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Escola e Currículo:

diferentes
abordagens 2º ano Ciências
Humanas
Segunda-feira 19h10 às
21h10

Profª Drª Juliana Rossi Duci


juliana.duci@faculdadesesi.edu.br
RELEMBRANDO...
“Currículo, Conhecimento e Cultura”
(MOREIRA & CANDAU, 2007)

Currículo é compreendido como as experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, em meio a
relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades de nossos/as estudantes.
Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços pedagógicos docentes desenvolvidos com intenções educativas
que necessitam de discussões constates tanto sobre o currículo formalmente planejado e desenvolvido quanto sobre o
currículo oculto.
“... concebemos o conhecimento escolar como uma construção específica da esfera educativa, não como uma mera
simplificação de conhecimentos produzidos fora da escola. Consideramos, ainda, que o conhecimento escolar tem
características próprias que o distinguem de outras formas de conhecimento”.
A compreensão do processo de construção do conhecimento escolar facilita ao professor uma maior compreensão do
próprio processo pedagógico, o que pode estimular novas abordagens, na tentativa tanto de bem selecionar e organizar
os conhecimentos quanto de conferir uma orientação cultural ao currículo.
Deste modo, o currículo deve propiciar ao(à) estudante ir além dos referentes presentes em seu mundo cotidiano,
assumindo-o e ampliando-o, transformando-se, assim, em um sujeito ativo na mudança de seu contexto
“Currículo, conhecimento e transmissão cultural: contribuições para uma
teorização pedagógica contemporânea”
(Roberto SILVA, 2016)

Apontamentos sobre a relevância e a urgência de produzirmos uma reflexão crítica sobre os modos
de transmissão cultural mobilizados nas diferentes cenas pedagógicas voltadas a constituição dos
currículos e os processos de seleção dos conhecimentos a serem ensinados.
Émile Durkheim, Antônio Gramsci e Hannah Arendt, em condições teóricas e pressupostos
argumentativos divergentes, assinalam a relevância social e política da tarefa da transmissão
cultural na escola.

INDAGAÇÃO NORTEADORA DE REFLEXÃO COLETIVA:


A partir de Durkheim, Gramsci e Arendt, o conhecimento e sua modulação no currículo escolar deve
considerar quais aspectos quando buscamos realizar a transmissão cultural?
Qual o lugar da escola na sociedade contemporânea como uma
questão pública?
Quais conhecimentos devem ser ensinados na escola?
“Ao longo do tempo, foram inúmeros os critérios e procedimentos recomendados para esta tarefa, ora
dimensionados nas questões da utilidade pública, ora situados na perspectiva da formação do bom cristão, do
cidadão esclarecido ou no privilégio das maneiras discretas e gentis” (p.161)

CAMPO DE HISTORICIZAÇÃO PEDAGÓGICA


Comenius, “Didática Magna” – Pansofia - oficinas da humanidade
Wolfgang Ratke, também na primeira metade do século XVII – arte de ensinar
Inés Dussel e Marcelo Caruso – século XXI – a função de transmitir a cultura precisa repensar suas tradições

PORTANTO,
É necessário reconhecer a relevância e urgência dos processos de transmissão cultural de modo crítico em
relação aos aportes pedagógicos que atualmente compõe o cenário pedagógico e curricular brasileiro
A TRANSMISSÃO CULTURAL REVISITADA:
QUESTÕES E PROBLEMATIZAÇÕES EM NOSSO TEMPO
No contemporâneo há uma constante afirmação que existe uma CRISE DA ESCOLA como
instituição de referência formativa, democrática e de identidades

MOTIVOS IDENTIFICADOS:
“CAPITALIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM” regulada pela competitividade, empregabilidade e
dispositivos de customização curricular (demandas individuais de aprendizagem) – “á serviço
do cliente”

“FRAGILIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRANSMISSÃO CULTURAL NA ESCOLA”


uma vez que as atividades escolares “têm sido prejudicadas pela ampliação e multiplicação de
conhecimentos, habilidades de diversas ordens e formas de comportamento, que foram
assumidos como integrantes do currículo escolar”
OS ESTUDOS CURRICULARES COMO CAMPO DE PROBLEMATIZAÇÃO: AS
FERRAMENTAS
De acordo com SACRISTIÁN (2000, p. 15-16) Currículo é uma expressão “ da função
socializadora e cultural que determinada instituição tem, que reagrupa em torno dele uma série
de subsistemas ou práticas diversas, entre as quais se encontra a prática pedagógica
desenvolvida em instituições escolares que comumente chamamos ensino”.

Os estudos teóricos sobre o currículo precisam ponderar uma reflexão sobre a necessidade de
“recuperar a consciência do valor cultural da escola como instituição facilitadora de cultura ”
(SACRISTÁN, 2000, p. 19).

PORTANTO,
Evidencia-se que o objeto privilegiado dos estudos curriculares é o CONHECIMENTO
ESCOLAR, pois “o que se ensina, se sugere ou se obriga a aprender expressa os valores e
funções que a escola difunde num contexto social e histórico concreto”
(SACRISTÁN, 1998, p. 150).
OS ESTUDOS CURRICULARES COMO CAMPO DE PROBLEMATIZAÇÃO: AS
FERRAMENTAS
Michael YOUNG (2014) e Basil BERNSTEIN (1996/98): “não é possível ter uma teoria do currículo
sem uma teoria do conhecimento”

TEORIA DO CURRÍCULO (YOUNG, 2014)=> PAPEL CRÍTICO E PAPEL NORMATIVO


A realização da crítica precisa estar situada em uma tradição, visto que “a teoria do currículo é muito
parecida com música e arte: tem suas tradições, que são rompidas e transformadas, mas não
podemos viver sem elas”. Já o papel normativo refere-se às regras que regulam e orientam a prática
curricular.

CONHECIMENTO COMO QUESTÃO CRUCIAL PARA A TEORIA DO CURRÍCULO


“precisamos entender os currículos como forma de conhecimento especializado para podermos
desenvolver currículos melhores e ampliar as oportunidades de aprendizado”
(YOUNG, 2014, p. 197).
A seleção do conhecimento a ser ensinado não deveria ser reduzida a conhecimentos do mundo da
vida ou da experiência subjetiva do aprendente e sim a uma “PROGRESSÃO CONCEITUAL”
ATÉ AGORA, O QUE
CONSEGUIMOS COMPREENDER
SOBRE A CONSTRUÇÃO DAS
TEORIAS DO CURRÍCULO E A
RELAÇÃO COM A TRANSMISSÃO
E CULTURAL E O
CONHECIMENTO?
A TRANSMISSÃO CULTURAL NA CONTEMPORANEIDADE:
REVISITANDO A PEDAGOGIA DO SÉCULO XX
A questão da transmissão cultural apresenta-se como uma tarefa pública indispensável para a escolarização
contemporânea, mas, ressalte-se, não é tratada de maneira fixa e com significados permanentes, sendo
percebida como uma ação contingenciada pelas condições sociais e históricas de seus tempos.
DURKHEIM => a educação é fabricada como função coletiva e a transmissão cultural assume a condição de
tarefa pública indispensável. Disso decorre a importante intervenção do Estado como garantidor dos
melhores direcionamentos sociais, pois garantiria a coesão social por meio da escolarização, de tal forma
que a educação não fosse “esfacelada” em uma multiplicidade de interesses.
GRAMSCI => o dever das gerações adultas, isto é, do Estado, de “conformar” as novas gerações. A escola
criadora supõe “o descobrir por si mesmo uma verdade, sem sugestões e ajudas exteriores, é criação,
mesmo que a verdade seja velha, e demonstra a posse do método; indica que, de qualquer modo,
entrou-se na fase da maturidade intelectual, na qual se podem descobrir verdades novas” (GRAMSCI, 2011, p. 40).
ARENDT => A escola é antes a instituição que se interpõe entre o domínio privado do lar e o mundo, de
forma a tornar possível a transição da família para o mundo. Não é a família mas o Estado, quer dizer, o
mundo público, que impõe a escolaridade.
ÉMILIE DURKHEIM (1858-1917)
“Transmissão cultural e a virtude criadora da
educação”
Contesta os modelos idealizados de educação => considera as
dimensões históricas que perfazem os processos educativos
EDUCAÇÃO possui um CARÁTER SOCIAL => a educação não se
limita a “impor” determinantes sociais, mas cria um “ser novo”, com
suas peculiaridades e potencialidades para inserir-se (e transformar)
num mundo já existente.
É pela educação que a transmissão cultural se realiza e não pela
hereditariedade.

A transmissão cultural e da autoridade moral (papel docente),


evidenciadas na abordagem educacional de Durkheim, associam-se
a uma dimensão conservadora da educação – conservadora das
tradições, dos saberes acumulados, dos valores morais, e do papel
da própria instituição escolar.
ANTONIO GRAMSCI(1891-1937)
“A escola unitária e seus possíveis métodos ativos”

Crítica ao modelo dualista da educação moderna (escola humanista e


escola profissional)
ESCOLA ÚNICA => configuração escolar que congregue
“cultura geral, humanista, formativa, que equilibre de modo justo o
desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente
(tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das
capacidades de trabalho intelectual” (GRAMSCI, 2011, p. 33).
A inserção dos jovens na vida social, por meio de uma formação
intelectual e prática.
Desenvolvida em tempo integral, o conhecimento historicamente
elaborado como condição primeira para a reflexão curricular,
potencializar a capacidade dos estudantes na produção e na
mobilização autônoma dos saberes formalizados, não significando
um abandono das atividades de transmissão cultural
HANNAH ARENDT (1906 -1975)
“Educação, crise e o “pathos da novidade””
“PATHOS da Novidade” => crítica aos modelos progressivistas
de educação, de inspiração durkheimiana e escolanovista que
deixam a razão e a formação intelectual de lado e priorizam os
desejos e interesses dos jovens
As crianças são “os novos”, que precisam nascer para o mundo
– “natalidade”=> a instituição escolar, nesse aspecto, ocupa um
papel privilegiado.
A autoridade docente reside “em conhecer o mundo e em ser
capaz de transmitir esse conhecimento aos “novos”, pois seu
papel é de responsável pelo mundo
A perspectiva arendtiana, portanto questiona “a substituição do
aprender pelo fazer e do trabalho pelo jogo”
CONCLUINDO, TEMOS QUE:

“No que tange à transmissão cultural que ocorre nas escolas, podemos compreender a potencialidade
de pensar a virtude criadora da educação, proposta por Durkheim, da composição de uma escola
unitária que lance mão de métodos ativos e que, ao mesmo tempo, valorize a tradição, explicitada por
Gramsci, e de dimensionar a atitude conservadora que perfaz a escolarização e os perigos de um
“pathos da novidade”, explicados por Arendt. Vale a pena ainda assinalar que, com esse conjunto de
argumentos, não encontramos definições estáticas para a função da transmissão cultural, nem
mesmo cristalizações para o delineamento dos conhecimentos a serem ensinados.
Pelo contrário, valendo-nos da expressão arendtiana, sempre somos lembrados de que “o mundo é
perecível”.

NOSSO DESAFIO ESTÁ EM POTENCIALIZAR A ESCOLARIZAÇÃO E SUAS FORMAS DE


TRANSMISSÃO CULTURAL COMO UMA TAREFA DO NOSSO TEMPO, QUE PRODUZA
EXPERIÊNCIAS ESCOLARES AGENCIADORAS DE CONFRONTOS ENTRE O MUNDO PÚBLICO
E A PRODUÇÃO DE COISAS NOVAS E LIVRES A PARTIR DELE.
PRÓXIMA AULA SÍNCRONA 27/09
20/09 – aula Assíncrona

Diálogos a partir da entrega da Atividade Avaliativa


Produção de texto individual (duas laudas) síntese reflexiva sobre
Currículo, Conhecimento e Educação.

Texto de Referência: “Currículo” In: Teorias do Currículo


(LOPES & MACEDO, 2011, p.. 19-42)
Vídeo de apoio: https://www.youtube.com/watch?v=vkx2c-4Hg1w

Organização da Atividade Avaliativa 2 em Trios: Seminários dialogados


sobre Currículo Tradicional, Crítico e Pós-Crítico (18/10, 25/10 e 01/11)