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Elizete Moraes Gonçales Rios

Consultorias e Treinamentos

Vocês têm a​ oportunidade de ajudar as empresas a tornar seus


ambientes mais seguro​s e saudáveis, bem como reduzir custos
através do gerenciamento de riscos e com a gestão do FAP​.

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Sumário
Apresentação 6

Gerenciamento de Riscos Ocupacionais GRO 7


O que é Gerenciamento de Riscos Ocupacionais? 8
Por que fazer o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais? 9
Contexto Histórico 11
BS 8800 11
OHSAS 18001 12
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT) 13
ISO 45001 14

Compreendendo o contexto da Nova NR 01 e o GRO 16


Fique por dentro da Nova NR 01 17
Estrutura do PGR para GRO 19
Tratamento diferenciado para MEI, ME e EPP 19

Programa de Gerenciamento de Riscos - PGR 20


O que é PGR? (Introdução, Conceituação) 21
Estrutura do PGR para GRO 21
Identificação de Perigos e Riscos 23
Análise de Riscos 23
Matriz de Riscos 25
Classificação de Riscos 25
Avaliação de Riscos 25
Medidas de Controle 26
Plano de Ação 27

Fator Acidentário de Prevenção – FAP 28


Definição do FAP 29
Contexto Histórico do FAP 30
Objetivos do FAP 30
Metodológica de Cálculo do FAP 30
Etapas do Cálculo do FAP 31
1 Cálculo dos índices de Frequência, Gravidade e Custo: 32
2 Ordenamento dos Estabelecimentos da Subclasse CNAE 32
3 Cálculo dos Percentis de Ordem de Frequência, Gravidade e Custo 32
4 Cálculo do Índice Composto 32
Como o FAP impacta economicamente as empresas 33
Como o GRO impacta no desempenho das empresas 35
Estrutura do PGR para o GRO 36
Estrutura para gestão do FAP 36
REFERÊNCIAS 37
Autor 38

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Apresentação

Como o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais impacta o


desempenho de SST de uma empresa?

A área de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) é conhecida pela sua atuação frente
às necessidades de cumprimento de dispositivos legais, principalmente as Normas
Regulamentadoras (NRs).

E isso gera uma percepção de obrigação, no sentido de obrigatoriedade. E por isso é


comum ouvirmos “Por que isso precisa ser feito? Porque é obrigatório, está na NR”.

E, para mim, esse é o principal motivo da área de SST não ser tratada com a devida
importância dent ro das empres as. J á qu e a alta liderança n ã o vê sentido n u m a

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atuação apenas para cumprir dispositivos legais frente aos resultados e objetivos da
organização como um todo.

Desta forma, precisamos quebrar este paradigma. E mostrar às empresas e nossos


clientes que somos profissionais, que podemos fazer muito mais pelos resultados e
sustentabilidade da organização do que apenas cumprir dispositivos legais.

E a principal finalidade deste ebook é ajudar profissionais de S S T a quebrar este


paradigma e levar a área de SST para outro patamar. Um nível estratégico dentro das
empresas.

6
Gerenciamento de
Riscos Ocupacionais

GRO
O que você irá ver sobre GRO:

● O que é GRO? (Introdução, Conceituação)


● Por que fazer o GRO? (Justificativa)
● Contexto histórico do GRO? (Referências técnicas)
● Compreendendo o contexto da Nova NR 01 e o GRO
● Ficando por dentro da Nova NR 01 e o GRO
● Estrutura do PGR para o GRO
● Tratamento diferenciado para MEI, ME e EPP

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O que é Gerenciamento de Riscos Ocupacionais?

É o ato de planejar, implementar e controlar ações preventivas e corretivas para


reduzir a probabilidade da ocorrência de eventos que provocam danos e perdas –
acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

E desta forma, manter um elevado grau de confiabilidade e segurança num ambiente


de trabalho, por meio de:

● Eliminar os eventos que provocam danos e perdas;


● Reduzir a exposição dos trabalhadores aos eventos que provocam danos e
perdas; e
● Minimizar a severidade dos eventos que provocam danos e perdas.

Sendo assim, para u m Gerenciamento de Riscos Ocupacionais é


necessário a identificação d os perigos e riscos, análise, avaliação e controles
desses riscos identificados, be m como o monitoramento e a análise
crítica dos riscos identificados, o s acidentes e os potenciais adoecimentos
dos trabalhadores, possibilitando ações para a promoção d e ambientes de
trabalho mais seguros e saudáveis.

E, neste sentido, o principal objetivo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais


é a melhoria contínua do desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

E os requisitos básicos de um plano, programa ou sistema para o GRO,


conforme a NR 01 é:

● Evitar os riscos que possam ser originados no trabalho;


● Avaliar os riscos que não possam ser evitados;
● Implementar medidas de prevenção, ouvidos os trabalhadores;
● Adaptar o trabalho ao trabalhador.

8
Por que fazer o Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais?

Toda e qualquer empresa possui incertezas que comprometem os seus objetivos.


Para essas incertezas damos o nome de risco.

E o risco pode ser definido, conforme a ABNT NBR ISO 31000, como expresso em
termos da combinação das consequências d e u m evento c o m a probabilidade d a
sua ocorrência.

Já na área d e S S T, t e m o s o R is co Ocupacional, q u e p o d e ser definido c o m o a


combinação da probabilidade de ocorrer lesão ou agravo à saúde causados por um
evento perigoso, exposição a agente nocivo ou exigência da atividade de trabalho e
da severidade dessa lesão o u agravo à saúde, conforme a N R 01 – Disposições
Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

Desta forma, u m a das principais finalidades da área de SS T é gerenciar os riscos


ocupacionais, mantendo um ambiente de trabalho com elevado grau de
confiabilidade e segurança. S e n d o q ue segurança é “ u m estado d e baixa
probabilidade de ocorrência de eventos que provocam danos e perdas”. (Cardella,
2009).

Então, o objetivo da área de SST é “melhorar as condições e o ambiente de trabalho”.


(OIT, 2011).

E, desta forma, contribuir não só c o m as empresas, m a s t am bém co m os


trabalhadores e o Governo, ou seja, c o m a sociedade e m geral, já que os riscos
ocupacionais comprometem os objetivos das empresas, a saúde e integridade física
dos trabalhadores e as despesas e os serviços do Governo.

Mas como ocorre este comprometimento?

O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais eleva a confiabilidade e segurança de um


ambiente de trabalho. E, desta forma, reduz a probabilidade de ocorrência de eventos
que provocam danos e perdas.

E a estes eventos relacionamos os acidentes de trabalho e as doenças relacionadas


ao trabalho.

E estes eventos têm um impacto significativo para a Sociedade.

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Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o impacto econômico dos
acidentes de trabalho e doenças relacionados ao trabalho é de aproximadamente
3,94% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial ao ano.

Portanto, levando em consideração que o PIB do Brasil em 2019 foi de 7,3 trilhões de
reais (IBGE, 2020), o custo para o país com a acidentalidade é de aproximadamente
280 bilhões de reais por ano.

E se levarmos e m consideração apenas a concessão dos benefícios acidentários


(B91, B92, B93 e B94) pela Previdência Social, concedidos em 2018, a despesa para
o Governo foi de aproximadamente 13,1 bilhões de reais, conforme dados do
Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho.

Mas ainda há outros impactos ao Governo, trabalhadores e empresas, como


destacados abaixo:

Governo Empresas
− Pagamento de benefícios − Aumento da contribuição do Seguro contra Acidentes
assistenciais de Trabalho (FAP)
− Despesas com o SUS − Despesas médicas
− Despesas com o Corpo de − Custos com ações judiciais, indenizações e ações
Bombeiros/SAMU regressivas
− Despesas administrativas e com − Pagamento do salário nos primeiros 15 dias de
profissionais (SIT, Fundacentro, atestado
CEREST) − Custos com contratação e treinamento para
substituição
Trabalhadores − Custos com horas extras
− Comprometimento da qualidade do produto ou da
− Redução da remuneração
prestação de serviços
− Despesas com medicamentos
− Contribuição do FGTS enquanto o trabalhador estiver
− Redução temporária ou permanente
afastado
da capacidade biomecânica e/ou
− Redução da produção
cognitiva
− Interferência na vida familiar e − Atraso das entregas
convívio social − Paradas de máquinas, equipamentos ou processos
− Imagem reputação da empresa

Portanto, percebe-se a magnitude dos impactos econômicos e sociais dos acidentes


de trabalho e doenças relacionadas ao trabalho à sociedade em geral.

E é por isso que há a necessidade de se fazer o Gerenciamento de Riscos


Ocupacionais: para reduzir a probabilidade da ocorrência de eventos que provocam
danos e perdas. E, desta forma, contribuir com as empresas na:

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● Redução de custos
● Maior produtividade
● Conformidade/Compliance
● Reputação/Imagem

Já para os trabalhadores:

● Menos acidentes/doenças/lesões
● Maior bem-estar
● Mais dignidade e qualidade de vida

E para o Governo:

● M enos despesas
● Melhor atendimento/prestação de serviço à sociedade

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Contexto Histórico

Será que as diretrizes e requisitos do GRO, recentemente inseridos na


Nova NR 01, é uma novidade?

N o Brasil, não havia nenhuma regulamentação a respeito d o Gerenciamento d e


Riscos Ocupacionais – ao menos de forma autônoma e tipifica c o m o geral. Isso
porque em alguns segmentos haviam diretrizes e requisitos que muito se aproximam
do exposto na Nova NR 01, embora algumas empresas e profissionais já adotassem
diretrizes e requisitos de algumas referências técnicas a respeito do tema, as quais
destaca-se abaixo:

BS 8800

Quanto a British Standards 8800 é uma Norma de origem inglesa voltada para a
gestão d a s aúde e segurança ocupacional. E l a foi criada pel o British Standard
Institution (BSI), sendo que foi publicada em 1996.

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É considerada como a norma pioneira no mundo para a implantação de um sistema
de gerenciamento d e riscos ocupacionais. C o m a finalidade da melhoria contínua
das questões relacionadas à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

E ela é apoiada nas mesmas ferramentas do ciclo PDCA, conforme imagem abaixo:

Fonte: BS 8800, 1996.

OHSAS 18001

Já a Occupational Health and Safety Assessment


Series (O H S A S ) 18001 é um a referência técnica e teve a sua primeira versão
publicada em 1999 após estudos de um grupo de organismos certificadores e de
entidades de normalização da Irlanda, Austrália, África do Sul, Espanha e Malásia.
Sendo que foi revisada e atualizada em 2007.

E a premissa dela era auxiliar as empresas a


controlar os riscos de acidentes n o local de trabalho. Sendo que por muitos anos
foi a principal referência para sistemas de gestão de SST.

A O H S A S visa a melhoria contínua de seu


desempenho e m saúde ocupacional e segurança de seus colaboradores, por meio do
ciclo abaixo:

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Fonte: OHSAS 18001, 2007

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO
TRABALHO (OIT)

E a Organização Internacional do Trabalho (OIT)


publicou em 2001 o Guidelines on Occupational Safety and Health Management
Systems (ILO-OSH 2001) e que foi traduzido em 2005 pela FUNDACENTRO.

Sendo que as diretrizes sobre sistemas de gestão da


S S T tinham como finalidade contribuir para proteger trabalhadores contra fatores
de risco (perigos) e eliminar lesões, doenças, incidentes, degradações da saúde
e mortes relacionados ao trabalho.

E os principais elementos do sistema de gestão da


SST da OIT também seguiram o ciclo de melhoria contínua, conforme imagem
abaixo:

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Fonte: OIT, 2011.

ISO 45001

E e m 2 0 1 8 t i v em os a publ icação I S O 4 5 0 0 1 – S i s t e m a d e G es t ão d e S a ú d e e
Segurança Ocupacional, pela International Organization for Standardization.

Atualmente é a principal referência mundial em termos de certificação em melhoria


contínua do desempenho de SST.

E seu principal objetivo é fornecer u m a estrutura para que empresas p os s am


gerenciar os riscos e oportunidades, visando prevenir lesões e problemas de saúde
relacionados ao trabalho, b e m c o m o proporcionar locais d e trabalho seguros e
saudáveis aos trabalhadores.

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Assim com as demais referências, ela baseia-se nos elementos do PDCA, conforme
imagem abaixo:

Fonte: ISO 45001, 2018.

D es ta forma, percebe-se q u e desde 1 9 9 6 h á


referências técnicas à respeito d o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais,
que visam a melhoria contínua, do desempenho de SST de uma empresa,
estabelecida pelo ciclo PDCA.

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Compreendendo o contexto
da Nova NR 01 e o GRO

Com a publicação da Nova NR 01 – Disposições Gerais e


Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, temos a primeira Norma
autônoma a respeito do assunto no país, que estabelece as diretrizes e
requisitos para que empresas implementem planos, programas ou
sistemas de gestão com a finalidade da melhoria contínua do
desempenho de SST.

Mas, tecnicamente ela não apresenta nenhuma novidade, como visto anteriormente -
a não ser o seu critério legal no Brasil.

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P orém, são poucas as em pres as e profissionais q ue já ado t av am as diretrizes e
requisitos das referências técnicas referente a Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais.

Desta forma, espera-se que ela mude o paradigma de SST no Brasil, saindo da rotina
cartorária, c o m o a q u e t e m o s hoj e c o m a l g u m a s d o c u m e n t a çõ e s . E q u e traga
práticas relevantes pensando e m resultados, o u seja, na melhoria contínua d o
desempenho de SST.

Pois o cumprimento de N Rs e outros dispositivos legais não pode ser o ponto de


chegada, finalidade do trabalho da área de SS T, M a s sim u m dos meios para se
alcançar o principal objetivo da área de SST: construção de ambientes de trabalho
mais seguros e saudáveis.

E com a implementação e melhoria contínua de um plano, programa ou sistema de


gestão de S S T contribuirá muito com a promoção de ambientes de trabalho mais
seguros e saudáveis.

E um ambiente de trabalho mais seguro e saudável é positivo para todos:

Empresas: tende a estar em conformidade com os dispositivos legais (Compliance)


e consequentemente reduzir seus índices de acidentalidade e adoecimento,
ocasionando também a redução de custos (FAP, absenteísmo, indenizações, ações
judiciais) e aumento de produtividade.

Trabalhadores: melhores condições de trabalho e consequentemente menores


índices de acidentes e afastamentos.

Governo/Sociedade: com menos acidentes e doenças relacionados ao trabalho, terá


menos despesas atreladas (SUS, indenizações, benefícios) e aumento da
produtividade do país.

Fique por dentro da Nova NR 01

A n o v a N R 0 1 estabelece q u e as em pr es as fa ç a m o G eren ci a m ent o d e Ri scos


Ocupacionais, conforme as seguintes diretrizes e requisitos:

● Evitar os riscos ocupacionais presentes nos ambientes de trabalho;

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● Identificar os perigos e possíveis lesões ou agravos à saúde dos
trabalhadores;
● Avaliar os riscos ocupacionais indicando o nível de risco;
● Classificar os riscos ocupacionais para determinar a necessidade de adoção
de medidas de prevenção;
● Implementar medidas de prevenção, de acordo com a classificação de risco e
na ordem de prioridade;
● Acompanhar o controle dos riscos ocupacionais.

Desta forma, as empresas devem implementar o Gerenciamento de


Riscos Ocupacionais e m suas atividades. Sendo que o Gerenciamento d e
Riscos Ocupacionais (GRO) deve constituir um Programa de Gerenciamento de
Riscos (PGR).

E a critério da organização, o PGR pode ser implementado por unidade


operacional, setor ou atividade.

O PGR deve conter​, no mínimo, os seguintes documentos:

● Inventário de riscos
● Plano de ação

E os documentos integrantes do PGR devem ser elaborados sob a


responsabilidade da organização, respeitado o disposto nas demais NRs, datados e
assinados.

Desta forma, não haverá um profissional responsável legalmente pelo PGR,


como temos hoje com o PCMSO, PPRA, Laudo de Insalubridade, Laudo de
Periculosidade e LTCAT. A responsabilidade de elaboração e implementação de um
plano, programa ou sistema será da empresa.

Sendo assim, o P G R será estruturado, implantado e melhorado por u m a


equipe multidisciplinar, sendo que cada um, dentro de sua capacidade técnica e
limitação legal, terá sua respectiva responsabilidade.

E outro ponto relevante é quanto a periodicidade da atualização/revisão do PGR.

Pois a avaliação de riscos deve constituir u m processo contínuo e ser revista a


cada dois anos ou três anos para as empresas que possuírem certificações e m
sistema de gestão de SST. Ou, independente do prazo:

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● Após implementação das medidas de prevenção, para avaliação de riscos
residuais;

● Após inovações e modificações nas tecnologias, ambientes, processos,


condições, procedimentos e organização do trabalho que impliquem e m
novos riscos ou modifiquem os riscos existentes;
● Quando identificadas inadequações, insuficiências ou ineficácias das
medidas de prevenção;

● Na ocorrência de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho;


● Quando houver mudança nos requisitos legais aplicáveis.

Estrutura do PGR para GRO

Tratamento diferenciado para MEI, ME e EPP

O Microempreendedor Individual (MEI) está dispensado de elaborar o PGR.


Mas, serão elaboradas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho
recomendações sobre as medidas de prevenção a serem adotadas pelo MEI.

P orém , a dispensa d a obrigação d e elaborar o P G R não alcança a


organização contratante do MEI, que deverá incluí-lo nas suas ações de prevenção e
no seu PGR,

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quando este atuar e m suas dependências ou local previamente convencionado e m
contrato.

E a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho irá disponibilizar ferramentas de


avaliação de riscos, que poderá ser utilizada pelas microempresa (ME) e empresas
de pequeno porte (EPP) para estruturar o PGR, desde que tal ME e EPP não seja
obrigada a constituir SESMT.

E as ME e EPP, graus de risco 1 e 2, que no levantamento preliminar de perigos não


identificarem exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, em
conformidade com a N R 09, e declararem as informações digitais de SST, ficam
dispensadas da elaboração do PGR.

21
Pr ogr a ma de
Gerenciamento
de Riscos - PGR
O que você irá ver sobre PGR:

● O que é PGR? (Introdução, Conceituação)


● Estrutura do PGR
● Inventário de riscos

● Identificação de perigos
● Análise de riscos
● Matriz de riscos
● Classificação de riscos

● Avaliação de riscos
● Medidas de controle
● Plano de ação

22
O que é PGR? (Introdução, Conceituação)

O P GR é um instrumento que visa implementar ações preventivas e corretivas nos


ambientes d e trabalho, c o m a finalidade d e mitigar os riscos ocupacionais q ue
p o d e m c a u s a s d a n o s e p er d a s às e m p r e s a s e a s a ú d e e i ntegri dade física d o s
trabalhadores, conforme a seguinte estrutura:

Estrutura do PGR para GRO

Inventário de riscos

E um inventário de riscos ocupacionais, deve conter, no mínimo:

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E para a elaboração do inventário de riscos, a primeira etapa é fazer u m
levantamento preliminar dos perigos existentes no ambiente de trabalho. E para isso,
deve ser feito um trabalho de campo, como uma inspeção e contando com o apoio
de uma lista de verificação, onde serão apontados todos os perigos existentes.

Posterior a este levantamento preliminar, precisa ser identificado se os perigos


levantados poderão ser eliminados. Caso contrário, os mesmos precisam ser
analisados e avaliados, para que se tenha subsídios para implementar ações
preventivas e corretivas.

E neste sentido, ent ram os na etapa de Identificação d e Perigos, na qual este


processo consiste em encontrar (investigar, pesquisar, analisar), reconhecer e
descrever os perigos e riscos presentes no ambiente de trabalho. Sendo que nesta
etapa, há algumas informações essenciais e que devem estar presentes no
inventário de riscos, tais como:

● Descrição dos perigos e possíveis lesões ou agravos à saúde;


● Identificação das fontes ou circunstâncias;
● Indicação do grupo de trabalhadores sujeitos aos riscos.

E para auxiliar esta etapa, deve ser seguido uma metodologia, bem como deve
ser seguida um a ou mais ferramenta de identificação e avaliação de risco,
condizente com o cenário a ser avaliado.

Uma das mais conhecidas na área de SST e aplicável a quase todos os cenários
é a Análise Preliminar de Riscos (APR), conforme exemplo abaixo:

24
Identificação de Perigos e Riscos

Posterior aos perigos e riscos identificados, bem como demais informações


pertinentes, deve ser realizada a análise de riscos. Sendo que para cada risco deve
ser indicado o nível de risco ocupacional, determinado pela combinação da
severidade das possíveis lesões ou agravos à saúde com a probabilidade ou chance
de sua ocorrência.

Análise de Riscos

E para a gradação da severidade deve ser levado e m conta a magnitude da


consequência e o número de trabalhadores possivelmente afetados.

25
E para a gradação da probabilidade deve ser levado em conta:

● Os requisitos estabelecidos nas NRs;

● As medidas de prevenção já implementadas;


● As exigências da atividade de trabalho;
● A comparação do perfil de exposição ocupacional com valores de referência
estabelecidos na NR 09.

Recomenda-se usar como suporte uma matriz de riscos, para


apoiar na categorização da probabilidade e da severidade. E que neste mesmo
sentido, irá dar suporte a o est abelecimento d o nível d o risco e
cons equentem ent e a s ua classificação, para subsidiar a definição das medidas de
prevenção.

Assim com o u m a tabela para categorizar as medidas de controle


existentes, para servir como um fator de consideração durante a análise de riscos.

E posterior a identificação d e riscos e a sua análise, é possível definir o


risco residual, conforme exemplificação a seguir:

E com o risco residual podemos classificá-lo, usando como parâmetro uma


matriz de riscos, q u e é estabelecido pela relação d a probabil idade c o m a
severidade (impacto). Sendo que esta pode ser qualitativa, semiquantitativa ou
quantitativa.

26
Matriz de Riscos

Classificação de Riscos

E posterior a identificação do risco residual, por m ei o de u m a matriz de riscos, podemos ordená-


los, conforme a sua respectiva classificação, baseada no método que está sendo seguido ou
adaptado à realidade da empresa e exemplificado abaixo:

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Avaliação de Riscos

E com o risco residual definido e classificado, parte-se para a etapa de avaliação de


riscos, onde este processo consiste em comparar os resultados da análise de riscos
c o m o s critérios d e riscos p ara determi nar s e o risco é aceitável o u tolerável,
conforme segue:

E envolve avaliar o nível de risco a fim de determinar a ordem de prioridade e de que


maneira os riscos devem ser tratados, conforme ilustração a seguir:

Medidas de Controle

E com o risco identificado, analisado, avaliado, classificado e priorizado, chegamos a


etapa de definição das medidas de controle, que compreende o planejamento e a
realização de ações para modificar o nível do risco.

Sendo que o tratamento dos riscos envolve a seleção de uma ou mais opções para
reduzir ou até mesmo eliminar os riscos, respeitando a hierarquia estabelecida na
NR 01 e exemplificada pela ordem da ISO 45001, conforme segue:

28
Plano de Ação

E com base e m todas estas informações, que contemplam o inventário de riscos,


possuímos os subsídios para a tomada de decisão e estruturação de u m plano de
ação, como segue:

E é essencial, neste momento, tam bém definir co m o será acompanhado e


mensurado o resultado da ação realizado, com o intuito de mitigar o risco residual.

29
Fator Acidentário
de Prevenção –
FAP
O que você irá ver sobre o FAP:
● Definição do FAP
● Objetivos do FAP
● Metodológica de cálculo do FAP

● Como o FAP impacta economicamente as empresas


● Como o GRO impacta no desempenho das empresas

30
Definição do FAP

O FAP é um multiplicador que varia entre 0,5 e 2,0, aplicado sobre a alíquota de 1, 2
ou 3% da contribuição do seguro contra acidentes de trabalho (GIIL-RAT), sobre a
folha salarial das empresas e destinado à Previdência Social, mensalmente,
conforme ilustração a seguir:

Portanto, o FAP é responsável por flexibilizar o GIIL-RAT, permitindo assim, reduzir a


contribuição previdenciária em 50% ou aumentá-la em 100%, conforme o
des em penho d a empresa e m relação aos acidentes d e trabalho e doenças
ocupacionais num determinado período.

Contexto Histórico do FAP

31
Objetivos do FAP

O FAP tem como finalidade incentivar a melhoria das condições de trabalho e da


saúde dos trabalhadores, estimulando os estabelecimentos a implementarem
políticas mais efetivas de saúde e segurança no trabalho.

E desta forma, conferir u m estímulo econômico às empresas, por meio da redução


dos encargos sociais, reputação e responsabilização.

Metodológica de Cálculo do FAP

O cálculo do FAP é anual e efetuado para cada estabelecimento de uma empresa, ou


seja, C N P J completo. E é levado e m consideração o período base representado
abaixo, para os anos correspondentes:

E os estabelecimentos novos e que não tenham o período-base completo até o ano


de processamento do FAP, por definição terão FAP igual a 1,0000.

E para os estabelecimentos sem declaração de vínculos, com GFIP inválida, c om


atividade econômica inválida ou não correspondida, início da atividade posterior ao
início do período-base, será atribuído o FAP 1,0000 por definição.

E os estabelecimentos com FAP abaixo de 1,0000, que apresentam taxa média de


rotatividade acima de 75% não poderão receber a bonificação, ficando estabelecido
o FAP 1,0000, por definição.

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O estabelecimento que apresente casos de morte ou invalidez permanente,
decorrentes de acidentes ou doenças do trabalho, o valor FAP não poderá ser inferior
a 1,0000, ficando bloqueada a bonificação a que teria direito.

E para fins de bloqueio da bonificação, somente serão considerados os eventos


morte ou invalidez considerados no primeiro ano do período-base de cálculo do FAP.
Por definição, nestes casos de bloqueio, o FAP será adotado como 1,0000.

Posterior a estas definições, co m base nos dados e ocorrências apresentadas pelo


estabelecimento da empresa no período base, é efetuado o cálculo do FAP,
conforme etapas apresentadas a seguir:

Etapas do Cálculo do FAP

1 Cálculo dos Índices de Frequência, Gravidade e Custo de cada estabelecimento


2 Ordenamento dos Estabelecimentos da Subclasse CNAE
3 Cálculo dos Percentis de Ordem de Frequência, Gravidade e Custo
4​Cálculo do Índice Composto

1 Cálculo dos índices de Frequência, Gravidade e Custo:

33
2 Ordenamento dos Estabelecimentos da Subclasse CNAE

E com base nos índices de frequência, gravidade e custo apresentado pelos


estabelecimentos de u m m e s m o segmento (C N A E) , seus índices comparados e
ordenados. O u seja, é feito u m posicionamento, de q u e m apresenta os menores índices
ao maiores índices.

E posterior ao ordenamento é realizado o cálculo dos percentis.

3 Cálculo dos Percentis de Ordem de Frequência, Gravidade e Custo

4​Cálculo do Índice Composto

34
Como o FAP impacta
economicamente as empresas

O recolhimento mensal do Seguro Acidentário Obrigatório,


representado pela alíquota de contribuição previdenciária GIIL-RAT,
apresenta grande repercussão econômica para as empresas.

A flexibilização do GIL-RAT através do FAP, possibilita a redução em até 50% ou o


aumento em até 100% da contribuição mensal paga pelas empresas.

O impacto anual do FAP na folha de pagamento das empresas é significativo, e


muitos empregadores não tem a menor noção dos recursos que estão
desperdiçados pela falta de gestão do FAP.

35
Sendo assim, segue abaixo um passo a passo para que você estime o impacto
econômico que uma empresa terá:

1º solicite a folha salarial mensal,​ sendo esta o valor do mês informado à


Previdência Social, como base salarial do estabelecimento.

2º identifique o percentual do seguro contra acidentes de trabalho, representado


pela alíquota GIIL-RAT, de 1, 2 ou 3%, conforme a atividade preponderante do
estabelecimento.

3º identifique o FAP do estabelecimento​ da empresa, valor este que pode ser


consultado no FapWEB, conforme CNPJ do estabelecimento e ano de vigência.

4º definia a alíquota GIIL-RAT ajustada​, sendo esta a multiplicação entre a alíquota


GIIL-RAT e o FAP do estabelecimento.

5º Calcule o impacto mensal​, sendo este a multiplicação entre a GIIL-RAT ajustada e


a folha salarial mensal.

6° Calcule o impacto anual,​ sendo este a multiplicação entre o impacto mensal e 13


(número de meses + o 13° salário).

7º Realize este procedimento​ para o ano atual e para o próximo ano, usando os
respectivos dados de cada ano.

8º Subtraia o impacto de 2020 com o impacto atual (2019), para identificar se


haverá um aumento ou redução na contribuição e de quanto será este montante,
conforme tabela abaixo:

Evolução de um ano (vigência 2019) para o outro (vigência 2020)


Impacto
Folha GIIL-RAT Impacto
Ano GIIL-RAT FAP Mensal
Salarial (R$) Ajustado Anual (R$)
(R$)
2019 1.000.000,00 3% 1,1730 3,5190% 35.190,00 457.470,00
2020 1.000.000,00 3% 1,5835 4,7505% 47.505,00 617.565,00
Impacto anual a maior de: R$ 160.095,00

9º Repita este processo, porém com o ano (2020)​ e projete um FAP de 0,5 (menor
valor possível), para que seja possível identificar o potencial de redução, conforme
tabela abaixo:

36
Projeção com a redução do FAP para 0,5000 (menor valor possível)
Folha Impacto
GIIL-RAT Impacto
Ano Salarial GIIL-RAT FAP Mensal
Ajustado Anual (R$)
(R$) (R$)
2020 1.000.000,00 3% 1,5835 4,7505% 47.505,00 617.565,00
1.000.000,00 3% 0,5000 1,5000% 15.000,00 195.000,00
Possibilidade de redução anual de: R$ 422.565,00

37
Como o GRO impacta no
desempenho das empresas

A principal finalidade do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais é


implementar ações preventivas e corretivas nos ambientes de trabalho
para reduzir a probabilidade da ocorrência de eventos que provocam
danos e perdas – acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

E o FAP é influenciado pelos acidentes e doenças relacionados que tenham benefício


acidentário atrelado a ocorrência.

38
Desta forma, com uma melhoria contínua do desempenho de SST, a empresa reduz
a ocorrência destes eventos adversos e assim, reduz a ocorrência dos benefícios
que influenciam no FAP.

Sendo assim, a estrutura do PGR para o GRO tem relação direta com as ações de
gestão do FAP.

Estrutura do PGR para o GRO

Estrutura para gestão do FAP

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REFERÊNCIAS
● NR 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
● British Standards (BS) 8800:1996
● Occupational Health and Safety Assessment Series (OHSAS) 18001:2007
● Guidelines on occupational safety and health management systems (ILO-OSH
2001)
● ISO 45001 – Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional
● ABNT NBR ISO 31000:2018
● Resolução nº 1.329, 2017

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