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Humanismo

• Escrita na passagem da Idade Média para a


Idade Moderna,
Moderna “Auto da Barca do Inferno”
oscila entre os seus valores morais de duas
épocas: ao mesmo tempo que há um severa
crítica à sociedade, típica da Idade Moderna,
a obra também está religiosamente voltada
para a figura de Deus, o que é uma
característica medieval.
• O Humanismo caracterizou-se como um período de
conflitos e mudanças de valores. Aos poucos, o ser
humano foi deixando de lado a visão teocêntrica da
existência humana, passando a interferir mais
objetivamente no mundo em que vivia. Começou a
valorizar sua própria capacidade intelectual e
artística, tornando-se autor de descobertas
científicas e de obras de arte admiráveis.
O Auto
• “Auto" é uma designação genérica para peça,
pequena representação teatral.
teatral Originário na Idade
Média, tinha de início caráter religioso; depois
tornou-se popular, para distração do povo.
• Um teatro de tom didático-moralizante, enraizado no
teocentrismo e na ideia de salvação da alma.
• Apesar de suas personagens serem planas, sem
profundidade psicológica, elas tocam a
universalidade de aspectos psicológicos
significativos que havia naquele tempo, bem como
os valores prezados ou repelidos por aquela
sociedade.
PERSONAGENS
TIPOS E SIMBÓLICOS

• Os personagens “tipo” são os que apresentam


características gerais de uma determinada classe
social.
• Esses tipos utilizados por Gil Vicente raramente
aparecem identificados pelo nome. Quase sempre,
são designados pela ocupação que exercem ou por
algum outro traço social (sapateiro, onzeneiro,
clérigo, frade, bispo, alcoviteira etc.).
• É uma obra alegórica,
alegórica tanto com relação aos
personagens quanto às ideias que, no geral,
perpassam uma dedução moral.
PERSONAGENS
TIPOS E SIMBÓLICOS

• Os membros da Igreja são alvos constantes da crítica


vicentina. É importante observar, no entanto, que o
espírito religioso presente na formação do
autor, jamais critica as instituições, os dogmas ou
hierarquias da religião, e sim os indivíduos que as
corrompem.

Acreditando na função moralizadora do


moralizadora teatro,
colocou em cenas fatos e situações que revelam a
degradação dos costumes, a imoralidade dos frades,
a corrupção no seio da família,
família as práticas de
feitiçaria...
feitiçaria
CARACTERÍSTICAS DA
OBRA
• Espaço:  Tem como cenário um porto imaginário,
onde estão ancoradas duas barcas: uma como
destino o paraíso, tem como comandante um anjo; a
outra, com destino ao inferno, tem como comandante
o diabo, que traz consigo um companheiro.

Tempo: Com relação a tempo, pode-se dizer que é


psicológico, uma vez que todos os personagens estão
mortos, perdendo-se assim a noção do tempo.

Linguagem: Galego-português.
Galego-português Redondilhas
maiores  (sete sílabas poéticas), linguagem coloquial
para caracterizar a posição social dos personagens.

Estrutura: A peça é composta de apenas um ato


dividido pelas falas do anjo e do diabo.
• Breve resumo de cada cena

1ª cena – Diabo e Companheiro preparam-se


euforicamente para a chegada dos novos
passageiros.
2ª cena – A primeira personagem é o Fidalgo que
julga ir para o Paraíso por pertencer à nobreza.
Acaba por entrar, pelos seus pecados, na barca do
Inferno.

Símbolos: cadeira, manto, pajem.


•Fildalgo: Esta barca onde vai ora, que assim está apercebida?
•Diabo: Vai para a ilha perdida, e há-de partir logo ess'ora.
•Fildalgo: Para lá vai a senhora?
•Diabo: Senhor, a vosso serviço.
•Fildalgo: Parece-me isso cortiço...
•Diabo: Porque a vedes lá de fora.
•Fildalgo: Porém, a que terra passais?
•Diabo: Para o inferno, senhor.
•Fildalgo: Terra é bem sem-sabor.
•Diabo: Quê?... E também cá zombais?
•Fildalgo: E passageiros achais para tal habitação?
•Diabo: Vejo-vos eu em feição para ir ao nosso cais...
• Fildalgo: Parece-te a ti assim!...
• Diabo: Em que esperas ter guarida?
• Fildalgo: Que leixo na outra vida quem reze sempre por mim.
• Diabo: Quem reze sempre por ti?!..
Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi!...
E tu viveste a teu prazer,
cuidando cá guarnecer
por que rezam lá por ti?!...
Embarca — ou embarcai...
que haveis de ir à derradeira!
• Diabo: Mandai meter a cadeira,
que assim passou vosso pai.
• Fildalgo: Quê? Quê? Quê? Assim lhe vai?!
• Diabo: Vai ou vem! Embarcai prestes!
Segundo lá escolhestes,
assim cá vos contentai.
Pois que já a morte passastes,
haveis de passar o rio.
• Fildalgo: Não há aqui outro navio?
• Diabo: Não, senhor, que este fretastes,
e primeiro que expirastes
me destes logo sinal.
• Fildalgo: Que sinal foi esse tal?
• Diabo: Do que vós vos contentastes.
• Fildalgo: A estoutra barca me vou.
Hou da barca! Para onde is?
Ah, barqueiros! Não me ouvis?
• Anjo: Que mandais?
• Fidalgo: Que me digais?
pois parti tão sem aviso,
se a barca do paraíso
é esta em que navegais.
• Anjo: Esta e; que lhe buscais?
• Fidalgo: Que me deixeis embarcar;
sou fidalgo de solar,
é bem que me recolhais
•Anjo: Não se embarca tirania
neste batel divinal
•Fidalgo: Não sei por que haveis por mal.
que entre minha senhoria.
•Anjo: Pra vossa fantasia
Mui pequena é esta barca.
•Fidalgo: Para senhor de tal
não há aqui mais cortesia?
Venha prancha e atavio!
Levai-me desta ribeira!
•Anjo: Não vindes vós de maneira
para entrar neste navio.
Essoutro vai mais vazio:
a cadeira entrará,
e o rabo caberá
e todo o vosso senhorio.
• 3ª cena – a segunda personagem a entrar a
cena é o Onzeneiro que convencido de ter
comprado a passagem para o Paraíso, não
se deixa convencer pelo Diabo e vai falar
com o Anjo. Claro que acaba por entrar na
barca do Inferno, por ter vivido a guardar
dinheiro à custa dos outros.

• Símbolo: bolsão.
Onzeneiro: Para onde caminhais?
Diabo: Oh! Que má-hora venhais,
onzeneiro meu parente!

Como tardastes vós tanto?


Onzeneiro: Mais quisera eu lá tardar.
Na safra do apanhar
me deu saturno quebranto
Diabo: Ora mui muito me espanto
não vos livrar o dinheiro.
Onzeneiro: Nem tão só para o barqueiro
não me deixaram nem tanto.

Diabo: Ora entrai, entrai aqui!


Onzeneiro: Não hei eu i de embarcar!
Diabo: Oh! Que gentil recear,
e que coisas para mi!...
Onzeneiro: Inda agora faleci,
deixai-me buscar batel.
Diabo: Pesar de João Pimentel!
Por que não irás aqui?
Onzeneiro: E para onde é a viagem?
Diabo: Para onde tu hás-de ir;
estamos para partir,
não cures de mais linguagem.
Onzeneiro: Mas para onde é a passagem?
Diabo: Para a infernal comarca.
Onzeneiro: Disse, não vou em tal barca.
Estoutra tem avantagem.
(...)
Onzeneiro: Hou-lá! Hou demo barqueiro!
Sabeis vós no que eu me fundo?
Quero lá tornar ao mundo
e trazê-lo meu dinheiro;
que aqueloutro marinheiro,
porque me vê vir sem nada,
dá-me tanta borregada
como arrais lá do Barreiro.

Diabo : Entra, entra e remarás!


Não percamos mais maré!
Onzeneiro: Todavia...
Diabo: Por força é,
que te pês, cá entrarás!
Irás servir Satanás
pois que sempre te ajudou.
Onzeneiro: Oh! Triste, quem me cegou?!
Diabo: Cal’te, que cá chorarás.
• 4ª cena – a terceira personagem a entrar
a cena é o Parvo,
Parvo de nome Joane. Por ter
errado sem maldade, intenção, fica à
espera de purificar os seus pecados no
cais e entretanto vai fazendo comentários
ao que se passa.
• Símbolo: humildade.
Vem Joane, o Parvo,
Parvo e diz ao Arrais do Inferno:

•Diabo: De que morreste?


•Parvo: De quê? Samicas de caganeira.
•Diabo: De quê?
•Parvo: De caga merdeira!
Má rabugem que te dê!
•Diabo: Entra! Põe aqui o pé!
•Parvo: Houlá! Nom tombe o zambuco!
•Diabo: Entra, tolaço eunuco, que se nos vai a maré!
•Parvo: Aguardai, aguardai, houlá!
E onde havemos nós d'ir ter?
•Diabo: Ao porto de Lucifer.
•Parvo: Ha-á-a...
•Diabo: Ó Inferno! Entra cá!
• Parvo: Ò Inferno?...
Era má... Hiu! Hiu!
Barca do cornudo.
Pêro Vinagre, beiçudo,
rachador d'Alverca, huhá!
Sapateiro da Candosa!
Antrecosto de carrapato!
Hiu! Hiu! Caga no sapato,
filho da grande aleivosa!
Tua mulher é tinhosa
e há-de parir um sapo
chantado no guardanapo!
Neto de cagarrinhosa!
Parvo: Hou da barca!

Anjo: Tu que queres?

Parvo: Quereis-me passar além?

Anjo: Quem és tu?

Parvo: Não sou ninguém.

Anjo: Tu passarás se quiseres;


porque em todos seus fazeres
por malícia não erraste.
Tua simpleza te baste
para gozar dos prazeres.
Espera entanto por aí:
veremos se vem alguém
merecedor de tal bem
que deva entrar aqui.
• 5ª cena – o Sapateiro chega em
quarto lugar e entra na barca do
Inferno por ter passado a vida a
roubar o povo, sem que antes tente
convencer, sem sucesso, o Anjo a
levá-lo.
• Símbolos: avental, formas
Sapateiro: mandaram-me vir assi...
Mas – para onde é a viagem?
Diabo: Para a terra dos danados.
Sapateiro: E os que morrem confessados
onde têm sua passagem?
Diabo: Não cures de mais linguagem,
que esta é a tua barca, esta!
Sapateiro: Renegaria eu da festa.
e da barca e da barcagem.
Como poderá isso ser,
confessado e comungado?!
Diabo: Tu morreste excomungado,
não no quiseste dizer.
Esperavas de viver;
calaste dez mil enganos;
tu roubaste bem trinta anos
o povo com teu mister.
Embarca, eramá para ti,
que há já muito que te espero!

Sapateiro: Digo-te que re-não quero!

Diabo: Digo-te que si, re-si!

Sapateiro: Quantas missas eu ouvi


não me hão elas prestar?

Diabo: Ouvir missa, então roubar –


é caminho para aqui.

Sapateiro: E as ofertas que darão?


E as horas dos finados?

Diabo: E os dinheiros mal levados –


que foi da satisfação?

Sapateiro: Oh! Não praza ao cordovão,


nem à puta da badana,
se é esta boa traquitana
em que se vê João Antão!
Ora juro a Deus que é graça!
6ª cena – o Frade vem
acompanhado de Florença, uma
moça que o acompanhou em vida,
entrando ambos na barco do Inferno.
O anjo não responde sequer aos
apelos do Frade.
•Símbolos: amante, escudo,
espada, capacete.
Frade: Juro a Deus que não te entendo!
E este hábito não me val’?

Diabo: Gentil padre mundanal,


a Belzebu vos encomendo!

Frade: Corpo de Deus consagrado!


Pela fé de Jesus Cristo,
que eu não posso entender isto!
Eu hei-de ser condenado?!

Um padre tão namorado


tanto dado à virtude!
Assim Deus me dê saúde
que estou maravilhado!

Diabo: Não façamos mais detença.


Embarcai e partiremos:
tomareis um par de remos.

Frade: Não ficou isso na avença.


.
Diabo: Pois dada está já a sentença!

Frade: Por Deus! Essa seria ela?


Não vai em tal caravela
minha senhora Florença.
Como?! Por ser namorado
e folgar com uma mulher
se há um frade de perder
com tanto salmo rezado?!

Diabo: Ora estás bem aviado!

Frade: Mas estás bem corrigido!

Diabo: Devoto padre e marido,


haveis de ser cá pingado...
• 7ª cena – segue-se a Alcoviteira,
Alcoviteira Brízida Vaz, que
traz, além de imensos objetos, moças que entregou à
prostituição e que abandonam a cena. Apesar dos
seus pecados ainda acha que tem lugar no Paraíso…
• Símbolos: moças, 600 virgos postiços, joias e
vestidos roubados, baú com feitiçarias.

• CARACTERÍSTICAS:
Sedutora ao extremo, prostituta, alcoviteira e feiticeira.
Brísida: Seisentos virgos postiços
e três arcas de feitiços
que não podem mais levar
Três armários de mentir
e cinco cofres de enleios,
e alguns furtos alheios,
assi em jóias de vestir;
guarda-roupa de encobrir,
enfim – casa movediça;
um estrado de cortiça
com dez coxins de embair.
A mor cárrega que é:
essas moças que vendia
Daquesta mercadoria
trago eu muita, à bofé!
Diabo: Ora ponde aqui o pé.
Brísida: Hui! Eu vou pra o paraíso!
Diabo: E quem te disse a ti isso?
Brísida: Lá hei-de ir desta maré.
• Brízida: - Barqueiro mano, meus olhos, prancha a Brízida Vaz.
• Anjo: Eu não sei quem te cá traz...
• Brízida: Peço-vo-lo de giolhos!
Cuidais que trago piolhos,
anjo de Deos, minha rosa?
Eu sô aquela preciosa
que dava as moças a molhos,
a que criava as meninas
para os cônegos da Sé...
Passai-me, por vossa fé,
meu amor, minhas boninas,
olho de perninhas finas!
E eu som apostolada,
angelada e martelada,
e fiz cousas mui divinas.
Santa Úrsula nom converteu
tantas cachopas como eu:
todas salvas polo meu
que nenhuma se perdeu.
E prouve Àquele do Céu
que todas acharam dono.
Cuidais que dormia eu sono?
Nem ponto se me perdeu!
• Anjo: Ora vai lá embarcar, não estás importunando.
• Brízida: Pois estou-vos eu contando o porque me haveis de levar.
• Anjo: Não cures de importunar, que não podes vir aqui.
• Brízida: E que má hora eu servi, pois não me há de aproveitar!...
8ª cena – a sétima personagem é o
Judeu que por não acreditar na fé
cristã não dialoga com o Anjo,
decidindo o Diabo que ele e o Bode
irão a reboque, isto é, separados dos
restantes como acontecia com o
judeus.
Símbolo: bode.
Judeu: Que vai lá, hou marinheiro?
Diabo: Oh! Que má-hora vieste!
Judeu: Cuja é esta barca que preste?
Diabo: Esta barca é do barqueiro.
Judeu: Passai-me, por meu dinheiro.
Diabo: E esse bode há cá de vir?
Judeu: O bode também há-de ir.
Diabo: Oh! Que honrado passageiro!...
Judeu: Sem bode, como irei lá?
Diabo: Pois eu não passo cá cabrões!
Judeu: Eis aqui quatro tostões
e mais se vos pagará.
Por vida do semifará
que me passeis o cabrão!
Quereis mais outro tostão?
Diabo: Nem tu não hás-de vir cá.
Judeu: Por que não irá o judeu
onde vai Brísida Vaz?
• 9ª cena – nesta cena, incluímos duas
personagens, uma vez que o Corregedor
e o Procurador se completam.
Representam ambos o mesmo grupo
socioprofissional e ainda que se julguem
dignos do Paraíso, acabam por entrar na
barca do Diabo.
• Símbolos: processos e livros jurídicos.
Corregedor: Oh! Renego da viagem
e de quem me há-de levar!
Há aqui meirinho do mar?
Diabo: Não há cá tal costumagem.
Corregedor: Não entendo esta barcagem,
nem hoc non potest esse.
Diabo: Se ora vos parecesse
que não sei mais que linguagem!...

Entrai, entrai, corregedor!


Corregedor: Hou! Videtis que petatis!
Super jure majestatis
tem vosso mando vigor?
Diabo: Quando éreis ouvidor
non ne accepistis rapina?
Pois ireis pela bolina
onde nossa mercê for.

Oh! Que isca esse papel


para um fogo que eu sei!
Corregedor: Domine, memento mei!
Diabo: Non es tempus, bacharel!
Imbarquemini in batel
quia judicastis malícia.
Corregedor: Semper ego in justicia
fecit e bem por nível.

Diabo: E as peitas dos judeus


que vossa mulher levava?
Corregedor: Isso eu não no tomava,
eram lá percalços seus.
• 10ª cena – segue-se o enforcado que
vem convencido da absolvição. Acaba por
entrar na barca do Inferno.
• Símbolo: corda.
Diabo: Venhais embora, enforcado!
Que diz lá Garcia Moniz?
Enforcado: Eu te direi que ele diz: que fui bem-aventurado em morrer
dependurado como o tordo na buiz, e diz que os feitos que
eu fiz me fazem canonizado.

Diabo: Entra cá, governarás até as portas do Inferno.

Enforcado: Nom é essa a nau que eu governo.

Diabo: Mando-te eu que aqui irás.

Enforcado: Oh! nom praza a Barrabás!


Se Garcia Moniz diz
que os que morrem como eu fiz
são livres de Satanás...
• 11ª cena – por fim entram em cena os 4
cavaleiros, os únicos que têm a entrada
assegurada na barca do Paraíso por
terem morrido a lutar pela Fé.
Diabo: Cavaleiros, vós passais
e não perguntais onde is?
Primeiro Cavaleiro: Vós, Satanás, presumis?
Atentai com que falais!
Segundo Cavaleiro: E vós, que nos demandais?
Sequer conhecei-nos bem:
morremos nas partes de além,
e não queirais saber mais.
Diabo: Entra cá! Que coisa é essa?
Eu não posso entender isto!
Primeiro Cavaleiro: Quem morre por Jesus Cristo
não vai em tal barca como essa!
Tornam a prosseguir, cantando, seu caminho direito à barca da glória, e
tanto que chegam diz o ANJO:

Anjo: Ó cavaleiros de Deus,


a vós estou esperando,
que morrestes pelejando
por Cristo, Senhor dos Céus!
Sois livres de todo o mal,
santos por certo sem falha,
que quem morre em tal batalha
merece paz eternal.

E assim embarcam.

Aqui fenece a primeira cena.


Vêm quatro fidalgos, Cavaleiros da ordem de Cristo que morreram nas partes
da África. Vêm cantando a letra que se segue:

À barca, à barca segura,


guardar da barca perdida:
à barca, à barca da vida!

Senhores, que trabalhais


Pela vida transitória
Memórias, por Deus, memória
Deste temeroso cais!
À barca, à barca, mortais!
Porém na vida perdida
Se perde a barca da vida.

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