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Sumário

 Problema da Possibilidade do Conhecimento.


 Problema da Origem do Conhecimento.
 Fundacionalismo racionalista de Descartes.
 Objeções à epistemologia de Descartes.
 Fundacionalismo empirista de Hume.
 Objeções à Epistemologia de Hume.
 Comparando Hume e Descartes.
Problema da Possibilidade do Conhecimento

 PROBLEMA: Será possível conhecer algo?

 Teoria do Dogmatismo: o conhecimento é possível.


 Teoria do Ceticismo: o conhecimento não é possível.
Há vários tipos de ceticismo:

 Ceticismo sobre o mundo exterior: o conhecimento sobre o mundo exterior não é


possível.

 Ceticismo radical ou pirrónico: o conhecimento, seja acerca do que for, não é possível.
Ceticismo sobre o mundo exterior
Leitura do Texto 1: “Cérebros numa Cuba”
Eis uma possibilidade de ficção científica discutida pelos filósofos: imagine-se que um ser humano (pode imaginar que é você mesmo) foi sujeito a uma operação por um cientista
perverso. O cérebro da pessoa (o seu cérebro) foi removido do corpo e colocado numa cuba de nutrientes que o mantém vivo. Os terminais nervosos foram ligados a um
supercomputador científico que faz com que a pessoa de quem é o cérebro tenha a ilusão de que tudo está perfeitamente normal. Parece haver pessoas, objetos, o céu, etc.; mas
realmente tudo o que a pessoa, (você) está experienciando é o resultado de impulsos eletrónicos deslocando-se do computador para os terminais nervosos. O computador é tão
esperto que se a pessoa tenta levantar a mão, a retroação do computador fará com que ela "veja" e "sinta" a mão sendo levantada. Mais ainda, variando o programa, o cientista
perverso pode fazer com que a vítima "experiencie" (ou se alucine com) qualquer situação ou ambiente que ele deseje. Ele pode também apagar a memória com que o cérebro opera,
de modo que à própria vítima lhe parecerá ter estado sempre neste ambiente. Pode mesmo parecer à vítima que ela está sentada e a ler estas mesmas palavras sobre a divertida mas
completamente absurda suposição de que há um cientista perverso que remove os cérebros das pessoas dos seus corpos e os coloca numa cuba de nutrientes que os mantém vivos.
Os terminais nervosos é suposto estarem ligados a um supercomputador científico que faz com que a pessoa de quem é o cérebro tenha a ilusão de que...
Quando este tipo de possibilidade é mencionado numa conferência sobre teoria do conhecimento, o propósito, evidentemente, é levantar de uma maneira moderna o clássico
problema do ceticismo relativamente ao mundo exterior. (Como é que você sabe que não está nesta difícil situação?) Mas esta situação difícil é também um dispositivo útil para
levantar questões sobre a relação mente/mundo.
Em vez de ter apenas um cérebro na cuba, podíamos imaginar que todos os seres humanos (talvez todos os seres sencientes) são cérebros numa cuba (ou sistemas nervosos numa
cuba no caso de alguns seres apenas com um sistema nervoso mínimo considerado já como "senciente"). Naturalmente, o cientista perverso teria que estar de fora - estaria? Talvez
não haja nenhum cientista perverso, talvez (embora isto seja absurdo) aconteça simplesmente que o universo consista num mecanismo automático cuidando de uma cuba cheia de
cérebros e sistemas nervosos.
Agora suponhamos que o mecanismo automático está programado para nos transmitir uma alucinação coletiva, em vez de uma quantidade de alucinações individuais não
relacionadas. Assim, quando me parece estar a falar consigo, a si parece-lhe estar a ouvir as minhas palavras. Evidentemente, não é o caso de as minhas palavras atingirem realmente
os seus ouvidos - porque você não tem ouvidos (reais), nem eu tenho uma boca e língua reais. Antes, quando eu produzo as minhas palavras, o que acontece é que os impulsos
eferentes deslocam-se do meu cérebro para o computador, que ocasiona que eu "ouça" a minha própria voz pronunciando essas palavras e "sinta" a minha língua mover-se, etc., e que
você "ouça" as minhas palavras, me "veja" a falar, etc. Neste caso, estamos, num certo sentido, realmente em comunicação. Não estou enganado sobre a sua existência real (apenas
sobre a existência do seu corpo e do "mundo externo" fora dos cérebros). De um certo ponto de vista, nem sequer importa que "o mundo inteiro“ seja uma alucinação coletiva;
porque, afinal, você ouve realmente as minhas palavras quando eu falo consigo, mesmo que o mecanismo não seja o que supomos que ele é. (Evidentemente, se fossemos dois
amantes fazendo amor, em vez de apenas duas pessoas levando a cabo uma conversa, então a sugestão de que se tratava apenas de dois cérebros numa cuba podia ser perturbadora.)
Quero agora pôr uma questão que parecerá muito tola e óbvia (pelo menos para algumas pessoas, incluindo alguns filósofos muito sofisticados), mas que nos levará a autênticas
profundezas filosóficas bastante rapidamente. Suponha-se que toda esta história era de facto verdadeira. Poderíamos nós, se fôssemos assim cérebros numa cuba, dizer ou pensar que
o éramos?
Hillary Putnam, Razão, Verdade e História, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1992, pp. 28-29.
Ceticismo sobre o mundo exterior

 Tarefa do Texto 1: “Cérebros numa Cuba”

(1) Como se pode defender que não sabemos que estamos num Cérebro numa Cuba?
(2) (2) Formula um argumento dedutivamente válido, com base no texto de Putnam, para a
conclusão de que “não sei que tenho mãos”.
Ceticismo sobre o mundo exterior

 Argumento a favor do ceticismo sobre o mundo exterior:


(1) Se sei que tenho duas mãos, então sei que não sou um Cérebro numa Cuba.
(2) Mas não sei que não sou um Cérebro numa Cuba.
(3) (3) Logo, não sei que tenho duas mãos.

 Que razões há a favor de (2)?


►Dado o cenário cético, não podemos distinguir uma experiência genuína do mundo
exterior de uma experiência ilusória gerada pelo supercomputador.
►Assim, não sabemos que não sou um Cérebro numa Cuba.
Ceticismo radical ou pirrónico

 Leitura do Texto 2: “Hipóteses Pirrónicas” de Sexto Empírico, Hipóteses Pirrónicas, Livro


I, Cap. XV, pp. 72–74.
Os céticos tardios deixaram-nos Cinco Modos conducentes à suspensão [do juízo], a saber: o primeiro é baseado na discrepância, o segundo na regressão infinita, o
terceiro na relatividade, o quarto na hipótese e o quinto no raciocínio circular. O Modo baseado na discrepância leva-nos a descobrir que, em relação a qualquer assunto,
tem surgido não só entre as pessoas comuns, mas também entre os filósofos, um conflito interminável, em virtude do qual somos incapazes tanto de escolher uma coisa
como de a rejeitar, acabando assim por suspender o juízo. O Modo baseado na regressão infinita é aquele através do qual afirmamos que aquilo que é aduzido como
demonstração do assunto em causa precisa, por sua vez, de ser demonstrado, e assim sucessivamente até ao infinito, de maneira que a consequência é a suspensão do
juízo, visto não possuirmos um ponto de partida para o nosso raciocínio. O Modo baseado na relatividade, como já dissemos, é aquele através do qual a aparência do
objeto é relativa ao sujeito que julga a partir das impressões percebidas pelos sentidos, suspendendo nós o juízo acerca da sua natureza real. Temos o Modo baseado na
hipótese quando os Dogmáticos, forçados a regredir ao infinito, acabam por tomar como ponto de partida algo que não estabelecem por meio de razões, mas que
pressupõem como simplesmente garantido e sem precisar de provas. O Modo do raciocínio circular é o que se usa quando aquilo que deveria servir para confirmar o que
se pretende é, ele mesmo, derivado do que precisa de confirmação; neste caso, sendo incapazes de decidir qual das ideias tem prioridade, suspendemos o
juízo acerca de ambas.
Que toda a matéria de investigação pode ser abarcada por estes Modos é algo que podemos mostrar brevemente. A matéria proposta tanto pode ser um objeto dos sentidos
como um objeto do pensamento, mas seja qual for, é fonte de controvérsia; pois umas pessoas dizem que apenas o que é sensível é verdadeiro, outras dizem que só é
verdadeiro o que é inteligível, outras dizem que alguns objetos sensíveis e alguns objetos inteligíveis são verdadeiros. Poderão eles afirmar, então, que a controvérsia
pode ser
decidida? Se disserem que não pode, está garantido que temos de suspender o juízo, pois acerca de matérias de disputa que não admitem qualquer decisão é impossível
afirmar seja o que for. Mas se disserem que a controvérsia pode ser decidida, perguntamos o que permite tal coisa. Por exemplo, no caso do objeto dos sentidos (pois é aí
que o nosso argumento começará por se basear), a controvérsia será decidida por um objeto dos sentidos ou por um objeto do pensamento? Se disserem que é por um
objeto dos
sentidos, dado que a nossa investigação é sobre coisas sensíveis, esse mesmo objeto irá também exigir um outro que o confirme; e se este for, de novo, um objeto dos
sentidos, exigirá igualmente outro como confirmação, e assim até ao infinito. Se a controvérsia
acerca do objeto dos sentidos tiver de ser decidida por um objeto de pensamento, então, uma vez que os objetos do pensamento são também controversos, terão, por isso,
de ser examinados e confirmados. De onde virá, então, a sua confirmação? Se vier de um objeto inteligível, estaremos sujeitos a uma regressão infinita semelhante à
anterior; se vier de um objeto sensível, uma vez que algo inteligível foi aduzido para estabelecer o sensível e algo sensível para estabelecer o inteligível, vamos dar ao
Modo de raciocínio circular.
Ceticismo radical ou pirrónico

 Tarefa

1) Explica o argumento cético baseado na discrepância de opiniões.


2) Explica o argumento cético baseado na relatividade das aparências.
3) Explica o argumento cético baseado na regressão infinita da justificação.
4) Discussão: Qual é o argumento que te parece mais forte?
5) Discussão: Que objeções se podem apresentar a esses argumentos.
Ceticismo radical ou pirrónico

 Argumento central a favor do ceticismo radical:

(1) Se há conhecimento, as nossas crenças estão justificadas.


(2) Mas as nossas crenças não estão justificadas.
(3) Logo, não há conhecimento.

Razões a favor da premissa (2):

1ª razão: discrepância de opiniões,


2ª razão: relatividade das aparências,
3ª razão: regressão infinita da justificação.
Ceticismo radical ou pirrónico

 1ª razão: discrepância de opiniões

Argumento da discrepância ou divergência de opiniões:

(1) Seja qual for o assunto, há sempre divergência irreconciliável de opiniões, mesmo entre os
entendidos nesse assunto.
(2) Se há divergência irreconciliáveis de opiniões, então nenhuma opinião ou crença está
suficientemente justificada.
(3) Logo, nenhum opinião ou crença está justificada.
Ceticismo radical ou pirrónico

 2ª razão: relatividade das aparências

Argumento da relatividade ou ilusão dos sentidos:

(1) Frequentemente somos enganados pelos nossos sentidos. (Pois, muitas das coisas que vemos,
ouvimos, etc., são meras ilusões percetivas.)
(2) Se somos enganados pelos nossos sentidos, então as nossas crenças percetivas não estão
justificadas.
3) Logo, as nossas crenças percetivas não são justificadas.
Ceticismo radical ou pirrónico

 3ª razão: regressão infinita da justificação

Argumento da regressão infinita da justificação:


(1) A justificação de qualquer crença é inferida de outras crenças. (Ou seja, a única forma de justificar
as nossas crenças é recorrer a outras crenças).
(2) Se a justificação de qualquer crença é inferida de outras crenças, então há uma regressão infinita na
justificação.
(3) Logo, há uma regressão infinita na justificação.

(4) Se há uma regressão infinita na justificação, as nossas crenças não estão justificadas.
(5) Logo, as nossas crenças não estão justificadas.
Ceticismo radical ou pirrónico

 Objeções contra o argumento da regressão ao infinito

Negar a premissa (2):


►Defesa do Coerentismo.

Negar a premissa (1):


►Defesa do Fundacionalismo.
Ceticismo radical ou pirrónico
 Coerentismo:

 “A Justificação de qualquer crença é inferida de outras crenças, mas não há uma regressão infinita na justificação”.
Como será isso possível?
► Para o coerentismo qualquer crença deve ser baseada numa cadeia circular de inferências.

m
B ju
sti
co fic
-se a-
if ca s ec Objeções:
ti
j us om
►Parece cometer a falácia da petição de princípio.
A C
justifica-se com
Ceticismo radical ou pirrónico
 Fundacionalismo:

 “A justificação de algumas crenças não são inferidas de outras crenças”.


 Como será isso possível?
► Para o fundacionalismo há dois tipos de crenças:

Servem de
fundamento
Crenças Crenças não- Que tipo de crenças são básicas?
básicas básicas

Há dois tipos de fundacionalismo:

(1) Fundacionalismo racionalista de


Não são
Justificadas por Descartes.
justificadas por
outras crenças outras crenças (2) Fundacionalismo empirista de Hume.
Problema da Origem do Conhecimento

 PROBLEMA: Se o conhecimento é possível a partir de crenças básicas e estas não se justificam


por outras crenças, o que justifica uma crença básica?

Duas fontes de justificação e conhecimento básico:


 (1) Intuição Racional (pensamento)
►Reconhecemos a verdade de certas proposições simplesmente pensando nelas.
►É a base do conhecimento “a priori” (aquele que pode ser obtido sem recorrer à experiência).

 (2) Experiência (sentidos)


►Resulta do funcionamento dos nossos sentidos.
►É a base do conhecimento “a posteriori” ou empírico (aquele que só pode ser obtido através
da experiência)
Respostas ao problema da origem do conhecimento

 Qual destas fontes é a mais básica ou fundamental?


► Há uma discordância entre:

Empiristas
Racionalistas (como Hume)
(como Descartes)
● Privilegiam a experiência como fonte de
● Privilegiam a intuição racional como fonte conhecimento.
de conhecimento (mas não negam o ● Exceto o domínio da matemática/lógica
conhecimento empírico). (que é “a priori”), todo o nosso
● Muitos aspetos importantes da realidade conhecimento é empírico ou “a posteriori”.
podem ser conhecidos “a priori”.
Sumário

 Problema da Possibilidade do Conhecimento.


 Problema da Origem do Conhecimento.
 Fundacionalismo racionalista de Descartes.
 Objeções à epistemologia de Descartes.
 Fundacionalismo empirista de Hume.
 Objeções à Epistemologia de Hume.
 Comparando Hume e Descartes.
Fundacionalismo de Descartes

 Objetivo de Descartes (1596-1650):


♦Procurar fundamentos seguros e indubitáveis.
♦Ou seja, encontrar alguma crença básica infalível de que não se possa duvidar.
Fundacionalismo de Descartes

 Método - Dúvida Metódica:


♦Todas as nossas crenças terão de ser submetidas à dúvida e só serão aceites como básicas ou fundacionais
se passarem no teste.
♦“Passar no teste” é tentar duvidar delas e não conseguirmos.
♦“Metódica” porque a dúvida é um método ou meio para alcançar a certeza.
♦A “dúvida cartesiana” também se carateriza por ser: provisória, universal, e
hiperbólica.
Fundacionalismo de Descartes

 Aplicação do Método
♦Descartes não coloca em dúvida cada crença individualmente, mas sim tipos de crença.
●Para colocar em dúvida as crenças “a posteriori”:
◘Argumento da ilusão dos sentidos.
◘Argumento do sonho.

●Para colocar em dúvida as crenças “a priori”:


◘Argumento do génio maligno.
Fundacionalismo de Descartes

 Argumento das ilusões dos sentidos


Argumento para duvidar que os nossos sentidos são uma fonte de conhecimento.

(1) Os sentidos por vezes iludem-nos (p.e. dois círculos que são iguais podem parecer diferentes).
(2) Se 1 é verdade, então não podemos confiar inteiramente nos sentidos.
(3) Logo, não podemos confiar inteiramente nos sentidos.

Limites:
Descartes reconhece que ilusões de ótica não parecem pôr em causa que tenho mãos e um corpo.
Fundacionalismo de Descartes

 Argumento do sonho
Argumento para duvidar de qualquer perceção sensível.
(1) Por vezes tenho sonhos vívidos que são qualitativamente indistinguíveis das minhas
“melhores” perceções (em vigília).
(2) Se 1 é verdadeira, então não posso distinguir com certeza as minhas “melhores” perceções
dos sonhos vívidos.
(3) Logo, não posso distinguir com certeza as minhas “melhores” perceções dos sonhos vívidos.
(4) Se 3 é verdadeira, então nem mesmo as minhas “melhores” perceções proporcionam
certeza.
(5) Logo, nem mesmo as minhas “melhores” perceções proporcionam certeza.

Limites: o argumento não põe em causa as crenças “a priori”.


Fundacionalismo de Descartes

 Argumento do génio maligno


 Argumento para duvidar das nossas crenças “a posteriori” e “a priori”.

(1) É possível que exista um génio maligno (uma divindade enganadora).


(2) Se isso é possível, então não posso ter a certeza sobre crenças “a posteriori” e “a priori”.
(3) Se não posso ter essa certeza, então não tenho conhecimento “a posteriori” e “a priori”.
(4) Logo, não tenho conhecimento “a posteriori” e “a priori”.

Será que nada pode ser certo para ser uma crença básica ou fundamental?
►Descartes defende que NÃO. Mesmo um génio maligno não pode enganar-nos a respeito
de tudo.
Fundacionalismo de Descartes

 Há algo que não se possa duvidar? DESCARTES, René (1641) “Meditações sobre a Filosofia Primeira”

 Aparência e realidade
 https://www.youtube.com/watch?v=KMhigIfaKxU

Existe algo que posso saber com toda a certeza: “PENSO, LOGO EXISTE”.
Fundacionalismo de Descartes

 O Cogito

Enquanto busca razões para pôr em causa aquilo em que acredita, Descartes está a pensar.
Ora, para pensar tem de existir. Assim, pela crença “eu penso, logo existo” – conhecida por
cogito –, Descartes atinge uma primeira certeza.
Encontramos finalmente uma crença básica ou fundacional: o “cogito”.

O “cogito” tem duas caraterísticas:


(1) É uma crença autojustificada;
(2) É uma verdade da razão, e não dos sentidos.
Fundacionalismo de
Descartes
1. Significa o mesmo a) ceticismo
que… d)
2. é uma crença… b) ou b) indubitável
c)
Exercício: 3. é o fundamento do(a) c) Autojustificado (a)
O “Cogito”… g)
4. é uma refutação do(a) d) “penso, logo existo”
a)
5. é o que resulta do(a) h) e) razão
6. é uma ideia… f) f) clara e distinta
7. é um princípio… c) ou g) conhecimento
b)
8. baseia-se no(a)… e) h) dúvida metódica
Fundacionalismo de Descartes

 Critério da verdade

O que assegura a verdade do cogito? O que torna o “cogito” indubitável?


►O facto de perceber o “cogito” muito clara e distintamente.

Critério da verdade:
◘Tudo aquilo que percebemos com clareza e distinção é verdade.
◘Uma “ideia clara e distinta” é quando se apresenta com tal evidência que não podemos
duvidar da sua verdade.
PROBLEMA: o que me garante que não me engano quando concebo algo muito clara e
distintamente? Por que razão podemos confiar na clareza e distinção das ideias?
Fundacionalismo de Descartes

 Deus como garantia da verdade


◘A garantia de que não me engano quando concebo algo clara e distintamente só pode ser
dada por um ser poderoso e benevolente, ou seja, Deus.

Mas porquê?
◘Porque se Deus não existisse, nada impediria que um génio maligno me fizesse conceber
clara e distintamente coisas falsas.
◘Mas se Deus existe, sendo poderoso e benevolente, não vai induzir as suas criaturas em
erro quando pensam clara e distintamente.
Fundacionalismo de Descartes

 Será que Deus existe?

Descartes apresenta dois argumento “a priori”:


◘O Argumento da Marca.
◘O Argumento Ontológico.
Fundacionalismo de Descartes

 Será que Deus existe?


 Argumento da marca de Descartes:

(1) Tenho a ideia de Ser Perfeito.


(2) Se tenho a ideia de Ser Perfeito, então existe um Ser Perfeito que é a origem da minha ideia
de perfeição.
(3) Logo, existe um Ser Perfeito que é a origem da minha ideia de perfeição.
(4) Ou eu sou um Ser Perfeito, ou há outra coisa (além de mim) que é Ser Perfeito e originou a
minha ideia de perfeição.
(5) Mas eu não sou um Ser Perfeito (porque duvido).
(6) Logo, há outra coisa (além de mim) que é Ser Perfeito e originou a minha ideia de perfeição -
Deus.

A ideia de Deus não é inventada (factícia) ou adquirida (adventícia) pelos


sentidos, mas sim inata.
Fundacionalismo de Descartes

 Será que Deus existe?


 Argumento ontológico de Descartes:

(1) Um ser sumamente perfeito tem todas as perfeições e a existência é uma perfeição (pois, é
melhor existir que não existir).
(2) Se 1 é verdadeira, então existe um ser sumamente perfeito - Deus.
(3) Logo, existe um ser sumamente perfeito - Deus.
Fundacionalismo de Descartes

 Além do cogito
 Como podemos saber que o mundo exterior existe?

(1) Se fossemos enganados sobre as nossas ideias claras e distintas, Deus seria enganador.
(2) Mas Deus não é enganador.
(3) Logo, não somos enganados sobre as nossas ideias claras e distintas.

◘Deus garante a verdade das ideias que concebemos clara e distintamente. Assim, podemos
concluir que temos afinal um corpo, de que existe um mundo à nossa volta, etc.

◘A fonte fundamental do conhecimento é a razão e não a experiência. Por isso, Descartes é


racionalista e não empirista.
Fundacionalismo de Descartes

 Dualismo de Descartes
Temos a certeza que a nossa mente existe. E com Deus podemos estar certos que o nosso
corpo existe realmente.
Mas qual é a relação entre a mente e o corpo?
Serão a mesma coisa?
Ou serão coisas distintas?
Descartes argumenta que são coisas diferentes:

(1) Posso conceber a minha mente sem o meu corpo.


(2) Se posso conceber a minha mente sem o meu corpo, então é possível que a minha mente exista
sem o meu corpo.
(3) Mas, se é possível que a minha mente exista sem o meu corpo, então (na realidade) esta não é o
meu corpo.
(4) Logo, a minha mente não é o meu corpo.
Sumário

 Problema da Possibilidade do Conhecimento.


 Problema da Origem do Conhecimento.
 Fundacionalismo racionalista de Descartes.
 Objeções à epistemologia de Descartes.
 Fundacionalismo empirista de Hume.
 Objeções à Epistemologia de Hume.
 Comparando Hume e Descartes.
Fundacionalismo de Descartes

 Objeções à epistemologia de Descartes


1)Descartes comete petição de princípio

“Tenho outra preocupação: como pode o autor evitar raciocinar em círculo quando diz que estamos
certos de que aquilo que percebemos clara e distintamente é verdade apenas porque Deus existe? Pois
podemos estar certos de que Deus existe apenas porque percebemos isso clara e distintamente. Assim,
antes de podermos estar certos de que Deus existe, devemos poder estar certos de que aquilo que
percebemos clara e evidentemente é verdade.”
Antoine Arnauld (1612-1694)

Segundo a crítica de Antoine Arnauld, Descartes comete o erro de tentar fazer o seguinte:

(1) Justificar a proposição de que Deus existe a partir do seu critério de verdade.
(2) Justificar o seu critério de verdade a partir da proposição que Deus existe.

Esta objeção é conhecida como “círculo cartesiano”.


Fundacionalismo de Descartes

 Objeções à epistemologia de Descartes


1)Descartes comete petição de princípio
Diálogo para ilustrar a falácia

ANTOINE - Deus existe?


DESCARTES - Sim, existe.
ANTOINE - Como sabes que existe?
DESCARTES - Sei que existe porque concebo muito clara e distintamente a sua existência.
ANTOINE - Mas como sabes que aquilo que concebes muito clara e distintamente é verdadeiro?
DESCARTES - Porque Deus me garante isso.
Fundacionalismo de Descartes

 Objeções à epistemologia de Descartes


2) Crítica ao argumento da existência de Deus

Será que a ideia de perfeição terá de ser causada por um ser perfeito?
►Podemos inventar nós mesmos a ideia (factícia) de perfeição, sem que haja um ser
perfeito que tenha causado essa ideia.
►Tal como podemos inventar a ideia de aluno ou professor perfeito, mesmo que não
exista um aluno ou professor perfeito a causar essa ideia.
Sumário

 Problema da Possibilidade do Conhecimento.


 Problema da Origem do Conhecimento.
 Fundacionalismo racionalista de Descartes.
 Objeções à epistemologia de Descartes.
 Fundacionalismo empirista de Hume.
 Objeções à Epistemologia de Hume.
 Comparando Hume e Descartes.
Fundacionalismo de David Hume

 David Hume (1711-1776) descartando Descartes


 David Hume apresenta duas críticas a Descartes:
(1) Não conseguiu refutar realmente os céticos.
(2) Não encontrou um fundamento para o conhecimento.
Fundacionalismo de David Hume

 David Hume (1711-1776) descartando Descartes


 Em relação à crítica (1):
◘Descartes não levou a sério a dúvida, ou seja, não duvidou de tudo.
◘Se duvidasse realmente de tudo, não conseguiria chegar a qualquer certeza. Por exemplo,
se duvidasse da sua memória, nem sequer poderia saber que ele próprio existia ontem ou no
minuto anterior.
 Em relação à crítica (2):
◘Mesmo que a dúvida leve ao “Cogito”, dificilmente se pode contruir algo a partir daí.
Fundacionalismo de David Hume

 Tarefa: Leitura do Texto: “Da Filosofia Académica ou Cética”, de Hume


(1) Por que razão a dúvida cartesiana é, segundo Hume, totalmente incurável?
(2) Que espécie de ceticismo recomenda Hume, em vez da dúvida cartesiana? Porquê?
(3) Explica por que razão é errado, segundo Hume, recorrer à veracidade de um Ser Perfeito
ou Supremo para provar a veracidade dos nossos sentidos?
(4) Discussão: Se pusermos em causa a existência do mundo exterior, não podemos provar a
existência de Deus, defende Hume. Concordas? Porquê?
(5) Discussão: concordas com as críticas de Hume à epistemologia de Descartes?
O empirismo de David Hume

 Empirismo de Hume

https://youtu.be/W2R5aClKoz0
Tarefa:

(1) Por que razão Hume é considerado um filósofo empirista?


(2) De acordo com Hume, o que distingue as ideias das impressões?
(3) Será que mesmo as ideias complexas têm origem na experiência?
O empirismo de David Hume

 Empirismo de Hume

Caraterísticas do empirismo de Hume:

◘Objetivo: apresentar uma resposta fundacionalista ao desafio cético.


◘Crenças básicas: crenças que provêm da nossa experiência sensível imediata, ou seja, são
“impressões”.
◘Tudo o que ocorre na nossa mente são perceções. Há dois tipos:
●(1) Impressões - relacionado com o sentir.
●(2) Ideias - relacionado com o pensar.
O empirismo de David Hume

 Perceções: impressões e ideias


Aos conteúdos da nossa mente Hume chama perceções. Estas distribuem-se por duas
categorias:
(1) As impressões consistem em experiências e podem ser:
●Sensações externas: auditivas, visuais, táteis, olfativas, gustativas.
●Sentimentos internos: emoções e desejos.
(2) As ideias abrangem os nossos conceitos e podem ser:
●Simples (memória - ideia de cavalo, de coisa com asas, etc.).
●Complexas (imaginação - ideia de cavalo alado, etc.).
O empirismo de David Hume

 Perceções: impressões e ideias


Como se distinguem impressões das ideias?
◘As impressões distinguem-se das ideias pela sua maior vivacidade e intensidade.

Como se relacionam as impressões com as ideias?


◘Princípio da cópia: todas as ideias são cópias de impressões.
◘O princípio da cópia é empirista, pois diz-nos que todos os conteúdos da nossa mente têm a
sua origem na experiência.
◘Das impressões resultam diretamente todas as nossas ideias simples. Combinando essa
ideias, a nossa mente produz ideias complexas.
O empirismo de David Hume

 Princípio da cópia
Argumento para justificar o princípio da cópia:

(1) Se as ideias não são cópias de impressões, então é possível que um cego de nascença tenha a
ideia da cor azul, apesar de não ter qualquer impressão que lhe corresponda.
(2) Um cego de nascença não pode ter a ideia da cor azul.
(3) Logo, as ideias são cópias de impressões.
O empirismo de David Hume
Conteúdo mental:
Perceções

Impressões Ideias
Caraterizam-se pela sua São cópias das impressões: menos
intensidade e vivacidade vívidas e intensas

Sensações externas Simples Complexas


(auditivas, visuais, tácteis,
Sentimentos internos (memória: ideia de cavalo, (imaginação: ideia de
(emoções e desejos)
olfativas e gustativas) de coisa com asas, etc.) cavalo alado, etc.)
Exercício

Perceções Impressões Impressões Ideias Ideias


externas internas Simples Complexas
Cheira a café X
Ontem bebi um café saboroso X

Penso em lobisomens X

Tenho medo X

Apetece-me comer X
Exercício

Perceções Impressões Impressões Ideias Ideias


externas internas Simples Complexas
Estou apaixonado X
Esta maçã é doce X
Lembro-me de Paris X

Ouço barulho X
Imagino sereias X
Ler e esquematizar documento
1 - Fundacionalismo Empirista - O Princípio da Cópia, alojado na plataforma Moodle,
disciplina de Filosofia
A bifurcação de Hume

 Bifurcação de Hume
Hume reduz todo o conhecimento humano a dois tipos: relações de ideias e questões
de facto.

Relações de Ideias: Questões de Facto:


◙ Definem-se por poderem ser conhecidas “a ◙ Definem-se por poderem ser conhecidas
priori”. “a posteriori”.
◙ São intuitiva ou ◙ São verdades contingentes.
demonstrativamente certas. São ◙ Afirmam ou implicam a existência de
verdades necessárias. entidades concretas.
◙ Nada afirmam ou implicam sobre a existência
de entidades concretas.
A bifurcação de Hume

 Será que podemos ter conhecimento “a priori” do mundo?


Não!
 Hume não nega a existência de conhecimento “a priori”, mas defende que, para
sabermos o que existe na realidade concreta, necessitamos do conhecimento “a
posteriori”.
Exercício Questões de facto Relação de ideias
Adele é uma cantora francesa X
Fumar faz mal à saúde X
Todas as sogras são mulheres X
Há milagres X
Deus existe X
Três maças são mais do que duas X
O sol vai nascer amanhã X
As coisas velhas não são novas X
Os planetas têm órbitas elípticas X
Exercício

De acordo com a epistemologia de Hume Verdadeiro Falso


Há conhecimento “a priori” do mundo x
Todo o conhecimento sobre questões de facto é “a posteriori” x
As verdades contingentes dizem respeito às relações de ideias x
O que é verdadeiro mas poderia ter sido falso é uma verdade x
contingente
Para conhecermos uma verdade necessária não precisamos de x
conhecer o mundo
Todo o conhecimento é “a posteriori” x
Todo o conhecimento é “a priori” x
Todo o conhecimento acerca do mundo tem origem empírica x
Justifique os falsos.
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2. A Bifurcação de Hume – Relação de Ideias e questões de facto, alojado na plataforma


Moodle, disciplina de Filosofia
Para além da experiência
 De acordo com Hume, todo o conhecimento acerca do mundo tem origem empírica.
Mas há um PROBLEMA: muitas vezes fazemos afirmações sobre o mundo que somos incapazes de
justificar se recorremos apenas à experiência.
►Por exemplo:
●O Sol vai nascer amanhã. [Previsão]
●Todos os corvos são negros. [Lei da natureza]
●Esta barra de metal dilatou por causa do calor. [Explicação causal]

►Todas estas afirmações referem “questões de facto”, mas vão muito mais além do que a experiência
nos pode dizer.
◙Dizer que o Sol vai nascer amanhã é afirmar algo que não foi observado.
◙Também não somos capazes de observar os corvos todos.
◙Os nossos sentidos não nos mostram que a barra dilatou por causa do calor.

Como podemos conhecer essas afirmações? Isso dá origem ao problema da indução.


Problema da indução

Hume reduz todo o conhecimento humano a dois tipos: relações de ideias e questões de facto.
 Qual destes tipos de conhecimento é sobre o mundo?
●Questões de facto.
 Qual é o raciocínio utilizado nas questões de facto quando dizemos, p.e., que “irá ocorrer
um trovão (depois de vermos um raio)”?
●Raciocínio indutivo/causal.
 Como se estrutura o raciocínio indutivo/causal?
●Com duas premissas fundamentais:
◙ Conjunção constante (regularidade observada): Há uma conjunção constante entre
dois acontecimentos A e B se, pelo que observámos, sempre que ocorre um deles, o outro
também ocorre.
◙ Princípio da uniformidade da natureza (PUN):
○Princípio segundo o qual o futuro assemelhar-se-á ao passado.
○A natureza funciona de uma maneira uniforme.
Um exemplo de raciocínio causal/indutivo

(1) O futuro assemelhar-se-á ao passado.


(2) Ocorre um raio.
(3) Aos raios têm-se seguido trovões .
(4) Logo, provavelmente irá ocorrer um trovão.
Um exemplo de raciocínio causal/indutivo

(1) O futuro assemelhar-se-á ao passado. [Princípio da Uniformidade da Natureza]


(2) Ocorre um raio.
(3) Aos raios têm-se seguido trovões . [Conjunção constante]
(4) Logo, provavelmente irá ocorrer um trovão.

PROBLEMA: como justificar o princípio (1)


O problema da indução

De acordo com Hume, é impossível justificar (1). Mas porquê?


(1) Se o princípio da uniformidade da natureza (PUN) é justificável, então pode ser justificado
demonstrativamente (a priori) ou indutivamente (a posteriori).
(2) Mas não pode ser justificado demonstrativamente ou indutivamente.
(3) Logo, o princípio da uniformidade da natureza não é justificável.

►Fundamentação da premissa (2):


◙PUN não pode ser justificado demonstrativamente, pois isso implicaria que o PUN seria uma “relação de
ideias”; mas não é uma relação de ideias.
◙PUN não pode ser justificado indutivamente, pois isso implicaria a falácia de “petição de princípio”.
Mas porquê?
●Porque isso consistiria em justificar PUN com base no raciocínio causal/indutivo.
(P.e.: observamos que a natureza tem-se mostrado uniforme; logo, a natureza mostrar-se-á
uniforme).
●Mas o próprio raciocínio causal/indutivo é justificado com base no PUN (aliás, essa é a premissa
1 de qualquer raciocínio indutivo).
Ceticismo de Hume

►Hume conclui que o pressuposto de que a natureza é uniforme não pode ser justificado.
Assim:
Todas as nossas inferências causais ou indutivas em gerais baseiam-se num pressuposto
injustificável.
Nunca temos qualquer justificação para acreditar nas conclusões dessas inferências.
►Problema da Indução: desafio de mostrar, contra Hume, que as inferências indutivas são
racionalmente justificáveis.

Se Hume tiver razão, quer isso dizer que devemos abandonar o raciocínio causal ou o raciocínio
indutivo em geral?
O Hábito

Não!
Hume reconhece que não podemos deixar de fazer inferências causais e indutivas.
Porquê?
(1) Razão pragmática: na nossa vida precisamos de raciocinar causalmente e indutivamente.
(2) Razão psicológica: estamos “programados” para fazer inferências causais e indutivas.
○Assim, apesar das inferências causais não serem racionalmente justificáveis, são
psicologicamente explicáveis.
○Elas resultam da lei psicológica do hábito ou costume.
○Com esse hábito, de observamos conjunções constantes, gera-se em nós a expectativa da
causalidade.
O que é a causalidade?

Hume, para além de examinar o raciocínio causal, investiga a natureza da própria causalidade.
Resposta tradicional:
Um acontecimento A causa um acontecimento B se, e só, se há uma conexão necessária entre A
e B.
Há uma conexão necessária entre dois acontecimentos A e B quando um não pode ocorrer sem o
outro. Ou seja, um acontecimento produz inevitavelmente o outro. (Não é mera conjunção
constante).

Problema levantado por Hume:


De que impressões poderá resultar a ideia de conexão necessária?
Ideia de conexão necessária

Não observamos pelos sentidos qualquer conexão necessária.


Então, a que se deve a ideia dessa conexão?
Resposta de Hume:
Pela lei do hábito (de se observar conjunções constantes), temos a expetativa dessa conexão.
Essa expetativa é um sentimento, ou seja, uma impressão interna.
É dessa impressão interna que resulta a nossa ideia de conexão necessária.
Consequências:
●A conexão entre a causa e o efeito não existe entre os próprios acontecimentos.
●Ela existe, por assim dizer, apenas na nossa cabeça.
●A conexão é imaginada por nós pela força do hábito e projetada nos acontecimentos.
Síntese…

Experiência de Sentimento de Impressão Ideia de Conexão


Conjunções Hábito Expectativa de Interna Necessária
Constantes Conexão

 A conexão necessária entre causa e efeito reside apenas neste sentimento gerado pelo
hábito. Ela não existe objetivamente, isto é, na própria natureza.
 A causalidade é algo que existe na nossa mente e não é algo que possa ser observado no
mundo.
 Para Hume a causalidade consiste na conjunção constante que pode ser observada entre
eventos.
Exercícios: completar as afirmações

1/. A relação de causa efeito é uma relação de… causalidade.


2/. Habitualmente concluímos que há uma relação de causalidade com base… na conjunção
constante.
3/. Há uma conexão necessária entre dois acontecimentos quando um… não pode ocorrer sem o
outro.
4/. A conexão necessária entre acontecimentos é algo que não… conseguimos observar.
5/. Conjunção constante e conexão necessária… são coisas diferentes.
6/. A nossa convicção de que há uma conexão necessária entre acontecimentos é apenas fruto
do… hábito.
Exercícios: Qual o valor de verdade das seguintes proposições.

De acordo com a epistemologia de Hume Verdadeiro Falso


O princípio da uniformidade da natureza só pode ser justificado por X
meio de argumentos prováveis.
O princípio da uniformidade da natureza não é demonstrável X
porque é possível que o futuro não vá assemelhar-se ao passado.
Não temos qualquer ideia de conexão necessária. X
A ideia de conexão necessária deriva de impressões externas. X
O problema da indução é o desafio de mostrar que, através de X
inferência indutivas, podemos chegar à certeza.
O problema do Mundo Exterior

Hume vai mais longe nas suas conclusões céticas e defende que:
A nossa crença na realidade do mundo exterior é injustificada.
►Chama-se ‘mundo exterior’ a tudo o que não faz parte dos nossos conteúdos mentais.
►Perguntar se o mundo exterior é real é perguntar se os objetos que percecionamos têm
uma existência independente da nossa perceção.
►Na nossa mente apenas temos perceções; mas não podemos confundir a
perceção de um objeto com esse objeto.
●Por exemplo: a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a
mesma coisa.
O problema do Mundo Exterior

Argumento para fundamentar a diferença entre a perceção de um objeto e o próprio objeto:


(1) Se a perceção de uma árvore e a própria árvore são a mesma coisa, então o seu tamanho
não se altera em função da nossa perspetiva.
(2) Mas o seu tamanho altera-se em função da nossa perspetiva.
(3) Logo, a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a mesma coisa.

PROBLEMA: como sabemos que as perceções são causadas pelos objetos exteriores se nós
não temos acesso senão às perceções que se encontram na nossa mente?
O problema do Mundo Exterior

Argumento do ceticismo de Hume sobre o mundo exterior:


(1) Se sabemos realmente que o mundo exterior existe, então conseguimos estabelecer uma
relação de causalidade entre os conteúdos da nossa mente e a existência de objetos
exteriores.
(2) Mas não conseguimos estabelecer essa relação de causalidade (pois, apenas temos acesso
aos conteúdos da nossa mente).
(3) Logo, não sabemos realmente que o mundo exterior existe (nem que não existe).

Para Hume não conseguimos deixar de ter a crença na realidade do mundo exterior, mas é
impossível justificar essa crença.
Conclusões céticas

Afinal sabemos o quê?


Por um lado, não há conhecimento científico da natureza (dado que a indução é injustificada).
Por outro lado, nem sequer podemos saber que existe um mundo exterior.
Portanto, as conclusões de Hume são céticas.

Mas Hume não é um cético radical. Porquê?


É impossível, por razões pragmáticas, vivermos como céticos radicais.
O nosso instinto de sobrevivência impede-nos de duvidar de tudo.
Defesa do ceticismo moderado

Hume é um cético moderado, pois:


◙Defende que não devemos abandonar as nossas crenças intuitivas na existência do mundo
exterior ou na existência da causalidade.
◙Abandonar essas crenças tornaria, na prática, a nossa vida impossível.

Mas o ceticismo moderado exige:


●que sejamos moderados nas nossas opiniões.
●atenção para evitar o dogmatismo, mantendo o espírito aberto.
●seguir de perto a experiência.
Sumário

 Problema da Possibilidade do Conhecimento.


 Problema da Origem do Conhecimento.
 Fundacionalismo racionalista de Descartes.
 Objeções à epistemologia de Descartes.
 Fundacionalismo empirista de Hume.
 Objeções à Epistemologia de Hume.
 Comparando Hume e Descartes.
A natureza da causalidade

A crítica de Thomas Reid a Hume:


Não conheço um autor anterior ao Sr.  Hume que tenha sustentado que só temos esta noção de
causa: algo que é anterior ao efeito e que, segundo a experiência, foi seguido constantemente
pelo efeito. […] Vou apontar aqui algumas consequências que podemos deduzir corretamente
desta definição de causa, para que possamos julgá-la pelos seus frutos. […] Segue-se desta
definição de causa que a noite é a causa do dia e o dia a causa da noite. Pois, desde o começo
do mundo, não houve coisas que se tenham sucedido mais constantemente. […] Desta
definição de causa, seguir-se-ia que não temos razões para concluir que houve uma causa da
criação do mundo, pois não existiram circunstâncias prévias às quais se tenham seguido
constantemente esse efeito. E, pela mesma razão, segue-se desta definição que tudo o que seja
singular na sua natureza, ou que seja a primeira coisa do seu género, não pode ter uma causa.
A natureza da causalidade

A crítica de Thomas Reid a Hume:


Hume define causalidade em termos de conjunção constante de acontecimentos.
Assim, há uma relação causal entre os acontecimentos A e B se, e só se, há uma conjunção
contante entre A e B.
Contra-exemplo de Reid:
Com o exemplo do dia e da noite, temos um caso de conjunção constante, mas não de relação
causal.
Com o exemplo da criação do mundo, temos um caso de relação causal, mas não uma
conjunção constante.
Um princípio autorrefutante?

De acordo com a bifurcação de Hume:


O conhecimento humano é apenas de relação de ideias ou de questões de facto.
Mas, o que dizer do próprio princípio da bifurcação?
Por um lado, não parece ser uma relação de ideias (dado que não é evidente nem
demonstrável).
Por outro lado, não parece ser uma questão de facto (dado que nada afirma sobre o mundo).
Mas se o princípio da bifurcação não for nem uma relação de ideias nem uma questão de facto,
então ele mesmo não pode ser conhecido e, por isso, é autorrefutante.
Questões Descartes Hume

Qual é a sua tese central Há conhecimento “a priori” Todo o conhecimento


acerca do conhecimento acerca do mundo. Esse substancial (acerca do
sobre o mundo? conhecimento é o mundo) é “a posteriori”. Há
fundamento do conhecimento “a priori”, mas
conhecimento “a posteriori”. não é substancial (apenas
relaciona ideias ou

Comparando Hume e Descartes


conceitos).
Será que temos ideias inatas? Sim. Por exemplo, a ideia de Não. Mesmo a ideia de Deus
Deus é uma ideia inata. tem uma origem empírica.
Qual a fonte prioritária do É o pensamento. São as impressões dos
conhecimento? sentidos.
O conhecimento precisa de Sim, esse fundamento é Sim, esse fundamento é
um fundamento? racional. empírico.
Qual é a natureza da mente? A mente é uma substância A mente reduz-se a um
puramente pensante (o agregado de perceções
cogito), sem extensão, que (impressões e ideias).
suporta as nossas ideias.
Há um tipo principal de Há, é o raciocínio dedutivo. Há, é o raciocínio indutivo
raciocínio para a obtenção do
conhecimento?
Qual é a validade do O conhecimento obtido por O que se obtém por indução
conhecimento obtido por dedução é absolutamente não pode ser tomado como
esse tipo principal de certo (infalível), desde que se absolutamente certo, mesmo
raciocínio? parta de premissas que se parta de premissas
verdadeiras. verdadeiras.
O que podemos saber? Podemos saber bem mais do Podemos saber muito menos
que os céticos supunham: do que supomos: sabemos o
sabemos que somos seres que pode ser reconduzido às
pensantes, mas também que impressões dos nossos
temos um corpo, que Deus sentidos (o que não incluí as
existe, que existe um mundo relações de causa e efeito ou
à nossa volta. a indução).
O que fazer com os céticos? Os céticos foram refutados. Não se vê bem que
Isso foi feito recorrendo à argumentos permitem
própria dúvida metódica. refutá-los, a não ser que o
ceticismo não funciona na
prática. Temos que moderar
as nossas opiniões.
Exercícios

Descartes Hume
1. Todo o conhecimento é “a priori”. Não Não
2. Todo o conhecimento é “a posteriori”. Não Não
3. O conhecimento precisa de um fundamento. Sim Sim
4. O pensamento é mais seguro do que as impressões dos Sim Não
sentidos.
5. Sabemos que existe um mundo fora da nossa mente. Sim Não
6. A razão permite inferir causas e efeitos. Sim Não
7. Há boas razões que mostram que os céticos estão Sim Não
enganados.
8. Todas as ideias têm a sua origem nos sentidos. Não Sim

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