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Técnico Auxiliar de Saúde

6567 - Noções gerais sobre o


sistema urinário, genito-urinário
e gastrointestinal.
SISTEMA URINÁRIO 2
Sistema
urinário

Vias
Rins (2)
urinárias

Bexiga Ureteres Uretra


(1) (2) (1) 3
4
RINS

• Dentro do sistema urinário, cabe aos rins a execução do principal


trabalho;
• Têm a forma de um feijão;
• É através deles que ocorrerá a regulação dos níveis iónicos no sangue,
controlo tanto do volume quanto da pressão sanguínea, controlo do pH
do sangue, produção de hormonas e a excreção de resíduos. 5
6
7
O Nefrónio, é uma estrutura microscópica capaz de eliminar

resíduos do metabolismo do sangue , manter o equilíbrio

hidroelectrolítico e ácido-básico do corpo humano, controlar

a quantidade de líquidos no organismo, regular a pressão

arterial e segregar hormonas, além de produzir a urina.

Por esse motivo dizemos que o Nefrónio é a unidade

funcional do rim, pois apenas um nefrónio é capaz de


8
realizar todas as funções renais.
9
10
Formação da urina (3 processos)

Reabsorçã
Filtração
Filtração Secrecção Excreção
o

11
12
URETERES

• Via urinária com cerca de 40cm de comprimento e leva a urina produzida


nos rins, para a bexiga.
• Os ureteres empurram quantidades pequenas de urina sob a forma de
ondas de contração, à baixa pressão;
• Na bexiga, cada ureter passa por uma abertura na parede da bexiga, que se
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fecha quando a bexiga se contrai para evitar que a urina volte para o ureter
(refluxo).
BEXIGA

• É o órgão humano no qual é armazenada a urina, que é


produzida pelos rins;
• É uma víscera oca caracterizada pela sua distensibilidade.

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URETRA

• A uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o exterior do


corpo. Nos homens, a uretra mede cerca de 20 cm de comprimento e
termina na extremidade do pénis. Nas mulheres, a uretra tem cerca de
4 cm de comprimento e termina na vulva (a área dos órgãos genitais
femininos externos). 15
Funções do Sistema Urinário
• Produzir, armazenar e eliminar a urina;
• Regular o volume de sangue;
• Eliminar o excesso de água e resíduos do corpo
humano, através da urina;
• Garantir a manutenção do equilíbrio dos
minerais no corpo humano.
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PATOLOGIAS DO SISTEMA URINÁRIO 17
Retenção urinária

Incontinência urinária

Infecções do trato urinário

Cólica renal

Insuficiência renal 18
Retenção urinária

• É definida como a incapacidade total ou parcial


de esvaziar a bexiga.

Aguda Crónica
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Sinais e Sintomas
• Dificuldade em começar a urinar;
• Dificuldade em esvaziar a bexiga totalmente;
• Gotejamento ou fluxo da urina fraco;
• Perda de pequenas quantidades de urina durante o dia;
• Incapacidade de sentir quando a bexiga está cheia;
• Aumento da pressão abdominal;
• Falta de vontade para urinar;
• Tensão e esforço para forçar a saída da urina da bexiga;
• Micção frequente;
20
• Noctúria (acordar mais de duas vezes à noite para urinar)
Etiologia

Não
Obstrutiva
Obstrutiva
Se
Se houver
houver obstrução,
obstrução,
por
por exemplo,
exemplo, pedra
pedra Inclui
Inclui músculo
músculo fraco
fraco
nos
nos rins,
rins, aa urina
urina não
não da
da bexiga
bexiga ee
consegue
consegue fluir
fluir problemas
problemas nervosos.
nervosos.
livremente.
livremente.

21
Incontinência urinária

• é a perda involuntária do controlo da


bexiga.

22
Gravidez/Parto

Defeitos de
Infecção
nascença

Factores que
podem estar
na origem da
incontinência:

Lesões Envelhecimen
nervosas to

Cirurgia
23
Tipos de
incontinência
Sob a definição geral de incontinência escondem-se
situações muito diversas, desde perdas muito ligeiras e
ocasionais de urina a perdas moderadas e perdas
regulares e mais graves.

Estas situações agrupam-se em quatro grandes grupos, de


acordo a causa das perdas de urina: 24
Incontinência Incontinência
de Esforço de Urgência

Incontinência
Incontinência
por
mista
regurgitação
25
Incontinência urinária de esforço

Perda de urina relacionada


com o esforço, sem sensação
de vontade de urinar ou de
bexiga cheia.
26
Incontinência urinária de urgência

Perda de urina acompanhada ou imediatamente


antecedida por uma vontade súbita ou urgência
27
miccional.
Incontinência urinária mista

28

Perda que associa ambas as anteriores.


Incontinência urinária por regurgitação
(extravasamento)

Ocorre quando existe uma fuga de pequenas quantidades de urina, quando a


bexiga está demasiado preenchida devido a um aumento de pressão. É
normalmente causada por uma obstrução urinária, provocada mais
frequentemente por patologia prostática, ou perda de força dos músculos da
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parede da bexiga, provocado por patologia neurológica.
Infecções do trato urinário

• A Infecção do Trato Urinário (ITU), conhecida popularmente


como infecção urinária, é um quadro infeccioso que pode ocorrer
em qualquer parte do sistema urinário, como rins, bexiga, uretra e
ureteres. Este tipo de infecção é mais comum na parte inferior do
trato urinário, do qual fazem parte a bexiga e a uretra.

30
• Em mais de 95% dos pacientes, a infecção é de origem
bacteriana, sendo a bactéria Escherichia coli (E. coli)
responsável por mais de 3/4 destes casos.
• O local onde a infecção ocorre influencia os tipos, causas e
sintomas.

Pielonefrite (Rins e ureteres)

Cistite (Bexiga)Uretrite (Uretra)

Uretrite (Uretra) 31
Sintomas
Os sintomas dependem do local onde a bactéria se instala. Quando ocorre a
infecção na uretra, pode haver uma urgência e vontade de urinar com frequência,
seguida de dor no canal urinário.

Quando a bactéria infecta os rins, pode causar febre alta, dores nas costas (do lado
do rim infectado), náuseas e vômitos.

Outros sintomas comuns são:


• Urina leitosa com odor acentuado

• Sangue misturado à urina (hematúria)

• Ardência forte ao urinar

• Urina escura (concentrada)

• Dor pélvica 32

• Aumento da frequência de micções


Tratamento
• O tratamento do problema vai depender muito do tipo e gravidade da
infecção. Geralmente, são prescritos antibióticos para combater a bactéria e
analgésicos para aliviar a dor e ardência ao urinar.
• De um modo geral, grande parte das infecções urinárias não complicadas são
completamente eliminadas com sete dias de tratamento. Caso seja
diagnosticada uma infecção urinária alta (rins e ureteres, denominada
pielonefrite) ou uma infecção da próstata, o médico pode prescrever
antibióticos durante duas semanas ou mais.
• Há ainda casos muito graves que exigem tratamento em regime de
internamento, com medicamentos administrados por via endovenosa. Esses 33
quadros geralmente se manifestam com febre, dor, vómitos e náuseas.
Cólica renal

• A cólica renal é uma dor tipo paroxístico (intermitente) que se caracteriza


por um aumento progressivo de intensidade seguido de alivio para depois
se agravar novamente.
• Estas cólicas, poderão variar entre um ligeiro desconforto no flanco e uma
dor violenta com irradiação do flanco até á região inguinal (virilha)
necessitando por vezes de internamento hospitalar afim de se proceder a uma
terapêutica (medicação) eficaz para controlo da dor.
• Durante as crises não existe uma posição antiálgica (que diminua a dor) e os 34
doentes, pelo contrario, ficam em grande agitação, não encontrando alivio
com qualquer posicionamento.
Cólica renal
Litíase renal

35
• Refere-se à presença de “pedras” nos rins.
Sintomas
• desconforto ou dor lombar ("dor ao fundo das costas")
unilateral: frequente;
• presença de sangue na urina (também conhecido por
hematúria), visível a olho nu (hematúria macroscópica) ou
apenas identificado em exame à urina (hematúria
microscópica): frequente;
• saída de “areia litiásica” durante a micção: pouco comum;
• infeções urinárias recorrentes (ou de repetição): variável
consoante o tipo de cálculo.

36
Tratamento

Beber
Medicação muitos
líquidos

37
Tratamento (em caso de litíase)

Beber
Medicação muitos Cirúrgico
líquidos

38
Cirú rgico

Ureteroscopia / Litrotripsia por onda de Nefrolitotripsia


Ureterolitotripsia: choque (LECO) percutânea:
• Sob anestesia, introduz-se um • Sob sedação, o paciente é • Sob anestesial geral, uma
fino aparelho endoscópio na via colocado numa maca na qual pequena incisão é feita na pele
urinária através da uretra até ao está acoplada um gerador que da região dorsal sobre direcção
local onde o cálculo está emite ondas de choque ao rim. Há a introdução de um
localizado, fragmenta-se aspira- mecânico, essas “ondas de aparelho que tem como
se os cálculos. vibração” irão fragmentar os finalidade a fragmentação e
cálculos. aspiração de cálculos.

39
Ureteroscopia / Ureterolitotripsia

40
Litrotripsia por onda de choque (LECO)

41
Nefrolitotripsia percutânea:

42
Duplo J

43
Insuficiência renal

• A insuficiência renal é uma doença provocada pela diminuição


progressiva da função renal;
• Os doentes com insuficiência renal crónica sofrem uma perda lenta e
progressiva das funções dos rins, ou seja, da sua capacidade em
eliminar as substâncias tóxicas produzidas pelo organismo, de manter
adequadamente a água e os minerais do organismo, e de fabricar
hormona;
• As alterações do equilíbrio dos electrólitos ou ácido-base, assim
como a acumulação de produtos residuais, são indicadores de
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insuficiência renal.
Insuficiência Insuficiência
Renal Aguda Renal Crónica
(IRA) (IRC)

Perda
Perda rápida
rápida dada função
função renal
renal que
que pode
pode
ser
ser recuperada
recuperada no no espaço
espaço dede poucas
poucas
semanas.
semanas. As As causas
causas deve-se
deve-se àà
desidratação,
desidratação, intoxicações,
intoxicações, traumatismos,
traumatismos, Perda
Perda lenta,
lenta, progressiva
progressiva ee irreversível
irreversível das
das
medicamentos,
medicamentos, etc. etc. Dependendo
Dependendo funções
funções renais.
renais. Necessário
Necessário fazer
fazer diálise.
diálise.
gravidade
gravidade ee porque
porque aa vida
vida não
não éé possível
possível
sem
sem rins
rins aa funcionar,
funcionar, pode
pode ser
ser necessário
necessário
fazer
fazer diálise
diálise

45
O que é a diálise
O
O termo
termo diálise
diálise éé originário
originário da
da palavra
palavra grega "diálusis",
grega "diálusis", que
que significa
significa separação
separação ee dissolução.
dissolução.
A
A diálise
diálise éé uma
uma técnica
técnica que
que substitui,
substitui, embora
embora apenas
apenas de
de forma
forma parcial,
parcial, algumas
algumas das
das funções
funções do
do rim
rim e,
e, àà
exceção
exceção da
da transplantação
transplantação renal,
renal, não
não existe
existe nenhuma
nenhuma outra
outra alternativa
alternativa para
para atingir
atingir os
os mesmos
mesmos fins.
fins.

Consiste
Consiste em
em colocar
colocar oo sangue
sangue do
do doente 
doente  ee uma
uma solução
solução de
de água
água ee diversas
diversas substâncias
substâncias em
em adequada
adequada
concentração 
concentração  separados
separados por
por uma
uma membrana
membrana de
de poros
poros minúsculos.
minúsculos. ÉÉ através
através destes
destes poros
poros que
que vai
vai ocorrer
ocorrer aa
troca
troca de
de substâncias
substâncias entre
entre oo sangue
sangue ee aa solução
solução preparada
preparada (designada
(designada dialisante
dialisante ou,
ou, na
na gíria
gíria dialítica,
dialítica, “banho
“banho
de
de diálise”).
diálise”).
Durante
Durante oo tratamento
tratamento dialítico,
dialítico, oo sangue
sangue do
do doente
doente vai
vai sendo
sendo “limpo”
“limpo” das
das substâncias
substâncias tóxicas
tóxicas dialisáveis
dialisáveis ee
enriquecido
enriquecido nas
nas que
que se
se encontram
encontram em
em falta.
falta.
Apesar
Apesar de
de aa diálise
diálise não
não substituir
substituir totalmente
totalmente aa função
função dos
dos seus
seus rins,
rins, designadamente
designadamente no
no que
que respeita
respeita àà
produção
produção das
das substâncias
substâncias essenciais
essenciais (eritropoietina
(eritropoietina ee vitamina
vitamina D
D ativa),
ativa), pode
pode proporcionar-lhe
proporcionar-lhe uma
uma qualidade
qualidade
ee uma
uma esperança
esperança de
de vida
vida aceitáveis.
aceitáveis.

A
A diálise
diálise éé um
um tratamento
tratamento definitivo
definitivo para
para os
os doentes
doentes que,
que, em
em virtude
virtude das
das suas
suas características
características individuais,
individuais, não
não
46
possam
possam ser
ser submetidos
submetidos aa transplantação
transplantação renal.
renal. Nos
Nos doentes
doentes candidatos
candidatos aa transplantação,
transplantação, aa diálise
diálise é,
é, apenas,
apenas,
um
um tratamento
tratamento alternativo
alternativo enquanto aguardam
enquanto aguardam (o
(o que
que pode
pode demorar
demorar anos).
anos).
Existem dois tipos:
Hemodiálise
• O tratamento de hemodiálise compreende os princípios físicos de
ultrafiltração (retirada de líquidos) e de difusão (remoção de
toxinas e restos do metabolismo proteico mas também permite
suplementar o paciente com elementos em falta como o
bicarbonato).
• A máquina de hemodiálise é muito complexa mas o seu sector mais
importante é o filtro de diálise, denominado pelos franceses como
“rim artificial”. É nesse filtro que se efetuam as duas funções mais
relevantes da diálise (ultrafiltração e difusão).

Diálise peritoneal
• É realizada através do abdómen, utilizando o peritoneu, com filtro.
Através de um cateter que se encontra inserido no local, é
introduzido a solução de diálise, que permanece no abdómen 47
durante umas horas e absorve as toxinas da circulação sanguínea e
excesso da água do corpo.
Hemodiálise

48
49
Diálise Peritoneal

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51
SISTEMA GENITAL 52
Reprodução Humana
• Para que haja o surgimento de um novo ser – em seres que se
reproduzem sexuadamente – é necessário a união de duas células
sexuais.
• Em 1667, Leeuwenhoek observou pela primeira vez os
espermatozoides com auxílio de um microscópio rudimentar e
concluiu que essas células estavam diretamente ligadas à
reprodução. Com o avanço da ciência, isso foi confirmado no século
XIX.
53
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Sistema Genital/Reprodutor Feminino

• Vulva (2 grandes

Órgãos lábios, 2
pequenos lábios,

externos clitóris, meato


urinário e
vagina)
• Ovários
Órgãos • Vagina
• Trompas de
internos Falópio
• Colo do útero
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57
ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS EXTERNOS
Observando uma mulher deitada, com as pernas afastadas, reconhecer-se-á,
externamente, o conjunto de órgãos sexuais a que se dá o nome de Vulva.

Enumerando cada uma das partes constituintes, temos:

Monte de Vénus
• zona almofadada, constituída por tecido adiposo, que cobre o osso púbico. A partir da
puberdade cobre-se de uma penugem denominada pilosidade púbica.

Grandes lábios
• duas pregas de tecido adiposo que rodeiam e protegem os orifícios vaginal e urinário.
As suas dimensões variam durante a vida da mulher

Pequenos lábios 58
• duas pregas de pele desprovidas de pelo e extremamente sensíveis ao tato. Aquando da
estimulação sexual, dilatam-se e adquirem uma tonalidade mais escura
Clitóris
• Trata-se de um órgão protuberante com a forma de um pequeno botão,
sendo, de todos, o mais sensível dos órgãos sexuais femininos.

Uretra
• meato urinário que se encontra directamente ligado à bexiga

Orifício Vaginal
• que constitui o acesso exterior da vagina

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Hímen
• é uma fina membrana situada no interior do orifício vaginal. Varia muito
de mulher para mulher, tanto no que respeita à forma como às dimensões

Glândulas de Bartholin
(Bartolino)
• situam-se de ambos os lados do orifício vaginal

Períneo
• é uma região cutânea de forma triangular situada entre o extremo dos
pequenos lábios e o ânus. Sob ele encontram-se músculos e tecidos
fibrosos. 60
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ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS INTERNOS

Vagina
• é um canal muscular que se encontra entre a bexiga e o reto. Liga a vulva ao útero.
Em estado de repouso, as paredes da vagina que são revestidas de pregas
longitudinais, estão praticamente unidas. A vagina encontra-se permanentemente
lubrificada por um fluído que aquando da excitação sexual é mais abundante, mas
que também varia com as diferentes fases do ciclo menstrual. Trata-se de uma
secreção de células mortas e de líquido, realizada a partir do colo do útero e da
vagina, e que a lubrifica, mantendo-a imune a germes infeciosos.

Colo do
Útero
• constitui aquilo a que se chama o cérvix. Tem uma forma protuberante, facilmente
palpável se se introduzir o dedo até ao fundo da vagina. Por vezes, porém, isso não
é possível, pois há fases do ciclo menstrual em que o útero muda de posição, o
mesmo acontecendo durante a excitação sexual.
62
Endométrio
• é uma membrana mucosa que reveste as paredes interiores do útero.
Passa, mensalmente, por diversas alterações relativas ao ciclo menstrual

Trompas de Falópio
• são dois ductos simetricamente dispostos em relação à parte superior do
útero, ligando estes aos ovários. O seu comprimento é de cerca de 10 cm

Ovários
• são órgãos de forma ovóide com 3-4 cm de comprimento, onde se
processa a maturação dos óvulos. Correspondem aos testículos do
homem e segregam duas hormonas sexuais femininas: o estrogénio e a
progesterona. Uma vez por mês, um dos ovários liberta um óvulo 63
completamente maduro, o qual se dirige livremente para a extremidade
da trompa de falópio
ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS INTERNOS

Canal
Cervical
• é um estreito canal que liga a vagina à cavidade uterina. A sua forma e a
sua dimensão variam conforme a mulher tenha tido ou não um parto.

Útero
• no seu conjunto, um órgão oco, de tecido muscular, com uma
configuração semelhante a uma pêra e que, salvo no período da gravidez,
tem as dimensões de um limão. Vista de frente, a cavidade uterina tem a
forma triangular.
64
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CICLO SEXUAL FEMININO 66
 O funcionamento dos órgãos sexuais femininos é caracterizado por
transformações cíclicas, nomeadamente no que se refere ao ovário e
ao útero.

 O início do ciclo sexual é marcado pelo primeiro dia da menstruação,


daí a designação de ciclo menstrual.

 A duração de cada ciclo compreende o período de tempo que decorre


até à véspera da menstruação seguinte.

67
A duração média do ciclo menstrual na Mulher é de 28 dias, podendo variar,
segundo indivíduos, com a idade e com outros fatores, como o stress, por
exemplo.

O ciclo menstrual compreende dois ciclos coordenados:

 Ciclo Ovárico – decorre nos ovários e dele resulta a formação de um óvulo


em cada mês.
 Ciclo Uterino – decorre no útero preparando a mucosa uterina para receber
o embrião.

68
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Síntese:

70
71
PROLAPSO UTERINO
O prolapso uterino corresponde à descida do útero para o interior da vagina
causada pelo enfraquecimento dos músculos que mantém os órgãos dentro da
pelve na posição correta, sendo assim considerada a principal causa de útero
baixo

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Principais sintomas:

• Dor na barriga;
• Corrimento vaginal;
• Sensação de algo saindo pela vagina;
• Incontinência urinária;
• Dificuldade em evacuar;
• Dor nas relações sexuais.

73
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Exercícios de Kengel
• Os exercícios de kegel são um tipo específico de exercícios
que ajuda a fortalecer os músculos da região pélvica, sendo
muito importantes para combater a incontinência urinária, além
de aumentar a circulação de sangue no local.
• Para terem resultados, os exercícios de Kegel precisam ser
realizados diariamente, pelo menos 3 vezes por dia, e é
importante saber qual o músculo que precisa ser ativado para
que o fortalecimento da região aconteça de forma eficaz.
75
6 passos - Exercícios de Kengel
• Para fazer os exercícios de Kegel deve-se seguir os seguintes passos:
• Esvaziar a bexiga;
• Identificar o músculo pubococcígeo, que pode ser feita ao
interromper o jato de xixi, por exemplo;
• Voltar a contrair o músculo pubococcígeo depois de urinar para se
certificar que sabe contrair o músculo corretamente;
• Realizar 10 contrações seguidas do músculo, evitando acionar outro
músculo;
• Relaxar por alguns instantes;
• Retomar o exercício, fazendo pelo menos 10 séries de 10 contrações
todos os dias

76
TRABALHO DE PARTO 77
Conjunto de fenómenos mecânicos e
dinâmicos, activos e passivos, que têm por
finalidade e saída da unidade feto-
placentar do útero para o exterior.

Parto – acto fisiológico que corresponde à saída da unidade feto-placentar


para o exterior.
Sinais do inicio do parto

Mudança da posição
do bébe

Expulsão do rolhão
Contracções uterinas
mucoso

Ruptura das
membranas

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Tipos de
parto

Eutócico Distócico

Natural Fórceps Ventosa Cesariana

80
Trabalho de parto
• O trabalho de parto divide-se em 4 períodos clínicos:

1ºPeriodo

•• Fase
Fase da
da Dilatação
Dilatação

2ºPeriodo

•• Expulsão
Expulsão

3ºPeriodo

•• Dequitadura
Dequitadura

4ºPeriodo 81

•• Período
Período de
de Hemóstase
Hemóstase
Fase da dilatação
• Começa no início das contracções regulares e termina com a
dilatação completa.

82
Expulsão
• Começa com a dilatação completa e termina com a saída completa do
feto.

83
Dequitadura
Começa imediatamente após o nascimento e termina com a expulsão da
placenta;
Após a expulsão do feto é seccionado o cordão, segue-se o período de
repouso fisiológico (10 a 15 minutos);
A enfermeira deve estar atenta às manifestações da parturiente e às suas
necessidades.

84
Período de Hemó stase
• Primeiras 2 horas após a dequitadura
• Formação do globo de segurança de pinard (útero fica duro por
contracção permanente e hipertónica das fibras musculares
uterinas)
• Esta contracção permanente das fibras musculares dispostas em
espiral à volta dos vasos sanguíneos vai promover a hemóstase.

85
Duração do Trabalho de Parto
PRIMÍPARA MULTÍPARA
1º período 11-12 Horas 7-8 Horas
2º período 70 minutos 30 minutos
3º período 10-15 minutos 10-15 minutos
4º período 2 Horas 2 Horas

86
Sistema Genital/Reprodutor Masculino

Órgãos •

Pénis
Glande
• Prepúcio
externos • Saco escrotal

• Testículos

Órgãos •

Vesicula seminal
Ducto deferente
• Epidídimo
internos •

Próstata
Glândula bulbouretral
87
88
89
ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS EXTERNOS

Saco escrotal (Escroto)

• Armazena e Protege os testículos


• Possui o músculo cremáster que controla a temperatura
• ↑ Temperatura: bolsa distende (diminui a temperatura interna)
• ↓ Temperatura: bolsa contrai (aumenta a temperatura interna)
• O controlo da temperatura dos testículos é importante para a espermatogénese

Pénis

• Órgão copulador masculino que possui no interior 3 cilindros de tecido


esponjoso (corpos cavernosos) formado por veias e capilares sanguíneos.
Os corpos cavernosos ao encherem-se de sangue provocam a erecção do
pénis. 90
ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS EXTERNOS

Glande

• Parte inicial do pénis, extremamente sensível


à estimulação sexual.

Prepúcio

• Pele que serve de protecção da glande.

91
ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS INTERNOS

Testículos (1 par)

• Produz os gâmetas masculinos (espermatozoides)


• Produz a hormona sexual masculina (Testosterona)

Epididimo

• Local de amadurecimento e armazenamento de espermatozoides

92
ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS INTERNOS

Canal deferente

• Faz a comunicação do epidídimo com a vesicula seminal.

Vesicula seminal

• Produz o liquido seminal, o qual contêm substâncias nutritivas),


principalmente frutose, que irá nutrir os espermatozóides fora do
organismo masculino. 93
ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS INTERNOS

Próstata

• Produz a secrecção prostática (alcalina) que reduz a acidez da vagina, favorecendo


a sobrevivência dos espermatozoides naquele ambiente.

Glândula bulbouretral

• Produz uma secrecção que lubrifica canal da uretra e facilita a


motilidade dos espermatozoides. .
94
DST’S 95
O que são DST’s?
• São infecções causadas por bactéricas, vírus, parasitas ou
fungos, que se transmitem de uma pessoa para a outra através do
acto sexual.
• A maior parte das DSTs afecta tanto homens como mulheres, mas
em muitos casos estas doenças podem causar mais problemas na
saúde das mulheres.
• Os sintomas destas doenças nem sempre são claros. Algumas
delas são assintomáticas, enquanto outras são facilmente
detectadas. Porém, são todas contagiosas e antes de qualquer
relação, deve-se usar sempre protecção, para evitar um possível
contágio.
• Perante qualquer dúvida, e para descartar ou diagnosticar alguma
destas doenças, é importante efectuar uma citologia 96
vaginal (exame papanicolau), análises ao sangue e à urina.
8 DST’s mais comuns …
Clamídia

Candidíase Gonorréia

HPV Sífilis

Tricomoníase VIH/SIDA

Herpes
97
genital
Clamídia
• É considerada a doença bacteriológica mais comum;
• Transmite-se através do sexo vaginal, anal ou oral, e inclusivamente
de mãe para filho durante a gravidez;
• É chamada a “infecção silenciosa” já que normalmente não
apresenta sintomas;
• Pode infectar as células do colo do útero, a uretra e o reto.
• Os principais sintomas são: fluxo abundante, sangramento anormal
e dores ao ter relações sexuais ou a urinar.

98
Gonorréia
• É uma infecção bacteriológica que pode infectar
principalmente a uretra, o colo do útero, o reto e o ânus.
• Os sintomas normalmente surgem entre 1 e 14 dias após a
relação sexual.
• E sintomas podem ser ardor ao urinar, fluxo vaginal
amarelado e irritação do ânus.

99
Sífilis
• É transmitida via sexo oral, vaginal e anal, ou em alguns casos,
através do contacto com a pele de alguém infectado.
• Os sintomas são semelhantes aos da gripe, tornando-se por vezes
difícil de identificar.

100
Herpes Genital
• É semelhante ao que aparece na boca e transmite-se no sexo oral.
Tal como acontece com o herpes labial, quando o vírus entra no
corpo, fica durante toda a vida da pessoa infectada.
• Sobre os sintomas, surgem umas úlceras (ou feridas) à volta da
vagina, que aí costumam permanecer, muito tempo depois do vírus
ter sido contraído.

101
VIH/SIDA
• Este vírus tão conhecido, ataca as células do sistema imunitário e
destrói-as, tornando o corpo incapaz de se defender de outras
infecções. Até ao momento não foi descoberta cura para esta doença.
• Transmite-se através do sangue, de fluídos vaginais, do sémen e do
leite materno.
• Os sintomas não surgem de imediato e a sua presença apenas é
diagnosticada através de um exame ao sangue.

102
Tricomoniase
• É uma DST muito comum, que causa infecção nas células da vagina
e da uretra.
• Os sintomas são, corrimento branco ou com mau odor, comichão ou
ardor vaginal e desconforto abdominal.
• É importante realçar que quase metade das mulheres infectadas, não
apresenta nenhum destes sintomas.

103
Vírus do Papiloma Humano
(HPV)
• Condilomas ou verrugas genitais, são muito comuns e contagiosas.
• Condilomas, são causadas pelo Vírus do Papiloma Humano (VPH).
• Transmite-se através de relações sexuais ou do contacto de pele com
pele.
• Pode chegar a causar cancro do colo do útero.
• E os seus principais sintomas são o aparecimento de verrugas e mal
estar genital.

104
Candidíase
• Considerada também uma infecção vaginal, é causada pelo fungo
cândida que vive na nossa pele, mas que em determinadas ocasiões
se reproduz, causando esta doença.
• São muitos os factores que favorecem o seu aparecimento, desde o
uso de roupa justa, a doenças que afectam o sistema imunitário.
• Este fungo é transmitido através de relações sexuais.
• E causa sintomas como inflamação vaginal e excesso de corrimento
esbranquiçado

105
SISTEMA GASTROINTESTINAL 106
Anatomia do Sistema Digestivo
O sistema digestivo humano é composto por dois grupos de órgãos: os órgãos do tracto
digestivo ou gastrointestinal e os órgãos digestivos acessórios ou anexos.

longo canal que se inicia na boca e termina no


Tracto
Tracto ânus. É constituído por várias estruturas: boca,
digestivo/Tubo
digestivo/Tubo faringe, esófago, estômago, intestino delgado e
digestivo
digestivo intestino grosso.

não fazem parte do tubo, mas estão intimamente


relacionados com ele pelas funções que
Órgãos
Órgãos desempenham no processo digestivo – os dentes, a
acessórios
acessórios ou
ou língua, as glândulas salivares, o pâncreas, o fígado
anexos
anexos e a vesícula.
107
108
Funções do Sistema Digestivo
⁕ Ingestão de alimentos
⁕ Mastigação - Por acção dos dentes o alimento é partido em bocados muito
pequenos tornando mais fácil a acção dos enzimas digestivas.
⁕ Propulsão - Movimento do alimento ao longo do tracto digestivo.
⁕ Secreção de Sucos digestivos - Ao longo do tracto digestivo o alimento é misturado
com secreções, produzidas por várias glândulas, que ajudam a lubrificar, liquefazer,
ajustar o pH e digerir o alimento.
⁕ Digestão - Degradação de grandes biomoléculas nos seus componentes mais
simples.
⁕ Absorção - Deslocação das substâncias do tracto digestivo para a circulação
sanguínea ou para o sistema linfático.
⁕ Defecação - Eliminação de substâncias não digeridas, bactérias, etc. 109
Trato Digestivo - Boca e a Faringe

Boca:

Também referida como cavidade oral


é formada pelos lábios, bochechas,
palatos duro e mole. O palato,
maxilares e ossos palatinos
constituem a maior parte do teto da
boca (abóbada palatina). O restante
é formado pelo palato mole,
muscular. Neste, na parte superior e
atrás existe uma saliência carnuda, a
úvula palatina.

A boca é uma cavidade para onde é


encaminhada a saliva produzida nas
glândulas salivares e que contém a
língua e os dentes.
Faringe:
110
Órgão tubular musculoso que estabelece a ligação, por um lado com a boca e as
fossas nasais e, por outro lado, com a laringe e o esófago.
Trato Digestivo – Esófago e Estômago
Esófago: com cerca de 25cm de comprimento e de constituição semelhante à da
faringe, localizado posteriormente à traqueia, o esófago é o canal que estabelece a
ligação da faringe com o estômago.
Estômago:

É a região mais dilatada do tubo digestivo,


imediatamente abaixo do diafragma,
constituindo uma estrutura em forma de saco
que, no adulto, em média pode acumular 1,5
litros de alimentos e sucos digestivos, no seu
ponto máximo de digestão. Este órgão de
paredes musculosas é constituído por três zonas
distintas:
- fundus (parte alta)
- corpo (parte intermédia)
- antro (porção final)
A ligação entre o estômago e o esófago faz-se
através de um esfíncter (músculo anular,
contráctil, que serve para abrir ou fechar orifícios 111
naturais do corpo) o cárdia. Com o intestino
delgado a ligação estabelece-se com um outro
esfíncter o piloro.
Trato Digestivo – Intestino Delgado
Intestino delgado:

Tubo longo, dobrado sobre si mesmo, com um


diâmetro de 2 a 3 cm e cerca de 3m de comprimento
num indivíduo vivo e 6,5m num cadáver (devido à
diferença no tónus muscular). Sob o ponto de vista
anatómico, apresenta-se diferenciado em três
regiões/segmentos principais:

Duodeno – É a parte mais pequena e corresponde aos


primeiros 25cm de intestino. Tem início no esfíncter
pilórico do estômago e termina no início do Jejuno.
Jejuno – Imediatamente a seguir ao duodeno, o
jejuno é a zona média, tem cerca de 1m e estende-se
até ao íleo;
Íleo – é segmento terminal do intestino delgado, tem
cerca de 2m e abre-se no intestino grosso pela válvula
íleo-cecal. 112
O intestino delgado é um órgão que está especialmente adaptado para a absorção de nutrientes
como resultado do seu grande comprimento e das modificações da estrutura da sua parede,
nomeadamente, as pregas e as vilosidades intestinais.
Trato Digestivo – Intestino Grosso
Intestino Grosso:

Tem cerca de 1,5m de comprimento e 6,5cm de


diâmetro, estende-se do íleo até ao ânus. Compreende
4 partes principais: o ceco/cego, ao qual está ligado o
apêndice; o cólon, o recto e o canal anal.

O Cólon é dividido em porções:


• um segmento ascendente à direita do abdómen, o
cólon ascendente;
• um segmento transversal, o cólon transverso;
• um segmento à esquerda, o cólon descendente;
• cólon sigmóide - que é continuado pelo recto.

A parte terminal do recto (os últimos 2 a 3cm)


corresponde ao canal anal que se abre para o exterior 113
pelo ânus.
Ó rgãos digestivos acessó rios
Língua – é um órgão musculoso onde estão localizadas (na face superior e nas margens) as
papilas gustativas responsáveis pelos quatro sabores dos alimentos: doce, amargo, ácido e
salgado.
Glândulas salivares – são glândulas formadas por um grande número de pequenos “sacos”
agrupados em cacho, que lançam os produtos da sua secreção, a saliva, na cavidade bucal por
canais muito finos, os ductos. São em número de três pares:

Glândulas parótidas (2) – localizadas uma de


cada lado da cabeça, nas bochechas, logo à
frente dos ouvidos. São as maiores glândulas
salivares

Glândulas sublinguais (2) – situadas por baixo


da língua, na parte da frente da boca. Possuem
muitos canais minúsculos que libertam saliva por
baixo da língua;

Glândulas submandibulares (2) – situadas na 114


parte de trás da boca, profundamente debaixo da
língua.
Ó rgãos digestivos acessó rios
Dentes

Estruturas acessórias implantadas nos alvéolos


ósseos dos maxilares. Os alvéolos são recobertos
por gengiva e revestidos internamente pelo
ligamento periodontal, um tecido conjuntivo
fibroso denso que fixa os dentes ao osso,
mantendo-os em posição, e actua como um
absorvente de choques durante a mastigação. Um
dente apresenta três regiões:
- Coroa – região visível fora da gengiva;
- Colo – zona de junção entre a coroa e a raiz,
situada ao nível da gengiva;
- Raiz – parte implantada no alvéolo maxilar.
Fixa o dente ao alvéolo.
115
Em corte longitudinal pode ver-se que cada dente é constituído por várias estruturas:
Esmalte – Substância semelhante ao osso, que recobre a coroa. É a substância mais dura do corpo (constituída
por fosfato e carbonato de cálcio) e está protegida por uma cutícula ainda mais resistente. Protege o dente do
desgaste da mastigação e é uma barreira contra os ácidos que dissolvem facilmente a estrutura que se encontra
por baixo, a dentina.
Dentina/marfim – substância dura com consistência semelhante à dos ossos, que entra na constituição de quase
todo o dente e lhe confere a forma básica e rigidez.

Cavidade pulpar – espaço na coroa, envolvido pela dentina, que é preenchido por polpa dentária - tecido
conjuntivo, que contem vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos. Extensões estreitas da cavidade pulpar
penetram na raiz.

Cimento – outra substância semelhante ao osso, que recobre a dentina da raiz e que fixa a raiz do dente ao
ligamento periodontal.

116
Atendendo à sua forma, existem diferentes tipos de dentes, com funções específicas na mastigação.
No adulto existem, em cada metade de maxilar:
2 incisivos - de coroa cortante, em forma de bisel, cortam os alimentos;
1 canino - de coroa pontiaguda, para lacerar e rasgar os alimentos;
2 pré-molares - de coroa larga com dois tubérculos arredondados e raiz, a maior parte das
vezes simples; esmagam e trituram os alimentos);
3 molares - de coroa larga com quatro tubérculos e raiz dupla, tripla e por vezes quádrupla;
esmagam e trituram os alimentos).

117
Os seres humanos têm 2 conjuntos de dentes. Os decíduos, dentição de leite, começam a surgir
por volta dos 6 meses de idade. Esta primeira dentição contém apenas 20 dentes (faltam os
grandes molares), que vão sendo perdidos entre os 6 e os 12 anos de idade. A dentição
permanente surge entre os 6 anos e a vida adulta. Existem 32 dentes numa dentição permanente
e completa.

118
Ó rgãos digestivos acessó rios
Fígado
É a maior glândula do nosso corpo, de cor
castanho-avermelhada, com cerca de 1,5Kg,
situada sob o diafragma, do lado direito. O
fígado é dividido pelo ligamento falciforme
em 2 lóbos: lobo direito e lobo esquerdo. Os
lobos são compostos por unidades funcionais
denominadas lóbulos. Um lóbulo consiste em
fileiras de hepatócitos que segregam bílis que,
através de canais hepáticos, vai acumular-se
na vesícula biliar.

A bílis produzida pelos hepatócitos entra nos


ductos ou canais hepáticos direito e esquerdo
que se unem formando o canal hepático comum.
Este une-se ao canal cístico da vesícula biliar
formando o canal colédoco que entra no 119
duodeno. O canal colédoco frequentemente une-
se ao ducto pancreático.
Vesícula Biliar

Estrutura em forma de saco localizada por baixo do fígado. A vesícula biliar armazena a bílis que
é continuamente segregada pelo fígado. Na vesícula a bílis é concentrada e após cada refeição a
vesícula contrai-se lançando grandes quantidades de bílis no intestino delgado.

Pâncreas
Está localizado por baixo do estômago, mede entre 10 a 20cm de comprimento. É uma glândula
alongada com a parte mais larga alojada na primeira dobra do intestino delgado.
É uma glândula mista. Possui dois tipos de células:
- pequenos grupos de células epiteliais glandulares, as ilhotas pancreáticas ou de Langerhans,
que constituem a porção endócrina do pâncreas e que produz as hormonas glucagon e insulina
que lança no sangue.
- os ácinos, glândulas exócrinas que segregam uma mistura de enzimas digestivas denominado
suco pancreático que é conduzido através de um canal excretor – canal pancreático – ao
intestino delgado (duodeno), o qual abre junto ao ponto de chegada do canal colédoco.

120
Fisiologia da Digestão
A digestão é um processo sequencial e progressivo que se inicia na boca e continua ao longo
do tubo digestivo até ao intestino delgado e, através do qual o organismo obtêm os
nutrientes que necessita para o seu normal funcionamento. Neste processo intervêm
fenómenos mecânicos, sendo os alimentos reduzidos a partículas sucessivamente mais
pequenas, permitindo uma acção mais eficiente dos sucos digestivos, pois aumenta
grandemente a superfície sobre a qual esses sucos vão actuar, a fragmentação faz aumentar
a relação superfície externa-volume.
Os sucos digestivos provocam nos alimentos alterações químicas pelas quais as moléculas
complexas são transformadas em moléculas sucessivamente mais simples. As moléculas
de pequenas dimensões, como a água e os sais minerais, não são digeridas. Todas as
moléculas simples podem atravessar as paredes do intestino e passar para o meio interno.
Daí que a nível do recto quase não apareçam.

Há nutrientes que, apesar de complexos, não experimentam qualquer transformação química


durante o processo digestivo. É o que acontece com as fibras vegetais em que a quantidade
ingerida é igual à quantidade expelida nas fezes.
Todas as reacções químicas de digestão são possíveis devido à existência de determinadas 121
substâncias activas nos sucos digestivos que se designam por enzimas – catalizadores
biológicos.
A digestão na boca e a deglutição
A digestão inicia-se na boca. Aí os alimentos experimentam a acção de um processo
mecânico e de outro químico que conduzem à formação do bolo alimentar.

Acção mecânica – através de movimentos contínuos da língua, bochechas, lábios e


dentes, os alimentos são cortados, rasgados e triturados, ficando reduzidos a pequenas
fracções – mastigação. Posteriormente, são ensalivados e formam uma massa macia
mais ou menos homogénea o bolo alimentar.
Acção química – a saliva para além de amolecer e lubrificar os alimentos, possui a
amilase, que catalisa a transformação química do amido (glícido). O amido é
transformado em moléculas mais pequenas de maltose.

122
Formado o bolo alimentar, surge a necessidade de ser deglutido passando para a faringe. Na
faringe oferecem-se três vias ao bolo alimentar: via nasal, via respiratória e via digestiva através
do esófago.
Automaticamente, o véu do palatino fecha a passagem para as fossas nasais, a epiglote fecha a
passagem para a laringe (via respiratória), ficando apenas livre a passagem para o esófago, órgão
através do qual o bolo alimentar prossegue o seu trajecto. É a deglutição.

No esófago o bolo alimentar prossegue até ao estômago devido a movimentos involuntários dos
músculos da parede daquele órgão que produzem ondas de contracção, os movimentos
peristálticos.

123
Durante este percurso, a amilase salivar continua a actuar sobre o amido. O bolo alimentar ao
chegar ao cárdia, provoca a abertura deste permitindo que a massa alimentar entre no
estômago.

124
A digestão no estô mago
Chegado ao estômago, o bolo alimentar vai ser
transformado numa pasta homogénea designada
quimo. Esta transformação ocorre devido a dois tipos
de acção:

Acção mecânica – devido à acção dos músculos da


parede do estômago, a massa alimentar fica sujeita a
movimentos de deslocação em sentidos alternos: do
cárdia para o piloro, roçando pelas paredes do
estômago, e do piloro para o cárdia pela zona central–
movimentos peristálticos. Tais movimentos provocam
uma dilaceração mecânica dos alimentos, facilitam a
mistura dos alimentos com os produtos segregados
pelas glândulas gástricas e permitem a sua progressão
até atingirem o duodeno.
Acção química – esta ocorre devido, essencialmente, à
acção do suco gástrico, que é segregado, não de forma
contínua, mas pela presença de alimentos na boca e/ou
no estômago, por glândulas localizadas na parte interna
da parede estômago – glândulas gástricas ou 125
estomacais e do ácido clorídrico que é produzido em
células especiais da parede estomacal.
A digestão no intestino delgado
À semelhança do estômago, também no intestino delgado a digestão ocorre por acção de dois
processos:

Acção mecânica – o quimo entra no intestino delgado e, através de movimentos peristálticos, vai
progredindo até ao intestino grosso. Durante este percurso são-lhe misturados, constantemente, os
sucos digestivos que actuam no intestino, que transformam a massa num líquido denso e de
aspecto leitoso, o quilo.

Acção química – os sucos pancreático e intestinal contêm vários enzimas que vão actuar sobre as
moléculas complexas que ainda estão intactas e sobre aquelas que resultaram já da digestão
parcial experimentada na boca ou no estômago. Assim, dá-se, no intestino delgado, a completa
digestão de todo o tipo de nutrientes passíveis de transformação.

Depois deste conjunto de transformações obtém-se um líquido leitoso, o quilo, razão pela qual a
digestão intestinal também se designa por quilificação.

Bílis – líquido viscoso, de cor amarelo-esverdeada, desinfectante. É segregado no fígado, armazenado na


vesícula e libertado no duodeno, durante as refeições. A bílis é destituída de enzimas sendo a sua função
digestiva essencialmente física - neutraliza a acidez do quimo e actua sobre os lípidos, emulsionando-os 126
(função semelhante à do sabão), isto é, dividindo-os em gotículas de pequenas dimensões – emulsão dos
lípidos – e permitindo, assim, uma melhor actuação das lípases de outros sucos digestivos. A bílis é ainda
um bom lubrificante intestinal.
Absorção intestinal
 A parede interna do intestino delgado
apresenta pregas, válvulas coniventes,
que possuem numerosas saliências, as
vilosidades intestinais . Estas, por sua
vez, estão cobertas de microvilosidades.
A existência destas estruturas torna a
superfície interna do intestino
extraordinariamente maior do que as
suas dimensões, permitindo um melhor
contacto entre os nutrientes e a parede
intestinal, o que facilita a passagem para
o meio interno das moléculas simples,
resultantes da digestão, absorção
intestinal.

127
Defecação – Intestino Grosso
Na parede deste intestino ocorre alguma absorção de água e sais minerais. Este órgão é como
um “armazém” de substâncias não digeridas, nem digeríveis.
Os restos alimentares, enquanto se encontram no intestino grosso, passam por uma série de
transformações em consequência da actuação da flora microbiana. Esta desenvolve-se à custa
dos resíduos alimentares, das secreções intestinais e da própria escamação das paredes
intestinais.
As fezes, restos alimentares, mais ou menos sólidos, cujo aspecto depende da quantidade de
água que não foi absorvida e da bílis, são eliminadas para o exterior, pelo ânus, com a
contracção voluntária dos músculos de recto e do abdómen. A este último acto digestivo dá-se
o nome de defecação.
Composição média das fezes (150g/dia)
Água 117g
Celulose 20g
Lípidos 2g
Prótidos valores inferiores a 60mg
Pigmentos biliares 250g 128
Amido Vestígios
Microrganismos intestinais 11g
Semiologia do Abdómen

Parte da medicina que trata dos sinais ou sintomas das doenças humanas.

129
Divisão do Abdómen

130
Quadrantes do Abdó men

131
132
133
DISTÚ RBIOS GASTROINTESTINAIS 134
O que são doenças gastrointestinais?

• As doenças gastrointestinais são aquelas que afectam os órgãos


do sistema digestivo como o esófago, o estômago e os
intestinos, e outros órgãos como o pâncreas, o fígado e a
vesícula biliar.

135
Distúrbios Vómito
gastrointestinais
Diarreia
Obstipação
Fecalomas
Hemorragia Gastrointestinal (Alta ou Baixa)
Hemorróidas
Hérnia do hiato
Esofagite
Doença de Crohn
Colite ulcerosa
Diverticulose
Doença Celíaca
Apendicite
Gastrite
Úlceras pépticas
Pancreatite 136
Hepatite
Cancro Colo-retal
Vó mito
• Quando comemos ou bebemos demais ou a comida ingerida está deteriorada,
o encéfalo põe em ação um sistema de emergência para eliminar o conteúdo
estomacal: o vómito. Contrações da musculatura abdominal pressionam o
estômago, fazendo com que o conteúdo estomacal suba pelo esôfago, saindo
pela boca. O gosto ácido característico do vómito é decorrente do suco
gástrico que está misturado ao alimento.

137
Diarreia
• É um processo em que a pessoa defeca várias vezes em um curto intervalo
de tempo, devido ao aumento dos movimentos peristálticos intestinais. A
diarreia leva à rápida eliminação do conteúdo intestinal e pode ocorrer
devido à ingestão de alimento deteriorado, por nervosismo ou por alergia a
certos tipos de alimentos, entre outras causas. O trânsito intestinal acelerado
não dá o tempo necessário à absorção normal da água, resultando em fezes
aquosas, podendo levar à desidratação.

138
Obstipação (prisão do ventre)
• Ao contrário da diarreia, os movimentos
peristálticos estão diminuídos. A causa mais
frequente é a alimentação inadequada, com
poucas fibras vegetais. A massa fecal se
resseca, devido a sua permanência prolongada
no intestino grosso, dificultando a defecação.
A prisão de ventre pode ser aliviada pela
ingestão de alimentos ricos em fibras não
digeríveis, que aumentam o volume da massa
alimentar, estimulando o peristaltismo e a
maior velocidade do trânsito intestinal.
139
Fecalomas
• O fecaloma corresponde à massa de
fezes endurecida e seca que
pode ficar acumulada no reto ou na
porção final do intestino,
impedindo a saída das fezes e
resultando em inchaço abdominal,
dor e obstrução crónica do
intestino.
• Essa situação é mais comum em
pessoas acamadas e idosos devido à
diminuição dos movimentos
intestinais, além disso, pessoas que
não possuem alimentação adequada
ou que não praticam atividades
físicas estão mais propensas à
140
formação do fecaloma.
141
142
Hemorragia Gastrointestinal
• A hemorragia digestiva
consiste na perda de sangue
através de qualquer ponto do
tubo digestivo (esófago,
estômago, intestino delgado,
intestino grosso ou canal anal).
• A hemorragia digestiva não é
por si só uma doença mas sim
uma manifestação clínica de
uma patologia subjacente.
Embora na maioria dos casos a
hemorragia digestiva se associe
a patologias com pouca
gravidade, esta pode ser a
manifestação de uma doença
grave e potencialmente fatal.
• Os sintomas da hemorragia
variam consoante o local de 143
origem no tubo digestivo e a
sua gravidade.
• Perdas de sangue em pequena quantidade podem não condicionar
sintomas e manifestar-se apenas por alterações em análises de sangue
(anemia por carência de ferro) ou de fezes (sangue oculto nas fezes).

HDA HDB
• Hematemeses • Hematoquézias
(vómitos com
sangue digerido)
• Melenas (fezes
muito escuras e
mal cheirosas,
sangue digerido)
144
Hemorró idas
• As hemorróidas podem localizar-se em redor do ânus (hemorróidas
externas) ou dentro do ânus e na porção mais baixa do
reto (hemorróidas internas). Os 2 tipos de hemorróidas, externas e
internas, podem coexistir.

Quais
Quais são
são as
as causas
causas das
das hemorroidas?
hemorroidas?
As
As causas
causas de
de hemorróidas
hemorróidas são diversas.
são diversas. Entre
Entre as
as várias
várias causas
causas conhecidas
conhecidas para
para
as
as hemorróidas,
hemorróidas, incluem-se:
incluem-se:
-- A
A obstipação,
obstipação, associada
associada ao
ao esforço
esforço durante
durante aa defecação;
defecação;
-- A
A diarreia
diarreia com
com expulsão
expulsão contínua
contínua de
de fezes
fezes moles;
moles;
-- A
A permanência
permanência em
em pé
pé ou
ou sentado
sentado durante
durante períodos
períodos de
de tempo
tempo prolongados;
prolongados;
-- A
A obesidade;
obesidade;
145
-- A
A gestação
gestação ee oo parto;
parto;
-- A
A predisposição
predisposição hereditária.
hereditária.
Hérnia do Hiato
• O diafragma é um músculo que separa o tórax do abdómen.
• Este músculo tem um pequeno orifício (hiato) que permite a passagem do
esófago para a cavidade abdominal, de forma a unir-se ao estômago.
• Habitualmente todo o estômago encontra-se abaixo do diafragma, na
cavidade abdominal. A hérnia do hiato ocorre quando existe um
deslizamento da porção mais alta do estômago para o tórax, através do hiato
do diafragma.

146
Esofagite
• A esofagite corresponde à inflamação do esófago, que é o canal que liga a
boca ao estômago, levando ao surgimento de alguns sintomas, como por
exemplo azia, gosto amargo na boca e dor de garganta, por exemplo.

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O refluxo ácido é, de longe, a causa mais


comum de esofagite (também denominada
doença de refluxo gastro-esofágico ou
DRGE).

147
Doença de Crohn
• A Doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica do intestino. A
inflamação pode afectar qualquer parte do tubo digestivo, sendo as zonas
mais comummente envolvidas a porção terminal do intestino delgado e o
intestino grosso.

148
Colite Ulcerosa
• A colite ulcerosa é uma doença
inflamatória crónica do intestino (tal
como a doença de Crohn), que afeta a
camada que reveste internamente o
intestino grosso ou cólon.
• Esta camada, chamada mucosa, fica
inflamada e apresenta pequenas feridas
na superfície que podem sangrar. A
mucosa inflamada produz ainda uma
quantidade excessiva de lubrificante
intestinal, que pode conter pus e sangue.
• A colite ulcerosa pode afetar uma
extensão variável de intestino grosso
(desde apenas alguns centímetros do
149
reto até à totalidade do cólon).
Diverticulose
• Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do
tubo digestivo, sendo a sua ocorrência mais frequente no intestino
grosso (cólon) e nos países ocidentais. A presença de múltiplos
divertículos designa-se por diverticulose.

150
Doença Celíaca
• A doença celíaca é a intolerância permanente ao glúten presente nos
alimentos. Isso acontece porque o corpo não produz ou produz pouca
enzima capaz de degradar o glúten, o que provoca uma reacção do
sistema imune que resulta em lesões no intestino.

O glúten é um tipo de proteína


que pode ser encontrada nos
cereais como trigo, centeio
ou cevada, que ajuda os alimentos
a manter sua forma, actuando
como uma espécie de cola, que
garante uma maior flexibilidade e
uma textura particular.
151
Apendicite
• A apendicite é a inflamação, a maior parte das vezes associada a infecção, de
uma parte do intestino conhecida como apêndice, que se localiza na parte
inferior direita do abdómen.
Os sintomas mais comuns da apendicite são:

- dor com início, habitualmente, na parte média


do abdómen, mal definida, que com o tempo,
evolui para dor intensa e localizada no
quadrante inferior direito do abdómen
- náuseas e vómitos
- perda de apetite
- obstipação ou diarreia
- febre, nos casos mais evoluídos

152
Gastrite

• A gastrite é o termo que define um conjunto de situações que se


caraterizam por inflamação do revestimento interno (mucosa)
do estômago.
• As gastrites podem ocorrer de uma forma súbita, designando-se neste
caso de gastrite aguda, e resultam habitualmente do efeito nocivo de
certos químicos e agentes infecciosos sobre a mucosa gástrica.
• As gastrites crónicas, que são situações mais frequentes do que as
anteriores, evoluem lentamente ao longo do tempo e podem ser
totalmente assintomáticas. A inflamação crónica da mucosa gástrica
pode resultar na sua atrofia, definida pela perda das glândulas e
diminuição da espessura total da mucosa, condições que 153
proporcionam a formação de úlceras e aumentam o risco de
desenvolvimento de cancro gástrico
Ú lceras pépticas
• Úlcera péptica é a erosão em um segmento de mucosa gástrica,
classicamente no estômago (úlcera gástrica) ou nos primeiros centímetros do
duodeno (úlcera duodenal), que penetra a mucosa muscular. Praticamente
todas as úlceras são causadas por Helicobacter pylori uso de um anti-
inflamatório não esteroide (AINE).

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Pancreatite
• A pancreatite é o termo utilizado para designar a inflamação do pâncreas. O
pâncreas e um órgão que produz enzimas envolvidas na digestão (pâncreas
exócrino) e é também responsável pela produção de hormonas (pâncreas
endócrino).
• A inflamação do pâncreas, designada pancreatite pode ser aguda ou crónica.
Enquanto que as pancreatites aguda e crónica podem ter causas semelhantes,
tendem, no entanto, a seguir cursos bastante diferentes.
• A pancreatite aguda refere-se à inflamação do pâncreas que causa dor
abdominal violenta súbita. O processo inflamatório pode envolver os
órgãos/tecidos locais ou resultar na falência de órgãos à distância.
• A pancreatite crónica diz respeito à destruição do pâncreas pela inflamação de
longa data. A inflamação contínua resulta invariavelmente no desenvolvimento
de insuficiência pancreática que corresponde à incapacidade do pâncreas
funcionar normalmente.
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• Os doentes com pancreatite crónica necessitam de cuidados a longo prazo para
minimizar os sintomas (sobretudo a dor abdominal), reduzir a progressão do
dano estrutural do pâncreas e resolver as complicações.
Hepatite
• Uma hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter diversas causas,
sendo as mais comuns os vírus. A hepatite ocorre quando o fígado que é
responsável, por exemplo, pela digestão, armazenamento de energia ou
remoção de toxinas, fica comprometido e não desempenha as suas funções
correctamente. Esta inflamação pode desaparecer espontaneamente ou
progredir para fibrose (cicatrizes), cirrose ou cancro do fígado.

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• As hepatites podem ser provocadas por agentes infeciosos,
como vírus, ou pelo consumo de produtos tóxicos como o
álcool, medicamentos e algumas plantas. Ao todo, existem seis
tipos diferentes de vírus da hepatite.
• Existem também hepatites autoimunes em que o próprio
sistema imunitário, sem qualquer razão aparente, começa a
desenvolver autoanticorpos que atacam as células do fígado em
vez de as protegerem. Esta hepatite, ao contrário da hepatite
viral, atinge sobretudo as mulheres, entre os 20 e os 30 anos e
entre os 40 e os 60 anos. Geralmente transforma-se numa
doença crónica e evolui quase sempre, quando não é tratada,
para cirrose.

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• A gravidade da doença é variável conforme o tipo de hepatite.
Em muitos casos, esta doença não se associa a quaisquer
sintomas. No entanto, quando se manifesta, os sinais mais
comuns são a fadiga, a perda de apetite, náuseas, vómitos,
diarreia, urina escura (coluria), fezes claras (acolia), dores
abdominais, coloração amarela da pele e dos
olhos (icterícia).

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Cancro Colo-retal
• O cancro do cólon e/ou do recto é, também, chamado cancro colo-rectal. O cancro que tem início no

cólon, chama-se cancro do cólon e o cancro que tem início no recto, chama-se cancro rectal. O cancro

que afecte qualquer um destes órgãos pode, também, ser chamado de cancro colo-rectal.

• Quando o cancro colo-rectal se dissemina, ou metastiza, para fora do cólon ou do recto, as células

cancerígenas são, muitas vezes, encontradas nos gânglios linfáticos vizinhos. Se as células cancerígenas

já tiverem atingido estes gânglios, é provável que se tenham disseminado, também, para outros gânglios

linfáticos, ou mesmo para outros órgãos, como o fígado.

• Quando o cancro metastiza, do seu local de origem para outra parte do corpo, o novo tumor tem o

mesmo tipo de células "anormais" e o mesmo nome que o tumor primário. Por exemplo, se o cancro

colo-rectal metastizar para o fígado, as células cancerígenas no fígado são, na verdade, células de cancro

colo-rectal, agora metastizado e não cancro do fígado (ou hepático). Por essa razão, a pessoa irá receber

tratamento para o cancro colo-rectal e não para cancro do fígado - os tratamentos são diferentes,
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consoante o tipo de tumor.
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