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Escola de Advocacia Pública

“Carlos Antônio de Almeida Melo”


da Associação dos Procuradores
do Estado de Mato Grosso
DOIS TEMAS:
CONTRATAÇÃO DIRETA
PORTAL NACIONAL DE CONTRAÇÕES PÚBLICAS

Professor Jacoby Fernandes


CONTRATAÇÃO DIRETA

NA NOVA LEI DE LICITAÇÕES


E
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

Professor Jacoby Fernandes


PORTAL NACIONAL DE CONTRAÇÕES PÚBLICAS:

O QUE É, PARA QUE SERVE E COMO UTILIZAR

Professor Jacoby Fernandes


CONTRATAÇÃO DIRETA
SEM LICITAÇÃO
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 193. Revogam-se:

I - os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, na data de publicação desta Lei;

II - a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002, e os 


arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462, de 4 de agosto de 2011, após decorridos 2 (dois) anos da publicação
oficial desta Lei.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 191. Até o decurso do prazo de que trata o inciso II do caput do art. 193, a Administração
poderá optar por licitar ou contratar diretamente de acordo com esta Lei ou de acordo com as
leis citadas no referido inciso, e a opção escolhida deverá ser indicada expressamente no edital ou
no aviso ou instrumento de contratação direta, vedada a aplicação combinada desta Lei com as
citadas no referido inciso.
Parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo, se a Administração optar por licitar de
acordo com as leis citadas no inciso II do caput do art. 193 desta Lei, o contrato respectivo será
regido pelas regras nelas previstas durante toda a sua vigência.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 194. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 94. A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas


(PNCP) é condição indispensável para a eficácia do contrato e de seus
aditamentos e deverá ocorrer nos seguintes prazos, contados da data
de sua assinatura:
I - 20 (vinte) dias úteis, no caso de licitação;
II - 10 (dez) dias úteis, no caso de contratação direta.
Municípios com menos de 20.000 habitantes
MUNICÍPIOS COM MENOS DE 20.000 HABITANTES
O BRASIL tem 3.783 municípios com menos de 20.000 habitantes.

O estado do MATO GROSSO tem 103 municípios com menos de 20.000 habitantes
Ao todo são 141 municípios.
15 Juruena 15 370 44 Jauru 9 006
58 Nova Lacerda 6 52
85 União do Sul 3 562
1 Chapada dos 29 São Félix do Araguai 11 615 71 Canabrava d 4 761
Guimarães
19 588
a
6
o Norte 98 Novo Santo 2 574
16 Nobres 15 338
45 Novo Mundo 8 990
6 45 Antônio
2 Cotriguaçu 19 254 59 Bom Jesus do São Pedro da 86 Figueirópolis d' 3 537
30 Juscimeira 11 275 2 72 4 674
46 Castanheira 8 695
Araguaia Cipa Oeste
3 Brasnorte 19 248 17 Guiratinga 15 035 6 05 98 Santa Cruz d 2 495
31 Alto Paraguai 11 238 60 Lambari d'Oes 9 o Xingu
te 73 Nova Guarita 4 578 87 Salto do Céu 3 437
47 Barão de Melg 8 563
4 São José dos 18 967
18 Nova Bandeirant 14 909
32 Vera 11 216 aço 61 Nortelândia 6 05 99 Ribeirãozinho 2 388
Quatro Marc 6 74 Santa Carme 4 486
os es 33 Paranaíta 11 193 m 88 Santa Rita do T 3 330
48 Nova Maringá 8 428
5 69 rivelato 100 Luciara 2 099
5 Alto Araguaia 18 703 62 Cocalinho 1
19 Feliz Natal 13 857 34 Marcelândia 10 700 49 Jangada 8 366 75 São José do P 4 021
ovo 89 Nova Marilând 3 249
6 Pedra Preta 17 456 63 São José do Xi 5 56
9 ia 101 Serra Nova D 1 622
20 Tapurah 13 359 35 Alto Taquari 10 557 50 Santa Terezinh 8 281 ngu ourada
a 76 Novo Horizon 3 985
64 General Carne 5 48 te do Norte 90 Santo Afonso 3 136
7 Rosário Oeste 17 237
36 Carlinda 10 413 iro 7 102 Ponte Branca 1 602
21 Nossa Senhora d 13 231 51 Dom Aquino 8 199
o Livramento 5 42
8 Querência 17 014
37 Ribeirão Cascalhei
65 Porto dos Gaú 9
77 Conquista d'
Oeste
3 973 91 Vale de São Do 3 128 103 Araguainha 956
10 081 chos mingos
9 Araputanga 16 690 22 Itiquira 13 163 ra 52 Gaúcha do Nor 7 513
te 5 42
66 Acorizal 4 78 Rondolândia 3 966 92 Araguaiana 3 119
38 Apiacás 9 979

10 Santo Antôni 16 433 23 Nova Canaã do N 12 739 53 Ipiranga do No 7 395


67 Novo São Joaq 5 19
orte rte 9 79 Nova Brasilân 3 928 93 Porto Estrela 3 050
o de Leverger 39 Terra Nova do Nor 9 862 uim dia
te
11 Poxoréu 16 421 24 Porto Alegre do 12 347 54 Campos de Júli 6 710 68 Curvelândia 5 19
2
80 Itaúba 3 901 94 Glória d'Oeste 3 045 Fonte:
40 Arenápolis 9 714 o
12 Matupá 16 334
Norte
41 Tabaporã 9 565 69 Rio Branco 5 15
81 Tesouro 3 786
95 Indiavaí 2 725 https://pt.wikipedia.
55 Alto Boa Vista 6 659 9
25 Cláudia 12 052
42 Denise 9 377 5 02
82 Nova Nazaré 3 765
96 Reserva do Ca 2 721
org/wiki/Lista_de_m
13 Vila Bela da S 15 983 56 Itanhangá 6 587 70 Santo Antônio
antíssima Trin
dade 26 Porto Esperidião 11 935
do Leste 3
83 Nova Santa H 3 699
baçal unic%C3%ADpios
43 Nova Monte Verd 9 078 57 Pontal do Arag 6 578 elena
14 Campinápolis 15 830 e uaia 97 Planalto da Ser 2 676
84 Torixoréu 3 672 ra
27 Alto Garças 11 868

28 Nova Ubiratã 11 694


LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 176. Os Municípios com até 20.000 (vinte mil) habitantes terão o prazo de 6
(seis) anos, contado da data de publicação desta Lei, para cumprimento:

I - dos requisitos estabelecidos no art. 7º e no caput do art. 8º desta Lei;

II - da obrigatoriedade de realização da licitação sob a forma eletrônica a que se


refere o § 2º do art. 17 desta Lei;

III - das regras relativas à divulgação em sítio eletrônico oficial.


Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

PARECER n. 00002/2021/CNMLC/CGU/AGU
NUP: 00688.000716/2019-43
INTERESSADOS: DECOR
ASSUNTOS: LICITAÇÕES E OUTROS EMENTA:
I - Análise jurídica de condicionamentos e requisitos para possibilidade de utilização da Lei nº14.133/21 como
fundamento para embasar licitações e/ou contratações. Necessidade de traçar um panorama de eficácia da lei para
priorização dos modelos a serem elaborados e do cronograma para tanto.
II - A divulgação dos contratos e dos editais no Portal Nacional de Contratações Públicas - PNCP não pode ser
substituída pelo DOU, sítio eletrônico do órgão ou outro meio de divulgação, sendo obrigatório, portanto, o
PNCP;III - O art. 70, II abre a possibilidade de registros cadastrais não-unificados para fins de substituição da
documentação de habilitação;
Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021
PARECER n. 00002/2021/CNMLC/CGU/AGU
NUP: 00688.000716/2019-43
INTERESSADOS: DECOR
ASSUNTOS: LICITAÇÕES E OUTROS EMENTA: IV - A implementação das medidas previstas no art. 19 da
nova lei, incluindo os modelos, não é pré-requisito para que haja contratações pelo novo regramento, muito menos
exige-se ônus argumentativo adicional para contratar-se antes de finalizadas tais medidas. Essa conclusão não
aborda a eventual obrigatoriedade de uso de instrumentos que efetivamente existam; V - Os arts. 7º, 11, parágrafo
único e 169, §1º são consideradas como medidas preferenciais antes de proceder às contratações: recomenda-se que
o gestor se prepare, iniciando gestão por competências/processos de controle interno antes de iniciar a aplicação da
nova lei, sem prejuízo de, justificadamente, fazer contratações antes disso; VI - O regulamento do art. 8º, §3º é
necessário para a atuação do agente ou da comissão de contratação, equipe de apoio, fiscais e gestores contratuais.
Como toda licitação necessita de agente/comissão de contratação e todo contrato de fiscal/gestor, isso implica, na
prática, a impossibilidade de licitar ou contratar até que as condutas dos agentes respectivos sejam regulamentadas
na forma do artigo em questão.
Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021
PARECER n. 00002/2021/CNMLC/CGU/AGU
NUP: 00688.000716/2019-43
INTERESSADOS: DECOR
VII - É necessária a regulamentação de pesquisas de preços, tanto em geral quanto especificamente para obras e serviços de
engenharia, para que elas sejam feitas com fundamento na nova lei; VIII - A regulamentação da modalidade de Leilão e dos
modos de disputa da Concorrência e do Pregão é necessária para o seu uso.IX - Para o uso do SRP, é necessária a sua
regulamentação, seja em geral, seja quando resultante de contratação direta;X - É possível contratar sem a regulamentação do
modelo de gestão do contrato, caso em que o próprio instrumento contratual deverá desenhar o modelo que seja adequado ao
caso. Ainda assim, é recomendável que, nos casos de contratação com mão-de-obra, utilize-se de procedimentos de fiscalização
trabalhista adequados à lei, análogos à IN 5/2017, por exemplo.
XI - Nos dois anos a que se refere o art. 191, o gestor poderá eleger se em determinada contratação se valerá dos comandos da
Lei nº 8.666/93, da Lei n.º 10.520/2002 e dos artigos 1º a 47-A da Lei n.º 12.462/2011, inclusive subsidiariamente, ou se adotará
a Lei n.º 14.133/2021, inclusive subsidiariamente, nos termos do art. 189;XII - Em qualquer caso, é vedada a combinação entre a
Lei nº 14.133/21 e as Leis 8.666/93, 10.520/2002 e os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/2011, conforme parte final do art. 191;XIII
- Não é possível a recepção de regulamentos das leis nº 8.666/93, 10.520/02 ou 12.462/11 para a Lei nº14.133/21, enquanto todas
essas leis permanecerem em vigor, independentemente de compatibilidade de mérito, ressalvada a possibilidade de emissão de
ato normativo, pela autoridade competente, ratificando o uso do regulamento para contratações sob a égide da nova legislação.
Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021
DIVERGENTES DO PARECER n. 00002/2021/CNMLC/CGU/AGU

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO PROCESSO ADMINISTRATIVO ELETRÔNICO Nº 21/1300-0002518-9 PARECER
Nº 18.761/21 Assessoria Jurídica e Legislativa EMENTA: LEI FEDERAL Nº 14.133, DE 1º DE ABRIL DE 2021. NOVA LEI DE LICITAÇÕES. EFICÁCIA
INTERTEMPORAL.
1. A nova Lei de Licitações tem aplicabilidade imediata, bastando, até a efetiva revogação das leis previstas no seu artigo 193, II, que a opção prevista no artigo 191,
caput, seja indicada expressamente no edital ou no aviso ou instrumento de contratação direta.
2. É possível a realização de procedimentos com base na Lei nº 14.133/2021 desde a sua vigência (1º de abril de 2021, conforme artigo 194), inclusive dispensas e
inexigibilidades de licitação, devendo ser necessariamente atendidos os requisitos da nova Lei, vedada a sobreposição de regimes.
3. Afigura-se recomendável a regulamentação da Lei nº 14.133/2021 para sua fiel execução, notadamente nos temas em que o legislador expressamente previu essa
necessidade.
4. A regra geral decorrente do novo sistema é a edição pelo próprio Estado dos regulamentos aplicáveis às suas contratações, podendo servir-se subsidiariamente, todavia,
das normativas infralegais editadas pela União.
5. Nas situações de ausência de regulamento, será necessário avaliar, na casuística, se a regulamentação prevista em lei é imprescindível ou meramente auxiliar à
efetivação das normas, sendo de rigor prestigiar a plena efetividade do novo diploma legal, sob pena de limitação
desnecessária do artigo 194.
6. Até a efetiva operação do Portal Nacional de Contratações Públicas - PNCP, o Estado do Rio Grande do Sul poderá aplicar a Lei nº 14.133/2021, conforme previsão
expressa do artigo 194, combinado com os artigos 193, I, e 191, desde que sejam providenciadas as adaptações ou providências nas
ferramentas de divulgação existentes, de modo a garantir a transparência dos atos praticados até o efetivo lançamento do portal centralizado e a futura
transferência dos dados, a partir de sua operação.
Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

DIVERGENTES DO PARECER n. 00002/2021/CNMLC/CGU/AGU

Parecer Jurídico nº 235/2021 – PGDF/PGCONS


Entendimentos sobre a aplicabilidade
da LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Nosso entendimento:

1. Está em vigor, porque o art. 194 assim o determina;


2. Quem escolhe a norma a ser aplicada é a Administração, porque o art. 193 assim o determina;
3. A lei não impôs condição suspensiva a sua aplicação
4. As normas jurídicas devem ser harmonizadas visando a máxima eficácia e efetividade;
5. Ao contrário do argumento a AGU há prejuízo em não aplicar a lei nova;
6. Admitir que a União tenha exercido a competência privativa para legislar para todas as esferas de governo e
depois condicionado as demais esfera a implantação de um portal que somente dependa da União é absurdo;
7. Conforme art. 174 da lei, o portal foi criado em 1º de abril de 2021;
8. Não há no ordenamento jurídico precedente de condicionar a vigência a um sistema de informação
9. Há inúmeras outras formas de atender a publicidade dos atos administrativos.
CONTRATAÇÃO DIRETA
PROCEDIMENTO
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 72. O processo de contratação direta, que compreende os casos de


inexigibilidade e de dispensa de licitação, deverá ser instruído com os seguintes
documentos:
I - documento de formalização de demanda e, se for o caso, estudo técnico
preliminar, análise de riscos, termo de referência, projeto básico ou projeto executivo;
II - estimativa de despesa, que deverá ser calculada na forma estabelecida no 
art. 23 desta Lei;
III - parecer jurídico e pareceres técnicos, se for o caso, que demonstrem o
atendimento dos requisitos exigidos;
IV - demonstração da compatibilidade da previsão de recursos orçamentários com o
compromisso a ser assumido;
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 72.

V - comprovação de que o contratado preenche os requisitos de habilitação e


qualificação mínima necessária;
VI - razão da escolha do contratado;
VII - justificativa de preço;
VIII - autorização da autoridade competente.
Parágrafo único. O ato que autoriza a contratação direta ou o extrato decorrente do
contrato deverá ser divulgado e mantido à disposição do público em sítio eletrônico
oficial.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 73. Na hipótese de contratação direta indevida ocorrida com dolo,


fraude ou erro grosseiro, o contratado e o agente público responsável
responderão solidariamente pelo dano causado ao erário, sem prejuízo
de outras sanções legais cabíveis.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 178. O Título XI da Parte Especial do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940


(Código Penal), passa a vigorar acrescido do seguinte Capítulo II-B:

CAPÍTULO II-B
DOS CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

Contratação direta ilegal

Art. 337-E. Admitir, possibilitar ou dar causa à contratação direta fora das hipóteses
previstas em lei:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.


DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940.

CÓDIGO PENAL BRASILEIRO

 Art. 121. Matar alguém:

 Pena - reclusão, de seis a vinte anos.


DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940.

Art. 18 - Diz-se o crime: 

Crime doloso        
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;        

Crime culposo
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou
imperícia.        

Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato
previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993

Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as
formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade:

Pena - detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, tendo comprovadamente concorrido para a
consumação da ilegalidade, beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ilegal, para celebrar
contrato com o Poder Público.

LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021


Art. 193. Revogam-se:
I - os arts. 89 a 108 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993
REGISTRO DE PREÇOS
PARA
CONTRATAÇÃO DIRETA
SEM LICITAÇÃO
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se:

XLV - sistema de registro de preços: conjunto de procedimentos para realização,


mediante contratação direta ou licitação nas modalidades pregão ou concorrência,
de registro formal de preços relativos a prestação de serviços, a obras e a aquisição
e locação de bens para contratações futuras;

XLVI - ata de registro de preços: documento vinculativo e obrigacional, com


característica de compromisso para futura contratação, no qual são registrados o
objeto, os preços, os fornecedores, os órgãos participantes e as condições a serem
praticadas, conforme as disposições contidas no edital da licitação, no aviso ou
instrumento de contratação direta e nas propostas apresentadas;
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 82. O edital de licitação para registro de preços observará as regras gerais desta Lei e deverá dispor sobre:
I - as especificidades da licitação e de seu objeto, inclusive a quantidade máxima de cada item que poderá ser adquirida;
II - a quantidade mínima a ser cotada de unidades de bens ou, no caso de serviços, de unidades de medida;
III - a possibilidade de prever preços diferentes:
a) quando o objeto for realizado ou entregue em locais diferentes;
b) em razão da forma e do local de acondicionamento;
c) quando admitida cotação variável em razão do tamanho do lote;
d) por outros motivos justificados no processo;
IV - a possibilidade de o licitante oferecer ou não proposta em quantitativo inferior ao máximo previsto no edital, obrigando-se nos
limites dela;
V - o critério de julgamento da licitação, que será o de menor preço ou o de maior desconto sobre tabela de preços praticada no
mercado;
VI - as condições para alteração de preços registrados;
VII - o registro de mais de um fornecedor ou prestador de serviço, desde que aceitem cotar o objeto em preço igual ao do licitante
vencedor, assegurada a preferência de contratação de acordo com a ordem de classificação;
VIII - a vedação à participação do órgão ou entidade em mais de uma ata de registro de preços com o mesmo objeto no prazo de
validade daquela de que já tiver participado, salvo na ocorrência de ata que tenha registrado quantitativo inferior ao máximo
previsto no edital;
IX - as hipóteses de cancelamento da ata de registro de preços e suas consequências.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 82. O edital de licitação para registro de preços observará as regras


gerais desta Lei e deverá dispor sobre:

[...]

§ 6º O sistema de registro de preços poderá, na forma de regulamento, ser


utilizado nas hipóteses de inexigibilidade e de dispensa de licitação para a
aquisição de bens ou para a contratação de serviços por mais de um órgão
ou entidade.
LICITAÇÃO DISPENSÁVEL
PELO VALOR
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

IMPACTOS DIRETOS

Art. 75. É dispensável a licitação:

I - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no
caso de obras e serviços de engenharia ou de serviços de manutenção de veículos
automotores;

II - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais),
no caso de outros serviços e compras;
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021
IMPACTOS DIRETOS
Art. 75.

§1º Para fins de aferição dos valores que atendam aos limites referidos nos incisos I e II
do caput deste artigo, deverão ser observados:

I - o somatório do que for despendido no exercício financeiro pela respectiva unidade gestora;

II - o somatório da despesa realizada com objetos de mesma natureza, entendidos como tais
aqueles relativos a contratações no mesmo ramo de atividade.
[...]

§ 7º Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo às contratações de até R$ 8.000,00 (oito mil
reais) de serviços de manutenção de veículos automotores de propriedade do órgão ou entidade
contratante, incluído o fornecimento de peças.
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

IMPACTOS DIRETOS
Art. 75.

§ 2º Os valores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo serão duplicados para compras,
obras e serviços contratados por consórcio público ou por autarquia ou fundação qualificadas como
agências executivas na forma da lei.

§ 3º As contratações de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo serão preferencialmente


precedidas de divulgação de aviso em sítio eletrônico oficial, pelo prazo mínimo de 3 (três) dias
úteis, com a especificação do objeto pretendido e com a manifestação de interesse da Administração
em obter propostas adicionais de eventuais interessados, devendo ser selecionada a proposta mais
vantajosa.

§ 4º As contratações de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo serão preferencialmente


pagas por meio de cartão de pagamento, cujo extrato deverá ser divulgado e mantido à disposição
do público no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).
LICITAÇÃO INEXIGÍVEL
PARA CONTRATAÇÃO DE
NOTÓRIOS ESPECIALISTAS
LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993

Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:

II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com
profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação;

§ 1o  Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua


especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização,
aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita
inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto
do contrato.
LEI Nº 14.039, DE 17 DE AGOSTO DE 2020

Art. 1º  A Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da OAB), passa a vigorar acrescida do seguinte art. 3°-A:

“Art.  3º-A. Os serviços profissionais de advogado são, por sua natureza, técnicos e singulares,
quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei.
Parágrafo único. Considera-se notória especialização o profissional ou a sociedade de advogado cujo conceito no campo de
sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe
técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e
indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.”

Art. 2º  O art. 25 do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946 , passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 1º e 2º:

“Art. 25. ........……………………………..…………………………………….
§ 1º Os serviços profissionais de contabilidade são, por sua natureza, técnicos e singulares,
quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei.
§ 2º  Considera-se notória especialização o profissional ou a sociedade de profissionais de contabilidade cujo conceito no
campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização,
aparelhamento, equipe técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é
essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.” (NR)
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos
de:

III - contratação dos seguintes serviços técnicos especializados de natureza


predominantemente intelectual com profissionais ou empresas de notória
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação:

a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos ou projetos executivos;


b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos
de:

e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;


f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
g) restauração de obras de arte e de bens de valor histórico;
h) controles de qualidade e tecnológico, análises, testes e ensaios de campo e
laboratoriais, instrumentação e monitoramento de parâmetros específicos de obras
e do meio ambiente e demais serviços de engenharia que se enquadrem no
disposto neste inciso;
LEI N° 14.133, DE 1° ABRIL DE 2021

Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos
de:

§ 3º Para fins do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se de


notória especialização o profissional ou a empresa cujo conceito no campo de sua
especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência,
publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos
relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e
reconhecidamente adequado à plena satisfação do objeto do contrato.
LICITAÇÃO INEXIGÍVEL PARA
FORNECEDOR E PRESTADOR DE
SERVIÇO EXCLUSIVO
LEI Nº 14.133/2021

Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos
de:

I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de


serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivos;

§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, a Administração deverá


demonstrar a inviabilidade de competição mediante atestado de exclusividade,
contrato de exclusividade, declaração do fabricante ou outro documento idôneo
capaz de comprovar que o objeto é fornecido ou prestado por produtor, empresa ou
representante comercial exclusivos, vedada a preferência por marca específica.
LICITAÇÃO INEXIGÍVEL PARA
CONTRATAÇÃO DE ARTISTAS
LEI Nº 14.133/2021

Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos


casos de:

II - contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de


empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela
opinião pública;

§ 2º Para fins do disposto no inciso II do caput deste artigo, considera-se


empresário exclusivo a pessoa física ou jurídica que possua contrato, declaração,
carta ou outro documento que ateste a exclusividade permanente e contínua de
representação, no País ou em Estado específico, do profissional do setor artístico,
afastada a possibilidade de contratação direta por inexigibilidade por meio de
empresário com representação restrita a evento ou local específico.
JUSTIFICATIVA DE PREÇOS E
ESTIMATIVA DE PREÇOS
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23. O valor previamente estimado da contratação deverá ser compatível com
os valores praticados pelo mercado, considerados os preços constantes de bancos
de dados públicos e as quantidades a serem contratadas, observadas a potencial
economia de escala e as peculiaridades do local de execução do objeto.

§ 1º No processo licitatório para aquisição de bens e contratação de serviços em


geral, conforme regulamento, o valor estimado será definido com base no melhor
preço aferido por meio da utilização dos seguintes parâmetros, adotados de forma
combinada ou não:
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23.
§ 1º

I - composição de custos unitários menores ou iguais à mediana do item


correspondente no painel para consulta de preços ou no banco de preços em
saúde disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP);

II - contratações similares feitas pela Administração Pública, em execução ou


concluídas no período de 1 (um) ano anterior à data da pesquisa de preços,
inclusive mediante sistema de registro de preços, observado o índice de
atualização de preços correspondente;
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23. 

III - utilização de dados de pesquisa publicada em mídia especializada, de tabela


de referência formalmente aprovada pelo Poder Executivo federal e de sítios
eletrônicos especializados ou de domínio amplo, desde que contenham a data e
hora de acesso;
IV - pesquisa direta com no mínimo 3 (três) fornecedores, mediante solicitação
formal de cotação, desde que seja apresentada justificativa da escolha desses
fornecedores e que não tenham sido obtidos os orçamentos com mais de 6 (seis)
meses de antecedência da data de divulgação do edital;
V - pesquisa na base nacional de notas fiscais eletrônicas, na forma de
regulamento.
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23. 
§ 2º No processo licitatório para contratação de obras e serviços de engenharia, conforme
regulamento, o valor estimado, acrescido do percentual de Benefícios e Despesas Indiretas (BDI)
de referência e dos Encargos Sociais (ES) cabíveis, será definido por meio da utilização de
parâmetros na seguinte ordem:
I - composição de custos unitários menores ou iguais à mediana do item correspondente do
Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro), para serviços e obras de infraestrutura de
transportes, ou do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices de Construção Civil (Sinapi),
para as demais obras e serviços de engenharia;
II - utilização de dados de pesquisa publicada em mídia especializada, de tabela de referência
formalmente aprovada pelo Poder Executivo federal e de sítios eletrônicos especializados ou de
domínio amplo, desde que contenham a data e a hora de acesso;
III - contratações similares feitas pela Administração Pública, em execução ou concluídas no
período de 1 (um) ano anterior à data da pesquisa de preços, observado o índice de atualização de
preços correspondente;
IV - pesquisa na base nacional de notas fiscais eletrônicas, na forma de regulamento.
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23. 

§ 3º Nas contratações realizadas por Municípios, Estados e Distrito Federal, desde que não
envolvam recursos da União, o valor previamente estimado da contratação, a que se refere
o caput deste artigo, poderá ser definido por meio da utilização de outros sistemas de custos
adotados pelo respectivo ente federativo.

§ 4º Nas contratações diretas por inexigibilidade ou por dispensa, quando não for possível estimar
o valor do objeto na forma estabelecida nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo, o contratado deverá
comprovar previamente que os preços estão em conformidade com os praticados em contratações
semelhantes de objetos de mesma natureza, por meio da apresentação de notas fiscais emitidas
para outros contratantes no período de até 1 (um) ano anterior à data da contratação pela
Administração, ou por outro meio idôneo.
LEI Nº 14.133/2021

Art. 23. 

§ 5º No processo licitatório para contratação de obras e serviços de engenharia sob os regimes de


contratação integrada ou semi-integrada, o valor estimado da contratação será calculado nos
termos do § 2º deste artigo, acrescido ou não de parcela referente à remuneração do risco, e,
sempre que necessário e o anteprojeto o permitir, a estimativa de preço será baseada em
orçamento sintético, balizado em sistema de custo definido no inciso I do § 2º deste artigo,
devendo a utilização de metodologia expedita ou paramétrica e de avaliação aproximada baseada
em outras contratações similares ser reservada às frações do empreendimento não
suficientemente detalhadas no anteprojeto.

§ 6º Na hipótese do § 5º deste artigo, será exigido dos licitantes ou contratados, no orçamento que
compuser suas respectivas propostas, no mínimo, o mesmo nível de detalhamento do orçamento
sintético referido no mencionado parágrafo.
PORTAL NACIONAL DE CONTRAÇÕES PÚBLICAS:

OQUE É, PARA QUE SERVE E COMO UTILIZAR

Professor Jacoby Fernandes


Portal Nacional de Contratações Públicas: uma
nova lógica jurídica, gerencial e econômica para a
Lei de Licitações e Contratos
Autoria de Monique Rocha Furtado
http://www.novaleilicitacao.com.br/2021/05/13/portal-nacional-de-contratacoes-publicas-uma-nova-
logica-juridica-gerencial-e-economica-para-a-lei-de-licitacoes-e-contratos/
Portal Nacional de Contratações Públicas:
uma nova lógica jurídica, gerencial e
econômica para a Lei de Licitações e
Contratos
Sob a perspectiva gerencial o PNCP contribui para dar cumprimento às orientações do Tribunal de Contas da União
que visam incorporar as boas práticas de governança corporativa nas organizações públicas brasileiras. Essas
orientações estão inseridas no contexto internacional de promoção de uma nova gestão orientada para a
governança pública, fundada na parceria entre os diversos setores do Estado (público, privado e social) para a
geração de valor público. Nesse contexto, as práticas de gestão baseadas no controle procedimental são
substituídas por uma gestão baseada no desempenho, além disso, são adotadas novas medidas que fortalecem a
confiança e a parceria entre as partes interessadas. Por isso, as práticas que permitem a geração de valor público,
como a gestão de risco, e a preservação de valor público, como os programas de integridade, são deliberadamente
incorporadas às estruturas e processos de governança das contratações. 
O principal benefício do PNCP não está no cumprimento de uma obrigação legal, funcionando como um mero
substituto eletrônico do atual Diário Oficial, mas na utilização gerencial da ferramenta, que permite promover os
princípios da transparência, da responsividade e da integridade e implementar um mecanismo de coordenação
eficiente entre a Administração Pública, seus fornecedores e a sociedade civil. O PNCP é uma ferramenta de gestão
das compras públicas e sua adequada implementação permitirá administrar melhor as informações sobre os
processos (monitorar e avaliar), ampliar a competição (fortalecer a relação preço-qualidade), fomentar a
participação (aperfeiçoar o planejamento), fortalecer o controle social e, dessa forma, favorecer o aprendizado,
incentivar a inovação e aprimorar o sistema nacional de compras públicas, buscando o que é tão caro à democracia
brasileira: a confiança do cidadão ao processo de compras públicas
Sob a perspectiva econômica, o PNCP adota a lógica da economia da informação. O valor dos dados dispostos na
plataforma digital não está em sua escassez, mas em seu uso e compartilhamento pelo maior número possível de
usuários. Plataformas digitais, como o PNCP, promovem retornos crescentes para os usuários – assim como em
redes sociais, como o facebook, não existe sentido econômico em restringir o uso para um único usuário (como a
adoção de sistemas individualizados de compras públicas).  O PNCP reconhece que existem incentivos econômicos
para que os entes públicos adotem sistemas, padrões e processos compartilhados de compras públicas. Aliás, é
exatamente por essa razão que se observa a criação de um número crescente de centrais e consórcios de compras
públicas no país.
A corrupção nos contratos públicos se beneficia do sigilo. Hoje, conforme a legislação vigente, o sigilo deveria ser a
exceção, porém, na prática da Administração Pública brasileira não é isso que se observa.
É comum os órgãos públicos não franquearem o acesso aos atos administrativos em meio eletrônico e mesmo
quando requeridos administrativamente, negarem acesso aos contratos, aos documentos técnicos, etc. O PNCP
muda o padrão vigente de transparência passiva, baseado nas práticas gerenciais de ocultação das informações e na
imposição da maior quantidade possível de custos ao requerente (cadastro/identificação, tempo de espera, dados
fechados, custos administrativos e legais, etc.), por um novo padrão de transparência ativa aplicável a todos os
entes públicos. Sob essa perspectiva, os benefícios do PNCP para a promoção da integridade pública são
inquestionáveis.
Ao concentrar e disponibilizar as informações, o PNCP contribui para reduzir a assimetria de informações de duas
relações de agência essenciais para o bom funcionamento de um sistema de compras públicas: 1) entre cidadãos e
Administração Pública; e 2) entre Administração Pública e fornecedores. A primeira relação promove um controle
mais eficiente das decisões públicas para assegurar maior responsividade e integridade e a segunda contribui para
dar maior eficiência econômica aos contratos firmados entre a Administração Pública e os seus fornecedores. Além
disso, ao concentrar as normas legais, as orientações gerenciais e os processos de compras públicas per se, o PNCP
se torna ainda um repositório de conhecimento e aprendizado que pode contribuir para mitigar os riscos inerentes à
racionalidade limitada. Desta forma, o PNCP reduz significativamente os custos de transação relacionados às
compras públicas, elevando assim, a eficiência econômica da Administração Pública.
Além disso, ainda mais relevante é a (re)definição dos padrões adotados pelo PNCP que irão estabelecer, para todo
o sistema de compras públicas brasileiro, as boas práticas de planejamento, seleção,
implementação/monitoramento e avaliação. Essas decisões, embora estejam revestidas de uma forma legal, são
gerenciais e devem estar sujeitas a avaliação e a revisão contínua típicas de um processo de gestão por
desempenho. A aprovação da NLLC e a adoção do PNCP autorizam os gestores a institucionalizar novos padrões
mais eficientes por meio de novas práticas e valores. 
Por isso, a Administração Pública pode incorrer num grave erro ao deixar essas decisões gerenciais a cargo das
assessorias jurídicas, a quem compete realizar somente o controle de legalidade dos atos administrativos. Se as
decisões sobre os padrões da PNCP forem orientadas pela lógica tradicional de controle jurídico-procedimental
(padrão anterior), sem levar em consideração as necessidades gerenciais de geração de valor público (novo padrão),
seguramente a trajetória institucional passada será reforçada – por meio da aplicação de jurisprudência e
interpretação antiga e inadequada – ao invés de transformada, garantindo assim a inefetividade e a ineficiência da
ferramenta.
Por essa razão, neste momento de definição dos padrões do NLLC, é crucial que os órgãos gestores deliberem sobre
os objetivos (produtos, resultados e impactos), as metas e os indicadores de desempenho esperados com a
implementação do PNCP – assegurando a participação da sociedade no processo de deliberação, o acesso a essas
decisões e as informações subsequentes de monitoramento. A regulamentação do PNCP está subordinada a essas
decisões de caráter gerencial que irão institucionalizar normas e padrões que produzirão novas interpretações
jurídicas. Submeter as decisões sobre o PNCP a hermenêutica jurídica de normas passadas, além de limitar o papel
do gestor que dispõe da competência de decidir sobre o mérito, também contribui para replicar a lógica de
implementação da Lei n⁰ 8.666 que se busca superar com a NLLC
Quadro 1. Objetivos do PNCP

Objetivos Descrição
Produtos – aumentar o número de processos eletrônicos de compras públicas;- elevar o número de organizações
públicas integrantes;- promover o acesso de fornecedores qualificados;- garantir o acesso permanente e em tempo
real dos processos de compras públicas;- assegurar a segurança e a integridade das informações;- publicar a
integralidade das informações sobre as diversas fases da contratação (planejamento, seleção, contratação,
monitoramento e avaliação);- disponibilizar bases de conhecimento legal e gerencial;- viabilizar ferramentas
acessórias de participação e controle social;
Resultados – aumentar a competitividade;- aperfeiçoar os processos por meio da avaliação;- promover o controle
social;- reduzir o tempo de tramitação (entre demanda e atendimento);- incentivar as compras compartilhadas;-
reduzir a judicialização dos processos de contratação;- incentivar a adoção de critérios de seleção que observam a
melhor relação entre custo e qualidade (Value for Money);- promover processos de compras sustentáveis e
inteligentes;
Impacto – aumentar a conformidade e o desempenho dos processos de compras públicas no Brasil
Quadro 1. Objetivos do PNCP

Objetivos Descrição

Produtos – aumentar o número de processos eletrônicos de compras públicas;- elevar o número de organizações
públicas integrantes;- promover o acesso de fornecedores qualificados;- garantir o acesso permanente e em tempo
real dos processos de compras públicas;- assegurar a segurança e a integridade das informações;- publicar a
integralidade das informações sobre as diversas fases da contratação (planejamento, seleção, contratação,
monitoramento e avaliação);- disponibilizar bases de conhecimento legal e gerencial;- viabilizar ferramentas
acessórias de participação e controle social;

Resultados – aumentar a competitividade;- aperfeiçoar os processos por meio da avaliação;- promover o controle
social;- reduzir o tempo de tramitação (entre demanda e atendimento);- incentivar as compras compartilhadas;-
reduzir a judicialização dos processos de contratação;- incentivar a adoção de critérios de seleção que observam a
melhor relação entre custo e qualidade (Value for Money);- promover processos de compras sustentáveis e
inteligentes;

Impacto – aumentar a conformidade e o desempenho dos processos de compras públicas no Brasil


Obrigado!

Professor Jacoby Fernandes

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