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Universidade Federal da Bahia

Curso de Fonoaudiologia
Componente Curricular: Patologia dos Órgãos
da Fonação e da Audição.
Docente: Profa. Dra. Natascha Braga

CASO CLÍNICO

Salvador
2017
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:

Sexo: Feminino
 Idade: 22 anos
Natural e procedente: Salvador-BA
 Raça: Branca
 Profissão: Estudante
 Queixa Principal: Otite Média recorrente, seguida de
otite média crônica colesteatomatosa.
HISTÓRIA DA MOLÉSTIA ATUAL:

HMA: : Paciente refere que há cerca de 14 anos, apresentou


infecções recorrentes, otalgia e otorréia, sendo diagnosticada com
otite média crônica. Foi submetida tratamento medicamentoso e
ainda com 8 anos realizou a primeira cirurgia, que teve como
complicação a estenose do conduto auditivo. Devido à recidiva,
foram necessárias mais 5 cirurgias e hoje K. é usuária de
implante.
ANTECEDENTES MÉDICOS E
FAMILIARES:

COMORBIDADES: K. refere que em sua


família há apenas um primo com surdez pelo
fato de ter sido prematuro;

Nega diabetes, hipertensão, trauma acústico


ou qualquer outro antecedente pessoal.
INTERROGATÓRIO SISTEMÁTICO:

HÁBITOS DE VIDA:

Paciente nega uso de fumo, álcool e outras drogas. Refere ainda


que não costuma praticar exercícios físicos.
EXAME FÍSICO:

 GERAL: Normal.

 OTOSCOPIA: Sugestivo de Otite,


MAE estenosado na orelha direita
e orelha esquerda normal.
EXAMES AUDIOMÉTRICOS:
EXAMES AUDIOMÉTRICOS:
CONDUTA:

Abordagem
Cirúrgica;

 Implante de
condução óssea.
SUSPEITA DIAGNÓSTICA:

 OTITE MÉDIA CRÔNICA NÃO


COLESTEATOMATOSA
SUPURATIVA.

 OTITE MÉDIA CRÔNICA


COLEASTOMATOSA.
DIAGNÓSTICO
DIFERENCIAL:
OTITE MEDIA CRÔNICA NÃO
COLESTEATOMATOSA SUPURATIVA

 A otite média crônica supurativa (OMCS) é definida como a


infamação crônica da orelha média e da cavidade da mastoide,
com pelo menos seis semanas de duração, causando otorréia. A
MT exibe tanto uma perfuração ou uma bolsa de retração.

(VEDANTAM, 2006)
OTITE MEDIA CRÔNICA NÃO
COLESTEATOMATOSA SUPURATIVA
A otite média crônica como um processo inflamatório crônico
da mucosa da orelha média com uma possível extensão para a
mastóide.

 Associado ou não com infecção e/ou presença de descamação


epitelial nestes espaços.

 Podendo ser esta otite supurativa ou não – supurativa.

(CALDAS et, al. 1996)


OTITE MEDIA CRÔNICA NÃO
COLESTEATOMATOSA SUPURATIVA:
Já HUNGRIA (1995) caracteriza dois grandes grupos de otites médias
crônicas:

 Otite média crônica “simples”, não – colesteatomatosa:

Prognóstico benigno, sem tendência a complicações graves (é a);

Otite média crônica colesteatomatosa:

Prognóstico reservado, uma vez que pode levar a complicações graves.

(CALDAS et, al. 1996)


PATOGÊNESE:
A OMCS resultante de otorréia persistente que se segue após
um episódio de otite média aguda supurativa.

Ocasionalmente, pode resultar de uma perfuração persistente


após a remoção ou a eliminação de um tubo de ventilação.

A infecção ocorre quando a orelha fica úmida durante o banho


sem uma proteção adequada, ou se a orelha afetada for limpa
sem precauções assépticas.

(VEDANTAM, 2006)
CARACTERIZAÇÃO DA OTITE MEDIA
CRÔNICA NÃO COLESTEATOMATOSA
SUPURATIVA:
Em uma OMCS ativa, a mucosa mostra aspectos de:

1.Inflamação crônica com edema;


2. Fibrose submucosa;
3. Hipervascularização e infiltração com linfócitos, células
plasmáticas e histiócitos.

Pode haver áreas de ulceração com proliferação de vasos


sanguíneos, fibroblastos e células infamatórias. Pode ocorrer
uma erosão dos ossículos na mucosa da OMCS.

(KNÖLLER, 1999)
CARACTERIZAÇÃO DA OTITE MEDIA
CRÔNICA NÃO COLESTEATOMATOSA
SUPURATIVA:
De maneira típica, a ponta do cabo do martelo e o processo
longo da bigorna são os mais afetados em quase igual extensão
(16%).

O granuloma de colesterol, uma pequena coleção de cristais de


colesterol rodeados por uma reação de células gigantes, pode ser
visto, em alguns casos.

(KNÖLLER, 1999)
SINTOMATOLOGIA:

Ocorre restauração dos tecidos inflamados até quase a


normalidade, mas deixa-se como sequela uma perfuração da parte
tensa da membrana timpânica.

Caracteriza-se por períodos intermitentes de supuração não fétida


da orelha média, com tendência à cura espontânea.

(HUNGRIA 1995)
SINTOMATOLOGIA:

E é comum encontrar, como consequência do processo


infeccioso necrosante originário e do processo exsudativo
crônico consequente:

Áreas de deposições calcárias que podem bloquear a mobilidade


da cadeia ossicular;

Processos de degeneração hialina que são responsáveis pelas


lesões de timpanoesclerose (placas esbranquiçadas mais ou
menos extensas encontradas na membrana timpânica).
(CALDAS et, al. 1996).
DIAGNÓSTICO:
 O diagnóstico da OMCS é extremamente dependente dos achados na otoscopia.

 O exame otomicroscópio é essencial para confirmar os achados, em particular


naqueles ouvidos que purgam ativamente.

 A audiometria tonal será feita para assegurar a natureza e a gravidade da perda


auditiva que pode estar acompanhando o quadro.

 Na OMCS a perda auditiva é geralmente de origem condutiva. Entretanto,


perda auditiva mista ou perda sensorioneural grave/profunda pode acontecer
em pacientes com lesão prévia em cóclea.

(VEDANTAM, 2006)
EXAMES COMPLEMENTARES:

O raio-X simples, na posição de Laws, deve ser realizado para


verificar o estado de pneumatização da mastoide.

(VEDANTAM, 2006)
CONDUTA:

Uso de antibiótico;
Cirúrgica.

(VEDANTAM, 2006)
OTITE MEDIA CRÔNICA
COLESTEATOMATOSA:
 Caracteriza-se pela proliferação de epitélio estratificado escamoso
queratinizado em localização anômala, localizado geralmente na
orelha média (ÁVILA et, al. 2013).


OTITE MEDIA CRÔNICA
COLESTEATOMATOSA:
 ETIOPATOGÊNESE:

Colesteatoma Congênito:
 Tipo raro de queratoma que se origina do mesmo ectoderma que forma a
notocorda(RIBEIRO & PEREIRA, 2003).

Colesteatoma Primário:
 Origina-se de uma aspiração da parte flácida da membrana timpânica (RIBEIRO
& PEREIRA, 2003).

Colesteatoma Secundário:
 Origina-se de migração de pele através de membrana timpânica previamente
comprometida por uma perfuração ou por atelectasia (RIBEIRO & PEREIRA,
2003).
OTITE MEDIA CRÔNICA
COLESTEATOMATOSA:
Patogênese dos Colesteatomas Adquiridos:
TEORIA da Retração; (ÁVILA et, al. 2013).

Diretamente relacionada às afecções de orelha média:

 Disfunções crônicas da tuba auditiva e infecções dela


decorrentes.

PERFURAÇÃO DE MEMBRANA TIMPÂNICA.


SINTOMATOLOGIA:
 COLESTEATOMA PRIMÁRIO :

o Perda auditiva inicialmente discreta e Otorréia com odor fétido e que


não melhora com tratamento.

 COLESTEATOMA SECUNDÁRIO :

• História Pregressa de Otites de repetição;

• Crises de otorréia;

• Perfuração de Membrana Timpânica.

(RIBEIRO & PEREIRA, 2003).


EXAMES COMPLEMENTARES:

Exames Subsidiários  Exames da Secreção.

 Exames Radiológicos:

• Radiologia Simples.

• Tomografia Computadorizada.

• Ressonância Nuclear Magnética.


(RIBEIRO & PEREIRA, 2003).
TRATAMENTO DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
Essencialmente cirúrgico:

o Masteidectomia aberta ou fechada;

 O objetivo primário é a erradicação completa da doença a fim


de evitar complicações.

 O objetivo secundário é preservar função do sistema


timpanossicular, quando possível.

(DORNELLES et, al. 2005).


COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
 OSTEÓLISE DA CADEIA OSSICULAR:

Figura 7.
COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
 EROSÃO DA PAREDE LATERAL DO ÁTICO:

Figura 2.
COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
 LISE DO TÉGMEN TIMPÂNICO (FIGURA 8b).
COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
 LISE DO CANAL DO NERVO FACIAL (FIGURA 9).
COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:
 FÍSTULA LABIRÍNTICA FIGURA 8A.
OUTRAS COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA
CRÔNICA COLESTEATOMATOSA:

 Mastoidite com ou sem osteíte;

extensão para o conduto auditivo externo;

 Abscesso de Bezold;

Complicações intracranianas: meningite, abscesso


cerebral/cerebelar, empiema subdural e tromboflebite do
seio sigmoide.
(ÁVILA et, al. 2013).
PREVENÇÃO DO COLESTEATOMA:

Não há prevenção para o Colesteatoma


Congênito.

O Colesteatoma Adquirido pode ser


prevenido evitando os fatores
desencadeadores.
REFERÊNCIAS:

 ÁVILA, Ana Flávia Assis de et al. Imaging evaluation of middle ear cholesteatoma: iconographic essay. Radiologia
Brasileira, v. 46, n. 4, p. 247-251, 2013.

 ABCMED, 2015. Colesteatoma: o que é?. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-


doencas/745002/colesteatoma+o+que+e.htm>. Acesso em: 30 jul. 2017.

 DORNELLES, Cristina et al. Algumas considerações sobre colesteatomas adquiridos pediátricos e adultos. Brazilian
Journal of Otorhinolaryngology, v. 71, n. 4, 2005.

 Godinho, Ricardo. VI Manual de Otorrinolaringología Pediátrica de la IAPO. Eds. Tania Sih, Alberto Chinski, and
Roland Eavey. IAPO, 2006.

 KNÖLLER, patrícia de vasconcellos. Otites médias. Monografia, RJ, 1999.

 Ribeiro FAQ, Pereira CSB. Otite média crônica colesteatomatosa In: SBORL. Tratado de Otorrinolaringologia. São
Paulo: Editora Roca; 2003.p.93-102

 VEDANTAM, Rupa. Otite média crônica supurativa.

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