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DURABILIDADE DO

CONCRETO
 
 
 
DURABILIDADE DO CONCRETO

Quando o concreto é durável?

Qual e a vida útil do concreto?

A resistência a compressão do concreto é sinônimo


de durabilidade?
DURABILIDADE INADEQUADA

FATORES: Externos e internos

FORMAS DE AÇÃO:

Físicas (variação de Tº)


Químicas (Reações álcali-sílica e álcali-carbonato)
Mecânicas (Impacto, abrasão,erosão ou cavitação)
Ataques químicos externos

Ataques de ions agressivos como cloretos, sulfatos ou


dioxido de carbono e muitos líquidos e gases naturais
ou industriais.
As ações deteriorantes podem ser diretas ou indiretas

Ataques destrutivos por passagens diretas a traves


das microfissuras do concreto ou por concretos mal
adensados .

Todas as influencias desfavoráveis decorrem do


transporte de fluidos através do concreto.
Transporte de fluidos no concreto

São 3 os principais fluidos importantes para a


durabilidade que podem ingressar no concreto.

Água ( pura ou com ions agressivos)


CO2
Oxigênio

O deslocamento, a velocidade de penetração


dependem basicamente da estrutura da pasta de
cimento hidratada (permeabilidade)
Influência do sistema de poros

A permeabilidade do concreto e controlada pela pasta


de cimento, que e a fase continua no concreto.

Os poros importantes para a permeabilidade são aqueles


com ø = 120nm ou 160 nm.
Os poros dos agregados não contribuem para a
permeabilidade do concreto.
Quando existem erros de adensamento, falhas na
concretagem, existindo vazios de até 10%
conduzindo a concretos de baixa resistência, não
são objetos de discussão.
Escoamento, difusão e Sorção:
Porosidade: proporção de volume total e os poros. Podem
ser medidas por intrusão de mercúrio o outros fluidos.
Uma indicação da porosidade pode ser obtida a partir da
absorção do concreto.
Se a porosidade for grande e estiverem interligados?
Se forem descontínuos? Mesmo como porosidade alta?
Permeabilidade: escoamento sob diferencial de pressão
Difusão: deslocamento do fluido por efeito de diferenças
de concentração
Sorçao: Resultado de movimentos capilares, nos poros do
concreto abertos ao meio ambiente.
Escoamento, difusão e Sorção:
Pode existir sucção capilar em concreto parcialmente
secos; não existe adsorção de água em concretos
completamente secos ou completamente saturados.

A difusão dos gases (CO2 e O) apresentam grande


interesse: o CO2 leva a carbonatação da pasta de cimento
hidratado e o O2 leva a corrosão da armadura do concreto.
Os ions cloreto( ataca a armadura) e sulfatos(concreto),
se deslocam por difusão na água dos poros, nessa água
que ocorrem as reações com a pasta de cimento hidratado,
esta difusão diminui em concreto pouco úmidos.
Absorção:
Mede-se pela absorção o volume dos poros, que nada tem
a ver com a facilidade com a qual um fluido pode penetrar
no concreto, Não existe uma relação necessária entre as
duas quantidades.
Um concreto de qualidade tem absorção bem abaixo de
10% em massa.
Os ensaios de absorção são feitos calculando a
quantidade de água penetrada no concreto inicialmente
secado em estufa depois submerso em água durante um
tempo.
Carbonatação:
Carbonatação:
As reações químicas que se processam na carbonatação
são os seguintes
CO2 (ambiente) + H20 ==> H2CO3 (ácido carbônico)
H2CO3 + Ca(OH)2 ==>CaCO3 + 2H2O (carbonato de cálcio)
CaCO3 + 2H2O ==> Ca(HCO3)2 (bicarbonato de cálcio)
A carbonatação em si não causa deterioração do
concreto, mais produz retração no concreto.
 Reduz o PH da água dos poros da pasta de cimento de
valores entre 12,6 - 13,5 para cerca de 9, quando tudo o
Ca(OH)2 se carbonata o PH é reduzido a 8,3
Carbonatação: efeitos
O aço envolto pela pasta de cimento hidratado forma
rapidamente uma camada de passivação delgada de óxido
que adere fortemente ao aço que proporciona uma
proteção completa contra a reação do oxigênio e com a
água, isto é, contra a corrosão ou formação de ferrugem.
A preservação da passivação é condicionada por um PH
alto da água dos poros em contato com a camada
passivadora.
Assim quando o PH baixo atinge as proximidades da
superfície do aço, a película protetora e removida e pode
ocorrer corrosão. Por esse motivo e importante conhecer
a profundidade da carbonatação.
Carbonatação: velocidade
A carbonatação ocorre progressivamente a uma
velocidade decrescente, porque o CO2 tem que se difundir
a traves do sistema de poros, incluindo a região de
carbonatação. A umidade relativa (Max. Entre 50% e 70%)
influencia na formação da carbonatação, pois o CO2
gasoso, não reage com o concreto seco.
A profundidade pode expressar-se: D = K t ½
D=profundidade em mm
K = Coef. De carbonatação (0,2 bom concreto e 0,5 para um
concreto de controle razoável)
t = tempo de vida do concreto em anos
Carbonatação x resistência
Prof.. De carbonatação após 50 anos , mm
Exposição fc = 25 MPa fc = 50 MPa
Exteriores protegido 60 - 70 20 - 30
Exposição a chuva 10 - 20 1-2

Profundidade máxima Evidentemente os valores não


Fc 28 MPa Prof. mm devem ser tratados como norma.
20 45 A vida útil da estrutura esta
40 17 ligada ao cobrimento da
60 5 armadura. Os cimentos que
usam fillers não tem influência
80 2
sobre a carbonatação da pasta.
Carbonatação: medida
As técnicas usadas para medir a profundidade de
carbonatação são: análises químicas, difração de raios X,
espectroscopia por infravermelho e análise
termogravimétrica.
Um método comum e simples e o uso da solução de
fenolftaleina em álcool diluído. Pois mede a alcalinidade da
superfície exposta, a cor rosa indica presencia de Ca(OH)2.
Para este ensaio precisa de uma amostra rompida, pode-se
obter amostras de pó perfurando o concreto até diversas
profundidades, submetendo assim ao ensaio de fenolftaleina.
A presencia de cal livre poderá enganar o ensaio, indicando
ausência de carbonatação.
Carbonatação: e a ferrugem
Se a qualidade do concreto tiver sido comprometida, de
forma a permitir a penetração do gás dióxido de carbono
(CO2), oxigênio (O) do ar e umidade (água H2O), então o
ferro (Fe) passa a ser atacado pela ferrugem. A formação de
ferrugem se processa pela seguinte reação:
Fe + CO2 + H2O => FeCO3 + H2 carbonato de ferro
FeCO3 + CO2 + H2O => Fe (HCO3)2 bicarbonato ferroso
que pela ação do oxigênio ionizado, se oxida.
2Fe (HCO3)2 + O2 => Fe2O3 .2H2O + 4CO2 óxido de ferro hidratado.
.
Carbonatação: e a ferrugem
Com a carbonatação, o aço se corrói de forma generalizada, tal como se
estivesse simplesmente exposto à atmosfera sem qualquer proteção,
porem com o agravante de que a umidade permanece no interior do
concreto, corroendo com maior velocidade.
Lixiviação do
concreto por
ação da chuva
formando
CaCO3 em
forma de
estalactitas

A carbonatação
dentro do
estacionamento de
um shopping da
cidade e por
conseqüência a
corrosão do aço.
Ensaio de carbonatação com
indicador químico tipo fenolftaleina
ATAQUE DO CONCRETO POR
ÁCIDOS
 O ataque químico do concreto ocorre pela decomposição
de produtos da hidratação e formação de outros produtos
que se forem solúveis podem ser lixiviados, e se insolúveis
podem se expandir no próprio local onde se formam.
 O concreto sendo altamente alcalino não resiste ao ataque
de ácidos fortes ou de compostos que podem dar ácidos
fortes. Os produtos de hidratação vulneráveis é o
Ca(OH)2, mais também o C-S-H pode ser atacado.
 Os agregados também podem ser atacados, geralmente de
origem calcários.
 Os ataques severos são de aqueles líquidos com PH < 5,5
ATAQUE DO CONCRETO POR
ÁCIDOS
 As chuvas ácidas, constituídas principalmente por ácidos
Sulfúrico e nítrico, tem PH entre 4,0 e 4,5.podem causar
deterioração superficial do concreto.
 O concreto não favorece ao ataque de microorganismos,
mais sob certas condições tropicais algumas algas, fungos
e bactérias podem usar o nitrogênio do ar para produzir
ácido nítrico.
 Óleos lubrificantes e hidráulicos reagem com o Ca(OH)2
causando assim lixiviação
 pode-se proteger o concreto com vidro líquido (silicato de
sódio) formando silicatos de cálcio, tampando os poros.
RELAÇÃO DE ALGUMAS SUBSTANCIAS QUE
ATACAM SEVERAMENTE O CONCRETO

ÁCIDOS
inorgânicos orgânicos
Carbônico Acético
Hidroclórico Cítrico
Hidrofluórico Fórmico
Fosfórico Láctico
Sulfúrico Tânico
OUTRAS SUBSTANCIAS
Cloreto de alumínio Gorduras vegetais e animais
Sais de amônio Óleos vegetais
Sulfeto de hidrogênio Sulfatos
Faltou o ácido
úrico
ATAQUE POR SULFATOS
 Os sulfatos de Na, K, Ca que se encontram em solos ou em águas
freáticas provenientes de: industrias de fertilizantes, pólvora,
fungicidas, vulcanização; águas residuais industriais; esgoto sanitário,
regiões de maré, etc. quando dissolvidos forma o íon SO 42- podem
reagir com a pasta de cimento CSH e Ca(OH)2.
 São comuns o sulfato de amônio (provenientes de efluentes
industriais) ataca ao concreto formando gesso CaSO4 (GIPSITA).
 Ataque de sulfato de sódio ao Ca(OH)2
Ca(OH)2 +Na.SO4.12H2O =>CaSO4.12H2O+2NaOH+8H2O
 O sulfato de cálcio ataca somente o aluminato de cálcio formando
sulfoaluminato de cálcio conhecido como ETRINGITA provocando
expansão logo desagregação.
 O sulfato de magnésio e mais devastador pois ataca ao CSH
ATAQUE POR SULFATOS
 Costa (2004) esquematiza as reações de maneira
simplificada:
 hidróxido de cálcio + sulfato + água  gipsita
 aluminato tricálcico + gipsita + água  monossulfato
 monossulfato + gipsita + água  etringita
 A intensidade do ataque depende do íon cátion (íon
positivo) que está ligado ao radical sulfato (SO42−), de
modo que a ordem crescente de agressividade é: sulfato de
cálcio (CaSO4), sulfato de sódio (Na2SO4), sulfato de
magnésio (MgSO4) e sulfato de amônia (NH4SO4)
(COSTA, 2004).
 Pode-se formar a etringita também a
partir do C4AF, amorfa, sem expansão
prejudicial. Não obstante a ASTM C
150-94 estabelece um limite para o
teor junto de C3A e C4AF quando é
necessária resistência aos sulfatos.
 A conseqüência do ataque por sulfatos
não compreendem somente a
desagregação por expansão e
fissuração, mas também a perda de
resistência. O concreto atacado por
sulfatos tem uma aparência
esbranquiçada, que começa nos cantos
e arestas seguida de uma fissuração
progressiva e lascamento do concreto
de condição mole.
CLASSIFICAÇÃO DA SEVERIDADE DO AMBIENTE DE
SULFATO DE ACORDO COM O ACI 201.2R-92

Concentração de sulfatos
solúveis em SO4
Exposição No solo% na água ppm
leve <0,1 <150
moderada 0,1 a 0,2 150 a 1500
severa 0,2 a 2,0 1500 a 10000
muito severa >2 >10000

A exposição aumenta com a saturação e secagem


alternados.
As medidas preventivas podem ser usar cimentos com
baixo teor de C3A, isto é usar cimentos resistentes a
sulfatos, ao formarse a etringita aumenta de volume em
227% resultando uma desagregação progressiva do
concreto. Um segundo tipo de reação é devida a troca de
bases entre portlandita e os sulfatos resultando a formação
de gesso com aumento de volume da fase sólida em 124%.
Nos EE.UU o cimento resistente a sulfatos e do tipo V e
limita o teor de C3A em 5% no Brasil e limitado a 8%.
Outra forma de reduzir a quantidade de Ca(OH)2, e
agregando escoria de alto forno ou pozzolanas. O efeito da
pozzolana é duplo. Primeiro reage com Ca(OH)2 que
indisponibiliza reagir com os sulfatos e segundo com
adições de pozzolana produz menos Ca(OH)2 e logo mais
impermeável. Os cimentos resistentes a sulfatos tem
adições de pozzolana (25-40%) ou Escoria (70%)
Eflorescências
A lixiviação dos compostos calcários pode em certas
condições levar à formação de depósitos de sais na
superfície do concreto. Ca(OH)2 +CO2 ==> CaCO3 + H2O
Ocorre quando à água percola através do concreto mal
adensados ou através de fissuras, ou ainda através de juntas
mal executadas e quando pode haver evaporação na
superfície
A eflorescência também pode ser causada pelo uso de
agregados provenientes do mar não lavados provocando
eflorescências no concreto de sais.Gesso e álcali no
agregado tem efeito semelhantes. Transporte de sais do solo
para a superfície expostas a secagem também resultam
eflorescência.
Eflorescências

A eflorescência recém formada pode ser removida com


escova e água. Para depósitos mais resistentes é necessário
o uso de ácido HCl com diluição 1:20 ou 1:10 é importante
fazer testes prévios.
Desagregação pela reação álcali-Sílica
Nos últimos anos, foi observado um número crescente de
reações entre agregados e a pasta de cimento hidratado que
o envolve. A sílica ativa (opala, calcedonia e tridimita) do
agregado e os álcalis do cimento reacionam formando um
gel álcali-silicato nos planos mais fracos ou poros do
agregado (onde esta presente a sílica ativa) ou na superfície
dos agregados alterando a aderência entre agregado e pasta.
O gel formado e do tipo “expansão ilimitada” absorve
água com aumento de volume, provocando fissuração e
desagregação da pasta, ocorrendo lixiviação. Esta reação
ocorre na presença de água, deve existir cerca de 85% de
umidade a 20ºC, a molhagem e secagem alternadas
intensificam estas reações.
Microfissura decorrente de RAA
Efeito do uso de
aditivo
incorporador de
ar no concreto

Efeito do
excesso de
água no
concreto
Desagregação pela reação álcali-Sílica
A reação álcali - sílica e muito lenta e suas conseqüências
podem não se manifestar após muitos anos.
A reação alcali-sílica e maior usando agregados reativos e
maior quanto maior o teor de álcalis de cimento.
Na prevenção incluem a permeabilidade da pasta de
cimento, porque ela controla o deslocamento da água e dos
vários ions, bem como do gel de sílica.
A abertura das fissuras pode ser desde 0,1mm até 10 mm,
em casos extremos. Facilitando a entrada de agentes
agressivos. É irregular a distribuição das fissuras lembrando
a teia de aranha. Não é diferenciável do ataque de sulfatos,
gelo-degelo ou retração plástica severa.
Desagregação pela reação álcali-Sílica
As origens adicionais de álcalis no concreto compreendem
o cloreto de sódio presente nas areias do mar o desertos.
Não devem ser usados estas areias em concreto armado
porque corroem a armadura.
Outro tipo de origem pode ser o uso de aditivos
superplastificantes, ou mesmo a água do amassamento.
A adição de sílica ativa fina diminui a reação. A pozzolana
também são benéficas porque diminuem a permeabilidade.
Com a incorporação de ar não se deve concluir um meio de
evitar os efeitos deletérios dessa reação.
Extensas trincas associadas com a
RAS em superfícies horizontais

Corpo de prova com


RAS extraído de uma
peça estrutural. Note
os depósitos brancos
no em torno de
diversos agregados
escuros.
ATAQUE POR CLORETOS
O ataque por cloretos é diferente a ação principal é a
corrosão do aço, e por conseqüência danifica o concreto em
torno da armadura de modo que a seção reta de uma barra
pode crescer até 16 vezes o tamanho original, lascando o
concreto e expondo a armação, reduzindo com isso
consideravelmente a capacidade de trabalho das peças
estruturais. Não se admitem teores de cloreto de sódio
superiores a 0,08% do peso da areia.
A camada protetora de passivação na superfície do aço
formada com a hidratação do cimento, consiste de -Fe2O3
firmemente aderente ao aço. Existindo esta camada não tem
corrosão, para preservar esta camada temos que manter um
PH alto >12 na pasta do concreto.
ATAQUE POR CLORETOS
ATAQUE POR CLORETOS
Reações anódicas: Fe ==> Fe++ + 2 e-
Fe++ + 2(OH)- ==> Fe(OH)2 hidróxido ferroso
4Fe(OH)2 + 2H2O + O2 => 4Fe(OH)3 Hidrox. Férrico
Reação Catódica: 4e- + O2 + 2H2O => 4(OH)-
A ação dos cloretos em células eletroquímicas:
Fe++ + 2Cl- => FeCl2 FeCl2 + 2H2O
=> Fe(OH)2 + 2HCl
A ferrugem não contem cloreto, embora se forme cloreto
ferroso no estagio intermediário
Pode-se notar que não há corrosão em concreto seco.
Fissuração

lascamento

delaminação
ATAQUE POR CLORETOS

Os cloretos penetram no concreto pela movimentação da água


contendo os cloretos, o ingresso prolongado e repetido pode
resultar altas concentrações de ions cloreto junto à superfície
do aço. Na existência do Oxigênio haverá corrosão, então em
concretos submerso os cloretos penetram mais não haverá
corrosão. Para evitar os ataques de cloretos fala-se de
aumentar o cobrimento do aço, mais se o concreto for
penetravel não adianta. Em termos práticos para evitar
ataques devemos usar um concreto densamente continuo e
uma bom cobrimento.
Inibidores: tais como Nitrito de sódio e de cálcio se mostram
eficazes passivam o ferro e reagem com os ions Cloreto. O ion
nitrito pode acabar com o tempo, então só retardam a
oxidação
Os inibidores não
corrigem a baixa
permeabilidade. Os
inibidores mal usados
como o Nitrito de sódio
que aumentam a
concentração de íon
hidroxila na água dos
poros, o que pode
aumentar o risco de
reação álcali-agregado.
Uma boa técnica é usar
revestimento de epoxi
por proteção catódica
combinando com um
cobrimento e
permeabilidade baixa.

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