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9632-Sistema Nacional de

Intervenção Precoce

Rita Dinis
Objetivos

• Reconhecer o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância.

• Reconhecer a importância da articulação entre as Equipas Locais de


Intervenção e a família.

• Caracterizar o modelo de intervenção e sua articulação com os vários


subsistemas.

• Identificar sinais de alarme no desenvolvimento de crianças e jovens.


Conteúdos

• Intervenção precoce • Cuidados a prestar à criança

• Problemas de desenvolvimento • Papel da família e da

• Identificação de sinais de alarme - comunidade – Intervenção

critérios de elegibilidade centrada na família

• Papel do profissional – Criação de


condições adequadas ao
desenvolvimento infantil
1- Intervenção Precoce

Resposta Social consolidada na comunidade de forma coordenada e


flexível, que privilegia uma atuação integrada de vários serviços e
instituições, proporcionando um acompanhamento centrado na
Família/Criança, intervenção baseada em contextos naturais de
aprendizagem e mediante ações de natureza preventiva e reabilitativa,
no âmbito da educação, da saúde e da ação social.

O Decreto-Lei 281/2009 criou formalmente o Sistema Nacional de


Intervenção Precoce na Infância com o objetivo de “garantir condições
de desenvolvimento das crianças dos 0 aos 6 anos.
1- Intervenção Precoce

Segundo Pinto (1991:49), a Intervenção Precoce surge "como uma


forma de ajudar e apoiar a família e a criança com deficiência ou
em risco, a potencializar ao máximo as suas capacidades, de forma
a atenuar ou a ultrapassar os seus potenciais atrasos". Em sentido
lato, Intervenção Precoce engloba vários serviços, tais como
serviços médicos, serviços educativos e serviços sociais, que
procuram implementar e realizar projetos e programas adequados
às necessidades especiais das crianças abrangidas.
1- Intervenção Precoce
• Prevenção primária: procurando atuar antes que surjam
situações problemáticas, ao nível das condições de risco (gravidez
de risco, mães adolescentes, desvantagens sócio económicas
etc…). Esta medida visa baixar a incidência.

• Prevenção secundária: procurando intervir numa situação


problemática tentando evitar o seu agravamento, reduzindo ao
máximo o número de casos. Visa baixar a prevalência dos
problemas.
1- Intervenção Precoce

• Prevenção terciária: procurando desenvolver uma intervenção


reabilitativa dos casos já diagnosticados, reduzindo as sequelas e
promovendo as capacidades da criança.
1- Intervenção Precoce
• A intervenção precoce de acordo com a legislação deverá abranger
as crianças dos 0 aos 6 anos, preferencialmente dos 0 aos 3
anos.

• O termo precocidade abrange um conjunto de ações que tem


inicio mesmo antes do nascimento, valorizando a importância da
qualidade de vida da família e do período de gravidez.

• A precocidade da intervenção tem relação com a deteção e o


diagnóstico e a sinalização para os programas adequados.
1- Intervenção Precoce

Objetivos da Intervenção
Precoce
1- Intervenção Precoce
Dar apoio às famílias para que atinjam os seus próprios objetivos;

Promover o envolvimento, a independência e as competências da


criança;

Promover o desenvolvimento da criança em domínios chave;

Promover e apoiar a competência social das crianças;

Promover a generalização das competências da criança;

Proporcionar experiências de normalização

Prevenir a emergência de problemas e alterações futuras


1- Intervenção Precoce
• Os programas de intervenção precoce não serão eficazes se os
objetivos forem direcionados apenas para a criança . Torna-se
assim importante prestar atenção a fatores ecológicos em que as
crianças e as suas famílias estão inseridas .

• Esta é uma abordagem psicobioecologica e holística da IPI e que


engloba as seguintes práticas :
Intervenções centradas na família e baseadas nas rotinas;

Intervenções em contextos naturais de aprendizagem

Trabalho em equipa, preferencialmente transdisciplinar


1- Intervenção Precoce

Porquê intervir precocemente?

Existem três razões fundamentais:

• Quanto mais cedo se iniciar a intervenção maior é potencial de


desenvolvimento de cada criança;

• Para proporcionar apoio e assistência à família nos momentos mais


críticos;

• Para maximizar os benefícios sociais da criança e família.


Sistema Nacional de Intervenção Precoce na
Infância – SNIPI
• O SNIPI funciona através da atuação coordenada dos Ministérios
do Trabalho e da Solidariedade Social, da Educação e da Saúde,
conjuntamente com o envolvimento das famílias e da comunidade.

• O SNIPI tem a missão de garantir a Intervenção Precoce na


Infância (IPI), entendendo-se como um conjunto de medidas de
apoio integrado centrado na criança e na família, incluindo ações
de natureza preventiva e reabilitativa, no âmbito da educação, da
saúde e da ação social.
Sistema Nacional de Intervenção Precoce na
Infância – SNIPI
A operacionalização do SNIPI pressupõe assegurar um sistema de interação
entre as famílias e as instituições e, na primeira linha, as da saúde, para que
todos os casos sejam devidamente identificados e sinalizados tão rapidamente
quanto possível.

Assim, devem ser acionados os mecanismos necessários à definição de um plano


individual (Plano Individual de Intervenção Precoce – PIIP) atento às
necessidades das famílias, a ser elaborado por Equipas Locais de Intervenção
(ELI), multidisciplinares, que representem todos os serviços que são chamados a
intervir.
Sistema Nacional de Intervenção Precoce na
Infância – SNIPI
Estrutura do SNIPI
Saúde , Educação e Segurança Social
• Os elementos da saúde , Educação e Segurança Social devem
participar numa perspetiva transdisciplinar , envolvendo-se
ativamente

• À Segurança Social compete, de uma maneira geral, o rastreio,


deteção e referenciação de crianças elegíveis para apoio.

• O Ministério da Saúde, duma forma geral, permitem o diagnóstico,


orientação e acompanhamento especializados, realizando diagnóstico,
exames complementares e encaminhamento para especialidade
(genética , oftalmologista, terapia da fala,etc…
Saúde , Educação e Segurança Social
ELI-EQUIPAS LOCAIS DE INTERVENÇÃO
• As Eli são a base funcional de todo o sistema. Compete intervir em
contextos naturais e de facilitar o envolvimento dos cuidados de saúde
primários. Integram diferentes profissionais de diferentes serviços tais
como: médicos e enfermeiros , educadores , assistentes sociais ,
psicólogos e terapeutas

• Entre as funções das Eli , destacam-se :

Identificação das crianças elegíveis

Elaboração e implementação do PIIP


ELI-EQUIPAS LOCAIS DE INTERVENÇÃO

Identificação da necessidades e recursos disponíveis na


respetiva área de influência

Articulação com outras entidades comunitárias envolvidas

Preparar a transição para o 1º Ciclo do Ensino Básico


Plano Individual Intervenção Precoce (PIIP)
No centro de todo o processo de IPI É
ELABORADO UM PLANO , ESSE PLANO DEVE
RESULTAR DA AVALIAÇÃO DA CRIANÇA NO
SEU CONTEXTO FAMILIAR E SOCIAL. Deve
incluir medidas e ações a desenvolver de
forma a garantir uma intervenção ajustada
às caraterísticas individuais da criança e
família e otimizar a transição entre serviços
e instituição
Plano Individual Intervenção Precoce (PIIP)
(PIIP) deve conter:

• Identificação de recursos e necessidades da criança e família

• Identificação dos apoios a prestar

• Inicio do plano e duração previsível

• Definição da frequência das avaliações efetuadas com criança e família


com base nos problemas iniciais e evolução

• Declaração de aceitação das famílias


Cuidados a prestar à criança

Na relação/interface com as
crianças
Cuidados a prestar à criança
1. Ver cada criança, primeiramente, como uma criança, e valorizar as suas
competências únicas.

2. Respeitar o facto de cada criança ser parte de uma família e incorporar esta
compreensão em todas as minhas interações com as crianças e suas famílias.

3. Reconhecer o papel fundamental do brincar no desenvolvimento e ser sensível aos


direitos da criança a brincar, às suas necessidades de estimulação, diversão,
escolha e preferência.

4. Interação com as crianças em modos que promovem o seu desenvolvimento e


valorizar as suas aquisições (desenvolvimentais).
Cuidados a prestar à criança

5. Trabalhar no sentido de assegurar que não há discriminação contra as


crianças com base em competências, diagnósticos, rótulos, género,
religião, linguagem, cultura ou nacionalidade de origem.

6. Reconhecer a diversidade cultural e linguística das crianças e famílias,


e adapto práticas de acordo com esse conhecimento (ex. consultadoria
cultural, intérpretes gestuais e outros).
Cuidados a prestar à criança

7.Reconhecer e encorajar o direito de todas as crianças a viver em


território português a aceder a educação e serviços de intervenção.

8.Assumir os princípios da parceria, participação e proteção.


Intervenção centrada na família

Na relação/interface com as
Famílias / Prestadores de Cuidados
Intervenção Centrada na Família

A família é o elemento chave na prestação de cuidados à criança.

Salientamos que a família é um sistema, ou seja todos os elementos se


interligam e o que afeta um elemento, afeta todos, portanto, a família é
também foco de intervenção da IPI.

Os profissionais devem fornecer informação à família e todo o apoio que


esta necessite, para que sejam tomadas decisões em conjunto tendo como
grande objetivo o interesse superior da criança.
Intervenção centrada na família

Todo o processo de intervenção é desenhado com a família, numa


constante articulação entre estes dois intervenientes, devendo a
intervenção ser baseada nos interesses e necessidades de cada família em
particular.
Intervenção centrada na família

1. Elevar os princípios da parceria, participação e proteção.

2. Respeitar a perspetiva e prioridades de cada família para a sua criança


e fazer delas o ponto de partida da intervenção.

3. Desenvolver parcerias colaborativas com as famílias, respeitando a


família enquanto especialista acerca das suas crianças, e o seu modo
de prestar cuidados, e partilhar o conhecimento e compreensão
profissional de modo sensível e respeitador.
Intervenção centrada na família

4.Apoiar cada família no sentido de desenvolver um sentido de confiança


e conexão com os serviços em que as suas crianças participam.

5.Manter a confidencialidade e respeitar o direito de cada família à


privacidade.

6.Providenciar informação plena às famílias em linguagem clara e


compreensível, criando condições para a sua capacitação para que possam
tomar decisões de forma esclarecida.

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