Você está na página 1de 23

DETERMINAÇÃO DO

PRAZO DE VALIDADE DAS


FORMULAÇÕES MAGISTRAIS

Ministrante: Rubia Barcelos


Dificuldade de estabelecer prazo de validade para preparações magistrais:
Aspectos específicos da produção artesanal e unitária na farmácia com
manipulação:

- diversidade de formulações

- associações de ativos

- formulações específicas e personalizadas (preparação única sem


similar) para atender à necessidade de um paciente

- diversos excipientes e veículos utilizados

- equipamentos e tecnologia farmacêutica aplicáveis a uma


produção unitária de medicamentos

Dificuldades + custos = não realização de estudos de estabilidade


Meios racionais e científicos: presumir de maneira aproximada a validade
de uma preparação farmacêutica magistral
CRITÉRIOS E MEIOS PARA PRESUMIR O
PRAZO DE VALIDADE EM FORMULAÇÕES MAGISTRAIS

- o conhecimento das características químicas e físicas do(s)


princípio(s) ativo(s) da formulação e do veículo ou excipiente

- a forma farmacêutica empregada

- os fatores que influenciam na velocidade de degradação química


das drogas

- a compatibilidade entre ativos e destes com o veículo ou


excipiente
CRITÉRIOS E MEIOS PARA PRESUMIR O
PRAZO DE VALIDADE EM FORMULAÇÕES MAGISTRAIS

- a compatibilidade da formulação com o material de embalagem

- as condições de armazenamento

- a realização de estudos de estabilidade para as formulações


magistrais com maior frequência de prescrições e portanto
consagrada

- pesquisa e acervo bibliográfico com estudos de estabilidade


realizados em preparações magistrais.
Prazo de validade

- Data após a qual a preparação farmacêutica manipulada não


deverá ser usada;

- Determinada a partir da data da preparação do produto (USP-


XXIV);

- Período de tempo durante o qual o produto se mantém dentro dos


limites especificados de pureza, qualidade e identidade, na embalagem
adotada e estocado nas condições recomendadas no rótulo (RDC 214/2006)

Estabilidade
Extensão de tempo na qual o produto mantém, dentro de limites
especificados, pelo período de armazenamento e uso, as mesmas
propriedades que possuía no momento da sua fabricação (USP-XXIV)
TIPOS DE ESTABILIDADE

- Química: relacionada com a integridade da molécula e sua


capacidade de se manter ativa - comprometida quando ocorre uma
mudança das características químicas dos componentes da formulação

- Física: relacionada com a manutenção das propriedades físicas


originais - Alterações nas propriedades físicas ocorrem quando se alteram
as características físicas da forma farmacêutica como cor, viscosidade,
uniformidade, dissolução – podem alterar as propriedades das mesmas

- Microbiológica: quando a preparação resiste ao crescimento


microbiano dentro de limites especificados

- Terapêutica: quando o efeito terapêutico não se altera

- Toxicológica: não ocorre incremento significativo da toxicidade


REAÇÕES DE DEGRADAÇÃO

- Reações que afetam a estabilidade e integridade


dos medicamentos e produtos
- hidrólise;
- oxidação;
- fotólise;
- auto-decomposição;
- interações.
HIDRÓLISE

- Processo no qual um fármaco reage com a água - produzindo compostos


químicos de natureza variável
- Causa mais comum de decomposição de um fármaco
- Cloridratos, carboxila, anidridos de ácidos, imida, tioéster, etc.

Barbitúricos (imidas) – fenobarbital.


Anestésicos (ésteres) - lidocaína, benzocaína.
Antibióticos (amidas) – cloranfenicol.
Vitaminas – nicotinamida, cianocobalamina se degrada em contato
direto com vitamina C.
Amidas cíclicas – penicilinas, cefalosporinas.
Ésteres com radicais tiólicos (S) – espironolactona.
Ésteres cíclicos ou lactonas – nistatina, pilocarpina, ácido ascórbico.
(Fonte: adaptado FERREIRA, 2002)
COMO EVITAR A HIDRÓLISE

- ajustar o pH

- evitar o contato com a água

- reduzir a temperatura (refrigerar)

- modificar o solvente (reduzir a parte de água)


OXIDAÇÃO

- Processo destrutivo para muitos fármacos: aldeídos, álcoois, fenóis,


açúcares, alcalóides, além de óleos e gorduras insaturadas
- Oxidação: envolve perda de elétrons para outro átomo ou molécula
- Cada elétron perdido é aceito pelo outro átomo ou molécula - causando a
redução da molécula receptora
- Compostos orgânicos: envolve a perda de hidrogênio (dehidrogenação)
- Requer presença de oxigênio: diradical 0-0.
- Possui 2 elétrons desemparelhados - podem iniciar reações em cadeia
- Resulta na quebra das moléculas de droga
- Presença de catalisadores: luz, calor, alguns íons de metais e
peróxidos
- Maioria das alterações oxidativas: auto-oxidação
- Ocorre espontaneamente pela influência inicial do oxigênio atmosférico
Como evitar o oxidação:
- excluir o oxigênio (sílica/algodão)
- na preparação de emulsões utilizar o agitador
mecânico, rotação baixa e pá reta (para evitar o
mínimo de incorporação de ar)
- controlar o pH
- proteger da luz
- uso de quelantes (EDTA)
- uso de antioxidantes (BHT / BHA)
Fármacos mais susceptíveis a oxidação:
prednisolona, vitamina C, omeprazol, riboflavina,
ranitidina, vitamina B6, vitamina D, tetraciclina, neomicina,
metoclopramida, estatinas

Oxidação da hidroquinona
FOTÓLISE OU FOTODEGRADAÇÃO

- Catálise pela luz de reações de degradação: oxidação ou hidrólise


- Captação de luz – ativação da molécula - molécula ativada emite energia
de frequência diferente da recebida ( “fluorescência” ou “ fosforescência”)
- Pode provocar a decomposição das moléculas (fotólise)
- Reações de fotodegradação: dependem da intensidade e do comprimento
de onda da luz
- Quanto maior a intensidade e comprimento de onda da luz - maior será a
velocidade e o grau de fotodegradação
- Luz UV: mais deletéria que a luz visível - raios solares são mais deletérios
do que luz fluorescente

Fármacos sensíveis à luz: anfotericina R,


furosemida, vitamina A, nifedipina,
hidrocortisona, prednisolona, ácido fólico,
dentre vários outros
FATORES QUE AFETAM A
ESTABILIDADE
VALOR DE PH

- Um dos fatores que mais influenciam a estabilidade de um produto


- Degradação por hidrólise - relacionada diretamente às concentrações de
íons hidroxila e íons hidrogênio
- Hidrólise: favorecida pelo pH de neutro a alcalino
- Ajuste do pH para faixa ácida (entre 5 e 6) - aumenta estabilidade da
preparação

- Conhecimento do pH de máxima estabilidade: importante na farmacotécnica


de preparações líquidas
- Ajustar o pH para o de máxima estabilidade - nem sempre possível devido a
problemas de solubilidade, atividade terapêutica ou requisitos da via de
administração não compatíveis com o pH ótimo
- Uma vez determinada a faixa de estabilidade: tampões - mantém valor de pH
durante todo o prazo de validade do produto
TEMPERATURA

- afeta a estabilidade do fármaco: aumento da velocidade da reação


- em média duas a três vezes para cada incremento de 10ºC na
temperatura
- aumento de 10ºC: reduz o prazo de validade em 3 vezes
- aumento de 20ºC: em 9 vezes
- aumento de 30ºC: em 27 vezes

SOLVENTE
- Influencia na solubilidade, no pH e na constante de solubilidade
de um princípio ativo
- Não se deve alterar indiscriminadamente o solvente de um
produto, pois a estabilidade pode ser comprometida
LUZ

- Pode prover a energia de ativação necessária para a ocorrência de uma


reação de degradação
- Podem ser minimizados pelo acondicionamento em recipientes
resistentes à luz (exemplo vidro ou plástico PET âmbar, plástico escuro,
embalagem de alumínio etc).

OXIGÊNIO ATMOSFÉRICO

- Pode induzir a reações de degradação por oxidação


- Pode ser reduzido pela retirada do ar no interior do recipiente
de acondicionamento.
DIÓXIDO DE CARBONO

- Pode originar carbonatos insolúveis em formas farmacêuticas sólidas -


diminui desintegração e dissolução do produto
- CO2 pode vir da água - utilizar água recém preparada
- Água recém destilada não contém dióxido de carbono
- armazenada por mais de 4h - absorve CO2

UMIDADE

- Pode levar a reações de hidrólise - degradação do produto


- Importante: controle de umidade dos laboratórios e uso de agentes
dessecantes nos recipientes de formulações sólidas
- Formulações líquidas: substitui- se a água total ou parcialmente por
veículos não aquosos compatíveis.
FORMA FARMACÊUTICA

- Formas farmacêuticas sólidas ou líquidas que não contenham água na


sua composição - estabilidade bem maior comparadas com formas
farmacêuticas que contenham água
- Pós, comprimidos, cápsulas, tabletes e outras formas sólidas ou
líquidas sem água ( ex. veículo oleoso): mais estáveis (prazo de validade
maior) do que xaropes, suspensões aquosas, soluções aquosas,
emulsões etc
VALIDADE PARA AS PREPARAÇÕES

- Farmacopéia americana (USP): validade deve ser determinada de acordo


com o produto:
Contém água: - não validade 3 meses
- sim validade 14 dias sob refrigeração

- Matéria-prima utilizada na manipulação: não utilizá-la mais do que 25% do


tempo para vencer - se a MP tem validade de 1 ano, o tempo para utilização
não pode passar de 3 meses da validade
CARACTERÍSTICA DA FORMA FARMACÊUTICA PRAZO DE VALIDADE PRESUMIDO
(a partir da data de manipulação)

Formulações sólidas, semi-sólidas e líquidas 6 meses


não contendo água
Formulações sólidas, semi-sólidas e líquidas,
não contendo água, com drogas reconhecida
mente susceptíveis a processos de degrada-
ção química 3 meses
Formulações sólidas, semi sólidas ou líquidas, 25% do tempo remanescente
não contendo água, preparadas a partir do para expiração da validade
produto manufaturado (industrializado) do produto original, ou 6
meses, o que for menor
Formulações semi sólidas e líquidas contendo
água, sem adição de estabilizantes e
conservantes 14 dias (refrigerado)
CARACTERÍSTICA DA FORMA FARMACÊUTICA PRAZO DE VALIDADE PRESUMIDO
(a partir da data de manipulação)

Formulações semi-sólidas e líquidas, contendo


água com adição de estabilizantes e
conservantes 3 meses
Formulações semi-sólidas e líquidas, contendo
água com drogas reconhecidamente susceptíveis
a processos de degradação química e com adição
de estabilizantes e conservantes 2 meses
Formulações líquidas contendo antibiótico e
antimicrobianos solubilizados ou dispersos na 14 dias (refrigerado)
forma de suspensão
CARACTERÍSTICA DA FORMA FARMACÊUTICA PRAZO DE VALIDADE PRESUMIDO
(a partir da data de manipulação)

Formulações contendo antibióticos e


antimicrobianos na forma de pó para a
dispersão (forma extemporânea) 3 meses (validade antes da
dispersão caseira c/água)
7 a 14 dias (após a
dispersão com água
- sob refrigeração).
Bases galênicas semi-sólidas e líquidas
com adição de conservantes e estabilizantes
e sem a adição de ativos 6 meses
Formulações com estudo de estabilidade Adotar o prazo de validade
realizado recomendado ou publicado,
com referência bibliográfica
OUTRAS SUGESTÕES DE PRAZO DE VALIDADE:

Laboratório de Dermatologia
Produtos com água e sem adição de conservantes 7 dias
Produtos com soro fisiológico (sob refrigeração) 7 dias
Formulações contendo hidroquinona 2 meses
Formulações contendo colágeno, elastina e lipossomas 2 meses

Laboratório de Cápsulas
Maioria das formulações 3 - 4 meses
Casos especiais, substâncias que hidrolisam
facilmente, oxidam facilmente ou formulações 1 - 2 meses
que precisam ser aviadas em cápsulas
coloridas e foram prescritas em
cápsulas transparentes