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UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA

Faculdade de Arquitectura e Urbanismo


História do Urbanismo

CIDADES
MEDIEVAIS

Aialon Penza
Sungani Nianga
Zeliana Lopes
Docente: Zeca Santos, arq.

Luanda, Angola
Ano 2021
UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA
Faculdade de Arquitectura e Urbanismo
História do Urbanismo

CIDADES
MEDIEVAIS
Início da Idade Média
Queda do império romano
O Sistema Feudal
Surgimento da Burguesia
O renascimento urbano

33333 - Aialon Penza


31711 - Sungani Daniel Nianga
32896 - Zeliana Montenegro Lopes

Turma: B-Tarde
3º Ano
UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA
Faculdade de Arquitectura e Urbanismo
História do Urbanismo

CIDADES
MEDIEVAIS
Aialon Penza
Sungani Nianga
Zeliana Lopes
Docente: Zeca Santos, arq.

Luanda, 2021
UNIVERSIDADE METODISTA DE ANGOLA
Faculdade de Arquitectura e Urbanismo
História do Urbanismo

CIDADES
MEDIEVAIS
Início da Idade Média
Queda do império romano
O Sistema Feudal
Surgimento da Burguesia
O renascimento urbano

33333 - Aialon Penza


31711 - Sungani Daniel Nianga
32896 - Zeliana Montenegro Lopes

Turma: B-Tarde
3º Ano
SUMÁRIO

1.1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………...… 5

2.1 DEFINIÇÕES DE TERMOS E CONCEITOS


2.1.1 Conceito de Cidade…………………………………………………..…….. 6
2.1.2 Contributos sobre o termo “Cidade”…………………………………………
2.1.3 Outros termos e conceitos…………………………………………………….

2.2 CONTEXTO HISTÓRICO……………………………………………………


2.2.1 Início da Idade média………………………………………………………
2.2.1.1 Declinio do império romano…….……………………………. …….. 6
2.2.2 Sistema feudal…………………..………………………………………….
2.2.2.1 A economia, política e sociedade..………….………………………..
2.2.3 As cruzadas…………………………………………………………………
2.2.4 O surgimento da burguesia…………………………………………………
2.2.5 A queda do feudalismo……………………………….…………………….
2.2.6 O renascimento urbano……………………………………………………..
2.2.7 A formação das cidades medievais…………………………………………
2.2.7.1 Bastides……………………………………………..…………………

2.3 ELEMENTOS ARQUITECTÓNICOS……………………………………….


2.3.1 As muralhas…………………………………………………………….
2.3.2 As ruas………………………………………………………………….
2.3.3 Os quarteirões…………………………………………………………..
2.3.4 Os espaços públicos…………………………………………………….
2.3.5 Os edifícios…………………………………………………………….

2.4 URBANISMO MEDIEVAL……………………………………….


2.4.1 Análise urbana
2.4.2 Cidades planeadas e não planeadas……………………………………………
2.4.3 Influência das cidades medievais……………………………………………..

2.5 AS CIDADES MEDIEVAIS ANTIGAS


2.5.1 Florença - Itália
2.5.2
2.5.3

3 CONCLUSÕES………………………………………………………………….

4 BIBLIOGRAFIA…………………………………………………………….
1.1 INTRODUÇÃO

O objetivo geral deste trabalho é abordar …

Este trabalho foi dividido em partes.


Na primeira parte analisamos algumas definições sobre alguns termos de
relevância sobre o tema, nomeadamente os termos “cidade”, “idade média”,
“medieval” entre outros.

Na parte seguinte, viajamos sobre o contexto histórico que deu origem as cidades
medievais, desde a queda do império romano do ocidente, a criação do sistema feudal,
as cruzadas, o surgimento da burguesia e os burgueses, bem como o renascimento
comercial e urbano, até a formação das cidades.

A terceira parte é sobre os elementos arquitectónicos que caracterizaram as cidades


medievais. Temos também as características do urbanismo medieval, as cidades
planeadas e as não planeadas e por fim a influência das cidades medievais em outras
cidades.

Em sequência, apresentamos algumas cidades medievais que subsistem até hoje e


que são referencias quando se fala de cidades medievais
E por último, são apresentadas as considerações finais.

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2.1 DEFINIÇÕES DE TERMOS E CONCEITOS

2.1 DEFINIÇÕES DE TERMOS E CONCEITOS

Influência das cidades medievais

Etimologia (origem da palavra medieval). Do latim "mediu-", meio + "aevu-", idade; pelo


francês "médiéval".

A Classe Burguesa vem da palavra


Burguesia, que designa a classe social
dominante do sistema capitalista, formada
por proprietários de bens ou capitais.

O termo está ligado ao vocábulo Burgos, que


originalmente significava “fortaleza” ou
“pequenas cidades”. É que as antigas cidades
da Europa eram cercadas por muralhas.

A Burguesia surge no fim da Idade Média,


por causa de certa expansão e
desenvolvimento das cidades medievais.

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.1 Início da Idade Média


A cidade medieval apresentou características distintas As primeiras
durante a Idade Média. universidades, inclusive,
Esse período iniciou-se, em 476 d.C, no século V, aquando da surgiram neste período para
queda do império romano do ocidente e terminou em 1453 com formar padres, pois as igrejas
a descoberta da América. Dentro desse espaço de tempo, a tiveram um papel muito
cidade na Europa Ocidental passou por um processo de importante na idade média, ao
esvaziamento, que caracterizou o início da Idade Média, e, após se juntar a política.
o século XI, viveu o renascimento.
A arte e a arquitectura
A Idade Média é uma época fascinante e muito rica do também se desenvolveram
ponto de vista histórico, sociológico, filosófico, psicológico, bastante tecnologicamente na
entre outros. idade média.
Foi uma época intermediária entre a antiguidade – clássico A Idade Média resulta,
grego e romano - e a idade moderna, e é chamada assim então, da queda do Império
exactamente por isso, muitos estudiosos a consideram uma Romano do ocidente e
paragem entre duas grandes épocas: o classicismo antigo e o desintegração da civilização e
modernismo.
cultura clássicas de que se
constituía.
Na época que se seguiu – renascentista – chamada
também época de luz, muitos renascentistas tratavam a idade
Para melhor classificação
média também como a “idade das trevas” pois diziam eles que
e explicação sobre a idade
foi um atraso de mil anos, pois, segundo eles, as pessoas dessa média, deu-se a conhecer duas
época tinham o conhecimento limitado, uma igreja muito fases da mesma: a Alta e Baixa
controladora, um regime ditador; e embora seja verdade, a idade
idade média.
média também foi um período de muitas descobertas.
No período da chamada
Alta Idade Média (séculos V a
VIII, ou mesmo a X), assiste-se
a decadência do estilo clássico
herdado da idade antiga, a
consolidação da ocupação dos
bárbaros1 e também o
nascimento do feudalismo.

Já a Baixa idade média,


compreende o período entre os
séculos XI e XV. Nessa fase,
houve o renascimento
comercial e urbano na Europa.

Fig.: Nas cidades, juntavam-se e conviviam todos os tipos de pessoas e


profissões
Fonte: https://www.todoestudo.com.br/historia/alta-idade-media

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.2 Declínio do império romano

A cidade medieval surgiu do esvaziamento e ruralização da população do Império


Romano do Ocidente.
A partir do século II, o império Romano passou por um longo período de crise económica. Esta
crise aliada a invasão dos povos germânicos gerou um processo migratório da população.

Os povos germânicos invadiram Roma, não só porque estavam a procura de terras


melhores para cultivo e para se estabelecerem, mas também porque eles fugiam dos povos
hunos, vindos da Ásia para a Europa. Estas invasões enfraqueceram as rotas comerciais de
Roma, pois a medida que iam acontecendo, estes bárbaros saqueavam e destruíam os centros
de produção de alimentos do império romano.

Com medo da chegada dos bárbaros e temendo por suas vidas, muitos camponeses
acabaram por abandonar as suas fazendas, e algumas foram mesmo destruídas. Desse jeito,
com as rotas comerciais enfraquecidas, a diminuição da produção, já não se podia abastecer as
cidades. Como agravante, a fome se instalou e o aparecimento de muitas doenças epidémicas,
foram outros motivos para a queda do império romano.
Mas para obter riquezas mais rapidamente, os povos germânicos saqueavam as cidades
também. A cidade de Roma, foi saqueada em 410, 455 e 476 por diferentes povos germânicos.

O Império Romano possuía um desenvolvimento urbano elevado com as rotas


comerciais, que supriam as necessidades da população urbana, e a população que habitava as
cidades. A cidade na Europa Ocidental sofreu grandes mudanças com o fim do Império
Romano do Ocidente e início da Idade Média.

Fig.: Antiga cidade de Roma


Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55133041

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

Crise do O sistema entra em crise com a


O império romano passa a sistema diminuição do nº de escravos,
ser alvo de invasões bárbaras, de escravos porque a produção era
quando o seu poder dependente do trabalho escravo
enfraqueceu

Queda do Instabilidade
Invasão dos
povos império política
germânicos romano

As crises políticas internas


Os cristãos não aceita- levam ao enfraquecimento
vam o carácter divino do poder político
Expansão do
dos imperadores
Cristianismo
romanos

Fig.: Factores que influenciaram a queda de Roma no ocidente


Europeu
Fonte: autoria dos discentes

Outros motivos que contribuíram para o declínio do império romano foram a


instabilidade política e a expansão do cristianismo.

Desde o século III, Roma passou a enfrentar grandes crises na politica do reino. Houve
inúmeras sucessões de imperadores, assassinatos e conspirações em um curto espaço de
tempo.

Essa crise caracterizou-se pela incapacidade dos romanos em administrar e exercer o


seu poder no grande território que eles haviam conquistado durante séculos, pois as
autoridades não conseguiam aumentar a quantidade de trabalhadores. Assim, o território
torna-se fácil alvo de invasão pelos povos bárbaros.

E a expansão do cristianismo começou a ameaçar o poder dos imperadores romanos,


que eram na época considerados como divindades. Pois os cristãos não aceitavam esta
denominação e tratamento sagrado com os quais os imperadores eram tratados, o que
causou um enfraquecimento do poder destes soberanos diante da sociedade.

Apesar de terem sofrido perseguições durante séculos no Império Romano, os


cristãos lutaram contra este regime. E além disso, os cristão eram também contra a
escravidão, o que indicava uma ameaça maior ao império, pois a maior parte de sua
estrutura era baseada no trabalho escravo.

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.2 Sistema Feudal

Com o sistema politico romano a entrar em


colapso, devido as crises que se viviam na época,
muitos proprietários tentaram reverter o quadro
actual.
Surge assim o feudalismo, quando a cultura romana
começou a se integrar com a germânica. O sistema
feudal tem a ver com o modo de organização de vida
durante a Idade Média.
Fig. Exemplo de feudo. Foi dividido
Quando o povo germanico começou a invadir o basicamente em três partes: manso senhoril,
imperio romano, muitos romanos concediam-lhes manso comunal e manso servil
terras para poderem abrigar-se e estabelecer, mas Fonte:
não foi apenas com os germânicos. https://carbonocatorze.blogspot.com/2006/07/as-
Muitos proprietários de terra decidiram obrigaes-do-suserano.html
implementar então o sistema de colonato, que foi
uma tradição ou acordo implementada pelos De maneira bem resumida, o colonato é
romanos, onde grandes proprietários cediam parte de uma tradição sobre a exploração da terra,
suas terras para pessoas pobres dos campos e das enquanto o comitatus é uma tradição
cidades. sobre uma relação militar.
COLONATO: As terras são de posse de
um senhor, enquanto que o colono é
aquele que trabalha diretamente na terra.
Como pagamento pelo uso da terra, os
colonos dão ao senhor uma parte de sua
produção.
COMITATUS: É uma série de obrigações
que os chefes militares têm com seus
guerreiros. Envolve fidelidade e proteção.
Estas obrigaçoes influenciaram
fortemente aquilo que ficou conhecido
como Suserania e Vassalagem.

Durante este período, houve,


ainda, o fortalecimento do cristianismo e,
consequentemente, o crescimento da
Igreja Católica e de seu poder. A cultura
laica foi enfraquecida, e o teocentrismo
passou a predominar. O teocentrismo é a
crença de que Deus é único
Fig. Exemplo de feudo. Foi dividido basicamente em três
partes: manso senhoril, manso comunal e manso servil
Fonte: http://aquitemhisto.blogspot.com/2015/07/a-
organizacao-do-feudo.html

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.3 A Economia, Política e Sociedade

Devido a ruralização da Europa, a economia era baseada na agricultura.


Houve também a formação de feudos[3]. Os feudos são grandes pedaços de terra com
castelos fortificados, pertencentes a nobres e a membros da Igreja.
Os feudos são compostos por várias áreas: castelo, aldeias, igreja, bosque, riacho, campos,
pastos, terras comunais, manso senhorial, manso servil.

Os feudos só
podiam ser obtidos por
doação, herança ou
conquista de guerra, por
isso um camponês
nunca é proprietário do
feudo.
As trocas comerciais
eram feitas no interior dos
próprios feudos, os
habitantes produziam
apenas o necessário para
sobreviver, e raramente
usava-se moedas. Fig. Exemplo de feudo. Foi dividido basicamente em três partes: manso
senhoril, manso comunal e manso servil
Os feudos eram Fonte: http://nossahistoriafacil.blogspot.com/2018/03/feudalismo.htmlM
administrados por um
senhor feudal, que eram 3. Heilbroner (1984: 53) nos traz uma descrição de como era o feudo.
os nobres que viviam nos Segundo ele: No ponto focal do domínio estava a mansão senhorial,
uma grande construção, usualmente armada contra ataques de
castelos, e os camponeses
bandoleiros, isolada dos campos circundantes por muralhas e
que trabalhavam para eles atingindo, por vezes, as dimensões de um verdadeiro castelo. No pátio
eram chamados de servos. fechado da mansão estavam as oficinas onde panos podiam ser fiados
Ao contrário dos ou tecidos, uvas prensadas, mantimentos armazenados, trabalhos
escravos, os servos simples de ferreiro executados, grãos moídos. Estendendo-se por toda
prestavam serviço para os a volta da mansão, havia um mosaico de campos de cultivo.

senhores feudais em troca de um lugar para viver e direito a uma pequena parte do que eles
produziam nos campos e ainda pagavam impostos aos seus senhores. Existia também a
relação entre os nobres que receberam a denominação de Suseranos e Vassalos, onde eles
partilhavam ou dividiam terras e valores em troca de algo, como por exemplo protecção ou
serviços. O nobre que doava era chamado de suserano e o que recebia era o vassalo.

O mercado era sempre local e pouco intenso.


O principal obstáculo eram as estradas, que não dispunham de uma estrutura
favorável para o trânsito de carroças. Aliás, as moedas eram diferentes em cada região, o
que dificultava ainda mais o trânsito de mercadorias.

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

O rei era o maior dos suseranos mais poderoso de todos, era o que mais doava suas
terras, mas não tinha grande influência na governação dos feudos. Todo o poder jurídico,
económico e politico estavam nas mãos dos senhores feudais para os seus feudos.

Nesse período, a sociedade era tratada como uma Sociedade Estamental, ou seja,
não se podia mudar de classe social, por ser uma sociedade dual – com apenas duas
classes sociais – e que não se misturavam não havia possibilidade de ascensão, quem
nasce pobre morria pobre e quem nasce rico, morre rico; até o nascimento da burguesia.

Senhor feudal

Clero

Nobres e Guerreiros

Servos

Fig.: Principais grupos sociais


Fonte: https://conhecimentocientifico.r7.com/o-que-foi-feudalismo-
entenda-o-sistema-que-reinou-na-europa-por-5-seculos/

A sociedade feudal estava dividida em distintos grupos sociais. Para além dos
senhores do feudo, que também podiam ser considerados nobres, haviam ainda o Clero,
os Guerreiros ou Nobreza e os Servos ou Camponeses.

O clero era um dos mais prestigiosos grupos sociais, composto pelas entidades da
igreja católica. Como já referido, a igreja detinha de muito poder na época e o clero
administrava todos os bens da igreja. Como a maioria da população era analfabeta e
serem das poucas pessoas que sabiam ler e escrever, eles escreviam livros dando
orientação as comunidades, orientavam o rei, e a igreja era dona de boa parte das terras
da Europa, devido as doações que as pessoas faziam a igreja, acreditando alcançar o
perdão dos seus pecados.

A Nobreza era uma classe constituída pelo rei, os guerreiros e os senhores feudais
estavam incluídos. Na época o rei não era um simples homem, ele representava a
vontade de Deus, por isso era muito respeitado, também não detinha de grande
influência, como também já foi referido, todas as leis e impostos que os servos pagavam
em cada feudo era única e exclusivamente a cargo dos senhores feudais.

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

O título da realeza era apenas pelos membros da mesma família, ou seja, era passado de pai
para filho. E nesses casos o clero influenciavam na escolha dessa sucessão, interferindo também
deste modo, na política.

Para serem guerreiros, era necessário serem “armados” por outros cavaleiros, jurar proteger
a igreja católica, confessar-se, passar a noite a orar, comungar e só assim recebiam suas armas.
Para perder o título só tinham de renunciar a fé cristã ou passar para o lado inimigo.

Quando não estavam em guerra, os


cavaleiros organizavam torneios, iam
caçar ou passavam os dias em grandes
banquetes. Aliás, era essa a vida que
os nobres levavam, muitos não faziam
nada senão se divertir.

Os servos trabalhavam na terra ou


artesanato, construíam pontes, estradas
e castelos e criação de animais. Eles
não eram totalmente livres, pois
tinham várias obrigações para com os
seus senhores, como a talha,
banalidade, corveia e mão morta. Mas
havia uma categoria de servos que
eram chamados de vilões, porque não
tinham obrigações com o feudo, eram
considerados camponeses livres, mas
eram uma pequena quantidade.
Fig.: Um cavaleiro na época medieval
Fonte: https://www.pinterest.com/pin/574701602428073234/

2.2.4 As cruzadas

O título da realeza era apenas pelos membros da mesma família, ou seja, era passado de pai
para filho. E nesses casos o clero influenciavam na escolha dessa sucessão, interferindo também
deste modo, na política.

Para serem guerreiros, era necessário serem “armados” por outros cavaleiros, jurar proteger
a igreja católica, confessar-se, passar a noite a orar, comungar e só assim recebiam suas armas.
Para perder o título só tinham de renunciar a fé cristã ou passar para o lado inimigo.

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

O título da realeza era apenas pelos membros da mesma família, ou seja, era passado de pai
para filho. E nesses casos o clero influenciavam na escolha dessa sucessão, interferindo também
deste modo, na política.

Para serem guerreiros, era necessário serem “armados” por outros cavaleiros, jurar proteger
a igreja católica, confessar-se, passar a noite a orar, comungar e só assim recebiam suas armas.
Para perder o título só tinham de renunciar a fé cristã ou passar para o lado inimigo.

Fig.: Um cavaleiro na época


medieval
Fonte:
https://www.pinterest.com/pi
n/574701602428073234/

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.5 O surgimento da burguesia

No momento em que o sistema feudal já estava bem estabelecido, quando cada homem
tomou seu lugar, as cidades recomeçaram a adquirir alguma importância, desenvolvendo-se de
novo alguma atividade nelas.
Os burgos eram os núcleos urbanos que começaram a se desenvolver em volta das muralhas
que protegiam os feudos (as pessoas não iam muito longe dos feudos porque era muito perigoso
ainda, e não desenvolviam seus negócios dentro dos feudos para não terem de pagar os impostos
aos senhores feudais).

Nesses burgos, com o aumento de seus habitantes, foram sendo ampliados para além das
muralhas, o que gerava a necessidade de proteção e de organização política própria, pois seus
moradores eram constituídos, basicamente, de ricos comerciantes e de artesãos, sendo
denominados de burgueses. Assim os interesses dos feudos e da burguesia começaram a entrar em
choque, pois nascia um novo padrão de vida social e também um aumento da força produtiva nos
burgos.
A maior parte dos burgueses eram
mercadores, comerciantes e artesãos. A
população já não trabalhava
predominantemente com terras.

Nessa época também a sociedade já está


a perder o estatuto de estamental, pois estava a
surgir uma nova forma de obtenção de
riquezas. Os burgueses buscavam a ascensão
financeira e social que não se tinha com o
feudalismo.

As relações comerciais ampliaram-se,


bem como o desenvolvimento do comércio
interno das cidades, o que foi muito
impulsionada pelas feiras medievais.

Com o aumento da sua importância


econômica, as cidades medievais se
expandiram. Mais pessoas passaram a morar
nas cidades, o que fez com que os muros que
demarcavam os limites das cidades fossem
Fig.: Os burgueses ampliados.
Fonte:https://www.google.com/url?sa=i&url=https
%3A%2F%2Fbrasilescola.uol.com.br%2Fo-que-e Muitas cidades chegaram a ter mais de 50 mil
%2Fhistoria%2Fo-que-e- habitantes, um número muito superior na
burguesia.htm&psig=AOvVaw0RD367iUbd0AoFV89 época, já que as cidades não chegavam a ter
FjNnk&ust=1618931602541000&source=images&cd= 20 mil habitantes. Paris, inclusive, atingiu a
vfe&ved=0CA0QjhxqFwoTCPjX2r_MivACFQAAAA
marca de 100 mil habitantes.
AdAAAAABAD

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2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.5 A queda do Feudalismo

Com o surgimento da burguesia, não demorou muito para o sistema feudal entrar em crise e
consequentemente acabar. Esta crise marca também o final da Idade Média. Mas o feudalismo não
acabou assim de repente. Ele foi enfraquecendo aos poucos, devido a muitos factores e foi
gradativamente substituído pelo capitalismo. Dentre esses factores estão: Guerras, Fome e
Doenças.

Nos séculos XI a XIII o crescimento demográfico na Europa foi exponencial. Secas e


inundações constantes, estragavam as colheitas em grandes regiões, diminuindo os rendimentos
da Nobreza e do Clero. Não havia comida para todos, por isso as obrigações dos servos quanto a
quantidade do que produziam era muito maior. Esses camponeses responderam com uma série de
protestos violentos ao longo do séc. XIV, e foram chamadas de Jacqueries.
Para além dessas revoltas e o facto de não haver alimento para todos, as mudanças climáticas que
aconteceram na Europa foi outro factor para a Grande Fome na Europa (1315-1317).

O saneamento básico praticamente não existia, tornando as cidades um local vulnerável à


muitas doenças. Foi o que ocorreu no século XIV com a Peste Negra (1347-1350) que foi uma
epidemia que veio do extremo oriente e era causada pela pulga do rato, mas na época não sabiam
disso, por isso o conhecimento médico não foi suficiente para conte-la. E por causa do grande
poder que a igreja tinha, fez todo mundo crer que era uma praga divina.
Esta peste dizimou boa parte da população europeia.

Fig.: As guerras na Europa


Fonte:
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/crise-
feudalismo.htm

Fig.: A peste negra dizimou um terço da Europa


Fonte:
https://historytellers.wordpress.com/2013/07/15/c
rise-do-feudalismo-e-a-cultura-medieval/

7
2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

As guerras desestabilizaram fortemente o sistema feudal. Uma delas foi a Guerra dos cem
anos, entre a França e a Inglaterra, devido a rivalidades políticas e econômicas entre os dois
reinos. Esta ocorreu entre os séculos XIV e XV – 1337 a 1453 - e foram uma série de conflitos
que não terminavam. Sua longa duração deve-se ao grande poder que a Inglaterra detinha e a
resistência por parte dos franceses. Foi a primeira grande guerra da Europa.

2.3.1 Renascimento Urbano

Chamam de renascimento em virtude da redescoberta da cultura de antigamente e pelo


movimento cultural surgido na Itália no século XV.
O renascimento urbano surgiu na Europa entre os séculos XV e XVI, onde a produção artística e
literária por ser tão intensa recebeu esse nome de renascença e teve seu desenvolvimento ligado a
uma série de mudanças sociais, políticas e econômicas que ocorreram no final da história
medieval.

O renascimento urbano representou uma das vertentes que formaram o movimento


renascentista. O renascimento urbano está associado ao florescimento e desenvolvimento das
cidades medievais.

Este renascimento foi o resultado direto do aumento populacional decorrente do aumento da


produção de alimentos, da melhoria do clima nos séculos X e XI.
O aumento populacional e a existência de um quadro social de grande opressão, a servidão,
levavam muitos camponeses a fugirem das suas terras.

Assim o sistema
autossuficiente feudal,
baseado nas trocas
(escambo), foi substituído
pelas relações comercias
(vendas de produtos)
fortalecidos pelo
desenvolvimento das
cidades e do sistema
econômico (surgimento da
moeda e dos bancos) na
medida em que ampliaram
as fontes de ronda e as
relações de produto.

Fig.: As feiras medievais


Fonte:https://historiaprimeiroano
blasallesp.wordpress.com/2015/0
8/20/feiras-medievais/

6
2.2 CONTEXTO HISTÓRICO

2.2.7 Formação das Cidades

As cidades medievais, de entre os séculos XI e XV, formam-se apartir de:

- As cidades romanas antigas


- Os Burgos
- Pelo crescimento das aldeias rurais
- Novas cidades, denominadas Bastides

Fig.: Crescimento das aldeias rurais


Fonte:
https://www.abim.inf.br/desfazendo-
mitos-sobre-a-idade-media/

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2.3 ELEMENTOS ARQUITECTÓNICOS

2.3. Elementos Arquitectónicos

As construções nascem sem aparente ordem sobre as construções romanas, igrejas nascem
nos templos, o lugar ancestral como espaço de oração vai perdurar no tempo.
A escala monumental foi abandona dando lugar a uma escala mais humana, mais adaptada às
dimensões do homem.

Os elementos urbanos medievais de maior destaque são, a muralhas, as ruas, os espaços


públicos - praça e mercado - e os edifícios singulares.

Relativamente às muralhas, são alinhamentos que formam o perimetro da cidade compostas por
muros, torres, fossos e portas para entrar na cidade. As muralhas fazem parte do sistema defensivo
medieval para manter em segurança a cidade e principalmente os lugares de poder.
No interior das muralhas, a rua tem um papel muito importante no espaço urbano, executadas para
a circulação de pessoas e animais que transportavam mercadorias. A pavimentação começou a ser
utilizada desde o século XI e XII.

A rua tem um papel forte na economia medieval pois era uma extensão do mercado.

O mercado e a praça são elementos marcantes na cidade, a praça resulta de um espaço aberto na
estrutura, o mercado está junto à igreja, no centro ou ainda junto a uma das portas da cidade. No
fundo as praças dividem-se em praça do mercado e praça da igreja (adro) ou parvis medieval.

Os edifícios singulares, sãos os elementos urbanos destinados a funções religiosas ou de poder,


como a igreja ou catedral, o castelo, o palácio e as torres senhoriais e a Câmara Municipal.

Relativamente ao quarteirão medieval este destacam-se dos quarteirões romanos, a fachada entre
em contacto directo com a rua deixando uma área afecta onde se desenvolveriam hortas e jardins.

Muitos arquitectos e urbanistas questionam-se sobre o traçado medieval, se é fruto do acaso ou se


é planeado, as opiniões divergem e há poucos consensos. Porém pode ser sempre estudado pois
permanece em muitas cidades, e será sempre um debate apetecível pelos estudiosos destas
matérias. Pessoalmente, acredito que em momentos históricos a cidade tenha que crescer
rapidamente e isso fez com que o acaso desenvolve-se a cidade, contudo também acredito que
existissem partes da cidade que eram planeadas como os pedaços urbanos que envolviam os
edifícios ligados ao poder e à religião.

Com a introdução de novas funções na cidade e com a instalação de ordens militares e religiosas,
as cidades foram sofrendo profundas alterações urbanas em que o traçado radiocêntrico medieval
se sobrepunha ao traçado romano.

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