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SOCIEDADE PAULISTA

DE PSICANÁLISE

Sequencia Emocional

CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE


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DESEJO

FRUSTRAÇÃO

ÓDIO

DESTRUIÇÃO

CULPA

NECESSIDADE DE AUTOPUNIÇÃO e/ou


NECESSIDADE DE REPARAÇÃO
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Projeto para uma psicologia científica


(1895)
DESEJO (Wunsch)
•“Atração positiva para o objeto desejado, ou mais
precisamente, por sua imagem mnêmica”.
•Os sonhos são realizações de desejos, porém não reconhecidos
como tal pela consciência pois neles, a “libertação de prazer é
escassa, pois em geral, eles seguem seu curso sem liberação
motora”
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Em Freud, essa idéia é empregada no contexto de


uma teoria do inconsciente para designar, ao mesmo
tempo, a propensão e a realização da propensão.
Nesse sentido, o desejo é a realização de um anseio
ou voto inconsciente.
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A interpretação dos sonhos (1900)


• “[...] o aparato psíquico obedeceu primeiramente ao afã de manter-se o mais
possível isento de estímulos ... Porém, a estimulação da vida externa perturba
esta simples função ... A estimulação da vida o assedia primeiro na forma de
grandes necessidades corporais. A excitação imposta pela necessidade interior
buscará uma drenagem na motilidade que pode designar-se “alteração interna”
ou “expressão emocional”. … [Tal situação] só pode modificar-se quando por
algum caminho (no caso da criança, pelo cuidado alheio), se dá a experiência
da vivência de satisfação que cancela o estímulo interno. Um componente
essencial desta vivência é a aparição de certa percepção (a nutrição, no caso de
nosso exemplo) cuja imagem mnêmica permanece, daí em diante, associada ao
traço que deixou na memória a excitação produzida pela necessidade. Na
próxima vez que esta última sobrevenha, devido ao enlace assim estabelecido,
suscitará uma moção psíquica que quererá investir novamente a imagem
mnêmica daquela percepção e produzir outra vez a percepção mesma, vale
dizer, na verdade, restabelecer a situação da satisfação primeira. Uma moção
dessa índole é o que chamamos desejo, a reaparição da percepção é o
cumprimento do desejo, e o caminho mais curto para este é o que leva desde a
excitação produzida pela necessidade até o investimento pleno na percepção.
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A interpretação dos sonhos


(1900)
• “a uma corrente … que arranca [o aparato
psíquico] do desprazer e aponta ao prazer, chamamos
desejo”.

• “somente um desejo pode impulsionar a trabalhar nosso


aparato anímico”.
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• “os processos psíquicos inconscientes aspiram à


obtenção de prazer. Dos atos que possam provocar
desprazer, a atividade psíquica se recolhe
(recalque)”.
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O que desejamos?
No material, desejo é querer alguma coisa ou determinada situação.
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Desejo no emocional
É querer uma pessoa para nós.
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Sexualidade Feminina - 1931


“O amor infantil é ilimitado; exige a posse
exclusiva, não se contenta com menos do que
tudo. Possui, porém, uma segunda característica;
não tem, na realidade, objetivo, sendo incapaz de
obter satisfação completa, e, principalmente por
isso, está condenado a acabar em
desapontamento”.

Sigmund Freud
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A criança é
egoísta

• Quer tudo
para si

• 24 horas/dia

• Não divide
com ninguém
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E para realizar o nosso desejo,


precisamos...

CHAMAR ATENÇÃO!
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Como?
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A HISTÓRIA CONTINUA...

Crescemos no físico e
continuamos desejando
da mesma forma, como
crianças.

E para isso usamos SUPORTES.


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SUPORTES

• São pessoas e situações que usamos para viver


nossos desejos infantis.
• Nós deslocamos nossos desejos por nossos
genitores para os suportes, que se tornam, dessa
forma, nossas vítimas. E, fazemos com eles, tudo o
que fazemos com os pais (reais e introjetados).
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SUPORTE PESSOA
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SUPORTE SITUAÇÃO
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Novas conferências introdutórias sobre


psicanálise e outros trabalhos (1932-1936)

“As exigências de
amor de uma
criança são
ilimitadas, exigem
exclusividade e não
toleram partilha.”
Sigmund Freud
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ONIPOTÊNCIA DE PENSAMENTO
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FRUSTRAÇÃO

Estado em fica um sujeito quando lhe é


recusada ou quando ele se proíbe a
satisfação de uma demanda de origem
pulsional.
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FREUD
Conferência XX (1916-1917)

“... As pessoas “Para uma frustração


adoecem de neurose externa tornar-se
quando impedidas da
possibilidade de patogênica, é preciso
satisfazer sua libido – acrescentar-lhe uma
adoecem devido à frustração interna”.
‘frustração’ ”.
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Carência afetiva
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Fantasia de falta de amor e


abandono
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A FRUSTRAÇÃO NA ANÁLISE

“O estado de frustração é uma dimensão


essencial no tratamento psicanalítico. Deve
ser mantido pelo analista, especialmente
respeitando-se a regra da abstinência,
constituindo a frustração um meio
importante de lutar contra as resistências”.
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ÓDIO

Que emoção é essa, espécie de loucura


momentânea, que nos priva da razão?

O ódio é sempre ruim?


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O ódio pode ser ruim

Covardemente cria grupos contra inimigos imaginários


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E a falta de ódio?
• Injustiças
• Maus tratos
• Desprezos
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A função transformadora do ódio

Modulação do ódio, substituindo sua O ódio é um afeto fundamental para os


orientação destrutiva por ideais processos de separação. Sem ele, o
simbólicos de regulação social. sofrimento pode ser infinito.
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Totem e Tabu (1913)

• Surgimento da cultura, da lei e da religião


• A horda primitiva e o assassinato do pai primordial
• Estabelecimento do totem e acordo entre os irmãos.
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FILHOS REPRESENTAM OS IRMÃOS


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AMBIVALÊNCIA DE EMOÇÕES
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Como lidar com a raiva


1. Assuma: isso às vezes acontece
2. Deixe a poeira abaixar
3. Afaste-se: a fúria passa
4. Cuidado com a metralhadora: é mais fácil descontar a
raiva nas pessoas que sabemos que nos amam
5. Não justifique nem culpe o outro: somos responsáveis por
nossas escolhas
6. Respire
7. Mude o foco: dedique-se a fazer algo que lhe traga bem-
estar
8. Considere outro jeito de agir
9. Procure ajuda: faça psicoterapia
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“Qualquer um pode irritar-


se, isso é fácil; difícil é
zangar-se com a pessoa
certa, na medida certa, no
momento certo, com o
propósito certo”.

Aristóteles – A arte da retórica


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A grande dificuldade
• É interromper o movimento interno que nos faz viver a
frustração como uma ameaça mortífera que precisa ser
aplacada pela raiva.
• Reconhecer a irritação, dar lugar e sentido a ela, e decidir
de que maneira queremos expressá-la.

“Precisamos escolher as
batalhas que queremos lutar”
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DESTRUIÇÃO
• A raiva tem seu lado positivo, desde que usada de maneira
adequada.
• Como é difícil essa medida, tendemos a associar a raiva, ou mesmo
a irritação, à destruição.
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DESTRUIÇÃO
Formas manifestas
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DESTRUIÇÃO
Formas “sutis”
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“A consciência de uma pessoa se torna


mais severa e mais sensível
quanto mais se abstém
da agressão contra os outros”.

Sigmund Freud
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É melhor não engolir sapo?


• A catarse traz alívio momentâneo, mas seu efeito não se sustenta.
• Além disso, se destruirmos com frequência, os impulsos agressivos
tenderão a se fortalecer.
• Soma-se aos dois fatores anteriores a qualidade de nossa saúde
física e mental a médio e longo prazos.

“Liberar a agressividade é como usar gasolina


para apagar fogo”.
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CULPA

• Pelo egoísmo
• Pela destrutividade

Expressão de uma tensão entre:

EGO X SUPEREGO
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Tânatos
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AUTO - PUNIÇÃO

Estudos mostram que pessoas que têm dificuldade de se controlar em


situações frustrantes, também costumam fazer escolhas associadas a
um elevado risco de punição.
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AUTO - PUNIÇÃO
Pequenas
Coisas ruins do dia-a-dia
Pessoas azaradas

Grandes
Não-realizações
Doenças
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REPARAÇÃO

Para reparar, algumas pessoas chegam a se anular ou se


prejudicar.

Não é benéfico para quem repara, pois a pessoa sente como


uma obrigação.

Não é benéfico para quem recebe, pois é, patológico, não é feito


“de coração”.
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OBJETOS DA REPARAÇÃO

Após destruir, a pessoa precisa reparar, corrigir


algo que fez de errado.

Essa reparação que pode ser com:


1. a própria pessoa
2. os suportes

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