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AULA 6:

PAPEL DOS
PAIS NO
PROCESSO
TERAPÊUTICO
INFANTIL
PROFA. JANAINA SILVA OLIVEIRA
Mestre em Linguística
Neuropsicóloga
Especialista em Preceptoria no SUS
Valorização do
acompanhamento dos pais:
reflexão e compreensão sobre
a criança.

Pais: faz parte da dinâmica e


desenvolvimento do sintoma
do filho, ainda que se
mostrem resistentes a admitir
e se envolver no trabalho
psicoterápico.
O intercâmbio de informações: transmitir dados sobre o
andamento geral da terapia, sem romper com o sigilo específico
das sessões com a criança.

Aos pais cabe informar o terapeuta:


as mudanças circunstanciais na família
fornecer atualizações sobre a vida e comportamento da
criança fora do ambiente de tratamento.
O desenvolvimento de uma aliança colaborativa com os
pais: informações sobre passado e o presente da criança.

Tal aliança implica que o terapeuta deve se esforçar para manter a


neutralidade, não se posicionando do lado dos pais contra a
criança ou com a criança contra os pais.
O trabalho com os pais ao longo do tratamento pode seguir de
várias formas, inclusive com sessões que reúnam diferentes
membros da família, conforme a especificidade de cada caso.

Tais manejos exigem do terapeuta uma postura flexível,


devendo abranger soluções abertas e criativas.
É importante observar a psicopatologia parental, dos estilos
parentais e do manejo parental no desenvolvimento e
manutenção de muitos transtornos infantis.

Discutir o papel potencial dos pais e cuidadores na


instalação, manutenção e tratamento dos problemas de
seus filhos.

(STALLARD, 2007)
ESTILOS
PARENT
AIS
Os estilos parentais constituem o conjunto de atitudes dos pais que cria
um clima emocional em que se expressam os comportamentos dos
pais, os quais incluem as práticas parentais e outros aspectos da
interação pais-filhos que possuem um objetivo definido, tais como:
tom de voz, linguagem corporal, descuido, mudança de humor
(DARLING; STEINBERG, 1993).

Os estilos parentais são manifestações dos pais em direção a seus


filhos que caracterizam a natureza da interação entre esses (REPPOLD
e cols., 2002, p. 23).
O conceito de estilo parental foi
ampliado desde Baumrind (1966) até
Darling e Steinberg (1993). Assim, o
estudo sobre práticas disciplinares
deixou de restringir-se ao papel de
controle, passando a abranger o
aspecto de responsividade às
necessidades das crianças e, mais
ainda, englobando tudo o que
contribui para a constituição do clima
emocional em que o filho é educado
PAIS NA PSICOTERAPIA
 Realiza um processo avaliativo antes de iniciar a
psicoterapia.
Essa avaliação varia no tempo e nos instrumentos
utilizados conforme a orientação teórica e prática de
cada profissional.
Os psicólogos que adotam a avaliação inicial, realizam
uma devolução para os pais ao final da mesma.
Nessa devolução, são discutidos com a família os resultados obtidos, a
possibilidade ou não de um diagnóstico inicial, os instrumentos
utilizados e a indicação terapêutica.

No momento da alta, também é indicada a realização de uma ou mais


entrevistas de encerramento com os pais para avaliação do processo e
discussão das indicações futuras
A instalação de um dispositivo de escuta aos pais pode ser um
importante favorecedor para a evolução do processo terapêutico da
criança (KLINGER; REIS; SOUZA, 2011; SILVA; REIS, 2017).
PAPEL DOS PAIS

FACILITADORES: trabalho direto com crianças;

CO-TERAPEUTAS: papel ativo, incentivar e supervisionar o


uso de habilidades por parte da criança fora da sessão.
CO-CLIENTES: envolve os pais como sujeitos de
intervenção direta. Ex: novas habilidades como pais.

CLIENTES: pais alvo da intervenção e a criança não


participa das sessões. Ensinar os pais habilidades
positivas de manejo de comportamentos, soluções de
problemas e negociação.
Oren (2011) propõe um modelo que consiste numa intervenção
terapêutica com os pais, que visa trabalhar o sentido da
paternidade/maternidade.

Devido às dificuldades emocionais dos pais, o terapeuta não terá


outra escolha senão aconselhamento parental como uma forma
de proporcionar mudanças no funcionamento familiar.
PAPEL DO TERAPEUTA
O terapeuta precisa ser confiável, conhecer a cultura dos pais e
as tradições familiares.

Seu estilo pessoal e seus valores devem ser respeitosamente


levados em consideração no processo de psicoterapia com
crianças.
O terapeuta deve encaminhar para psicoterapia individual os pais
que estiverem apresentando dificuldades psicológicas que
interfiram no progresso do tratamento da criança.

Quando o pai ou a mãe não puder ser encaminhado, o terapeuta


deve ter o cuidado de não assumir a postura de terapeuta
individual tanto da criança quanto de um dos pais.
DIFICULDADES NA
PARTICIPAÇÃO DOS PAIS
Ocupam o papel de representantes
ou sintoma do conflito familiar ou
conjugal. A criança como
sintoma dos
conflitos familiares ou
A criança pode ocupar o lugar de um do casal
bode expiatório, os pais enfrentam
dificuldades para perceber os seus
conflitos.
DIFICULDADES NA
PARTICIPAÇÃO DOS PAIS
E delegam ao terapeuta a tarefa de resolver
o “problema”, sem se implicar.
A criança como
sintoma dos
Os pais apresentam dificuldade para rever conflitos familiares ou
e mudar os próprios comportamentos, do casal
podem não estabelecer uma aliança
terapêutica satisfatória com o terapeuta
do filho (a).
Suas dificuldades para cumprir combinações,
interromperem o tratamento quando a
criança melhora ou quando emergem as suas
próprias dificuldades. Resistência dos
pais à
psicoterapia e às
mudanças
Os terapeutas relataram também a dificuldade
dos pais (homens) de participar do
tratamento dos filhos, em muitos casos, e de
comparecer às entrevistas para as quais são
convidados.
Atrasos,
Faltas, Cumprimento do contrato
pelos pais
Não cumprimento das
combinações de pagamento,
Desrespeito ao sigilo.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
SEI, M; SOUZA, C; ARRUDA, S. O sintoma da criança e a dinâmica familiar:
orientação de pais na psicoterapia infantil. Vínculo v.5 n.2 São Paulo dez. 2008.
Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-2490200800020
0009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
CASO CLÍNICO
Fui procurada pelos pais de Ciro quando ele tinha 8 anos de idade. Nesta
época, Ciro vinha apresentado medo de ir à escola, chorando ao entrar e se
recusando a separar-se dos pais (isso já ocorria a dois meses). Apresentava,
também, dores de barriga e ânsia de vômito somente na escola e nos
momentos que antecediam sua ida para lá. Pedia várias vezes para a
professora deixa-lo ir à enfermaria para tomar remédio e de lá ligava para
seus pais dizendo que não estava se sentindo bem. Os pais ficavam
preocupados e por várias vezes foram buscá-lo mais cedo na escola, assim
como, muitas vezes, deixavam a criança em casa. No ambiente familiar na
presença dos pais não apresentava qualquer sinal de desconforto gástrico.
Quando fui procurada, já havia sido feita uma avaliação médica de Ciro, na
qual fora descartada a possibilidade de existir um problema orgânico.
CASO CLÍNICO

1) Qual é o estilo parental dos pais de Ciro?

2) Qual o papel dos pais de Ciro na psicoterapia?

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