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Legislação Empresarial Aplicada

Unidade 1 – Introdução ao Direito Empresarial

1.2 Direito e legislação empresarial


Legislação Empresarial Aplicada

1.2 Direito e legislação empresarial


Legislação Empresarial Aplicada

1.2 Direito e legislação empresarial

Espécies de títulos de crédito.

Os principais títulos de créditos, aqueles que


mais aparecem no dia a dia. São eles: a letra de
câmbio, a nota promissória (Decreto nº
57.663/66 – Lei Uniforme de Genebra); a
duplicata (Lei nº 5.474/68); e o cheque (Lei nº
7.357/85).
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1.2 Direito e legislação empresarial

No Código Civil Brasileiro, a partir do artigo


887, há também um tratamento a respeito dos
títulos de crédito. Por força do art. 903 do
CC/02, somente na ausência de disposição
diversa em lei especial é que os títulos de crédito
serão regidos pelo Código Civil. Se há uma lei
especial para determinado título, deveremos
aplicar a respectiva legislação.
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O Código Civil será aplicado quando tais leis


não tratarem de algum tema, o que significa
uma aplicação subsidiária (primeiro a lei
especial, depois o CC/02).
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Para compreender os títulos de crédito, como


toda matéria do Direito, é preciso que você
conheça alguns princípios relacionados a esta
temática. São os chamados princípios cambiais
ou cambiários.
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1.2 Direito e legislação empresarial

O primeiro deles é o chamado princípio da


cartularidade, que vem da expressão
“cártula”, segundo o qual o crédito
encontra-se representado e materializado
em um documento (um título).
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1.2 Direito e legislação empresarial

Um cheque ou uma nota promissória


representam um crédito, inscrito em um
documento, em um papel. Interessante
mencionar que a transferência do título –
pensemos em um cheque – é imprescindível que
o documento físico, que materializa o crédito,
seja efetivamente transferido, por exemplo, de
uma pessoa para a outra.
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Essa ideia da transferência do título será


importantíssima para que você possa,
eventualmente, promover a execução judicial do
título, por exemplo. É preciso, nesse caso,
apresentar e portar o documento físico. Em
alguns casos, no entanto, podemos falar em certa
flexibilização do princípio da cartularidade. É o
caso dos títulos de crédito eletrônicos.
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O art. 889, §3º do CC/02, segundo o qual


autoriza-se que o título seja emitido dos
caracteres criados em computador ou meio
técnico equivalente. A chamada duplicata virtual
é um título de crédito eletrônico e constitui uma
exceção ao princípio da cartularidade.
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O segundo princípio é o da literalidade. Segundo


este, somente possui validade para o Direito
Cambiário aquilo que está literalmente escrito
no respectivo documento (título). Então, se em
um cheque lança-se o valor de cem reais, é este o
valor que vale.
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O terceiro é o princípio da autonomia.

As relações cambiais são consideradas como


autônomas e independentes entre si. Dessa
maneira, eventual vício em uma relação atinente
ao título não afetará outra.
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Exemplificando
Vamos supor, por exemplo, que Tácito esteja vendendo
o seu carro por 10 mil reais e Cícero aceita o preço. Mas
Cícero quer dar uma nota promissória com vencimento
para dali a seis meses e já levar o carro, pois alega
impossibilidade de pagamento no ato. Tácito acaba
aceitando e entrega o carro para Cícero em troca da
nota promissória, cujo pagamento deverá ocorrer
dentro de seis meses, como combinado.
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Exemplificando
A nota promissória é um título de crédito, como
você já sabe, que estampa literalmente um
crédito. Agora, Tácito é credor de Cícero. O que
deu origem à emissão da promissória foi uma
compra e venda do carro. Imagine que Cícero,
eventualmente, alegue que o carro apresentou
uma série de problemas e que não pagaria a
nota promissória.
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Exemplificando
Tácito diz que Cícero tem que pagar a nota
promissória de qualquer jeito. Isso acaba se
tornando um processo judicial movido por
Tácito contra Cícero. Neste caso, como há uma
relação direta entre os dois quanto à formação
do título (compra e venda), Cícero poderá
defender-se no processo alegando que o carro
comprado apresenta defeitos e que, afinal, não é
razoável que ele seja obrigado a pagar a nota
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Exemplificando
Porém – e aqui está a questão da autonomia -,
imagine que Tácito tenha transferido, de boa-fé,
a nota promissória para uma outra pessoa, para
Murilo. Entre Murilo e Cícero não há relação
nenhuma. A pergunta aqui é: pode Murilo
executar (cobrar) a nota promissória
independentemente da questão dos problemas
com o carro, segundo as alegações de Cícero?
Sim!
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Exemplificando

Isso se dá porque as relações cambiais são


autônomas. A relação entre Cícero e Murilo
(nova, decorrente da transferência) são
autônomas. Murilo pode, enfim, cobrar
tranquilamente de Cícero o valor da nota
promissória.
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1.2 Direito e legislação empresarial

A autonomia dos títulos de crédito


também faz surgir a noção de abstração,
isto é, a não vinculação a nada além do que
está no documento, quando ocorre a
transferência de boa-fé do título.
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Conceito de título de crédito

Segundo o jurista Cesare Vivante (apud


MAMEDE, 2019, p. 12), que é o “documento
necessário para o exercício do direito, literal e
autônomo nele mencionado”.
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Conceito de título de crédito

Conceito adotado pelo CC/02, em seu artigo 887,


segundo o qual título de crédito é o “documento
necessário ao exercício do direito literal e
autônomo nele contido, somente produz efeito
quando preencha os requisitos da lei”.
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A classificação dos títulos de crédito.


Quanto ao modelo, o título pode ser vinculado
ou livre. Vinculado é o título que precisa
observar alguns requisitos específicos exigidos
pela legislação, como a forma e a formatação.
Há um padrão. Por exemplo, a duplicata e o
cheque são títulos vinculados (possuem forma
adequada segundo o estipulado pelo Conselho
Monetário Nacional).
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O título livre não precisa de nenhuma forma


específica. A nota promissória é o grande
exemplo. Qualquer pedaço de papel (que
contenha as informações necessárias) pode
servir para uma nota promissória (NEGRÃO,
2018).
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Quanto às hipóteses de emissão, o título pode ser


causal, que precisa de uma causa específica que
dê razão para a sua emissão. É o caso da
duplicata, que só pode ser emitida em duas
situações: compra e venda mercantil ou
decorrente de prestação de serviço.
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Também pode ser limitado, que não precisa de


causa específica; no entanto, podem haver
algumas limitações. A letra de câmbio, por
exemplo, não cabe no caso de uma compra e
venda mercantil, pois para essa hipótese,
segundo a legislação, é aplicável a duplicata.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Por último, o título pode ser não-causal,


isto é, prescinde de uma causa determinada
para sua emissão, como são os casos, no
geral, das figuras da nota promissória e do
cheque
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1.2 Direito e legislação empresarial

Quanto à estrutura, o título pode ser: ordem de


pagamento e promessa de pagamento.

Quanto à ordem de pagamento, aparecem as


figuras daquele que dá a ordem para o
destinatário, que efetuará a ordem para o
tomador ou beneficiário do título. A letra de
câmbio, a duplicata e o cheque são exemplos.
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Promessa de pagamento, diferente da situação


anterior, possui apenas duas figuras: o
promitente ou subscritor (quem faz a promessa)
e o tomador beneficiário (quem receberá a
promessa, o credor). Exemplo é a nota
promissória.
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Quanto à circulação, poderá ser: ao


portador, nominativo, que pode ser à
ordem ou não à ordem.
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Ao portador é o título no qual não há


identificação do beneficiário, ou seja, ele circula
livremente, com a mera entrega do documento
(juridicamente chamada de tradição, a entrega).
Desde a Lei 8.021/90 não se admite mais título
ao portador, salvo se a lei especial trouxer essa
permissão. Do contrário, não é admitida
(MAMEDE, 2019)..
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1.2 Direito e legislação empresarial

No título nominativo é identificado o


beneficiário. Pode ser à ordem, quando sua
transferência se dá por endosso e tradição. Nesse
caso, quem endossa o título responde pelo
pagamento, pela solvência do crédito.
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Exemplificando
Se, por exemplo, Caio transfere e endossa um
cheque para Mário e o cheque retorna sem
provisão de fundos, Mário poderá propor uma
ação judicial contra Caio, a fim de que este seja
obrigado a responder pela dívida.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Diferente é o título nominativo não à


ordem, em que não há transferência por
endosso, mas por mera cessão civil. Na
cessão civil, quem transfere não responde
pelo pagamento do título.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Assimile
Endosso é a transferência do crédito a outra
pessoa, com a tradição (entrega física) da posse
da cártula. Endossante é quem transfere, e
endossatário, quem recebe. Assim, há dois
efeitos desse ato: transfere a titularidade do
crédito, do endossante para o endossatário, e
torna o endossante corresponsável pelo
pagamento do título.
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O endosso pode ser dado no verso do título,


bastando uma assinatura. Pode ser também no
anverso (frente do título), mas neste caso
precisará de uma assinatura e uma expressão de
identificação (exemplo: endosso a Carlos;
transfiro a Paulo)
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O endosso pode ser em branco (quando não


identifica o endossatário) ou em preto (que
possui a identificação do endossatário). Se não
colocar o nome de alguém na expressão “endosso
a…”, está em branco, sem identificação do
endossatário. Mas, se é colocado, por exemplo,
“endosso a Carlos”, tem-se o endossatário
identificado, em preto.
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Deve-se lembrar que o endosso parcial


(quanto a apenas uma parte do valor que
consta no título) é nulo. Somente é possível,
portanto, o endosso total (isto é, da
integralidade do valor que consta no
título).
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Também há o chamado endosso impróprio. No


endosso impróprio não ocorre a transferência do
crédito, apenas do título. Pode ser de dois tipos:
endosso-mandato e endosso-caução. No endosso-
mandato, transfere-se o título para fins de
cobrança. No endosso-caução, transfere-se o
título para fins de garantia (TEIXEIRA, 2018).
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A letra de câmbio, regulada pelo Decreto nº
57.663/66. Trata-se de um título resultante de
relações de crédito entre duas ou mais pessoas,
por meio do qual aquela designada como
sacador determina a ordem de pagamento a
uma outra pessoa, que é o sacado, seja em favor
deste ou de terceira pessoa (que é o tomador ou
beneficiário), relativamente ao valor previsto e
nas condições especificadas.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Os atos cambiais existentes no âmbito da letra


de câmbio.

O primeiro dele é o chamado saque, que é o ato


de criação ou emissão de um título de crédito.
Como a letra de câmbio é uma ordem de
pagamento, há três figuras: quem dá a ordem;
quem recebe a ordem; e o tomador beneficiário.
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Quem dá a ordem será chamado de sacador;


quem recebe a ordem será chamado de sacado.
Então, diante do último exemplo dado, o X será
o sacador, que dá a ordem para o sacado, Y,
pagar Z, que é o tomador beneficiário.
Suponha que a pessoa X está devendo certa quantia à pessoa Y. X
emite uma letra de câmbio determinando que Y o pague. Agora
imagine que X esteja devendo a Z; X, então, emite uma letra de
câmbio para que Y (que deve a X) pague diretamente a Z.
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O aceite nada mais é do que o ato pelo qual há
concordância com uma ordem de pagamento
dada, que é um ato privativo do sacado
(ninguém mais pode aceitar, apenas ele). Se
houver aceite, o sacado é aceitante. Na
oportunidade de o sacado efetuar o aceite, ele se
torna o principal devedor do título. No exemplo
dado, se Y der o aceite, ele se torna devedor
principal do título, enquanto que o X, sacador,
será corresponsável.
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O aceite poderá ser parcial.


Nesse caso, poderá ser limitativo (quanto ao
valor – o sacado não aceita o valor total
inicialmente previsto, assumindo a obrigação
principal em relação ao que ele efetivamente
concordou) ou modificativo (quanto às condições
do título, modificando, por exemplo, a data do
vencimento antes estipulada).
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Assimile
Aval: trata-se de um ato cambiário resultante da
manifestação unilateral de vontade, por meio da
qual uma pessoa, física ou jurídica, chamada
avalista, compromete-se a pagar determinado
título de crédito, nas mesmas condições que o
devedor originário ou codevedor do mesmo
título, então, avalizado. O avalista é um
garantidor do pagamento do título.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Para que o aval seja dado em um título de


crédito, duas opções são possíveis: uma
assinatura simples no anverso do título, ou
assinatura acompanhada de expressão
identificadora no verso (ex. Avalizo a…;
por aval a…).
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1.2 Direito e legislação empresarial

Aval poderá ser em branco (sem identificação do


avalizado) ou em preto (o avalizado está
identificado). O aval é um ato cambiário
autônomo, que subsiste ainda que, por exemplo,
o avalizado faleça, a empresa entre em falência,
o avalizado seja incapaz etc.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Como o avalista se compromete ao pagamento


do título junto com o devedor do título, ele
poderá ser executado diretamente pelo credor,
não havendo o chamado benefício de ordem.
Interessante que, se o avalista for casado,
somente poderá prestar o aval com autorização
do respectivo cônjuge, exceto no regime de
separação total dos bens.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Quanto ao vencimento, a letra de câmbio pode


ser: à vista (exigida a qualquer tempo); data
certa (fixada, por exemplo, para dali a 20 dias);
a certo termo de data (é o número de dias a
partir de uma data inicial, por exemplo, 20 dias
a partir da emissão); a certo termo de vista (é o
número de dias a partir da data do aceite).
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1.2 Direito e legislação empresarial

Por fim, para executar o devedor principal e


eventual avalista, na letra de câmbio, o prazo é
de três anos (prazo prescricional) do
vencimento; para codevedor ou avalista de
codevedor, o prazo será de um ano contado do
protesto.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Nota promissória.

Trata-se de uma promessa pura e simples de


pagamento feita pelo emitente a outra pessoa,
beneficiário, de quantia determinada, em seu
favor ou de outra pessoa, nas condições
especificadas no título.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Assim como a letra de câmbio, a nota


promissória também está disciplinada no
Decreto nº 57.663/66. Não há aceite na nota
promissória, pois como é uma promessa não há
ordem de pagamento. Logo, o devedor principal
é o emitente da nota, isto é, o subscritor – aquele
que realiza a promessa de pagamento.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Duplicata, que está disciplinada na Lei nº


5.474/68.

É uma ordem de pagamento causal, que resulta


de uma compra e venda mercantil ou prestação
de serviço. Há, assim, as figuras do sacador,
sacado e do tomador beneficiário. Suponha que
uma empresa vendeu certa mercadoria e precisa
receber.
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1.2 Direito e legislação empresarial


Na duplicata, o aceite é obrigatório. O sacado,
por conseguinte, está obrigado a dar o aceite.
Somente em algumas hipóteses, segundo os art.
8º e 21 da Lei nº 5.474/68, é que poderá haver
recusa do aceite, quais sejam: em caso de avaria,
não recebimento da mercadoria e em caso de
não prestação do serviço; em caso de vício ou
defeito de quantidade ou qualidade do produto
ou serviço; e em caso de divergência quanto ao
prazo, preço e condições de pagamento.
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Quanto ao endosso, o art. 25 da Lei nº 5.474/68


diz que se aplicam as mesmas regras já vistas da
letra de câmbio. No que se refere ao aval,
prevalece o entendimento de que se aplicam as
mesmas regras da letra de câmbio. Já no que se
refere ao vencimento, a duplicata pode ser: à
vista ou com data certa, apenas.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Na execução judicial de uma duplicata, temos duas


situações. Se houver aceite, tudo bem. Se não houver
aceite, nas situações informadas (isto é, em caso de
avaria, não recebimento da mercadoria e em caso de
não prestação do serviço; em caso de vício ou defeito de
quantidade ou qualidade do produto ou serviço; e em
caso de divergência quanto ao prazo, preço e condições
de pagamento), é preciso que haja uma cumulação de
elementos: duplicata, protesto e o comprovante de
entrega da mercadoria ou da prestação do serviço.
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1.2 Direito e legislação empresarial

O prazo prescricional para executar o devedor


principal ou avalista é de três anos do
vencimento. Se é para executar codevedor ou
avalista, o prazo será de um ano a partir do
protesto.
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Assimile
Duplicata virtual: influenciada principalmente
pelo desenvolvimento da eletrônica e da
informática e a fim de viabilizar um
procedimento célere, a duplicata vem sendo
utilizada pelo meio eletrônico, sendo assim
conhecida como duplicata virtual.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Para que o título surta efeito é necessária a data


de emissão; indicação precisa dos direitos que
confere e assinatura do emitente (assinatura
digital). Esse modelo de título é caracterizado
pelo lançamento em meio magnético.
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1.2 Direito e legislação empresarial

A duplicata é remetida a uma instituição


financeira, que emite um boleto bancário e
encaminha aos sacados, para que assim efetuem
o pagamento. Portanto, não tem a necessidade
da materialização da duplicata em papel. Existe
o entendimento dos Tribunais que não é
necessário o título ser cartularizado, exatamente
por ser considerado um documento eletrônico.
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1.2 Direito e legislação empresarial

O aceite se dará pela assinatura eletrônica a


qual fará a validação do próprio documento,
conforme fundamentado pelo art. 8º da Lei nº
9.492/97 cumulado com o art. 889, § 3º, do
CC/02. Respeitados os requisitos que a lei impõe,
os títulos de crédito produzidos por meio
eletrônico não perdem o caráter de título
executivo extrajudicial, o que permite ao credor
maior segurança no recebimento do seu crédito.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Quanto à execução do título, é perfeitamente


possível, contanto que devidamente
acompanhada dos instrumentos de protesto e
dos comprovantes de entrega da mercadoria e
da prestação do serviço, o que assegura a
executividade do título eletrônico.
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O cheque, que está disciplinado na Lei nº
7.357/85.
Trata-se de um título de crédito pelo qual uma
pessoa, emitente ou sacador (correntista), a
partir de prévia provisão de fundos em poder de
banco ou instituição financeira congênere,
designado como sacado, dá contra este uma
ordem incondicionada de pagamento à vista, em
seu próprio benefício ou em favor de terceiro,
designado tomador beneficiário (credor).
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O cheque, que está disciplinado na Lei nº
7.357/85.
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1.2 Direito e legislação empresarial

O cheque é ordem de pagamento à vista. Mas


imagine que seja pós-datado (usualmente pré-
datado), para dali a cinco meses. Se o
beneficiário apresentar o título imediatamente, o
banco (sacado) pagará da mesma maneira, pois
é título de crédito à vista.
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Ocorre, no entanto, que essa apresentação


antecipada é uma conduta desleal, pois o
combinado foi outra data. Por tal motivo,
segundo o Superior Tribunal de Justiça,
caracteriza dano moral a apresentação
antecipada do cheque (VIDO, 2019). Como não
há aceite no cheque, havendo fundo disponível e
apresentado o cheque, o banco ou instituição
financeira deverá pagá-lo.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Quanto ao endosso, segue as mesmas regras da


letra de câmbio: assinatura no verso do cheque
ou assinatura acompanhada de uma expressão
identificadora no anverso. Também poderá ser
em preto (identificado) ou em branco (sem
identificação). Ademais, não há limitação para o
endosso. Igualmente, não é possível o endosso
parcial, apenas total.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Importante quanto ao cheque é a questão da


apresentação para o respectivo pagamento. O
prazo de apresentação será de 30 dias (se for da
mesma praça) ou 60 dias (se for de praça
diferente), contados da data da emissão. Se o
cheque for oriundo de São Paulo, por exemplo,
mas apresentado em Brasília (praças diferentes),
o prazo é de 60 dias, portanto (CRUZ, 2018).
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1.2 Direito e legislação empresarial

O estudo dos prazos é para fins de contagem da


prescrição, isto é, o tempo de que o credor
dispõe para executar judicialmente o título. Mas
atente-se: só é possível a execução do endossante
se o cheque tiver sido apresentado dentro do
prazo legal, segundo o art. 47, II, da Lei nº
7.357/85. Quanto ao emitente e seus avalistas,
sem problema. A vedação da lei é quanto ao
endossante.
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1.2 Direito e legislação empresarial

É possível que o credor apresente o cheque para


pagamento e o banco (sacado) faça a devolução
indevida do cheque, quando, por exemplo,
ocorre um equívoco administrativo e o banco
não verifica o saldo suficiente para a cobertura
da ordem. Segundo o Superior Tribunal de
Justiça, a simples devolução indevida do cheque
caracteriza dano moral (NEGRÃO, 2018).
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E a sustação do cheque?

Tem-se a chamada contraordem ou revogação, que é


dada pelo emitente e somente produz efeitos depois do
prazo de apresentação do cheque. A outra modalidade
de sustação é a oposição ou simplesmente sustação.
Neste caso, tanto o emitente quanto o portador
legitimado terão tal possibilidade. Aliás, essa oposição
poderá ocorrer até mesmo durante o prazo de
apresentação, diferentemente da modalidade anterior.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Tema de relevância é a questão da execução do


cheque por meio judicial. Nesse caso, o prazo
prescricional é de seis meses contados do fim do
prazo de apresentação para o ajuizamento da
ação em face do emitente e seu avalista. Caso
seja uma execução contra o endossante e seu
avalista, o prazo será de seis meses a contar do
protesto ou da declaração da Câmara de
Compensação.
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Dica

Segundo a Lei nº 10.214/2001, Câmara de


Compensação é uma central ou mecanismo de
processamento central por meio do qual as
instituições financeiras acordam trocar
instruções de pagamento ou outras obrigações
financeiras (como valores mobiliários).
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1.2 Direito e legislação empresarial

As instituições liquidam os instrumentos


trocados em um momento determinado com
base em regras e procedimentos da Câmara de
Compensação. Em alguns casos, a Câmara de
Compensação pode assumir responsabilidades
significativas de contraparte, financeiras ou de
administração do risco para o sistema de
compensação.
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1.2 Direito e legislação empresarial

Na hipótese de o cheque encontrar-se prescrito,


também é possível, assim como para as demais
espécies de títulos de crédito, o manejo da
chamada ação monitória, que considera o título
prescrito, então não executável por
procedimento mais célere, como um instrumento
de dívida civil.

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