017.

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