Você está na página 1de 21

CONTRATO ESTIMATÓRIO

ART. 534 à 537 CC

DÉBORA LOCKS MACHADO


INTRODUÇÃO
• Contrato Estimatório recebe tal nome a
medida que o consignante atribui a coisa um
valor, isto é um valor de estima.

• Contrato Estimatório é o negócio jurídico em


que alguém (consignatário) recebe de outrem
(consignante) bens móveis, ficando autorizado
a vendê-los, obrigando-se a pagar um certo
preço estimado previamente, se não restituir
as coisas consignadas dentro do prazo ajustado
(artigo 534 CC)
PARTES

• Consignante: É de fato o proprietário da coisa consignada, é o


que cede a posse ao consignatário, abrindo mão de dispor da
coisa durante determinado período e passando tal atribuição
a um terceiro.

• Consignatário: Trata-se do terceiro a quem é cedida a posse


e a possibilidade de disposição da coisa, a este cabe a
obrigação de dispor da coisa no prazo determinado e
estipulado na cláusula estimatória do contratro.
NATUREZA JURÍDICA
• Típico: Possui definição, previsão, tutela legal. Tal contrato é
apreciado pela legislação civil brasileira. Tipificado.
• Bilateral: Possui dois pólos, como já vimos em tópicos
anteriores. Duas figuras caracterizam este contrato (consignante
e consignatário).
• Oneroso: Pois há sacrifício patrimonial de uma das partes e em
conseguinte uma vantagem da outra.
• Real: Se caracteriza apenas quando há tradição, quando a coisa
é entregue ao consignatário.Porém a entrega da coisa no
contrato estimatório, não produz os efeitos como a
transferência da propriedade, isto é, ainda que o contrato seja
real, não produz efeitos reais.
OBJETO
• O contrato estimatório tem por objeto apenas
bens móveis, que possam ser livremente
alienados.

• Confome ensina Paulo Luiz Netto Lôbo, “ o


contrato estimátório é comumente utilizado nas
relações entre editoras ou distribuidoras de
livros, revistas e jornais e livreiros e postos de
venda, não estando estes obrigados a pagar
previamente o preço para vendê-los no prazo
ajustado. As livrarias recebem o livro, expõem
em suas prateleiras, divulgam-nos, e
periodicamente comunicam às editoras o total
de exemplares vendidos, remetendo o
pagamento correspondente”.
NÃO SÃO OBJETOS
• As coisas imóveis, não são passiveis de serem
objetos do contrato estimatório, uma vez que
destes não temos uma tradição real (traditio
ficta), não tendo assim um pressuposto
essencial, que é a circulação do bem entre o
consignante e o consignário.
• Os bens imateriais (por exemplo, os direitos de
autor) não podem ser objeto de contrato
estimatório. No direito brasileiro, os contratos
de alienação desses bens são definidos
taxativamente, seja para cessão, concessão de
uso ou licenciamento. Esses bens são
insuscetíveis de tradição física, porque
destituídos de corpos físicos.
EFICÁCIA

• Para Tânia da Silva Pereira, o contrato estimatório pode ser


visto hoje em vários exemplos, em sua obra, a autora busca
utilizar-se de uma situação para elucidar a situação onde se
faz uso do contrato em questão, como citamos a seguir:
• “Um pintor de quadros normalmente não costuma comercializar suas
obras diretamente. Esta atividade em geral é exercida pelas galerias de
arte que têm meios de melhor acesso ao público comprador. Estas
galerias, em princípio, não dispõem de capital de giro que lhes permita
adquirir todo um acervo de um pintor para vendê-lo. Daí a eficiência desta
forma de contrato que, em linha geral, se caracteriza pela entrega de
coisas móveis a outra pessoa com autorização de alienar, mas com a ob
rogação de restituí-las ao consignante, ou então pagar-lhe o preço
estipulado dentro de um certo prazo.
ESTIMAÇÃO DE PREÇOS

• Como o preço estimado é elemento fundamental do contrato, é


de supor que na conclusão do contrato já esteja estabelecido.
Nada obsta que seja fixado em momento posterior à entrega da
coisa. No entanto, não se aperfeiçoa o contrato estimatório
enquanto não determinado o preço. As partes podem estipular
que o preço seja fixado por terceiro ou mediante cotação em
bolsa, o que não altera a estrutura do instituto.

• Se for autorizado ao próprio consignatário estabelecer o preço,


descaracterizado estará o negócio como contrato estimatório.
ESTIMAÇÃO DE PREÇOS
• Podem, no entanto, as partes estabelecer que
o preço seja o corrente de mercado. Não
haverá dúvidas se esse preço for tabelado ou
cotado em bolsa. Se, no entanto, o preço de
mercado se subordina a elementos falíveis,
temos de entender como preço corrente o
valor médio de venda da coisa no mercado.

• O local de pagamento e o da entrega da coisa,


no silêncio do contrato, devem ser o do
domicílio do devedor, o consignatário,
aplicando-se a regra geral.
PRAZO
• O contrato estimatório é sempre feito a termo,
isto é, com prazo determinado, o consignatário
só possui a posse da coisa durante o tempo
estipulado. Acabado o prazo, não havendo
pagamento do preço ou restituição da coisa
consignada, o domínio é transferido ao
consignatário, que ficará obrigado a pagar o
preço estimado, o não pagamento nestes
termos constitui-se em inadimplemento, sendo
passível as conseqüências, tais como mora. Não
considera-se inadimplente o consignatário  que
dentro do prazo se recusa a vender a coisa, não
podendo o consignante obrigá-lo.
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO
CONSIGNANTE
• · Garantir ao consignário a disponibilidade da coisa entregue;
• · Abster-se de qualquer ato que possa dificultar de alguma
forma que o consignatário possa dispor do bem;
• · Responder pelos vícios da coisa, dos riscos de evicção
perante o adquirente;
• · Não interferir nos procedimentos adotados pelo
consignatário;
• · Uma vez que o contrato ajustado entre o consignatário e o
adquirente é res inter allios em face do consignante, este não
poderá recusar ou modificar as condições ajustadas.
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO
CONSIGNATÁRIO
• · Contração de dívida e obrigação alternativa, isto é, dentro
do prazo deverá pagar ou restituir a coisa;
• · Se passado o prazo estipulado, o consignatário pagará o
valor estipulado caso tenha vendido a coisa ou poderá ficar e
pagar pela coisa ou devolvê-la em perfeito estado;
• · O consignatário estará responsável pela coisa enquanto
estiver em sua posse;
• · Caso o consignatário restitua a coisa com dano, este será
obrigado a indenizar o consignante no valor correspondente;
• · Mesmo que não haja culpa do consignatário, se a coisa se
perder, este será obrigado a pagar por esta.
EXTINÇÃO
• O contrato extingue-se normalmente pela
execução voluntária, onde as partes atendem
àquilo a que se obrigaram. Todavia os
contratos podem ser extintos se for declarada
sua nulidade, ou ainda se houver implemento
de cláusula resolutiva; se houver
arrependimento; inadimplemento culposo;
operosidade excessiva; resilição bilateral ou
distrato; morte de um dos contratantes.

• Conforme disposto no Título V, capítulo II do


Código Civil.
JURISPRUDÊNCIA
• Apelação Com Revisão CR 1047754009 SP
(TJSP)
• BEM MÓVEL - Ação de reintegração de posse -
Contrato estimatório - Descumprimento do
acordado, de vez que o consignatário, não
obstante a venda do bem deixado em
consignação, não pagou o preço ajustado ao
autor consignante - Esbulho da empresa que
adquiriu o bem não caracterizado, em face de
sua regular aquisição - Ação improcedente -
Recurso improvido.
• TJSP - 01 de Dezembro de 2008
JURISPRUDÊNCIA
• RECURSO ESPECIAL REsp 710658 RJ 2004/0177055-1 (STJ)
• DIREITO COMERCIAL. FALÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE DINHEIRO. ALIENAÇÃO
DE MERCADORIAS RECEBIDAS EM CONSIGNAÇÃO ANTES DA QUEBRA.
CONTABILIZAÇÃO INDEVIDA PELA FALIDA DO VALOR EQUIVALENTE ÀS
MERCADORIAS. DEVER DA MASSA RESTITUIR OU AS MERCADORIAS OU O
EQUIVALENTE EM DINHEIRO. SÚMULA 417 DO STF. - O que caracteriza o contrato de
venda em consignação, também denominado pela doutrina e pelo atual Código Civil (arts. 534 a
537) de contrato estimatório, é que (i) a propriedade da coisa entregue para venda não é
transferida ao consignatário e que, após recebida a coisa, o consignatário assume uma
obrigação alternativa de restituir a coisa ou pagar o preço dela ao consignante. - Os riscos são do
consignatário, que suporta a perda ou deterioração da coisa, não se exonerando da obrigação
de pagar o preço, ainda que a restituição se impossibilite sem culpa sua. - Se o consignatário
vendeu as mercadorias entregues antes da decretação da sua falência e recebeu o dinheiro da
venda, inclusive contabilizando-o indevidamente, deve devolver o valor devidamente corrigido
ao consignante. Incidência da Súmula n.° 417 do STF. - A arrecadação da coisa não é fator de
obstaculização do pedido de restituição em dinheiro quando a alienação da mercadoria é feita
pelo comerciante anteriormente à decretação da sua quebra. Recurso especial ao qual se nega
provimento. (grifo nosso)
• STJ - 06 de Setembro de 2005
QUESTÃO OAB JAN/2010
• QUESTÃO 32. Assinale a opção correta no que se refere aos
contratos tipificados no Código Civil brasileiro.
a) O contrato de compra e venda subordinado à condição de
dissolução caso o objeto do contrato não seja do agrado do
comprador denomina-se venda a contento, cláusula sempre
presumida nos contratos de compra e venda.
b) O contrato estimatório é aleatório e deve ter por objeto coisa
móvel.
c) No contrato de doação, são revogáveis por ingratidão as doações
puramente remuneratórias e as oneradas com encargo já
cumprido.
d) Tanto o contrato de empreitada quanto o de prestação de serviço
geram obrigação de resultado.
• GABARITO PRELIMINAR: B
RECURSO DA QUESTÃO
• A intelecção constante da Letra B, embora tida como
correta pelo Gabarito preliminar do CESPE, de fato incorre
em lamentável equívoco. Com efeito, AO AFIRMAR QUE "O
CONTRATO ESTIMATÓRIO É ALEATÓRIO", A PROPOSIÇÃO
EM ANÁLISE SE AFASTA DO ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO
CONSAGRADO PELA DOUTRINA CIVILISTA BRASILEIRA, QUE
SEMPRE RECONHECEU NESTA ESPÉCIE CONTRATUAL O SEU
CARÁTER COMUTATIVO, POR NÃO ENVOLVER QUALQUER
RISCO ENTRE SEUS FIGURANTES.
• Veja-se, a propósito, o magistério de Carlos Roberto
Gonçalves acerca da natureza jurídica do contrato
estimatório: "Trata-se de contrato de natureza real, pois se
aperfeiçoa com a entrega do bem ao consignatário (sic);
comutativo, porque não envolve risco" (Direito Civil
Brasileiro, vol. III, São Paulo, Saraiva, 2006, pp. 251).
• Outro não é o pensamento de Silvio de Salvo Venosa: "É
oneroso, comutativo e bilateral, impondo obrigações
recíprocas" (Direito Civil, vol. III, São Paulo, Atlas, 2005, pp.
117).
LEGISLAÇÃO
CAPÍTULO III DO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO
Do Contrato Estimatório

• Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante


entrega bens móveis ao consignatário, que fica
autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço
ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido,
restituir-lhe a coisa consignada.

• Art. 535. O consignatário não se exonera da


obrigação de pagar o preço, se a restituição da
coisa, em sua integridade, se tornar impossível,
ainda que por fato a ele não imputável.
LEGISLAÇÃO

• Art. 536. A coisa consignada não pode ser objeto de penhora


ou seqüestro pelos credores do consignatário, enquanto não
pago integralmente o preço.

• Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe


ser restituída ou de lhe ser comunicada a restituição.
CASE

• Consignante: Locks Editora Ltda, representada por sua


administradora Débora Locks
• Consignatário: Livraria Cassaniga, representada por sua
administradora Camila Cassaniga
• Objeto: 100 livros // Valor mínimo em planilha anexa
• 20% do valor da venda para o consignatário
• Sem prazo determinado; Acerto a cada 30 dias;
• Rescisão aviso prévio de 30 dias; Multa R$2.000,00
• Anuente/fiador: Roberto Vargas
• OBRIGADA A TODOS PELA
ATENÇÃO!!

Você também pode gostar