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Anatomia Nas Fraturas

Da Face Princípios de tratamento e consolidação óssea

Docente: André Victor


Disciplina: Anatomofisiologia Geral
Discentes: Adilma Andrade, Ana Paula Reis, Debora Costa,
Jailza Lúcia, Leonardo Santos, Norma Sueli.

SALVADOR/BA
2021
Anatomia do Crânio
INTRODUÇÃO

 As fraturas faciais podem ser causadas por quedas ou acidentes esportivos, de trabalho,
automobilístico, de bicicleta, de moto e também por agressões por armas de fogo e
atropelamentos.
 A maior incidência de traumas de face encontra-se nos acidentes com condutores de
motocicletas.
 Os traumatismos podem ocorrer em diferentes localizações da face, uma vez que
dependem do tipo de injúria, da direção e da força do impacto.
 O trauma não é só um fato ocorrido, o desgaste, também faz parte da fratura.
 É importante saber que, para o sucesso do tratamento do trauma, o fator tempo muitas
vezes é determinante.
Tipos de trauma de acordo com sua
localização

 Ossos nasais;
 Processos alveolares;
 Arco zigomático;
 Fraturas no terço médio da face: incluem fraturas que afetam a maxila, o
zigoma, os ossos nasais e podem ocorrer de forma isoladas ou combinadas
Foram classificadas em: Le Fort I, Le Fort II, Le Fort III;
 Fratura do complexo naso-orbitoetmoidal;
 Fratura do complexo zigomático-maxilar e Fratura do arco zigomático;
 Mandíbula.
Pode-se dividir a abordagem desse problema
de saúde pública em três fases:

O pré-trauma, com os cuidados de prevenção;


O atendimento do traumatizado, nas primeiras horas do
ocorrido, considerado como momento ideal;
O tratamento pós-trauma, considerado nos casos onde se
passou um tempo a mais do que o indicado para o
traumatizado receber o devido tratamento, o que poderá
fatalmente provocar sequelas, como pseudoartroses,
anquiloses, perda de tecidos, osteomielites etc. Quando o
arcabouço facial é fraturado, o objetivo do tratamento é
promover uma rápida reparação do tecido ósseo, restabelecer
o contorno anatômico e a estética facial e devolver as
funções nasal, ocular e mastigatória.
Fonte: Netter, Frank H. (2011).
Princípios básicos no tratamento de fraturas
1-Redução da fratura: é o reposicionamento dos fragmentos ósseos na sua posição anatômica.
2-Fixação e contenção dos segmentos, para que ocorra a reparação óssea.
3-Imobilização dos segmentos: importante para manter a melhor condição fisiológica para a regeneração óssea. Isso
impedirá que os micromovimentos, durante o processo de cicatrização, acabem formando tecido conjuntivo fibroso e a
consequente pseudoartrose. Importante lembrar que essa imobilização em casos de articulações (articulação temporo-
mandibular ou articulação entre dente e osso) não podem ultrapassar mais de 15 dias, o que poderá acarretar prejuízos
aos movimentos articulares.
4. Restabelecimento da oclusão dentária: importante salientar que a oclusão original deve ser restabelecida, lembrando
que muitas vezes é essa oclusão que guiará o reposicionamento anatômico do arcabouço ósseo. Independentemente do
tipo de fratura ou da abordagem cirúrgica, o procedimento inicial é o posicionamento dos dentes em sua oclusão correta,
e a seguir prossegue-se com a redução apropriada dos fragmentos. O estabelecimento de uma oclusão adequada por meio
da fixação dos dentes com fio de aço é denominado Fixação intermaxilar (FIM) ou Bloqueio maxilomandibular (BMM).
Esse bloqueio promove uma contenção dos segmentos fraturados. No transoperatório serve como guia para a colocação
das miniplacas e parafusos de fixação, e, caso a cirurgia não seja realizada de forma mediata ao trauma, proporciona uma
contenção provisória e um maior conforto ao paciente. Assim, na impossibilidade de execução imediata da cirurgia, o
estabelecimento provisório da oclusão do paciente, com contenções por meio de fios de aço, resinas ou ataduras, mantém
o paciente preparado para aguardar a oportunidade cirúrgica.
FRATURA DA MANDIBULA

 As fraturas em mandíbula são


classificadas de acordo com a
localização anatômica do traço de
fratura.

 Esses podem se localizar no corpo da


mandíbula, na região de sínfise
mandibular, na região parassinfisária,
em ângulo mandibular, em ramo
madibular, em processo coronoide, em
côndilo mandibular.
FRATURA DA MANDIBULA

 As fraturas também podem ser:

 Unilaterais ou bilaterais;

 Simples (apenas um traço de fratura) ou


cominutivas (diversos fragmentos);

 Favoráveis, quando não há musculatura


deslocando os fragmentos; e

 Desfavoráveis quando os músculos deslocam os


fragmentos;
 O paciente apresenta dor, salivação abundante,
dificuldade de deglutição, alteração da mordida
ou impossibilidade de fechar ou abrir a boca.
CLASSIFICAÇÃO
 Antes de discutir a classificação, é importante conceituar os termos mais utilizados.
 Simples ou fechada: uma fratura que não produz uma ferida aberta em contato com o ambiente externo, seja através da
pele, mucosa ou ligamento periodontal.
 Composta ou aberta: uma fratura na qual uma ferida externa, envolvendo a pele, mucosa ou ligamento periodontal, se
comunica com a fratura no osso.
 Cominutiva: uma fratura na qual o osso é estilhaçado ou esmagado, por exemplo, as fraturas causadas por projéteis de
armas de fogo (PAFs).
 Galho verde: uma fratura em que uma cortical óssea está quebrada e a outra cortical óssea, dobrada.
 Patológica: uma fratura que ocorre a partir de lesão leve, em razão de doença óssea preexistente.
 Múltiplas: uma variedade na qual existem duas ou mais linhas de fratura no mesmo osso, que não se comunicam uma com
a outra.
 Impactada: uma fratura na qual um fragmento é firmemente levado a outro.
 Atrófica: uma fratura espontânea resultante da atrofia do osso, tal como em mandíbulas edêntulas.
 Indireta: uma fratura em um ponto distante do local do ferimento.
 Complicada ou complexa: uma fratura na qual há lesão considerável do tecido mole adjacente, ou partes adjacentes;
podendo ser simples ou composta.
Classificação quanto à região anatômica

Mediana: fraturas entre incisivos centrais;


Parassinfisária: fraturas que ocorrem dentro da área da sínfise;
Sínfise: delimitada por linhas verticais distais aos dentes caninos;
Corpo: a partir da sínfise distal até uma linha coincidente com o rebordo alveolar do músculo masseter
(geralmente incluindo o terceiro molar);
Ângulo: região triangular limitada pela borda anterior do músculo masseter até a inserção póstero-
superior do músculo masseter (geralmente distal ao terceiro molar);
Ramo mandibular: localizada entre o ângulo e o processo condilar;
Processo condilar: área do processo condilar superior à região do ramo, compreendo o côndilo
mandibular;
Processo coronóide: inclui o processo coronoide da mandíbula superior à região do ramo;
Processo alveolar: região que normalmente contém dentes; 
Classificação quanto ao traço de fratura e as inserções musculares.
TRATAMENTO

 As fraturas de mandíbula podem ser tratadas de forma fechada ou aberta, a depender da anatomia da fratura e da
quantidade de deslocamento. Embora técnicas abertas tenham suas vantagens, como uma reaproximação do
fragmento ósseo mais minuciosa e o retorno funcional mais rápido do paciente, elas também apresentam
desvantagens, como possibilidade de uma anestesia prolongada, aumento do risco de infecção e de rejeição ao
material, risco de danos aos dentes adjacentes e nervos, ocorrência de cicatrizes intra e/ou extraoral e aumento do
tempo de internação e custo. 

 De forma geral, os objetivos do tratamento das fraturas faciais visam a reabilitação máxima do paciente. Para isso,
devemos considerar quatro objetivos: 

 Rápida cicatrização óssea;

 Retorno das funções mastigatória, ocular e nasal;

 Recuperação da fala, Resultado estético facial e dentário aceitável;

 Entretanto, quando a fratura é em mandíbula, o restabelecimento da oclusão é o principal objetivo do tratamento. 


TRATAMENTO

 As fraturas com indicação para redução fechada são tratadas apenas com fixação intermaxilar ou
maxilomandibular. Para isso normalmente é utilizado um arco pré-fabricado instalado na maxila e na
mandíbula, seguido de bloqueio maxilomandibular com fios de aço ou elásticos pesados, por um
período de, aproximadamente, 6 semanas. Na redução fechada, não há exposição cirúrgica direta da
área fraturada. 

 Já as fraturas com indicação para redução aberta são tratadas com fixação maxilomandibular, mas
também com a exposição direta da fratura. Essa exposição pode ser conseguida através de diversas
abordagens cirúrgicas, intra ou extraorais, dependendo da área da mandíbula fraturada.

 Atualmente, as técnicas de fixação interna rígida têm sido amplamente utilizadas para o tratamento de
fraturas. Esses métodos utilizam placas e parafusos para fixar os cotos ósseos fraturados, permitindo
estabilidade durante a cicatrização. No entanto, é importante lembrar que mesmo com a fixação rígida,
uma adequada relação oclusal deve ser estabelecida antes da redução e fixação dos segmentos ósseos.
RELATO DE CASO

 Diagnóstico:
 Sintomas apresentados:  Apalpar o contorno mandibular;
 O paciente apresenta dor, salivação  Radiografia panorâmica (PA) que
abundante, dificuldade de deglutição, mostrará a existência e o local da
alteração da mordida ou fratura;
impossibilidade de fechar ou abrir a  Radiografias laterais oblíquas de
boca.
mandíbula, Póstero Anterior (PA) de
mandíbula e radiografias oclusais
podem auxiliar no diagnóstico.
RELATO DE CASO
TRATAMENTO

 O encaminhamento á tomografia
computadorizada será necessário para o
diagnóstico definitivo e o tratamento da
fratura.

 Realizam-se as suturas quando necessário e é


importante se proceder a contenção provisória
da fratura com bloqueio maxilo-mandibular
ou bandagens.
TRATAMENTO

 Fixação pode ser realizada pelo CD e


redução realizadas pelo CTBMF;
 Orientação ao paciente;
 Cirurgia.
COMO UM OSSO QUEBRADO CURA?

Três tipos de Células Ósseas irão participar diretamente da regeneração. As


células maiores e cheias de núcleos são chamadas de osteoclastos. Elas são
responsáveis pela reabsorção do tecido ósseo destruído pelo trauma. Os
osteoblastos são menores e contem um só núcleo. São oriundos da transformação
de Células Vasculares, do Periósteo (Tecido que circunda e protege o osso), do
endósteo e da própria estrutura óssea. Também dentro do osso, existem pequenas
lacunas que contem uma célula chamada osteócito. Esta célula fica em estado
latente e agindo como sensores de pressão. Quando ocorre a fratura, rompem as
lacunas e o Osteócito pode transforma-se em Osteoblasto auxiliando na reparação
do tecido lesado. Algumas vezes os osteócitos morrem caracterizando trabéculas
de ossos necróticos.
Células que atuam na regeneração óssea
CONCLUSÃO

 Esse trabalho teve como objetivo falar dos princípios de tratamento e fixação das
fraturas de face, principalmente da mandíbula, enfatizamos os processos celulares que
ocorrem na regeneração óssea. Abordamos as principais causas de fraturas faciais e as
diferentes localizações destas e sua classificação quanto a região anatômicas.
Mostramos também um relato de caso, em que exemplificamos a anamnese realizada
até iniciar o melhor tipo de tratamento, de acordo com a lesão do paciente, vimos os
diferentes tipos de tratamento e como atuam as 3 principais células responsáveis pela
recuperação do osso quebrado.
REFERÊNCIAS
 AFFONSO, P. R. A. et al. Etiologia de trauma e lesões faciais no atendimento pré-hospitalar no Rio de Janeiro. Revista
Uningá. Maringá, n. 23, p. 23-34, jan./mar. 2010.
 AGUIAR, A. S. W. et al. Atendimento emergencial do paciente portador de traumatismos de face. Revista Brasileira em
Promoção da Saúde. Fortaleza, v. 17, n. 1, p. 37-43, 2004.
 AOCMF Trauma. AO Foundation. AO Surgery Reference. Disponível em: <https://www2.aofoundation.org/
 wps/portal/surgery?showPage=diagnosis&bone=CMF&segment=Overview&showCMF=true>. Acesso em: 05 nov. 2012.
 BARROS, J. J.; SOUZA, L. C. M. Traumatismo buco-maxilo-facial. 2. ed. São Paulo: Roca, 2000.
 BRASILEIRO, B. F; PASSERI, L. A. Epidemiological analysis of maxillofacial fractures in Brazil: A 5-year.
 NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 624p.
 OLIVEIRA, J. A. G. P. Traumatologia bucomaxilofacial e reabilitação morfofuncional. São Paulo: Santos, 2011.
 OLIVEIRA, M. G. Manual de Anatomia da Cabeça e do Pescoço. 4 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.
 PEREIRA, M. D. et al. Trauma craniofacial: perfil epidemiológico de 1223 fraturas atendidas entre 1999 e 2005
 no Hospital São Paulo – UNIFESP-EPM. Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Craniomaxilofacial. São Paulo, v.
11, n. 2, p.47-50, abr. 2008.
 PRADO, R.; SALIM, M. A. A. Cirurgia bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2004.
 SOBOTTA, J.; PUTZ, R.; PABST, R. Atlas de anatomia humana. 21. ed. atual. Rio de Janeiro: Guanabara Koo-gan, 2000
OBRIGADA!

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