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Correção

integrada
1
 
“Sou eu o lugar no qual algo ocorreu”.

Forçando uma relação da frase do antropólogo Claude Levi-Strauss com a


fenomenologia ou faneroscopia, base para os estudos da lógica e da
semiótica de Peirce, avalie as asserções abaixo:
 

I. Tendo em vista a tríade perceptiva, o “sou eu” da frase remete à ideia do


interpretante, pois indica que a ação do fenômeno, expressa pelo termo “algo”,
gerou uma avaliação ou representação, logo uma ação do interpretante.
II. Tendo em vista a tríade perceptiva, “algo” remete ao percepto. E este percepto
torna-se percipiumm quando fica expresso que ele ocorreu e que ocorreu ao
entrar em contato com o “sou eu o lugar”, ou seja, em um corpo.
III.Tendo em vista a tríade perceptiva, a ideia expressa na frase como um todo
denota a ideia de uma passagem do percipuum para a categoria da
secundidade, ainda que não se tenha, ou que fique em aberto, um desfecho da
experiência, uma síntese racionalizadora, fato que concretizaria a terceiridade e
o julgamento perceptivo.
 

Estão corretas as asserções:


 

A) I e II.
B) I e III.
C) II e III.
D) Apenas a I.
E) Apenas a II.
2 Lendo a tirinha acima, de Bill Waterson, pela perspectiva da semiótica
peirceana, podemos afirmar que o personagem Calvin, ao se dirigir ao seu
amigo imaginário, o tigre Haroldo, tem diante de si ...

A) Um signo icônico, visto que o representamen observado, dada a semelhança, é igual


ao objeto que representa, no caso uma árvore.
B) um ex signo, visto que o objeto já não se encontra pleno diante de sua capacidade de
significação.
C) um signo simbólico, visto que o representamen observado é reconhecidamente
utilizado para representar a destruição da natureza.
D) um signo indicial, visto que o representamen observado indica que ali existia
uma árvore.
E) um signo icônico, visto que o representamen observado preconiza que devemos
preservar a natureza.
3 No filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, em uma das gags mais famosas
do filme, o personagem Carlitos está andando na rua quando uma bandeira caiu de um
caminhão. O personagem, ingenuamente, corre para devolvê-la ao dono, mas, por
ironia do destino, logo atrás dele, Carlitos, surge uma manifestação trabalhista. E
quando a polícia chega para reprimir a manifestação, Carlitos, a frente dela, é preso.

Tendo em vista a descrição da sequência e os frames acima, analise as asserções abaixo e a


relação proposta entre elas:
 

ASSERÇÃO I – Presa no caminhão, a bandeira indica que há um material que extrapola os limites do veículo,
serve, portanto, de índice; na mão de Carlitos indica, para os policiais, que ele lidera o movimento, visto que ela
simboliza uma ideologia e a ligação com uma causa; logo, na articulação com o objeto, o representamen
bandeira é um símbolo.

ASSERÇÃO II – A bandeira, enquanto representamen, assume sentidos diferentes perante os interpretantes,


porque representa dois objetos distintos em dois processos semióticos subsequentes. Num primeiro momento,
está associada ao caminhão e, num segundo, a um suposto manifestante. Fato que comprova que um mesmo
signo pode ter interpretações diversas de acordo com o contexto e objeto que substitui.
 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
 
A) As asserções I e II são falsas.
B) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
E) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa da I.
A SEMIÓTICA
DA CULTURA
Imagine a sala de um museu em cujas vitrines encontram se
expostos objetos de diferentes séculos, inscrições em
línguas conhecidas e desconhecidas e algumas instruções
para decodificá-las; há também um guia esclarecedor
redigido pelos museólogos, com roteiro para o trajeto e
regras de conduta para os visitantes. Imagine também, na
mesma sala, monitores e visitantes, cada qual com seu
mundo semiótico, todos compondo um único mecanismo (o
que, em certo sentido eles são). Teremos, então, a imagem
da semiosfera. Teremos de lembrar também que todos os
elementos da semiosfera estão em correlações dinâmicas,
não estáticas, correlações cujos termos estão
constantemente mudando (LOTMAN, 1990)
Semiótica da Cultura =
Compreensão das relações entre sistemas de signos
(Semiosfera); exame dos mecanismos semióticos
(Teoria Geral dos Signos) que orientam o
funcionamento da Cultura; vai estudar os sistemas
modalizantes de signos, as
relações dinâmicas entre códigos culturais que
geram as linguagens da Cultura, O TEXTO DO
TEXTO.
Nome principal: Iuri Lotmann
Lotman se inspira
em Lomonóssov,
pioneiro do estudo
da ciência
como arte
e da arte como
ciência na Rússia,
o que chama de “talento poliédrico”, ou
seja,
inteligências cuja capacidade criadora não
enxerga limites, podendo estabelecer
conexões onde muitos só veem
IURI LOTMAN (1922 – 1993)

Semioticista, estudioso da
literatura e cultura, historiador.
Nasceu em Petrogrado , estudou
na Universidade de Leningrado,
depois fugindo da perseguição
de Stalin foi a Univ. de Tartu
(Estônia). Primeiros estudos:
ligações culturais entre Rússia e
os países da Europa Ocidental
como os “Trabalhos sobre a
Filologia Russa e Eslava”, “Notas
Científicas” e, a partir de 1964,
“Trabalhos sobre os Sistemas
Sígnicos” que vai dar conta dos
estudos da Escola Semiótica de
Tartu. Tal Escola estabelecerá
forte contato com universidades
de Moscou, dando origem a
Escola de Semiótica Tartu /
Moscou.
A ESCOLA TÁRTU-MOSCOU -
Surge depois do Simpósio sobre o Estudo Estrutural dos Sistemas
Sígnicos (Moscou-1962); Linguistas da Univ. De Moscou chegam
à semiótica pela linguística; pesquisadores da Literatura de
Tartu também.

Dai a ideia de buscar


compreender o papel da linguagem
na Cultura

Mas como? Quais problemas


enfrentaram? Quais foram os
caminhos trilhados
Noção da totalidade x noção de traço
“Se a linguagem é um sistema codificado – diferentes
linguagem codificam suas linguagens de modo diferente – seria
possível considerar a variedade de códigos culturais como
constituintes de uma só linguagem? Evidentemente qualquer
afirmação nesse sentido comprometeria o próprio conceito de
linguagem; afinal, como explicar a codificação da literatura, da
mitologia, do folclore, da religião, das artes em geral, à luz de
um mesmo e único processo ou conjunto de signos? O
questionamento das noções de totalidade e a
impregnação mútua me parece o desencadeante primordial
para a caraterização do problema que levou a abordagem
semiótica da cultura para caminhos diferentes daqueles
consagrados pelas ciências humanas.
Noção da totalidade x noção de traço

Uma vez que que é impossível situar num mesmo conjunto


sistemas tão distintos. O que está ao alcance da abordagem
semiótica são os traços que constituem diferentes
sistemas de signos.

Traços – Jakobson – fonema – feixes de traços distintivos,


cuja ação produz os signos da língua; traços estão sempre
em interação.
A ideia de cultura, pela abordagem semiótica,
seria dada então pela combinatória de vários
sistemas de signos, cada um com uma codificação
própria, uma
SEMIÓTICA SISTÊMICA.
Neste caso, entende a sincronia no contexto de
uma diacronia: a
tradução da tradição

o encontro entre culturas como uma experiência
dialógica e, portanto, semiótica.
Encontro dialógico x choque
Dialogismo – Bakhtin –
Cultura como unidade aberta – próprio da cultura interagir ,
conduzir uma ação em direção a outra, experimentar a outra.
(1) Por ser, unidade aberta, vive uma grande temporalidade. (2)
A identidade de uma cultura se constitui a partir do olhar do
outro, o que Bakhtin chama de extraposição.
“Um sentido descobre suas profundidades ao encontrar e
tangenciar outro sentido, um sentido alheio: entre eles se
estabelece um tipo de diálogo que supera o caráter unilateral
e fechado desses sentidos, dessas culturas. Dirigimos à
cultura alheia novas perguntas que ela não havia se colocado,
buscamos sua resposta a nossa pergunta e a cultura alheia
nos responde descobrindo diante de nós seus novos aspectos,
suas novas possibilidades de sentido. (Bakhtin)
s n ã o s e
c u l tu r a
a s d u a s e r v a
a l ó g ic o , a c o n s
n t ro d i c a d a u m
nc o a m , é m
“No e e m s e m e s c l
a b e r t a , p o r
)
e m , n a li d ad e a k h t in
fund e e s u a t o t
m e nt e ” . (B
d a d t u a
sua uni n r iq u e c e m m u
b a s s e e
am
TRADUÇÃO DA TRADIÇÃO – pode ser entendida como
encontro entre diferentes culturas a partir do qual nascem
códigos culturais que funcionam como programa para
ulteriores desenvolvimentos – fontes de gestação da
memória não-hereditária (Lotman) – novo sistema se torna
tributário de outros que não foram destruídos, mas
recodificados (icônica, indicial e simbolicamente).
Tal tradução da tradição se opõe à ideia de
sincretismo.

Sincretismo = componentes culturais se misturam.

Abordagem sistêmica = modelos são interdependentes a


ponto de uns serem tomados como programas para o
comportamento e para a ação, ou melhor, para a
intervenção.

Cultura seria então a informação que precisa ser


traduzida em alguma forma de comportamento graças
ao qual é possível encontrar as relações entre os
diferentes sistemas. Noção de cultura como Texto.
Cultura significaria então o processamento de
informações, e consequentemente, organização em
algum sistema de signos, ou de códigos culturais.

A Semiótica da Cultura trabalha com um intervalo: a


transformação da não-cultura em cultura.

O questionamento fundamental é o caráter singular da


linguagem na Cultura, seus extratos não linguísticos,
semióticos, sistematizando a presença de outros códigos
culturais (visuais, sonoros, gestuais, cinésicos) criadores
de sistema semióticos especificos. Saber qual era a
dinâmica que garantia a conexão entre os sistemas.
1º Compreender as linguagens da cultura como sistema
de signos específicos e isso antes da semiótica peirceana
ser consagrada;
2º Desencadear o exame dos produtos, manifestações,
processos culturais como sistemas de signos;
3º Buscar a dinâmica que garante a conexão entre os
sistemas.
Para isso, a ETM busca trabalhar a alfabetização
semiótica sistêmica e o núcleo duro desta linha
seria ao estudo dos sistemas de signos que,
conjugados numa determinada hierarquia,
constroem um texto: o texto da cultura.
o texto da cultura
T Linguística - enunciado

E conceito que pressupõe no mínimo dois tipos de


Semiótica da Cultura –

X (1) Codificação definidora do sistema semiótico: o código


codificação, já que é um espaço de relação por excelência.

T (2) a codificação da esfera cultural que modeliza o sistema


cinético de uma dança, por exemplo, e

como um texto.
o (Ex) Uma dança ritual não se confunde com um sapateado.
São realizações de um sistema semiótico; contudo, trata-se
= de textos culturais distintos.
o texto da cultura
Texto
constituído por inúmeros subtextos
permanente diálogo com vários outros Multi-
vocalidade.

funções do texto:
Comunicativa;
Geradora de sentidos;
Mnemônica
o texto da cultura
Função comunicativa: texto como processo de
realização da língua natural, transmissão da mensagem
do emissor ao receptor. Mudança de sentido, falha na
função = ruído, erro, desfiguração.

Função de Gerador de sentidos: função criadora.


Falha na função = geração de novos sentidos.

Função Mnemônica: memória da cultura, conserva


estruturas anteriores ao mesmo tempo que traz algo
novo (semente), tendência à simbolização.
o texto da cultura
Neste textos estão implicados, os sistemas de toda uma
tradição.
Tradição dada pela (in)formação, na qual o elemento chave
é a memória,
a memória não-hereditária que garante o mecanismo de
transmissão e conservação,
Ou seja, o texto que introduz a informação na memória
coletiva.
“A história intelectual da humanidade
pode ser considerada uma luta pela
memória”.
o texto da cultura
A presença da memória implica a presença da coletividade
nacional na forma de um organismo unitário como também
de todo o programa regulador de comportamentos com
vistas a ações futuras. A própria história do gênero humano
é pensada a partir de uma perspectiva construída pela
dinâmica sistêmica da memória.

“no momento a partir do qual é lícito falar de


cultura, o gênero humano começa a ligar a sua
própria existência à existência duma memória
não-hereditária que se alargava constantemente:
deste modo converteu-se no destinatário da
o texto da cultura

“E isso exigia a contínua atualização do sistema


codificante, que tem sempre de estar presente,
quer na consciência do destinatário quer na do
remetente, como um sistema desautomatizado.”
“A exigência duma constante auto-renovação,
de conversão em outro, conservando-se,
embora, ele próprio , constitui um dos
mecanismos fundamentais de funcionamento
da cultura”.
o texto da cultura

Sistemas culturais são textos não porque se


reduzem à língua, mas porque sua
estruturalidade procede da modelização a partir
da língua natural.

Conceito de cultura como texto deve ser


entendido como TEXTO no TEXTO,
na arte, na ciência, na política.
Sistemas modalizantes
Não bastava admitir a Cultura como conjugação de
sistemas de signos; era preciso compreender a
dinâmica que regulava seu funcionamento dentro
de uma certa ordem, pensar os signos como
linguagem, sistema codificado de signos, mecanismo
de tradução, ou recodificação.
Ou seja, um
Sistema modalizante de segundo grau
(de 1º linguagem natural)
Sistemas modalizantes
• Sistema de signos, conjunto de regras
(códigos, instruções, programas) para a
produção de textos no sentido semiótico
amplo e como totalidade de textos e sua
funções correlatas. Todos os sistemas
semióticos da cultura são, a priori,
modelizáveis; prestam-se ao conhecimento e a
explicação do mundo (cinema, literatura,
mito).
MODELIZAÇÃO =
PROCESSO DE
ALFABETIZAÇÃO SEMIÓTICA
NO INTERIOR DA
ABORDAGEM SISTEMICA
VISANDO ENTENDEE A
DINÂMICA DO TEXTO DA
CULTURA

Um texto da cultura só
pode existir como uma
organização solidária
de outros textos.
SEMIÓTICA DA CULTURA
estuda, portanto, uma semiose específica :
processos de cultivos da mente pelas
civilizações:
semioses que transformaram a informação
em texto e este em estrutura pensante,
em memória:
mecanismo de funcionamento das
transmissões

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