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FGV revisão - Português

B&E assessoria
Gênero discursivo - Tirinha (ou tira)

As tirinhas constituem um subtipo das Histórias em Quadrinhos


(HQ), com narrativas ou situações mais curtas, ou seja, são histórias
breves, muitas vezes com personagens reconhecíveis.
A tirinha tem como uma de suas características
principais o humor (muitas vezes com crítica social).
Veja o humor sarcástico nessa tirinha de
Laerte. Há uma explícita crítica social.
Embora seja recorrente nas tirinhas, o humor
sarcástico com crítica social não é estritamente
necessário. Pode haver um humor inocente
O gênero tirinha é constituído pela
linguagem verbal e não verbal que
agregadas produzem o sentido do texto.
Enquanto sequência narrativa em quadrinhos, a
tirinha costuma quebrar a expectativa e terminar
com o inesperado.
Observe ainda o inesperado na tirinha
abaixo
Recursos verbais e não verbais da
tirinha
Balão
Na tirinha abaixo, o tipo de balão, mas também o negrito e
a letra em tamanho maior indicam o grito da personagem.
O balão feito com pequenos traços indica o cochicho.
Formação de uma palavra a partir da reprodução
aproximada, com os recursos de que a língua dispõe, de
um som natural a ela associado.
Outro exemplo de onomatopeia:
Oralidade
Muitas vezes, observa-se nas tirinhas uma forte presença
da linguagem oral, mais espontânea e informal, usufruindo
de maior liberdade. Há uma maior desvio relativamente à
norma culta.
 Outro exemplo com marcas de linguagem oral:
Artigo de opinião: definição e usos

Ao lado de textos jornalísticos de caráter mais


expositivo, como a notícia e a reportagem, jornais e
revistas também abrem espaço para textos
argumentativos como os artigos de opinião
O artigo de opinião é um gênero discursivo claramente
argumentativo que tem por objetivo expressar o ponto
de vista do autor que o assina sobre alguma questão
relevante em termos sociais, políticos, culturais etc. O
caráter argumentativo do texto de opinião é evidenciado
pelas justificativas de posições arroladas pelo autor para
convencer os leitores da validade da análise que faz.
Característica do artigo de opinião

1) Gênero argumentativo
2) Expressão de um ponto de vista
3) Análise de questões sociais, políticas, culturais etc
4) Justificativas da posição assumida
Estrutura e linguagem do artigo de opinião
No artigo de opinião, comumente encontra-se a seguinte
estrutura:
1. Um parágrafo inicial que contextualiza o tema abordado
para que o leitor possa se “localizar” e recuperar as
informações de que já dispões sobre o assunto.
2. Parágrafos de desenvolvimento que constroem a cadeia
argumentativa.
3. O encerramento do texto com uma conclusão da análise
efetuada. Costuma trazer uma explicitação da tese do autor.
A linguagem do artigo de opinião pode ser formal ou informal,
dependendo do público-alvo.
NELSON ASCHER
Lições de Virginia Tech
TERÇA-FEIRA PASSADA , Cho Seung-hui, estudante sul-coreano de 23 anos,
cuja família se estabelecera em 1992 nos EUA, matou a tiros, entre
colegas e professores, 32 pessoas no Instituto Politécnico da Virgínia
(Virginia Tech), onde estudava Letras. Por que o rapaz, armado com duas
pistolas que adquirira, perpetrou esse massacre e como isso foi possível?
A resposta é simples, óbvia e só não a aceitam aqueles que se deixaram
voluntariamente cegar por algum tipo de propaganda maliciosa.
É fácil adquirir armas de fogo nos Estados Unidos, bem mais do que na
Europa e no Brasil. Armas, como se sabe, matam (como, aliás, caminhões
cheios de fertilizante, bombas caseiras, facões etc.). Um homicida
atacadista sempre vai dispor ali das ferramentas necessárias para realizar
seu trabalho. Além disso, como na Virginia Tech as armas eram
rigorosamente proibidas, nenhuma das vítimas potenciais dispunha dos
meios para se defender de alguém disposto a transgredir as leis e as
normas locais. Caso algum estudante estivesse armado, ele poderia ter
parado o assassino.
As escolas e universidades norte-americanas são competitivas, voltadas para o
mercado. Os alunos são, desde cedo, qualificados como "winners" (vencedores) ou
"losers" (perdedores), e estes últimos amargam o desprezo, seja das instituições, seja
dos colegas. A pressão é insuportável e, hora dessas, a corda arrebenta. Convém
mencionar também que, nos EUA, os universitários são crianças mimadas que, não
mais submetidas à disciplina e às exigências rigorosas de antigamente, vivem numa
redoma artificial de bem-estar na qual os administradores fazem de tudo para que
ninguém se sinta diminuído diante dos outros. Os sentimentos de todas as minorias, de
quem quer que tenha uma reclamação, são protegidos pela imposição da correção
política e, portanto, os jovens nunca estão preparados para enfrentar o mundo real.
Como a sociedade mais injusta, imperialista, militarista e violenta que já existiu, a
americana é o caldo de cultura da violência individual, violência esta encorajada pelos
meios de comunicação, videogames e pela ideologia do país. Jovens facilmente
influenciáveis absorvem os valores oficiais e cometem barbaridades. Além disso, as
instituições de ensino superior são verdadeiros centros de doutrinação anticapitalista e
antiamericana, nos quais a democracia local é retratada como uma tirania. Professores,
inclusive os de Letras, falam de culpa coletiva e pregam a destruição revolucionária do
sistema. Alunos facilmente influenciáveis ouvem esse blábláblá e tomam a justiça nas
próprias mãos.
Vale a pena acrescentar razões suplementares para o massacre. A guerra do Iraque, que
legitimou a violência.
Os protestos contra a guerra do Iraque, que indispuseram os americanos entre si. A repressão
sexual, que canaliza a testosterona rumo a opções perigosas. A licença sexual, que leva
aqueles que não se dão muito bem neste jogo a se tornarem rancorosos e vingativos. A
discriminação de que são vítimas os imigrantes. O excesso de imigração, que não dá tempo
aos recém-chegados de se adaptarem à cultura local. A miséria e a fome. A opulência e a
obesidade. O aquecimento global.
E quanto a Cho Seung-hui? Ele, afinal, era o verdadeiro culpado. Ele era, afinal, a vítima
principal. Cho era um narcisista que queria aparecer. Cho era um introvertido que queria
desaparecer. Ele era um maluco anti-social cujos próprios colegas previam que certo dia faria
uma dessas. Era um rapaz normal, enlouquecido por um ambiente cruel e predatório. Era um
herói, um mártir corajoso que, com seu sacrifício, ajudou a punir uma sociedade injusta.
Todas as explicações acima e muitas outras, às vezes em combinações complexas, podem ser
achadas na imprensa, na internet, na mídia em geral. Alguma faz sentido? Talvez. Todas
juntas? Só numa multiplicidade de universos paralelos. Se há pouco de sério a dizer sobre Cho
e o massacre, a variedade quase infinita de enfoques e interpretações aponta, porém, para
algo interessante.
Poucas coisas despertam tanto a curiosidade humana como o crime, principalmente os
assassinatos em massa, os hediondos e os inexplicáveis. Cada indivíduo ou grupo os interpreta
de maneira a que façam sentido na sua visão mais ampla de mundo, mas de modo também a
que não a refutem nem contradigam. Como o mistério mais fascinante neste vale de lágrimas,
nada revela tão bem as crenças e a ideologia de uma pessoa quanto o modo segundo o qual
ele ou ela busca explicar a criminalidade em geral e, em particular, o homicídio.
Gênero discursivo - Editorial

Além do artigos em que uma articulista apresenta sua opinião


sobre importantes acontecimentos contemporâneos, os
jornais também são o espaço de circulação de um outro
gênero argumentativo, encarregado de explicitar a posição do
próprio veículo de comunicação: o editorial.
Editorial: definição e usos

O editorial é outro gênero do discurso que se caracteriza pela


manifestação explícita de uma opinião e pela apresentação de
argumentos que a sustentam.
O editorial é um gênero discursivo que tem a finalidade de
manifestar a opinião de um jornal (ou algum órgão de
imprensa) sobre acontecimento importante no cenário
nacional ou internacional. Não é assinado, porque não deve
ser associado a um ponto de vista individual. Deve ser
enfático, equilibrado e informativo. Além de apresentar os
argumentos que sustentam a posição assumida pelo jornal,
costuma também resumir opiniões contrárias para refutá-las.
Estrutura e linguagem do editorial
A estrutura do editorial tem 3 partes:
1. Introdução que contextualiza a questão a ser analisada.
2. Desenvolvimento, no qual são apresentados
argumentos que sustentam a análise.
3. Conclusão que decorre da argumentação feita.

A linguagem do editorial é explicitamente formal,


adotando o padrão culto da língua escrita. O texto é
impessoal, diferentemente do artigo de opinião, em que a
presença de marcadores de 1ª pessoa do singular é
natural.
Editorial da Folha de São Paulo
Vergonha americana
Naquilo que já virou um trauma recorrente, o sistema eleitoral americano
fez o mundo prender a respiração. Foi assim em 2000, quando George W.
Bush triunfou só um mês depois do pleito, numa disputa judicial.
Em 2016, Donald Trump repetiu seu colega republicano Bush e também
venceu sem maioria no voto popular. A distorção vem do confuso modelo
em que ganha quem conseguir mais votos no Colégio Eleitoral - ou seja, a
maioria dos votos de delegados dos 50 estados.
Nessa eleição indireta, quando a polarização se acentua, pequenas
diferenças podem mudar o resultado final.
Como já esperado, Trump tumultuou o processo ao cantar vitória antes da
hora, com apenas resultados parciais favoráveis em estados nos quais a
corrida contra Joe Biden estava apertada.
Pior, disse que iria à Justiça com o objetivo de parar a contagem, de modo a
interromper o jogo antes do fim. Sua tese furada é que os democratas
estimularam o voto antecipado pelo correio, o que poderia gerar
manipulação.
A pandemia impulsionou a modalidade neste ano. Mas,
para o presidente, “isso é uma enorme fraude”. "É uma
vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos
esta eleição", atacou.
Trump tinha, àquela hora, motivos para celebrar. A “onda
azul”, em referência à cor do Partido Democrata de
Biden, não se concretizou. Os democratas falharam em
garantir o apoio de minorias, como os latinos na Flórida.
E a divisão do país se aprofundou, o que favorece Trump.
Biden promete barrar o absurdo. Com a aparente reação
de seu partido na apuração, parecem estar garantidas
novas rodadas de ataques à democracia. Prender a
respiração terá mais uma utilidade.

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