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Mecanismos de

Defesa
• A imunidade é a capacidade que o organismo tem, por
diversos processos fisiológicos, de reconhecer substâncias
estranhas, células alteradas ou mortas e agentes infeciosos,
neutralizá-los e eliminá-los.
• O sistema imunitário e o sistema linfático estão intimamente
relacionados na função de defesa do organismo.

• Os sistemas linfático e imunitário consistem na linfa, vasos


sanguíneos, tecido linfático e medula óssea.
• Uma das funções do sistema linfático é a produção de
leucócitos.
• Imagem pág 139
• A resposta imunitária depende de dois grupos de leucócitos
(glóbulos brancos): os linfócitos e os fagócitos.

• Os linfócitos, durante a diferenciação, adquirem na superfície


da membrana proteínas que podem funcionar como recetores
de agentes estranhos ao organismo.
• Os fagócitos são células com capacidade de englobar, ingerir e
digerir partículas estranhas ao organismo.
• Imagem pág. 141
• A defesa interna de qualquer individuo resulta na capacidade
que o organismo tem de distinguir o que é seu do que não é.
• Nos vertebrados (caso do homem) existem dois tipos de
mecanismos de defesa, com processos de atuação diferentes:
os mecanismos de defesa não específica, também chamada
imunidade natural ou inata e os mecanismos de defesa
específica ou imunidade adquirida.
• Os mecanismos de defesa não específica impedem a entrada
de agentes patogénicos ou destroem-nos quando estes
invadem o organismo. Atuam sempre da mesma forma,
independentemente o agente infecioso.
• Os mecanismos de defesa específica só vão ser ativados se os
primeiros não controlam a infeção. Estes são eficazes e
específicos contra elementos estranhos.
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• Nos mecanismos de defesa não específica, a primeira defesa
do organismo reside na superfície que está em contacto com o
meio ambiente, nomeadamente a pele, os pelos e as mucosas
que revestem o interior das cavidades do corpo e que
contactam com o exterior: por exemplo a mucosa da traqueia
que segrega muco e ao qual se fixam as partículas inaladas
pelo organismo.
• As enzimas e as secreções sintetizadas pela pele e mucosas
impedem que os agentes estranhos entrem no organismo.
• Quando alguns microrganismos conseguem entrar no
organismo, desenvolve-se uma resposta inflamatória que se
traduz numa sequência de processos que têm como principal
objetivo destruir esses microrganismos.
• Existem três etapas na reação inflamatória:
• Vasodilatação e aumento da permeabilidade dos vasos
sanguíneos;
• Migração de fagócitos para o tecido lesado;
• Reparação parcial ou total dos tecidos.
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• Os antigénios podem ser proteínas ou polissacáridos que
existem nos microrganismos patogénicos, toxinas por eles
produzidas, células lesadas ou mortas, células de outras
pessoas, tecidos enxertados, órgãos transplantados, pólen,
certos alimentos, etc.
• Na presença de antigénios, o organismo desencadeia
mecanismos de defesa.
• Nos mecanismos de defesa específica, a resposta imunitária
contra antigénios ocorre em três momentos:
• Reconhecimento – o antigénio é reconhecido como um elemento
estranho ao organismo;
• Reação – o sistema imunitário reage, ativando os mecanismos
específicos;
• Ação – os constituintes do sistema imunitário destroem ou
inativam os antigénios.
• O sistema imunitário possui uma característica muito
importante que é a capacidade de reconhecer antigénios que
anteriormente tenham invadido o organismo e provocado
infeção, ou seja, vai memorizando os antigénios com os quais
já esteve em contacto, para que numa posterior invasão ative,
rapidamente, os mecanismos de defesa antes que os agentes
provoquem uma nova infeção.
• A resposta imunitária específica pode ser de dois tipos:
• Mediada por anticorpos;
• Mediada por células.
• Na imunidade mediada por anticorpos, estes são
glicoproteínas produzidas pelos linfócitos B capazes de se
combinarem com os antigénios específicos que induziram a
sua produção, inativando-os.
• A resposta imunitária mediada por anticorpos ocorre,
principalmente, contra antigénios presentes nos fluidos
corporais.
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Imunoglobulinas
• São anticorpos – glicoproteínas do tipo gamaglobulina,
abreviadas por Ig.
Existem 5 tipos de
imunoglobulinas:
• IgG – a mais abundante no sangue e que atravessa a placenta.
• Neutraliza os microrganismos e as suas toxinas.
• IgA – a mais abundante nas secreções exócrinas.
• Protege as superfícies externas do corpo (saliva, lágrimas, etc.).
• Neutraliza os microrganismos e as suas toxinas.
• IgE – após a fixação ao antigénio, liberta substâncias (histaminas)
responsáveis pela reação alérgica.
• IgM – produzida após o estímulo do antigénio, sendo eficiente na
aglutinação bacteriana.
• IgD – é encontrada em grande quantidade na membrana dos
linfócitos B.
• A sua função biológica ainda não é bem conhecida.
• É usada em grávidas com sangue Rh- para evitar eritroblastose fetal.
• Os anticorpos são constituídos por quatro cadeias
polipeptídicas: duas cadeias leves e duas cadeias pesadas.
• A região variável da molécula do anticorpo permite
reconhecer o antigénio específico.
• A reação antigénio-anticorpo depende do tamanho e da
forma destas moléculas, à semelhança de uma ligação chave-
fechadura.
• Na imunidade mediada por células, os linfócitos T são
chamados a intervir, sendo capazes de reconhecer alguns
antigénios através de recetores que possuem nas superfícies
das suas membranas.
• Após a ativação dos linfócitos T, estes dividem-se, formando
um conjunto de células capazes de reconhecer o seu
antigénio.
• Este processo de ativação e proliferação de linfócitos T ocorre
em gânglios linfáticos que se tornam hipertrofiados.
• Uma das principais formas de atuação destes linfócitos é
libertar proteínas que atraem os macrófagos para
desenvolverem a resposta fagocitária.
• Após uma infeção que desencadeie mecanismos de defesa
específicos, o organismo também produz células de memória
para que numa posterior infeção com os mesmos antigénios
estes sejam rapidamente reconhecidos e os mecanismos de
defesa sejam desencadeados mais rapidamente.
• Cada país tem um programa nacional de vacinação adequado
às suas características epidemiológicas, sociais e sanitárias.
• Este programa obedece a uma ordem cronológica, sendo
administradas associações de vacinas no sentido de imunizar o
indivíduo e a sociedade em geral.
• A vacinação deve ser encarada como um dever social,
necessário à melhoria da qualidade de vida e da saúde de uma
comunidade.
• As vacinas são produtos antigénicos de infeciosidade
atenuada que após inoculação no individuo levam ao
aparecimento de imunidade por mecanismos idênticos aos
desencadeados pelos próprios agentes infeciosos, ou seja,
pela formação de anticorpos específicos.
• Esta imunidade persiste meses ou anos e, por vezes, implica
uma nova administração, um reforço.
• Por vezes as defesas do organismo não são suficientes, sendo
necessário o uso de medicamento, por exemplo o uso de
antibióticos para debelar uma infeção bacteriana.
• As bactérias tem desenvolvido numerosas estratégias para
resistir à ação dos antibióticos e dos agentes bacterianos.
• Em muitos serviços hospitalares a utilização de antibióticos é
muito intensa, o que gera uma enorme pressão seletiva que
leva as bactérias a adquirirem meios de resistência aos
antibióticos.
• O controlo da resistência aos antimicrobianos é um grande
desafio.
• Se a microbiologia médica não for bem-sucedida em tal
desafio, entrar-se-á na era pós-antibiótica.
Desequilíbrios do
Sistema Imunitário
• Quando o sistema imunitário apresenta algumas deficiências,
torna o organismo mais vulnerável contra substâncias que,
normalmente, são por ele toleradas, desencadeando reações
de hipersensibilidade.
• Estas reações resultam de uma incorreta utilização da
imunidade por o sistema imunitário do individuo considerar
antigénios os agentes químicos inofensivos, certos alimentos,
o pó, o pólen, as células de outros organismos, etc.
• Existem dois tipos de hipersensibilidade:
• a imediata – relacionada com a produção de anticorpos, sendo,
em geral, rápida (ex: reação anafilática provocada por ácaros,
alguns alimentos, látex, etc.).
• e a retardada - relacionada com a imunidade celular e com a
intervenção dos linfócitos T (ex: reações a transplantes, enxertos
de tecidos, etc.).
• A rejeição de um órgão ou tecido pelos linfócitos T condiciona
o êxito de transplantes e enxertos e pode ser controlada de
duas formas:
• seleção do órgão/tecido histocompatível com o recetor
• e a administração de medicamentos imunossupressores, por
exemplo ciclosporina (neutraliza o sistema imunológico do
recetor);
• Esta última pode comprometer a resposta do sistema imunitário
a outras infeções.
• As alergias são reações imunitárias contra atigéniso
específicos (ácaros, pó, pólen, esporos, alimentos, etc.)
denominados alergénios que conduzem à doença (urticária,
conjuntivite, asma, etc.).
• Num primeiro contacto com os alergénios ocorre uma
sensibilização e o sistema imunitário produz anticorpos (IgE).
• Num segundo contacto há uma hipersensibilidade do sistema
imunitário que reage mais intensamente, desencadeando uma
reação alérgica.
• A maior parte das pessoas vive sem desenvolver alergias.
Outras estão condicionadas a produzir exageradamente IgE.
• Na reação alérgica a reação alergénico-anticorpo resulta a
libertação de substâncias, entre as quais histamina, que
provocam sintomas no organismo.
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