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Instrumentação Optoelectrónica 1

Fibras ópticas
O que é uma fibra óptica?

Uma fibra de vidro ou plástico que têm


a propriedade de guiar a luz ao longo
do seu eixo

Um cabo de fibra é constituído por 3


camadas:

núcleo (core)
bainha (cladding)
revestimento
Instrumentação Optoelectrónica 2

Fibras ópticas
n1
Ocorre Reflexão Total Interna quando θc ≥ arcsin
n0
em que n0 e n1 representam os índices de refracção do núcleo e da bainha,
respectivamente.

Nesta situação a luz é totalmente reflectida no núcleo

θ c
Instrumentação Optoelectrónica 3

Fibras ópticas
O fenómeno de reflexão total interna implica que o índice de refracção do
meio incidente (o núcleo) seja superior ao índice de refracção do da
bainha. θ c é o chamado ângulo crítico. O seu valor decorre da Lei de
Snell aplicada na situação limite em que o ângulo de refracção é 90º.

n1
n0 ⋅ sin θc = n1 ⋅ sin 90º ⇒ sin θc =
n0

θ c
Instrumentação Optoelectrónica 4

Fibras ópticas
Seja nm o índice de refracção do meio que envolve a fibra óptica. Temos
então:

nm ⋅ sin θi = n0 ⋅ sin θt = n0 ⋅sin( 90 − θc) ⋅ (


=n0 cos )cθ

O produto nm·sinθ i corresponde à abertura numérica da fibra (NA):

2
n 
NA = n0 ⋅ cos ( θc ) = n0 ⋅ 1 − sin2 ( θc ) = n0 ⋅ 1 −  1  = n02 − n12
 n0 

θ θ t
i

θ c
Instrumentação Optoelectrónica 5

Fibras ópticas
Quando a diferença relativa de índices de refracção, definida por
n0 − n1
∆= ,
n0
for pequena, podemos utilizar a aproximação

NA ≈ n0 ⋅ 2 ⋅ ∆

Tipicamente, ∆ ~ 1% o que resulta em NA ~ 0.2, ou seja um cone de


aceitação de cerca de 10º

θ θ t
i

θ c
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Fibras ópticas – Campos evanescentes


Numa situação de reflexão total interna, o campo eléctrico da onda não
se anula na interface núcleo – bainha. Isto, apesar de não haver
propagação de raio refractado.
A amplitude da onda deve tender para zero segundo a direcção y.
Se a amplitude decair exponencialmente com a distância y trata-se de um
onda evanescente

Adaptado de http://www.photonics.cusat.edu/Research_Fiber%20Sensors_EW.html
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Fibras ópticas – Campos evanescentes


Consideremos uma onda a incidir no interface núcleo – bainha segundo um
ângulo θ 0 inferior ao ângulo crítico θ c.

A onda transmitida propaga-se segundo um ângulo θ 1 de acordo com (só


examinamos a dependência espacial da onda):

E t = E0t .e t (
i⋅k ⋅ z⋅cos( 90 −θ1 ) + y⋅cos( θ1) −ω⋅t )
= E 0t .e t (
i⋅k ⋅ z⋅sin( θ1) + y⋅cos( θ1) −ω⋅t)

De acordo com a Lei de Snell: y


n0 θ
sin θ1 = ⋅ sinθ 0 n1 1

n1 z
n0
n02 θ
cos θ1 = 1− sin 2θ 1= 1− ⋅ 2 sinθ2 0
n1 0
Instrumentação Optoelectrónica 8

Fibras ópticas – Campos evanescentes


Então
 n n20 
i⋅k t ⋅ z⋅ ⋅sin θ0 + y⋅ 1− 2 ⋅sin θ0 −ω⋅t 
 0 2
 n1 n1 
E t = E0t .e  

A reflexão total interna ocorre para θ c < θ 0 < π /2. Para valores de θ 0
superiores ao ângulo crítico θ c, o ângulo θ 1 torna-se imaginário. De
facto: 2
n0
cos θ1 = 1 − sin θ1 = 1 − 2 ⋅ sin 2 θ0
2

n1 y
Como n1 θ 1
n1 z
sin θc =
n0 n0
sin θ0 2 θ
cos θ1 = 1 −
sin2 θc
0
Instrumentação Optoelectrónica 9

Fibras ópticas – Campos evanescentes


No intervalo 0 ≤ θ ≤ π /2 temos 0 ≤ sin θ ≤ 1.

Logo sin θ 0 / sin θ c > 1 quando θ 0 > θ c.

Isto permite concluir que cos θ 1 é uma função imaginária para θ 0 > θ c.

n02 y
1 − 2 ⋅ sin2 θ0 = ± i ⋅ α
n1 n1 θ 1

z
Verifica-se que a onda na região da
n0
bainha é uma onda evanescente θ
0
 n 
i⋅k t ⋅ z⋅ 0 ⋅sin θ0 −ω⋅t 
E t = E0t .e −α⋅k t ⋅y ⋅ e  n1 

A solução +i·α resulta num onda com amplitude a crescer exponencialmente o


que, claramente, não tem significado físico
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Fibras ópticas – Campos evanescentes


A constante de decaimento α ·kt corresponde ao inverso da distância de
penetração ξ :
2 y
n
ξ −1 = k t ⋅ 1 − 02 ⋅ sin2 θ0 θ
n1 n1 1

z
A onda evanescente penetra uma distância n0
significativa na bainha que deverá ter uma θ
espessura suficiente para a amplitude da 0

onda atenuar para um valor próximo de


zero.
Exemplo: ângulo próximo do ângulo crítico;
fibra de sílica; λ = 1.3 µ m: ξ ~ 10 µ m.
Uma parte considerável da energia da onda que se propaga na fibra óptica
é transmitida pela onda evanescente. Tal como o núcleo, a bainha deve
ser construída com um material (vidro) de elevada qualidade óptica para
atenuar as perdas de transmissão.
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Tipos de Fibras ópticas

Multimodo (Multi-mode): suportam


centenas de trajectórias para a luz

Monomodo (single-mode):
suportam uma única trajectória
para a luz
Instrumentação Optoelectrónica 12

Tipos de Fibras ópticas


nb
step-index
multimodo

nn
nb
monomodo
step-index

nb
nn
nb

nb
GRIN

nn
nb
GRIN – graded index
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Tipos de Fibras ópticas


nb
step-index
multimodo

nn
nb

http://www.prof2000.pt/users/lpa
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Tipos de Fibras ópticas


monomodo
step-index

nb
nn
nb

http://www.prof2000.pt/users/lpa
Instrumentação Optoelectrónica 15

Tipos de Fibras ópticas


O número possível de modos numa fibra óptica cilíndrica pode
ser avaliado através do parâmetro V. Se a for o raio do núcleo da
fibra, para uma fibra do tipo step – index tem-se

2⋅π⋅a 2⋅π⋅a
V= ⋅ n02 − n12 = ⋅ NA
λ0 λ0
Para V menor que 2.4 só ocorre propagação de um modo

Para valores elevados de V o número de modos (incluindo os 2


estados de polarização) é
V2
N≈
2
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Tipos de Fibras ópticas


Exemplo do número de modos. λ = 850 nm

Fibra step-index de Silica: nc = 1.452, nb = 1.442 (NA = 0.205)


Fibra GRIN SELFOC com a mesma abertura numérica

diâmetro 2.5 50 200 400 1000


(µ m)

Nº de modos 2 1.4 x 103 22 x 103 92 x 103 2.4 x 106


(fibra step-
index)
Nº de modos 1 716 11 x 103 46 x 103 1.2 x 106
(fibra GRIN)

Maior número de modos implica maior transmissão de luz


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Manutenção do ângulo

θ

 ni 
β ≈  − 1 α
 nf 
θ β
α


Instrumentação Optoelectrónica 18

Manutenção do ângulo
Numa fibra ideal os ângulos de incidência e de saída são iguais
Superfícies ásperas, fibras dobradas e outras imperfeições
resultam em alterações no cone de saída
exemplo: raio crítico de dobragem

Fonte: website RPI

n4 1.44
θc = arcsin = arcsin = 76.6º
n2 1.48
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Atenuação
A atenuação numa fibra óptica é medida em
dB/km e é definida por:
 Pout 
A = −10 log  
P
 in 
A fibras são feitas de “vidro”. Normalmente sílica fundida (SiO2)
de elevada qualidade
O material contém algumas impurezas residuais. A sua presença é
normalmente controlada

As perdas devem-se principalmente a:


- Dispersão de Rayleigh (~ λ -4 )
- Absorção
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Atenuação

absorção
dispersão
IR
de
Rayleigh

transmissão
89%

Absorção e dispersão numa fibra óptica


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Tipos de Dispersão
Modal atraso temporal resultante de diferenças nos trajectos
(intermodal) ópticos
Material (ou n(λ ): tempos diferentes para atravessar a fibra devido
cromática) às diferenças de percurso óptico que resultam da
dispersão da luz
Polarização velocidades distintas para os dois modos ortogonais
de polarização
Intramodal variações na distribuição de campo (importante em
fibras monomodo
Não-linear dependência do índice de refracção com a intensidade
do campo electromagnético
As fibras GRIN apresentam menor dispersão modal porque
os trajectos ópticos são mais curtos
Instrumentação Optoelectrónica 22

Dispersão Modal
A luz propaga-se a uma velocidade finita

Raio mais
rápido

Raio mais
lento

Raio mais rápido: trajecto ao longo do eixo da fibra (modo axial)

Raio mais lento: o que entra na fibra segundo o maior ângulo


permitido

Existe uma diferença de trajecto óptico e logo e tempo de


propagação entre estes 2 raios
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Dispersão Modal
L  nn 
∆t = ⋅  − 1
c  nb 

A dispersão modal aumenta com:


L
~ NA2

A dispersão modal é a principal causa de


dispersão nas fibras step-index
Instrumentação Optoelectrónica 24

Dispersão Modal

exemplo: step index ~ 24 ns·km -1


GRIN ~ 122 ps·km-1
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Dispersão dos modos de polarização


As fibras monomodo suportam os dois modos ortogonais de
polarização e preservam o estado de polarização do sinal transmitido

Os modos de polarização viajam com velocidades diferentes o que


resulta em dispersão

É medida em ps km

Este fenómeno é evidente para taxas de transmissão superiores a


10Gbps
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Características das fibras ópticas

Monomodo step-index

Multimodo GRIN

Multimodo step-index
Instrumentação Optoelectrónica 27

Características das fibras ópticas


Monomodo step-index
• O tipo de fibra mais fino com um diâmetro de núcleo entre 5 e 10
µ m
• Baixa atenuação (cerca de 0.2 dB/km)
• Ideais para comunicações a longas distâncias
• Diâmetro pequeno significa ângulo de aceitação de luz pequeno.
Estas fibras não são apropriadas para câmaras
Instrumentação Optoelectrónica 28

Características das fibras ópticas


Multimodo GRIN
• Diâmetro de núcleo entre 50 e 100 µ m
• Sinal limpo devido à variação contínua de índice de refracção mas
com elevada atenuação devido à espessura da fibra
• Ideais para comunicações a curtas distâncias, redes, etc.
Instrumentação Optoelectrónica 29

Características das fibras ópticas


Multimodo step-index
• Diâmetro de núcleo entre 50 e 1500 µ m
• Atenuação elevada (cerca de 2.5 dB/km)
• Distorção elevada
• Não são adequadas para comunicações ópticas. Ideais para
câmaras e iluminação
• Ângulo de aceitação de luz elevado
Instrumentação Optoelectrónica 30

Aplicações das Fibras Ópticas na Medicina

Bundles de Fibras Ópticas


Sistemas de Imagiologia
Endoscópicos

Baseado na apresentação feita por Ana Patrícia Matos, Elisabeth Ferreira e Ivo Moreno na
Disciplina de Instrumentação Optoelectrónica em Junho de 2007
Instrumentação Optoelectrónica 31

Bundles de Fibras Ópticas - Introdução

Bundle = dezenas ou centenas de fibras ópticas flexíveis inseridas


num encapsulamento cilíndrico de plástico.

Bundles cujas fibras individuais não estejam ordenadas são chamados


guias de luz
usados para iluminar

Bundles cujas fibras estão ordenadas chamam-se bundles ordenados


usados para transmissão de imagem
Instrumentação Optoelectrónica 32

Bundles de Fibras Ópticas


Bundles não ordenados para guias de luz

As fontes de luz ordinárias não emitem luz capaz de ser focada (por
meio de lentes) numa área pequena (<1mm) correspondente ao core
de uma única fibra

As fibras com maiores diâmetros (>1mm) têm flexibilidade reduzida

Solução: Agregar num único “pacote” (bundle) um conjunto de


considerável de fibras ópticas finas  Guia de Luz
Instrumentação Optoelectrónica 33

Bundles de Fibras Ópticas


Bundles não ordenados para guias de luz

Guias de luz (aplicados à medicina):


Formados por fibras ópticas num arranjo aleatório
Bastante flexíveis
Apresenta uma área considerável para entrada de luz

Necessita de lâmpadas de elevada intensidade (halogéneo, mercúrio,…)


Um sistema simples de lentes foca a luz na extremidade de entrada da
fibra
É conveniente incluir um filtro de IR para evitar o aquecimento da fibra
(devido à elevada potência da lâmpada)
Instrumentação Optoelectrónica 34

Bundles de Fibras Ópticas


Bundles não ordenados para guias de luz

Guia de luz instalado na estação de metro de Potsdamer Platz, Berlim


Instrumentação Optoelectrónica 35

Bundles de Fibras Ópticas


Conceitos Gerais

Parâmetros que influenciam a transmissão de luz:

Área efectiva de transmissão de cada fibra:

Cada fibra:
- Núcleo (15-50 µm)
- Revestimento (5-10 µm) – transmite pouca luz

Maximizar a transmissão da luz:


Usar no fabrico do bundle fibras cujo núcleo apresente um
elevado diâmetro e um revestimento fino.
Instrumentação Optoelectrónica 36

Bundles de Fibras Ópticas


Conceitos Gerais

Parâmetros que influenciam a transmissão de luz:

Abertura Numérica (NA):

Numa fibra óptica, a eficiência de captação de luz de uma fonte


extensa é proporcional a (NA)2.

Maior NA  Maior eficiência na captação de luz


Instrumentação Optoelectrónica 37

Bundles de Fibras Ópticas Não Ordenados


Conceitos Gerais

Parâmetros que influenciam a transmissão de luz:

Material de fabrico:
O plástico não é adequado a lâmpadas de maior intensidade (devido ao aquecimento da
entrada da fibra)

Tipo de luz usada:


A propriedade de coerência da luz laser origina efeitos de interferência

A superfície poderá aparecer iluminada de forma


pontilhada
 Luz laser inadequada como fonte de luz para
obtenção de imagens
Instrumentação Optoelectrónica 38

Bundles de Fibras Ópticas Não Ordenados


Bundles especiais

Beam Shaping Bundles – iluminação em sistemas médicos

Um conjunto de fibras ópticas pode ser disposto em padrões distintos


nas duas extremidades a fim de alterar a formatação espacial do feixe de
luz

Quando usados para iluminação em


instrumentação médica, deve-se
procurar que a forma da extremidade de
entrada maximize a captação de luz e a
de saída que proporcione uma
iluminação o mais uniforme possível
Instrumentação Optoelectrónica 39

Bundles de Fibras Ópticas Não Ordenados


Bundles especiais

Beam Shaping Bundles – Guias Y

Dois bundles de fibra óptica podem ser combinados numa extremidade


e permanecer separados noutra. São usados para separar ou combinar
raios de luz
As fibras individuais são agrupadas num conjunto bifurcado de fibras – o
guia Y
Mostra-se que, se a NA das fibras
individuais for considerável, a
eficiência do guia Y a captar a luz é
bastante elevada

O guia Y pode ser usado para medir


a reflectividade ou a luminescência
de uma amostra
Instrumentação Optoelectrónica 40

Bundles de Fibras Ópticas


Bundles ordenados para dispositivos de imagem

As fibras ópticas podem ser alinhadas


de forma exacta num bundle de forma
a que a ordem destas em ambas as
extremidades seja a mesma

Bundle ordenado (bundle coerente)


Instrumentação Optoelectrónica 41

Bundles de Fibras Ópticas


Bundles ordenados para dispositivos de imagem

As fibras individuais num bundle ordenado têm que ser revestidas.


Fibras não revestidas deixariam escapar a luz para fibras
circundantes  imagem de menor qualidade

Tal como nos bundles não ordenados, as fibras apenas são unidas nas
extremidades  maior flexibilidade

Bundles ordenados podem ser inseridos num endoscópio


Dentro do corpo do endoscópio, um guia de luz não ordenado
ilumina o objecto e o bundle ordenado capta e conduz a imagem.
Instrumentação Optoelectrónica 42

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem

Parâmetros que influenciam a qualidade da imagem:

Elevada Iluminação:
As fibras devem ter NA elevada para uma maior qualidade de imagem

O diâmetro do núcleo deve ser elevado e a espessura da


camada de revestimento (D-d) reduzida  É transmitido o
máximo de luz do objecto para o observador.
O campo óptico do núcleo não está totalmente confinado a este; algum dispersa-se pela camada de
revestimento

Caso a camada seja demasiado fina, a luz é transmitida para


outras fibras  deterioração da imagem.
Instrumentação Optoelectrónica 43

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem
Parâmetros que influenciam a qualidade d imagem:

Elevada Resolução:
Uma resolução elevada permite observar uma imagem com maior detalhe

Num bundle, a resolução é determinada pelo diâmetro d dos núcleos das fibras

O número de linhas (por mm) que podem ser


transmitidas por um bundle é limitado a cerca de 1/
(2d).
Mais linhas, maior resolução  Maior resolução requer menor diâmetro (d) do núcleo
Instrumentação Optoelectrónica 44

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem

Núcleo largo e revestimento fino são necessários para obter uma


iluminação elevada

Um revestimento fino conduz a fugas de luz dos núcleos

A espessura do núcleo (e do revestimento) deve ser reduzida de forma


a obter uma maior resolução

 Os requisitos não podem ser simultaneamente satisfeitos


Instrumentação Optoelectrónica 45

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem

Compromisso: tipicamente, d ~10-20 µm e (D-d)/2 ~1,5-2,5 µm

A área ocupada pelos núcleos pode ser inferior a 50% da área total
da secção do bundle

Existe um limite máximo para a qualidade de luz que pode ser


transmitida por um bundle

São necessárias fibras ópticas de elevada qualidade para obter um


bundle com elevada resolução espacial e boa transmissão de luz
Instrumentação Optoelectrónica 46

Bundles Ordenados
Problemas na transmissão da imagem de um objecto linear

Orientação da linha relativamente ao bundle:


Se alinha objecto for paralela a uma linha de fibras no bundle, a linha
imagem é uma reprodução adequada do objecto

Se a linha objecto tem


uma orientação diferente
teremos 3 linhas do
bundle a transmitir luz o
que resulta numa
imagem distorcida
Instrumentação Optoelectrónica 47

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem – Limitações de Engenharia

Para além das limitações na transmissão de imagem impostas pela


óptica, também existem limitações que resultam dos processos de
fabrico (limitações de engenharia)

Luz Difusa:
Causada pela luz de fundo indesejada
A luz difusa é transmitida pelos revestimentos das várias fibras

Esta luz é transmitida ao longo do bundle e introduz um nível


indesejado de luz de fundo  diminui o contraste da imagem
transmitida
Instrumentação Optoelectrónica 48

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem – Limitações de Engenharia

Defeitos:
Durante o processo de fabrico e de polimento (das extremidades) as
fibras podem ser danificadas ou partidas

Fibras danificadas não conduzem luz, o que origina pontos negros na


imagem final

A presença destes defeitos constitui um padrão de ruído fixo que


diminui a qualidade da imagem transmitida
Instrumentação Optoelectrónica 49

Bundles Ordenados
Transmissão de imagem – Limitações de Engenharia

Ordenação:
No processo de fabrico, algumas fibras podem ser deslocadas
relativamente à sua posição especificada
A ordem das fibras à entrada já não será igual à da saída
 A qualidade da imagem será menor

Degradação:
Os bundles usados em endoscopia serão sujeitos a acções mecânicas.
As fibras individuais não são tão resistentes como as fibras usadas em
telecomunicações. São mais susceptíveis a degradação mecânica

Introduzem progressivamente dano no bundle  diminuição


progressiva da qualidade da imagem transmitida. Esta é a causa que
limita o tempo de vida útil dos endoscópios
Instrumentação Optoelectrónica 50

Bundles de Fibras ópticas


Fibroscópios e Endoscópios

Ao bundle que conduz a imagem, são acopladas às extremidades


sistemas de lentes
Permite focar objectos e imagens

Ao fibroscópio podem ser agregados guias de luz de forma a iluminar o


objecto.
Instrumentação Optoelectrónica 51

Bundles de Fibras ópticas


Fibroscópios e Endoscópios
Instrumentação Optoelectrónica 52

Bundles de Fibras ópticas


Fibroscópios e Endoscópios

Endoscópio = fibroscópio usado para observar o interior do corpo

Pode apresentar ainda pequenos canais que permitem a introdução


de pequenos instrumentos mecânicos ou de líquidos no interior do
corpo.
Instrumentação Optoelectrónica 53

Fibroscópios e Endoscópios
Esquema Funcional

Lente conectada à extremidade distal


A imagem formada é transmitida até à
extremidade proximal, através do feixe
receptor de imagem (revestido pelo feixe
guia de luz)
Sistema de lentes (sistema óptico de
visualização) na extremidade proximal
Câmara fotográfica/vídeo conectada à
extremidade proximal – imagem obtida
pode ser gravada
Instrumentação Optoelectrónica 54

Fibroscópios e Endoscópios
Bundles de Fibra Óptica: Novos Métodos Ópticos
Fibroscópios Finos e Ultrafinos

Finos: 1-2 mm diâmetro; 10000 fibras individuais (5 μm Ø)


Ultrafinos: menos de 1 mm diâmetro; 3000-5000 fibras individuais (3-4 μm Ø)

Ex.: Angioscópio – tem de garantir:


0.125
- visualização do sistema arterial cardiovascular mm
(80%)
- diâmetro endoscópico pretendido: menos de 2 mm
- elevada resolução espacial (0.1 mm)
- profundidade de campo: 20 mm
Instrumentação Optoelectrónica 55

Fibroscópios e Endoscópios
Fibroscópios Ampliadores

Ampliação
- razão entre o tamanho do objecto e o da respectiva imagem
- proporcionada pela lente ocular e pela lente objectiva

quanto + próximos estiverem os objectos, > ampliação

Incorporação de um mecanismo especial de focagem no endoscópio que permite


“colocar o objecto” a 2 mm da objectiva obtendo-se ampliações de 10 vezes

Estão em desenvolvimento endoscópios capazes de obter


ampliações de 170 vezes
Instrumentação Optoelectrónica 56

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Vários subsistemas:

Endoscópio

Fontes de alimentação

Subsistemas auxiliares
Instrumentação Optoelectrónica 57

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Constituídos por 3 partes:

Tubo de inserção – extremidade


distal

Secção de controlo

Cabo de conexão
Instrumentação Optoelectrónica 58

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Extremidade distal inclui:

1 ou 2 guias luminosos
Feixes ópticos
Lente objectiva/Sistema de lentes –
pode conter prisma associado
Outras saídas – irrigação,
aspiração…

Saída de ar/água
Permite limpar a janela que
resguarda os dispositivos
anteriores, durante a análise
Instrumentação Optoelectrónica 59

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos
Instrumentação Optoelectrónica 60

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Porção flexível

Mantém unidos os feixes ópticos, os


guias luminosos e os tubos
auxiliares

Grelha metálica - Rigidez

Última porção pode ser mais flexível


– permite torção

Envolvida por material plástico


biologicamente inerte
Instrumentação Optoelectrónica 61

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos
Secção de Controlo
Componente óptica de visualização

Controladores

Ligação a cabos auxiliares - ar,


água, fármacos,…

Ligação a tubos de alimentação – da


fonte luminosa, para sucção,…

Componente óptica – Ponto focal fixo ou


ajustável
Instrumentação Optoelectrónica 62

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Fonte Luminosa

Intensidade elevada

Gama de c.d.o. apropriada

Deve operar a temperaturas elevadas


Pouca longevidade

Lâmpada de Quartzo-Halogénio

Lâmpada de Mercúrio ou Xénon


Instrumentação Optoelectrónica 63

Fibroscópios e Endoscópios
Fundamentos

Dispositivos Mecânicos Auxiliares

Pinças ou brocas (metal) – Remoção de estruturas


estranhas do organismo

Pinças para biópsia (metal)

Dispositivos para fazer cortes

Dispositivos para remoção de pólipos - calor


fornecido por uma corrente de frequência elevada
Instrumentação Optoelectrónica 64

Fibroscópios e Endoscópios
Variantes

Endoscópio Convencional

Gama de transmissão: 0.4 – 0.9μm

Resolução: 3 – 5 linhas/mm

Ampliação: 1 – 10X

Distância de profundidade do foco: 2 – 50mm

Campo de visão: 10º - 50º.

Ângulo de torção da extremidade distal: varia


entre os -90º e os +90º
Instrumentação Optoelectrónica 65

Fibroscópios e Endoscópios
Variantes

Endoscópio Fino

Diâmetro externo: 1 – 3mm

A qualidade da imagem depende do n.º de


fibras ópticas - 10000 num de 3mm
Ângulo de torção maior – utilizam-se
cateteres ou fios metálicos como auxílio
Fragilidade – Fibras podem quebrar/dobrar

Esterilização difícil – passagem do tubo


auxiliar dificultada

Tubo de inserção descartável


Instrumentação Optoelectrónica 66

Fibroscópios e Endoscópios
Variantes
Endoscópio Ultrafinos
Diâmetro externo: até 1mm

A qualidade da imagem depende do n.º de


fibras ópticas - 3000 com 2 – 5μm cada

Menor resolução

Extremidade distal tem menos de 0.3mm

Não possuem tubo auxiliar – Não podem


ser torcidos
Aplicações: cardiologia, ginecologia,
oftalmologia, medicina dentária,
neurocirurgia, etc.
Instrumentação Optoelectrónica 67

Fibroscópios e Endoscópios
Videoendoscopia

Inicialmente… Má qualidade das imagens


Pequena câmara na extremidade distal
Localização da área pelo feixe de fibras

Actualmente… Feixe de fibras de maior resolução


Incorporação de um CCD - 1000x1000 elementos - na
extremidade distal

Visualização de imagens num ecrã em tempo-real


Resolução maior – nº de fibras + tamanhos dos pixeis do
CCD (4μm)

CCD de cores.
Instrumentação Optoelectrónica 68

Fibroscópios e Endoscópios
Videoendoscopia

Resultados comparáveis aos obtidos em fibroscópios

Dificuldades em incorporar CCDs em endoscópios finos/ultrafinos

Área dos CCDs usados: 1 cm2


Instrumentação Optoelectrónica 69

Fibroscópios e Endoscópios
Fluorescência

Usada para diagnóstico numa determinada área do tecido


– evidenciar áreas

Luz enviada através de uma fibra óptica (lasers UV e


azuis)

A luminescência é captada e enviada por outra fibra óptica


para processamento

Filtro incorporado na componente óptica de visualização

Desvantagem : interferência por parte da autofluorescência


Instrumentação Optoelectrónica 70

Fibroscópios e Endoscópios
Fluorescência

Natureza do tecido nem sempre é clara – não se


observam detalhes finos

Introdução de Corantes Aumento do contraste

Absorções selectivas

Reacção com determinados tipos de


células

Corante vermelho Congo : usado para identificar células


secretoras de HCl no estômago
Instrumentação Optoelectrónica 71

Fibroscópios e Endoscópios
Electrocirurgia e Microondas

Desenvolvidos a pensar na coagulação


Electrocirurgia

Introdução de um eléctrodo em forma de anel através do tubo auxiliar

Corte feito por fio aquecido por corrente a elevada frequência (105Hz) – se
for menor provoca contracção muscular

Microondas
Introdução de um espigão no tecido

Usadas com o mesmo objectivo ou para deter hemorragias internas

Útil em órgãos muito irrigados, como é o caso do fígado.


Instrumentação Optoelectrónica 72

Fibroscópios e Endoscópios
Ultrassons

Endoscopia Ultrassonografia – efeito Doppler

Ligação de um dispositivo à extremidade distal que permite realizar esta


operação

Já foram desenvolvidos sistemas destes com apenas 1 a 2 mm -


endoscópios finos
Instrumentação Optoelectrónica 73

Fibroscópios e Endoscópios
PILLcam - exemplo

Câmara do tamanho de uma drageia

Percurso de 5h pelo tracto gastrointestinal

Baterias para providenciar iluminação e


gravação dos vídeos durante a viagem

Paciente não necessita permanecer na unidade de


saúde durante esse período

Imagens adquiridas por transmissão rádio UHF

Defecado ---- Descartável


Instrumentação Optoelectrónica 74

Biosensores de Fibra Óptica


Os sensores de fibra óptica baseiam-se em variações de
intensidade ou de fase

Fiber Optic Chemical Sensors and Biosensors – Wolfbeis - CRC Press, Inc. © 1991
Instrumentação Optoelectrónica 75

Biosensores de Fibra Óptica


Nos sensores extrínsecos, a fibra óptica é empregue como canal de
transmissão para conduzir a luz até aos elementos sensores.
Pode-se utilizar a Lei de Beer-Lambert para descrever as suas propriedades
Num sensor intrínseco é a própria fibra que actua como elemento sensor
A fase, a modulação e a intensidade podem ser moduladas pelo analito de
interesse
Um sensor directo mede as propriedades ópticas intrínsecas do analito
Um sensor indirecto mede a absorvância ou a fluorescência de uma sonda
ou de um corante indicador imobilizado

Introduction to Biophotonics – Prasad - John Wiley & Sons © 2003


Biosensors: an Introduction – Eggins - John Wiley & Sons © 1996
Instrumentação Optoelectrónica 76

Biosensores de Fibra Óptica


Os sensores possuem geralmente uma fibra para a fonte de luz e uma fibra de
retorno proveniente de um espectrómetro
Se o sensor medir uma variação de fase terá que possuir uma fibra de referência
e uma fibra sensor
Na presença do analito ocorre uma variação num parâmetro óptico da fibra
sensor, o que resulta numa diferença de fase entre as duas fibras

Introduction to Biophotonics – Prasad - John Wiley & Sons © 2003 Fiber


Optic Chemical Sensors and Biosensors – Wolfbeis - CRC Press, Inc. © 1991
Instrumentação Optoelectrónica 77

Biosensores de Fibra Óptica


Configuração em ângulo recto para medir dispersão
(scattering) e fluorescência

Fiber Optic Chemical Sensors and Biosensors – Wolfbeis - CRC Press, Inc. © 1991
Instrumentação Optoelectrónica 78

Biosensores de Fibra Óptica

Introduction to Biophotonics – Prasad - John Wiley & Sons © 2003


Instrumentação Optoelectrónica 79

Biosensores de Fibra Óptica


Sensores de onda evanescente

Utilizam a interacção com o campo electromagnético da onda


evanescente

Diferentes esquemas de detecção:

Técnicas de conversão de frequência


Excitação de fluorescência
Geração de segunda harmónica

Acoplamento da onda evanescente num acoplador direccional

Espectroscopia da onda evanescente

Introduction to Biophotonics – Prasad - John Wiley & Sons © 2003


Instrumentação Optoelectrónica 80

Biosensores de Fibra Óptica


Sensores de onda evanescente - acoplamento

Duas fibras estão posicionadas de modo a que os seus campos


evanescentes se sobreponham
Quando ocorre uma variação no índice de refracção na região entre as
duas fibras, em consequência do processo de biodetecção, as condições
de transferência de potência mudam
Há variação na intensidade de luz à saída de uma das fibras

Introduction to Biophotonics – Prasad - John Wiley & Sons © 2003 Fiber


Optic Chemical Sensors and Biosensors – Wolfbeis - CRC Press, Inc. © 1991
Instrumentação Optoelectrónica 81

Comunicações por Fibra Óptica

Esta apresentação segue as Fibre Optic Communications


Lecture Notes do Prof. Walter Johnstone, Department of
Electronic and Electrical Engineering, University of Stathclyde;
Glasgow, produzidas para a OptoSci Ltd.
Instrumentação Optoelectrónica 82

Comunicações por Fibra Óptica

Link de comunicações ópticas ponto a ponto


Instrumentação Optoelectrónica 83

Comunicações por Fibra Óptica


Porquê fibra
óptica?

Largura de banda
elevada

Baixa atenuação

Atenuação em função da frequência: par entrançado de cobre,


cabo coaxial e fibra óptica
Instrumentação Optoelectrónica 84

Comunicações por Fibra Óptica

De forma a permitir a
normalização dos
conectores e terminações
de fibra óptica, o diâmetro
externo das fibras de
comunicações foi
normalizado nos 125 µ m.
Instrumentação Optoelectrónica 85

Comunicações por Fibra Óptica


Atenuação

Devido à atenuação a potência à saída de 1 km de fibra óptica, Pout ,


será uma fracção k da potência à entrada, Pin

Pout = k ⋅ Pin

A razão de potências para L km de fibra é


Pout
= kL
Pin
 Pout 
∆P ( dB ) = 10 ⋅ log10   = 10 ⋅ log 10 ( k L
)
Expressa em dB  Pin 
= L ⋅ 10 ⋅ log10 ( k ) = α ⋅ L
Instrumentação Optoelectrónica 86

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – Absorção Intrínseca

Absorção de fotões para as transições electrónicas e vibracionais do


material constituinte da fibra: dióxido de Silício (sílica) SiO2. Ocorre
para comprimentos de onda curtos (UV e visível).
A absorção para as bandas vibracionais das ligações Silício –
Oxigénio é uma componente fundamental da absorção no
Infravermelho
Instrumentação Optoelectrónica 87

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação - Absorção Extrínseca

Absorção de fotões para as transições electrónicas dos dopantes


utilizados para aumentar o índice de refracção do núcleo da fibra
(ex: germânio, fósforo). Este mecanismo soma uma pequena
contribuição à absorção total por processos de absorção intrínseca.

Absorção por impurezas como iões metálicos de transição (Fe, Cu,


Cr e Co) e pela água. A absorção por iões era responsável pela
elevada atenuação das fibras disponíveis no início dos anos 1970s.
A absorção pela água era a causa do pico de atenuação nos 1400
nm das fibras disponíveis a meio dos anos 1970s.

Absorção por defeitos estruturais no vidro: átomos em falta na rede


cristalina, clusters densos de átomos

Os processos de fabrico actuais eliminaram estes dois últimos


mecanismos
Instrumentação Optoelectrónica 88

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação - Scattering

O scattering observado em
fibras ópticas segue o
modelo de Rayleigh. A
dependência da secção
eficaz da dispersão de
Rayleigh é com o inverso da
quarta potência do
comprimento de onda (λ -4 ).
A figura mostra a
dependência com o
comprimento de onda dos
principais mecanismos de
atenuação em fibras ópticas
Instrumentação Optoelectrónica 89

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – Dependência com o comprimento de onda

Nas fibras do início dos anos 70, o


mecanismo dominante de atenuação
eram a absorção por iões metálicos. A
atenuação mínima ocorria na região
dos 820 nm.
Na altura estavam disponíveis lasers de
GaAs que emitiam nessa região. Os
fotodíodos de silício possuem uma boa
resposta entre 800 e 900 nm.
Por estas razões os 820 nm foram
inicialmente o comprimento de onda
preferido para comunicações ópticas.
Os sistemas baseados neste
comprimento de onda constituem os
sistemas de primeira geração
Instrumentação Optoelectrónica 90

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – Dependência com o comprimento de onda

Com a melhoria dos processos de fabrico,


as impurezas de iões metálicos foram
removidas das fibras no final dos anos
1970s. A curva de atenuação passou a
exibir dois mínimos (< 0.5dB/km) nos 1300
nm e 1550 nm. Estas atenuações
representavam, relativamente aos
sistemas de 820 nm, um ganho potencial,
em termos de distância de transmissão,
superior a 10.
Tal levou ao desenvolvimento de díodos
laser e fotodetectores para operar nestes
comprimentos de onda (InGaAsP). Estes
sistemas de comunicação óptica operam
são conhecidos como sistemas de
segunda (1300 nm) e terceira geração
(1550nm)
Instrumentação Optoelectrónica 91

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – Dependência com o comprimento de onda

No início dos anos 1980s o processo de


fabrico das fibras conseguiu remover as
impurezas de água.
Actualmente a atenuação é dominada
pelos processos de scattering e absorção
intrínsecos (pelo SiO2). Existe ainda uma
contribuição muito pequena devido à
absorção pelos dopantes empregues para
aumentar o índice de refracção da fibra.
As fibras actuais apresentam perdas de
0.3 db/km (1300 nm) e 0.2 dB/km (1550).
Melhorias futuras só podem ser obtidas
com materiais diferentes
Instrumentação Optoelectrónica 92

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – Perdas por radiação

Qualquer guia de luz não totalmente direita, emite radiação. A luz percorre a curva
com uma velocidade de fase determinada pelo índice de refracção. De modo a
conservar a forma da frente de onda a velocidade da luz deveria aumentar para o
exterior da curva. Então, se considerarmos o campo evanescente, teria que haver
um ponto crítico a partir do qual a velocidade de fase excederia a da onda plana na
bainha da fibra. O campo electromagnético “resiste” a este fenómeno irradiando
potência a partir da fibra, o que causa perdas por radiação, com um coeficiente α r:
−C2⋅ R
2αr = C1⋅ e R é o raio de curvatura. C1 e C2 são
constantes independentes de R
Surgem ainda perdas adicionais em
resultado da dobragem das fibras no
processo de inserção no encapsulamento.
As perdas totais de cablagem e trajecto
atingem 0.1 db/km. Os fabricantes
especificam sempre a atenuação total
(entre 0.25 e 0.5 db/km)
Instrumentação Optoelectrónica 93

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – outros mecanismos

O comprimento máximo das fibras permitido pelos processos de fabrico é de alguns


kms. Distâncias maiores exigem ligações entre fibras por fusão de fibras ou por
conectores. As perdas por fusão são da ordem de 0.1 dB. As perdas por conector
variam entre 0.5 e 1.0 dB.

Também existem perdas nas terminações das fibras: entre a fonte e a fibra e entre
a fibra e o detector.
O acoplamento da luz para a fibra requer lentes astigmáticas e muitas vezes
asféricas e introduz perdas entre 2 e 3 dB.
Na extremidade final o acoplamento de luz ao detector é simples e a s perdas são
desprezáveis
Instrumentação Optoelectrónica 94

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – implicações

Num sistema digital de comunicações ópticas, são lançados na fibra impulsos de


luz com determinada potência de pico e energia total. O processo de atenuação faz
com que a potência e a energia dos impulsos decresça exponencialmente com a
distância percorrida.
Logo, a distância de transmissão não pode ser aumentada indefinidamente já que a
atenuação limita o comprimento de ligação para o qual a potência de pico do sinal
está acima da detectividade do receptor, a qual é determinada pela SNR para uma
data taxa de erros de bit.
O comprimento de ligação limitado pela atenuação depende da potência lançada,
da sensibilidade do receptor e de todas as perdas da fibra. O projectista deve ainda
incluir uma margem de segurança para acomodar a degradação dos componentes
e o re-routing futuro da fibra devido à adição de novas juntas de fusão em
consequência de desenvolvimentos de Engª Civil ou de danos acidentais.
A margem de segurança normalmente empregue é de 6 dB
Instrumentação Optoelectrónica 95

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – implicações

Exemplo:
Qual a distância máxima entre repetidores para o seguinte sistema?
Potência lançada = 2 mW (i.e. + 3 dBm)
Atenuação da fibra = 0.65 dB/km
Perdas totais em juntas = 2 dB
Penalizações de potência = 2 dB
Margem do sistema = 6 dB
Sensibilidade do receptor = 50 nW (i.e -43 dBm)

Nota: O que é um dBm?

É uma unidade padrão de medição 2 mW


dos níveis de potência em relação 2 mW ≡ 10 ⋅ log10 dBm ≡ 3.01 dBm
1 mW
a uma referência de 1 mW
Instrumentação Optoelectrónica 96

Comunicações por Fibra Óptica


Mecanismos de Atenuação – implicações

Cálculos
Perda total tolerável = 3 – (-43) = 46 dB
Juntas, penalizações e margem de segurança = 10 dB
Perda total tolerável da fibra = 36 dB
Distância máxima entre repetidores = 36/0.65 = 55 km
Instrumentação Optoelectrónica 97

Comunicações por Fibra Óptica


Limites de dispersão, alargamento de impulsos e taxa de transmissão

Nas comunicações ópticas digitais são lançados na fibra impulsos de luz que
representam valores lógicos 1. Cada bit é alocado na sua própria slot de tempo ou
período de bit (T) que é igual ao inverso da taxa de transmissão (Bit Rate –BR).
Na maioria dos sistemas os impulsos ópticos à entrada são muito mais estreitos que
o período de bit e são temporizados de forma a corresponderem ao centro desse
período.

À medida que viaja na fibra, o impulso alarga no tempo. Tal resulta na diminuição
da sua potência de pico e da energia total transportada no seu período de bit e na
transferência de potência para períodos de bit adjacentes. O alargamento aumenta
com a distância e pode resultar em erros de leitura no receptor.
Assim, de forma a minimizar os erros ou a alcançar uma taxa de erros especificada
é necessário limitar a magnitude do alargamento do impulso relativamente ao
período de bit.
Instrumentação Optoelectrónica 98

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão em fibras monomodo

Mesmo para fontes laser o impulso de luz, lançado na fibra óptica, possui uma
largura espectral ∆ λ (largura de linha da fonte – FWHM do espectro da fonte).
A maioria das fontes usadas em telecomunicações possuem espectros gaussianos
para os quais o valor rms da largura de linha é dado por:

∆ λ (rms) = 0.425·∆ λ (FWHM)

Já sabemos que a velocidade de propagação da energia dentro de um modo


depende o comprimento de onda. Logo, as diferentes componentes espectrais do
impulso propagam-se a velocidades diferentes – dispersão intramodal
Instrumentação Optoelectrónica 99

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão em fibras monomodo

Para fontes com distribuições espectrais gaussianas, os impulsos recebidos


possuem distribuições gaussianas no tempo. A largura do impulso detectado é dada
por:

τ 1 = D·L·∆ λ

com τ 1 a largura rms do impulso (em ps) após o comprimento L (em km)
∆ λ é a largura rms de linha da fonte (em nm)
D é o coeficiente de dispersão da fibra (em ps/km·nm)

Se a largura rms do impulso de entrada for τ 0 então a largura total do impulso de


saída é
τt = τ12 + τ02
Instrumentação Optoelectrónica 100

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão em fibras multimodo step-index

Nas fibras multimodo, a energia dos impulsos ópticos divide-se entre os diferentes
modos de propagação permitidos. Aos diferentes modos correspondem diferentes
trajectos ópticos o que resulta em dispersão temporal dos impulsos.

Na fibra step-index a dispersão temporal corresponde à diferença entre os tempos


de propagação para o modo com incidência igual ao ângulo crítico e o modo
longitudinal. Esta diferença é dada por

n ⋅ ( NA ) ⋅ L
2
n2 L
τ= ⋅ ∆n ⋅ = 2
n1 c n1 ⋅ ( n1 + n2 ) ⋅ c

com n2 o índice de refracção do núcleo, n1 o índice de refracção da baínha,


∆ n = (n2 – n1) e L o comprimento da fibra.
Instrumentação Optoelectrónica 101

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão em fibras multimodo step-index

Das equações que apresentámos conclui-se que a dispersão intermodal só


depende dos índices de refracção da fibra e é independente do comprimento de
onda e da largura de linha da fonte.
Estas equações são úteis para calcular o limite superior do alargamento do impulso.
Na prática é necessário trabalhar com larguras rms e levar em conta a distribuição
de energia entre os modos.

A expressão empírica para o alargamento do impulso por efeitos intermodais é

τ2 = D ⋅ L

com D o coeficiente rms de alargamento intermodal (em ns/km). Tipicamente varia


entre 10 e 50 ns/km para fibras multimodo step-index
Instrumentação Optoelectrónica 102

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão em fibras multimodo step-index

Nas fibras multimodais o alargamento dos impulsos resulta quer da dispersão


intramodal quer da dispersão intermodal. Para impulsos gaussinaos e fontes com
espectros gaussianos podemos calcular a largura rms do impulso de saída por:

τ2t = ( τ20 + τ12 + τ22 )


Instrumentação Optoelectrónica 103

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão: implicações

Pode-se demonstrar que para perfis temporais gaussianos, não se deve permitir
uma dispersão para uma largura rms superior a α ·T de forma a ter penalizações de
potência e taxas de erros de bit aceitáveis. Normalmente considera-se igual α a
0.25.

O valor máximo da taxa de bits (BR) é dado por

C
BR =
L
com C uma constante para um dado sistema, designada por produto distância - bit
rate (BR·L)
Instrumentação Optoelectrónica 104

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão: implicações

Exemplo

Considere o seguinte sistema:


Fibra – monomodo para 1300 nm
Coeficiente de dispersão intramodal = 5 ps/km·nm
Fonte – Laser com largura de linha (rms) = 5 nm
Dispersão máxima permitida = 0.25 T

a) Qual o limite do comprimento de ligação para uma taxa de 200 Mbit/s?


b) Qual a taxa de bits máxima numa ligação com um comprimento de 40 km?
Instrumentação Optoelectrónica 105

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão: implicações

Exemplo – a)

1
T= = 5 ns
200 x10 6

τ = D ⋅ L ⋅ ∆λ
0.25 ⋅ 5000 = 5 ⋅ L ⋅ 5
L = 50 km
Instrumentação Optoelectrónica 106

Comunicações por Fibra Óptica


Dispersão: implicações

Exemplo – b)

τ = D ⋅ L ⋅ ∆λ
τ = 5 ⋅ 40 ⋅ 5 = 1000 ps

0.25 ⋅ T ≥ 1000 ps
T ≥ 4 ns

1 1
BR max = = = 250 Mbit/s
Tmin 4 x10 −9