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FALÁCIAS

INFORMAIS

No que consistem?
 São argumentos em que as premissas não sustentam a conclusão devido a
deficiências de conteúdo.
As suas características:

 As falácias informais são argumentos inválidos.

 Aparentam ser válidos.

 A invalidade não resulta de uma deficiência formal, mas sim do conteúdo do


argumento, da sua matéria, da linguagem natural comum usada nesses argumentos.
Uma vez que este tipo de falácias não
dependem da forma lógica do argumento,
pode haver argumentos com a mesma forma
que sejam fortes os fracos, bons ou maus,
válidos ou inválidos.
Vamos analisar individualmente cada uma delas:

Falácia da petição de princípio – A verdade da conclusão é pressuposta pelas


premissas. Muitas vezes, a conclusão é apenas reafirmada nas premissas de uma
forma ligeiramente diferente. Nos casos mais subtis, a premissa é uma consequência
da conclusão.

Ou seja, assume-se como verdadeiro aquilo que se pretende provar. Também se


chama argumento circular ou falácia da circularidade à petição de princípio.
EXEMPLOS:

 Comer legumes é saudável.

 Logo comer legumes faz bem à saúde.

 O Pedro possui um grande talento para a música.

 Logo, Pedro é detentor de enorme talento musical.

 Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
 Falácia da Falsa Analogia
• Comete-se esta falácia por várias razões:

• O número de objetivos comparados é reduzido;


• O número de semelhanças entre os objetos é escasso;
• As semelhanças apresentadas são pouco ou nada relevantes.

Exemplo:

 Os empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça dos pregos para
estes desempenharem a sua função. O mesmo acontece com os empregados
Falácia da generalização apressada
• Esta falácia ocorre quando uma generalização se baseia num número
muito limitado de casos.

Exemplo:

• O Jules, australiano, roubou a minha carteira. Logo todos os


Australianos são ladrões.
Falácia do Falso dilema 

 O falso dilema é um uso ilegítimo do operador "ou”.

Pôr as questões ou opiniões em termos de "ou sim ou

sopas" gera, com frequência, esta falácia.

 É dado um limitado número de opções (na maioria

dos casos apenas duas), quando de facto há mais.


EXEMPLOS:
 Ou concordas comigo ou não. (Porque se pode concordar parcialmente.)

 Reduz-te ao silêncio ou aceita o país que temos. (Porque uma pessoa tem o direito de
denunciar o que entender.)

 Ou votas no Silveira ou será a desgraça nacional. (Porque os outros candidatos podem


não ser assim tão maus.)

 Uma pessoa ou é boa ou é má. (Porque muitas pessoas são apenas parcialmente
boas.)
Vejamos agora o exemplo de um argumento baseado
neste tipo de premissas:
 A forma lógica do falso dilema

Ou P ou Q. Ou és meu amigo ou meu inimigo.


Não P. Não és meu amigo.
Logo Q. Logo és meu inimigo.
Embora seja válido em termos
dedutivos, este argumento
exprime a falácia do falso
dilema.
Falácia da falsa relação causal

• Conhecida como “post hoc ergo propter hoc” que significa “depois disto, logo por
causa disto”.

• É a falácia que se comente sempre que se toma como causa de algo aquilo que é
apenas um antecedente ou a uma qualquer circunstância acidental.

• Trata-se por isso, de concluir que há uma relação entre causa-efeito entre dois
acontecimentos que se verificam em simultâneo ou que um se verifica após o
outro.
 Sempre que eu tenho o guarda-chuva aberto dentro
de casa, o dia corre-me mal.

 Logo a causa de o dia me correr mal é o facto de


eu ter o guarda chuva aberto dentro de casa.
EXEMPLOS:
 Quando faço testes em dias de chuva, tiro negativa.
 Logo, a chuva é a causa das classificações negativas
dos meus testes.
Falácia Ad Hominem (ataques pessoais)

• Ataca-se a pessoa que apresentou um argumento e não


o argumento que apresentou. A falácia ad
hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo o
carácter, a nacionalidade, a classe social ou a religião da
pessoa.

• Muitas vezes o objetivo destes argumentos consiste em


desviar as atenções daquilo que está em causa.
Exemplos:
 Forma lógica da Falácia Ad Hominem
A pessoa afirmou P.
Sarte afirmou que o ser humano está condenado a ser livre.

Mas a pessoa A não é credível.


Mas Sarte não frequentava a igreja.

Logo, P é falso.
Logo, Sarte errou quando disse que o ser humano está condenado a ser
livre.
EXEMPLOS:

• Aconselha-me sobre como educar meus


filhos, mas é divorciado.

• Aconselha-me a estudar, mas é burro.

• Aconselha-me a fazer dieta, mas é gordo.


Falácia Ad Populum

• É a falácia que se comete quando se apela à


opinião da maioria para fazer valer a
verdade de uma conclusão.
Exemplos:
Forma lógica da falácia ad populum

A maioria das pessoas diz que P. Logo, P.


A maioria das pessoas considera que praticar Logo, praticar desporto é uma perda de tempo.
desporto é uma perda de tempo.
Falácia do apelo à
ignorância

 Os argumentos desta classe concluem


que algo é verdadeiro por não se ter
provado que é falso; ou conclui que algo é
falso porque não se provou que é
verdadeiro.
Exemplos:
Forma lógica da falácia do apelo à ignorância:
Não se sabe que P. Não se sabe se existem fantasmas.

Logo, é falso que P. Logo é falso que existam fantasmas.

Ou

Não se sabe que é falso que P. Nunca se provou que não há reencarnação.

Logo, é verdadeiro que P. Logo, há reencarnação.


Como os cientistas não podem provar que se
vai dar uma guerra global. Logo, não vai
acontecer.

 O João disse que era mais esperto do que


Pedro, mas não o provou. Portanto, isso é falso.
A falácia do espantalho
ou do boneco de palha

O argumentador, em vez de atacar o


melhor argumento do seu opositor,
ataca um argumento diferente, mais
fraco ou tendenciosamente
interpretado. Infelizmente é uma das
"técnicas" de argumentação mais
usadas.
Exemplos:

 António defende que não devemos comer carne


de animais cujo processo de industrialização os
tenha sujeitado a condições de vida e morte cruéis.
Manuel refuta António dizendo: “O António só
quer que nós comamos alface!”
O António não defende que não devemos comer
qualquer tipo de carne, sugerindo que sejamos
vegetarianos – ”comer alface” -, mas sim aquele
tipo de carne sujeito às condições descritas. A tese e
o argumento são assim, deturpados e simplificados.
Falácia da derrapagem, “bola de neve” ou “declive
escorregadio”

 É a falácia cometida sempre que alguém, para refutar uma tese ou para
defender a sua, apresenta, pelo menos, uma premissa falsa ou duvidosa a
uma série de consequências progressivamente inaceitáveis.

A partir da primeira premissa, outras vão surgindo até se mostrar que


um determinado resultado indesejável inevitavelmente se seguirá.
As proposições condicionais utilizadas são ligeiramente prováveis,
mas também ligeiramente improváveis. Devido à acumulação desta
improbabilidade, a última condicional apresenta um resultado
inaceitável.
Exemplos:
 Forma lógica da falácia da ”bola de neve”:

• Se P, então Q. Se tens pouco tempo para te divertires, ficas triste.

• Se Q, então R. Se ficas triste, ganhas uma depressão.

• Se R, então S. Se ganhas uma depressão, irás suicidar-te.

• Logo se P, então S. Logo, se tens pouco tempo para te divertires irás


suicidar-te.
Exemplos:

 É péssimo que jogues a dinheiro. Se o fizeres, vais viciar-te no


jogo. Desse modo, perderás tudo o que tens. Em consequência, se
não quiseres morrer à fome, terás de roubar.

 Se eu abrir uma exceção ao João, depois o André vai querer e


tenho de a abrir ao André. E se abrir uma exceção ao João e ao
André, a Luísa também vai querer. E tenho que de abrir exceções a
todos. Logo, não posso abrir uma exceção para ti.
Falácia do apelo à autoridade

• Ocorre quando:

 A pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no assunto;

 Não há acordo entre peritos em questão;

 A autoridade não pode por algum motivo ser levada a sério.

• Exemplos:
• Garanto-te que é verdade porque li na Wikipédia.
Quizz das falácias informais

https://quizlet.com/370362845/test

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