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URAGUAI

Basílio da Gama
Por Caroline Azevedo, Gabriela Leocádio e Luiza
Alves
Contextualização
Estilística
• José Basílio da Gama nasceu em Tiradentes – Minas Gerais
em 1741 e faleceu em Lisboa no dia 31 de julho de 1795;

• Em 1769 publica o poema época O Uraguai, critica os jesuítas


e defende a politica do Marquês de Pombal.
Características principais
do poema
• Exaltação da natureza;
• Atribuição aos jesuítas a culpa pelo envolvimento dos índios
na luta;
• Inovação no gênero épico;
• Ao contrário da tradição épico, o poema conta um
acontecimento recente na história do país;
• Inicia o poema pela narração;
• Principal estética do poema é barroca com traços iluministas.
• Discursos permeados por ideias iluministas.
• A cena da morte de Lindóia mostra as características típicas do
movimento árcade:

Canto IV
(...)
Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia,
Na branda relva e nas mimosas flores,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim, sobressaltados,
E param cheios de temos ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e apresse no fugir a morte.
Porém o destro Caitutu, que treme
Do perigo da irmã, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
Soltar o tiro, e vacilou três vezes
Entre a ira e o temor. Enfim sacode
O arco e faz voar a aguda seta,
Que toca o peito de Lindóia, e fere
A serpente na testa, e a boca e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo co’a ligeira cauda
O irado mostro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! No frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito.
Os olhos, em que Amor reinava, um dia,
Cheios de morte; e muda aquela língua
Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história de seus males.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já tremula gravado
O alheio crime e a voluntária morte.
• Apresenta traços que aproximam ao romantismo, por exemplo:
o índio como herói nacional.

Fumam ainda nas desertas praias


Lagos de sangue tépidos e impuros
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos. Dura ainda nos vales
O rouco som da irada artilheria.
MUSA, honremos o Herói que o povo rude
Subjugou do Uraguai, e no seu sangue
Dos decretos reais lavou a afronta. (GAMA, 1964, p. 20).
Contextualização histórica
• Os índios e jesuítas e a relação com a questão da colonização;
• O universo da Companhia de Jesus e dos índios guaranis a ela
associados não era de fácil observação pelos portugueses,
espanhóis e europeus em geral;
• O complexo jogo de poder entre portugueses, espanhóis,
jesuítas e índios cria um cenário rico e dramático para a
progressão da epopeia que acaba por chegar a algo novo: o
enobrecimento do índio e as bases de um futuro nacionalismo.
Contextualização Teórica
• Em O Uraguai (1769) Basílio da
Gama busca fazer a união entre a
louvação de Pombal e o heroísmo do
indígena, e com isso, os jesuítas
saem como vilões, inimigos de um e
enganador de outro;
• Os jesuítas já estavam no Brasil há
muito tempo, desde o século VI,
alguns deles são: Padre Antônio
Vieira e José de Anchieta;
• No poema vai conter o herói e
também terá a parte da Mitologia.
Contextualização poética
• Gênero literário: Gênero épico;

O verso branco e o balanço entre os decassílabos heroicos e


sáficos aligeiram a estrutura do poema que melhor se diria lírico-
narrativo do que épico. (BOSI, 2015, p. 55)
• Estrutura da obra:
• 1377 versos decassílabos;
• Versos brancos;
• Ausência de estrofação;
• Cinco cantos;
• Preposição, invocação, dedicatória, narrativa e epílogo;
• In medias res;
• Narrador em terceira pessoa;
• Gênero lírico-narrativo: subjetividade e emoção
• Característica da escola árcade.
• Temática central da obra:

• Tratado de Madrid;
• Sete povos das missões;
• Marquês de pombal;
• Critica aos jesuítas.

• Personagens da obra:

• Tipos de personagens: os europeus, os índios e os jesuítas.


• Os europeus: General Gomes Freire de Andrade, Catâneo;

• Os índios: Cacambo, Lindóia, Tatu-guaçu, Cepé, Caitutu,


tanajura;

• Os jesuítas: Balda e Baldeta.


• Enredo:

• Canto I: Narração do herói;

• Canto II: Narração de Guerra;

• Canto III: Narração da morte de Cacambo;

• Canto IV: Narração da morte de Lindóia;

• Canto V: Narração da visão.


Intertextualidade
• Os lusíadas de Luís de Camões – Gênero épico;

• Ciclo pombalino:
• O Desertor de Silva Alvarenga;
• O reino da estupidez de Francisco de Melo Franco;

• Identidade nacionalista
• Caramuru de Santa Rita Durão.
Referências
• BLACHEYRE, Attila. O MARCO HISTÓRICO LITERÁRIO DA
NOSSA BRASILIDADE. Monografia em literatura: Brasília,2012.
• BOSI, Alfredo. Historia concisa da literatura brasileira. São Paulo:
Cultrix, 2015.
• http://
objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/uraguai.pdf
• https://www.soliteratura.com.br/arcadismo/arcadismo06.php
• http://
pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/artic
le/viewFile/64/49
• http://dedmd.com.br/validacao/2019_1/LITERATURAS%20DE%
20L%C3%8DNGUA%20PORTUGUESA%20III/Unidade%202/s
3/
• https://www.webartigos.com/artigos/os-generos-literarios-emprega
do-na-obra-o-uruguai-de-basilio-da-gama/116496/

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